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Retrata datas históricos sobre religião africana
Tipologia: Resumos
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Horizontes Antropológicos , Porto Alegre, ano 5, n. 11, p. 218-220, out. 1999
Rose Marie Reis Garcia
Rose Marie Reis Garcia Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brasil
O livro trata da presença do Batuque no Rio Grande do Sul, dando relevo aos dados musicais, religiosos e históricos. A metodologia empregada pelo autor baseia-se nas indicações de Turner (1980) e privilegia três categorias de fontes para coleta e interpretação dos símbolos rituais: “1) forma externa e características observáveis; 2) interpretações oferecidas pelos especialistas religiosos e pelos simples fiéis; 3) contextos significativos em grande parte elaborado pelos antropólogos”. A obra está dividida em três partes: A primeira parte do livro concentra-se no Batuque, fazendo uma aborda- gem do mesmo no tempo e no espaço, relacionando-o à presença africana no estado e situando-o em Porto Alegre. Esclarece sobre os “Lados”, as “Casas de nação”, os “Axós”, e discute enfoques como economia, autoridade e hie- rarquia, a disciplina imposta aos “filhos/filhas de santo”, a orientação de “pai e de mãe de santo”, as injunções determinantes para a participação de mulheres no culto. A segunda parte detém-se no Sistema de Crenças, caracterizando as “mo- radas” e “passagens” dos orixás. Segue-se uma revisão sobre a hierarquia mí- tica dos principais orixás (Bará, Ogum, Oiá, Xangô, Odé e Otim, Ossanha, Obá, Xapanã, Bédji, Oxum, Iemanjá, e Oxalá). No ciclo ritual, há uma des- crição dos rituais cumpridos nas cerimônias fixas (“Entrega do Ano”; “Festa dos Navegantes”; “Os orixás vão pra guerra” e “Limpeza da Semana Santa”), e nas cerimônias móveis (“Matança” ou “Serão”; “Festa”; “Levantação da Festa’; “O peixe”; “Passeio”; “Confirmação da festa”, “Terminação da festa”). A terceira parte é dedicada à Etnomusicologia dos Rituais, contendo de- talhes sobre os “tambores” (construção, sistema de tensão, a consagração dos tambores ao culto), e os tamboreiros. Distingue os “axés” ou “rezas”, exem- plificando vários deles (“Chamada”, “Axés dos orixás”, “Axé da balança”,
http://dx.doi.org/10.1590/S0104-
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Horizontes Antropológicos , Porto Alegre, ano 5, n. 11, p. 218-220, out. 1999
Batuque jêje-ijexá em Porto Alegre: a música no culto aos orixás
“Afujá do Xangô”, “Alujá da Iansã”, “Axés de agradecimento”, “Axés de misericórdia”, etc.). Coloca em evidência as “pancadas” que permitem a co- municação com os orixás. Os fonogramas gravados pelo pesquisador foram registrados em pauta musical. A funcionalidade do repertório abrange: a) as cerimônias públicas, enfocando os mitos cantados e dançados, os tipos de axés executados, além de considerações sobre a música e a dança dos orixás; b) as cerimônias privadas, enfatizando a presença da música nas etapas prelimina- res dos rituais. A análise das “Pancadas” considerou os princípios estruturais e os padrões rítmicos básicos, e a dos “Axés” tomou como foco a estrutura das alturas, a estrutura formal, e os textos. Foram examinadas as características musicais dos tipos de axés, bem como estabelecidas relações entre as “panca- das” e os tipos de “axés”. A pesquisa de campo foi realizada entre babalorixás representativos, como Pedro de Iemanjá e Ayrton do Xangô (Ayrton Paixão), ambos já fale- cidos, e ainda Mário da Oxum; contou com as informações dos tamboreiros Walter Calixto (o Borel) e Antônio Carlos do Xangô. O trabalho culmina com uma discussão dos resultados da pesquisa em torno da questão “relacionamento entre música e ritual”. Sobressaem, nes- se capítulo, as informações sobre a sacralização dos tambores, bem como as históricas míticas cantadas, narrando a “experiência arquetípica dos ori- xás” e constituindo-se em poderoso veículo desencadeador do transe. Ao longo da discussão, as constatações permitidas pela análise são contrapon- teadas por colocações de autoridades no campo da antropologia como Roger Bastide, Melville Herskovits, Arthur Ramos, Ari Pedro Oro, Carlos Rodrigues Brandão, no campo da história como Dante de Laytano, Mário Maestri, Sandra Pesavento, folcloristas como Carlos Galvão Krebs, Norton F. Corrêa, etnomu- sicólogos como Oneyda Alvarenga, Gerhard Kubik, Fernando Ortiz, Angela Lühning, entre outros. Ganha relevância a identidade batuqueira com o “re- connhecimento das diferenças em relação à maioria branca e católica e no for- talecimento dos elos de identificação entre os batuqueiros, negros e mestiços […] que através da sua religião mantém uma identidade grupai própria.” As informações de ordem histórica são enriquecidas com dados sobre o contingente populacional negro nas cidades sul-rio-grandenses de maior porte entre o final do século XVIII e meados do XIX. Desmitifica o pensamento corrente sobre a pouca influência da presença negra no estado, principalmente quando se fica sabendo pelo prefaciador prof. Norton Corrêa que foi estimado