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Neste capítulo, aprenderemos sobre árvores, estruturas de dados adequadas para a representação de hierarquias. O número de filhos permitidos por nó e as informações armazenadas em cada nó diferenciam os diversos tipos de árvores existentes. Neste capítulo, estudaremos dois tipos de árvores: árvores binárias e árvores genéricas. Usaremos estruturas recursivas para estudar e implementar as operações com árvores. Aula inclui um exemplo de implementação de árvores binárias em c, incluindo funções para criar, imprimir e buscar valores em uma árvore binária.
Tipologia: Notas de estudo
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nó raiz
nó raiz
O número de filhos permitido por nó e as informações armazenadas em cada nó
diferenciam os diversos tipos de árvores existentes. Neste capítulo, estudaremos dois
tipos de árvores. Primeiro, examinaremos as árvores binárias, onde cada nó tem, no
máximo, dois filhos. Depois examinaremos as chamadas árvores genéricas, onde o
número de filhos é indefinido. Estruturas recursivas serão usadas como base para o
estudo e a implementação das operações com árvores.
13.1. Árvores binárias
Um exemplo de utilização de árvores binárias está na avaliação de expressões. Como
trabalhamos com operadores que esperam um ou dois operandos, os nós da árvore para
representar uma expressão têm no máximo dois filhos. Nessa árvore, os nós folhas
representam operandos e os nós internos operadores. Uma árvore que representa, por
exemplo a expressão (3+6)*(4-1)+5 é ilustrada na Figura 13.3.
Numa árvore binária, cada nó tem zero, um ou dois filhos. De maneira recursiva,
podemos definir uma árvore binária como sendo:
A Figura 13.4 ilustra a definição de árvore binária. Essa definição recursiva será usada
na construção de algoritmos, e na verificação (informal) da correção e do desempenho
dos mesmos.
3 6 4 1
5
Uma propriedade fundamental de todas as árvores é que só existe um caminho da raiz
para qualquer nó. Com isto, podemos definir a altura de uma árvore como sendo o
comprimento do caminho mais longo da raiz até uma das folhas. Por exemplo, a altura
da árvore da Figura 13.5 é 2, e a altura das árvores da Figura 13.6 é 1. Assim, a altura
de uma árvore com um único nó raiz é zero e, por conseguinte, dizemos que a altura de
uma árvore vazia é negativa e vale -1.
Exercício: Mostrar que uma árvore binária de altura h tem, no mínimo, h+1 nós, e, no
máximo, 2 h+ –1.
Representação em C
Análogo ao que fizemos para as demais estruturas de dados, podemos definir um tipo
para representar uma árvore binária. Para simplificar a discussão, vamos considerar que
a informação que queremos armazenar nos nós da árvore são valores de caracteres
simples. Vamos inicialmente discutir como podemos representar uma estrutura de
árvore binária em C. Que estrutura podemos usar para representar um nó da árvore?
Cada nó deve armazenar três informações: a informação propriamente dita, no caso um
caractere, e dois ponteiros para as sub-árvores, à esquerda e à direita. Então a estrutura
de C para representar o nó da árvore pode ser dada por:
struct arv { char info; struct arv* esq; struct arv* dir; };
Da mesma forma que uma lista encadeada é representada por um ponteiro para o
primeiro nó, a estrutura da árvore como um todo é representada por um ponteiro para o
nó raiz.
Como acontece com qualquer TAD (tipo abstrato de dados), as operações que fazem
sentido para uma árvore binária dependem essencialmente da forma de utilização que se
pretende fazer da árvore. Nesta seção, em vez de discutirmos a interface do tipo abstrato
para depois mostrarmos sua implementação, vamos optar por discutir algumas
operações mostrando simultaneamente suas implementações. Ao final da seção
apresentaremos um arquivo que pode representar a interface do tipo. Nas funções que se
seguem, consideraremos que existe o tipo Arv definido por:
typedef struct arv Arv;
Como veremos as funções que manipulam árvores são, em geral, implementadas de
forma recursiva, usando a definição recursiva da estrutura.
Vamos procurar identificar e descrever apenas operações cuja utilidade seja a mais geral
possível. Uma operação que provavelmente deverá ser incluída em todos os casos é a
inicialização de uma árvore vazia. Como uma árvore é representada pelo endereço do
nó raiz, uma árvore vazia tem que ser representada pelo valor NULL. Assim, a função
que inicializa uma árvore vazia pode ser simplesmente:
Arv* inicializa(void) { return NULL; }
Para criar árvores não vazias, podemos ter uma operação que cria um nó raiz dadas a
informação e suas duas sub-árvores, à esquerda e à direita. Essa função tem como valor
de retorno o endereço do nó raiz criado e pode ser dada por:
Arv* cria(char c, Arv* sae, Arv* sad){ Arv* p=(Arv*)malloc(sizeof(Arv)); p->info = c; p->esq = sae; p->dir = sad; return p; }
As duas funções inicializa e cria representam os dois casos da definição recursiva
de árvore binária: uma árvore binária ( Arv* a; ) é vazia (a = inicializa();) ou é
composta por uma raiz e duas sub-árvores ( a = cria(c,sae,sad);). Assim, com
posse dessas duas funções, podemos criar árvores mais complexas.
Exemplo: Usando as operações inicializa e cria , crie uma estrutura que represente
a árvore da Figura 13.5.
O exemplo da figura pode ser criada pela seguinte seqüência de atribuições.
Arv* a1= cria('d',inicializa(),inicializa()); /* sub-árvore com 'd' / Arv a2= cria('b',inicializa(),a1); /* sub-árvore com 'b' / Arv a3= cria('e',inicializa(),inicializa()); /* sub-árvore com 'e' / Arv a4= cria('f',inicializa(),inicializa()); /* sub-árvore com 'f' / Arv a5= cria('c',a3,a4); /* sub-árvore com 'c' / Arv a = cria('a',a2,a5 ); /* árvore com raiz 'a' */
Alternativamente, a árvore poderia ser criada com uma única atribuição, seguindo a sua
estrutura, “recursivamente”:
Arv* a = cria('a', cria('b', inicializa(), cria('d', inicializa(), inicializa()) ), cria('c', cria('e', inicializa(), inicializa()), cria('f', inicializa(), inicializa()) ) );
Para tratar a árvore vazia de forma diferente das outras, é importante ter uma operação
que diz se uma árvore é ou não vazia. Podemos ter:
Arv* a = cria('a', cria('b', inicializa(), cria('d', inicializa(), inicializa()) ), cria('c', cria('e', inicializa(), inicializa()), cria('f', inicializa(), inicializa()) ) );
Podemos acrescentar alguns nós, com:
a->esq->esq = cria('x', cria('y',inicializa(),inicializa()), cria('z',inicializa(),inicializa()) );
E podemos liberar alguns outros, com:
a->dir->esq = libera(a->dir->esq);
Deixamos como exercício a verificação do resultado final dessas operações.
É importante observar que, análogo ao que fizemos para a lista, o código cliente que
chama a função libera é responsável por atribuir o valor atualizado retornado pela
função, no caso uma árvore vazia. No exemplo acima, se não tivéssemos feito a
atribuição, o endereço armazenado em r->dir->esq seria o de uma área de memória
não mais em uso.
Exercício: Escreva uma função que percorre uma árvore binária para determinar sua
altura. O protótipo da função pode ser dado por:
int altura(Arv* a);
Uma outra função que podemos considerar percorre a árvore buscando a ocorrência de
um determinado caractere c em um de seus nós. Essa função tem como retorno um
valor booleano (um ou zero) indicando a ocorrência ou não do caractere na árvore.
int busca (Arv* a, char c){ if (vazia(a)) return 0; /* árvore vazia: não encontrou */ else return a->info==c || busca(a->esq,c) || busca(a->dir,c); }
Note que esta forma de programar busca , em C, usando o operador lógico || (“ou”)
faz com que a busca seja interrompida assim que o elemento é encontrado. Isto acontece
porque se c==a->info for verdadeiro, as duas outras expressões não chegam a ser
avaliadas. Analogamente, se o caractere for encontrado na sub-árvore da esquerda, a
busca não prossegue na sub-árvore da direita.
Podemos dizer que a expressão:
return c==a->info || busca(a->esq,c) || busca(a->dir,c);
é equivalente a:
if (c==a->info) return 1; else if (busca(a->esq,c)) return 1; else return busca(a->dir,c);
Finalmente, considerando que as funções discutidas e implementadas acima formam a
interface do tipo abstrato para representar uma árvore binária, um arquivo de interface
arvbin.h pode ser dado por:
typedef struct arv Arv;
Arv* inicializa (void); Arv* cria (char c, Arv* e, Arv* d); int vazia (Arv* a); void imprime (Arv* a); Arv* libera (Arv* a); int busca (Arv* a, char c);
Ordens de percurso em árvores binárias
A programação da operação imprime , vista anteriormente, seguiu a ordem empregada
na definição de árvore binária para decidir a ordem em que as três ações seriam
executadas:
Entretanto, dependendo da aplicação em vista, esta ordem poderia não ser a preferível,
podendo ser utilizada uma ordem diferente desta, por exemplo:
imprime(a->esq); /* mostra sae / imprime(a->dir); / mostra sad / printf("%c ", a->info); / mostra raiz */
Muitas operações em árvores binárias envolvem o percurso de todas as sub-árvores,
executando alguma ação de tratamento em cada nó, de forma que é comum percorrer
uma árvore em uma das seguintes ordens:
Para função para liberar a árvore, por exemplo, tivemos que adotar a pós-ordem:
libera(a->esq); /* libera sae / libera(a->dir); / libera sad / free(a); / libera raiz */
Na terceira parte do curso, quando tratarmos de árvores binárias de busca,
apresentaremos um exemplo de aplicação de árvores binárias em que a ordem de
percurso importante é a ordem simétrica. Algumas outras ordens de percurso podem ser
definidas, mas a maioria das aplicações envolve uma dessas três ordens, percorrendo a
sae antes da sad.
Exercício: Implemente versões diferentes da função imprime, percorrendo a árvore em
ordem simétrica e em pós-ordem. Verifique o resultado da aplicação das duas funções
na árvore da Figura 13.5.
De forma semelhante ao que foi feito no caso das árvores binárias, podemos representar
essas árvores através de notação textual, seguindo o padrão: <raiz sa 1 sa 2 ...
san>. Com esta notação, a árvore da Figura 13.7 seria representada por: a = <a <b <c
Podemos verificar que a representa a árvore do exemplo seguindo a seqüência de
definição a partir das folhas:
a 1 =
Representação em C
Dependendo da aplicação, podemos usar várias estruturas para representar árvores,
levando em consideração o número de filhos que cada nó pode apresentar. Se
soubermos, por exemplo, que numa aplicação o número máximo de filhos que um nó
pode apresentar é 3, podemos montar uma estrutura com 3 campos para apontadores
para os nós filhos, digamos, f1 , f2 e f3. Os campos não utilizados podem ser
preenchidos com o valor nulo NULL , sendo sempre utilizados os campos em ordem.
Assim, se o nó n tem 2 filhos, os campos f1 e f2 seriam utilizados, nessa ordem, para
apontar para eles, ficando f3 vazio. Prevendo um número máximo de filhos igual a 3, e
considerando a implementação de árvores para armazenar valores de caracteres simples,
a declaração do tipo que representa o nó da árvore poderia ser:
struct arv3 { char val; struct no *f1, *f2, *f3; };
A Figura 13.8 indica a representação da árvore da Figura 13.7 com esta organização.
Como se pode ver no exemplo, em cada um dos nós que tem menos de três filhos, o
espaço correspondente aos filhos inexistentes é desperdiçado. Além disso, se não existe
um limite superior no número de filhos, esta técnica pode não ser aplicável. O mesmo
acontece se existe um limite no número de nós, mas esse limite será raramente
alcançado, pois estaríamos tendo um grande desperdício de espaço de memória com os
campos não utilizados.
a
b
c
d
f
e h
g
j
i
Uma solução que leva a um aproveitamento melhor do espaço utiliza uma “lista de
filhos”: um nó aponta apenas para seu primeiro ( prim ) filho, e cada um de seus filhos,
exceto o último, aponta para o próximo (prox) irmão. A declaração de um nó pode ser:
struct arvgen { char info; struct arvgen *prim; struct arvgen *prox; };
A Figura 13.9 mostra o mesmo exemplo representado de acordo com esta estrutura.
Uma das vantagens dessa representação é que podemos percorrer os filhos de um nó de
forma sistemática, de maneira análoga ao que fizemos para percorrer os nós de uma lista
simples.
A estrutura arvgen , que representa o nó da árvore, é definida conforme mostrado
anteriormente. A função para criar uma folha deve alocar o nó e inicializar seus campos,
atribuindo NULL para os campos prim e prox, pois trata-se de um nó folha.
ArvGen* cria (char c) { ArvGen *a =(ArvGen *) malloc(sizeof(ArvGen)); a->info = c; a->prim = NULL; a->prox = NULL; return a; }
A função que insere uma nova sub-árvore como filha de um dado nó é muito simples.
Como não vamos atribuir nenhum significado especial para a posição de um nó filho, a
operação de inserção pode inserir a sub-árvore em qualquer posição. Neste caso, vamos
optar por inserir sempre no início da lista que, como já vimos, é a maneira mais simples
de inserir um novo elemento numa lista encadeada.
void insere (ArvGen* a, ArvGen* sa) { sa->prox = a->prim; a->prim = sa; }
Com essas duas funções, podemos construir a árvore do exemplo da Figura 13.7 com o
seguinte fragmento de código:
/* cria nós como folhas / ArvGen a = cria('a'); ArvGen* b = cria('b'); ArvGen* c = cria('c'); ArvGen* d = cria('d'); ArvGen* e = cria('e'); ArvGen* f = cria('f'); ArvGen* g = cria('g'); ArvGen* h = cria('h'); ArvGen* i = cria('i'); ArvGen* j = cria('j'); /* monta a hierarquia */ insere(c,d); insere(b,e); insere(b,c); insere(i,j); insere(g,i); insere(g,h); insere(a,g); insere(a,f); insere(a,b);
Para imprimir as informações associadas aos nós da árvore, temos duas opções para
percorrer a árvore: pré-ordem, primeiro a raiz e depois as sub-árvores, ou pós-ordem,
primeiro as sub-árvores e depois a raiz. Note que neste caso não faz sentido a ordem
simétrica, uma vez que o número de sub-árvores é variável. Para essa função, vamos
optar por imprimir o conteúdo dos nós em pré-ordem:
void imprime (ArvGen* a) { ArvGen* p; printf("%c\n",a->info); for (p=a->prim; p!=NULL; p=p->prox) imprime(p); }
A operação para buscar a ocorrência de uma dada informação na árvore é exemplificada
abaixo:
int busca (ArvGen* a, char c) { ArvGen* p; if (a->info==c) return 1; else { for (p=a->prim; p!=NULL; p=p->prox) { if (busca(p,c)) return 1; } } return 0; }
A última operação apresentada é a que libera a memória alocada pela árvore. O único
cuidado que precisamos tomar na programação dessa função é a de liberar as sub-
árvores antes de liberar o espaço associado a um nó (isto é, usar pós-ordem).
void libera (ArvGen* a) { ArvGen* p = a->prim; while (p!=NULL) { ArvGen* t = p->prox; libera(p); p = t; } free(a); }
Exercício: Escreva uma função com o protótipo ArvGen* copia(ArvGen*a);
para criar dinamicamente uma cópia da árvore.
Exercício: Escreva uma função com o protótipo int igual(ArvGena, ArvGenb);
para testar se duas árvores são iguais.