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Guias e Dicas
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Biblioteca de Componentes Construtivos - Edificações, Manuais, Projetos, Pesquisas de Modelação Matemática e Simulação

Metodologia para a caracterização de componentes construtivos adequados à realidade brasileira de utilização do programa EnergyPlus. O objetivo principal do trabalho é facilitar a compreensão das características dos componentes construtivos inseridas no programa EnergyPlus, evitando as chances de erros durante a modelagem da edificação.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2020

Compartilhado em 13/08/2020

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CENTRO TECNOLÓGICO
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
Campus Universitário Trindade
Florianópolis SC CEP 88040-970
Desenvolvimento de um modelo equivalente de
avalição de propriedades térmicas para a
elaboração de uma biblioteca de componentes
construtivos brasileiros para o uso
no programa EnergyPlus
Fernando da Silva Weber
Ana Paula Melo
Deivis Luis Marinoski
Saulo Guths
Roberto Lamberts
Agosto, 2017
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO TECNOLÓGICO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Campus Universitário – Trindade

Florianópolis – SC – CEP 88040- 970

Desenvolvimento de um modelo equivalente de

avalição de propriedades térmicas para a

elaboração de uma biblioteca de componentes

construtivos brasileiros para o uso

no programa EnergyPlus

Fernando da Silva Weber

Ana Paula Melo

Deivis Luis Marinoski

Saulo Guths

Roberto Lamberts

Agosto, 2017

Sumário

    1. INTRODUÇÃO
    1. MÉTODO DE AVALIÇÃO - Modelo de referência e equivalente
  • 2.1. Para paredes......................................................................................................................
  • 2.1.1. Cálculo da espessura para o modelo equivalente.......................................................
  • 2.1.2. Determinação dos modelos e simulação no programa QuickField
  • 2.2 Para coberturas
  • 3 RESULTADOS
  • 4 LIMITAÇÕES DO PROGRAMA QUICKFIELD
  • 5 CONCLUSÃO
  • 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • ANEXO

simulações computacionais de transferência de calor nos regimes estacionário e transiente,

além de diversas outras aplicações nas áreas da engenharia.

A validação dos modelos computacionais foi realizada através da comparação entre os

resultados de transmitância térmica simulados em regime estacionário com os resultados

obtidos através dos procedimentos de cálculo da NBR 15220 (ABNT, 2005a, 2005 b, 2005c).

Após a validação dos modelos, fez-se a análise e a comparação do fluxo de calor no regime

transiente entre o modelo de referência e o modelo equivalente.

2. MÉTODO DE AVALIÇÃO - Modelo de referência e equivalente

2.1. Para paredes

Os procedimentos realizados para a determinação do elemento construtivo

equivalente devem ser realizados de tal forma que as grandezas térmicas (Ct) e (Rt) sejam

próximas, ou iguais, ao modelo de referência.

Considerou-se como modelo de referência o modelo apresentado na Figura 1 ,

composto por um módulo de tijolo de 6 furos 10x16x32 cm com argamassa de assentamento

de 1 cm na face superior e posterior.

Figura 1 – Modelo de referência do elemento isolado. (Fonte: ABNT, 2005b)

Primeiramente calculou-se a resistência e a capacidade térmica total do modelo de

referência de acordo com o método de cálculo proposto na NBR 15220 (ABNT, 2005 b). Com

base no resultado da capacidade térmica total, foi possível determinar uma nova espessura

das camadas de cerâmica para o modelo equivalente e por meio da resistência térmica total

do elemento foi possível definir uma condutividade equivalente para a câmara de ar do

modelo equivalente. Neste modelo equivalente, as camadas que compõe o elemento são

distribuídas perpendicularmente ao fluxo de calor, como mostra a Figura 2.

Figura 2 - Determinação do modelo equivalente. (Fonte: Ordenes, 2003 )

A partir das novas espessuras calculadas paras as camadas do modelo equivalente

encontradas por meio do método descrito por Ordenes (2003), foram criados modelos

computacionais no programa QuickField. Nesta etapa, foram modelados os elementos de

referência e equivalente, realizando as simulações em regime estacionário. Com os resultados

obtidos pelo software e através NBR 15220 (ABNT, 2005b) foi feita uma comparação entre os

valores de transmitância térmica encontrada a fim de validar os modelos, e a partir disto dar

início as simulações em regime transiente.

Os procedimentos para os cálculos da transmitância térmica total (𝑈

𝑇

) - Equação (1),

da resistência térmica total (𝑅 𝑇

) - Equação (2) e da capacidade térmica total (𝐶

𝑇

) referente à

Equação (3) são os mesmos considerados pela NBR 15220 (ABNT, 2005b). Entretanto, não

foram consideradas as camadas de argamassa de revestimento interna e externa, devido ao

fato de que estas camadas (camadas perpendiculares ao fluxo) se encontram de acordo com o

método de cálculo utilizado no programa EnergyPlus.

𝑇

𝑇

𝑇

𝑖

𝑖

𝑘

𝑖= 1

𝑇

𝑖

𝑖

𝑘

𝑖= 1

𝑖

Onde,

λ = condutividade térmica

W m. °C

ρ = densidade (kg ⁄m ³),

c = calor específico (kJ kgK

A resistência térmica total do material tijolo foi obtida através da soma das resistências

térmicas das seções 1 e 2, ponderadas por suas áreas (𝐴

1

) e (𝐴

2

), respectivamente. A área da

seção considerada para ponderação é igual à área da superfície perpendicular ao fluxo de

calor, como mostra a equação ( 4 ).

𝑖

𝑖

𝑖

Onde,

𝑖

= comprimento da seção perpendicular ao fluxo de calor (m);

𝑖

= altura da seção (m).

Seção 1 (cerâmica):

1

1

1

Para a seção 1, a área (𝐴

1

) é igual ao comprimento do tijolo (ℓ

1

) de 32 cm pela altura

da cerâmica (ℎ

1

) de 1,0 cm.

1

A resistência térmica dessa seção foi calculada com o uso da Equação ( 2 ), sendo a

espessura da cerâmica (𝑒 𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

) igual a 10 cm e a condutividade térmica (𝜆

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

) igual a

0,90 W/m.°C.

1

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

2

Seção 2 (cerâmica + ar + cerâmica + ar + cerâmica):

A seção 2 abrange as camadas de cerâmica, ar, cerâmica, ar e cerâmica novamente.

Sendo a área (𝐴 2

) igual ao comprimento da seção transversal ao fluxo (ℓ

2

) multiplicada pela

altura da seção (ℎ 2

). Portanto:

2

2

2

2

Pela Equação (2), calculou-se a resistência térmica (𝑅

2

) da seção como o somatório da

resistência das camadas de cerâmica e de ar. A resistência térmica da cerâmica é obtida pela

espessura da camada, dividida pelo valor correspondente a sua condutividade térmica. Cabe

ressaltar que o valor da resistência da câmara de ar (𝑅 𝑎𝑟

) foi obtido na NBR 15220 (ABNT,

2005b), correspondendo para este caso em 0,16 m².°C/W.

2

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑎𝑟

2

A resistência térmica total do tijolo (𝑅

tijolo

) foi determinada ponderando as

resistências da seção 1 e 2 por suas respectivas áreas. A área total do tijolo (𝐴 𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

) é igual à

soma das áreas das seções 1 e 2.

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

1

2

tijolo

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

1

1

1

2

2

A resistência do módulo (Rtijolo + Rargamassa) foi determinada pela adição da resistência

da camada de argamassa referente à seção a.

Seção a (argamassa):

A área da seção a (𝐴

𝑎

) considera as camadas de argamassa localizada na região

superior e posterior do tijolo, sendo obtida pelo somatório das áreas de cada local, como é

apresentado a seguir.

𝑎

A resistência da camada de argamassa (𝑅

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

) é obtida pela Equação (2), onde o

valor da espessura (𝑒 𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

) é igual a 10 cm e o valor da condutividade térmica

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

) igual a 1,15 W/m.°C.

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

2

Com o valor da resistência térmica da argamassa (𝑅

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

), fez-se o somatório

junto à resistência térmica do tijolo (𝑅 𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

), através da ponderação das suas respectivas

áreas, podendo assim determinar a resistência térmica do módulo (𝑅 módulo

módulo

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

2

Após o cálculo da capacidade térmica das seções 1 e 2, foi calculada a capacidade

térmica total do tijolo. Como no cálculo da resistência térmica, a capacidade térmica total do

tijolo (𝐶 T,tijolo

) foi determinada pela soma da capacidade térmica de cada seção, ponderada

por suas áreas.

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

1

2

T,tijolo

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

1

𝑇, 1

2

𝑇, 2

2

A capacidade térmica do módulo (𝐶

T,módulo

), foi calculada pela adição da capacidade

térmica da argamassa (𝐶 𝑇,𝑎

), ponderada por sua área (𝐴

𝑎

Seção a (argamassa):

𝑎

𝑇,𝑎

𝑖

𝑖

1

𝑖= 1

𝑖

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

2

Portanto, a capacidade térmica do módulo (𝐶 T,módulo

) é:

T,módulo

𝑎

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

𝑎

𝑇,𝑎

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

𝑇,𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

2

2.1.1. Cálculo da espessura para o modelo equivalente

Para a determinação de uma espessura equivalente (𝑒

𝑒𝑞

), considerou-se a capacidade

térmica total (𝐶 𝑇,𝑒𝑞

) do modelo equivalente igual a capacidade térmica total do modelo de

referência (𝐶 T,módulo

). A Figura 4 apresenta o modelo equivalente que representa o modelo

original, de referência. Cabe ressaltar que o modelo equivalente considera apenas dois

elementos: a cerâmica e o ar. A capacidade térmica referente à argamassa no modelo de

referência foi adicionada à capacidade térmica da cerâmica, provocando um aumento de sua

espessura (𝑒 𝑒𝑞,𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

Figura 4 – Modelo de referência e modelo equivalente (cotas em mm)

Essa espessura equivalente da cerâmica (𝑒

𝑒𝑞,𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

) foi obtida pela Equação (3),

considerando apenas a capacidade térmica das camadas de cerâmica. A capacidade térmica do

ar foi desprezada.

Então:

𝑇,𝑒𝑞.

𝑖

𝑖

2

𝑖= 1

𝑖

𝑒𝑞

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

T,módulo

Colocando em evidência a espessura equivalente da cerâmica (𝑒 𝑒𝑞,𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑒𝑞,𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

T,módulo

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑒𝑞,𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

Portanto, a espessura equivalente para cada camada de cerâmica (𝑒 𝑒𝑞,𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

) é de

aproximadamente 2,5 cm. Com este valor, foi possível obter a espessura equivalente para a

câmara de ar (𝑒

𝑒𝑞,𝑎𝑟

) por meio da Equação 5 , no qual a espessura da câmara de ar é igual a

largura do bloco cerâmico ( b ) menos a espessura equivalente interna e externa da cerâmica

𝑒𝑞,𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

Modelo de referência Modelo equivalente

persianas. A ISO 10077 considera a resistência térmica da câmara de ar variável para

diferentes temperaturas e espessuras; enquanto que na NBR 15220 a temperatura não é

considerada, levando-se em consideração apenas parâmetros como a direção do fluxo de calor

e as emissividades das superfícies da câmara.

As propriedades dos materiais foram inseridas no programa Quickfiled de acordo com

os valores adotados nos cálculos de acordo com a NBR 15220 (ABNT, 2005b), exceto para

resistência térmica do ar. No programa QuickField , o ar é considerado como um material que

apresenta uma condutividade equivalente obtida através da Equação (2), sendo a resistência

do ar o inverso da soma dos coeficientes de transferência de calor por convecção e radiação.

Para o cálculo desse parâmetro geralmente é necessária a análise computacional da dinâmica

dos fluidos (CFD) devido sua complexidade, entretanto, a ISO 10077-2 apresenta um método

prático para o cálculo da condutividade térmica equivalente da câmara de ar. O programa

Quickfield disponibiliza uma planilha Excel desenvolvida para implementar este método de

cálculo. Esta planilha funciona de forma iterativa e em conjunto com o software Quickfield ,

sendo necessário, portanto, apenas a inserção de um valor inicial para a condutividade

equivalente da câmara de ar. O valor final da condutividade equivalente da câmara de ar.

O programa QuickField trabalha em duas dimensões (2D), portanto certas

características do modelo de referência não são computadas na determinação da resistência e

capacidade térmica do modelo simulado, como por exemplo, a argamassa da parte posterior

do módulo. Desta maneira, com o objetivo de preservar as suas propriedades térmicas de

capacidade e resistência térmica total, foi determinado uma compensação na argamassa de

assentamento na região superior do modelo simulado, pelo aumento de sua altura

𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

Para se determinar a altura equivalente para a camada de argamassa superior

𝑒𝑞,𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

), utilizou-se área total de argamassa (𝐴

𝑎

) obtida anteriormente, e introduzida

na Equação 6:

𝑎

𝑒𝑞,𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

Onde,

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

𝑒𝑞,𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

Isolando ℎ

𝑒𝑞,𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

na equação (6), e atribuindo a ℓ

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

o valor de 0,32 m e 𝐴

𝑎

o

valor de 0,0049 m², temos:

𝑒𝑞,𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎

𝑡𝑖𝑗𝑜𝑙𝑜

𝑎

Com base neste cálculo, foi possível determinar a nova seção do modelo de referência

(Figura 6 ), concentrando toda a argamassa de revestimento na parte superior do modelo.

Figura 6 – Modelo de referência com compensação de argamassa (cotas em mm).

Apesar de concentrar toda a argamassa na região superior da seção do modelo de

referência, as propriedades de transmitância térmica e capacidade térmica permanecem

iguais, pois esta compensação altera apenas a distribuição da massa que estava na parte

posterior para a parte superior do módulo. Apenas a distribuição do fluxo de calor pela seção

transversal do componente é alterada, e não o fluxo total que passa pelas superfícies externa e

interna do módulo.

As simulações no programa QuickField fornecem resultados da transferência de calor

por meio do fluxo de calor que passa pela superfície do módulo. Através da Equação (7) é

possível obter o valor da transmitância térmica calculada para comparação com os resultados

obtidos com a aplicação da NBR 15220 (ABNT, 2005b).

𝑒𝑞,𝑎𝑟

Então incluindo a Equação (9) na Equação (8), temos:

𝑇

𝑠𝑒

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑐𝑒𝑟â𝑚𝑖𝑐𝑎

𝑎𝑟

𝑒𝑞,𝑎𝑟

𝑠𝑖

= 0 , 3759 m². °C/W

Substituindo os valores e isolando (𝜆 𝑒𝑞,𝑎𝑟

𝑒𝑞,𝑎𝑟

𝑒𝑞,𝑎𝑟

Desta maneira foi possível que ambos os modelos de referência e equivalente

apresentassem as mesmas transmitâncias e capacidade térmicas.

2.1.2.2 Regime transiente

A análise do regime transiente foi dividida em duas fases: a primeira parte consiste na

comparação entre os gradientes de temperaturas da seção do modelo de referência e do

modelo equivalente. Na segunda fase é comparado o fluxo de calor nas superfícies externa e

interna entre os dois modelos.

A análise do gradiente de temperatura da seção tem como objetivo verificar as

variações de temperatura na seção do bloco cerâmico devido às flutuações da temperatura

externa (T) em um intervalo de 24 horas.

As flutuações da temperatura externa (T) são obtidas através da Equação ( 10 ):

− 3

Onde,

Esta função representar as variações da temperatura externa para o período de 24

horas, com uma amplitude térmica de 18°C, variando de 12°C às 3h 00 até um máximo de 30°C

às 15h 00. A temperatura interna do ar foi mantida constante em 21°C.

Como o tijolo apresenta diferentes configurações ao longo da altura de sua seção

transversal, foi necessário encontrar um gradiente de temperatura representativo para todo o

modelo simulado. Esse gradiente foi obtido através de integrais calculadas (linhas vermelhas) a

cada centímetro da seção transversal da Figura 7 para a determinação da temperatura média.

Para o modelo equivalente, o gradiente de temperatura é o mesmo para qualquer altura da

seção já que os materiais são dispostos em camadas paralelas.

Figura 7 – Gradientes de temperatura para o modelo de referência e equivalente (temperatura em °C).

As temperaturas médias representativas para cada centímetro da seção variando no

tempo em um período de 24h foram obtidas pelo programa QuickField. A Figura 8 e a Tabela 2

apresentam os resultados dos valores de temperatura para os dois modelos

É possível verificar que há uma boa concordância entre os valores de temperaturas

encontradas entre os dois modelos analisados. As maiores diferenças encontradas ocorrem a 4

cm da face externa do tijolo, às 13h00 e 1h00, quando a temperatura externa é de 27ᵒC e

15 ᵒC, respectivamente, com variação de 0,82ᵒC. Às 17h00 e 5h00 a diferença entre os dois

modelos é de 0 ᵒC na região próxima a 1 cm da parede externa. Este mesmo comportamento

foi também observado às 19h00 e 7h00, nos pontos distanciados a 2 cm da parede externa.

Tabela 2 - Variação da temperatura entre os modelos ao longo da seção.

Pode-se perceber que as menores variações de temperatura se encontram nas regiões

próximas as superfícies internas e externas, aumentando a diferença à medida que se

aproxima da metade do tijolo, onde estão as cavidades de ar. A primeira metade do tijolo

cerâmico (parte mais externa) mostrou uma variação média percentual de 13,8% menor do

que a segunda metade (parte mais interna). A variação da temperatura média absoluta para

todos os casos analisados foi de 0,30ᵒC.

A análise do fluxo de calor nas superfícies internas e externas para os dois modelos

tem como objetivo verificar não só a concordância entre os dois modelos, mas também o

comportamento da transferência de calor ao longo de sua seção. Os resultados de fluxo de

calor são obtidos por meio do cálculo de integrais realizadas pelo programa QuickField nas

superfícies interna e externa, considerando valores positivos para o fluxo no sentido da

esquerda para a direita, como mostra a Figura 9.

𝚫𝑻 Modelo de referência versus modelo equivalente

tempo (h)

Largura da seção longitudinal (cm)

0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 7.0 8.0 9.0 10.

9 - 0.06 - 0.08 - 0.18 - 0.35 - 0.50 - 0.57 - 0.53 - 0.38 - 0.31 - 0.23 - 0.

10 - 0.07 - 0.09 - 0.25 - 0.50 - 0.65 - 0.66 - 0.55 - 0.23 - 0.35 - 0.32 - 0.

11 - 0.07 - 0.09 - 0.31 - 0.61 - 0.76 - 0.71 - 0.53 - 0.05 - 0.36 - 0.39 - 0.

12 - 0.07 - 0.09 - 0.35 - 0.68 - 0.82 - 0.70 - 0.47 0.12 - 0.36 - 0.43 - 0.

13 - 0.06 - 0.08 - 0.36 - 0.71 - 0.82 - 0.65 - 0.39 0.29 - 0.32 - 0.44 - 0.

14 - 0.05 - 0.07 - 0.35 - 0.68 - 0.76 - 0.56 - 0.27 0.43 - 0.27 - 0.42 - 0.

15 - 0.04 - 0.05 - 0.32 - 0.61 - 0.65 - 0.42 - 0.14 0.55 - 0.20 - 0.37 - 0.

16 - 0.02 - 0.02 - 0.26 - 0.50 - 0.50 - 0.26 0.00 0.63 - 0.11 - 0.30 - 0.

17 - 0.01 0.00 - 0.19 - 0.35 - 0.31 - 0.08 0.14 0.67 - 0.02 - 0.21 - 0.

18 0.01 0.02 - 0.10 - 0.19 - 0.10 0.10 0.27 0.66 0.08 - 0.10 - 0.

19 0.03 0.05 - 0.01 0.00 0.11 0.28 0.39 0.61 0.17 0.02 0.

20 0.05 0.07 0.09 0.18 0.32 0.44 0.47 0.51 0.24 0.13 0.

21 0.06 0.08 0.18 0.35 0.50 0.57 0.53 0.38 0.31 0.23 0.

22 0.07 0.09 0.25 0.50 0.65 0.66 0.55 0.23 0.35 0.32 0.

23 0.07 0.09 0.31 0.61 0.76 0.71 0.53 0.05 0.36 0.39 0.

24 0.07 0.09 0.35 0.68 0.82 0.70 0.47 - 0.12 0.36 0.43 0.

1 0.06 0.08 0.36 0.71 0.82 0.65 0.39 - 0.29 0.32 0.44 0.

2 0.05 0.07 0.35 0.68 0.76 0.56 0.27 - 0.44 0.27 0.42 0.

3 0.04 0.05 0.32 0.61 0.65 0.42 0.14 - 0.55 0.20 0.37 0.

4 0.02 0.02 0.26 0.50 0.50 0.26 0.00 - 0.63 0.11 0.30 0.

5 0.01 0.00 0.19 0.36 0.31 0.08 - 0.14 - 0.67 0.02 0.21 0.

6 - 0.01 - 0.02 0.10 0.19 0.10 - 0.10 - 0.27 - 0.66 - 0.08 0.10 0.

7 - 0.03 - 0.05 0.01 0.00 - 0.11 - 0.28 - 0.39 - 0.61 - 0.17 - 0.02 - 0.

8 - 0.05 - 0.07 - 0.09 - 0.18 - 0.32 - 0.44 - 0.47 - 0.51 - 0.24 - 0.13 - 0.

Figura 9 – transferência de calor através do modelo de referência em um instante de tempo qualquer

(densidade de fluxo de calor em W/m²).

Na Tabela 3 são apresentados os valores da densidade de fluxo de calor encontrados

para as superfícies internas e externas do modelo de referência e equivalente para um período

de 24h 00. A determinação da densidade de fluxo de calor foi obtida por meio da Equação ( 11 ),

uma vez que o programa QuickField fornece apenas resultados referentes ao fluxo de calor,

sendo necessária a divisão do fluxo de calor pela área da superfície analisada.

ϕ

Onde,

𝑞 = 𝑑𝑒𝑛𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑙𝑜𝑟 (𝑊/m²);

ϕ = 𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑙𝑜𝑟 (𝑊) ;

𝐴 = Á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑎 𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓í𝑐𝑖𝑒 𝑑𝑜 𝑚ó𝑑𝑢𝑙𝑜 (𝑚

2