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aula - alvenaria, Notas de aula de Arquitetura

alvenaria - materiais e técnicas de assentamento

Tipologia: Notas de aula

2012

Compartilhado em 27/03/2012

dominique-barros-9
dominique-barros-9 🇧🇷

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São paredes, muros ou alicerces (sapatas corridas) feitos com:
pedras naturais
blocos e tijolos cerâmicos
blocos de concreto
blocos sílico-calcários
blocos de concreto celular
tijolos de vidro
tijolos de solo-cimento, etc.
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com ou sem argamassa
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Há uma enorme variedade de materiais à disposição no mercado. A
escolha da unidade de alvenaria deve ser feita buscando o
atendimento às exigências pré-estabelecidas. Deve-se levar em
consideração:
- a natureza do material
- seu peso próprio
- dimensões e forma
- disposição dos furos
- textura
- propriedades físicas (porosidade, capilaridade,
propriedades térmicas, propriedades acústicas, etc.)
- propriedades mecânicas (resistências, módulo de
elasticidade, coeficiente de Poisson, tenacidade, etc.)
durabilidade de acordo com a função que irão desempenhar
resistência à ação de agentes agressivos
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1. 1. AALLVVEENNAARRIIAA

São paredes, muros ou alicerces (sapatas corridas) feitos com:

• pedras naturais

• blocos e tijolos cerâmicos

• blocos de concreto

• blocos sílico-calcários

• blocos de concreto celular

• tijolos de vidro

• tijolos de solo-cimento, etc.

¾ com ou sem argamassa

ES ESCCOOLLHHAA DDOOSS MMAATTEERRIIAAIISS

Há uma enorme variedade de materiais à disposição no mercado. A

escolha da unidade de alvenaria deve ser feita buscando o

atendimento às exigências pré-estabelecidas. Deve-se levar em

consideração:

- a natureza do material

- seu peso próprio

- dimensões e forma

- disposição dos furos

- textura

- propriedades físicas (porosidade, capilaridade,

propriedades térmicas, propriedades acústicas, etc.)

- propriedades mecânicas (resistências, módulo de

elasticidade, coeficiente de Poisson, tenacidade, etc.)

durabilidade de acordo com a função que irão desempenhar resistência à ação de agentes agressivos precisão dimensional estabilidade dimensional

CLCLAASSSSIIFFIICCAAÇÇÃÃOO DDAASS AALLVVEENNAARRIIAASS

EXTERNAS ou perimetrais

comuns de divisa finalidade e disposição INTERNAS ou divisórias corta-fogo divisórias

PORTANTES: esforços horizontais, verticais, inclinados (alvenaria estrutural) ponto de vista estático FECHAMENTO, VEDAÇÃO (tabiques)

espessura

SIMPLES

cutelo ½ tijolo 1 tijolo 1 ½ tijolo 2 tijolos

COMPOSTA

de caixão comum sistema Eckert mistas

Bl Blooccooss ddee CCoonnccrreettoo

Produção

o Mistura de cimento, areia, pedrisco e água. o Fabricado com agregado normal ou leve. o Vibro-prensa para moldagem e compactação. o Cura úmida a vapor durante tempo padronizado. o Exigem rigoroso controle da cura para evitar retração por secagem excessiva na parede e sua conseqüente fissuração.

Características

o Resistência mínima à compressão de 2,5 MPa para blocos de vedação. o Isolamento acústico: deve variar de 40 dB para blocos de 9 cm de espessura sem revestimento a 46 dB para blocos de 14 cm de espessura com revestimento. o Peso de até 156 kg/m 2.

Normas

o NBR 7173/1982 – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria sem função estrutural. o NBR 6136/1994 – Bloco vazado de concreto simples para alvenaria estrutural. o NBR 7184/1992 - Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Determinação da resistência à compressão. o NBR 8215/1983 - Prismas de blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural – Preparo e ensaio à compressão. o NBR 12117/1991 - Blocos vazados de concreto para alvenaria – Retração por secagem. o NBR 12118/1991 - Blocos vazados de concreto para alvenaria – Determinação da absorção de água, do teor de umidade e da área líquida.

Problemas mais comuns

o Devidos, principalmente, à retração por secagem. o Falta de esquadro. o Fragilidade. o Variações dimensionais o Falta de planicidade da superfície.

BBllooccooss SSíílliiccoo--CCaallccáárriiooss

Produção

o Mistura de cal virgem, areia fina quartzosa e água. o Prensagem em moldes (alta pressão). o Desmolde. o Colocação em autoclaves e cura sob alta pressão de vapor por várias horas (16 atm, 200ºC, 5 horas): forma-sehidrossilicato de cálcio (C-S-H). o Método patenteado em 1880 na Alemanha: “Método de produção de pedra artificial de areia”. 70% dos blocos comercializados na Alemanha são sílico-calcários. o Produção atual em diversos países da Europa, Rússia, Canadá, México e EUA. No Brasil são produzidos desde 1976 pela Prensil, para alvenaria estrutural. o Exigem rigoroso controle da cura para evitar retração por secagem excessiva e conseqüente fissuração.

Características

o Material bem compactado: resistência à compressão varia entre 4,5 e 15 MPa. o Alta precisão nas dimensões. o Arestas bem definidas. o Textura suave, pouca rugosidade, alta absorção de água. o Peso de até 132 kg/m 2. o Coloração variada por meio de adição de pigmentos.

Normas

o Não há normalização brasileira para blocos sílico-calcários. o Norma alemã: DIN-106.

BBllooccooss ddee SSoolloo--CCiimmeennttoo

Produção

o Mistura de solo arenoso + cimento + água em betoneira. As proporções desta mistura determinam a resistência dos tijolos de acordo com a sua utilização (o solo ideal é aquele constituído de 50% a 70% de areia e o restante de argila). O teor de umidade é de cerca de 5%. o Prensagem em moldes. o Cura: processo essencial para garantir qualidade. A cura deve ser úmida, e é indispensável nos primeiros 7 dias. o Exigem rigoroso controle da cura para evitar retração por secagem excessiva e conseqüente fissuração. o Na mistura de solo-cimento podem ser acrescentados aditivos impermeabilizantes, cimento refratário, óxido de ferro (pigmento para colorir).

Características

o Capacidade térmica e acústica. o Alvenaria de tijolos à vista. o Regularidade de dimensões, resultando em revestimentos de pequena espessura. o Dispensa o uso de chapisco. quando forem utilizados blocos vazados, as instalações hidráulica e elétrica podem ser feitas por dentro dos furos. o Tijolos assentados com cola. o Confere maior produtividade no canteiro de obras. o Blocos modulados, blocos de encaixe, blocos canaleta.

Normas

o NBR 8491/1984 – Tijolo maciço de solo-cimento. o NBR 8492/1984 – Tijolo maciço de solo-cimento – Determinação da resistência à compressão e da absorção de água. o NBR 10832/1989 - Fabricação de tijolo maciço de solo-cimento com a utilização de prensa manual. o NBR 10833/1989 - Fabricação de tijolo maciço e bloco vazado de solo- cimento com utilização de prensa hidráulica. o NBR 10834/1994 – Bloco vazado de solo-cimento sem função estrutural. o NBR 10835/1994 – Bloco vazado de solo-cimento sem função estrutural – Formas e dimensões. o NBR 10836/1994 - Bloco vazado de solo-cimento sem função estrutural – Determinação da resistência à compressão e da absorção de água.

Ti Tijjoollooss ddee VViiddrroo

Produção

o Fundição de duas partes de vidro a altas temperaturas. o O resfriamento do vidro fundido faz a pressão interna do ar reduzir.

Características

o Peças ocas, estanques, preenchidas com ar rarefeito. o Bom isolamento térmico e acústico. o Várias colorações.

Normas

o NBR 14899-1/2002 - Blocos de vidro para a construção civil – Parte 1: Definições, requisitos e métodos de ensaio.

Critérios para aceitação ou rejeição do lote

à verificação visual: rejeição das unidades defeituosas à dimensões: NBR ± 3mm à planeza das faces e esquadro:

  • blocos defeituosos ≤ 4 Î aceitação
  • 4 < blocos defeituosos < 8 Î repetição da verificação em outra amostra (A 2 )
  • blocos defeituosos ≥ 8 Î rejeição Se o somatório dos blocos defeituosos em A 1 e A 2 for menor que 11, então se aceita o lote. à queima: blocos mal queimados Î rejeição do lote à absorção de água: entre 8 e 25% à resistência à compressão: 1 a 10 MPa (NBR 6461/1983)

Armazenamento dos blocos cerâmicos na obra

9 h pilha < 2m

9 próximo ao meio de transporte vertical (economia de tempo e

redução de perdas)

9 evitar umidade excessiva

b) Blocos de concreto para vedação

à NBR 7173/82: cada caminhão = 1 lote

verificação visual: em 20 blocos de cada lote: trincas, fraturas, superfícies e arestas irregulares, deformações, falta de homogeneidade; bloco aparente: pequenas lascas, imperfeições superficiais

dimensões: medida com trena em 10 blocos de cada lote

espessura da parede: medida com trena em 10 blocos de cada lote, na região mais estreita (^10 10 )

Critérios para aceitação ou rejeição do lote

à verificação visual:

  • peças defeituosas ≤ 2 Î aceitação
  • peças defeituosas > 2 Î 2 a^ amostra (A 2 )
  • no^ blocos defeituosos (A 1 + A 2 ) ≤ 6 Î aceitação Se A 1 e A 2 forem rejeitadas, o lote deve ser rejeitado, ou todos os blocos devem ser inspecionados com separação dos defeituosos. à dimensões: dimensões nominais da NBR + 3mm, - 2mm (espessura mínima = 15 mm) à uniformidade dimensional: desvio máximo = 3mm à quebra excessiva: pode ser devida a uma cura deficiente dos blocos ou à baixa resistência mecânica.

Armazenamento dos blocos de concreto na obra

9 h pilha ≤ 1,5 m

9 cobertos, protegidos da chuva

9 próximos ao meio de transporte vertical

MÉ MÉTTOODDOO EEXXEECCUUTTIIVVOO

1 a^ etapa: PREPARAÇÃO DA SUPERFÍCIE

1. Limpeza da base (laje ou viga de concreto armado)

2. Lavagem (água) e escovação (escova de aço) da superfície de

concreto

3. Chapisco do concreto que ficará em contato com a alvenaria.

O chapisco deve ser feito com 72 horas de antecedência.

Podem ser aplicados três diferentes tipos de chapisco:

CHAPISCO CONVENCIONAL

ƒ Argamassa de cimento e areia grossa ƒ Traço 1:3 ou 1:4, em volume ƒ Aplicação com colher de pedreiro, lançada energicamente contra a estrutura ƒ Desperdício elevado CHAPISCO ROLADO ƒ Argamassa de cimento e areia média, misturada a seco ƒ Traço 1:4,5, em volume ƒ Adicionar água e resina PVA (1 parte de PVA: 6 partes de água) ƒ Aplicação com rolo para textura acrílica (2 a 3 demãos). A espessura final da camada fica em torno de 5 mm CHAPISCO COM ARGAMASSA COLANTE ƒ Argamassa colante, preparada de acordo com a recomendação do fabricante ƒ Aplicação com desempenadeira dentada

CHAPISCO ROLADO ARGAMASSA COLANTE

4. Marcação do alinhamento

5. Definição da galga (definição da altura das fiadas da alvenaria)

A galga é marcada com auxílio de nível de mangueira ou com aparelho de nível, nos pilares ou com auxílio de caibro ouescantilhão. São esticadas linhas de náilon. São marcadas também cotas de vergas e contravergas.

O ponto mais alto da base define a cota da primeira fiada. Devem ser feitas, com argamassa, correções de desníveis na estrutura de concreto superiores a 2 cm, com pelo menos 24 horas de antecedência.

6. Fixação dos dispositivos de amarração da alvenaria aos pilares

ƒ “Ferros-cabelo” – aço CA-50 φ 5mm chumbado no pilar, a cada 2 fiadas ƒ Tela soldada aparafusada ao pilar, a cada 2 fiadas

4 a^ etapa: EXECUÇÃO DO RESPALDO

O respaldo é a região de encontro entre a alvenaria e a estrutura

do pavimento superior. Nesta região, podem ocorrerfissuras por

retração da argamassa de assentamento da alvenaria etransmissão

de esforços da estrutura à alvenaria.

Deve-se esperar o maior tempo possível para executar o respaldo.

Pode-se ter três situações possíveis quanto à interação

alvenaria/estrutura:

a) A alvenaria funciona como travamento da estrutura

b) A alvenaria não funciona como travamento da estrutura, mas

a estrutura que a envolve é deformável

c) A alvenaria não funciona como travamento da estrutura e a

estrutura que a envolve é pouco deformável

Soluções para cada situação

a) A alvenaria funciona como travamento da estrutura

¾ É necessária uma ligação efetiva e rígida entre alvenaria e estrutura. ¾ A alvenaria estará submetida a tensões elevadas, e devem resistir a essas tensões. ¾ Soluções no respaldo:encunhamento ouargamassa expansiva.

Encunhamento com tijolos maciços a 45º ou com cunhas de

concreto pré-fabricadas. Nesse caso, é necessário deixar um espaço

mínimo de 15 cm entre estrutura e alvenaria.

Preenchimento com argamassa expansiva. Nesse caso, um espaço

de 2 a 3 cm entre estrutura e alvenaria.

Essa técnica pode gerar concentração de tensões em alguns pontos e problemas à alvenaria.

b) A alvenaria não funciona como travamento da

estrutura, mas a estrutura que a envolve é deformável

¾ Exemplos: pórticos de grande vão, lajes cogumelo, estruturas em balanço, etc. ¾ Soluções no respaldo:preenchimento com material deformável.

Encunhamento com tijolos maciços a 45º com argamassa

fraca

Aplicação de espuma de poliuretano e acabamento

Aplicação de argamassa rica em cal, com baixo consumo de

cimento (exemplo: argamassa de traço 1:3:12)

c) A alvenaria não funciona como travamento da

estrutura e a estrutura que a envolve é pouco

deformável

¾ Soluções no respaldo:preenchimento com a própria argamassa de assentamento.

2. Juntas de controle

½ Servem para evitar fissuras causadas por

movimentações térmicas e higroscópicas

da alvenaria, e por retração por secagem

da argamassa de assentamento.

½ Preenchimento comselante (acrílico,

silicone, polissulfetos)

½ Ligação: fios de aço φ = 4,2 ou 5 mm,

nas juntas horizontais ímpares, passando

30 cm para cada lado da junta.

Valores indicativos para juntas de controle nas alvenarias de

vedação

Comprimento máximo de parede ou distância máxima entre juntas de controle (metros) Paredes internas Paredes externas Sem aberturas

Com aberturas

Sem aberturas

Com aberturas

Blocos ou tijolos assentados com argamassa mista, parede revestida/ impermeabilizada b14 b<14 b14 b<14 b14 b<14 b14 b< cerâmico concreto sílico-calcário concreto celular solo-cimento

à b = largura do bloco (cm) à valores para paredes sem telas ou armaduras contínuas

3. Região das aberturas

½ Devem ser reforçadas com VERGAS e CONTRAVERGAS

½ A alvenaria deve ser elevada até uma fiada antes da altura do

peitoril, para permitir a execução da contraverga.

½ As vergas e contravergas devem estender-se no mínimo20 cm

além da abertura.

½ No caso de aberturas sucessivas, com distanciamento inferior a

60 cm, deve-se executar umaverga contínua.

½ Caso a altura da abertura atinja a face inferior da viga ou laje, a

verga é desnecessária.

½ A seção transversal das vergas e contravergas deve ser no

mínimo igual à seção transversal dos blocos/tijolos.

Apoios mínimos recomendados para vergas e contravergas

BLOCO CERÂMICO Verga Contraverga Comprimento da parede (m) <8 8 a 12 <6 6 a 12 Vão (m) <2,4 <2,4 <2,4 <2, Apoio mínimo (m) 0,2 0,3 0,3 0,

BLOCO DE CONCRETO Verga Contraverga Comprimento da parede (m) <6 6 a 8 >8 <6 6 a 8 > Vão (m) <2,4 <2,4 <2,4 <2,4 <2,4 2,4 a 3 Apoio mínimo (m) 0,2 0,3 0,4 0,3 0,4 0,

BLOCO DE CONCRETO

CELULAR

Verga Contraverga

Compr. da parede (m) <8 8 a 12 >12 <8 8 a 12 <8 8 a 12 Vão (m) <1,8 <1,8 1,8 a 3,2 0,5 a 1 1,8 a 3, Apoio mínimo (m) 0,2 0,3 0,3 0,3 0,4 0,4 0,

½ Para aberturas superiores a 2,4 metros, a verga deve ser

calculada como uma viga.

Cintas de amarração

½ h parede > 3m Î cintas de amarração intermediárias

½ h parede > 5m Î cálculo estrutural Î alvenaria estrutural