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ARTIGO PRONTO
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Kátia Yuri Okawa Maria Emilia Mello Zanquetta* RESUMO** Este artigo teve o objetivo de conhecer alguns Surdos que se destacam na comunidade surda. Para a construção desse artigo, foram coletados depoimentos das próprias situações vivenciadas pelos Surdos e com base nessa coleta foram montadas suas biografias. Suas opiniões sobre as metodologias de ensino também foram levadas em conta, o processo até construírem suas identidades, o apoio familiar que é muito importante, os vários tipos de preconceitos que tiveram, as dificuldades que sofreram com a falta de interpretes, como superaram todas as dificuldades e como eles se encontram atualmente. Os resultados foram satisfatórios, pois todos apesar de sofrerem no início, acabaram colocando esse sofrimento como mais um obstáculo entre muitos que enfrentaram, tornando-se fortes para alcançar os seus objetivos. No entanto, toda essa trajetória foi de extrema importância para que eles não desistissem dos seus sonhos e hoje, relatam com muito orgulho todos os momentos que viveram e lutam pelos seus direitos como cidadãos para que os outros surdos não sofram o que eles sofreram. Palavras-chave: Surdez. Biografia dos Surdos. 1 INTRODUÇÃO O objetivo desse artigo é conhecermos os Surdos que se destacam em sua própria comunidade, para isso é necessário um esclarecimento sobre o que é a construção de identidade, quais são os tipos de identidade, a cultura e comunidade surda. Com esses esclarecimentos podemos compreender e entender o trabalho árduo desses Surdos para se destacarem em sua comunidade. Neste artigo, as biografias citadas foram analisadas pessoalmente pelos próprios lutam pelos seus direitos e o quanto é gratificante ver que eles conquistam cada vez mais o seu espaço em meio ao mundo ouvinte.
Surdos, o que realmente faz grande diferença, pois todos foram minuciosamente analisados e só depois redigido. Nessas biografias, iremos perceber o quanto todos. As grandes mudanças que os Surdos tiveram durante toda a sua história foram muito significativas, como a transição do Oralismo para a comunicação total e finalmente para o bilingüismo. Essa luta não foi tão fácil e rápida como parece. Muitos séculos se passaram e uma trajetória muito árdua foi percorrida por eles. Inicialmente com o Oralismo muitos Surdos eram tratados como deficientes e limitados, e seu objetivo maior era transformá-los em ouvintes, assim muitos aspectos cognitivos, afetivos e sociais eram deixados de lado e com isso não se desenvolviam plenamente. Além dos métodos de aprendizagens serem extremamente traumáticos, eles eram submetidos muitas vezes a situações constrangedoras e assim muitos eram “domesticados”. O Surdo era ensinado a pronunciar palavras e não a falar, a ênfase nos exercícios de articulação trazia um prejuízo ao desenvolvimento da linguagem (GÒES, 1995, p.35). Com isso, era quase que impossível um Surdo se destacar em sua comunidade e menos ainda na sociedade ouvinte. Depois veio a Comunicação Total que tinha como objetivo melhorar os processos comunicativos entre a comunidade surda e também a comunidade ouvinte. Algumas mudanças já são visíveis, como a preocupação com os aspectos cognitivos, sociais e emocionais do Surdo. Reconhece também que existem vários recursos para facilitar a comunicação como, por exemplo, à utilização de recursos como a fala, a leitura labial, a escrita, o alfabeto manual, a língua de sinais etc. Quando foi criada teve mérito por reconhecer a língua de sinais como direito do Surdo, mas ainda não é considerada como língua e sim como mais um recurso facilitador de comunicação. Alguns Surdos, embora muito poucos começam a ter seu espaço. O grande “BOOOM!!!” para o desenvolvimento pleno do Surdo, veio com o surgimento do bilingüismo, que reconhece o Surdo não mais como um deficiente e sim pela sua diferença e especificidade. A língua oral não é mais utilizada, e o reconhecimento da Libras como língua natural e oficial do Surdo. Com isso, o Surdo começa a criar sua
Comunidade Surda - A comunidade surda são todos os indivíduos que participam e que ajudam o surdo a se identificar e construir sua identidade. Assim, a comunidade surda, na verdade não é só de Surdos, uma vez que ouvintes como familiares, intérpretes, professores, amigos e outros participam compartilhando os mesmos interesses em comum. Esses interesses fazem com que os Surdos cresçam, se desenvolvam e se beneficiam em sua comunidade. Cultura Surda - A cultura surda é todo jeito Surdo de ser, perceber, de sentir, vivenciar, de comunicar, de transformar o mundo de modo a torná-lo habitável (PERLIN, 2003). Assim, os Surdos vêem o mundo de maneira diferente, com experiências visuais, compartilhando experiências, valores, hábitos de modo a construir sua própria cultura e sua identidade como pertencente a um povo de uma cultura diferente aos dos ouvintes (STROBEL, 2009) Oralismo – método de ensino para Surdos, impondo exclusivamente a língua na modalidade oral, com o objetivo da integrar o Surdo na cultura ouvinte e seu afastamento da cultura surda. É extremamente proibida a íngua de sinais. As formas de organização cultura, cognitiva, afetiva são deixados de lado, assim, sem essa base, fica inviável a instrumentalização lingüístico-cognitiva do Surdo (SÀ, 2006, p. 78) Comunicação Total – tinha como um dos objetivos os processos comunicativos entre os Surdos e Surdos e entre Surdos e ouvintes. Acreditava que os aspectos cognitivos, emocionais e sociais não deviam ser deixados de lado em prol do aprendizado exclusivo da língua oral, defendendo a utilização de recursos espaço-visuais como facilitadores da comunicação (GODLDFELD, 1997, p.35) Educação Bilíngüe – é uma situação lingüística que compreende a utilização de duas línguas na escolarização dos Surdos: a língua brasileira de sinais – libras e a língua portuguesa. É a possibilidade de incluir a análise da educação dos Surdos dentro de
um contexto mais apropriado a situação lingüística, social, cultural, dos sujeitos Surdos (SKLIAR, 2001, p. 14). LSB – abreviação de Língua de Sinais Brasileira, mais conhecida e oficializada no Brasil como Libras. É a língua natural dos Surdos. Libras – Língua brasileira de sinais, é a língua oficial da comunidade surda brasileira, é uma língua gesto-visual, com estrutura gramatical própria. INES – Instituto Nacional de Educação dos Surdos, é o centro nacional de referência na área da surdez, no Brasil, sendo órgão do Ministério da Educação. Foi a primeira Instituição no Brasil ( pt.wikipedia.org/wiki/INES). FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. É uma entidade filantrópica sem fins lucrativos com a finalidade de integração sócio-cultural, assistencial e educacional. Lutando pelos direitos da Comunidade Surda Brasileira. Suas atividades são reconhecidas como Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal (pt.wikipedia.org/wiki/FENEIS). APADA – Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos. É uma entidade sem fins lucrativos com a finalidade de promover a inclusão dos Surdos na sociedade brasileira, bem como capacitar profissionais voluntários (intérpretes) para o aperfeiçoamento da comunicação entre Surdos e ouvintes. ARPEF – Associação de Reabilitação e Pesquisa Fonoaudiológica. Surgiu com a finalidade de reabilitar os Surdos na sociedade, por meio da comunicação oral, que depois foi ampliado para uma perspectiva bilíngüe, onde os Surdos são ensinados a falar e também aprender a língua de sinais. CES – Centro de Estudo Surdo. Foi criado para tender a comunidade Surda de todo o Brasil.
Antonio Campos de Abreu “O objetivo de ter escolhido o curso foi conhecer um pouco mais da historia dos Surdos, sua luta através das associações de surdos e os movimentos dos Surdos,...” Nasceu em 11 de maio de 1956, em Abaeté em Minas Gerais. Surdo desde que nasceu, aprendeu a se comunicar através de sinais que ele próprio inventava. Como a sua cidade não havia recursos para educação de surdos, ele só foi à escola com 11 anos, quando realmente aprendeu a Língua Brasileira de Sinais. A partir daí sua vida mudou completamente, pois passou a se comunicar com maior desenvoltura e aprender sobre o mundo que o cercava. Sua infância foi como a de qualquer criança, sua casa sempre estava cheia de gente, e para comunicar-se ele utilizava o português sinalizando as palavras para a família, amigos e vizinhos com os sinais que ele próprio inventava. Sua família já estava habituada com as diferenças, pois havia parentes com outras diferenças, seus pais embora tradicionais faziam questão de estimular o diálogo para orientar os seus filhos. Sua mãe e seu pai sempre estiveram preocupados em educá-lo, mas sua situação financeira não era boa, seu pai não concordava com a escola especializada, queria que ele estudasse na escola normal junto com seus outros irmãos, então com 11 anos, seu primo financiou a sua viagem para estudar no INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos, no Rio de janeiro. Em 1973 saiu do INES e foi para Belo Horizonte estudar o ensino médio na escola comum. Teve um pouco de dificuldade, pois não tinha recursos como intérprete de Libras. Então sua irmã teve um papel fundamental porque foi ela quem o ajudou e ensinou tudo. Com 27 anos terminou o ensino médio e começou a trabalhar como colaborador da Associação de Surdos em Minas Gerais e depois foi trabalhar na Usiminas. Em 2004, voltou a estudar fazendo supletivo, dessa vez em um projeto inclusivo, com a presença de intérprete. Em 2005, passou no vestibular da Universo, no curso de História onde concluiu em 2007, o objetivo de ter escolhido o curso foi conhecer um
pouco mais da história dos Surdos, sua luta através das associações de Surdos e os movimentos dos Surdos, teve a oportunidade de comparar os diversos contextos da História dos Surdos e ouvintes, encontrando documentos sobre a trajetória da comunidade surda. Sua primeira experiência foi como diretor, depois foi da Associação dos Surdos de Minas Gerais, onde atuou durante 32 anos. Depois fundou a Federação Mineira Desportiva de Surdos e a Confederação Brasileira de Desportivo dos Surdos, trabalhando como voluntário, mais tarde uniu-se com um grupo de Surdos e fundou a Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos. Publicou vários livros entre eles “Livro da Libras - Língua Brasileira de Sinais” no ano de 1996, o livro sobre surdez da FENEIS entre outros trabalhos publicados. Sempre teve o objetivo de estimular a integração entre Surdos e ouvintes, valorizando a cultura do Surdo, o uso da Libras e a prática de esportes. Teve a oportunidade de fazer um curso “Pessoas Surdas trabalhando juntas” em 1989 nos Estados Unidos, na Universidade Gallaudet. É membro da Federação Mundial dos Surdos. Uma das suas maiores contribuições quando estava na Feneis foi a aprovação da Lei de Libras e o movimento ao MEC para a capacitação de instrutores Surdos e professores. Em 1995, foi para Áustria no IV Congresso Mundial de Surdos da F.M.A onde defendeu seu trabalho sobre os direitos humanos dos Surdos. Em 2000, foi para Venezuela como conferencista falando sobre “A Comunidade Brasileira Atualidade Surda no Brasil”. Para ele, a Libras é um instrumento de comunicação e de interação com as pessoas, salientando sempre que as crianças devem ter acesso a comunicação o quanto antes, para que elas tenham condições de criar uma identidade na sociedade, podendo então se desenvolver desde que tenham oportunidade, como acesso à universidade, pós- graduação, para que possam competir no mercado de trabalho.
Fernando Bicudo, onde participou dos espetáculos “Catirina”, “Nordestenamente”, “Orfeu e Euridinice”, que foram as maiores emoções da sua vida. Atualmente é professor de dança de salão e jazz para jovens e adultos na Casa da Cultura do Silêncio, especializada em deficientes auditivos, com o auxilio do ator Nelson Pimenta e o coreógrafo Fabio de Mello. Seu maior desejo é a de que os Surdos lutem e enfrentem todas as barreiras para a realização de seus sonhos seja eles de dança ou não, se dedicando ao máximo, pois certamente terá um grande retorno. Galdis Perlin “ A primeira coisa que me encantou, foi a facilidade de comunicar na língua de sinais...” Nasceu ouvinte, mas com sete anos pegou uma meningite que a deixou surda. Para ela, não foi nada interessante, pois estava ingressando na escola para ser alfabetizada. Aos pouco a sua comunicação ouvinte, foi sendo extremamente visual. Começou então, um caminho com muitos obstáculos e frustrações ate encontrar sua própria identidade surda. Não fazia leitura labial então, ficava muito frustrada e irritada, pois não entendia o que as outras pessoas falavam e tentava muitas vezes adivinhar o que elas falavam. Seus estudos foram praticamente em escolas regulares que tinham a visão de integração dos surdos junto com os ouvintes. Para ela, não foi nada positivo, pelo contrário, foi frustrante porque era como estudar em uma escola de outro país, não entendia o significado das palavras e principalmente não entendia o porque estudar uma língua extremamente ouvinte se ela não ouvia. Somente com quinze anos teve contato com outros Surdos, ficou fascinada como eles se comunicavam facilmente na língua de sinais, porém, estava impedida de utilizar a língua de sinais, pois onde estudava na época, seguia o Oralismo e era proibida a utilização da língua de sinais. Como por ironia do destino, depois de quinze anos ela voltava à mesma escola não
como aluna, mas sim como professora lutando para introduzir a língua de sinais na educação dos Surdos. Em 1985, as escolas começaram a perceber a importância dessa língua para os Surdos. Possui graduação em Teologia pela PUC-RS (Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul), mestre em educação UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e doutora em educação pela UFRGS, ambos orientados por Carlos Skliar. Juntamente com outros Surdos, fundou a FENEIS em Porto Alegre, com o objetivo voltado para as diferenças de ser Surdos lutando até hoje pelos seus direitos. Fez parte de um grupo internacional o WILD (Womens Institute on Leadership and Disability), que prioriza o desenvolvimento das mulheres deficientes. Com esse grupo as mulheres Surdas podem pensar em seus direitos e defender suas causas. Professora adjunta no Centro de Ciências da Educação pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Orientadora de dissertações de mestrado e teses de doutorado na linha Educação e Processos Inclusivos, que buscam desenvolver Estudos Surdos. Coordenadora do GES (Grupo de Estudos Surdos). Distinguiu vários tipos de Identidades Surdas. Para ela a educação ideal é aquela que inclui o Surdo nos anos iniciais em escolas de Surdos onde passam a conhecer outros Surdos semelhantes, onde ajuda a encontrar facilmente a própria identidade como povo Surdo. Para ela, atualmente a integração escolar só é boa nas séries do Ensino Médio, quando o Surdo já tem o jeito de entender as coisas. Não incluir a criança Surda entre outras crianças Surdas e somente em grupos de crianças ouvintes é a mesma coisa que exclui-las. Por isso, é preciso incluir indivíduo Surdo o quanto antes em sua própria comunidade, pois é essencial para a construção de sua identidade, lutando pelos seus direitos de serem cidadãos. Heloir Aparecido Montanher
todos que era muito interessado e além de tudo muito esforçado. A partir daí começaram a aceitá-lo com mais facilidade. Durante toda sua trajetória escolar, o português foi à disciplina que ele teve mais dificuldade, pois tinha pouco vocabulário e os professores quase não tinham muita paciência com ele, como conseqüência não fazia as atividades propostas, onde mais uma vez sofreu preconceito. Porem, se destacava em outras disciplinas como matemática, física, química entre outras sendo somente o português a sua maior dificuldade. Começou a ter contato com a língua de sinais aos dezoito anos, começou então a descobrir novos horizontes e se desenvolver realmente como pessoa. Somente com vinte e quatro anos descobriu sua verdadeira identidade, tendo opinião própria, seu próprio senso crítico, a lutar pelos seus direitos como cidadão que pensa, aprende, discute e ensina. Foi com essa mesma idade que entrou para a universidade FAG, onde concluiu o curso de pedagogia, nesta universidade se sentiu muito confuso com as disciplinas totalmente diferentes do Ensino médio, e parar piorar não tinha intérprete. Como já estava com sua identidade construída reivindicou seus direitos de ter intérprete e depois de seis meses conseguiu uma intérprete voluntária que o ajudou muito a desenvolver e expor suas idéias. Essa intérprete trabalhou com ele durante um ano e meio onde foi muito satisfatório, pois ela tinha fluência e ética. Depois dessa intérprete, ele teve outros intérpretes, mas sem muito sucesso pois, ele desejava aprender como poderia melhorar realmente a educação e não simplesmente receber o diploma ou melhorar o salário. Atualmente esta fazendo a graduação de Letras/Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tem especialização em Libras/Língua Portuguesa – Educação Bilíngüe para surdos pelo Instituto Paranaense de Ensino e é pós-graduando em Filosofia da Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), trabalha no Centro de Apoio aos Profissionais de Educação de Surdos (CAS) e Secretaria de
Estado da Educação do Paraná/Departamento Educação Especial Inclusão da Educacional. Karin Lílian Strobel “Libras... é uma benção de Deus em existir uma língua visual, com expressão corporal, esta língua me abriu as portas para o mundo Surdo e também de ouvintes, pois com a iniciação do uso dessa língua me fez viver uma vida sadia e feliz”. Nasceu em Curitiba, nasceu ouvinte e aos quatro dias de vida pegou um resfriado muito forte e no hospital houve um erro medico que a deixou Surda profunda. Teve uma infância muito feliz juntamente com sua família extremamente unida. Quando estava na adolescência teve uma crise de identidade, tratava-se de anos e anos de disputa pelo espaço social em ambientes cheios de estereótipos negativos sobre a cultura Surda. Para ela, o mais importante foi o amor de sua mãe que a apoiou e motivou em todos os momentos na sua construção da identidade Surda e de se tornar uma vencedora na vida. Graduada em Pedagogia com habilitação em magistério pela Universidade Tuiuti do Paraná, especialista em Áudio Comunicação, pelo Instituto de Educação do Paraná e doutora em Educação pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Autora do livro “As imagens do outro sobre a cultura surda”. Atualmente faz parte da equipe de Letras/Libras como autora e professora das disciplinas “Fundamentos de Educação dos Surdos”, “História de Educação dos Surdos” e “Metodologia de ensino de Libras como Lingua1”, e também é tutora de turma de licenciatura de Letras/Libras da UFSC. Preside a FENEIS, como objetivo de atuar na defesa dos direitos das pessoas Surdas. Sua construção de identidade Surda só foi possível com o apoio de seus familiares, que aceitaram sua surdez na adolescência, fazendo com que ela se conhecesse melhor,
“A família, meus pais sempre me ajudaram muito, conversavam sobre tudo, me ensinavam coisas além do que a escola passava (conhecimento de mundo)”. Nasceu em 10 de agosto de 1984, na cidade de Guairá - Pr. É filha única, nasceu Surda profunda não sabendo a causa da Surdez. Seu diagnóstico só foi feito com um ano e meio de idade. Logo após o diagnóstico mudou-se para Maringá-Pr em busca de uma escola especializada para Surdos – ANPACIN, iniciando nessa escola com dois anos e meio de idade. Nesta época, a escola tinha uma abordagem Oralista com o objetivo de aprender a falar, teve atendimento com fonoauodiologista e aprendeu a leitura labial e a fala. Sua família foi muito importante para o seu conhecimento de mundo, ou seja, sempre ensinavam, ajudavam e conversavam muito sobre o que acontecia alem co conteúdo escolar. Terminou o Ensino Médio aos dezoito anos. Prestou vestibular na Cesumar, na área de Odontologia, passou pelas provas objetivas, mas foi desclassificada na redação, pois sua escrita é surda, e também não tinha um professor na faculdade que conhecesse a escrita dos Surdos. Felizmente, foi reconhecida e foi aprovada. No começo foi muito difícil, pois na ANPACIN ela só convivia com a Comunidade Surda e os seus professores só usavam a Libras. Teve notas baixas nos 1 o e 2 o bimestres, porque não entendiam o que os professores falavam, era tudo rápido demais e principalmente esqueciam que tinha uma pessoa Surda na sala. Graças a sua mãe, que toda vida a apoiou, conversou com a coordenação do curso e com os professores para que mudassem as estratégias de ensino e também que corrigissem todas as produções escritas levando em conta o conteúdo e não a forma de escrita. Com o apoio de seus amigos de sala que explicavam para ela o que às vezes não ficava claro ela conseguia entender os conteúdos, concluiu sua graduação em 2007. Começou a trabalhar como voluntária na ANPR e na UEM, atendia crianças com deficiências na ANPR e Surdos na UEM. Com isso, fez pós-graduação em Odontologia para pacientes com necessidades especiais na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas-SP. No inicio de 2008, começou a trabalhar com remuneração e deixou de lado o voluntariado que tanto adorava.
Na clínica particular em Maringá, onde ela trabalhou, tinha vários dentistas especializados na mesma área que ela. Atendia vários pacientes e não tinha problema de comunicação, discriminação e nem preconceito por ela ser Surda. Trabalhava todos os dias inclusive aos sábados. Mas com a exaustão dos estudos, deixou de lado o trabalho para concluir sua monografia da especialização, pois viajava todos os meses e ficava muito tempo fora de casa. Depois que terminou o a especialização, fez um curso de Capacitação de Sedação Consciente na mesma faculdade, São Leopoldo Mandic. A faculdade de São Leopoldo disponibilizou uma intérprete para ela durante dois anos, o que deixou muito aliviada, pois a própria faculdade fez prevalecer os seus direitos de cidadã. Sua intérprete sempre a auxiliava nas aulas teóricas, pois nas praticas não havia necessidade. Na sua graduação nunca teve intérprete, pois naquela época a faculdade não disponibilizava intérpretes para Surdos. Atualmente, fez vários concursos na área de odontologia, foi classificada em alguns, mas ainda não foi chamada. No momento esta aguardando para ser convocada no ultimo concurso prestado, no qual conseguiu classificação. Luciana Dantas Ruiz “ O Oralismo teve seu lado bom que foi ser incluída socialmente, podendo ter plena participação nas atividades da comunidade. Quando temos essa oportunidade não percebemos a “deficiência”. Esquecemos as diferenças porque interagimos igualmente”. Filha caçula de uma família de ouvintes nasceu no dia 25 de fevereiro de 1967, na cidade do rio de Janeiro. Nasceu surda, mas seus pais só perceberam a surdez por volta dos oito meses de idade, depois de passar por dois médicos o qual diagnosticaram sua surdez de grau severa e profunda. A partir daí, seus pais começou uma grande maratona para reverter este quadro, foi
mundo era todo visual. Daí por diante, ela descobriu a Libras e o quanto era importante poder se comunicar das duas formas: com pessoas de sua própria cultura (Surdos) e com os ouvintes. Teve a oportunidade de conhecer e entender que existe um mundo próprio dos Surdos e aceitar com naturalidade a sua identidade Surda. Em 2005, formou-se em Psicologia pela Universidade Estácio de Sá, fez curso de instrutores da APADA de Niterói. Assim encontrou seu caminho profissional. Neste mesmo ano, montou um centro de convivência para adolescentes Surdos, baseado nas suas próprias dificuldades e nos objetivos que ela alcançou. Além disso, divulga a Libras através de cursos livres para a comunidade. Engajada na luta pela defesa dos direitos das pessoas Surdas, participa do Conselho Municipal de Defesa dos Deficientes, na cidade onde mora, Nova Friburgo. Ocupou o cargo de presidência no ano de 2005 a 2007 e atualmente ocupa o cargo de vice-presidência. E mais uma vez, valorizando sua Identidade, cultura, comunidade e língua esta se graduando em Letras- Libras, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, com o termino previsto para 2010. Nelson Pimenta de Castro “ Eu me entrego totalmente e fico feliz vivendo os personagens...” Nasceu em Brasília e m 6 de setembro de 1963. Vem de uma família de Surdos e ouvintes, tem uma irmã Surda, e seu avô também era Surdo. Estudou em escola especial em Brasília e depois foi ao Rio de Janeiro estudar no INES. Desde pequeno sentia atraído pelas artes cênicas. E na década de 1990 começou a atuar no INES. Foi o primeiro ator Surdo a se profissionalizar no Brasil, estudou no NTD (National Theatre of the Deaf, de New York). Já atuou como instrutor e pesquisador de LSB em diversas instituições, entre elas o INES, a ARPEF (Associação de Reabilitação e Pesquisa Fonoaudiológica), o CES e a FENEIS.
Atualmente se graduou em Cinema e Vídeo pela Universidade Estácio de Sá no Rio de Janeiro. Coordena as ações de teatro e expressão corporal na ARPEF, preside o ILSB (Instituto de Língua de Sinais Brasileira) e é professor de teatro no Centro Educacional Pilar Vilazquez. Fundou junto com um ouvinte, a LSB Vídeo que é uma empresa criada no Rio de Janeiro com o objetivo de melhorar a educação e o nível de informação dos Surdos no Brasil, atualmente essa empresa tem fitas de vídeo, jogos educativos e livros didáticos feitos pela equipe da empresa composta por seis pessoas sendo cinco Surdos e um ouvinte. É autor do livro e DVD “As aventuras de Pinóquio”, em versão com Libras, que foi desenvolvido com o objetivo de permitir que as crianças interessadas ouvintes e Surdas, conheçam e tenham acesso a essa história, favorecendo e incentivando a inclusão social. Como ator e consultor de Língua Brasileira de Sinais, participou de inúmeras peças teatrais, vídeos e documentários. Sua atuação no Show Nelson 6 ao Vivo estendeu-se por Campinas/SP, Curitiba/PR, Florianópolis/SC, Juiz de Fora/RJ, Manaus/AM, Passo Fundo/RS, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP e Santa Rosa/RS, e lhe rendeu em 2002 o prêmio na Jornada de Literatura de Passo Fundo. Para ele, os Surdos precisam de uma educação melhor e completa, precisam ter acesso a facilidades modernas de comunicação, como por exemplo, legenda em programas de televisão, intérpretes em teatro, aparelhos de comunicação como Pager com teclado alfabético etc. Tem o sonho de ver todos os Surdos com os mesmos direitos de cidadania das pessoas ouvintes. Rimar Ramalho Segala “Talvez não haja a necessidade de fazer um diagnóstico tão minucioso sobre quem sou, pois sou surdo. A maior dificuldade neste trabalho não foi à pesquisa e sim como transmitir a vocês, contudo, ouço com meus olhos e falo com minhas mãos”.