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apostila zoonoses, Notas de estudo de Cultura

descreve principais zoonoses

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 01/12/2015

fernandabahia
fernandabahia 🇧🇷

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CURSO TÉCNICO EM ZOOTECNIA – MATUTINO E NOTURNO
COMPONENTE CURRICULAR:
DISCIPLINA DE ZOONOSES
PROFA. FARMACÊUTICA FERNANDA OLIVEIRA BAHIA
PALAVRAS DO PROFESSOR AUTOR:
Prezados alunos:
O presente material refere-se ao conteúdo que iremos desenvolver juntos no decorrer do
semestre, portanto é de fundamental importância que todos o tenham arquivado em suas casas
ou em mãos durante todas as aulas.
Estaremos estudando ZOONOSES, disciplina que proporcionará a vocês um melhor
entendimento sobre as principais doenças veiculadas entre homens e animais.
Sempre que possível e necessário for, estarei auxiliando vocês com outros materiais para o
suporte aos estudos da disciplina e listas de exercícios para fixação.
Solicito a vocês a leitura prévia do assunto que trataremos nas aulas para que nosso
aprendizado seja mais dinâmico para vocês e também para mim.
Sua participação durante as aulas é de fundamental importância para que você melhor entenda
o conteúdo e para que eu, na condição de docente, saiba se as aulas estão sendo proveitosas
para vocês.
ESCOLA TÉCNICA DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE MINAS GERAIS – EFOP/MG
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CURSO TÉCNICO EM ZOOTECNIA – MATUTINO E NOTURNO

COMPONENTE CURRICULAR:

DISCIPLINA DE ZOONOSES

PROFA. FARMACÊUTICA FERNANDA OLIVEIRA BAHIA

[email protected]

PALAVRAS DO PROFESSOR AUTOR:

Prezados alunos:

O presente material refere-se ao conteúdo que iremos desenvolver juntos no decorrer do semestre, portanto é de fundamental importância que todos o tenham arquivado em suas casas ou em mãos durante todas as aulas. Estaremos estudando ZOONOSES, disciplina que proporcionará a vocês um melhor entendimento sobre as principais doenças veiculadas entre homens e animais. Sempre que possível e necessário for, estarei auxiliando vocês com outros materiais para o suporte aos estudos da disciplina e listas de exercícios para fixação. Solicito a vocês a leitura prévia do assunto que trataremos nas aulas para que nosso aprendizado seja mais dinâmico para vocês e também para mim. Sua participação durante as aulas é de fundamental importância para que você melhor entenda o conteúdo e para que eu, na condição de docente, saiba se as aulas estão sendo proveitosas para vocês.

Obs: Tudo aquilo que for falado, comentado e debatido em sala, se for relevante, também será considerado matéria dada, portanto, não se prendam apenas ao conteúdo da apostila. Participem das aulas e sempre anotem o que for importante.

Estarei à disposição para esclarecimento de dúvidas. Certa de que faremos um bom trabalho juntos, desde já agradeço.

Atenciosamente, Profa. Farm. Fernanda Oliveira Bahia Agosto/

APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA DE ZOONOSES

A disciplina de zoonoses aborda todo o entendimento sobre doenças que podem ser veiculadas entre homens e animais, sendo muitas delas graves problemas de saúde pública. Para o aluno futuro técnico em zootecnia é um conteúdo simples que pode ser muito útil em sua vivência prática como profissional. Contaremos nesse componente curricular com vários outros conteúdos que vocês já estudaram, que nos ajudarão na formação desses conceitos sobre doenças zoonóticas. Aproveitem nosso tempo juntos para entender um pouco mais sobre esse assunto. Prontos para começar? Então, vamos aos nossos estudos!

Para iniciarmos o assunto propriamente dito, seria interessante definir primeiro o que é Vigilância Sanitária e depois definirmos zoonoses, para saber a relação entre os dois aspectos. Assim, através da Lei 8.080 del9/09/80 do Ministério da Saúde, Artigo 6, 1o^ Parágrafo, a Vigilância Sanitária foi definida como um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos a saúde (estudo das zoonoses) e de intervir nos problema sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: a) o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente se relacionam com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, de produção ao consumo; b) o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde; c) controle das zoonoses de maior importância em saúde pública. Portanto, tendo em vista as principais atuações da Vigilância Sanitária, vamos entrar no estudo das zoonoses que são doenças ou infecções que mais nos interessam e que passaremos a estudar.

CONCEITUAÇÃO DAS ZOONOSES

Desde os primórdios da história, o homem começou a perceber que ele era suscetível de adquirir doenças dos animais. Os hebreus da época de Moisés (séc. XV ;i. C.) por exemplo, já conheciam a raiva e sabe-se que existia entre eles um dito popular que dizia: "Ninguém acreditará no homem que disser ter sido mordido por um cão raivoso e ainda esteja vivo". Referências ao mormo e sua transmissão ao homem existem nos escritos de Aristóteles e Hipócrates, que viveram no século IV a.C. Virgílio, poeta romano do século I a.C., reconheceu ser o carbúnculo hemático (antrax) no homem transmitido pelo tosquiamento de carneiros mortos pela doença. Todavia, foi somente após a descoberta das características de certas bactérias e outros organismos interiores, que se puderam estabelecer analogias entre muitas doenças contagiosas do homem e dos animais. O vocábulo ZOONOSES foi introduzido na literatura médica pelo Médico Alemão Rudolf’ Wirchow, no século passado (XIX), para caracterizar as doenças animais que podiam ser transmitidas ao homem. Etmologicamente a palavra é originária do grego, sendo que seu prefixo "zoon" significa animal e o sufixo "nosos", doenças, traduzindo-se literalmente por doenças animal. Embora a palavra não reflita bem este sentido, o vocábulo ficou consagrado pelo uso, passando a ser, naturalmente, utilizada nas ciências médicas. A amplitude do termo gerou inúmeras discussões com a finalidade de conceituar de uma maneira mais racional e significativa, as zoonoses. Assim, em 1966, durante a realização do "3 o Encontro de Peritos em Zoonoses da Oganização Mundial da Saúde", conseguiu-se chegar a um

consenso, definindo-se as zoonoses como: "as doenças e infecções naturalmente transmissíveis entre os hospedeiros vertebrados e o homem". A presença dos vocábulos "doença" e "infecção" tem a finalidade de enfatizar as condições que um hospedeiro poderá apresentar, isto porque o animal infectado pode não evidênciar manifestações clínicas (sintomas) que permitam sua identificação no meio, ao contrário do animal doente, o qual manifestará evidências de alterações orgânicas. Assim, na febre Q, por exemplo, os bovinos podem constituir-se em fontes de infecção para o homem, observando-se neste hospedeiro (homem) manifestações clínicas (sintomas) decorrentes da ação patogênica de ricketsia, responsável pela doença Coxiella burnetti. O mesmo raciocínio se aplica à raiva silvestre, em que os morcegos hematófagos constituem reservatório para o vírus da doença, não apresentando, via de regra, sintomas de infecção, mais com capacidade de transmiti-lo a outros animais e ao próprio homem.

ASPECTOS GERAIS

As zoonoses na atualidade constituem os riscos mais freqüentes e mais temíveis a que a humanidade está exposta, relacionando-se neste contexto cerca de 150 doenças até 180 (SCHWABE, 1984). A demanda cada vez maior de alimentos de origem animal, provocando implicitamente o incremento das indústrias zootécnicas através, principalmente, dos aumentos substanciais dos rebanhos, constitui fator decisivo para aumentar os riscos de exposição às zoonoses. Outro fator a ser ponderado diz respeito à urbanização dos centros mais desenvolvidos da esfera industrial e ao hábito de criar em casa e apartamento "animais de estimação" tais como cães, gatos, aves ornamentais, quelônios, hamsters e até pequenos símios, contribuindo para aumentar ainda mais este tipo de risco. Por outro lado, os modernos meios de transporte rodoviário, ferroviário, marítimo e aeroviário favorecem a disseminação destas doenças através da condução acidental de vertebrados (reservatórios) ou invertebrados (vetores) de uma região endemica a outra indene. Da mesma forma a comercialização de animais (importação ou exportação) ou a sua deslocação para feiras ou exposições aumenta a probabilidade de transmissão destas infecções. De acordo com a gravidade das senses, podemos dividila, teoricamente, em três grandes grupos: l) igualmente graves para o homem e para os animais: Carbúnculo hemático, Raiva e Tuberculose bovina;

  1. graves para o homem e raramente (ou ligeiramente) prejudiciais à saúde animal: Brucelose, Febre Q, Hidatidose.
  2. que raramente afetam ao homem, mas provocam graves epizootias (epidemias animais): Febre

da OMS discutiram exclusivamente as zoonoses parasitárias; em 1981, em Genebra, os expertos discutiram as zoonoses bacterianas e virais e já se está estudando a possibilidade de reunião dos expertos para o estudo das zoonoses micóticas. Hoje, em dia, as duas classificações são aceitas, e uma complementa a outra.

VIAS DE TRANSMISSÃO

A transmissão das zoonoses pode ocorrer através das seguintes vias: 1 ) TRANSMISSÃO DIRETA: Um hospedeiro vertebrado infectado transmite o parasita a outro hospedeiro vertebrado suscetível através do contato direto. Ex.: a raiva, brucelose, carbúnculo hemático, sarnas, microsporidioses, tricofitoses.

  1. TRANSMISSÃO INDIRETA: Pode ocorrer através de diferentes vias: 2.1 ) Alimentos - Ex.: leptospirose, botulismo, carbúnculo hemático, brucelose, tuberculose, salmoneloses, teníases, triquinelose. 2.2) Secreções - Ex.: Raiva, brucelose. 2.3) Vômitos - Ex.: leptospirose, peste, sarna, brucelose. 2.4) Artrópodes - Ex.: febre amarela, encefalomielite equina, tifo e peste.

IMPORTÂNCIA EM SAÚDE PÚBLICA

Nos países em desenvolvimento a canalização de recursos está dirigida para a assistência médica, resultando em inversões mínimas para a medicina preventiva. A ocorrência de "doença" na população acarreta a baixa produção de bens e serviços com a conseqüente redução dos níveis salariais. 0 baixo poder aquisitivo da população conduz a padrões deficientes de alimentação, moradia inadequada e à diminuição do nível de educação. Este ciclo vicioso, chamado de "ciclo econômico da doença", fecha-se com a ocorrência de mais doença, diminuindo ainda mais o potencial de trabalho da população humana. Colateralmente, verifica-se uma pequena inversão de capital e de conhecimento técnico na pecuária, favorecendo a ocorrência e disseminação de doenças entre os animais, muitas delas de Caráter Zoonótico, agravando ainda mais a já deficiente condição de saúde do homem. Em decorrência deste fato, verifica-se baixa natalidade e elevadas morbidade e mortalidade nos rebanhos, gerando, em conseqüência, a produção de bens e serviços cada vez mais baixos. Para se aquilatar a importância das zoonoses em Saúde Pública, basta lembrar que, das seis doenças em que a notificação dos casos é exigida universalmente, duas pertencem a

este grupo, a Peste e a Febre Amarela, e ambas ocorrem no Brasil. Das doenças obrigatoriamente notificáveis de acordo com as Normas Técnicas Especiais relativas à Preservação da Saúde no Estado de São Paulo, dez pertencem ao Grupo de Zoonoses a saber: Febre Amarela, Peste, Leptospirose, Raiva Humana, Carbúnculo Hemático, Tuberculose, Brucelose, Ricktesioses, Arboviroses e Doença de Chagas. De maneira geral, não existem muitos dados estatísticos disponíveis e fidedignos sobre a ocorrência das diferentes zoonoses no Brasil. Vários fatores contribuem para agravar esta situação, tais como, a grande extensão territorial, a escassez dos serviços de saúde e de recursos médicos em muitas regiões, a deficiente educação sanitária de grande parte da população e diversos problemas de esfera administrativa e política. Algumas zoonoses não constituem problema de saúde pública propriamente dito, porque raros são os casos humanos até hoje descritos. A Febre Aftosa enquadra-se neste contexto; embora nao acarrete prejuízos diretamente h saúde pública é responsável por grandes perdas na pecuária, e, implicitamente, à economia nacional. A Raiva Urbana, por outro lado, apresenta coeficientes de morbidade e mortalidade baixos, porém, constitui um grande problema para a Saúde Pública em função de letalidade no homem ser de100%. Via de regra, nos casos de acidentes com animais suspeitos, várias pessoas são envolvidas, o que acarreta um grande onus ao Estado com o tratamento preventivo aos expostos ao risco de infecção. Em saúde animal, na raiva silvestre (rural) os prejuízos são decorrentes da perda, às vezes, de grande número de animais de um mesmo rebanho. A Leptospirose, a Raiva, as Salmoneloses, a Brucelose e as Teníases ocorrem em todos os Estados da Federação. As arboviroses apresentam elevada prevalência nas zonas de matas, Amazônia principalmente, mas, levantamentos epidemiológicos demonstram infecções humanas com ou sem manifestações clínicas, em outras regiões, tal como o sul do país, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A Hidatidose tem incidência primordial no Rio Grande do Sul atingindo ainda Santa Catarina e Paraná e representa um grave problema de Saúde Pública. O mesmo ocorre com a Cisticercose, que ainda constitui um risco permanente para os consumidores de carne suína. A Leptospirose apresenta prevalência moderada nos rebanho: bovino e suíno. Por sua vez a Brucelose apresenta alta morbidade e baixa mortalidade; todavia é um problema de saúde ao nível de grupos profissionais, tais como empregados de matadouros, granjas leiteiras, veterinários e tratadores de animais, embora acarrete, anualmente, consideráveis prejuízos à pecuária e a suinocultura. A Tuberculose, além dos prejuízos à indústria animal, determina a redução da mão de

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1- Porque motivo dizemos que as zoonoses estão relacionadas com posturas e intervenções inadequadas do homem no meio ambiente?

2- No trabalho rural, em pecuária, agricultura, qual o impacto negativo das zoonoses?

3- Qual a relação de similaridade entre os termos epizootia e epidemia?

4- Diferencie os termos antropozoonoses, zooantropozoonoses e amphixenosis, colocando um exemplo de doença inserida em cada um destes sentidos de transmissão das zoonoses.

5- Algumas zoonoses são de notificação compulsória. O que este termo quer dizer e qual sua importância em saúde pública?

6- Porque a deficiente educação sanitária da população contribui para o aumento ou ausência de erradicação e controle de algumas zoonoses?

Capítulo 2-DOENÇA DE CHAGAS

HISTÓRICO

Distribuição Geográfica e Áreas Vulneráveis (Mapa - Região Sul) A Doença de Chagas é uma antropozoonose podendo acometer o homem, animais silvestres, animais domésticos. A doença foi descoberta pelo médico brasileiro Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas (1878 a 1934), infectologista mineiro que desde 1903 se dedicava à protozoologia, especialmente a malária. Em 1907 foi designado por seu chefe, Oswaldo Cruz, para combater um foco de malária no interior de Minas Gerais que estava afetando os trabalhadores na construção das estradas de ferro da região.

Já em 1908 ele descobre em macacos do tipo sagui um tripanossomatídeo flagelado que ele denomina Trypanosoma minasense. Descobre, em seguida, vários insetos de hábitos hematofágicos e, ao triturar esses e observar ao microscópio, encontrou flagelado parecido com aqueles vistos nos macacos. Entre abril e março do ano de 1909, Carlos Chagas examina uma criança de 2 anos, febril e ao fazer o exame de gota espessa de seu sangue ao microscópio, descobre o mesmo flagelado que estava pesquisando. Nesse momento, ele percebe estar diante de uma nova doença, uma zoonose que tinha ciclos distintos: uma no inseto, que ele determinou como o vetor, e outra no homem e animais (silvestres e domésticos). A esse novo flagelado denominou Trypanosoma (Schizotrypanum) cruzi, em homenagem ao seu chefe Oswaldo Cruz.

Estimativas recentes indicam que existem no mundo cerca de 12 milhões de pessoas infectadas com o mal, que causa de 20 mil a 40 mil mortes ao ano. Somente na América Latina são de 100 mil a 200 mil novos casos a cada ano. Pensava-se até recentemente que a doença estava restrita a região neotropical. Porém, ela continua a se espalhar pelos diversos continentes. Recentemente, foram feitas notificações de casos em países considerados não endêmicos, como Estados Unidos, Espanha e Austrália. Estimativas dão conta de que 1.067 dos 65.255 (16 por 1 mil) imigrantes latino-americanos que vivem na Austrália podem estar infectados com Trypanosoma cruzi. No Canadá, em 2001, 1.218 dos 131.135 imigrantes (9 por 1 mil) também estavam infectados. Nos Estados Unidos, levantamento recente apontouque, de 1981 a 2005, entre 56 mil e 357 mil dos 7,2 milhões de imigrantes legais (8 a 50 por 1mil) podiam estar infectados com o parasito. Na Espanha, 5.125 dos 241.866 imigrantes legais(25 por 1 mil) podem estar infectados.

Uma vez que a doença saiu de uma situação regional para risco de infecção mundial em agosto de 2007, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou a Rede Global pela Eliminação da Doença de Chagas.

Após a penetração da célula pelos tripomastigotas, eles perderão o flagelo e se transformarão em amastigotas, que darão início a um processo de divisão binária que ocorre a cada 12 horas. Uma vez saturada a célula, inicia-se a diferenciação dos amastigotas em tripomastigotas, sendo essas as únicas formas viáveis quando a célula se rompe, essas reiniciarão o ciclo invadindo outras células e se multiplicando

Diferentes espécies de mamíferos respondem diferentemente à contaminação pelo T. cruzi , havendo animais que apresentam uma reação muito amena e rápida e eliminando completamente o parasito. Em trabalho realizado por Deane (1984), o autor observou em Didelphis sp. ciclo muito similar ao encontrado no triatomíneo, com a presença de tripomastigotas, epimastigotas e esferomastigotas no interior das glândulas odoríferas desses animais. Quando o produto dessas glândulas é lançado para proteção, possibilita a transmissão do parasito.

No invertebrado, as formas tripomastigotas ingeridas pelo vetor em seu repasto começam a se transformar, formando-se esferomastigotas e epimastigotas. Esses ficam mais abundantes nas porções iniciais do intestino, onde sua replicação é extremamente ativa. A tendência é que permaneça uma população de epimastigotas ao longo do intestino médio, durante a vida do inseto infectado, sempre em multiplicação, mas também com indivíduos aderidos à mucosa do tubo, numa relação ainda não muito bem conhecida, enquanto outros se movem para o intestino terminal e para os tubos de Malpighi, onde ocorre a diferenciação para tripomastigotas.

Figura 1: Ciclo de vida no ser humano e no triatomíneo

Os principais vetores pertencem à família Reduviidae , subfamília Triatominae e os principais gêneros e espécies são:

  • _Triatoma infestans
  • Triatoma braziliensis
  • T. dimidiata
  • Rhodnus prolixus
  • Panstongylus megistus_

A partir dos anos 1980, no estado do Paraná, diversos trabalhos realizados por várias equipes citam o encontro do P. megistus na maior parte do território, T. sordida e Rhodinus neglectus na região Noroeste e T. tibiamaculata no litoral. Atualmente, P. megistus é a espécie de triatomíneo mais frequente no estado do Paraná. Pesquisas recentes verificaram que 12,7% das unidades domiciliares rurais no noroeste do Paraná tanto habitadas quanto desabitadas, apresentavam-se infestadas por ninfas e insetos adultos de Triatoma sordida e de Panstrongylus megistus , e que 13,5% desses estavam infectados por T_. cruzi._

Assim, diferentes espécies de mamíferos podem sustentar diferentes ciclos de transmissão, os quais podem estar isolados ou conectados. Esse caráter é particular e único para cada localidade.

Os principais animais assinalados com o parasito são:

  • Roedores (podendo até 100% estar infectados)
  • Carnívoros, como lontras, já foram assinalados como reservatórios
  • Edentados, como tatus (90%) e gambás (20% a 70%)
  • Primatas (22%)
  • Cães (11% a 15%)
  • Gatos (0,5% a 69%)
  • Ovinos e caprinos (26,1% à Nordeste)
  • Suínos
  • Cobaia, cutia e ratos (10% a 30%)

Os índices de infecção variam de região para região e conforme o método diagnóstico usado.

EVOLUÇÃO DA DOENÇA

Nos reservatórios, há escassa patologia e virulência, mas com alta transmissibilidade pelo duplo ciclo que o parasito desenvolve. As manifestações da Doença de Chagas Humana (DCH) podem ser divididas em fase aguda e crônica com sintomas clássicos ou quase imperceptíveis dependendo da cepa do T. cruzi e da resposta imune do hospedeiro.

Fase Aguda

Fase Crônica Doença Cardíaca A cardiopatia chagásica manifesta-se sob três síndromes principais: arritmias, insuficiência cardíaca e tromboembolismo. As mais frequentes são as arritmias. Os pacientes com arritmias queixam-se de palpitações, sensação de parada do coração e vertigens. Nos casos de bloqueio atrioventricular, há bradicardia acentuada, com crises vertiginosas e, por vezes, ataques convulsivos decorrentes da má circulação cerebral. Outra característica é o aumento do coração. Quanto maior se apresenta o órgão pelo exame radiológico, pior é o prognóstico. Nos casos mais graves, a insuficiência cardíaca descompensada acompanha-se dos mesmos sintomas que aparecem nas cardiopatias de outras etiologias (edemas, derrames cavitários, congestão visceral, dispnéias). Entre as complicações mais graves nesta fase estão as tromboses e as embolias por destacamentos de trombos parietais, que são levados a outros órgãos.

A cardiopatia chagásica tende a se agravar progressivamente à medida que se exacerba a fibrose pela persistente inflamação e destruição celular. Instala-se então a hipertrofia que faz progredir para a insuficiência cardíaca favorecendo o aparecimento de aneurismas do músculo cardíaco (aneurisma de ponta). Em sua fase final, o coração se apresenta como uma cardiomegalia global máxima, geralmente com a presença de aneurismas de ponta desencadeando perda de funções e alterações importantes da microcirculação das coronárias. O paciente pode ter morte súbita pela total falência do órgão.

Forma Digestiva As alterações que ocorrem no trato digestório na Doença de Chagas resultam principalmente do comprometimento do sistema nervoso entérico. As células nervosas desse plexo sofrem fenômenos degenerativos em meio ao processo inflamatório encontrado em suas vizinhanças, e seu número se reduz acentuadamente.

A desernevação ocorre de maneira irregular e em intensidade variável, em função de fatores ligados ao parasito e ao hospedeiro. Como resultado da desernevação intrínseca, verifica-se no esôfago e no colo distal, incoordenação motora, acalasia esfincteriana, retenção de alimentos no esôfago e de fezes no reto e colo sigmóide, hipertrofia muscular e, finalmente, dilatação, levando à formação do megaesôfago e do megacolo, que caracterizam a forma digestiva da Doença de Chagas.

O megaesôfago causa distúrbio motor e se apresenta em diversos estádios evolutivos. A manifestação clínica inicial quase sempre é representada por disfagia, podendo associar-se a dor epigástrica ou retroesternal, regurgitação, soluço, ptualismo e hipertrofia das glândulas salivares, notadamente das parótidas. Tosse e sufocação noturna podem estar presentes por broncoaspiração de alimentos regurgitados.

O megacolo pode ser encontrado como visceromegalia isolada ou, o que é mais comum, em associação com o megaesôfago. Os sintomas mais frequentes são constipação intestinal, meteorismo e disquezia. A constipação é lenta e gradativa, levando o paciente a fazer uso de laxantes. Além disso, os pacientes se queixam de distenção abdominal e de um tipo especial de disquezia, que consiste na dificuldade de expulsão do bolo fecal mesmo quando as fezes são de consistência normal. As principais complicações do megacolo são o fecaloma, a impactação fecal e o volvo do sigmóide (torção da alça sigmóide).

Figura 2: formas digestivas da doença de Chagas

FORMAS DE TRANSMISSÃO

Homem Vetorial Após a picada do vetor e escoriação cutânea provocadas pelo prurido, há penetração das formas os tripomastigotas metacíclicas na solução de continuidade da pele ou mucosas.

Via Inter-Humana Vicariante

  • Transfusão sanguínea - há ainda regiões que não realizam o controle de bancos de sangue;
  • Transplacentária - transmissão de mãe para filho durante a gestação ou parto;
  • Transmária - após o nascimento;
  • Transplante de órgãos como rim e coração (já vastamente publicados na literatura).

Via per os (oral) Conhecida desde 1921, quando foram relatados surtos epidêmicos em Estrela/RS com 17 mortos no ano de 1968. Ocorre através da ingestão de alimentos contaminados com as formas metacíclicas, geralmente por maceração do vetor contendo o parasito. A infecção ocorre pela penetração das formas infectantes nas mucosas.

Tratamento O Ministério da Saúde recomenda tratamento nas seguintes situações: infecção aguda, infecção congênita, infecção crônica recente (incluindo todas as crianças e adolescentes soropositivos), infecção crônica na forma indeterminada e formas clínicas iniciais. Na fase aguda, independentemente do modo do contágio, todos devem ser tratados, pois 60% deles podem ser curados tanto em termos parasitológicos quanto sorológicos. Na transmissão congênita, o tratamento torna-se eficaz quanto mais próximo do parto ele for instituído. Na fase crônica, o tratamento está indicado nos casos de infecção recente, sendo, na prática, instituído para todas as crianças com sorologias positiva e adultos jovens com a forma indeterminada (Ministério da Saúde, 1996).

Além do benzinidazol, outra droga utilizada em adultos é o nifurtimox, mas infelizmente não existe mais no mercado.

PREVENÇÃO E CONTROLE Uma das formas de prevenção da Doença de Chagas é evitar que o inseto barbeiro forme colônias dentro das residências. Em áreas onde os insetos possam entrar nas casas voando pelas aberturas ou frestas, uma das alternativas é usar mosquiteiros ou telas. Recomenda-se usar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, entre outros) durante a realização de atividades noturnas (caçadas, pesca ou pernoite) em áreas de mata.

Recomenda-se, ainda, que ao consumir alimentos de origem vegetal, esses estejam bem lavados ou sejam pasteurizados.

Além dos vetores primários (T. infestans, Pantrongylus megistus e T. brasiliensis), deve também haver preocupação com o risco de transmissão e de adaptação ao domicílio de vetores secundários ( T. pseudomaculata e T. sordida ) e terciários (vetores silvestres). Além disso, deve haver maior vigilância e controle dos bancos de sangue e com a possibilidade de transmissão direta do T. cruzi de marsupiais para o homem, por via direta (urina), sem mediação do vetor. Por outro lado, este e outros mecanismos alternativos de transmissão, particularmente a via oral, serão objeto de vigilância permanente.

Leia mais:

http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/doenca-de-chagas

No site Médicos sem fronteiras você encontrará muitas informações e notícias interessantes sobre a Chagas.... VALE A PENA CONSULTAR!

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1- A doença de Chagas afeta exclusivamente o coração. Esta afirmação é correta? Explique.

2- O que é megacólon e megaesôfago chagásico?

3- Descreva a fase aguda, indeterminada e crônica da Chagas.

4- Qual é a lesão característica da fase aguda da doença?

5- Certo ou errado: A doença crônica tem cura.