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Apostila de Vibrações
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!





























































































Vibrações Mecânicas
Este texto apresenta as notas de aulas da disciplina Vibrações do curso de graduação em Engenharia Mecânica do Centro de Engenharias e Ciências Exatas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus de Foz do Iguaçu. Esta apostila não tem a pretensão de substituir os excelentes livros textos existentes na área [7], [5], [10] ou [12], mas apenas servir como um instrumento conciso e simples para que os alunos e o professor possam seguir durante as aulas teóricas e práticas. Assim, é aconselhável que os alunos mais interessados busquem informações em outros livros para complemen- tar e reforçar o assunto. Espero contar com o apoio dos alunos e demais colaboradores para melhorar este texto constantemente, sendo assim, suges- tões, correções e comentários são muito bem vindos. Gostaria de agradecer ao Prof. Dr. Milton Dias Junior da FEM/UNICAMP por ceder algumas figuras ilustrativas presentes no capítulo 1. Boa leitura e estudo!
A meta deste capítulo é introduzir os conceitos básicos envolvidos no estudo de vibrações mecânicas. Inicialmente, apresenta-se uma lista de al- gumas aplicações práticas na indústria dos conceitos envolvidos nesta dis- ciplina, com o propósito de motivar o leitor ao estudo de vibrações. Em seguida, destaca-se formalmente algumas definições básicas necessárias para estudar vibrações, como graus de liberdade, elementos de um sistema vi- bratório, forças de excitação, análise de sistemas equivalentes e posição de equilíbrio estático. Por fim, é mostrada uma forma de classificar os proble- mas de vibrações. Ao longo deste capítulo são apresentados alguns exercícios resolvidos.
Esta seção apresenta alguns exemplos de aplicações industriais que podem ser feitas a partir do conhecimento desta disciplina.
A análise vibro-acústica apresenta uma lugar de destaque no projeto de máquinas, automóveis, aeronaves, etc. Um nível de ruído ou vibração ex- cessivo em sistemas mecânicos pode comprometer o correto funcionamento de sistemas de engenharia, prejudicar o conforto humano e diminuir a vida útil do sistema. Portanto, uma análise sobre os níveis de vibração que um sistema mecânico pode atingir é extremamente necessária e desejada em pro- jetos modernos, seja no momento de síntese ou análise de algum protótipo. Um exemplo é a vibração de um motor de automóvel. O motor é montado em cima de coxins que são presos a estrutura metálica do automóvel. O es-
vistos na figura (1.2), constatou-se que as freqüências naturais destes modos eram excitadas nesta faixa de velocidades. A partir de um procedimento de otimização usando uma malha de elementos finitos foi possível propor uma modificação estrutural na porta e retrovisor visando reduzir este problema.
(a) Carro com instrumentação usada no ensaio.
(b) Detalhe da porta.
Fig. 1.1: Análise modal experimental em porta e retrovisor de carros.
Fig. 1.2: Alguns modos de vibrar da porta.
Quando um componente mecânico de um máquina rotativa^3 , como ro- lamentos, mancais, conexões, etc. apresentam algum defeito, como desali- nhamento, desbalanceamento, trinca, etc. o comportamento vibratório do sistema muda o seu padrão. Caso se conheça algum sinal de referência da máquina é possível realizar uma comparação entre dois estados: referência (sem dano) e com dano. Assim, é possível dar um diagnóstico se a máquina está ok ou não. Adicionalmente, com aplicação de análise espectral, pode ser possível inclusive dar um diagnóstico de que tipo de dano a máquina apre- senta. As unidades de geração de usinas hidrelétricas, como as de Itaipu, são exemplos de sistemas que são monitorados periodicamente a partir de sinais de vibração para que se avalie se os níveis de vibração global estão dentro do estabelecido pelos fabricantes das máquinas.
Integridade estrutural é o procedimento de extrair informações dinâmi- cas de estruturas como pontes, fuselagens de aeronaves, estruturas offshore, barragens, etc. visando detectar modificações estruturais correspondentes a falhas. Esta é uma área multidisciplinar, que compreende estudo de materi- ais, ferramentas estatísticas, reconhecimento de padrões, análise de tensões e
(^3) Sistemas rotativos compreendem ventiladores industriais, compressores, turbinas, etc.
O número de graus de liberdade (gdl) usado na análise de um sistema mecânico é o número de coordenadas cinematicamente independentes ne- cessárias para descrever completamente (localizar e orientar) o movimento espacial de toda partícula de um sistema em qualquer instante de tempo. Qualquer conjunto de coordenadas é chamado de conjunto de coordenadas generalizadas. Deve ficar claro para o estudante que a escolha de um con- junto de coordenadas generalizadas não é única. Quantidades cinemáticas como deslocamentos, velocidades e aceleração são escritas em função das coordenadas generalizadas e de suas derivadas temporais.
Um sistema mecânico contém componentes de inércia, de rigidez e amor- tecimento. Os componentes de inércia têm energia cinética quando o sistema está em movimento. A energia cinética de um corpo rígido^5 em movimento é
mv¯^2 +
Iω¯^2 (1.1)
sendo v¯ a velocidade do centro de massa do corpo, ω a velocidade angular do eixo perpendicular ao plano de movimento, m é a massa do corpo e I¯ é o momento de inércia de massa paralelo ao eixo de rotação que atravessa o centro de massa. Já um componente de rigidez (uma mola linear) tem um relação força deslocamento conforme a equação abaixo
F = kx (1.2) onde F é a força aplicada e x é a mudança do comprimento. A rigidez k tem dimensão de força por unidade de comprimento. No SI^6 a unidade de rigidez é N/m. Medir experimentalmente massa e rigidez não é tão difícil, agora medir amortecimento pode ser um enorme desafio, pois os sistemas mecânicos po- dem dissipar energia de formas diferentes. O mais comum é considerar um modelo de amortecedor com amortecimento viscoso. Um componente linear de amortecimento viscoso tem uma relação força-velocidade da forma
(^5) Lembrando que um corpo rígido é definido como um corpo onde as suas dimensões
devem ser consideradas na análise dinâmica e, assim, o momento de inércia deve ser levado em conta. (^6) Sistema Internacional.
F = cv (1.3) sendo c o coeficente de amortecimento. A unidade no SI é N.s/m. Existem outros tipos comuns de amortecimento como: amortecimento de Coulomb, amortecimento estrutural, etc. que serão descritos mais a frente durante este curso. Já quando uma coordenada angular é empregada como coordenada ge- neralizada para um sistema linear, o sistema pode ser modelado como um sistema torsional, figura (1.4).
Fig. 1.4: Sistema torsional.
O momento aplicado na mola linear torsional é proporcional a sua rotação angular enquanto o momento aplicado no amortecimento viscoso torsional é proporcional a velocidade angular. Os valores dos coeficientes do sistema torsional equivalente são determinados pelo cálculo da energia cinética to- tal, energia potencial, e trabalho feito pelo amortecedor viscoso do sistema original em termos da escolha da coordenada generalizada empregada
Ieq θ˙^2 , (1.4)
V =
kteqθ^2 , (1.5)
∫ (^) θ 2
θ 1
cteq θdθ.˙ (1.6)
De acordo com a força de excitação que age em um sistema mecânico as respostas de vibração podem ter características diferentes. A seguir os tipos
−1 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
−0.
−0.
−0.
−0.
0
0.
0.
0.
0.
1
Tempo [s]
Amplitude [N]
Fig. 1.5: Exemplo de força harmônica.
(^00) 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
0.
1
1.
2
2.
3
3.
4
4.
Tempo [s]
Amplitude [N]
Fig. 1.6: Exemplo de força periódica.
(^00) 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
0.
0.
0.
0.
0.
0.
0.
0.
0.
1
Tempo [s]
Amplitude [N]
Fig. 1.7: Exemplo de força transitória.
−3 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
−
−
0
1
2
3
Tempo [s]
Amplitude [N]
Fig. 1.8: Exemplo de força aleatória.
Fig. 1.10: Sistema mecânico como molas em paralelo.
F = keqx = k 1 x + k 2 x + · · · + knx =
( (^) n ∑
i=
ki
x. (1.13)
Analisando a Eq. (1.13) observa-se que a rigidez equivalente para um sistema com molas em paralelo é dada por:
keq =
∑^ n
i=
ki. (1.14)
Molas em série: Já o sistema da figura (1.11) tem molas em série que são fixadas a um bloco com massa m. Novamente a meta é definir qual a rigidez equivalente desta combinação de molas.
Fig. 1.11: Sistema mecânico como molas em série.
Definindo o deslocamento do bloco como sendo xi na i-ésima mola e assumindo que cada mola não tem massa, a força desenvolvida na extre- midade de cada mola tem a mesma magnitude, mas direções opostas. Assim a força em cada mola é
F = keqx = k 1 x 1 = k 2 x 2 = · · · = knxn. (1.15)
Sendo assim, o deslocamento total será descrito por
x = x 1 + x 2 + · · · + xn =
∑^ n
i=
xi =
k 1
k 2
kn
Resolvendo para xi da Eq. (1.15) e substituindo na Eq. (1.16) conduz à
x ∑n i=
1 ki
A partir da Eq. (1.17) pode-se concluir que para um sistema com molas em série a rigidez equivalente é descrita por
keq =
∑n i=
1 ki
Sistemas mecânicos, como os da figura (1.9), têm elementos elásticos que estão sujeitos a forças quando o sistema está em equilíbrio. A deflecção resultante no elemento elástico é chamada de deflecção estática, geralmente nomeada por ∆st. O efeito de deflecção estática de um elemento elástico em um sistema linear não tem efeito na rigidez equivalente do sistema.
Há diferentes formas de classificar as vibrações em sistemas mecânicos:
Quanto a excitação: As vibrações podem ser livres^8 ou forçadas^9.
Quanto ao amortecimento: As vibrações podem ser amortecidas ou não- amortecidas.
Quanto ao deslocamento: Pode ser retilíneo ou torcional, ou combinação de ambos. (^8) O sistema vibra nas suas freqüências naturais e não há força de excitação externa. (^9) O sistema vibra na freqüência de excitação.