Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Características de rendimento e composição da carcaça de ruminantes do nordeste brasileiro, Manuais, Projetos, Pesquisas de Medicina Veterinária

Um estudo sobre as características de rendimento e composição da carcaça de ovinos e caprinos do nordeste brasileiro utilizados para produção de carne. Os autores analisam dados sobre diferentes raças, idades e pesos ao abate, e discutem parâmetros importantes para a produção de carnes de alta qualidade. Além disso, são apresentados dados sobre o peso vivo, componentes do peso vivo e rendimentos de carcaça de ovinos e caprinos.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2011

Compartilhado em 10/02/2011

dirlaine-martins-7
dirlaine-martins-7 🇧🇷

2 documentos

1 / 8

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
79
CARACTERÍSTICAS DE CARCAÇA DE PEQUENOS RUMINANTES
DO NORDESTE DO BRASIL
(Carcass traits in small ruminants from northeast Brazil)
Jorge Fernando Fuentes ZAPATA*, Larissa Mont’Alverne Jucá SEABRA, Cynthia Monteiro
NOGUEIRA, Luciana Cristina BEZERRA & Frederico José BESERRA
Universidade Federal do Ceará – Departamento de Tecnologia de Alimentos
RESUMO
O estudo busca fazer um apanhado sobre as características de rendimento e composição da carcaça de ovinos
e caprinos do nordeste brasileiro, utilizados para produção de carne. Nesta revisão, incluiu-se dados de caprinos
Sem Raça Definida (SRD), da raça Moxotó e suas cruzas, em diferentes graus, com Pardo Alpina e Anglonubiana
e de ovinos das raças Deslanado Branco de Morada Nova, Crioula e cruzas de Crioula com Somalis Brasileira
e Santa Inês. Os dados envolvendo as diferentes raças, idades e peso ao abate dos animais, mostrou que o
rendimento de carcaça variou de 35,5 a 50,0% nos caprinos e foi mais estável nos ovinos com aproximadamente
42,2%. As carcaças de caprinos apresentaram menor quantidade de gordura de cobertura e menor compacidade
que as de ovinos. A área do músculo Longissimus dorsi variou de 5,0 cm2 em cabritos a 15,7 cm2 em caprinos
adultos e de 8,4 a 9,6 cm2 em ovinos adultos. Os cortes comerciais mais importantes, pernil, paleta e lombo,
representaram respectivamente 32,0 a 34,7%; 14,8 a 19,5% e 9,7 a 10,9%, do peso da carcaça de caprinos,
e 32,2 a 32,6%, 19,9 a 21,4% e 10,3 a 11,1%, da carcaça de ovinos. Em relação às raças criadas em regiões
temperadas os caprinos e ovinos do nordeste brasileiro são de menor peso, de desenvolvimento muscular mais
limitado e de peso de abate inferior, mas apresentam rendimento de carcaça similar.
PALAVRAS-CHAVE: caprinos, carcaça, composição, cortes, ovinos, rendimentos
ABSTRACT
This study analyzes the most important carcass traits of sheep and goat used for meat production in northeast
Brazil. Goat breeds studied were Undefined Breed (SRD) and Moxotó. Crossbreed goat were Moxotó x
Brown Alpine or Moxotó x Anglonubian. Sheep breeds were Deslanado Branco de Morada Nova and Crioula.
Crossbred sheep were Crioula x Brazilian Somalis or crossbred Crioula x Santa Inês. The carcass dressing of
goats ranged from 35.5 to 50.0% depending on breed, age and live weight. Sheep showed less variation in
carcass yield with an average value around 42.2%. Goat carcasses showed lower levels of compactness and less
subcutaneous fat than ovine carcasses. Longissimus dorsi area in goat carcass varied from 5.0 cm2 in young
animals to 15.7cm2 in adult animals. In ovine animals this area varied between 8.4 and 9.6 cm2. The most
important meat retail cuts were the leg, the loin and the arm/shoulder, with 32.0 to 34.7%; 14.8 to 19.5% and 9.7
to 10.9%, respectively, in goat carcass, and 32.2 to 32.6%, 19.9 to 21.4% and 10.3 to 11.1%, respectively, in
ovine carcass. Sheep and goats in the northeast of Brazil are smaller with less muscular development than similar
animals from temperate climates. Carcass yield values, however, are similar to those reported in the literature for
small ruminants.
KEY WORDS: carcass, sheep, goat, yield, composition, retail cuts
Ciência Animal, 11(2):79-86, 2001
Caixa Postal 12168, Fortaleza, CE, CEP 60020-181.
*Autor para correspondência
pf3
pf4
pf5
pf8

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Características de rendimento e composição da carcaça de ruminantes do nordeste brasileiro e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Medicina Veterinária, somente na Docsity!

CARACTERÍSTICAS DE CARCAÇA DE PEQUENOS RUMINANTES

DO NORDESTE DO BRASIL

(Carcass traits in small ruminants from northeast Brazil)

Jorge Fernando Fuentes ZAPATA*, Larissa Mont’Alverne Jucá SEABRA, Cynthia Monteiro

NOGUEIRA, Luciana Cristina BEZERRA & Frederico José BESERRA

Universidade Federal do Ceará – Departamento de Tecnologia de Alimentos

RESUMO

O estudo busca fazer um apanhado sobre as características de rendimento e composição da carcaça de ovinos

e caprinos do nordeste brasileiro, utilizados para produção de carne. Nesta revisão, incluiu-se dados de caprinos

Sem Raça Definida (SRD), da raça Moxotó e suas cruzas, em diferentes graus, com Pardo Alpina e Anglonubiana

e de ovinos das raças Deslanado Branco de Morada Nova, Crioula e cruzas de Crioula com Somalis Brasileira

e Santa Inês. Os dados envolvendo as diferentes raças, idades e peso ao abate dos animais, mostrou que o

rendimento de carcaça variou de 35,5 a 50,0% nos caprinos e foi mais estável nos ovinos com aproximadamente

42,2%. As carcaças de caprinos apresentaram menor quantidade de gordura de cobertura e menor compacidade

que as de ovinos. A área do músculo Longissimus dorsi variou de 5,0 cm^2 em cabritos a 15,7 cm^2 em caprinos

adultos e de 8,4 a 9,6 cm^2 em ovinos adultos. Os cortes comerciais mais importantes, pernil, paleta e lombo,

representaram respectivamente 32,0 a 34,7%; 14,8 a 19,5% e 9,7 a 10,9%, do peso da carcaça de caprinos,

e 32,2 a 32,6%, 19,9 a 21,4% e 10,3 a 11,1%, da carcaça de ovinos. Em relação às raças criadas em regiões

temperadas os caprinos e ovinos do nordeste brasileiro são de menor peso, de desenvolvimento muscular mais

limitado e de peso de abate inferior, mas apresentam rendimento de carcaça similar.

PALAVRAS-CHAVE: caprinos, carcaça, composição, cortes, ovinos, rendimentos

ABSTRACT

This study analyzes the most important carcass traits of sheep and goat used for meat production in northeast

Brazil. Goat breeds studied were Undefined Breed (SRD) and Moxotó. Crossbreed goat were Moxotó x

Brown Alpine or Moxotó x Anglonubian. Sheep breeds were Deslanado Branco de Morada Nova and Crioula.

Crossbred sheep were Crioula x Brazilian Somalis or crossbred Crioula x Santa Inês. The carcass dressing of

goats ranged from 35.5 to 50.0% depending on breed, age and live weight. Sheep showed less variation in

carcass yield with an average value around 42.2%. Goat carcasses showed lower levels of compactness and less

subcutaneous fat than ovine carcasses. Longissimus dorsi area in goat carcass varied from 5.0 cm^2 in young

animals to 15.7cm

2

in adult animals. In ovine animals this area varied between 8.4 and 9.6 cm

2

. The most

important meat retail cuts were the leg, the loin and the arm/shoulder, with 32.0 to 34.7%; 14.8 to 19.5% and 9.

to 10.9%, respectively, in goat carcass, and 32.2 to 32.6%, 19.9 to 21.4% and 10.3 to 11.1%, respectively, in

ovine carcass. Sheep and goats in the northeast of Brazil are smaller with less muscular development than similar

animals from temperate climates. Carcass yield values, however, are similar to those reported in the literature for

small ruminants.

KEY WORDS: carcass, sheep, goat, yield, composition, retail cuts

Ciência Animal, 11(2):79-86, 2001

Caixa Postal 12168, Fortaleza, CE, CEP 60020-181. e-mail: [email protected]

*Autor para correspondência

INTRODUÇÃO

O nordeste brasileiro possui certas características

geográficas como solo, relevo, clima, vegetação,

potencial hídrico disponível, sistema agrário e de

produção que dificultam a adaptação de algumas

espécies animais (PORTO, 1992). Segundo este autor,

somente as espécies que possuem rusticidade e

fecundidade elevadas, exigências alimentares mais

simples e capacidade para aproveitar a vegetação nativa

e os restos de culturas desprezados por outros animais,

podem adaptar-se naturalmente nessa área.

Em 1996 o rebanho nacional alcançava

aproximadamente 7,4 milhões de caprinos e 14,

milhões de ovinos, contribuindo o nordeste com 93%

e 48%, respectivamente do efetivo total. Na última

década as estatísticas indicaram redução desses

rebanhos a nível nacional e aumento da relação de

ovinos para caprinos (SUDENE, 1999).

O presente trabalho tem como objetivo sistematizar

a informação acumulada sobre as características de

rendimento e composição da carcaça dos pequenos

ruminantes do nordeste brasileiro. Os estudos

analisados refletem a preocupação de se estabelecer

certos parâmetros, como idade e faixas de peso mais

apropriados para o abate, bem como a influência das

raças ou grupos genéticos e do manejo e planos

nutricionais aplicados aos animais, que resultem mais

apropriados para a produção de carnes caprinas e

ovinas de alta qualidade.

Ovinos e caprinos do nordeste brasileiro

Os grupos raciais de ovinos e caprinos do

nordeste brasileiro são variados, predominando os

mestiços, o que dificulta uma tipificação adequada,

sobre as raças ou linhagens puras.

Os grupos genéticos caprinos mais estudados

no nordeste brasileiro têm sido: a) animais Sem Raça

Definida (SRD), originados de cruzamentos

indiscriminados entre os tipos nativos e cabras asiáticas

ou alpinas com grau de mestiçagem desconhecido; b)

raça Moxotó (M) que pode ser classificada como uma

raça nativa naturalizada, sendo a mais representativa

da região; c) cruzas de raças exóticas como Pardo-

Alpina com Moxotó (PAM), Anglonubiano com

Moxotó (ANM) ou Pardo-Alpina com Moxotó e com

Anglonubiana, também conhecida como Três Cruzas

(TC). Ultimamente, a raça Bôer procedente da África

do Sul tem sido utilizada no melhoramento genético

dos caprinos nordestinos (MADRUGA et al., 1999).

O peso vivo ao abate dos caprinos estudados varia de

10,2 a 13,4 kg, em cabritos com 10 a 12 semanas de

idade, a 30,1 kg em animais adultos com até 20 meses

de idade.

Os ovinos do nordeste brasileiro apresentam

pele deslanada ou com muito pouca lã. Apesar de

existir grande variedade de tipos raciais na região, os

mais estudados incluem: a) grupo racial Sem Raça

Definida, referido também como Crioula (C), b) raça

Morada Nova, variedade branca, conhecida como

Deslanado Branco de Morada Nova (DBMN), e c)

cruzas da raça Crioula com as raças Santa Inês (SIC)

e Somalis Brasileira (SBC).

Os ovinos adultos do nordeste brasileiro

podem apresentar peso vivo de até 30 kg, com média

geralmente inferior à de animais de raças de clima

temperado criados na região sul, com aptidão para

produção de lã e carne. Os animais maduros de algumas

raças espanholas de dupla aptidão (carne e leite) como

a Manchega podem pesar 60 a 70 kg de peso adulto

(SAÑUDO et al., 1997). O peso ótimo econômico

de abate dos animais nordestinos, contudo, deve ser

definido para cada grupo racial e levando-se em

consideração as preferências do mercado consumidor.

Características da carcaça de pequenos ruminantes

As carcaças caprinas do nordeste brasileiro

apresentam peso médio de 12,5 a 14 kg (MADRUGA

et al., 1999). Dados similares de peso de carcaça são

relatados para cabritos nativos da Flórida, onde o peso

vivo varia de 21 a 24 kg para animais com 8 meses de

idade (HARRELSON et al., 1995). A média de peso

vivo ao abate de ovinos DBMN é de 25,14 kg, sendo

que o transporte de 100 km e jejum de 24 horas pré

abate podem ocasionar redução de até 21,34% do

peso vivo (BESERRA, 1983).

Em cordeiros Corriedale e mestiços Ile de

France x Corriedale de clima temperado, o peso vivo

de 32,14 kg cai em torno de 5,3% durante transporte

de 48 km e 18 horas de jejum (SIQUEIRA &

FERNANDES, 1999). Isso indica grande diferença

de rendimento de carcaça, provavelmente em função

das altas temperaturas ambientais e da ausência de lã

na pele dos animais nordestinos.

Spanish, Angorá e Angorá x Spanish, criadas no sul

dos Estados Unidos.

Para a avaliação objetiva da carcaça caprina

do nordeste brasileiro também têm sido utilizados

critérios aplicados inicialmente à carcaça ovina. Desta

forma, os índices de compacidade da carcaça (peso

da carcaça fria/comprimento interno da carcaça) e da

perna (largura da garupa/comprimento da perna)

encontrados por SANTOS FILHO (1997) em

caprinos do tipo SRD variaram de 0,14 a 0,25 e de

0,35 a 0,55, respectivamente.

O comprimento médio da carcaça de ovinos

DBMN varia de 40 a 63 cm, o comprimento do pernil,

Tabela 1. Rendimentos aproximados de carcaça de pequenos ruminantes do nordeste do Brasil segundo

diferentes autores.

SRD = Sem raça definida; M = Moxotó; PAM 1 = 1/2 Moxotó x 1/2 Alpina; PAM 2 = 1/4 Moxotó x 3/4 Pardo Alpina; TC = 1/4 Moxotó x 1/4 Pardo Alpina x 1/2 Anglo Nubiana; DBMN = Deslanado Branco de Morada Nova

de 30 a 36 cm e a circunferência do pernil de 22 a 35

cm, de acordo com BESERRA (1983). Já em cordeiros

leves de clima temperado, de diferentes procedências,

com peso vivo em torno de 20 kg o comprimento do

pernil variou de 21 a 26 cm e o comprimento da carcaça

de 50 a 53 cm (SIERRA et al., 1992; SAÑUDO et

al., 1992).

Em cabritos lactentes o efeito da raça sobre as

características da carcaça parece ser mais evidente que

nos animais maduros, segundo demonstra trabalho de

SAÑUDO et al. (1997), em que foram detectados

efeitos significativos da raça sobre as características

de conformação e de deposição de gordura da carcaça,

Espécie Raça ou grupo genético

Idade ou condição fisiológica

Rendimento de carcaça (%)

Autor

SRD Machos inteiros Caprina 20-23 kg 37,41 Santos Filho, 1997 29-32 kg 49,98 Santos Filho, 1997 M Cabrito 48,10 Silva, 1997 Lactente PAM 1 Cabrito Lactente 41,60 Silva, 1997 3 meses 35,50 Timbó, 1995 8 meses 38,97 Timbó, 1995 PAM 2 Cabrito Lactente 41,90 Silva, 1997 3 meses 41,12 Timbó, 1995 8 meses 40,43 Timbó, 1995 TC Cabrito Lactente 46,51 Bezerra, 1998 Ovina (^) BMN Fêmeas e machos inteiros Beserra, 1983 8 a 9 meses 42,

bem como sobre o peso e o comprimento da mesma.

Área transversal do lombo

Esta medição se refere à área transversal do

músculo Longissimus dorsi , medida entre a 12a^ e 13a

costelas.

Na carcaça de caprinos do nordeste brasileiro

a área transversal do Longissimus dorsi , medida após

a retirada do músculo, varia de 7,5 a 15,8 cm^2 em

animais tipo PAM e se correlaciona positivamente com

a idade dos animais, podendo servir, segundo TIMBÓ

(1995), para estabelecer equações de predição da área

em função da idade dos animais. Os valores deste

parâmetro encontrados por SANTOS FILHO (1997)

em animais SRD variaram de 7,9 a 13,5 cm^2.

Em cabritos lactentes do tipo TC, com peso

vivo entre 10,9 e 13,4 kg, estudados por BEZERRA

(1998), esses valores variaram de 9,6 a 10,8 cm^2 e em

carcaças de cabritos do tipo M, PAM, pesando entre

10,3 e 11,1 kg. Os valores encontrados por SILVA

(1997) variaram de 5,0 a 5,6 cm^2.

A área do Longissimus dorsi em animais

ovinos do tipo DBMN, com 8 a 9 meses de idade,

pode variar de 8,4 a 9,6 cm^2 (BESERRA, 1983).

OSÓRIO et al. (1999), estudando animais mestiços

de Corriedale e Hampshire Down, verificaram que a

área transversal do músculo Longissimus dorsi era

maior em ovinos machos inteiros (12,0 cm^2 ) do que

em machos castrados (10,2 cm^2 ).

Os cortes da carcaça

Os cortes de maior valor comercial das

carcaças caprinas e ovinas são pernil, paleta e lombo.

O rendimento destes cortes em relação à

carcaça, em caprinos do tipo SRD, se situa na faixa de

32,05 a 34,67% para o pernil, de 14,84 a 19,46%

para a paleta e de 9,68 a 10,85% para o lombo,

dependendo do peso vivo do animal (SANTOS

FILHO, 1997). Neste estudo foi observada, também,

tendência decrescente nos rendimentos de paleta e

pernil devido, provavelmente, ao desenvolvimento

precoce destas partes em relação às outras estruturas

corporais.

Em estudos com ovinos DBMN, BESERRA

(1983) reporta percentuais de 32,2 a 32,7% para o

pernil, de 19,9 a 21,4% para a paleta e de 10,3 a

11,1% para o lombo, em relação à carcaça fria. Isto

indica rendimentos similares de pernil e lombo para

caprinos e ovinos do nordeste brasileiro e rendimento

de paleta levemente superior para os ovinos.

Tecidos componentes das carcaças de pequenos

ruminantes

A avaliação da carcaça e seus tecidos

componentes são os critérios mais importantes que

determinam a qualidade dos animais produtores de

carne. Vários autores confirmam a importância de se

fazer tal avaliação na carcaça de ovinos (SAÑUDO &

SIERRA, 1986; GARCÍA DE SILES, 1979;

DIESTRE, 1985). DELFA et al. (1992), estabeleceram

que a carcaça ideal seria aquela que tivesse maior

percentual de peças de primeira categoria, com máximo

percentual de músculos, e mínimo de ossos e percentual

de gordura conforme exigência do mercado.

Para as carcaças caprinas de animais do tipo

M, PAM e TC, o componente mais abundante é o

tecido muscular (tm) que varia entre 45,9 e 56,1%,

seguido do tecido ósseo (to), que representa 21,9 a

38,6% da carcaça. O tecido conectivo (tc) varia de

9,9 a 13,2% e o adiposo (ta) de 1,4 a 7,2% (Tab. 2).

Os valores citados por SANTOS FILHO (1997), para

carcaças de animais SRD, apresentam-se bastante

diferentes dos demais porque neste caso o autor utilizou

apenas os cortes mais importantes (pernil, paleta e

lombo) para estimar esses rendimentos. Nesse trabalho

a melhor relação músculo/osso (2,48) foi obtida com

abate entre 26,0 e 28,9 kg de peso vivo, sendo indicado

como ótimo para a indústria de transformação.

De acordo com SILVA (1997), os animais do

grupo genético PAM (¾ Pardo-Alpina x ¼ Moxotó)

apresentam carcaça pobre, com escassa cobertura de

gordura, pouco tecido muscular e elevado componente

ósseo, enquanto que os da raça Moxotó apresentam

carcaça com elevado percentual de tecido muscular e

bom depósito de gordura.

Não há disponibilidade de dados de rendimento

de tecidos da carcaça de ovinos do nordeste brasileiro.

Para cordeiros de clima temperado das raças Texel,

Romney Marsh, Corriedale, Ideal e Merino, com 7,

meses de idade, OLIVEIRA et al. (1998a) reportam

variações de 20,31 para 25,26% de osso, 71,41 a

78,28% de músculo e 1,73 a 2,96% de gordura no

quarto e de 22,18 a 27,00% de osso, 67,57 a 73,83%

de músculo e de 4,16 a 4,89% de gordura na paleta,

de soro de queijo de cabra sobre algumas características da carcaça e da carne de cabritos mamão da cruza Three cross. 1998. 65 p. Dissertação (Mestrado em Tecnologia de Alimentos) Curso de Pós- graduação em Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Ceará. BREUILLAUD, G.; LE JAOUEN J.C. Le chevreau de boucherie, production, commercialisation, consommation. Paris. Document ITOVIC , 1974, p. 149 DELFA, R.; TEIXEIRA, A.; GONZÁLEZ, C. Composición de la canal. Medida de la composicion. Ovis , v. 23, p. 9-22, 1992. DIESTRE, A. Estudio de los factores determinantes del desarrollo de las canales de cordero y de sus características comerciales. Zaragoza. 1985. 224 p. Tese (Doutorado em Produção Animal), Curso de Pós- graduação em Produção Animal, Universidad de Zaragoza. 1985. FEHR, P.M.; SAUVANT, D. Production de chevreaux lourds. I. Influence de l’âge et du mode de sevrage sur les performances des chevreaux abattus à 26,5-29 kg. Annales de Zootechnie , v. 25, p. 243-257, 1976. GARCIA DE SILES, J. L. Las clasificaciones de las canales ovinas y bovinas en U. S. A. In: La clasificación de las canales ovinas y bovinas. Normas higiénico-sanitarias para su exportación. INIA , Ser. Prod. Anim ., v. 5, p. 125-148, 1979. HARRELSON, J. M.; JOHNSON, D. D.; MCGOWAN, C. H. Diet effects on carcass traits, composition and palatability of young goats. In: INTERNATIONAL CONGRESS OF MEAT SCIENCE AND TECHNOLOGY, 41, 1995. San Antonio, TX. Proceedings ... San Antonio: American Meat Science Association, 1995. v. II, p. 42-43. MADRUGA, M. S.; COSTA, R.G.; BESERRA, F. J. Carne caprina: Uma alternativa para o Nordeste. In : SIMPÓSIO DE PRODUÇÃO ANIMAL DO NORDESTE, 1, 1999. Recife, PE. Anais ... Recife: 1999, p.41-58. MANFREDINI, M.; MASSARI, M.; CAVANI, C. et al. Carcass characteristics of male Alpine kids slaughtered at different weights. Small Ruminant Research , v.1, p. 49, 1998. OLIVEIRA, N. M., OSÓRIO, J. C. S., MONTEIRO, E. M. Produção de carne em ovinos de cinco genótipos.

  1. Composição regional e tecidual. Ciência Rural , Santa Maria, v. 28, p. 125-129, 1998a. OLIVEIRA, N. M.; OSÓRIO, J. C. S.; SELAIVE- VILLARROEL, A., et al_._ Produção de carne em ovinos de cinco genótipos. 5. Estimativas de qualidade e peso de carcaça através do peso vivo. Cência Rural, Santa

Maria, v. 28, p. 665-669, 1998b. OLLETA, J. L. C.; SIERRA, I. A.; SAÑUDO, C. A. Producción de carne en la agrupación ovina Churra Tensina: Cordero pastenco y de sebo. ITEA , v. 88A, p.119-128, 1992. OMAN, J. S.; WALDRON, D. F.; GRIFFIN, D. B. Carcass and offal characteristics of goats of different breed types and feeding regimens. In: INTERNATIONAL CONGRESS OF MEAT SCIENCE AND TECHNOLOGY, 41, 1995. San Antonio, TX. Proceedings ... San Antonio: American Meat Science Association, 1995. v. II, p.208-209. OSÓRIO, J. C. S. Estudio de la calidad de canales comercializadas en el tipo ternasco según la procedência: bases para la mejora de dicha calidad en Brasil. 1992. 335 p. Tese (Doutorado em Produção Animal) Curso de Pós-graduação em Produção Animal. Universidad de Zaragoza. OSÓRIO, J. C.; OLIVEIRA, N. M.; JARDIM, P. O.; et al_._ Produção de carne em ovinos de cinco genótipos:

  1. Componentes do peso vivo. Ciência Rural , Santa Maria, v. 26, p. 471-475, 1996. OSÓRIO, J. C. S.; JARDIM, P. O. C.; PIMENTEL, M. A. et al. Produção de carne entre cordeiros castrados e não castrados. 1. Cruzas Hampshire Down x Corriedale. Ciência Rural , Santa Maria, v. 29, p.135- 138, 1999. PIRES, C. C.; CARVALHO, S.; GRANDI, A., et al. Características quantitativas e composição tecidual da carcaça de cordeiros terminados em confinamento. Ciência Rural , Santa Maria, v. 29, p. 539-543, 1999. PORTO, E. R. Desenvolvimento sustentável no semi- árido brasileiro. In: IMPACTOS DE VARIAÇÕES CLIMÁTICAS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL EM REGIÕES SEMI-ÁRIDAS,
  2. Petrolina, PE. Anais ... Petrolina: EMBRAPA- CPATSA, 1992. p. 70. RIBEIRO, E. L. A.; ROCHA, M. A.; MITZUBUTI, I.Y., et al. Ganho de peso e componentes do peso vivo em borregos Ile de France inteiros ou castrados e Hampshire Down castrados abatidos aos doze meses de idade. Ciência Rural , Santa Maria, v. 30, p.333-336,

SANCHEZ, A.; ALFONSO, M.; SAÑUDO, C., et al. Caracterización de la calidad de la canal delos tipos ternasco y lechal com denominación específica. Producción Ovina y Caprina , v. 23, p. 133-137, 1998. SANTOS FILHO, J. M. Efeito do peso vivo ao abate sobre alguma características quantitativas e qualitativas das carcaças de caprinos SRD no estado do Ceará. 1997. 78 p. Dissertação (Mestrado em

Recebido para publicação em 5.04.2001 Aceito em 13.08.

Tecnologia de Alimentos) – Curso de Pós-graduação em Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Ceará. SAÑUDO, C.; SIERRA, I. Calidad de la canal en la especie ovina. Ovino, p.127-153, 1986. SAÑUDO, C.; SIERRA, I.; ALCALDE, M.J., et al_._ Calidad de la canal (9,5 a 12 kg) y de la carne en la raza Rasa Aragonesa y en canales Neozelandesas y Argentinas de importación. In: XVI JORNADAS CIENTÍFICAS DE LA SOCIEDAD ESPAÑOLA DE OVINOTECNIA Y CAPRINOTECNIA, 1992. Pamplona, Espana. Anales ... Pamplona: Sociedade Española de Ovinotecnia e Caprinotecnia, 1992. p.458-

SAÑUDO, C.; CAMPO, M. M.; SIERRA, I., et al. Breed effect on carcass and meat quality of suckling lambs. Meat Science , v. 46, p. 357-365, 1997. SAÑUDO, C.; SIERRA, I.; OLLETA, J. L.; et al. Influence of weaning on carcass quality, fatty acid composition and meat quality in intensive lamb production systems. Animal Science , v. 66, p. 175-187, 1998. SIERRA, I.; SAÑUDO, C.; ALCALDE, M. J. Calidad de la canal en corderos ligeros tipo ternasco. Canales

españolas y de importación. Información Técnica Económica Agraria – ITEA, v. 88A, p.88-94, 1992. SILVA, M. T. Estudo do rendimento de carcaça e de algumas propriedades funcionais da carne de cabrito mamão da raça Moxotó e cruzas Pardo-Alpina x Moxotó. 1997. 60 p. Dissertação (Mestrado em Tecnologia de Alimentos) – Curso de Pós-graduação em Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Ceará. SIQUEIRA, E. R.; FERNANDES, S. Pesos, rendimentos e perdas da carcaça de cordeiros Corriedale e mestiços Ile de France x Corriedale, terminados em confinamento. Ciência Rural , Santa Maria, v. 29, p. 143- 148, 1999. SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Região Nordeste do Brasil n.3, p.55. 1999. TIMBÓ, M. O. P. Estudo da evolução da composição centesimal de algumas características físicas e funcionial da carne de caprino de híbridos das raças Pardo-Alpina e Moxotó. 1995. 101 p. Dissertação (Mestrado em Tecnologia de Alimentos) - Curso de Pós- graduação em Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Ceará.