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as correntes filosoficas, Notas de aula de Filosofia

um pouco sobre as correntes filosoficas contemporaneas

Tipologia: Notas de aula

2024

Compartilhado em 04/06/2026

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ana-guimaraes-74 🇧🇷

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HISTÓRIA DA
EDUCAÇÃO FÍSICA
Beatriz Paulo Biedrzycki
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HISTÓRIA DA

EDUCAÇÃO FÍSICA

Beatriz Paulo Biedrzycki

As correntes filosóficas contemporâneas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: „ Listar os principais pensadores das correntes filosóficas contemporâ- neas e suas respectivas teorias. „ Identificar as principais críticas realizadas pelas teorias filosóficas contemporâneas. „ Descrever as teorias filosóficas contemporâneas e suas contribuições para a formação da sociedade atual. Introdução A filosofia é a ciência que estuda e questiona a natureza de diversos fenô- menos. Surgiu na Grécia Antiga e se desenvolveu conforme a humanidade evoluiu. Durante esse processo, muitas correntes filosóficas surgiram, bem como pensadores que deram forma a essas teorias e ideologias. A partir do século XVII, o mundo se modificou substancialmente, e diferentes abordagens filosóficas foram necessárias para entender os anseios do homem contemporâneo. Essas abordagens possuíam a pretensão de modificar realidades, questionando as relações de poder existentes na sociedade como um todo. Neste capítulo, você será capaz de apresentar os filósofos contem- porâneos, bem como os seus pensamentos e teorias, além de identificar quais são as principais críticas e propostas que cada um desses pensado- res disseminou, compreendendo como essas ideias afetaram o cenário político da sociedade atual.

Ainda temos o advento da Segunda Guerra Mundial (1939–1945) que trouxe diversos tipos de avanços tecnológicos, além das mudanças no estilo de vida da população no período pós-Guerra e das modificações geográficas geradas pelos conflitos. A relação de poder entre o homem e o capital é entendida como capital social. Esse conceito está atrelado ao papel social do trabalho, além do seu valor econômico. Aquele que possui um trabalho e ganhos econômicos tem um papel social de maior importância quando comparado àquele que não o possui ou não retira o suficiente para o seu sustento dos trabalhos que realiza. Portanto, filosofia contemporânea é aquela desenvolvida a partir do século XVIII. Ela engloba os séculos XVIII, XIX e XX. É influenciada pelas ideias da Revolução Francesa e pela mudança substancial acontecida durante a Revolução Industrial, trazendo diversos pensamentos diferentes, cada um com o seu respectivo criador, o filósofo.

Filosofia contemporânea: apresentando seus

pensadores

Esse conceito de filosofia trouxe uma gama de teorias contrárias às verdades absolutas, que se autoafirmavam como detentoras de todo o conhecimento exis- tente, muito comum no pensamento clássico. A filosofia contemporânea chegou para quebrar os paradigmas e questionar o mundo, o homem, a sociedade e, até mesmo, Deus, juntamente com formas novas de conflito e reivindicações concernentes à organização geopolítica e epistêmica do sistema-mundo con- temporâneo, trazendo à luz os problemas contemporâneos sociais, econômicos e científicos, fazendo novas perguntas para obter novas respostas. Dentro desse novo formato de filosofia, muitas foram as teorias elaboradas, com diferentes visões e abordagens, possuindo diferentes filósofos, que veremos a seguir.

Friedrich Hegel (1770–1831)

Filósofo Alemão, criou a Teoria Hegeliana. Sua teoria teve como base a dialética, o saber, a consciência, o espírito e a história, demonstrando uma preocupação com a modernidade, trazendo a realidade para dentro de um sistema denominado idealismo transcendental. Para ele, a moral é o resultado das relações entre o indivíduo e o meio, com a sensação de que a realidade está em constante evolução e transformação, onde todas as partes interagem entre si, caminhando para um sentido racional (BUCKINGHAM et al. , 2011).

Ludwig Feuerbach (1804–1872)

Por muitos anos, esse filósofo alemão foi discípulo de Hegel, adotando um pensamento contrário ao de seu mestre tempos depois. Tem como principal característica o ateísmo, principalmente, em relação ao conceito de Deus, que seria uma expressão da alienação da sociedade. Ele também acreditava que o homem era um ser finito, ou seja, seus feitos e história terminariam com ele quando morresse, opondo-se ao pensamento cristão vigente (BUCKINGHAM et al. , 2011). Seus escritos influenciaram um grande pensador chamado Karl Marx.

Karl Marx (1818–1883)

Conterrâneo de Hegel e Feuerbach, Marx é um dos principais filósofos con- temporâneos. Seria incorreto dar créditos ao marxismo somente a Karl Marx, uma vez que Friedrich Engels colaborou com o principal livro atribuído a Marx chamado de “O manifesto”, um panfleto de 40 páginas. Sua teoria, intitulada de marxista, possuía como enfoque principal o entendimento materialista no desenvolvimento da sociedade, que passou a relacionar o valor monetário com o valor social de uma pessoa. Marx tinha a pretensão de não apenas questionar o mundo, mas mudá-lo por meio de suas ideias, chamadas de comunismo. Esse modelo propunha que a sociedade havia sido separada em duas grandes classes, a burguesia – aquela que detém os meios de produção – e o proletariado – que é a classe trabalhadora (BUCKINGHAM et al. , 2011). As principais características de Marx foram suas ideias revolucionárias, com destaque para aquelas relacionadas com a tecnologia, quando afirmava que, conforme a produção tecnológica aumentasse, maiores seriam as desi-

Friedrich Nietzsche (1844–1900)

Seus escritos perpassam temas religiosos, artes, ciências e moral, sempre criticando de forma feroz a sociedade ocidental e cristã. Nietzsche afirma que é necessário revisar todas as questões éticas, sentidos e objetivos, afirmando a essência da vida. Acreditava que o homem é um ser a ser superado, além de acreditar na falência de Deus, afirmando que ele está morto, logo, representa a morte dos valores ditos elevados. O seu conceito mais importante foi o de vontade de potência, que seria um impulso que elevaria o ser humano à sua plenitude existencial (BUCKINGHAM et al. , 2011).

Theodor Adorno (1903–1969)

Oriundo da Escola de Frankfurt, Adorno afirmava que a emoção e a inteligência são necessárias para realizar os julgamentos entre o certo e o errado, uma vez que os julgamentos morais são uma combinação perfeita entre ambos. Assim como Hannah Arendt, Adorno pensava que a realização de atos de crueldade não estaria atrelada apenas a uma insuficiência de sentimentos, mas também de inteligência e entendimento. Esse filósofo condenou os meios de comuni- cação em massa, como o rádio, o jornal e a televisão, uma vez que eles têm o poder de distorcer as informações, diminuindo a capacidade do sujeito de fazer escolhas e julgamentos morais, levando a uma cultura de massa. Seria uma escolha moral escolher seguir uma cultura de massa em detrimento do pensamento crítico (BUCKINGHAM et al. , 2011).

Michel Foucault (1926–1984)

Esse filósofo francês analisou as instituições sociais como a cultura, a sexua- lidade e as relações de poder. Foucault afirmava que o discurso é formado por diversas regras que são inconscientes, fixadas nas condições históricas em que nos encontramos, também conhecidas como senso comum (BUCKINGHAM et al. , 2011). A relação com o homem também foi questionada. Segundo Foucault, trata-se de uma invenção recente e finita, questionando o avanço da tecnologia e a exclusiva humanidade do homem. Por essas diferenças, é impossível utilizar conceitos antigos para o homem atual. Um conceito muito importante desenvolvido por Foucault é o de micropoder, que refere-se às novas organizações sociais e disciplinares, que não se resumem apenas na relação entre o Estado e o cidadão, mas sim entre diversas esferas da sociedade.

Simone de Beauvoir (1908–1986)

Nascida na França, essa filósofa é entendida como uma das principais figuras do movimento feminista. Em seus escritos, ela defendia que o ser humano sempre foi compreendido em uma perspectiva masculina, o que não dava uma conotação de humanidade às mulheres. Simone defendia a igualdade entre os sexos, afirmando que não existem características tipicamente femininas ou masculinas, mas uma construção social que delega papéis e características às pessoas (BUCKINGHAM et al. , 2011).

Augusto Comte (1798–1857)

Comte criou uma corrente filosófica conhecida como positivismo, que acredi- tava unicamente no conhecimento científico como verdade inquestionável. Esse movimento sugere que as ciências exatas possuem um valor e uma relevância social acima das ciências humanas, que apenas buscam entender a natureza humana, desenvolvendo o pensamento crítico (BUCKINGHAM et al. , 2011). Diante dessas perspectivas, é possível perceber que a filosofia contemporânea vem para questionar, criticar e, principalmente, modificar o cenário social vigente, que passava por transformações advindas das tecnologias que alte- ravam não somente os meios de produção, mas também o estilo de vida, as necessidades sociais e materiais de todos os cidadãos. Filosofia contemporânea: uma crítica social Ao contrário do que possa parecer, a filosofia não é restrita aos pensadores e filósofos, ou ainda, às universidades; ela é o que fazemos quando não estamos preocupados com a vida cotidiana e podemos pensar, questionar e ressignificar a sociedade, a vida e o mundo. Todo o ser racional que possui a capacidade de raciocinar, possui a capacidade de filosofar (BUCKINGHAM et al. , 2011). O caminho do questionamento é mais importante do que o próprio produto. Entretanto, a filosofia contemporânea tinha uma visão mais utilitária e prática. Para seus pensadores, era importante não só vislumbrar um cenário, mas pensar estratégias para modificá-lo, propondo melhorias para a vida cotidiana e para um grupo populacional (BUCKINGHAM et al. , 2011).

Cabe ressaltar que, nesse movimento contemporâneo, a lógica e a linguagem ganham uma importância sublime, já que muitas das questões filosóficas da antiguidade podiam ser resolvidas a partir da correta interpretação dos con- ceitos apresentados, sugerindo a importância dialética da filosofia, buscando apresentar não apenas conceitos inacessíveis e incompreensíveis. A filosofia contemporânea tem por intuito aproximar as pessoas para que, assim, elas possam ser entendidas como iguais. A prática filosófica do positivismo proposto por Augusto Comte criou uma atmosfera de otimismo e cientificidade que abalou a comunidade dos pensadores contemporâneos, que chegaram a acreditar que justamente esse movimento filosófico tão radical colocaria um fim na filosofia, uma vez que, em um movimento científico extremo, levaria à extinção da filosofia (BU- CKINGHAM et al. , 2011). Assim, a filosofia teve que reabrir as discussões éticas e morais, como as perguntas sobre a liberdade do homem em relação à sociedade, questionando se sua liberdade estaria ou não condicionada à sua situação histórica e social, buscando compreender as singularidades de cada sujeito e situação. Com essas correntes filosóficas, surgiu o conceito de ideologia, que é algo que orienta o indivíduo nas esferas sociais políticas e filosóficas. Dessa maneira, a filosofia contemporânea teve a intenção de ser um agente modificador da realidade social, o que aconteceu de fato, uma vez que inspirou políticos e figuras públicas que, por meio de diferentes ideologias, modificaram cenários sociais em todo o mundo, o que não foi diferente aqui no Brasil, que também sofreu influências de diversas correntes filosóficas. Filosofia contemporânea: as interferências sociais e políticas No período da história brasileira denominado República Velha (1890-1930), ocorreu a ascensão do pensamento positivista, que perpetuou por muitas décadas. Dentro dessa vertente, é possível perceber uma tendência em for- mular novos sistemas socioeconômicos para substituir o liberalismo imposto na época, uma vez que se acreditava que o poder estava atrelado ao saber, e quem detinha mais conhecimento deveria estar em altos cargos do governo. De acordo com Paim (2007, documento on-line ), “deste modo, o fato mais característico da ascensão do positivismo reside nessa capacidade de formular uma proposta política duradoura”.

Seria incorreto presumir que o positivismo adentrou em todas as esferas da sociedade, entretanto, nos locais onde se fez presente, isso aconteceu de maneira intensa, como nas universidades, que foram beneficiadas sobrema- neira por esse pensamento. O positivismo exerceu tamanha influência em algumas esferas sociais que possuía o caráter semelhante a uma igreja. A primeira associação positivista foi criada em 10 de abril de 1876 e possuía membros como Oliveira Guimarães e Benjamin Constant. Cabe ressaltar que essa entidade visava ampliar o acesso à informação pela população. Para isso, foi inaugurada uma biblioteca e ofertados cursos científicos para a população com condições de arcar com seus custos (PAIM, 2007). Benjamim Constant (1836-1891) foi um militar e professor brasileiro que participou do processo que tirou a monarquia do poder e instituiu a República no País. Ele também realizou mudanças substanciais na educação formal, criando as Escolas Normais (tam- bém conhecidas como Magistério), que buscavam a formação de educadores para a educação básica, além da criação de um fundo para a educação. É importante ressaltar a importância do movimento positivista para o exército, que ganhou um status quo interessante, pois foi promovido a uma entidade profissional com influência em vários segmentos da sociedade, ampliando a busca dos jovens pela carreira militar. Isso foi usado pela classe quando estiveram no poder, utilizando-se de ideais positivistas para o avanço da nação, devendo todos participar e aceitar as normas impostas com o intuito de levar o País a uma condição avançada (COSTA, 1997). Podemos citar o lema “ordem e progresso” presente na bandeira nacional como uma das maiores evidências da influência do pragmatismo na história política do País. A frase é inspirada nos ideais de Augusto Comte, que afirmava que o progresso apenas chegaria quando houvesse uma ordem social rigidamente estabelecida, pois não há crescimento no caos.

lutas sindicais com a finalidade de atenuar as desigualdades sociais. Como influência do modelo marxista, temos os sindicatos e as políticas públicas que atendem a população. Quando observamos as transformações ocorridas no mundo por um viés filosófico, fica difícil precisar se a filosofia alterou o funcionamento social da humanidade ou se foi por ela interferida. Esse mesmo pensamento se en - quadra perfeitamente na educação e, consequentemente, na educação física, que sempre esteve presente nas sociedades – até mesmo nas mais primitivas

  • como ferramenta de expressão e, por vezes, de supremacia e dominação social de um povo ou classe. BEEDEEN, A.; KENNEDY, S. (ed.). O livro da História. São Paulo: Globo Livros, 2017. BUCKINGHAM, W. et al. O livro da filosofia. São Paulo: Globo, 2011. CARVALHO, M. C. M. Por uma ética ilustrada e progressista: uma defesa do utilitarismo. In: OLIVEIRA, M. A. de (org.). Correntes fundamentais da ética contemporânea. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. p. 99-118. CHAUÍ, M. de S. Convite à filosofia. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000. COSTA, C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1997. DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é filosofia? São Paulo: Editora 34, 1992. NETTO, J. P. O que é marxismo. 9. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Coleção primeiros passos, v. 148). PAIM, A. História das idéias filosóficas no Brasil. 6. ed. Londrina: Edições Humanidades, 2007. (As correntes, v. 2). Disponível em: http://institutodehumanidades.com.br/arquivos/ vol_ii_problemas_filosofia_brasileira.pdf. Acesso em: 14 set. 2019. TORRES, A. C. B. A. O utilitarismo é um ascetismo. 2017. Tese (Doutorado em Filosofia) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2017. Disponível em: https://attena.ufpe. br/bitstream/123456789/25656/1/TESE%20Andr%c3%a9%20Castelo%20Branco% Alves%20Torres.pdf. Acesso em: 14 set. 2019.