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Artigo sobre genética, Resumos de Genética Humana

Genética, professor Rosineide autor et al.em 2026

Tipologia: Resumos

2026

Compartilhado em 27/03/2026

dayvisson-gabriel-rodrigues-de-lima
dayvisson-gabriel-rodrigues-de-lima 🇧🇷

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Artigo i nédito
Dental Press J Orthod 121 2010 May-June;15(3):121-4
Raça
versus
etnia: diferenciar para melhor aplicar
Diego Junior da Silva Santos*, Nathália Barbosa Palomares*, David Normando**,
Cátia Cardoso Abdo Quintão***
Frequentemente, estudos que utilizam populações são questionados quanto à homogenei-
dade de suas amostras em relação à raça e etnia. Esses questionamentos procedem, pois a
heterogeneidade amostral pode aumentar a variabilidade dos resultados e mascará-los. Esses
dois conceitos (raça e etnia) são confundidos inúmeras vezes, mas existem diferenças sutis
entre ambos: raça engloba características fenotípicas, como a cor da pele, e etnia também
compreende fatores culturais, como a nacionalidade, afiliação tribal, religião, língua e as
tradições de um determinado grupo. A despeito da ampla utilização do termo “raça”, cresce
entre os geneticistas a definição de que raça é um conceito social, muito mais que científico.
Resumo
Palavras-chave: Etnia e saúde. Distribuição por raça ou etnia. Grupos étnicos.
* Alunos do Curso de Especialização de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
** Mestre em Clínica Integrada pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo - USP. Especialista em Ortodontia pela PROFIS - USP/ Bauru.
Professor Adjunto da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Doutorando em Odontologia pela UERJ.
*** Doutora e Mestre em Odontologia (Ortodontia) pela UFRJ. Professora Adjunta de Ortodontia da UERJ.
INTRODUÇÃO
Embora a categorização de indivíduos em
raça e etnia seja amplamente utilizada, tanto em
diagnóstico quanto na pesquisa científica, seus
significados são frequentemente confundidos ou
mesmo desconhecidos no meio acadêmico.
O uso da raça como uma característica dis-
tintiva nas populações ou indivíduos que procu-
ram por assistência médica é um costume bem
aceito na área de saúde. Apesar da origem dessa
prática refletir atitudes preconceituosas do pas-
sado, seu uso atual tem sido defendido como um
meio útil de aprimoramento de diagnóstico e de
esforços terapêuticos
7
.
A classificação de raça pode ser utilizada para
verificar se estudos randomizados foram bem-
sucedidos. Também pode ser útil para os leitores
como uma descrição da população participante
de um determinado estudo
12
. Na Ortodontia, a
tentativa de identificar o grupo racial em uma
amostra tenta controlar a variação inerente às
características faciais específicas a determinados
grupos raciais.
Este artigo tem como objetivo esclarecer:
(1) A diferença conceitual entre raça e etnia.
(2) As categorias raciais determinadas por
alguns estudos.
HISTÓRICO DO TeRmO “RAÇA”
A primeira classificação racial dos homens foi
a “Nouvelle division de la terre par les différents
espèces ou races qui lhabitent” (Nova divisão da
terra pelas diferentes espécies ou raças que a ha-
bitam) de François Bernier, publicada em 1684
11
.
Em 1790, o primeiro censo americano clas-
sificou a população em homens brancos livres,
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A r t i g o i n é d i t o

Raça versus etnia: diferenciar para melhor aplicar

Diego Junior da Silva Santos, Nathália Barbosa Palomares, David Normando, Cátia Cardoso Abdo Quintão*

Frequentemente, estudos que utilizam populações são questionados quanto à homogenei- dade de suas amostras em relação à raça e etnia. Esses questionamentos procedem, pois a heterogeneidade amostral pode aumentar a variabilidade dos resultados e mascará-los. Esses dois conceitos (raça e etnia) são confundidos inúmeras vezes, mas existem diferenças sutis entre ambos: raça engloba características fenotípicas, como a cor da pele, e etnia também compreende fatores culturais, como a nacionalidade, afiliação tribal, religião, língua e as tradições de um determinado grupo. A despeito da ampla utilização do termo “raça”, cresce entre os geneticistas a definição de que raça é um conceito social, muito mais que científico.

Resumo

Palavras-chave: Etnia e saúde. Distribuição por raça ou etnia. Grupos étnicos.

  • Alunos do Curso de Especialização de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). ** Mestre em Clínica Integrada pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo - USP. Especialista em Ortodontia pela PROFIS - USP/ Bauru. Professor Adjunto da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Doutorando em Odontologia pela UERJ. *** Doutora e Mestre em Odontologia (Ortodontia) pela UFRJ. Professora Adjunta de Ortodontia da UERJ.

INTRODUÇÃO

Embora a categorização de indivíduos em raça e etnia seja amplamente utilizada, tanto em diagnóstico quanto na pesquisa científica, seus significados são frequentemente confundidos ou mesmo desconhecidos no meio acadêmico. O uso da raça como uma característica dis- tintiva nas populações ou indivíduos que procu- ram por assistência médica é um costume bem aceito na área de saúde. Apesar da origem dessa prática refletir atitudes preconceituosas do pas- sado, seu uso atual tem sido defendido como um meio útil de aprimoramento de diagnóstico e de esforços terapêuticos 7. A classificação de raça pode ser utilizada para verificar se estudos randomizados foram bem- sucedidos. Também pode ser útil para os leitores como uma descrição da população participante

de um determinado estudo 12. Na Ortodontia, a tentativa de identificar o grupo racial em uma amostra tenta controlar a variação inerente às características faciais específicas a determinados grupos raciais. Este artigo tem como objetivo esclarecer: (1) A diferença conceitual entre raça e etnia. (2) As categorias raciais determinadas por alguns estudos.

HISTÓRICO DO TeRmO “RAÇA” A primeira classificação racial dos homens foi a “Nouvelle division de la terre par les différents espèces ou races qui lhabitent” (Nova divisão da terra pelas diferentes espécies ou raças que a ha- bitam) de François Bernier, publicada em 1684 11. Em 1790, o primeiro censo americano clas- sificou a população em homens brancos livres,

Raçaversus etnia: diferenciar para melhor aplicar

mulheres brancas livres e outras pessoas (nativos americanos e escravos). Já o censo de 1890 classi- ficou a população utilizando termos como: bran- co, preto, chinês, japonês e índios^3. Carolus Linnaeus (1758), criador da taxono- mia moderna e do termoHomo sapiens, reco- nheceu quatro variedades do homem:

  1. Americano (Homo sapiens americanus: vermelho, mau temperamento, subjugável);
  2. Europeu (europaeus: branco, sério, forte);
  3. Asiático (Homo sapiens asiaticus: amare- lo, melancólico, ganancioso);
  4. Africano (Homo sapiens afer: preto, im- passível, preguiçoso). Linnaeus reconheceu também uma quin- ta raça sem definição geográfica, a Monstruosa (Homo sapiens monstrosus), compreendida por uma diversidade de tipos reais (por exemplo, Patagônios da América do Sul,Flatheads cana- denses) e outros imaginados que não poderiam ser incluídos nas quatro categorias “normais”. Segundo a visão discriminatória de Linnaeus, a classificação atribuiu a cada raça características físicas e morais específicas 11. Em 1775, o sucessor de Linnaeus, J. F. Blu- menbach, reconheceu “quatro variedades da hu- manidade”:
  5. Europeu, Asiático do Leste, e parte de América do Norte;
  6. Australiano;
  7. Africano;
  8. Restantes do novo mundo. A visão de Blumenbach continuou a evo- luir e, em 1795, deu origem a cinco variedades — Caucasiano, Mongol, Etíope, Americano e Malaio —, diferindo do agrupamento anterior, onde os esquimós passaram a ser classificados com os Asiáticos do Leste 11. Em 1916, Marvin Harris descreveu a teoria da hipodescendência, útil na classificação de um indivíduo produto do cruzamento de duas ra- ças diferentes. Nessa teoria, a criança fruto des- te cruzamento pertenceria à raça biológica ou

socialmente inferior: “o cruzamento entre um branco e um índio é um índio; o cruzamento entre um branco e um negro é um negro; o cru- zamento entre um branco e um hindu é um hin- du; e o cruzamento entre alguém de raça euro- peia e um judeu é um judeu”. Em alguns países, uma regra de 1/8 ou 1/16 foi estabelecida a fim determinar a identidade racial apropriada de in- divíduos oriundos de mistura de raças. Sob essas regras, se o indivíduo for, pelas linhas da descen- dência, 1/8 ou somente 1/16 de negro (preto uniforme), o indivíduo é também negro 11.

eXISTe DIFeReNÇA eNTRe OS TeRmOS “RAÇA” e “eTNIA”? O termo raça tem uma variedade de defini- ções geralmente utilizadas para descrever um grupo de pessoas que compartilham certas ca- racterísticas morfológicas. A maioria dos auto- res tem conhecimento de que raça é um termo não científico que somente pode ter significa- do biológico quando o ser se apresenta homo- gêneo, estritamente puro; como em algumas espécies de animais domésticos. Essas condi- ções, no entanto, nunca são encontradas em se- res humanos 13. O genoma humano é composto de 25 mil genes. As diferenças mais aparentes (cor da pele, textura dos cabelos, formato do nariz) são determinadas por um grupo insigni- ficante de genes. As diferenças entre um negro africano e um branco nórdico compreendem apenas 0,005% do genoma humano. Há um amplo consenso entre antropólogos e geneti- cistas humanos de que, do ponto de vista bio- lógico, raças humanas não existem 1. Historicamente, a palavra etnia significa “gentio”, proveniente do adjetivo gregoethni- kos. O adjetivo se deriva do substantivoethnos, que significa gente ou nação estrangeira. É um conceito polivalente, que constrói a identidade de um indivíduo resumida em: parentesco, reli- gião, língua, território compartilhado e naciona- lidade, além da aparência física 4,^.

Raçaversus etnia: diferenciar para melhor aplicar

endereço para correspondência Diego Junior da Silva Santos Av. Rui Barbosa, 340 ap. 701, Liberdade CEP: 27.521-190 – Resende/SP E-mail: [email protected]

Enviado em: agosto de 2009 Revisado e aceito: setembro de 2009

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  5. Fundação Nacional do Índio. Grupos indígenas-Amazonas [Internet]. Brasília, DF: FUNAI; 2009. [acesso 2009 jul 31]. Disponível em: www.funai.gov.br/mapas/etnia/etn_am.htm.
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ReFeRêNCIAS

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  5. Witzig R. The medicalization of race: scientific legitimation of a flawed social construct. Ann Intern Med. 1996;125(8):675-9.

Race versus ethnicity: Differing for better application

Abstract Studies involving populations are often questioned as to the homogeneity of their samples relative to race and ethnicity. Such questioning is justified because sample heterogeneity can increase the variability of and even mask results. These two concepts (race and ethnicity) are often confused despite their subtle differences. Race includes phenotypic characteristics such as skin color whereas ethnicity also encompasses cultural factors such as national- ity, tribal affiliation, religion, language and traditions of a particular group. Despite the widespread use of the term “race”, geneticists are increasingly convinced that race is much more a social than a scientific construct. Keywords: Ethnicity and health. Distribution by race or ethnicity. Ethnic groups.

CONCLUSÕeS Raça e etnia são dois conceitos relativos a âmbitos distintos. Raça refere-se ao âmbito biológico; referindo- se a seres humanos, é um termo que foi utilizado historicamente para identificar categorias huma- nas socialmente definidas. As diferenças mais co- muns referem-se à cor de pele, tipo de cabelo, con- formação facial e cranial, ancestralidade e genéti- ca. Portanto, a cor da pele, amplamente utilizada como característica racial, constitui apenas uma

das características que compõem uma raça. Entre- tanto, apesar do uso frequente na Ortodontia, um conceito crescente advoga que a cor da pele não determina a ancestralidade, principalmente nas populações brasileiras, altamente miscigenadas. Etnia refere-se ao âmbito cultural; um gru- po étnico é uma comunidade humana definida por afinidades linguísticas, culturais e seme- lhanças genéticas. Essas comunidades geral- mente reclamam para si uma estrutura social, política e um território.