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Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA TÊXTIL
APOSTILA DE MÉTODOS E PROCESSOS
DE
MANUFATURA DE MALHA I
NATAL
MALHARIA
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc.
- 1 - DADOS HISTORICOS ..... SUMÁRIO
- 1.1 - OBJETIVOS DE UMA MALHARIA.....................................................................................................................
- 2 - FIOS USADOS EM MALHARIA..............................................................................................................................
- 2.1 - O FIO DE MALHARIA...........................................................................................................................................
- 2.1.1 - PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO FIO DE MALHARIA:
- a) UNIFORMIDADE
- b) FLEXIBILIDADE.............................................................................................................................................
- c) ELASTICIDADE
- d) RESISTÊNCIA
- 2.1.2 - DIFERENTES TIPOS DE FIOS PARA MALHARIA.
- 2.1.3 - FIOS COM MISTURA DE FIBRAS.
- 2.1.4 - TECIDOS COM MISTURA DE FIOS
- 3 - TEXTURIZAÇÃO
- 3.1 - FIOS TEXTURIZADOS.
- 3.1.1 - POR QUE SE TEXTURIZAM OS FIOS
- 4 - SISTEMAS FORMADORES DOS TECIDOS DE MALHA.
- 4.1 - MALHARIA POR TRAMA.
- 4.1.1– CARACTERÍSTICAS DA MALHA POR TRAMA:
- 4.2 - MALHARIA POR URDUME.
- 4.2.1 - CARACTERÍSTICAS DA MALHA POR URDUME:
- 5 - INICIALIZAÇÃO PARA ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE TECIDO DE TRAMA.
- 5.1 - COLUNAS E CARREIRAS DE MALHA:
- 5.1.1 - COLUNAS DE MALHAS:
- 5.1.2 - CARREIRAS DE MALHAS:
- 5.2 - MALHAS DIREITAS E MALHAS AVESSAS (ESQUERDAS).
- 5.2.1 - MALHAS DIREITAS:
- 5.2.2 - MALHAS ESQUERDAS:
- 3 - SIMBOLOGIA TÉCNICA PARA A LEITURA DOS DIAGRAMAS:
- 5.3.1 - PARA A EVOLUÇÃO DO FIO:
- 5.3.2 - PARA AS AGULHAS:
- 5.4 - POSIÇÃO DAS AGULHAS EM MÁQUINAS.
- 5.4.1 - MÁQUINAS MONOFRONTURAS:
- 5.4.2 - MÁQUINAS DE DUPLA FRONTURA:
- 5.5 - PASSOS PARA ANALISAR TECIDOS DE TRAMA.
- 5.5.1 - MONOFRONTURA (MEIA MALHA):............................................................................................................
- 5.5.2 - DUPLA FRONTURA (MALHA DUPLA):
- 5.6 - DETERMINAR O DIREITO E O AVESSO DO TECIDO.
- 5.6.1 - TECIDO DE MEIA MALHA (MÁQUINAS MONOFRONTURA):
- 5.6.2 - TECIDOS DE MALHA DUPLA (MÁQUINAS DE DUPLA FRONTURA):
- 5.6.3 - DETERMINAR A CARREIRA CORRETA DE FIO PARA DESMALHAR A AMOSTRA:
- 5.6.4 - DETERMINAR O RAPORT DE ESTRUTURA DO TECIDO: Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc.
- 5.6.5 - DETERMINAR O RAPORT DE CORES E/OU DE COMPOSIÇÃO:
- 5.6.6 - DESCAMPIONAR O TECIDO DETERMINANDO O N° DE ALIMENTADORES:
- 5.7 - DETERMINAR O NÚMERO DE PISTAS:
- -CONCLUSÃO:
- 6 - CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS TECIDOS DE MALHA.
- 6.1 - ESTRUTURAS BÁSICAS DA MALHARIA POR TRAMA.
- 6.1.1 - JERSEY (TECIDO MONOFRONTURA).
- 6.1.2 - MEIA MALHA
- 6.1.3 - MEIA MALHA SIMPLES:
- 6.2 - MEIA MALHA COM LISTRAS HORIZONTAIS E VERTICAIS.
- 6.2.1 - RISCAS HORIZONTAIS:
- 6.2.2 - RISCAS VERTICAIS:
- 6.2.3 - XADREZ
- 6.3 - MEIA MALHA VANISADA (VANISÉ):
- CAMOS). 6.4 – MALHA TIPO PIQUÉ E FELPA SEU RAPORT E POSIÇÃO DOS EXCÊNTRICOS (CAMES OU
- 6.4.1 - PIQUÉ LACOSTE SIMPLES:...........................................................................................................................
- 6.4.2 - PIQUÊ DUPLO:
- 6.4.3 - FELPA ITALIANA:............................................................................................................................................
- 6.4.4 - FELPA AMERICANA:
- 7 - ESTRUTURAS PRODUZIDAS COM DOIS SISTEMAS DE AGULHAS.
- 7.1 - RIB E SEUS DERIVADOS.
- 7.1.1 – RIB:
- 7.1.2 - MILANO RIB:.....................................................................................................................................................
- 7.2 - PONTO ESQUERDO:
- 7.3 – MALHA SALTADA ...............................................................................................................................................
- 7.3.1– MALHA CARREGADA.......................................................................................................................................
- 8 - COMPONENTES PRINCIPAIS NA FORMAÇÃO DA MALHA.
- 8.1 - SISTEMAS DE CAMES DE TEARES CIRCULARES.
- 8.1.1 - MÉTODO DA AFERIÇÃO COM RELÓGIO COMPARADOR:
- 8.1.2 - ALTURA DO DISCO:
- 8.1.3 - SIMBOLOGIA DOS CAMES DESCARREGADORES:
- 8.2 – AGULHAS.
- TIPOS DE PLATINAS: 8.3.1 - NAS MÁQUINAS DE MALHARIA CIRCULAR ENCONTRAM-SE BASICAMENTE DOIS
- PROGRAMAÇÕES, A SABER: EXISTEM MÁQUINAS COM RECURSOS TÉCNICOS PARA MAIOR DIVERSIFICAÇÃO DAS
- 9 - PROCESSO DE FORMAÇÃO DE MALHA EM MÁQUINAS MONOCILÍNDRICAS.
- AS FASES DE FORMAÇÃO DE MALHA EM MÁQUINAS MONO CILÍNDRICAS........................................... 9.1 - OS DIAGRAMAS QUE SERÃO APRESENTADOS A SEGUIR REPRESENTAM
- 10 - SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO ........................................................................................................................... Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc.
- 10.1 - ALIMENTAÇÃO NEGATIVA .........................................................................................................................,,
- 10.2 - ALIMENTAÇÃO POSITIVA .............................................................................................................................
- 10.3 - AJUSTAGEM DOS GUIA-FIO ..........................................................................................................................
- 10.3.1 - ALIMENTADORES DE FIO PARA MÁQUINAS MONOFRONTURA ...................................................
- 10.3.2 - ALIMENTADORES DE FIO PARA MÁQUINAS DE DUPLA FRONTURA ...........................................
- 11 - ÓRGÃO PUXADOR E ENROLADOR DE TECIDO ..........................................................................................
- 12 – MALHARIA RETILÍNEA .................................................................................................................................... SEGUNDA PARTE
- 12.1 - ESQUEMA DE UM TEAR RETILÍNEO. ABAIXO A DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS ................
- 12.1.2 - TEAR RETILÍNEO DE DUAS FRONTURAS ..............................................................................................
- 12.3 - A MÁQUINA RETILÍNEA .................................................................................................................................
- 12.4 - ELEMENTOS DE TECIMENTO PARA MÁQUINAS RETILÍNEAS ..........................................................
- 12.4.1 - AGULHA DE LINGÜETA ...............................................................................................................................
- 12.4.2 - GUIA-FIOS .........................................................................................................................................................
- 12.4.3 - ESCOVAS ...........................................................................................................................................................
- 12.5 - ELEMENTOS DE TECIMENTO PARA MÁQUINAS CIRCULARES ........................................................
- 12.5.1 - AGULHAS ..........................................................................................................................................................
- 12.5.2 - PLATINAS .........................................................................................................................................................
- 12.5.3 - JACKS-PADRÃO ..............................................................................................................................................
- 12.5.4 - A AGULHA DE LINGÜETA ...........................................................................................................................
- 13 - FORMAÇÃO DE PONTO CARREGADO NAS AGULHAS DE LINGÜETA ...............................................
- 13.1 - PONTO CARREGADO POR DESCIDA INSUFICIENTE .............................................................................
- 13.2 - PONTO CARREGADO POR SUBIDA INSUFICIENTE ................................................................................
- 14 - MÁQUINAS RETILÍNEAS MANUAIS ................................................................................................................
- 14.1 - MÁQUINAS RETILÍNEAS MANUAIS DE CAMOS SIMPLES ....................................................................
- 14.2 - POSIÇÕES DE TECIMENTO NA MÁQUINA DE CAMOS SIMPLES .......................................................
- 14.3 - FORMAÇÃO DE MALHAS NA MÁQUINA DE CAMOS SIMPLES ...........................................................
- 14.4 - FORMAÇÃO DE PONTO CARREGADO NA MÁQUINA DE CAMOS SIMPLES ...................................
- 14.4.1 - PONTO CARREGADO POR DESCIDA INSUFICIENTE ..........................................................................
- 15 - MÁQUINAS RETILÍNEAS MANUAIS DE CAMOS DE SUBIDA INSUFICIENTE .....................................
- 15.1 - POSIÇÕES DE TECIMENTO NA MÁQUINA DE CAMOS DE P0NTO CARREGADO ..........................
- 15.1.1 - POSIÇÕES DE TECIMENTO NA MÁQUINA IFM .....................................................................................
- 15.2 - FORMAÇÃO DE MALHAS NA MÁQUINA DE CAMOS DE PONTO CARREGADO .............................
- CARREGADO.................................................................................................................................................................. 15.3 - FORMAÇÃO DE PONTO CARREGADO NA MÁQUINA DE CAMOS DE PONTO
- 15.3.1 - PONTO CARREGADO POR SUBIDA INSUFICIENTE..............................................................................
- 16 - MÁQUINAS RETILÍNEAS MANUAIS DE CAMOS DE TRÊS POSIÇÕES ..................................................
- 16.1 - POSIÇÕES DE TECIMENTO NA MÁQUINA DE CAMOS DE TRÊS POSIÇÕES ...................................
- 16.2 - POSIÇÕES DE TECIMENTO NA MÁQUINA ARS .......................................................................................
- PONTO CARREGADO ................................................................................................................................................. 17 - OBTENÇÃO DOS TECIDOS BÁSICOS NAS MÁQUINAS RETILÍNEAS SEM CAMOS PARA
- 17.1 - REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS TECIDOS .............................................................................................
- 17.1.1 - ESQUEMA DE CHAVES................................................................................................................................
- 17.1.2 - REGULAGEM DE PONTO..............................................................................................................................
- 17.1.3 - DESENHO DO CARRO....................................................................................................................................
- 17.1.4 - PERFIL DO ENTRELAÇAMENTO ..............................................................................................................
- 17.2 - REPRESENTAÇÕES DE TIPOS DE PONTO .................................................................................................
- 17.3 - TECIDOS BÁSICOS ...........................................................................................................................................
- 17.4 - ESTRUTURA RIB ...............................................................................................................................................
- 17.5 - ESTRUTURA JERSEY OU MEIA MALHA ....................................................................................................
- CARREGADO ................................................................................................................................................................ 18 - OBTENÇÃO DOS TECIDOS BÁSICOS NAS MÁQUINAS RETILÍNEAS COM CAMOS DE PONTO
- 18.1 - ESTRUTURA RIB ...............................................................................................................................................
- 18.2 - ESTRUTURA JERSEY OU MEIA MALHA ....................................................................................................
- 18.3 - ESTRUTURA TUBULAR ...................................................................................................................................
- 18.4 - ESTRUTURA MEIO CARDIGAN ..................................................................................................................... Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc.
- 18.5 ESTRUTURA CARDIGAN .................................................................................................................................
- 19 - PADRONAGEM ....................................................................................................................................................
- 19.1 - PROGRAMAÇÃO ..............................................................................................................................................
- 19.1.2 - INÍCIO DE TECIMENTO RIB ......................................................................................................................
- 19.1.3 - INÍCIO DE TECIMENTO JERSEY OU MEIA MALHA ..........................................................................
- 19.2 4 - SENTIDOS DE PASSAGEM DO CARRO ...................................................................................................
- 19.3 - DISPOSIÇÕES GERAIS DOS COMPONENTES DE TECIMENTO .........................................................
- 19.4 - FOLHA DE MOVIMENTOS ............................................................................................................................
- 19.4.1 - FOLHA DE MOVIMENTOS DE UMA MÁQUINA MANUAL ...............................................................
- 20 - REPRESENTAÇÕES GRÁFICAS DE EFEITOS E RECURSOS DE TECIMENTO ..................................
- 20.1 - REGRAS DO EFEITO VARIADO...................................................................................................................
- 20.2 - TRANSFERÊNCIA DE MALHAS ..................................................................................................................
- 20.3 - PASSAGEM DE MALHA .................................................................................................................................
- 20.4 - TECIMENTO .....................................................................................................................................................
- 21 - CÁLCULOS DE MALHARIA CIRCULAR E RETILÍNEA ............................................................................ TERCEIRA PARTE
- 21 .1 - JORNADA DE TRABALHO ............................................................................................................................
- 21.2 - DESCRIÇÃO DO MAQUINÁRIO ...................................................................................................................
- 21.3 - CARACTERÍSTICAS DOS FIOS ....................................................................................................................
- 21.4 – APRESENTAÇÃO DOS ARTIGOS ................................................................................................................
- 21.5 – ESTRUTURA DE MALHARIA .......................................................................................................................
- 21.6 – CÁLCULOS DE MALHARIA DE TRAMA....................................................................................................
- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................................................
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc. confecções, sendo processada em centros de costura. A outra trabalha com produtos prontos para o uso, tais como meias e meias calças.
O extraordinário crescimento que adquiriu esta indústria não pode ser atribuído apenas à questão de moda, mas é uma conseqüência das características especiais das malhas, que são: Uniformidade, Flexibilidade, Elasticidade e Resistência.
Falando agora das malhas. Até a bem pouco tempo o setor das malhas era considerado uma ramificação de segundo plano da indústria têxtil e do vestuário.
Nas últimas décadas porém, o setor das malhas passou a ocupar um lugar de grande relevo, que é hoje idêntico ao da tecelagem, tendendo mesmo a ultrapassá-la, a medida que mais estruturas de malha são utilizadas em artigos de vestuário, tapetes, estofos, etc. Este sucesso não é somente produto da moda, mas é sobretudo devido ás características das malhas, particularmente a sua elasticidade, porosidade, e maciez que se adequam melhor a uma maneira de viver mais descontraída que caracteriza os tempos modernos, bem como ao
desenvolvimento tecnológico dos teares de malhas que tem sido verdadeiramente espetacular. Mas recuando uns séculos no tempo, em 1580 o reverendo “William Lee” inventou o primeiro tear de malhas com agulhas de mola. Em 1775 “Crane” inventa o tear de teia. Mais tarde em 1861, “Paget” introduziu aperfeiçoamentos importantes nos teares, assim como, em 1864 “William Cotton”. Mas para os teares foi decisiva a invenção de “Mathew Townsed, em 1849, da agulha de lingüeta que permite ser o tear de malhas muito mais simples e rápido”.
1.1 - OBJETIVOS DE UMA MALHARIA
Uma industria de malha tem como principal objetivo à manufatura de tecidos de malha, partindo da matéria-prima utilizada que é o fio.
A idéia que a maioria das pessoas têm é que o campo de malharia restringe-se a blusas, camisas e vestidos, que estamos acostumados a ver no nosso "dia-a-dia".
Entretanto, "malharia" é muito mais do que isso, bastando dizer que hoje a mulher pode vestir-se totalmente, desde o sapato até o chapéu com artigos de malhas. O campo masculino, porém, não ficou para trás, pois caminha na mesma direção, após ganhar inúmeras aplicações na camisaria, a malharia começa agora a entrar no campo dos ternos, das calças e dos blazers. Também nas aplicações industriais encontramos os artigos de malha em franco desenvolvimento; tapetes, redes de pesca, tela para posterior impregnação com plásticos, veludos para estofamento, telas para assento de cadeira, são hoje, graças às modernas técnicas desenvolvidas sobre máquinas de malharia.
De modo geral a maioria dos tecidos produzidos por indústrias de malhas é destinada a confecção de roupas masculinas, femininas e também infantis.
2 - FIOS USADOS EM MALHARIA
Na época do desenvolvimento das maquinas de malharia, grandes avanços foram feitos também na tecelagem, nos bordados e na produção de Rendas. A certa altura esse desenvolvimento foi tão rápido que se deu uma crônica escassez de fio.
O produto tradicional da Inglaterra sempre foi a Lã, cujos vários tipos são bem conhecidos
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc. em todo mundo. Antes da revolução industrial, os fios de lã eram fiados à mão, em quase todos os lugares da Inglaterra, mas desde o advento da máquina automática, essa indústria centralizou-se em Yorksire Inglaterra. Os fios de lã são ideais para praticamente todos os artigos de malha, e tem as propriedades exatas para serem processados com eficiência.
Os fios usados em malha são geralmente volumosos e flexíveis. Os fios de algodão têm sido usados na industria de malharia desde o ano de 1730. Os artigos de malha de algodão são macios e confortáveis, e por esta razão são muitos preferidos, apesar da introdução das fibras Artificiais e Sintéticas. Os fios de algodão podem ser de título muito fino, ou como outra alternativa, são muito econômicos quando de título médio ou grosso.
Tantos os fios Singelos, como os Binados, são usados em malharia, embora os melhores resultados sejam obtidos com os fios Binados. No século XX, tem sido notado com especialidade, pela produção de fibras Artificiais e Sintéticas, que também são muito usadas em malharia. Geralmente são Texturizados, para adquirir maior volume.
A seda pura, embora se adapte muito bem para Malharia, é atualmente raramente usada, devido seu alto preço, e pequena produção. por outro lado as propriedades das fibras Artificiais e Sintéticas, as tornam mais preferidas do que a seda para vários fins. Destas fibras as principais são: Rayon Viscose, Poliamida (Nylon), Rayon Acetato, Poliéster e Acrílico.
São muitos usados os fios mistos como: Poliéster/ Algodão, Poliéster/Lã e Acrílico/Lã.
2.1 - O FIO DE MALHARIA
As características dos fios para malharia diferem. Em alguns pontos daquelas requeridas nos fios empregados em outros métodos de fabricação de tecidos
2.1.1 - PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO FIO DE MALHARIA:
a) Uniformidade
b) Flexibilidade
c) Elasticidade
d) Resistência
a) UNIFORMIDADE
Um bom fio para malharia deve ter um diâmetro tão uniforme quanto for possível. Um tecido de malha revela mais as variações de diâmetro do fio do que qualquer outro tipo de tecido. Isto se deve ao fato de que a malha coloca um maior comprimento de fio dentro de um espaço relativamente pequeno de tecido. Nestas condições, uma irregularidade no diâmetro do fio é facilmente percebida no tecido. A posição paralela dos fios nos tecidos planos tende a contrabalançar estas variações dando uma aparência mais uniforme.
Sendo a uniformidade de grande importância nos fios para malharia, procura-se corrigir, ou pelo menos atenuar, as irregularidades dos fios.
Quando se trabalha com fio singelo, procura-se uma menor torção ao fio. Com menor torção, os fios ficam mais macios e aparentemente mais uniformes.
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc. 2.1.3 - FIOS COM MISTURA DE FIBRAS.
Também é muito comuns a utilização nas indústrias de malhas de fios com mistura de fibras, ou seja, na sua composição entram dois ou mais tipos de fibras diferentes.
Os mais utilizados são:
Algodão-Poliéster Poliéster-viscose
2.1.4 - TECIDOS COM MISTURA DE FIOS
Também são fabricados nas malharias tecidos com fios de diferentes composições. Estes tecidos são obtidos da utilização de dois ou mais fios de composição diferentes, sendo os mais conhecidos:
Poliéster e Helanca Helanca e Lycra Nylon e Lycra Nylon e Helanca
Obs: A maior utilização de mistura de fios é usada para obtenção de tecidos mais elásticos.
3 - TEXTURIZAÇÃO
- Definição
Texturização é um processo de modificação das fibras artificiais e sintéticas, aproveitando a termoplasticidade destas.
Os processos de texturização são aplicados fundamentalmente sobre os fios de filamentos contínuos. Já foram realizados ensais sobre fios fiados de fibras, com resultados nada satisfatórios em termos de performance.
Os processos de texturização diferem entre si quanto aos empregos ou não de aquecimento, torção e também quanto a forma em que estes são empregados.
Independentemente do processo de texturização utilizado, teremos ao final um fio modificado, com ou sem elasticidade, com ou sem volume (Gonflant).
Fios de filamentos são lisos, duros e possuem poucos espaços cheios de ar. A texturização consiste em dar a estes filamentos diversos tratamentos de modo a resultarem em fios macios, cheios, fofos, com interstícios de ar que conservam o calor, propriedades que caracterizam o fio
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc. para fiação. Para conseguir esta característica, dá-se forte crimping aos filamentos, seguido de termofixação.
A texturização pode ser feita por vários processos, como: Falsa torção (FT), Falsa torção fixada (FTF), a ar, a fricção, e outros, em que, a diferença entre eles é o grau de texturização, ou seja, quanto de volume, elasticidade e maciez se desejam dar a fibra. A escolha do processo de texturização dependo do uso final do fio.
3.1 - FIOS TEXTURIZADOS.
3.1.1 - POR QUE SE TEXTURIZAM OS FIOS
Sabe-se que os fios sintéticos e artificiais apresentam as seguintes desvantagens:
- Baixa capacidade de absorção ao suor;
- Baixo poder de permeabilidade (desconfortáveis tanto no verão como no inverno);
- Brilho muito acentuado, apresentando uma superfície muito lisa. Sendo assim, um fio texturizado possui as seguintes vantagens sobre um fio não texturizado:
- Melhor isolamento térmico;
- Pelo maior volume, proporciona tecidos mais leves;
- Brilho menos intenso;
- Elasticidade;
- Não apresenta “Pilling”. Quanto à elasticidade, existem artigos em que não se deve ter elasticidade, devido aos empregos dos mesmos; todavia existem processos que nos dão um fio sem elasticidade, ou a reduzem bastante.
Embora tenhamos estas vantagens do fio texturizado, devemos lembrar que ele também possui desvantagens, quais sejam:
- Custo mais alto;
- Apresenta “Fluagem” (deformação permanente).
4 - SISTEMAS FORMADORES DOS TECIDOS DE MALHA.
Basicamente podemos classificar a malharia em dois grandes grupos que se distinguem pelos seus sistemas de formação de malhas.
Esses dois grupos são conhecidos como:
a) Malharia por Trama
b) Malharia por Urdume
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc.
Representação da Malha por Urdume
5 - INICIALIZAÇÃO PARA ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE TECIDO DE
TRAMA.
Conhecendo as partes de uma malha:
5.1 - COLUNAS E CARREIRAS DE MALHA:
Todo tecido produzido em máquinas de malharia tem colunas e carreiras de malhas em sua estrutura.
5.1.1 - COLUNAS DE MALHAS:
são as malhas observadas no sentido VERTICAL do tecido, uma
Abaixo da outra.
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc. 5.1.2 - CARREIRAS DE MALHAS:
são as malhas observadas no sentido HORIZONTAL do tecido,
uma ao lado da outra.
5.2 - MALHAS DIREITAS E MALHAS AVESSAS (ESQUERDAS).
Normalmente observadas em tecidos de meia malha (máquinas de monofrontura):
5.2.1 - MALHAS DIREITAS:
são aquelas em que o corpo da malha anterior passa por cima da cabeça da próxima malha, são as malhas encontradas do lado direito do tecido.
5.2.2 - MALHAS ESQUERDAS:
são aquelas em que o pé da malha passa em cima do corpo da próxima malha e a cabeça da próxima malha passa por cima do corpo da malha anterior. São as malhas observadas no lado avesso do tecido.
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc. 5.4.2 - MÁQUINAS DE DUPLA FRONTURA:
. Posição Interlock: Quando as agulhas do disco e do cilindro encontram-se
posicionadas frente a frente uma das outras.
Posição Ribana: Quando as agulhas do cilindro estão dispostas intercaladas as
agulhas do disco (agulhas no passo).
5.5 - PASSOS PARA ANALISAR TECIDOS DE TRAMA.
Determinar as fronturas da máquina:
- Serve para determinar se a amostra a ser analisada é uma meia malha ou uma malha dupla, isto é, se foi produzida numa máquina de mono ou dupla frontura, quando analisamos a amostra a olho nu.
5.5.1 - MONOFRONTURA (MEIA MALHA):
- Os tecidos apresentam somente uma face que poderá ser trabalhada ou não.
- As carreiras de malhas apresentam cabeças de malhas alinhadas
- A amostra apresenta malhas direitas somente de um lado (direito) e malhas
- esquerda do outro lado (avesso do tecido).
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc.
- Normalmente os tecidos apresentam um toque mais fino e geralmente são mais
- leves. Este aspecto pode variar por vários motivos, como finura de máquina, título
- de fios e ajuste de ponto e etc.
5.5.2 - DUPLA FRONTURA (MALHA DUPLA):
- O tecido apresenta duas faces, podendo ser: de um lado desenho e do outro não (liso), ou apresentar desenho dos dois lados do tecido.
- A amostra apresenta cabeças de malhas em frente e atrás numa mesma carreira de malhas.
- A amostra revela colunas de malhas direitas dos dois lados do tecido.
- Via de regra os tecidos apresenta um toque mais grosso e geralmente são mais pesados. Estes aspectos também podem variar pelos mesmos motivos acima mencionados.
5.6 - DETERMINAR O DIREITO E O AVESSO DO TECIDO.
- Serve para sabermos qual o lado da amostra que colocaremos na nossa frente para começarmos a análise. Este será sempre o lado direito da amostra, independente do tipo da máquina.
5.6.1 - TECIDO DE MEIA MALHA (MÁQUINAS MONOFRONTURA):
- O lado direito será sempre o que apresentar mais brilho, melhor toque, malhas mais uniformes, desenhos e etc.
5.6.2 - TECIDOS DE MALHA DUPLA (MÁQUINAS DE DUPLA FRONTURA):
- O lado direito será o lado mais trabalhado, de melhor toque, com mais brilho, com desenho e etc.
- Sendo o avesso do tecido o lado com aspecto liso em relação aos desenhos,
- Menos trabalhado, mais áspero, com menos brilho e etc
5.6.3 - DETERMINAR A CARREIRA CORRETA DE FIO PARA DESMALHAR A
AMOSTRA:
- É fundamental que saibamos qual o sentido correto para começarmos a desmalhar sem estragar uma determinada amostra.
- Colocaremos então o direito da amostra a nossa frente e olharemos por cima dele e escolheremos um dos dois lados que apresentar a evolução de apenas um fio por carreira de malha.
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc.
- Cada pista determina qual o tipo de agulha que irá ser selecionada por ela. As pistas são responsáveis pela variação de trabalho de agulhas, portanto quanto maior o numero de pistas, maior a variedade de artigos a serem produzidos.
- Para cada alimentador existe um bloco de pista correspondente na máquina, Exemplo 1: Se uma máquina possui 4 pistas em um bloco, cada alimentador terá as 4 pistas para trabalho. Este fato pode ser percebido quando desmalhamos um tecido e vemos que ocorreu, por exemplo, 4 evoluções diferentes de agulhas num raporte de 4 agulhas.
Exemplo 3: Diagrama:
Observando o diagrama abaixo e considerando que o cilindro não foi desagulhado, iremos precisar de no mínimo 2 pistas, pois o raporte que é de duas agulhas apresenta dois tipos de evoluções diferentes no mesmo alimentador, então iremos precisar de uma pista para fazer a agulha trabalhar e a outra para anular a agulha.
-CONCLUSÃO:
I - O raporte é fundamental para analisarmos um tecido, pois:
- Determina quantas pistas serão utilizadas na máquina
- Determina o N° mínimo de alimentadores utilizados para se fazer o desenho, com isto poderemos saber se o desenho irá "fechar" ou não numa determinada máquina, dividindo o n° de alimentadores desta máquina pelo o n° de alimentadores do raporte do desenho, caso não seja múltiplo, os alimentadores restantes deverão ser anulados para que o desenho possa fechar sem falhas.
- Determina em quais alimentadores trabalhará determinado tipo de fio em sua composição e /ou cor.
- Determina a programação das pedras.
- Determina a programação das agulhas.
Professor: Marcos Silva de Aquino M.Sc. 6 - CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS TECIDOS DE MALHA.
A classificação dos tecidos de malha é quase impossível devido a grande variedade de estruturas existentes. Contudo desenvolveremos nosso assunto considerando as estruturas básicas para dois campos de malharia.
6.1 - ESTRUTURAS BÁSICAS DA MALHARIA POR TRAMA.
No campo da malharia por trama encontramos três estruturas que nos dão o fundamento para produção de tecidos de malha, seja em base linear ou circular, por peça dimensionada ou em peça tubular. Estas três estruturas, em ordem de simplicidade, são: Jersey, Rib e Ponto Reverso (LINKS).
Como podemos notar nas estruturas abaixo, que a característica do tecido Jersey está no entrelaçamento de pontos na mesma direção no lado direito. E que no avesso notamos as laçadas produzidas de forma semicirculares.
Existem vários tipos diferentes de estruturas de tecidos de malha de trama. Estas estruturas são conseqüência da formação do tipo de ponto ou da forma geométrica das laçadas. Existem quatro principais malhas (pontos) utilizados em tecidos de malharia:
¾ Ponto Simples (Normal); ¾ Ponto Reverso; ¾ Ponto Omitido (Fang); ¾ Ponto Retido (Flutuante).
Na Figura podem-se observar alguns dos tipos de laçadas mais usuais no tecimento de malhas.