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Este documento discute a importância do uso de dicionários pedagógicos de qualidade na aquisição/aprendizagem de crianças em fase inicial de escolarização, especificamente na comunidade de pescadores artisanais da ilha de amparo. O texto aborda a necessidade de selecionar unidades lexicas adequadas para os dicionários pedagógicos, baseadas em critérios sociolinguísticos-antropológicos-contrastivos, e a importância de estudar a oralidade dessas comunidades para o resgate e preservação do vernáculo. O documento também apresenta um perfil socioinstrucional da comunidade de pescadores de amparo e discute a interferência do estilo de vida urbano na constituição dialetal dessa população.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Adilson do Rosário TOLEDO Docente da Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução – PÓS-DOC PGET/REUNI/UFSC
Adja Balbino de Amorim Barbieri DURÃO Docente do Programa de Pós-Graduação em Linguística – UFSC Docente do Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução – UFSC Professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem – UEL Bolsista de Produtividade do CNPq
Resumo Este trabalho se insere na área da Lexicografia (BÉJOINT, 2000; BORBA, 2003; WELKER, 2004; WERNER, DURÃO, RUANO, 2009; DURÃO, 2009, 2010), mais especificamente, no campo da Metalexicografia, na interface com a Linguística Contrastiva (LADO, 1957) em seu modelo contemporâneo (SELINKER, 1994; DURÃO, 2007). O objetivo fundamental desta pesquisa é a investigação de metodologia adequada para a elaboração de dicionário pedagógico contrastivo em língua materna. Parte-se do pressuposto de que as estratégias de desenvolvimento de interlíngua, na aquisição/aprendizagem de crianças em fase inicial de escolarização, ficam potencializadas com o uso de dicionário pedagógico de qualidade, cujas unidades léxicas sejam originadas da própria comunidade de fala. Um dos recursos metodológicos à disposição para a construção de um Banco de Dados Lexical para este fim pode estar nos fundamentos da Teoria da Variação e Mudança Linguísticas (WEINREICH, LABOV, HERZOG, 1968; LABOV, 1972; SILVA-CORVALÁN, 1989; TARALLO, 1990). O trabalho se desenvolverá em três etapas coordenadas: análise instrumental, coleta de dados e apresentação de resultados. Palavras-chave : Interlíngua. Dicionário. Aquisição. Aprendizagem.
Abstract This work is inserted in Lexicographic studies (BÉJOINT, 2000; BORBA, 2003; WELKER, 2005; WERNER, DURÃO, RUANO, 2009; DURÃO, 2009, 2010), specifically in the field of Metalexicography, in the interface with Contrastive Linguistic studies (LADO, 1957) in its contemporary model (SELINKER, 1994; DURÃO, 2007). The main purpose of this research deals with the methodological investigation to construct a pedagogical contrastive dictionary in the mother tongue. We suppose that the strategies of interlanguage development in acquisition/apprenticeship can be potentialised with the use of a quality adequate pedagogical dictionary. But the lexical units must be generated from the inner community of speech. We can find methodological approaches at our disposal to construct a Lexical Data Bank in the Empirical Foundations of a Theory of Language Change (WEINREICH, LABOV, HERZOG, 1962; LABOV, 1972; SILVA-CORVALÁN, 1989; TARALLO, 1990). This work will be developed in three coordinated phases: instrumental analysis, data collection, and presentation of results. Keywords : Interlanguage. Dictionary. Acquisition. Apprenticeship.
A interlíngua pode ser definida como o sistema linguístico de aprendizes de línguas e socioletos (DURÃO, 2007). No enfoque do letramento, o estudo dos estágios de interlíngua acontece mediante a análise de um sistema gramatical funcional em contraste com o sistema gramatical canônico apregoado pela escola. Neste caso, o desenvolvimento de interlíngua pode ser estimulado através de vários recursos didático-instrumentais, como o reforço das estratégias cognitivas inerentes ao aprendiz, a exposição a materiais didáticos de qualidade e atividades sociointerativas extraclasse. A respeito desta temática, Toledo (2011) afirma que o desenvolvimento de interlíngua no letramento de crianças em fase inicial de escolarização pode ser potencializado pelo uso de dicionário pedagógico adequado.
O desenvolvimento de interlíngua, em termos de aquisição/aprendizagem de conceitos empíricos fora do ambiente escolar (práticas socioeducativas) e conceitos teóricos e científicos no ambiente escolar, tem lugar juntamente com o desenvolvimento cognitivo. No processo de aprendizagem linguística, o conhecimento teórico e científico deve ser pensado em termos de letramento de qualidade (escrita com autoria, leitura com proficiência e oralidade com argumentação). Assim, o desenvolvimento de interlíngua na alfabetização se concretiza com o letramento de qualidade.
Os primeiros estímulos para o desenvolvimento de interlíngua podem ser dados, na educação infantil, pelos chamados exercícios de prontidão. Já na fase de alfabetização, a criança passa a testar diversas hipóteses (estratégias cognitivas) de aprendizagem que a incentivam na aquisição do sistema léxico-gramatical. As principais delas são a memorização, a transferência e a sobregeneralização de regras que se revelam nas diversas habilidades linguísticas.
Em seu estudo, Toledo (2011) prioriza o aspecto lexical, que reflete diretamente o conteúdo semântico da gramática e constitui o todo léxico-semântico da língua. No processo de aquisição/aprendizagem linguística, o domínio e o aprimoramento do conjunto léxico-semântico da língua funcionam como instrumentos estimulantes do desenvolvimento de interlíngua. Um dos recursos privilegiados para o reforço da memória léxico-semântica no letramento está no uso adequado do dicionário pedagógico. A mesma pesquisa concluiu que, em sua maioria, os dicionários à disposição nas escolas não cumprem com o papel pedagógico que, algumas vezes, dizem desempenhar.
Este fato permitiu a proposição de novas pesquisas no intuito de estudar o assunto. As duas questões básicas que afloram destas reflexões gravitam em torno da arquitetura de dicionários (entre eles, o dicionário pedagógico) e a seleção das unidades léxicas de entrada. Para se estudar a arquitetura que vai modelar a construção de um dicionário qualquer, deve-se pautar por uma consistente base lexical. Logo, a constituição de um banco de dados lexical precede à idealização da arquitetura do dicionário. Neste contexto, surgiu o presente trabalho, que se insere na área dos estudos lexicográficos, mais precisamente da Metalexicografia (BÉJOINT, 2000; BORBA, 2003; WELKER, 2005; WERNER, DURÃO, RUANO, 2009; DURÃO, 2009, 2010), na interface com a Linguística Contrastiva (LADO, 1957) em seu modelo contemporâneo (SELINKER, 1994; DURÃO, 2007).
Normalmente, os lexicógrafos pautam a seleção de verbetes que compõem seus dicionários pelo aspecto referencial ou funcional. No primeiro caso, as unidades léxicas remetem a uma língua hipotética e idealizada, muito embora descrita em vários dicionários (entre os quais o Novo Dicionário da Língua Portuguesa , de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira) como formada de palavras e expressões vivas. No segundo caso, a seleção das unidades léxicas que figurarão no dicionário pretende direcionar-se pelo uso real e, portanto, teoricamente, tais dicionários concebem a língua como fato social.
2.1 A questão do isolamento das comunidades
O Brasil está passando por um processo rápido de urbanização. O termo urbanização pode ser entendido, basicamente, segundo duas acepções: a) pelo aspecto demográfico, trata-se do êxodo da população do campo em direção às cidades; b) pelo aspecto da qualidade de vida, refere-se ao acesso aos bens de consumo e serviços a que aspira a população do campo, na tentativa de aproximação aos estilos de vida da população das cidades. Neste último caso, embora a vantagem da modernidade que possa trazer o estilo de vida das cidades não seja uma opinião unânime, a urbanização está representada na energia elétrica, que possibilita maior acesso às diferentes mídias, na instalação de rede de saneamento básico, em melhor acesso aos recursos de saúde e educação, em incremento comercial, etc.
Bortoni-Ricardo (2011), enfocando o primeiro aspecto, comprova a interferência do estilo de vida na constituição dialetal e, consequentemente, na organização léxico-semântica da língua. Esta pesquisadora empreendeu um trabalho exaustivo de documentação e análise do surgimento de um dialeto urbano entre a população de migrantes de Brazlândia, cidade-satélite de Brasília, oriundo da transformação de um dialeto rural pelo contato com o dialeto urbano de Brasília. Bortoni-Ricardo (2011), embasada no conceito de redes sociais, discute feições fonológicas e morfossintáticas do surgimento desse dialeto que a autora denomina de rurbano e pode ser considerado como uma categoria dialetal intermediária entre o dialeto rural e o dialeto urbano. A leitura do trabalho de Bortoni-Ricardo (2011) permite supor que, atualmente, em consequência da era da informação, poucas são as comunidades verdadeiramente isoladas.
A presente pesquisa desenvolvida entre as comunidades de pescadores artesanais do litoral paranaense aborda o segundo aspecto apontado por Bortoni-Ricardo (2011) e tratará do mapeamento da oralidade dessas comunidades. Relativamente ao isolamento parcial dessas comunidades, desde o princípio dos estudos, concordamos com as argumentações de Bortoni- Ricardo (2011). Ao mesmo tempo, consideramos de muita importância os dados da oralidade dessas comunidades, tanto para a preservação do arcabouço linguístico do português falado no Brasil como para subsidiar um Banco de Dados Lexical para a construção de dicionários.
O interesse por pesquisa desta natureza surgiu a partir do contato frequente mantido pelos pesquisadores com as comunidades de pescadores da região de Paranaguá, litoral do Paraná, a partir do ano 2000. A saber, as comunidades de pescadores artesanais das vilas (ilhas) de Amparo, Piaçaguera, Teixeira, Eufrasina, Europinha e São Miguel (para maiores referências sobre a região, vide Fig. 1). Intuitivamente, percebemos que os habitantes desses locais, em sua quase totalidade, pescadores nascidos ali, recusam a migração para a cidade. Os mais velhos revelam desejar um estilo de vida melhor do que de profissionais da pesca para os filhos. Por sua vez, os jovens consideram melhor o estilo de vida da cidade, embora prefiram, em sua maioria, permanecer no lugar.
No âmbito deste trabalho, as pesquisas iniciaram na localidade de maior contingente populacional, a comunidade de Amparo. Apesar de estarmos apenas nos primeiros meses de pesquisa, algumas informações podem ser apresentadas. A partir dessas informações iniciais, nesta pesquisa procuraremos analisar a interferência do estilo de vida urbano na constituição dialetal da população ribeirinha de Amparo, utilizando um percurso inverso ao percorrido pelos informantes de Bortoni-Ricardo (2011) e as consequências na relação entre lexicalização, conservação e inovação lexical e gramatical (semântica) daí decorrentes. Por outro lado, ressaltamos, de novo, faz-se urgente o resgate e preservação do vernáculo dessas comunidades e o estudo da oralidade de seus integrantes. Um estudo contrastivo diageracional nos permitirá comparar os processos de conservação e inovação linguísticas em curso nessas ilhas por meio do estabelecimento de crenças e atitudes frente ao dialeto urbano.
Ao mesmo tempo, tentaremos propor orientações metodológicas de coleta de dados para a seleção da base lexical para estudos metalexicográficos e também apresentar dados da língua em uso no português do Brasil.
Neste contexto, sobressai a pesquisa de dicionários de caráter contrastivo que sirvam de parâmetro para a construção de dicionários pedagógicos. Partimos do pressuposto de que alguns procedimentos metodológicos utilizados no âmbito das pesquisas da Variação e Mudança Linguísticas (e mesmo da Dialetologia e Etnometodologia) podem servir para este fim, principalmente no que diz respeito à coleta de dados empíricos que permitam amostragens da oralidade dos moradores das comunidades de pescadores dessa região litorânea. A partir da realidade destas comunidades citadas, estudaremos o vernáculo revelado pelas entrevistas com moradores locais.
A formação da Villa de Nossa Senhora do Rozario de Pernaguá ou Paranaguá^4 , de acordo com Santos (1850 [1922], p.15) remonta a 6 de janeiro de 1646, com a inauguração do pelourinho. Oficialmente, porém, a fundação da Villa está confirmada pelo mesmo pesquisador com a data de 29 de julho de 1648, quando foi constituído como capitão-mor e ouvidor Gabriel de Lara.
A cidade de Paranaguá está situada na grande baía de mesmo nome, assim descrita por Santos (1850 [1922]):
A grande Bahia terá de comprimento de Leste a oeste, 6 ou 7 legoas, para mais de 3 na maior largura, sua forma mui irregular com vários recantos; a porção mais septentrional he a Bahia dos Pinheiros; a mais çentral, a das Laranjeiras; e a mais occidental a de Antonina, formando todas conjunctamente, hua so no interior das três barras. Neste golfo, estão semeadas mais de 30 ilhas e pequenos ilhotes; alguas com duas e mais legoas de comprido e outras menores; revestidas de verdes mattas, fazendo realçar as agoas azuladas destas Bahias; e no circuito de seus contornos vão dezaguar mais de 80 rios grandes e caudalozos, a mór parte navegaveis, em distançia de 8 a 10 legoas, e immensos ribeirões e galhos lateraes que a elles se vem juntar, e todos vão tributar seu curso nas Bahias (SANTOS, 1850 [1922], p. 59).
A região envolvida na presente pesquisa está localizada na baía das Laranjeiras, que fica de frente para o terminal portuário de Paranaguá. Podemos supor que as vilas de pescadores já existiam na primeira metade do século XIX, conforme comprova a alusão feita à ilha do Teixeira no trecho seguinte:
Continuase agora a descripção da Bahia desde a fóz do Rio Cubatão ao de S. João, e dali pela margem opposta do grande braço que fas a Baía. Para deste lado de Oeste, continua outra costeira te a ponta ou isthmo de terra denominado — dos Pinheiros — e que fica fronteiro da ilha do Teixeira (SANTOS, 1850 [1922], p. 62).
Estas informações servem para comprovar a antiguidade das localidades pesquisadas e para situar a época da ocupação dessas paragens com a colonização de Paranaguá, no século XVII. A (^4) Respeitamos a grafia de referência neste e em outros casos mencionados a seguir, retirados de Santos
(1850 [1922]).
A constituição da amostra (geral) para a seleção dos informantes foi determinada pelo número estimado de habitantes das localidades envolvidas na pesquisa e obedece à porcentagem de habitantes, a partir da qual se constituiu a amostra. As tabelas a seguir apresentam a distribuição da amostra, de forma a constituir-se o total de 30 informantes que desejávamos entrevistar.
Tabela 1 : Distribuição populacional das comunidades envolvidas na pesquisa
Localidade Número de Famílias Número de habitantes^6
Amparo 120 600 Piaçaguera 35 175 São Miguel 30 150 Europinha 30 150 Eufrasina 30 150 Teixeira 30 150 Total 275 1375
Tabela 2 : Percentual de habitantes de cada localidade em relação ao total do universo
Localidade % Amparo 43, Piaçaguera 12, São Miguel 10, Europinha 10, Eufrasina 10, Teixeira 10, Total 100,
Tabela 3 : Projeção do número de informantes por localidade
Localidade Número de informantes Amparo 13 Piaçaguera 4 São Miguel 3 Europinha 3 Eufrasina 4 Teixeira 3 Total 30
O número de pontos de sondagem foi fixado em cada uma das seis regiões da pesquisa, ou seja, em cada comunidade de pescadores. A seleção dos informantes observa a proporção de informantes em cada vila. De maneira geral, o informante deve preencher o seguinte perfil:
a) Ser nascido no local;
b) Ter idade entre 7 a 80 anos;
c) Escolaridade: ser analfabeto ou ter cursado, no máximo, o ensino médio;
d) Apresentar boa condição de fonação;
6 O cálculo aproximado do número de habitantes estipula em torno de cinco pessoas por família.
e) Aceitar as condições da entrevista;
f) Não se ter ausentado do local por muito tempo.
A partir do exposto, o perfil (geral) dos informantes deve obedecer à seguinte tabela:
Tabela 4 : Perfil dos informantes
Como ressaltamos anteriormente, a coleta de dados iniciou-se na maior comunidade, que é a ilha de Amparo. Os trabalhos em Amparo foram iniciados com uma reunião com os pescadores, convocada pela Associação de Moradores, na qual foi solicitado que eles preenchessem a ficha socioinstrucional (73 pescadores se mostraram dispostos a participar do projeto). A partir disso, e da análise da ficha socioinstrucional, o primeiro procedimento para a coleta de dados foi selecionar 13 informantes que preenchessem aos requisitos apresentados para a pesquisa e que se dispusessem a ser entrevistados. A partir dessa triagem inicial, os informantes foram selecionados e planejamos gravações em vídeo para obtenção de amostra da oralidade da comunidade. É necessário ressaltar que o mesmo procedimento de pesquisa será seguido em todas as localidades.
Assim sendo, de um universo de 73 pescadores(as) que responderam ao inquérito e se tornaram informantes potenciais, 13 foram contatados e se dispuseram a colaborar. Logo, o universo de participantes potenciais da pesquisa está formado por um leque de 73 sujeitos pescadores e pescadoras e seus filhos, que se organizam de acordo com as tabelas 5 e 6:
Tabela 5 : Participantes potenciais do projeto em Amparo, de acordo com a idade
Tabela 6 : Participantes potenciais do projeto em Amparo, de acordo com o sexo
Homens Mulheres
36 37
Faixa etária
Localidade
1ª. Faixa (7 a 17 anos)
2ª. Faixa (18 a 29 anos)
3ª. Faixa (30 a 59 anos)
4ª. Faixa (60 anos e acima)
H M H M H M H M
Amparo 1 2 2 2 2 2 1 1 Piaçaguera 1 1 1 1 São Miguel 1 1 1 Europinha 1 1 1 Eufrasina 1 1 1 1 Teixeira 1 1 1
14 – 17 anos 18 – 29 anos 30 – 59 anos 60 anos e acima Total
17 18 34 4 73
no Brasil, em seus aspectos fonológicos, morfossintáticos e léxico-semânticos. Ao mesmo tempo em que serve para aprofundar os conhecimentos sobre a língua portuguesa em uso no Brasil, serve também para fazer a valoração da língua por meio das crenças e atitudes do falante em relação à sua variante linguística.
Isso posto, a constituição de um banco de dados com atenção especial ao aspecto lexical nos permitirá, consequentemente, propor a tipologia para um dicionário pedagógico (contrastivo monolíngue). Os inquéritos linguísticos ficaram constituídos da seguinte maneira:
a) Questionário fonético-fonológico (QFF);
b) Questionário morfossintático (QMS);
c) Questionário léxico-semântico;
d) Conversação livre (CL).
O trabalho de elaboração de dicionários não é tarefa fácil. As principais dificuldades para a construção de dicionários residem na sua delimitação, na sua arquitetura e na escolha da base lexical para seleção de verbetes. Este trabalho pretende ser uma contribuição para este último aspecto.
Neste trabalho, ficou ressaltado que a metodologia de coleta de dados dos campos da Variação e da Dialetologia serve a este papel. Há, porém, necessidade de muitos refinamentos.
Ainda ficam em aberto muitos pontos:
a) quanto à seleção lexical: os campos léxico-semânticos mais adequados, o tipo de entrevistas para coleta de dados, os recursos, as amostragens, etc;
b) quanto à arquitetura de dicionários: o tipo de dicionário e a forma de apresentação das unidades léxicas.
ALERS. Atlas linguístico-etnográfico da região sul : cartas fonéticas e morfossintáticas. Organizadores: Walter Koch, Cleo Vilson Altenhofen e Mário Silfredo Klasmann. 2ª. Ed. Porto Alegre: Editora da UFRG; Florianópolis: Ed. da UFSC, 2011.
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QUESTIONÁRIOS
1 QUESTIONÁRIO FONÉTICO-FONOLÓGICO
a) Parte geral:
b) Parte específica:
2 QUESTIONÁRIO MORFOSSINTÁTICO
I Sobre gênero:
b) Fenômenos atmosféricos:
4 CONVERSAÇÃO LIVRE
a) O senhor já passou por alguma situação de perigo? b) Se o senhor tivesse que fazer um pedido para benfeitoria neste lugar onde o senhor vive ao Prefeito ou ao Governador, por exemplo, o que pediria? c) Como é a festa mais importante do lugar? d) Quais as lendas do lugar? e) O que o senhor acha do projeto da câmara frigorífica e da câmara de defumação? f) O que o senhor espera para o futuro?