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Assédio moral, Trabalhos de Enfermagem

Arquivo elaborado pelos acadêmicos de enfermagem da Uniderp que fala das relações de assédio no trabalho

Tipologia: Trabalhos

Antes de 2010

Compartilhado em 10/05/2010

danilo-coronel-9
danilo-coronel-9 🇧🇷

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Assédio Moral
Saúde Ocupacional – 4 ° semestre Enfermagem
Airton Alvarenga
Camila Batista
Cristiana Ferreira
Danilo Coronel
Diego Silvério
Ingrid Iara
Odinéia de Almeida
Professora Rosane
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Assédio Moral

Saúde Ocupacional – 4 ° semestre Enfermagem

Airton Alvarenga

Camila Batista

Cristiana Ferreira

Danilo Coronel

Diego Silvério

Ingrid Iara

Odinéia de Almeida

Professora Rosane

O que é assédio moral?

A expressão assédio significa insistência impertinente, junto

de alguém, com perguntas, propostas ou pretensões indevidas.

Somando-se à expressão assédio o qualificativo moral, temos a

figura da insistência impertinente a alguém com propostas ou

pretensões indevidas e indesejadas que atingem moralmente o

assediado, provocando situação insuportável, que atinja a

dignidade do ofendido.

  • O que é assédio moral no trabalho?

É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações

humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante

a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais

comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em

que predominam condutas negativas, relações desumanas e

aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou

mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o

ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do

emprego.

Fases da humilhação no trabalho

A humilhação no trabalho envolve os fenômenos vertical e

horizontal.

O fenômeno vertical se caracteriza por relações autoritárias,

desumanas e aéticas, onde predomina os desmandos, a

manipulação do medo, a competitividade, os programas de

qualidade total associado a produtividade.

O fenômeno horizontal está relacionado à pressão para

produzir com qualidade e baixo custo. O medo de perder o emprego

e não voltar ao mercado formal favorece a submissão e

fortalecimento da tirania. O enraizamento e disseminação do medo

no ambiente de trabalho, reforça atos individualistas, tolerância aos

desmandos e práticas autoritárias no interior das empresas que

sustentam a ’cultura do contentamento geral’. Enquanto os

adoecidos ocultam a doença e trabalham com dores e sofrimentos,

os sadios que não apresentam dificuldades produtivas, mas que

’carregam’ a incerteza de vir a tê-las, mimetizam o discurso das

chefias e passam a discriminar os ’improdutivos’, humilhando-os.

Estratégias do agressor

Escolher a vítima e isolar do grupo.

Impedir de se expressar e não explicar o porquê.

Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em

frente aos pares.

Culpabilizar/responsabilizar publicamente, podendo os

comentários de sua incapacidade invadir, inclusive, o espaço

familiar.

Desestabilizar emocional e profissionalmente. A vítima

gradativamente vai perdendo simultaneamente sua

autoconfiança e o interesse pelo trabalho.

Destruir a vítima (desencadeamento ou agravamento de

doenças pré-existentes). A destruição da vítima engloba

vigilância acentuada e constante. A vítima se isola da família

e amigos, passando muitas vezes a usar drogas,

principalmente o álcool.

Livrar-se da vítima que são forçados/as a pedir demissão

ou são demitidos/as, freqüentemente, por insubordinação.

Impor ao coletivo sua autoridade para aumentar a

produtividade.

Humilhação no âmbito empresarial com todos os trabalhadores

Estimular a competitividade e individualismo, discriminando

por sexo: cursos de aperfeiçoamento e promoção realizado

preferencialmente para os homens.

Discriminação de salários segundo sexo.

Passar lista na empresa para que os trabalhadores/as se

comprometam a não procurar o Sindicato ou mesmo ameaçar os

sindicalizados.

Impedir que as grávidas sentem durante a jornada ou que

façam consultas de pré-natal fora da empresa.

Fazer reunião com todas as mulheres do setor administrativo

e produtivo, exigindo que não engravidem, evitando prejuízos a

produção.

Impedir de usar o telefone em casos de urgência ou não

comunicar aos trabalhadores/as os telefonemas urgentes de

seus familiares.

Impedir de tomar cafezinho ou reduzir horário de refeições

para 15 minutos. Refeições realizadas no maquinário ou

bancadas.

Desvio de função: mandar limpar banheiro, fazer cafezinho,

limpar posto de trabalho, pintar casa de chefe nos finais de

semana.

Receber advertência em conseqüência de atestado médico

ou por que reclamou direitos.

Discriminação com os acidentados e adoecidos que voltam ao trabalho

  • Ter outra pessoa no posto de trabalho ou função.
  • Colocar em local sem nenhuma tarefa e não dar tarefa. Ser colocado/

a sentado/a olhando os outros trabalhar, separados por parede de vidro

daqueles que trabalham.

  • Não fornecer ou retirar todos os instrumentos de trabalho.
  • Isolar os adoecidos em salas denominadas dos ’compatíveis’.

Estimular a discriminação entre os sadios e adoecidos, chamando-os

pejorativamente de ’podres, fracos, incompetentes, incapazes’.

  • Diminuir salários quando retornam ao trabalho.
  • Demitir após a estabilidade legal.
  • Ser impedido de andar pela empresa.
  • Telefonar para a casa do funcionário e comunicar à sua família que

ele ou ela não quer trabalhar.

  • Controlar as idas a médicos, questionar acerca do falado em outro

espaço. Impedir que procurem médicos fora da empresa.

  • Desaparecer com os atestados. Exigir o Código Internacional de

Doenças - CID - no atestado como forma de controle.

  • Colocar guarda controlando entrada e saída e revisando as mulheres.
  • Não permitir que conversem com antigos colegas dentro da empresa.
  • Colocar um colega controlando o outro colega, disseminando a

vigilância e desconfiança.

  • Dificultar a entregar de documentos necessários à concretização da

perícia médica pelo INSS.

  • Omitir doenças e acidentes.
  • Demitir os adoecidos ou acidentados do trabalho

Sintomas do assédio moral na saúde

Entrevistas realizadas com 870 homens e mulheres vítimas de opressão no

ambiente profissional revelam como cada sexo reage a essa situação (em

porcentagem)

Sintomas Mulheres Homens

Crises de choro 100 -

Dores generalizadas 80 80

Palpitações, tremores 80 40

Sentimento de inutilidade 72 40

Insônia ou sonolência excessiva 69,6 63,

Depressão 60 70

Diminuição da libido 60 15

Sede de vingança 50 100

Aumento da pressão arterial 40 51,

Dor de cabeça 40 33,

Distúrbios digestivos 40 15

Tonturas 22,3 3,

Idéia de suicídio 16,2 100

Falta de apetite 13,6 2,

Falta de ar 10 30

Passa a beber 5 63

Tentativa de suicídio - 18,

Fonte: BARRETO, M. Uma

jornada de humilhações. São

Paulo: Fapesp; PUC, 2000.

O que a vítima de assédio moral no trabalho deve fazer?

Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora,

local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e

o que mais você achar necessário).

Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que

testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.

Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.

Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de

trabalho ou representante sindical.

Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta

enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua

carta registrada, por correio, guardando o recibo.

Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias

como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do

Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina

( Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador ).

Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a

humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.

Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade

são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e

cidadania.

Importante:Se você é testemunha de cena(s) de humilhação no trabalho supere seu

medo, seja solidário com seu colega. Você poderá ser "a próxima vítima" e nesta hora

o apoio dos seus colegas também será precioso. Não esqueça que o medo reforça o

poder do agressor!