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Assepsia e Antissepsia, Notas de estudo de Enfermagem

Materal para meu colega Edson

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 15/06/2010

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ASSEPSIA E ANTISSEPSIA: TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO
ASEPSY AND ANTISEPSY – TECHNICS OF STERILIZATION
Takachi Moriya1, Jose Luiz Pimenta Módena2
1Docente, Disciplina de Cirurgia Vascular. 2Docente, Disciplina de Gastroenterologia. Departamento de Cirurgia e Anatomia. Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto - USP.
CORRESPONDÊNCIA: Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP.
Av. Bandeirantes, 3900, 14049-900 - Ribeirão Preto / SP.
Moriya T, Módena JLP. Assepsia e antissepsia: técnicas de esterilização. Medicina (Ribeirão Preto). 2008;
41 (3): 265-73.
RESUMO: Por ser o hospital um ambiente insalubre, as técnicas de assepsia, anti-sepsia e
de esterilização são de extrema importância para reduzir os riscos de infecção. São apresenta-
dos os principais anti-sépticos e técnicas de esterilização.
Palavras-chaves: Assepsia. Antissepsia. Esterilização/Técnicas. Infecção.
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1- INTRODUÇÃO
O hospital deve ser considerado insalubre por
vocação, pois concentra hospedeiros mais suscetíveis
e microorganismos mais resistentes. Os micro-orga-
nismos contaminam artigos hospitalares, colonizam
pacientes graves e podem provocar infecções mais
difíceis de serem tratadas. O risco de contraí-las de-
pende, no entanto, do número e da virulência dos
microorganismos presentes e, acima de tudo, da re-
sistência antiinfecciosa local, sistêmica e imunológica
do paciente e da consciência do pessoal médicos e
paramédicos que atuam no estabelecimento.
O ato de lavar as mãos, antes e após examinar
pacientes, ainda não é um hábito corrente em nossos
dias, século XXI, apesar da sua importância já ter sido
demonstrada em 1847/8 por Semmelweis em Viena.
Na França, Saldmann demonstrou recentemen-
te que 73% das pessoas saem do banheiro com as
mãos contaminadas (90% por Escherichia coli) e que,
após duas horas 77% exibem o mesmo germe na boca!
Cerca de 50% das pessoas saem do banheiro sem
lavar as mãos, quando sozinhas, entretanto, se houver
outra pessoa no banheiro só 9 % saem sem lavar as
mãos, demonstrando que muitos conhecem os bons
hábitos higiênicos, mas, não os cumprem!!!
2- DEFINIÇÕES
Assepsia: é o conjunto de medidas que utiliza-
mos para impedir a penetração de microorganismos
num ambiente que logicamente não os tem, logo um
ambiente asséptico é aquele que está livre de infec-
ção.
Antissepsia: é o conjunto de medidas propos-
tas para inibir o crescimento de microorganismos ou
removê-los de um determinado ambiente, podendo ou
não destruí-los e para tal fim utilizamos antissépticos
ou desinfetantes.
Degermação: Vem do inglês degermation, ou
desinquimação, e significa a diminuição do número de
microorganismos patogênicos ou não, após a escova-
ção da pele com água e sabão.
Fumigação: é a dispersão sob forma de partí-
culas, de agentes desinfectantes como gases, líquidos
ou sólidos.
Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: FUNDAMENTOS EM CLÍNICA CIRÚRGICA - 1ª Parte
2008; 41 (3): 265-73 Capítulo III
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ASSEPSIA E ANTISSEPSIA: TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO

ASEPSY AND ANTISEPSY – TECHNICS OF STERILIZATION

Takachi Moriya^1 , Jose Luiz Pimenta Módena^2

(^1) Docente, Disciplina de Cirurgia Vascular. 2 Docente, Disciplina de Gastroenterologia. Departamento de Cirurgia e Anatomia. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. C ORRESPONDÊNCIA : Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. Av. Bandeirantes, 3900, 14049-900 - Ribeirão Preto / SP.

Moriya T, Módena JLP. Assepsia e antissepsia: técnicas de esterilização. Medicina (Ribeirão Preto). 2008; 41 (3): 265-73.

RESUMO: Por ser o hospital um ambiente insalubre, as técnicas de assepsia, anti-sepsia e de esterilização são de extrema importância para reduzir os riscos de infecção. São apresenta- dos os principais anti-sépticos e técnicas de esterilização.

Palavras-chaves: Assepsia. Antissepsia. Esterilização/Técnicas. Infecção.

1- INTRODUÇÃO

O hospital deve ser considerado insalubre por vocação, pois concentra hospedeiros mais suscetíveis e microorganismos mais resistentes. Os micro-orga- nismos contaminam artigos hospitalares, colonizam pacientes graves e podem provocar infecções mais difíceis de serem tratadas. O risco de contraí-las de- pende, no entanto, do número e da virulência dos microorganismos presentes e, acima de tudo, da re- sistência antiinfecciosa local, sistêmica e imunológica do paciente e da consciência do pessoal médicos e paramédicos que atuam no estabelecimento. O ato de lavar as mãos, antes e após examinar pacientes, ainda não é um hábito corrente em nossos dias, século XXI, apesar da sua importância já ter sido demonstrada em 1847/8 por Semmelweis em Viena. Na França, Saldmann demonstrou recentemen- te que 73% das pessoas saem do banheiro com as mãos contaminadas (90% por Escherichia coli) e que, após duas horas 77% exibem o mesmo germe na boca! Cerca de 50% das pessoas saem do banheiro sem lavar as mãos, quando sozinhas, entretanto, se houver

outra pessoa no banheiro só 9 % saem sem lavar as mãos, demonstrando que muitos conhecem os bons hábitos higiênicos, mas, não os cumprem!!!

2- DEFINIÇÕES

Assepsia : é o conjunto de medidas que utiliza- mos para impedir a penetração de microorganismos num ambiente que logicamente não os tem, logo um ambiente asséptico é aquele que está livre de infec- ção. Antissepsia : é o conjunto de medidas propos- tas para inibir o crescimento de microorganismos ou removê-los de um determinado ambiente, podendo ou não destruí-los e para tal fim utilizamos antissépticos ou desinfetantes. Degermação : Vem do inglês degermation, ou desinquimação, e significa a diminuição do número de microorganismos patogênicos ou não, após a escova- ção da pele com água e sabão. Fumigação : é a dispersão sob forma de partí- culas, de agentes desinfectantes como gases, líquidos ou sólidos.

Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: FUNDAMENTOS EM CLÍNICA CIRÚRGICA - 1ª Parte 2008; 41 (3): 265-73 Capítulo III

Assepsia e antissepsia técnicas de esterilização Medicina (Ribeirão Preto) 2008; 41 (3): 265-73. Moriya T, Módena JLP http://www.fmrp.usp.br/revista

Desinfecção : é o processo pelo qual se des- troem particularmente os germes patogênicos e/ou se inativa sua toxina ou se inibe o seu desenvolvimen- to. Os esporos não são necessariamente destruídos. Esterilização : é processo de destruição de to- das as formas de vida microbiana (bactérias nas for- mas vegetativas e esporuladas, fungos e vírus) medi- ante a aplicação de agentes físicos e ou químicos, Toda esterilização deve ser precedida de lavagem e enxaguadura do artigo para remoção de detritos. Esterilizantes : são meios físicos (calor, filtra- ção, radiações, etc) capazes de matar os esporos e a forma vegetativa, isto é, destruir todas as formas mi- croscópicas de vida. Esterilização : o conceito de esterilização é ab- soluto. O material é esterilizado ou é contaminado, não existe meio termo. Germicidas : são meios químicos utilizados para destruir todas as formas microscópicas de vida e são designados pelos sufixos "cida" ou "lise", como por exemplo, bactericida, fungicida, virucida, bacteriólise etc. Na rotina, os termos antissépticos, desinfetan- tes e germicidas são empregados como sinônimos, fa- zendo que não haja diferenças absolutas entre desin- fetantes e antissépticos. Entretanto, caracterizamos como antisséptico quando a empregamos em tecidos vivo e desinfetante quando a utilizamos em objetos inanimados. Sanitização, neologismo do inglês sanitization, em que emprega sanitizer, tipo particular de desinfe- tante que reduz o número de bactérias contaminantes a níveis julgados seguros para as exigências de saúde pública.

3- ANTISSEPSIA

A descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois processos: degermação e antissepsia.

3.1- Degermação

É a remoção de detritos e impurezas deposita- dos sobre a pele. Sabões e detergentes sintéticos, gra- ças a sua propriedade de umidificação, penetração, emulsificação e dispersão, removem mecanicamente a maior parte da flora microbiana existente nas cama- das superficiais da pele, também chamada flora tran- sitória, mas não conseguem remover aquela que colo- niza as camadas mais profundas ou flora residente.

3.2- Antissepsia

É a destruição de micro-organismos existentes nas camadas superficiais ou profundas da pele, medi- ante a aplicação de um agente germicida de baixa causticidade, hipoalergenico e passível de ser aplica- do em tecido vivo. Os detergentes sintéticos não-iônicos pratica- mente são destituídos de ação germicida. Sabões e detergentes sintéticos aniônicos exer- cem ação bactericida contra microorganismos muito frágeis como o Pneumococo, porém, são inativos para Stafilococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e ou- tras bactérias Gram negativas. Consequentemente, sabões e detergentes sintéticos (não iônicos e aniôni- cos) devem ser classificados como degermantes, e não como antissépticos.

4- ANTISSÉPTICOS

Um antisséptico adequado deve exercer a ati- vidade gemicida sobre a flora cutâneo-mucosa em pre- sença de sangue, soro, muco ou pus, sem irritar a pele ou as mucosas. Muitos testes in vitro foram propos- tos para avaliar a ação de antissepticos, mas a avalia- ção definitiva desses germicidas só pode feita medi- ante testes in vivo. Os agentes que melhor satisfa- zem as exigências para aplicação em tecidos vivos são os iodos, a cloro-hexidina, o álcool e o hexacloro- feno.

4.1- Para a desinfecção das mãos temos

  • Soluções antissépticas com detergentes (degerman- tes) e se destinam à degermação da pele, removen- do detritos e impurezas e realizando anti-sepsia par- cial. Como exemplos citam: - Solução detergente de PVPI a 10% (1% de iodo ativo) - Solução detergente de clorhexidina a 4 %, com 4% de álcool etílico.
  • Solução alcoólica para anti-sepsia das mãos:
    • Solução de álcool iodado a 0,5 ou 1 % (álcool etílico a 70%, com ou sem 2 % de glicerina)
    • Álcool etílico a 70%, com ou sem 2% de glicerina.

4.2- Compostos de iodo O iodo é um halogênio pouco solúvel em água, porém facilmente solúvel em álcool e em soluções aquosas de iodeto de potássio. O iodo livre é mais

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Existem vários tipos e apresentação de sabão: em barra, pó, líquido e escamas. Alguns sabões em barra são alcalinos (pH 9, a 10,5) em solução. Sua qualidade pode ser melhora- da através da adição de produtos químicos. O sabo- nete é um tipo de sabão em barra (composto de sais alcalinos de ácidos graxos) destinado à limpeza cor- poral, podendo conter outros agentes tensoativos, ser colorido e perfumado e apresentar formas e consis- tências adequadas ao uso. O sabão/sabonete antimicrobiano contém antissépticos em concentração suficiente para ser de- sodorante, sendo usado para lavar as mãos antes de procedimentos cirúrgicos. Os sabões têm ações detergentes, que remove a sujidade, detritos e impurezas da pele ou outras su- perfícies. Determinados sabões apresentam formação de espuma que extrai e facilita a eliminação de partí- culas. A formação de espuma representa, além da ação citada, um componente psicológico de vital im- portância para a aceitação do produto. Preconiza-se o uso de sabão líquido no hospital e unidades de saúde e, como segunda opção, o sabão em barra ou sabonete, em tamanho pequeno. O cuidado maior que se deve ter no manuseio do sabão é evitar seu contato com a mucosa ocular, contato prolongado com a pele, que pode produzir irritação local. Em resumo: Os sabões têm ação detergente ou degermante.

4.7- Cloro e derivados clorados

O cloro é o mais potente dos germicidas que existem. Tóxico para todo tipo de matéria viva, é utili- zado para desinfetar objetos, água de abastecimento e, até certo ponto, tecidos. Pode ser usado sob forma de gás ou derivado clorados que desprendem ácido hipocloroso, que no caso é o agente germicida que interage com a matéria orgânica e destrói tecidos nor- mais. A ação bacteriana do cloro é anulada pela ma- téria orgânica e pH alcalino. Não é recomendado para desinfetar instrumentos por ser corrosivo. Em medicina o derivado clorado mais usado é a solução de hipoclorito de sódio ou solução de Dakin, a 0,5 %. A solução a 5% é um potente germicida indica- do para desinfetar instrumentos e utensílios, é muito irritante para os tecidos e não deve ser usado como antisséptico. Em resumo: O cloro é um potente germicida.

4.8- Compostos de prata Sais de prata, solúveis ou coloidais, já foram utilizados na anti-sepsia das mucosas, exercendo sua ação através da precipitação do ion Ag. O nitrato de prata, em aplicação tópica, é bactericida para a maioria dos micróbios na concen- tração de 1/1000 e se na concentração de 1/10.000 é bacteriostática. A instilação de duas gotas de uma solução a 1% de nitrato de prata no saco conjuntival dos recém- nascidos evita a oftalmia neonatal. Em resumo: Os sais de prata são bacteriostáti- cos.

4.9- Desinfetantes oxidantes Esses compostos se caracterizam pela produ- ção de oxigênio nascente, que é germicida. A água oxigenada ou peróxido de hidrogênio é o protótipo dos peróxidos, entre os quais ainda se con- tam os peróxidos de sódio, zinco e benzila. A água oxigenada se decompõe rapidamente, e libera oxigênio quando entra em contato com a catalase, enzima encontrada no sangue e maioria dos tecidos. Este efeito pode ser reduzido na presença de matéria orgânica. Útil na remoção de material infec- tado através da ação mecânica do oxigênio liberado, limpando a ferida muitas vezes melhor que solução fisiológica ou outros desinfetantes. Não deve ser apli- cada em cavidades fechadas ou abscessos de onde o oxigênio não possa liberar-se 3. O permanganato de potássio é um potente oxidante que se decompõe quando em contato com matéria orgânica. Já teve grande uso no passado, mas hoje está ultrapassado como antisséptico 3. Em resumo: Os desinfetantes oxidantes têm ação germicida.

4.10- Derivados fenólicos Os fenóis e derivados são conhecidos de longa data como venenos protoplasmáticos gerais, precipi- tando e desnaturando as proteínas. O fenol, em solu- ções diluídas, age como antisséptico e desinfetante, com espectro anti-bacteriano que varia com a espé- cie do micróbio, não sendo esporocida. É usado principalmente para desinfetar instru- mentos e para cauterizar ulceras e áreas infectadas da pele. O fenol, na concentração de 1/500 a 1/800, é bacteriostático, e nas concentrações de 1/50 a 1/ torna-se bactericida. Os cresóis, derivados metílicos do fenol, são

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menos irritantes e menos tóxicos que o fenol e pare- cem possuir ação anti-séptica mais poderosa. Os derivados halogenados dos fenois são tam- bém antimicrobianos mais potentes que o fenol, como o hexilresorcinol, por exemplo. Os derivados fenólicos são usados principal- mente para desinfetar objetos porque são cáusticos e tóxicos para os tecidos vivos. O fenol e os cresóis não devem ser usados para desinfetar artigos de borra- cha, de plástico, ou tecidos que possam entrar em con- tato com a pele, de que podem resultar queimaduras. Atualmente não mais se usa fenol como antisséptico ou desinfetante. Em resumo: O derivado fenólico tem ação bactericida e não esporocida, utilizados em instrumen- tal.

4.11- Aldeídos

O aldeído fórmico, também chamado formal- deido, formol, formalina ou oximetileno, resulta da oxi- dação parcial do álcool metílico. Sofre ação da luz, polimerizando e dando origem a paraformaldeído. O formol é um líquido límpido, incolor, picante, sabor caustico. Seus vapores são irritantes para as mucosas (nariz, faringe, olhos etc.), que podem ser combatidos usando-se amoníaco diluído. É desinfetante potente, com poder de penetra- ção relativamente alto e baixa toxicidade, seu poder de potente redutor, reage com substâncias orgânicas e precipita as proteínas, germicida por excelência, age inclusive sobre os esporos. Desnatura as proteínas, reagindo com os grupos aminos livres, e isso faz a transformação de toxina em toxóide ou antoxina, con- servando assim o poder de antigenicidade. O aldeído fórmico, com sabão, forma o lisol. O lisoformio tem na sua composição além de outros in- gredientes , o aldeído fórmico e sabão em solução a 1% a 10%. O dialdeído fórmico ou aldeído glutárico (Cidex) é usado em soluções aquosas a 2%, previamente alcalinizadas, é menos irritante que o formaldeido, tem menor índice de coagulação de proteínas, não é cor- rosivo, não altera artigos de borracha, de plástico, de metal ou os mais delicados instrumentos de corte e instrumentos ópticos, não dissolve o cimento das len- tes dos equipamentos ópticos em exposições por perí- odos curtos. É nocivo à pele, mucosa (olhos) e ali- mentos. Em resumo: Os aldeídos têm ação bactericida e esporocida.

4.12- Derivados furânicos

A nitrofurazona (furacin) tem amplo espectro antibacteriano, interferindo no sistema enzimático dos microorganismos pela inibição do metabolismo dos hidratos de carbono, sendo usada apenas como tópico no tratamento de certas infecções assestadas na pele, feridas infectadas ou queimaduras, o uso continuo pode provocar intolerância e sensibilização. Não afeta a cicatrização, a fagocitose e a atividade celular e a sua eficácia persiste na presença de sangue, pus ou exsu- dato, diminui o mau cheiro e quantidade de secreção da ferida. Em resumo: Os derivados furanicos têm ação bactericida.

5- TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO

Esterilização é a destruição de todos os orga- nismos vivos, mesmo os esporos bacterianos, de um objeto. Para isso dispomos de agentes físicos e quími- cos.

5.1- Meios de esterilização:

Físico

  • Calor seco
    • Estufa
    • Flambagem
    • Fulguração
  • Calor úmido
    • Fervura
    • Autoclave
  • Radiações
    • Raios alfa
    • Raios gama
    • Raios x

Químico

  • Desinfetantes

Para conseguir-se a esterilização, há vários fa- tores importantes: Das características dos microorganismos, o grau de resistência das formas vegetativas; a resistência das bactérias produtoras de esporos e o número de microorganismos e da característica do agente em- pregado para a esterilização.

Medicina (Ribeirão Preto) 2008; 41 (3): 265-73. Assepsia e antissepsia técnicas de esterilização http://www.fmrp.usp.br/revista Moriya T, Módena JLP

A ação combinada de temperatura, pressão e da umidade são suficientes para uma esterilização rá- pida, de modo que vapor saturado a 750 mmHg e tem- peratura de 121ºC são suficientes para destruir os esporos mais resistentes, em 30 minutos. Essa é a combinação mais usada, servindo para todos os obje- tos que não estragam com a umidade e temperatura alta como panos meios bacteriológicos, soluções sali- nas, instrumentais (não os de corte), agulhas, serin- gas, vidraria (não as de precisão ) etc. Usando-se vapor saturado a 1150 mmHg e 128º C, o tempo cai para 6 minutos, podendo se assim evi- tar a ação destruidora do calor sobre panos e borra- cha. Em casos de emergência, usamos durante 2 minutos a temperatura de 132ºC e 1400 mmHg. Para testar a eficiência da esterilização em autoclave lançamos mão de indicadores, que pode ser tintas que mudam de cor quando submetidas a deter- minada temperatura durante certo tempo, ou tiras de papel com esporos bacterianos, que são cultivados em caldos após serem retirados do autoclave. Como exemplo citamos tubinho contendo ácido benzóico mais eosina, que tem ponto de fusão de 121ºC. Anidrido ftalico mais verde metila tem ponto de fusão de 132ºC. Ácido salicilico mais violeta de genciana tem ponto de fusão de 156ºC.

5.5- Bioindicadores

Podemos usar ampolas contendo 2 ml de caldo de cultura com açúcares mais um indicador de pH e esporos de bacilo Stearo thermophilus (espécie não patogênica), esporo estes que morrem quando sub- metidos a 121ºC por 15 minutos. Incuba-se por 24 a 48 horas a 55ºC, e se a esterilização foi suficiente a cor violeta não se altera. Podemos também usar cadarços embebidos com suspensão salina de cultura de Bacilo subtilis (em esporulação acentuada) colocados no interior de um campo cirúrgico dobrado, que será colocado no cen- tro dos pacotes, caixas ou tambores. Findo o prazo de esterilização, o cadarço é enviado para cultura no la- boratório. (o Bacilo subtilis não é patogênico e é um dos mais resistentes ao calor)

5.6- Éter cíclico - Óxido de etileno

É um gás incolor, inflamável, tóxico, altamente reativo, é completamente solúvel em água, álcool, éter e muitos solventes orgânicos, borracha, couro e plás- ticos. É bactericida esporicida e virucida. Eficaz em

temperatura relativamente baixa, penetra em substân- cias porosas, não corroe ou danifica materiais, age rapidamente, removível rapidamente.

5.7- Esterilização pelo óxido de etileno Autorizado pelo Ministério da Saúde como agen- te químico para esterilização, portaria 930/1992. Ne- cessita de três unidades: aparelho de autoclave com- binado, gás e vapor; aparelho de comando que vai misturar o gás, e o freon na concentração pré-estabe- lecida e o aparelho aerador

5.7.1- Condições Existem quatro condições que são primordiais e que guardam relação entre si para que o óxido de etileno se torne um agente esterilizante: a) Tempo - o tempo de exposição ao gás varia de acordo com a temperatura do aparelho, b) Temperatura - Geralmente utiliza a temperatura de 55oC e a exposição em 2 horas. Em temperaturas mais baixas necessitamos de exposições maiores e vice-versa. c) Umidade relativa - usa de 20 a 40%, d) Concentração do gás - usa a concentração de 450 mg/L de espaço da câmara esterilizadora. Por ser altamente inflamável quando puro, usamos mistu- rar com dióxido de carbono (90%) ou freon (80%).

5.7.2- Técnica a) Preparo do material - deverão estar completamen- te limpos e secos. O material que os empacota deve ser permeável, flexível e forte para agüentar a manipulação normal do processo de esterilização. Usar fitas adesivas para identificação e indicado- res de óxido de etileno dentro dos pacotes. b) Não sobrecarregar o esterilizador para evitar bolsões isoladores e também o rompimento e aber- tura dos pacotes durante o aumento de pressão da câmara. c) Aeração - o objetivo é ventilar para remover o gás contido no material esterilizado e sendo execu- tado a 50ºC, o tempo varia de acordo com o tipo de material, assim:

  • Borracha e material plástico fino = 6 horas
  • Borracha e material plástico grosso = 24 horas
  • Marca passos internos = 4 dias
  • Luvas, cateteres e outros materiais em invólu- cros de plásticos = 7 dias
  • Qualquer tubo de cirurgia cardíaca = 7 dias

Assepsia e antissepsia técnicas de esterilização Medicina (Ribeirão Preto) 2008; 41 (3): 265-73. Moriya T, Módena JLP http://www.fmrp.usp.br/revista

5.7.3- Vantagens:

  • É bactericida, esporocida e virucida
  • Agente esterilizante em temperatura relativa- mente baixa
  • Facilmente removível
  • Fácil de obter, armazenar e manusear
  • Penetra em qualquer material permeável e poroso
  • Esteriliza uma grande variedade de instrumen- tos e equipamentos sem danificar a maioria
  • É método simples, eficaz econômico e seguro
  • O material esterilizado pode ser estocado por período prolongado

5.7.4- Desvantagens

Necessita de controle cuidadoso da concentra- ção de gás, temperatura e umidade. A aparelhagem é cara e requer supervisão técnica especializada. O gás etileno possui efeito tóxico. O processo é demorado. A utilização do aparelho é limitada a estabele- cimentos grandes.

5.8- Flambagem

O Ministério da Saúde, através da portaria 930 de 27 de agosto de 1992, relaciona a flambagem como meio possível de esterilização nas laboratórios de microbiologia para a manipulação de material biológi- co ou transferencia de massa bacteriana pela alça bacteriológica e para a esterilização de agulhas, na vacina de BCG intradérmico.

5.9- Radiação

A radiação é uma alternativa na esterilização de artigos termossensíveis, (seringa de plástico, agu- lha hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos), por atuar em baixas temperaturas, é um método disponível em es- cala industrial devido aos elevados custos de implan- tação e controle. Radiações ionizantes : (raios beta, gama, (co- balto), X, alfa ). Tem boa penetrabilidade nos materi- ais mesmos já empacotados o que justifica a sal co- modidade.

Radiações não ionizantes : (raios ultravioleta, ondas curtas e raios infravermelhos) devido a sua bai- xa eficiência está vetado o seu uso pelo Ministério da Saúde desde 1992. Filtração é usada como controle ambiental, cri- ando áreas limpas e áreas estéreis, podendo inclusi- ve lançar utilizar se do fluxo laminar.

5.10- Aldeído Agente químico autorizado pelo Ministério da Saúde, (portaria 930/1992). Glutaraldeido a 2%, associada a um antioxidante, por 8 a 12 horas, é usado para esterilizar material de acrílica, cateteres, drenos, nylon, silicone, teflon, pvc, laringoscópicos e outros) Formaldeído, usado tanto na forma líquida ou gasosa por 18 horas. Paraformaldeído, as pastilhas tem ação esteri- lizante na concentração de 3 gramas por 100 centí- metros cúbico de volume do recipiente onde o mate- rial é esterilizado por um período de 4 horas a 50°C.

5.11- Outros, Ácido peracético Ácido peracético, usado como desinfetante e esterilizante para cateteres (portaria 15 de 23 de agosto de 1988 do Ministério da Saúde), tem a vantagem que ao se decompor origina ácido acético, água, oxigênio e peróxido de hidrogênio. Em altas concentrações, o ácido peracético, tem odor pungente e riscos de ex- plosão e incêndio. O mecanismo de ação é desnatura- ção protéica, perda da permeabilidade da membrana celular e oxidam o radical sulfidril e súlfur das proteí- nas, enzimas e outro metabólitos. O peróxido de hidrogênio é um agente químico esterilizante tanto na sua forma líquida, gasosa e plas- ma, inativa bactérias, vírus, bacilos da tuberculose, fungos e alguns esporos. É um agente altamente oxidante, tóxico, irritante em relação à pele e aos olhos. Age produzindo radicais hidroxilas livres que atacam a membrana lípidica do DNA e outros elementos da célula microbiana. Novas tecnologias vêm complementar os pro- cessos físicos existentes, mas nunca a substituir e, em todas elas, a eficácia da esterilização fica comprome- tida na presença de sujidade nos materiais processa- dos.