Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


AS DIVERSAS FACES DE DRUMMOND, Notas de estudo de Literatura

literatura abrangente, talvez agora mais transformadora, mais includente ainda sem ... José? do autor Carlos Drummond de Andrade e dos diversos tipos de ...

Tipologia: Notas de estudo

2023

Compartilhado em 17/01/2023

Jandiara62
Jandiara62 🇵🇹

4.9

(37)

3.2K documentos

1 / 11

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
AS DIVERSAS FACES DE DRUMMOND - E AGORA, JOSÉ? - NAVEGAR É
PRECISO
Maria Andrade dos Santos (MACKENZIE/ SENAI/ UNIESP)
RESUMO
Este trabalho tem por finalidade apresentar o caminho de uma obra literária como E agora
José? (autor-obra-leitor) através do tempo multissincrônico (sincrônico e assincrônico), dos
espaços reais e virtuais (livro-site) que se apresentam. Através da obra de Drummond,
considerado pela crítica um dos maiores poetas e/ou escritores brasileiros do século XX, mostrar
como um autor (cânon) e sua obra podem perdurar pelo tempo e novos suportes que se
apresentam, enfatizando a internet (ciberpoeta-ciberpoema-ciberleitor). Drummond poeta,
escritor de jornal e revista, homenageado em escola de samba, musicado em versos, declamado
(re)conhecido e acessado em um site popular, tão acessado pelos jovens, como youtube. Surgem
então locutores e alocutários interagindo e mudando de papel a todo instante, surge uma literatura
(um novo discurso literário) não mais unilateral, ainda que esta não deva ser deixada de lado, uma
literatura abrangente, talvez agora mais transformadora, mais includente ainda sem fronteiras. E
é a partir deste novo conceito que se fez a presente comunicação. Tendo como referencial teórico
Antônio Candido e Marisa Lajolo além de obras e críticas a Drummond.
palavras-chaves: Drummond. José. cyberliteratura. cyberpoema.cyberleitor.
Partindo dos diversos fluxos e correntes em que se apresenta a literatura, esta
comunicação tem por finalidade apresentar o caminho de uma obra literária como E agora
José? do autor Carlos Drummond de Andrade e dos diversos tipos de públicos na tríade -
autor-obra-público- através do tempo multissincrônico (sincrônico e assincrônico), dos
espaços reais e virtuais (livro-site) em que se apresentam.
Através de obras de Drummond, considerado pela crítica um dos maiores poetas
e/ou escritores brasileiros do século XX, mostrar como um autor (cânon) e sua obra
podem perdurar pelo tempo e espaço através de novos suportes que se apresentam,
enfatizando a internet (ciberpoeta-ciberpoema-ciberleitor). Drummond poeta, escritor de
jornal e revista, homenageado em escola de samba, musicado em versos, declamado
(re)conhecido e acessado em um site popular, tão acessado pelos jovens, como youtube.
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa

Pré-visualização parcial do texto

Baixe AS DIVERSAS FACES DE DRUMMOND e outras Notas de estudo em PDF para Literatura, somente na Docsity!

AS DIVERSAS FACES DE DRUMMOND - E AGORA, JOSÉ? - NAVEGAR É

PRECISO

Maria Andrade dos Santos (MACKENZIE/ SENAI/ UNIESP)

RESUMO

Este trabalho tem por finalidade apresentar o caminho de uma obra literária como E agora José? (autor-obra-leitor) através do tempo multissincrônico (sincrônico e assincrônico), dos espaços reais e virtuais (livro-site) que se apresentam. Através da obra de Drummond, considerado pela crítica um dos maiores poetas e/ou escritores brasileiros do século XX, mostrar como um autor (cânon) e sua obra podem perdurar pelo tempo e novos suportes que se apresentam, enfatizando a internet (ciberpoeta-ciberpoema-ciberleitor). Drummond poeta, escritor de jornal e revista, homenageado em escola de samba, musicado em versos, declamado (re)conhecido e acessado em um site popular, tão acessado pelos jovens, como youtube. Surgem então locutores e alocutários interagindo e mudando de papel a todo instante, surge uma literatura (um novo discurso literário) não mais unilateral, ainda que esta não deva ser deixada de lado, uma literatura abrangente, talvez agora mais transformadora, mais includente ainda sem fronteiras. E é a partir deste novo conceito que se fez a presente comunicação. Tendo como referencial teórico Antônio Candido e Marisa Lajolo além de obras e críticas a Drummond.

palavras-chaves: Drummond. José. cyberliteratura. cyberpoema.cyberleitor.

Partindo dos diversos fluxos e correntes em que se apresenta a literatura, esta comunicação tem por finalidade apresentar o caminho de uma obra literária como E agora José? do autor Carlos Drummond de Andrade e dos diversos tipos de públicos na tríade - autor-obra-público- através do tempo multissincrônico (sincrônico e assincrônico), dos espaços reais e virtuais (livro-site) em que se apresentam. Através de obras de Drummond, considerado pela crítica um dos maiores poetas e/ou escritores brasileiros do século XX, mostrar como um autor (cânon) e sua obra podem perdurar pelo tempo e espaço através de novos suportes que se apresentam, enfatizando a internet (ciberpoeta-ciberpoema-ciberleitor). Drummond poeta, escritor de jornal e revista, homenageado em escola de samba, musicado em versos, declamado (re)conhecido e acessado em um site popular, tão acessado pelos jovens, como youtube.

Surgem então locutores e alocutários interagindo e mudando de papel a todo instante, surge uma literatura (um novo discurso literário) não mais unilateral, ainda que esta não deva ser deixada de lado, uma literatura abrangente, talvez agora mais transformadora, mais includente ainda sem fronteiras. E é a partir deste novo conceito que se fez a presente comunicação. A partir de uma análise material do texto “E agora José? ” (obra), de Carlos Drummond de Andrade (autor) associando-o à sua autobiografia (obra) ,enfatizando o período de sua composição até os dias atuais, o seu entorno (público) e tendo por base a teoria literária a partir dos conceitos: a literatura como integração autor-obra-público em uma formação, em um sistema articulado seguindo a crítica (obra) de Antônio Cândido (público e autor). Essa tentativa de estudo levou em consideração os seguintes pontos:

  • a capacidade de leitura da comunidade;
  • disponibilidade de tecnologia adequada a produção e multiplicação de livros;
  • inserção de livros na economia de mercado;
  • existência de instituições através das quais os livros circulem na sociedade;
  • existência de práticas discursivas em que se estabeleçam:  a literariedade de alguns textos (teoria e história literárias, ensino de literatura);  a correção e a superioridade de algumas leituras em detrimento de outras (crítica literária e ensino de literatura) Para que esta análise seja feita, constará desta comunicação inicialmente o texto “ E agora José? ”, uma não tão pequena autobiografia de Drummond escrita em 1940, de elementos históricos apontados inclusive pela crítica e finalmente de informações que aqui serão apresentadas como comentário – o poema musicado por Paulo Diniz, no final do século XX, o samba enredo da Escola de Samba Mangueira (1978) em homenagem a Drummond, tudo à fim de responder à pergunta: Autor e obra vistos por diversos públicos, em diversos suportes, uma ou diversas leitura? Iniciando pela obra:

linguajar popular de forma excepcionalmente bela “Mundo mundo vasto mundo/se eu me chamasse Raimundo/ seria uma rima, não seria uma solução”.

Essas suas palavras acertam em cheio o sentimento comum e o homem do povo as adota como se fossem suas. No entanto, o poeta em sua proverbial reserva e recusa aos louros do narcisismo, sempre diminui a importância de seus versos. Não se considera um poeta do povo alguém que tenha ficado na memória popular por suas palavras. Diz ele ainda em sua última entrevista a Geneton Moraes Neto(1994):

Nenhum poema meu ficou popular. A verdade é essa. Considero popular, nas gerações antigas, o "Ouvir Estrelas", de Olavo Bilac; o "Mal Secreto", de Raimundo Correia; "Meus Oito Anos", de Casimiro de Abreu; "A Canção do Exílio", de Gonçalves Dias. São dois ou três. Nenhum outro fica. Geralmente são poemas pequenos que a memória guarda com mais facilidade. De mim, ficaram versos. "E agora, José?" não é verso; é uma frase. "Tinha uma pedra no meio do caminho" — e só. Não creio que tenha ficado nada mais. Não houve poema meu propriamente popular. Em geral, as pessoas guardam a imagem do poeta, mas não guardam o verso, até porque a maior parte dos poemas é em verso livre. Não são metrificados nem rimados. Então, é mais difícil guardar (...). A avaliação da crítica, porém, é bem diferente da visão modesta do poeta, um poeta que soube falar de e para seu povo, alguém que como poeta, jornalista, escritor soube falar de elementos cotidianos ou de elementos complexos,

E realmente, mais do que qualquer outro poeta brasileiro, ele nos falou mais de perto, de nós mesmos e de nossa complicada existência, trazendo-nos a uma só vez a poesia misturada do cotidiano, desde a cota de vida besta de cada dia, até as perplexidades inevitáveis a que nos conduz o fato de ter de conviver, ler os jornais, amar ou simplesmente existir. Aproximou, com o choque da revelação, que às vezes traz um mero substantivo no lugar certo, as grandes questões que abalaram o século XX e nossa desprotegida intimidade individual. (Arrigucci,2002)

Podemos confirmar ainda a sua modéstia em sua autobiografia, feita na mesma época do poema “E agora José? ” publicada em 1944. Convidado pela Revista Acadêmica o autor diz ter relutado inicialmente, mas como seria inevitável, preferiu que fosse feita por ele mesmo a fim de evitar palavras que considerasse generosa demais, sendo estas sinceras ou não.

Drummond inicia sua autobiografia como qualquer outra, falando de sua procedência, nascimento, religiosidade familiar, fala com pesar de ter participado da guerra aliado aos alemães, seu percurso profissional inicialmente como professor no interior de Minas Gerais, mais tarde como redator em Belo Horizonte, ofício que segundo ele burocrático, mas que lhe deu o sustento.

Inicia sua vida de escritor inexperiente quanto ao sofrimento, mas de deleite ingênuo quanto ao próprio indivíduo em Alguma poesia (1930), após se intitula um autor exacerbado, mas consciente de sua falta de conduta em Brejo das Almas (1934), finalmente em Sentimento do Mundo (1940), do qual E agora José? faz parte, o autor acredita ter resolvido suas contradições, embora ainda acrescente em suas palavras

Só as elementares: meu progresso é lentíssimo, componho muito pouco, não me julgo substancialmente e permanentemente poeta. (...) Infelizmente, exige-se pouco do nosso poeta; menos do que se reclama ao pintor, ao músico, ao romancista... Mas iríamos longe nesta conversa. Entro para a antologia, não sem registrar que sou o autor confesso de certo poema, insignificante em si, mas que a partir de 1928 vem escandalizando meu tempo, e serve até hoje para dividir no Brasil as pessoas em duas categorias mentais: No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho/tinha uma pedra no meio / do caminho tinha uma pedra. / Nunca me esquecerei(...) Drummond faz um autobiografia apontando uma insignificância poética, que por outro lado gerou polêmcia, divisões, mas segundo Antonio Candido (1995) a partir desta fase de Sentimentos do Mundo o autor consegue mostrar suas inquietudes poéticas, de alguém que se preocupa com problemas sociais:

Quanto à literariedade dos textos de Drummond pouco ou muito se pode falar, este foi considerado um dos melhores poetas do século XX, e isto não apenas inicialmente,

Drummond conseguia, a um só tempo, ser Chefe de Gabinete do ministro Gustavo Capanema, do Estado Novo, e usar suas palavras para destruir o capitalismo. Do gabinete ministerial, saiu direto para a condição de simpatizante do Partido Comunista Brasileiro. Agnóstico, conseguia clamar aos céus uma ajuda aos irmãos necessitados numa prece bem brasileira... Sobre a capacidade de entendimento do leitor, Drummond diz que seus poemas não são tão fáceis, pois a maioria são sem métrica, sem rima, que não ficam na cabeça das pessoas, porém já neste “E agora José?”, percebemos a presença de métrica (redondilha menor – 5 sílabas) em medida popular; a presença de sonoridade que se repete, que podemos chamar de eco ou rimas, e as sílabas tônicas que também se repetem:

“ E A/ Go /Ra/Jo/ - Vo/ /Que é/Sem/ No me

Ficando aparentemente, como quis dizer Drummond, na cabeça das pessoas, pelo menos o verso inicial, mas como este já foi musicado percebemos que começa cada vez mais a se tornar conhecido pelos diferentes públicos então na atualidade.

Quanto à tecnologia, na década de 40 a produção livresca estava em franca expansão, o livro já tinha sua veiculação nacional em larga escala (lembrando o Brasil de poucos leitores) e autores como Drummond ainda tinham o jornal e a revista a seu favor, pois este também escrevia para jornais e revistas, como exemplo a sua autobiografia, publicado na mesma década do poema em questão.

Falar da literatura do século XX é também falar da indústria cultural, de capital, de tecnologia,, a indústria literária derrama nas livrarias toneladas de romances. Como nas redes de fast-food, que oferecem (...). Seculozinho danado esse século XX, leitora informada!

A literatura nunca teve platéia (sic) tão grande, mesmo no Brasil. Mas também nunca teve platéia(sic) tão dividida, camarotes e arquibancadas (...) os espaços por onde rola a cultura literária (...) Lajolo (2002. p.110) Hoje seu poema José é visto e ouvido na internet por milhares de pessoas, veiculado no Youtube na voz dele mesmo, colocado em 2007 neste endereço: www.youtube.com /wqtcj?v=Qai878ZiCUU – visto até esta data 28 de junho de 2015 através 428.569 acessos em uma de suas publicações, também pode ser visto e ouvido musicado pelo cantor e compositor pernambucano Paulo Diniz em diversos shows que aparecem em endereços do youtube como neste: http://www.youtube.com/ watch?v=2l1UUZZWb3k através de 160.972 acessos.

Alguns comentários de internautas (público ) O mundo só é melhor porque temos talentos como Drummond. É bom saber que não estamos sozinhos em nossas angústias. Salvem os poetas, músicos, artistas...Com eles a vida é tolerável , e pode ser encontrado nos CDs – Super sucessos 1998 – Sony music e Identidade – 2002 pela EMI.

Até hoje Drummond é considerado um dos maiores poetas, ou escritores brasileiros, e que recebeu e recebe grandes homenagens. No ano de sua morte 1987, foi homenageado, em vida, pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira com o samba-enredo “O reino das palavras”:

Mangueira De mãos dadas com a poesia traz para os braços do povo este poeta genial Carlos Drumond de Andrade suas obras são palavras de um reino de verdade Itabira em seus versos ele tanto exaltou com amor eis aí a Verde e Rosa cantando em verso e prosa o que ao poeta inspirou é Dom Quixote ô

é Zé Pereira é Charlie Chaplin no embalo da Mangueira olha as carrancas do rio São Francisco rema rema remador primavera vem chegando inspirando o amor o rio toma conta do sambista como o artista imaginou na ilusão dos meus sonhos, Achei o elefante que eu imaginei

marcantes da vida de Drummond, enquanto os outros pontuam a cronologia com leituras de poemas, trechos de cartas, diários, crônicas e ensaios críticos.

Não há dúvidas de que Drummond foi um escritor de sua época, que se relacionou com um mundo, ainda que cheio de conflitos, uma vida talvez besta, ainda que possa ser focalizado na literatura como alguém de faces, mas esteve à frente de sua realidade, como os modernistas de uma forma geral. Alguém que encontrou pedras no caminho, que fez versos, que amou e protestou como o próprio José, não sei se autobiográfico, quem sabe apenas brasileiro, talvez apenas gauche, alguém que presenciou um anjo torto, talvez que pudesse chamar Raimundo, mas o que importa a velhice? E o hábito de sofrer? É doce herança de Itabira. Em prosa , mas talvez em versos.

DRUMMOND POR MARIA

Escritor de sua época, Relacionou-se com o mundo, Vida, talvez besta, Mas alguém de sete faces. Encontrou pedras no caminho Fez versos, amou e protestou; Como um José, ou talvez um gauche Que pudesse se chamar Raimundo, Mas não seria a solução. E o hábito de sofrer? Talvez herança de Itabira. E agora , José? A festa acabou e navegar é preciso.

Drummond em verso ou prosa, musicado ou não, teve e tem diversos públicos de diversas idades, ainda que o letrado apenas pelo verso, ou crítico pela prosa, ou ainda o jovem pela música (ou mesmo musicalidade de seus poemas) alguém que não ficou conhecido apenas pela imagem, alguém que foi a seu tempo e continua sendo um poeta, lido, contado, cantado, ouvido. em nossas diversas mídias, ou se ainda quiserem , diversos suportes.

Referências

ANDRADE, Carlos Drummond de. Revista Confissões de Minas - (Ensaios e Crônicas ). Rio de Janeiro. 1944. ARRIGUCCI Jr, Davi – Coração Partido. São Paulo: Cosac & Naify. 2002 CANDIDO, Antônio – Vários escritos – Inquietudes na poesia de Drummond – São Paulo: Duas Cidades. 3ª. edição. 1995 LAJOLO, M. Literatura, leitores e leitura. São Paulo: Ed. Moderna. 2001 ________; Zilberman, R. A formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ed. Ática. 1ª.ed. MORAES, Geneton. O Dossiê Drummond - A Última entrevista do Poeta. São Paulo: Editora Globo. 1994.

Vídeos https://www.youtube.com/watch?v=CaexXJ6UFnw último acesso em 28 de junho de 2015 - na voz de Drummond. http://www.youtube.com/ watch?v=2l1UUZZWb3k – – apresentação do show de Paulo Diniz (compositor e cantor) - último acesso em 28 de junho de 2015 http://www.ims.com.br/ims/explore/artista/drummond/videos - acessado em 07/ 02/