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Arquivo elaborado pelos acadêmicos de enfermagem da Uniderp que fala das relações de assédio no trabalho
Tipologia: Trabalhos
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Professora Rosane
O que é assédio moral?
A expressão assédio significa insistência impertinente, junto
de alguém, com perguntas, propostas ou pretensões indevidas.
Somando-se à expressão assédio o qualificativo moral, temos a
figura da insistência impertinente a alguém com propostas ou
pretensões indevidas e indesejadas que atingem moralmente o
assediado, provocando situação insuportável, que atinja a
dignidade do ofendido.
É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações
humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante
a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais
comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em
que predominam condutas negativas, relações desumanas e
aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou
mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o
ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do
emprego.
Fases da humilhação no trabalho
Estratégias do agressor
Humilhação no âmbito empresarial com todos os trabalhadores
Estimular a competitividade e individualismo, discriminando
por sexo: cursos de aperfeiçoamento e promoção realizado
preferencialmente para os homens.
Discriminação de salários segundo sexo.
Passar lista na empresa para que os trabalhadores/as se
comprometam a não procurar o Sindicato ou mesmo ameaçar os
sindicalizados.
Impedir que as grávidas sentem durante a jornada ou que
façam consultas de pré-natal fora da empresa.
Fazer reunião com todas as mulheres do setor administrativo
e produtivo, exigindo que não engravidem, evitando prejuízos a
produção.
Impedir de usar o telefone em casos de urgência ou não
comunicar aos trabalhadores/as os telefonemas urgentes de
seus familiares.
Impedir de tomar cafezinho ou reduzir horário de refeições
para 15 minutos. Refeições realizadas no maquinário ou
bancadas.
Desvio de função: mandar limpar banheiro, fazer cafezinho,
limpar posto de trabalho, pintar casa de chefe nos finais de
semana.
Receber advertência em conseqüência de atestado médico
ou por que reclamou direitos.
a sentado/a olhando os outros trabalhar, separados por parede de vidro
daqueles que trabalham.
Estimular a discriminação entre os sadios e adoecidos, chamando-os
pejorativamente de ’podres, fracos, incompetentes, incapazes’.
ele ou ela não quer trabalhar.
espaço. Impedir que procurem médicos fora da empresa.
Doenças - CID - no atestado como forma de controle.
vigilância e desconfiança.
perícia médica pelo INSS.
Entrevistas realizadas com 870 homens e mulheres vítimas de opressão no
ambiente profissional revelam como cada sexo reage a essa situação (em
porcentagem)
Sintomas Mulheres Homens
Crises de choro 100 -
Dores generalizadas 80 80
Palpitações, tremores 80 40
Sentimento de inutilidade 72 40
Insônia ou sonolência excessiva 69,6 63,
Depressão 60 70
Diminuição da libido 60 15
Sede de vingança 50 100
Aumento da pressão arterial 40 51,
Dor de cabeça 40 33,
Distúrbios digestivos 40 15
Tonturas 22,3 3,
Idéia de suicídio 16,2 100
Falta de apetite 13,6 2,
Falta de ar 10 30
Passa a beber 5 63
Tentativa de suicídio - 18,
Fonte: BARRETO, M. Uma
jornada de humilhações. São
Paulo: Fapesp; PUC, 2000.
O que a vítima de assédio moral no trabalho deve fazer?
Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora,
local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e
o que mais você achar necessário).
Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que
testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de
trabalho ou representante sindical.
Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta
enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua
carta registrada, por correio, guardando o recibo.
Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias
como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do
Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina
( Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador ).
Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a
humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade
são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e
cidadania.
Importante:Se você é testemunha de cena(s) de humilhação no trabalho supere seu
medo, seja solidário com seu colega. Você poderá ser "a próxima vítima" e nesta hora
o apoio dos seus colegas também será precioso. Não esqueça que o medo reforça o
poder do agressor!