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Apostila Desenvolvendo Aplicações para Banco de Dados com Delphi 6
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 11/05/2010
4.9
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No início, programar em Windows era algo extremamente complicado e acessível apenas a programadores dispostos a investir muito tempo e fosfatos na leitura de pilhas de livros, intermináveis testes e análise de programas exemplos que mais confundem do que explicam. Mas porque era tão difícil fazer programas para Windows? Para começar, o Windows usa o conceito de GUI (Graphic User Interface – Interface Gráfica com o Usuário), que embora fosse muito familiar para usuários do Unix e do Mac OS, era novidade para usuários do DOS. O uso de um sistema GUI implicava em aprender vários conceitos que eram estranhos ao usuário de um sistema baseado em texto como o DOS. Para complicar um pouco mais, o Windows é um sistema multi- tarefa, e as aplicações são orientadas a eventos, o que implica em aprender um novo estilo de programação. Finalmente, o programador tinha que ter alguma familiaridade com as centenas de funções oferecidas pela API do Windows. Por tudo isso, programação em Windows era um assunto que costuma provocar arrepios nos programadores.
Felizmente as linguagens visuais chegaram para mudar esta situação. Foi só com elas que o Windows consegui cumprir sua promessa de ser um sistema amigável e fácil de usar também para os programadores, que sempre tiveram que pagar a conta da facilidade de uso para o usuário.
Entre as linguagens visuais que surgiram, nenhuma veio tão completa e bem acabada quanto o Delphi. Desde o início ele possuía um compilador capaz de gerar código diretamente executável pelo Windows, proporcionando uma velocidade de execução de 5 a 20 vezes maior que as linguagens interpretadas como o Visual Basic e Visual FoxPro que geravam executáveis Pcode que precisam de arquivos auxiliares de run-time. Além disso, o Delphi também possuía uma engine para acesso a diversos bancos de dados e um gerador de relatórios. O tempo de desenvolvimento de qualquer sistema foi reduzido a uma fração do tempo que seria necessário usando outras linguagens e o resultado é sempre muito melhor. É por isso que o Delphi fez e faz tanto sucesso no mundo inteiro, sempre ganhando prêmios como melhor ferramenta de desenvolvimento para Windows.
O objetivo principal de qualquer ferramenta de desenvolvimento ou linguagem de programação é a criação de aplicações. Determinadas linguagens ou ferramentas devido aos recursos que possuem são mais indicadas para a criação de aplicações comerciais, outras se destinam mais a aplicações científicas ou ainda para a criação de sistemas operacionais.
O Delphi é uma ferramenta RAD (Rapid Application Development – Desenvolvimento Rápido de Aplicações) criada pela Borland. É uma ferramenta de propósito geral, permitindo o desenvolvimento de aplicações tanto científicas como comerciais com a mesma facilidade e alto desempenho. Integra-se facilmente com a API (Application Program Interface) do Windows, permitindo a criação de programas que explorem ao máximo os seus recursos, assim como os programas escritos em linguagem C/C++.
CLX para criação de aplicativos multiplataforma (podem ser compilados no Kylix, o Delphi para Linux) e o código fonte dos componentes;
Antes de começar a trabalhar com o Delphi, é importante ter algumas noções do que está envolvido na programação Windows e no Delphi em particular. Algumas coisas tornam a tarefa de programação no Windows (e ambientes baseados em eventos e interface gráfica) bem diferente de outros ambientes e das técnicas de programação estruturada normalmente ensinadas nos cursos de lógica de programação:
Independência do Hardware : No Windows, o acesso aos dispositivos de hardware é feito com intermédio de drivers fornecidos pelo fabricante do hardware, o que evita que o programador tenha que se preocupar com detalhes específicos do hardware. Como acontecia com a programação em DOS.
Configuração Padrão : O Windows armazena centralmente as configurações de formato de números, moeda, datas e horas, além da configuração de cores, livrando o programador de se preocupar com esses detalhes específicos.
Multitarefa : Antigamente, no DOS (não estamos falando do Prompt do MS- DOS), um programa geralmente tomava o controle da máquina só para si, e outros programas não rodavam até que o mesmo fosse fechado. Já no Windows vários programas são executados de maneira simultânea e não há como evitar isso.
Controle da Tela : No DOS geralmente um programa ocupa todo o espaço da tela, e o usuário via e interagia apenas com aquele programa. Já no Windows, todas informações mostradas e todas entradas recebidas do usuário são feitas por meio de uma janela , uma área separada da tela que pode ser sobreposta por outras janelas do mesmo ou de outros programas.
Padrões de Interface : No Windows, todos os elementos de interface aparecem para o usuário e interagem da mesma forma. Além disso, existem padrões definidos pela Microsoft que são recomendados para conseguir a consistência entre aplicativos. Falaremos de alguns deles no curso, mas a melhor forma de aprendê-los é analisar os aplicativos Windows mais usados do mercado.
Eventos e a Cooperação com o Sistema : Num programa criado para DOS (como os programas escritos em Clipper) ele é responsável pelo fluxo de processamento, temos que definir claramente não só que instruções, mas também em que ordem devem ser executadas, ou seja a execução segue uma ordem preestabelecida pelo programador, e o programa só chama o sistema operacional quando precisa de alguma coisa dele. Em Windows não é bem
O Delphi oferece dois níveis de programação distintos. Existe o nível que o manual chama de designer , que utiliza os recursos de programação visual e aproveita os componentes prontos, e o nível do component writer , onde escrevemos os componentes para o designer utilizar nas aplicações. Podemos dizer que o component writer programa em um nível mais baixo e o designer em um nível mais alto. Para este curso, consideraremos apenas a programação no nível do designer.
Inicie o Delphi clicando no ícone Delphi 6 que se encontra no menu Iniciar / Programas / Borland Delphi 6.
Quando ativamos o Delphi, a tela inicial é parecida com a acima. Os itens que você está vendo formam o que chamamos de IDE, com um projeto novo aberto. Na janela superior, temos a barra do menu principal do Delphi, à esquerda a SpeedBar , com as opções mais comuns e à direita a paleta de componentes. Estes componentes formam a base da programação visual e é onde o designer vai buscar recursos para criar sua aplicação. A seguir, vamos analisar as ferramentas que compõe o ambiente de desenvolvimento e os arquivos que constituem um projeto.
A janela principal é o próprio Delphi, se a fecharmos estaremos fechando todo o Delphi. Esta janela é composta basicamente pelo menu e mais duas áreas distintas, o SpeedBar e a Component Palette - Paleta de Componentes.
SpeedBar (“Barra de Velocidade”) foi o nome dado pela Borland à barra de ferramentas com atalhos para os procedimentos comumente executados durante a fase de desenvolvimento de um projeto. São eles:
Standard : componentes padrão da interface do Windows, usados para barras de menu, exibição de texto, edição de texto, seleção de opções, iniciar ações de programa, exibir listas de itens etc. Geralmente são os mais usados.
Additional : componentes especializados que complementam os da página Standard. Contém botões com capacidades adicionais, componentes para exibição e edição de tabelas, exibição de imagens, gráficos etc.
Win32 : componentes comuns de interface que são fornecidos pelo Windows 95/NT para os programas. Contém componentes para dividir um formulário em páginas, edição de texto formatado, barras de progresso, exibição de animações, exibição de dados em árvore ou em forma de ícones, barras de status e de ferramentas etc.
System : componentes que utilizam funções avançadas do sistema operacional, como temporização (timers), multimídia e conexões OLE e DDE.
Data Access : componentes de acesso a bancos de dados e conexão com controles de exibição de dados.
Data Controls : componentes semelhantes aos encontrados nas guias Standard e Additional, porém ligados a banco de dados.
dbExpress : componentes de conexão com bancos de dados SQL introduzida no Delphi 6 e no Kylix (Delphi para Linux). Entre os principais recursos desta nova arquitetura estão dispensar o uso do BDE (Borland Database Engine)
para acesso a dados e fazer um acesso muito mais rápido e leve. A configuração e instalação também são mais simples que a do BDE. Atualmente existem drivers para Oracle, DB/2, Interbase e MySQL entre outros. Não existe suporte para bancos de dados Desktop, assim, não permite acesso a dBase, Paradox ou Access para estes você deverá continuar a utilizar o BDE.
DataSnap : componentes que permitem a criação de middleware de alto desempenho capazes de trabalhar com Web services, possibilitando fácil conexão de qualquer serviço ou aplicação de cliente com os principais bancos de dados, como Oracle, MS-SQL Server, Informix, IBM, DB2, Sybase e InterBase, através de Serviços Web padrão da indústria e XML, DCOM ou CORBA. (No Delphi 5 esta guia era chamada de Midas).
BDE : componentes de acesso a dados utilizando a BDE (até o Delphi 5 faziam parte da guia Data Access). A BDE é a engine que acompanha o Delphi desde sua primeira versão. Muito completa, permite acessar desde bases de dados desktop, como Paradox, dBase ou Access, até bases de dados SGDB, como Interbase, DB/2, Oracle, Informix, SyBase ou MS-SQL Server, todos em modo nativo. Permite ainda o acesso a outros bancos de dados através de ODBC.
ADO : componentes de acesso a dados da interface dbGo (introduzida no Delphi 5 como o nome de ADO Express) através da tecnologia ADO (ActiveX Data Objects), da Microsoft. Tanto a ADO como o OLE DB (drivers de acesso) estão incluídos no MDAC (Microsoft Data Access Components) e permitem acesso a uma série de bancos de dados e à ODBC. Sua principal vantagem é estar incorporada as versões mais recentes do Windows (2000/XP e ME) não sendo necessário nenhuma instalação de engine de acesso. Também é escalável, permitindo acesso desde bases de dados desktop até aplicações multicamadas. A desvantagem é que não é portável para outras plataformas, caso queira portar seu sistema para Linux, terá que trocar todos os componentes de acesso a dados.
Interbase : componentes para acesso nativo ao Interbase, através de sua API, constituindo o método de acesso mais rápido e eficiente para este banco de dados. Por não ser uma interface genérica permite utilizar todos os recursos
Qreport : QuickReport é um gerador de relatórios que acompanha o Delphi e se integra totalmente ao mesmo, sem a necessidade de run-time ou ferramentas externas como o Cristal Report, etc. Estes componentes permitem a criação de diversos tipos de relatórios de forma visual e também a criação de preview personalizado.
Dialogs : O Windows tem caixas de diálogo comuns, como veremos, que facilitam mostrar uma interface padrão dentro do seu programa para as tarefas comuns, como abrir e salvar arquivos, impressão, configuração de cores e fontes etc. Esta guia tem componentes que permitem utilizar essas caixas de diálogo comuns.
Win 3.1 : esta guia contém controles considerados obsoletos, que estão disponíveis apenas para compatibilidade com programas antigos. Não crie programas novos que utilizem esses controles.
Samples : contém exemplos de componentes para que você possa estudá-los e aprender a criar seus próprios componentes. O código fonte desses exemplos está no subdiretório SOURCE\SAMPLES do diretório de instalação do Delphi.
ActiveX : um componente ActiveX é um tipo de componente que pode ser criado em outra linguagem (como C++) e utilizado no Delphi. Esta página contém alguns exemplos de componentes ActiveX prontos para utilizar, que têm funções de gráficos, planilha, etc. O Delphi também pode criar componentes ActiveX, que podem ser utilizado em ambientes como Visual Basic e Visual FoxPro.
COM+ : catálogo de objetos COM (Component Object Model), tecnologia desenvolvida pela Microsoft que possibilita a comunicação entre clientes e aplicações servidores. Uma interface COM é a maneira como um objeto expõe sua funcionalidade ao meio externo.
Indy Clients : componentes para criação de aplicativos clientes para protocolos HTTP, TCP, FTP, DNS Resolver, POP3, SMTP, TELNET, entre outros.
Indy Servers : componentes para criação de aplicativos servidores de HTTP, TCP, FTP, TELNET, GOPHER, IRC, entre outros.
Indy Misc : componentes complementares aos das guias Indy Clients e Indy Servers, para criação de aplicativos clientes e servidores com acesso a internet, como clientes de ftp, irc e browsers.
Servers : componentes para automatização do Microsoft Office, permitindo o controle, impressão e criação de documentos destes aplicativos dentro do seu programa.
A Unit está intimamente ligada ao formulário, chamado Form : quando se adiciona um componente ao Form, o Delphi inclui na Unit deste Form o código referente à inclusão do mesmo, ou seja, uma mudança no lado visual resulta em uma alteração automática no código. A Borland, empresa que fez o Delphi, denominou isso de Two-Way-Tool (ferramenta de duas vias).
À esquerda do editor de código esta o Code Explorer, uma ferramenta que permite visualizar a acessar no código fonte as units, classes, variáveis, constantes e objetos (componentes) que fazem parte do Form.
Na mesma janela do editor de código pode ser acessada a guia Diagram que permite documentar o relacionamento entre os componentes, além de modificar algumas características destas relaçãoes. Inicialmente ela está vazia, para incluir os componentes, você deve arrastá-los do Object TreeView e solta- los sobre o diagrama.
O Delphi 6 introduziu uma nova janela, o Object TreeView, que mostra o relacionamento entre os componentes que são colocados no Form. Como veremos adiante, existem componentes que funcionam como “recipientes”, ou seja, podem conter outros componentes dentro de si. O Object TreeView permite a visualização destes relacionamentos e o acesso rápido a estes objetos.
O Object Inspector é a ferramenta responsável por permitir a modificação das propriedades dos componentes/objetos de forma visual, durante o projeto (Design Time). Por enquanto, pense em propriedades como sendo as características dos componentes, tanto visuais quanto funcionais. O combobox na parte superior desta janela dá acesso a todos os objetos do Form atual e sempre exibe o nome do objeto/componente selecionado. Uma vez selecionado você pode inspecionar suas propriedades e altera-las se desejar. A alteração das propriedades pode modificar a aparência de objetos visuais e também seu funcionamento padrão.
Objeto atualmente selecionado.
codificado, mas o mesmo não ocorre durante a execução do aplicativo seu código não é executado.
Uma aplicação feita em Delphi é composta de um arquivo de projeto, que gerencia quais Forms e Units compõem a aplicação. O nome dado ao arquivo do projeto, normalmente será o nome dado ao executável da aplicação quando a mesma for compilada.
Em alguns casos podemos ter uma Unit sem Form, um exemplo seria uma Unit com funções para serem utilizadas por toda a aplicação (em vários Forms), mas todo Form obrigatoriamente deve possuir sua Unit correspondente.
Vejamos um esquema gráfico de como é estruturado um projeto em Delphi:
As Units do Delphi possuem uma estrutura que deve ser obedecida. Quando um Form é criado também é criada uma Unit associada ao mesmo.
A estrutura básica de uma Unit pode ser visualizada observando-se o código fonte da mesma no editor de código. Será semelhante ao exibido a seguir:
Project (arquivo de projeto) extensão .DPR ( D elphi PR oject)
Form
extensão .DFM ( D elphi F or M
Form
extensão .DFM
Unit
extensão .PAS
Unit
extensão .PAS ( PAS cal)
Unit
extensão .PAS
unit Unit1;
interface
uses Windows, Messages, SysUtils, Variants, Classes, Graphics, Controls, Forms, Dialogs;
type TForm1 = class(TForm) private { Private declarations } public { Public declarations } end;
var Form1: TForm1;
implementation
{$R *.dfm}
end.
Vamos analisar o código acima: