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Protocolos de Comunicação Abertos Dentro da Indústria de Processos Molhados
Tipologia: Notas de estudo
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Este artigo descreve aplicações de sistemas de con- trole com protocolos de comunicação abertos dentro da indústria de processos molhados. A aplicação desses sistemas tem possibilitado a uti- lização de instrumentos, válvulas, posicionadores e outros dispositivos de campo diversificados fornecidos por dezenas de fabricantes. Destaca também a importância da utilização de ga- teways, conversores de sinais, controladores tipo Host, etc. E apresenta a versatilidade de operação e manu- tenção que um sistema com Arquitetura aberta possibi- lita aos usuários. Também é apresentada uma aplicação de um siste- ma de controle com Protocolo de Comunicação Foun- dation Fieldbus, para uma planta de destilação de solventes com menos de 50 dispositivos de campo, en- tre eles instrumentos de medição e posicionadores quase todos classificados para área EEx. Vantagens como economia, aumento da seguran- ça, confiabilidade, retorno financeiro num espaço de tempo mais curto para as indústrias, são obtidas atra- vés da implantação de um sistema de controle aberto baseado em barramentos de campo “Fieldbuses”.
Protocolos de comunicação, são padrões de redes de comunicação que permitem que instrumentos de medição, posicionadores de válvulas e demais disposi- tivos se comuniquem através de um sinal digital com o sistema de controle de uma forma mais rápida, eficaz e econômica. Dentre os protocolos existentes, existem inúmeros tipos, mas na relação com processos molhados (Indús- trias Químicas, Petroquímicas, Cimenteiras, Siderúrgi- cas, Papel e Celulose, Alimentícias, Óleo e Gás e Farmacêuticas) não são tantos assim, visto que as infor- mações nesses processos são mais complexas e as ações de controle no caso de malhas de controle fe- chadas são ainda mais complexas, já que em grande
parte dessas indústrias, o que prevalece é a medição de variáveis de processo, como vazão, nível, temperatu- ra, pressão, variáveis analíticas e controle regulatório. Dessa forma, esse artigo abordará principalmente os protocolos que se enquadram nesse perfil, que são os Foundation Fieldbus, Profibus e Hart. Os protocolos Foundation Fieldbus e Profibus PA fazem parte de um mesmo tipo de comunicação no meio físico que é a rede. Eles diferem basicamente um do outro, pelo fato que o Profibus PA permite apenas o controle via Host do sistema, enquanto que o Founda- tion Fieldbus, permite que o controle seja feito no cam- po via blocos funcionais do próprio instrumento ou até mesmo no Host do sistema como no Profibus PA. Portanto, o meio físico da arquitetura de Rede do Profibus PA é idêntico ao meio físico da arquitetura Foundation Fielbbus, a diferença está voltada para as outras camadas de controle como software, tratamento dos dados e demais mensagens, uma vez que a confi- guração de cada sistema é distinta. O protocolo Foundation Fieldbus, foi desenvolvido baseado no padrão ISO/OSI , já o protocolo Profibus PA é uma extensão do protocolo Profibus DP da mes- ma família ProfiBus, o que facilita a intercambiabilida- de entre as demais arquiteturas de rede de comunicacão, só que baseado também no modelo de blocos funcionais assim como o Foundation Fieldbus para utilização específica em controle regulatório. O protocolo Hart é um protocolo de comunicação, porém não utilizado para a operação convencional e sim para efeito de configuração de cada instrumento e dispositivo de campo, através desse protocolo torna-se possível a configuração, o diagnóstico e a monitoração de cada instrumento de medição por meio de uma in- terface apropriada para configuração local no campo ou mesmo remota. O protocolo Hart é disponibilizado principalmen- te pelos instrumentos e dispositivos de campo, assim independente da arquitetura que possua a rede de co- municação e do sinal que trafegue na mesma, o proto-
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Rogerio Gimenes – Consultor Técnico
colo Hart poderá estar disponível também.
A utilização dos três protocolos referidos anteriormente num mes- mo sistema, possibilita a comuni- cação entre instrumentos de campo distintos, com protocolos de comunicação diferenciados, o que faz dele um sistema de contro- le com comunicação aberta. No nível de comunicação et- hernet TCP/IP, torna-se possível a implementação de estações de operação, estações de gerencia- mento da planta e estações de en- genharia para execução de tarefas distintas num mesmo nível de siste- ma. Essas estações conectadas a rede ethernet podem operar com softwares de diferentes plataformas. A aplicação de um sistema aberto como o exempli- ficado na figura 1, é possível através de interfaces con- versoras de sinais e gateways que convertem protocolos como Foundation Fieldbus, Profibus PA e DP, Hart, para uma rede ethernet mais simplificada. Numa aplicação como a desse sistema (figura 1), nota-se que a instrumentação de campo é distinta e di- versificada, não só em relação aos fabricantes dos ins- trumentos, posicionadores e válvulas, mas também em relação à função de cada instrumento, que inclui me- didores de nível tipo radar, medidores magnéticos de vazão e até transmissores de temperatura, sendo que cada protocolo de comunicação possui sua parcela di- vidida de instrumentos de campo padronizados em FF, PA, DP e Hart. Essa aplicação possui um fator muito bom no que diz respeito a funcionalidade e interoperabilidade do sistema de controle de uma planta, pois dessa forma quando essa planta industrial necessitar ser ampliada, num curto espaço de tempo por motivos de aumento de produção e competitividade o que é muito comum nos dias de hoje. Não existirá nenhuma preocupação quanto ao padrão de comunicação da instrumentação e dispositivos a serem adquiridos, uma vez que essa planta possui uma arquitetura aberta disposta a expan- dir tanto em Foundation Fieldbus quanto em Profibus PA ou Hart. Dessa forma, também não haverá necessidade de estar limitado a apenas um determinado fabricante de instrumentos e sistemas para controle de processo.
Com relação às interfaces conversoras de sinais, gateways, hardwares e softwares do sistema de contro- le, ocorre o mesmo, pois não existe nenhuma necessi- dade de ficar limitado a apenas um fabricante, como também a um só protocolo de comunicação.
Na última camada da rede o protocolo é um só, o TCP/IP para redes ethernet, o que facilita em muito a expansão de novas estações de operação, gerencia- mento e engenharia no caso de uma expansão na plan- ta industrial e por conseqüência de toda a instrumentação de campo, pois a facilidade está na própria instalação dos novos hardwares e softwares como também no fator investimento. A facilidade do uso do protocolo de redes ethernet nessa camada, é possível através do uso de gateways que convertem os sinais dos protocolos de campo como o Foundation Fieldbus, Profibus DP e Hart para o protocolo TCP/IP. Isso permite uma interface simpli- ficada, rápida e eficaz com o sistema de operação, já que a intervenção e a mudança de parâmetros de con- trole no processo pode ser realizada pelo operador em poucos segundos e a resposta do sistema aberto é imediata. Esses gateways do tipo Fieldgate fazem a interface entre o protocolo TCP/IP e os controladores de campo tipo Host, que através de sua configuração de estrutura de blocos funcionais em protocolos de comunicação Foundation Fieldbus, Profibus DP e PA, fazem a comu- nicação e o controle com todo e qualquer instrumento e dispositivo de campo de medição e controle de variá- veis de processo.
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Figura 1 – Foundation Fieldbus, Profibus e Hart num Sistema Aberto
ções de Gerenciamento, Engenharia e Manutenção, mesmo em casos onde os dados estejam disponíveis num mesmo nível de rede entre as estações. Existem estratégias de comando nos softwares de supervisão e controle que permitem esse tipo de con- trole dos dados e da mudança dos parâmetros. O controle nos comandos de mudança de parâme- tros relacionados ao funcionamento de cada malha de controle, cada instrumento pode também ser acionado nos próprios controladores de campo. Esses controladores de campo, podem possuir sua configuração no que diz respeito ao tamanho e capaci- dade dos mesmos de acordo com a quantidade de ins- trumentos e elementos finais de controle existentes no campo. A utilização desses tipos de controladores tipo Host denominados em inglês de Field Controllers, per- mite que todo o controle da planta, tanto o regulatório quanto o seqüencial (ON-OFF) esteja configurado nele
e seja executado por ele sem a necessidade de outros hardwares de controle. Os controladores permitem a expansão entre eles por cartões de comunicação com versões de protoco- los diferenciados, como é o caso do sistema da figura 1, que utiliza os protocolos Foundation Fieldbus e Profibus para comunicação com os barramentos de campo. No caso de não haver necessidade ou preferência do controle pela rede ethernet, a aplicação desses con- troladores tipo Host “Field Controllers” permite tam- bém, que os mesmos sejam a interface direta com o sistema, essa opção pode ser levada em consideração, enquanto a planta possui poucos pontos de medição e controle, não necessitando assim ter muitas estações de operação. A figura 4 mostra um outro exemplo dos Field Con- trollers, porém neste exemplo eles estão conectados numa rede de comunicação com apenas um protoco- lo, o Foundation Fieldbus, o que acaba limitando um pouco o sistema em termos de arquitetura aberta. De qualquer modo, trata-se de um sistema para uma planta de destilação de solventes, com um núme- ro total de instrumentos de campo, elementos final de controle e outros dispositivos que não passa de 50. Dessa forma, a utilização de apenas um protocolo de comunicação faz sentido, pois acaba tornando-se uma condição até econômica enquanto a planta não ex- pandir. No caso de um planejamento de expansão repenti- no, a utilização dos Field Controllers, permite que os mesmos sejam expandidos com versões para outros protocolos de comunicação como o Profibus e o Hart. Assim, dependendo da quantidade de instrumentos de medição e con- trole que a planta venha a possuir com essa expansão, a implementa- ção de gateways tipo Fieldgate, com certeza será uma ótima solução, pois permitirá que a planta esteja operan- do num sistema de comunicação com protocolo aberto. Esse sistema diminuirá as preocupações quanto ao tipo de protocolo que terão os ins- trumentos novos numa provável futu- ra expansão, pois a planta vai estar operando já com Foundation Field- bus, Profibus e Hart. Com o sistema expandido de uma forma aberta, não haverá mais preo- cupação quanto à versão de comuni- cação dos equipamentos a serem
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Figura 3 – Controladores de Processo de Campo
Figura 4 – Sistema de Controle em Foundation Fieldbus para área EEx utilizando controladores de campo tipo Field Controller
adquiridos para um novo projeto de expansão, como também a criação de novas estações de operação não acarretarão tanto trabalho, nem tanto custo assim, uma vez que no nível operacional do sistema o protocolo será o do tipo Ethernet fazendo com que o sistema de controle tenha acesso a toda a planta. No caso do sistema mostrado na figura 4 nunca ex-
pandir, ele pode seguir da mesma for- ma, utilizando os Field Controllers como controladores e hardwares fi- nais do sistema, podendo utilizar qualquer plataforma de software como a da figura 5 do tipo ControlCa- re para protocolos de comunicação abertos, para operação em PCs con- vencionais que estarão conectados diretamente a saída de comunicação dos Controladores.
Vantagens como, economia, o aumento da segurança, a confiabili- dade, a versatilidade, o retorno finan- ceiro de uma indústria através da implantação de um sistema de con- trole aberto baseado em barramentos de campo, têm aumentado a deman- da desses sistemas ao longo dos anos. Por isso, o esforço por parte dos fabricantes de siste- mas e instrumentos vem aumentando gradativamente em larga escala no intuito da padronização de disposi- tivos disponíveis para protocolos de comunicação Pro- fibus, Foundation Fieldbus e Hart. Os protocolos abertos permitem uma expansão do sistema com muito mais opções de plataformas de con- trole e uma integração maior entre todas as unidades.
(1) Technical Information - Profibus Automation Tech- nology. Endress+Hauser GmbH + Co. KG. Weil am Rhein-Germany April, 2003. (2) Application Information – Solvent Distillation. Endress+Hauser GmbH + Co. KG Weil am Rhein-Germany, 2004. (3) Technical Information – Process Solutions. Endress+Hauser GmbH + Co. KG Weil am Rhein-Germany April, 2004. (4) Technical Information – Fieldgate System. Endress+Hauser GmbH + Co. KG Weil am Rhein-Germany April, 2004. (5) Projeto de Sistemas de Controle com o uso de Proto- colos Digitais de Comunicação Augusto Passos Pereira – ISA Distrito 4. São Paulo,
(6) Guia de Bolso Foundation Fieldbus – Augusto Pere- ira, Ian Verhappen ISA Distrito 4, 2002. (7) Foundation Fieldbus Technical Overview Rev. 3. (1998, 2003) (8) Descrição Técnica Profibus – Associação Profibus Brasil. Outubro de 2000.
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Figura 5 – Sinótico para Operação do sistema exemplificado na figura 4 baseado na plataforma para Protocolos de Comunicação Abertos Control Care
Figura 6– Planta de Destilação de Solventes .Operada pelo sinótico da figura 5 e controlada pelo sistema da figura 4