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Ciência dos Materiais para Engenharia: Comportamento Mecânico - Parte II, Notas de aula de Engenharia Civil

Documento de um roteiro de aula da disciplina pmt 2100 da escola politécnica da universidade de são paulo, departamento de engenharia metalúrgica e de materiais. Aborda o comportamento mecânico de materiais submetidos a cargas estáticas, incluindo o efeito da temperatura e da taxa de deformação. Além disso, trata-se do comportamento visco-elástico e visco-plástico, fluência, efeito da temperatura sobre a deformação plástica, e impacto.

Tipologia: Notas de aula

Antes de 2010

Compartilhado em 04/08/2006

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diego-rabatone-7 🇧🇷

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PMT 2100 -Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia -2005
1
ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais
PMT 2100 -Introdução àCiência dos
Materiais para Engenharia
semestre de 2005
COMPORTAMENTO MECÂNICO
PARTE II
PMT 2100 -Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia -2005
2
Na primeira aula sobre propriedades mecânicas, foi estudado o
comportamento mecânico dos materiais somente levando em conta os
parâmetros tensãoe deformação.
Os ensaios estudados (tração, flexão, dureza) são muito úteis, mas
são ensaios simplificados, porque não levam em conta efeitos de
outros parâmetros, como o tempo e a temperatura. Aqueles ensaios
não respondem perguntas como:
Como responderia o material se fosse submetido a uma tensão
constante por um longo tempo?
Como responderia o material se a temperatura mudasse ao longo do
tempo durante o qual ele é submetido a esforços mecânicos?
A velocidade de aplicação do esforço mecânico afeta o comportamento
mecânico do material?
E se o esforço aplicado aumentasse e diminuísse ao longo do tempo?
O que poderia acontecer?
OBJETIVOS DA AULA
De forma bem sintética, o objetivo desta aula é observar o efeito do tempo
e da temperatura no comportamento mecânico dos materiais
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PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia 2º semestre de 2005

COMPORTAMENTO MECÂNICO

PARTE II

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

2

  • Na primeira aula sobre propriedades mecânicas, foi estudado o

comportamento mecânico dos materiais somente levando em conta os

parâmetros tensão e deformação.

  • Os ensaios estudados (tração, flexão, dureza) são muito úteis, mas

são ensaios simplificados, porque não levam em conta efeitos de

outros parâmetros, como o tempo e a temperatura. Aqueles ensaios

não respondem perguntas como:

  • Como responderia o material se fosse submetido a uma tensão

constante por um longo tempo?

  • Como responderia o material se a temperatura mudasse ao longo do

tempo durante o qual ele é submetido a esforços mecânicos?

  • A velocidade de aplicação do esforço mecânico afeta o comportamento

mecânico do material?

  • E se o esforço aplicado aumentasse e diminuísse ao longo do tempo?

O que poderia acontecer?

OBJETIVOS DA AULA

De forma bem sintética, o objetivo desta aula é observar o efeito do tempo

e da temperatura no comportamento mecânico dos materiais

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

ROTEIRO DA AULA

  • Comportamento mecânico ao longo do tempo de materiais submetidos a cargas estáticas - Comportamento elástico e visco-elástico
  • Efeito da temperatura sobre o comportamento mecânico - Efeito da temperatura sobre a deformação plástica - Fluência - Temperatura versus taxa de deformação
  • Efeito da taxa de deformação sobre o comportamento plástico - Impacto - Comportamento dúctil-frágil
  • Esforços cíclicos
    • Fadiga

4 Comportamento Elástico

E

σ ε =

E = módulo de Young

Reversível ⇒ não dissipa

energia!

τ = η γ &

η = viscosidade [Pa.s]

Irreversível ⇒ dissipa

energia

Fluxo Viscoso

dt

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

Comportamento Visco-Plástico

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

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  • Considere um corpo de prova de comprimento inicial L 0 , que é

submetido a um esforço σ no

instante t 0.

  • Inicialmente ele sofre uma deformação instantânea, puramente

elástica εel, que obedece à lei de

Hooke.

  • Se o esforço é mantido constante e também não varia com o tempo,

deformações visco-elástica εvel e

visco-plástica εvpl aparece ao longo

do tempo. A deformação visco- elástica se estabiliza depois de certo tempo, o que não ocorre com a deformação visco-plástica: ela cresce continuamente com o tempo.

  • A deformação total εT é igual à

soma das deformações εel , εvel e

εvpl.

  • A deformação cresce continuamente com o tempo, até

que o esforço σ seja eliminado no

instante tf.

  • Nesse instante, o corpo de prova sofre uma contração elástica praticamente instantânea, de valor

absoluto igual a εel.

  • A contração referente à deformação visco-elástica ocorre num intervalo de tempo dt.
  • No tempo t = tf + dt o corpo de prova não readquire suas dimensões iniciais, apresentando

uma deformação permanente ∆lvpl

(deformação plástica).

  • O comportamento visco-elástico é irreversível, ocorrendo dissipação de energia no processo de deformação.

Comportamento Visco-Plástico

Efeito da temperatura sobre a deformação plástica

  • Em baixas temperaturas ( e em baixas taxas de deformação ), uma deformação ε praticamente só depende da tensão σ.
  • Em temperaturas altas ( e em baixas taxas de deformação ), uma deformação ε depende não somente da tensão σ, mas também do tempo e da temperatura.
  • Alta temperatura
  • Temperatura a partir da qual fenômenos difusivos (difus ão, ascensão de discordâncias, etc…) começam a se manifestar macroscopicamente.
  • O limite entre “baixa temperatura” e “alta temperatura” varia de material para material.

Temperatura homóloga

F

H

T

T τ

T = temperatura do material TF = temperatura de fusão (dadas em K)

τH > 0,4 Alta Temperatura

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

10

  • Quando a temperatura é superior a 0,4 Fluência TF, os fenômenos difusivos tornam-se bastante significativos, e observam-se deformações plásticas em função do tempo, mesmo em tensões relativamente baixas. Esse é o fenômeno da fluência.
  • A fluência é resultado de um comportamento visco-plástico dos metais.

Curva de Fluência

  • Estágio I ou transiente : taxa de deformação decrescente; encruamento
  • Estágio II ou estacionário : taxa de

deformação constante dε/dt é mínima;

balanço entre encruamento e superação de obstáculos por processos difusivos (por exemplo, ascensão de discordâncias)

  • Estágio III ou terciário : taxa de deformação crescente; desenvolvimento de cavidades (cavitação); leva à ruptura do material

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

  • Exemplo: relação entre

temperatura e taxa de

deformação no comportamento

mecânico de polímeros amorfos

Temperatura x Taxa de Deformação

  • Temperatura (“estimativa

da energia cinética”) ⇒

vibrações da rede,

rotação de macro-

moléculas, difus ão etc…

  • taxa de deformação ⇒ tempo necessário para que os processos ocorram.
  • Temperatura e taxa de deformação tem efeitos opostos sobre o comportamento mecânico.

14 Efeito da temperatura sobre a deformação plástica

Exemplo

Variação da tensão de escoamento ( σe )

e do alongamento ( εf ) com a

temperatura para alumínio AA

¸ T↑ ⇒ aumento da amplitude de vibração (dos átomos ou das macro-moléculas), rotação (macro-moléculas) ⇒ maior facilidade de movimentação das discordâncias / deslizamento no caso das macro- moléculas.

¸ Portanto: T↑ ⇒ ↓σe e ↑ alongamento

¸ Aplicações : conformação mecânica de materiais metálicos, poliméricos e cerâmicos (vidros).

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

Efeito da taxa de deformação sobre o comportamento plástico

Os processos de deformação

plástica requerem reorganização

de átomos e/ou moléculas ⇒

dependem do tempo

m

m: expoente de sensibilidade à taxa de

deformação

(strain-rate sensitivity)

Taxas de deformação muito elevadas (ou seja, deformações muito grandes

em intervalos de tempo muito pequenos) são situações de solicitações severas

para os materiais.

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

16

Impacto

Ensaio de tração convencional:

Solicitações de impacto:

[ ]

5 1 1

− − −

ε & ≈ s

[ ]

2 3 1

ε & ≈ s

¸Pêndulo de impacto (Ensaios Charpy e Izod)

Pêndulo para

plásticos, leitura

digital

Detalhe de um ensaio

Izod: a amostra é fixada

em um mandril

Pêndulo para metais,

leitura analógica

Transição dúctil-frágil

•Não se deve

construir estruturas

utilizando materiais

que apresentem o

comportamento de

transição dúctil-frágil

caso haja utilização

em temperaturas

abaixo da

temperatura de

transição Tc, para

evitar fraturas

frágeis e

catastróficas.

Ruptura de uma ponte metálica no Canadá, acontecida em 1951. A estrutura rompeu de forma frágil numa noite de inverno (-30oC), num momento em que a ponte não estava sequer submetida a uma grande solicitação.

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

20

Ensaio de impacto (ensaio de queda de peso)

Ensaio de queda de peso (Drop-Weight Test)

¸Um peso é lançado de uma altura pré- estabelecida em queda livre sobre a amostra.

¸O resultado é qualitativo ⇒ quebra ou não quebra (alternativamente, deforma ou não deforma, trinca ou não trinca,...)

¸Permite determinar a temperatura de transição para ductilidade nula (NDT, nil ductility transition temperature) ⇒ interessante em projeto de engenharia para aplicações em temperaturas sub- ambientes

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

Fadiga

¸Até o momento, foram estudadas solicitações estáticas ou monotônicas (a força

cresce ou decresce continuamente ).

¸Nas aplicações de engenharia, entretanto, freqüentemente encontram-se

solicitações cíclicas (ex. eixos, molas, asas de avião, bio-implantes, …), que

implicam em fadiga.

¸A fadiga é respons ável por um grande número das falhas mecânicas observadas

nos componentes de engenharia e por um grande número de acidentes com

vítimas fatais.

¸A fadiga ocorre mesmo quando um componente é submetido a solicitações

dentro do regime elástico (isto é, para tensões inferiores ao limite de escoamento)

→ o fenômeno deve ser levado em conta em projetos de engenharia.

¸A fadiga ocorre em todas as classes de materiais (metálicos, cerâmicos,

poliméricos e compósitos)

22 Parâmetros da solicitação cíclica

∆σ: Amplitude de tensão

σmax: Tensão máxima

σmin: Tensão mínima

σm: Tensão média

R: Razão de tensões

λ: comprimento de onda

N = ∆t/λ: número de ciclos

no intervalo de tempo ∆t

Tipos de Solicitação (a) Senoidal (b) Periódica (c) Espectro (de tensões)

PMT 2100 - Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia - 2005

  • Capítulo do Callister tratado nesta aula
    • Comportamento visco-elástico : apenas iniciado na seção 16.
    • Fluência : seção 8.13 a 8.
    • Impacto : seção 8.
    • Fadiga : seção 8.7 e 8.
  • Textos complementares indicados
    • Kurz, W.; Mercier, J.P.; Zambelli, G. – Traité des Matériaux. 1. Introduction à la Science des Matériaux. PPUR. Lausanne. 1991. - Deformação plástica e viscoelasticidade. Cap. 12. pgs 269-294.
    • Texto escrito pelo Prof. Cláudio Schoen (disponível no CoL)