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- PARTE SUMÁRIO
- I. A Ioga do Ocidente
- II. A Escolha de um Caminho
- III. O Método da Cabala
- IV. A Cabala Não-escrita
- V. A Existência Negativa
- VI. Otz Chiim, a Árvore da Vida
- VII. As Três Supremas
- VIII. Os Padrões da Árvore
- IX. As Dez Sephiroth nos Quatro Mundos
- X. Os Caminhos da Árvore
- XI. As Sephiroth Subjetivas
- XII. Os Deuses da Árvore
- XIII. O Trabalho Prático Sobre a Árvore
- XIV. Considerações Gerais PARTE II
- XV. Kether, a Primeira Sephirah
- XVI. Chokmah, a Segunda Sephirah
- XVII. Binah, a Terceira Sephirah
- XVIII. Chesed, a Quarta Sephirah
- XIX. Geburah, a Quinta Sephirah
- XX. Tiphareth, a Sexta Sephirah
- XXI. As Quatro Sephiroth Inferiores PARTE III
- XXII. Netzach
- XXIII. Hod
- XXIV. Yesod
- XXV. Malkuth
- XXVI. As Qliphoth
- XXVII. Conclusão
- I. Os Três Pilares e a Descida da Força DIAGRAMAS
- II. Os Três Triângulos
- III. A Árvore da Vida a os Trinta a Dois Caminhos
- Índice analítico
judaísmo foi a matriz da cultura espiritual européia, quando recordamos que tanto Jesus como São Paulo eram judeus. Nenhuma outra raça além da judia poderia ter fornecido a base para uma nova revelação, visto que nenhuma outra raça abraçava um credo monoteísta. O panteísmo e o, politeísmo tiveram seus dias de esplendor, mas uma nova cultura, mais espiritual, se tomou necessária. As raças cristãs devem sua religião à cultura judia, assim como as raças budistas do Oriente devem a sua à cultura hindu.
- O misticismo de Israel fornece os fundamentos do moderno ocultismo ocidental, a constitui o fundo teórico com base no qual se desenvolveram os rituais ocultistas do Ocidente. Seu famoso hieróglifo, a Árvore da Vida, é o melhor símbolo de meditação que possuímos, exatamente porque é o mais compreensível. S. Não é minha intenção escrever um estudo histórico sobre as fontes da Cabala, mas, antes, mostrar o emprego que dela fazem os modernos estudantes dos Mistérios. Embora as raízes de nosso sistema estejam na tradição; não há razão alguma para que esta nos escravize. Uma técnica empregada nos dias que correm é um processo que está em pleno desenvolvimento, pois a experiência de cada trabalhador a enriquece a se torna parte integrante da herança comum.
- Não devemos necessariamente seguir tais a tais atitudes ou manter tais a tais idéias apenas porque os rabinos que viveram antes de Cristo assim o determinaram. O mundo não deteve sua marcha na era dos rabinos, e vivemos hoje uma nova revelação. Mas o que era verdadeiro - em princípio no passado é verdadeiro - em princípio - na atualidade e, por conseguinte, de muito valor para nós. O cabalista moderno é o herdeiro da Cabala antiga, mas cabe-lhe reinterpretar a
doutrina a reformular o método à luz da revelação atual, caso queira extrair dessa herança algum valor prático para si.
- Não pretendo que os modernos ensinamentos cabalísticos, tal como os que aprendi, sejam idênticos aos dos rabinos pré-cristãos, mas afirmo que esses ensinamentos são os legítimos descendentes daqueles, constituindo o desenvolvimento natural que deles proveio.
- Quanto mais próxima estiver a nascente, mais pura será a água do rio. Para descobrir os princípios primeiros, devemos it à fonte-mãe. Mas um rio recebe muitos afluentes em seu curso, a estes não estão necessariamente poluídos. Se desejamos descobrir se a água desses afluentes é pura ou não, basta-nos compará-la com a corrente original; se ela passa por esse teste, da impede que se misture com as águas principais a aumente sua força. Ocorre o mesmo com uma tradição: o que não é antagônico deve ser assimilado: Devemos sempre testar a pureza de uma tradição no que respeita aos princípios primeiros, mas devemos igualmente julgar a vitalidade de uma tradição por sua capacidade de assimilação. Apenas a fé morta não recebe' fluências do pensamento contemporâneo.
- A corrente original do misticismo hebraico recebeu muitas adições. A sua culminação ocorreu entre os nômades adoradores de estrelas da Caldéia, onde Abraão, em sua tenda, rodeado pelos rebanhos, ouvia a voz de Deus. Mas Abraão defrontava-se também com um sombrio pano de fundo, em que vastas formas se moviam semidistintas. A misteriosa figura de um grande rei-sacerdote, "nascido sem pai, sem mãe, sem descendência, que não tinha nem princípio nem fim", concedeu-lhe a primeira ceia eucarística de pão a vinho após a batalha com os reis do vale, os sinistros reis de Edom, "que governaram antes que houvesse um rei em Israel, cujos reinos eram forças desorganizadas".
é puro cabalismo. Malkuth, o Reino, Hod, a Glória, Netzach, o Poder, constituem o triângulo básico da Árvore da Vida, tendo Yesod, o Fundamento ou Receptáculo de Influências, como ponto central. Quem formulou essa oração conhecia muito bem a Cabala.
- O esoterismo cristão baseia-se na Gnose, que, por sua vez, radica tanto no pensamento grego como no egípcio. O sistema pitagórico constitui uma adaptação dos princípios cabalísticos ao misticismo grego.
- A seção exotérica da Igreja Cristã,organizada pelo Estado, perseguiu a aniquilou a seção esotérica, destruindo-lhe toda a literatura a lutand0 por apagar da história humana a própria lembrança de uma doutrina gnóstica. Registra a história que as termas a as padarias de Alexandria foram fomentadas durante seis meses com os manuscritos retirados da grande biblioteca. Pouco nos restou da herança espiritual da sabedoria antiga. Tudo o que estava acima do solo foi arrancado, e é apenas com a escavação dos antigos monumentos encobertos pela areia que estamos começando a redescobrir-lhe os fragmentos.
- Só depois do século XV, quando o poder da Igreja começou mostrar sinais de fraqueza, ousaram os homens confiar ao papel a tradicional Sabedoria de Israel. Os eruditos declaram que a Cabala é uma fantasia medieval, pois não lhe podem traçar a sucessão desde os manuscritos primitivos. Mas aqueles que conhecem o sistema de trabalho das fraternidades esotéricas sabem que toda uma cosmogonia a toda uma psicologia podem !0, r ocultadas num hieróglifo que, para o não-iniciado, não tem qualquer sentido. Esses estranhos a antigos diagramas foram passados de geração para geração, e a explicação que os acompanha, transmitida apenas verbalmente, de modo que a verdadeira interpretação jamais se perdeu. Quando existia alguma dúvida quanto à explicação de algum
ponto abstruso, recorria-se ao hieróglifo sagrado, e a meditação sobre ele comunicava o que gerações de trabalho meditativo haviam nele infundido. Sabem muito bem os místicos que, se alguém medita sobre um símbolo ao qual a meditação do passado associou certas idéias, tal pessoa terá acesso a essas mesmas idéias, ainda que o hieróglifo jamais lhe tenha sido explicado por aqueles que receberam a tradição oral "da boca ao ouvido".
- A força temporal organizada da Igreja expulsou seus rivais de~e campo a destruiu-lhes os vestígios. Pouco sabemos das sementes que brotaram a logo foram cortadas durante a Idade Negra, mas o misticismo é inerente à raça humana e, embora a Igreja tenha destruído todas as raízes tradição em sua alma grupal, os espíritos devotos de seu próprio rebanho redescobriram a técnica da união entre a alma a Deus a desenvolveram uma ioga característica, estreitamente semelhante à ioga Bhakti do Oriente. A literatura do catolicismo é rica em tratados sobre teologia mística que relam uma familiaridade prática com os estados superiores de consciência,
embora apresentem uma concepção um tanto quanto ingênua da psicologia desse fenômeno, revelando assim a pobreza de um sistema que não dispõe da experiência fornecida pela tradição.
- A ioga Bhakti da Igreja Católica só é adequada àqueles cujo temperamento é naturalmente devocional a que descobrem no auto- sacrifício amoroso a sua expressão mais espontânea. Mas nem todos têm esse temperamento, e é uma pena que o Cristianismo não tenha outros sistemas a oferecer aos seus devotos. O Oriente, por ser tolerante, é sábio, a desenvolveu vários métodos ióguicos. Cada um desses métodos pode ser seguido com exclusão dos outros, sem que
informações dadas neste livro são exatas, ainda que, em certo aspecto, incompletas.
- Os Trinta a Dois Caminhos Místicos da Glória Oculta são sendas da vida, a aqueles que desejam desvendar-lhes os segredos não têm outra saída senão trilhá-los. Assim ~o eu própria fui treinada, todos os que desejam sujeitar-se à disciplina devem fazê-lo, a eu indicarei com prazer o caminho que todo aspirante sério deverá seguir.
II. A Escolha de um Caminho
- Nenhum estudante jamais realizará qualquer progresso no desenvolvimento espiritual se saltar de um sistema a outro, utilizando ora algumas afirmações do Novo Pensamento, ora alguns exercícios de respiração a posturas meditativas da ioga, para prosseguir depois com algumas tentativas nos métodos místicos de oração. Cada um desses sistemas tem o seu valor, mas esse valor só é real se o sistema é praticado integralmente. Representam eles os exercícios calistênicos da consciência, a têm por objetivo desenvolver gradualmente os poderes mentais. O seu valor não reside nos exercícios em si, mas nos poderes que despertarão se forem praticados com perseverança. Se decidimos empreender nossos estudos ocultos com seriedade a fazer deles algo mais do que leituras de entretenimento, devemos escolher nosso próprio sistema a perseverar nele até chegarmos, se não ao seu objetivo final, pelo menos a resultados práticos definitivos e à intensificação permanente da consciência. Uma vez isso alcançado, podemos, não sem vantagem, experimentar os métodos que foram desenvolvidos em outros Caminhos, a formar uma técnica a uma filosofia eclética; mas o estudante que pretende ser um eclético antes de ter obtido muita prática jamais será mais do que um diletante.
- Todo aquele que tem alguma experiência prática dos diferentes métodos do sistema espiritual sabe que o método deve ser adequado ao temperamento, devendo adaptar-se também ao grau de desenvolvimento do estudante. Os ocidentais, especialmente aqueles que preferem o Caminho oculto ao místico, buscam geralmente a iniciação num estágio de desenvolvimento espiritual que um guru oriental consideraria extremamente imaturo. Todo método que pretende ser adequado para o Ocidente deve ter em seus graus inferiores uma técnica que possa ser galgada como uma escada por esses estudantes que carecem de maturidade; instá-los a atingir imediatamente as alturas metafísicas é tarefa inútil na grande maioria dos casos, a que apresenta, ademais, o agravante de impedir o início no trabalho da senda.
- Para que um sistema de desenvolvimento possa ser aplicado no Ocidente, cumpre-lhe preencher certos requisitos bem definidos. Em primeiro lugar, a sua técnica elementar deve ser facilmente compreendida pelas mentes que não são absolutamente místicas. Em segundo lugar, as forças que essa técnica pôe em movimento a fim de estimular o desenvolvimento dos aspectos superiores da consciência devem ser suficientemente poderosas a concentradas para penetrar os organismos relativamente densos do ocidental médio, que é completamente incapaz de perceber vibrações sutis. Em terceiro lugar, como poucos europeus - devido ao dharma racial de desenvolvimento da matéria - têm a oportunidade ou a inclinação para levar uma vida reclusa, as forças empregadas devem ser manipuladas de tal maneira que permaneçam disponíveis durante os breves períodos que o homem ou a mulher modernos, no início do Caminho, roubam de suas atribuições diárias para se entregarem à prática. Ou seja, essas forças precisam ser manipuladas por meio de uma técnica que permita ao estudante concentrar-se a
nervoso peculiares, assim como outras raças, como a mongólica e a negra, foram dotadas de outros tipos.
- É insensato aplicar a um tipo de constituição psicofísica os métodos de desenvolvimento adaptados a outro organismo, pois esses métodos não produzirão os resultados adequados ou produzirão resultados imprevistos e, com toda probabilidade, possivelmente indesejáveis. Dizer isso não é condenar os métodos ocidentais, nem menosprezar a constituição ocidental, que é como Deus a fez, mas reafirmar o velho adágio de que "mel para um, veneno para outro".
- O dharma do Ocidente difere do dharma oriental. Será, portanto, aconselhável tentar implantar os ideais orientais num homem ocidental? A fuga ao plano terrestre não é a sua linha de progresso. O ocidental normal e são não deseja escapar da vida; seu objetivo é conquistá-la a dar-lhe ordem e harmonia. Só os tipos patológicos desejam "morrer à meia-noite, sem dor", libertando-se da roda do nascimento a da morte; o temperamento ocidental normal deseja "vida, mais vida".
- É essa concentração da força vital que o ocultista ocidental busca em suas operações. Ele não tenta escapar da matéria refugiando-se no espírito a deixando a terra inconquistada atrás de si arrumar-se como puder, mas procura, antes, trazer a Divindade até a humanidade a fazer a Lei Divina reinar até mesmo sobre o Domínio das Sombras. É esse o motivo que justifica a aquisição dos poderes ocultos no Caminho da Mão Direita, e que explica por que os iniciados não abandonam tudo em favor da União Divina, mas cultivam a Magia Branca.
- A Magia Branca consiste na aplicação de poderes ocultos para fins espirituais e é ela que propicia boa parte do treinamento a do desenvolvimento do aspirante ocidental. Conheço alguma coisa a
respeito de muitos sistemas e, em minha opinião, a pessoa que tenta renunciar ao cerimonial trabalha com grande desvantagem. O desenvolvimento que se obtém no Ocidente por meio apenas da meditação é um processo lento, pois a substância mental sobre a qual se tem de operar e a atmosfera mental na qual o trabalho se deve cumprir são muito resistentes. A única escola de ioga ocidental puramente meditativa é a dos quacres, a penso que eles concordam em que seu caminho se destina a poucos: a Igreja Católica combina a ioga mântrica com a ioga Bhakti.
- É por meio das fórmulas que o ocultista seleciona a concentra as forças com as quais deseja operar. Essas fórmulas baseiam-se na Árvore Cabalística da Vida, a seja qual for o sistema com que esteja trabalhando, seja imaginando as formas de Deus do Egito, seja evocando a inspiração lacchus com cantos a danças, o ocultista tem o diagrama da Árvore no fundo de sua mente. É por meio do simbolismo da Árvore que os iniciados ocidentais se disciplinam, a esse diagrama fornece a estrutura essencial de classificação à qual todos os outros sistemas podem ser referidos. O Raio sobre o qual o aspirante do Ocidente trabalha manifestou-se em diversas cultural e desenvolveu uma técnica característica em cada uma delas. O iniciado moderno opera um sistema sintético, utilizando, às vezes, um método egípcio e, noutras, um método grego ou mesmo druida, pois esses diferentes sistemas estão mais bem adaptados aos seus diferentes propósitos a condições. Em todos os casos, contudo, a operação que realiza está estreitamente relacionada com os Caminhos da Árvore, em que é mestre. Se possui o grau que corresponde à Sephirah Netzach, ele pode operar com a manifestação da força desse aspecto da Divindade (conhecida pelos cabalistas sob o nome de Tetragrammaton Elohim), seja qual for o sistema que tenha escolhido. No sistema egípcio, seria a Isis da Natureza; no grego, Afrodite; no
resumo, a Árvore da Vida é um compêndio de ciência, psicologia, filosofia a teologia.
- O estudante da Cabala trabalha de maneira exatamente oposta à do estudante das ciências naturais: este formula conceitos sintéticos; aquele analisa conceitos abstratos. Não é preciso dizer, contudo, que, para se analisar um conceito, ele deve antes ser integrado num sistema. Alguém deve, por conseguinte, ter imaginado os princípios que estão resumidos no símbolo sobre o qual incide a meditação do cabalista. Quais foram os primeiros cabalistas que idearam todo o esquema? Os rabinos são unânimes quanto a esse ponto: foram os anjos. Em outras palavras, foram seres de outra ordem de criação, diferente da humana, que conferiram ao povo eleito a sua Cabala.
- Para a mente moderna, isso pode parecer uma afirmação tão absurda quanto a doutrina de que são as cegonhas que trazem os bebês. Mas, se estudarmos os vários sistemas místicos à luz da religião comparada, descobriremos que todos os illuminati estão de acordo quanto a esse ponto. Todos os homens a mulheres que tiveram experiências práticas da vida espiritual afirmam que foram adestrados pelos seres divinos. Seríamos muito tolos se negássemos testemunhos tão numerosos, especialmente aqueles de nós que nunca tiveram qualquer experiência pessoal dos estados superiores de consciência.
- Dirão alguns psicólogos que os anjos dos cabalistas a os deuses e manus de outros sistemas são os nossos próprios complexos reprimidos; outros, de visão menos estreita, afirmarão que esses seres divinos são as capa- cidades latentes de nosso próprio eu superior. Para o místico devocional, essa é uma questão que lhe interessa muito pouco; ele obtém resultados, e apenas isso lhe importa; mas o místico filósofo, ou, em outras palavras, o ocultista, faz reflexões sobre a matéria a
chega a certas conclusões. Estas, contudo, só podem ser entendidas quando sabemos com exatidão o que entendemos por realidade a quando temos uma clara linha de demarcação entre Q subjetivo e o objetivo. Todo aquele que está familiarizado com o método filosófico conhece a dificuldade de estabelecer esses pontos. S. As escolas indianas de metafísica têm sistemas filosóficos muito elaborados a complexos que procuram definir essas idéias a torná-las concebíveis; e, embora gerações de videntes tenham dedicado suas vidas a essa tarefa, os conceitos permanecem ainda tão abstratos que só depois de um longo curso de disciplina, que no Oriente se chama ioga, toma-se a mente capaz de compreendê-los.
- O cabalista trabalha de maneira diversa. Ele não tenta elevar a mente nas asas da metafísica até atingir o ar rarefeito da realidade abstrata; ele formula um símbolo concreto que o olho pode ver, a com ele representa a realidade abstrata que nenhuma mente humana pode conceber.
- É esse, exatamente, o mesmo princípio da álgebra. Que x represente a quantidade desconhecida, y a metade de x, e z algo que conhecemos. Se começarmos por fazer experiências com y e descobrirmos sua relação com z, y deixará em breve de ser totalmente desconhecido; teremos descoberto pelo menos algo a respeito dele; e, se formos suficientemente hábeis, poderemos, no final, expressar y nos termos de z, a assim começarmos a entender x.
- Existem muitos símbolos que são empregados como objetos de meditação; a cruz, na cristandade; as formas de Deus no sistema egípcio; os símbolos fálicos em outras fés. O iniciado utiliza esses símbolos como meios para concentrar a mente a nela introduzir certos pensamentos, evocando determinadas idéias a estimulando determinados sentimentos. O iniciado, contudo, utiliza de modo diverso o sistema simbólico; ele o utiliza como uma álgebra, por meio
inimaginável quanto a matemática para uma criança que não consegue resolver suas contas, chega ao limiar de nossa compreensão. Pensando sobre uma coisa, formamos conceitos sobre ela.
- Parece verdade que o pensamento se originou da linguagem, não a linguagem do pensamento. Aquilo que as palavras são em relação ao pensamento, os símbolos o são no que respeita à intuição. Por mais curioso que possa parecer, o símbolo precede a elucidação; é por isso que afirmamos, no início desta obra, que a Cabala é um sistema em desenvolvimento, não um monumento histórico. Temos hoje muito mais coisas a extrair dos símbolos cabalísticos do que nos tempos da antiga revelação, pois nosso conteúdo mental é mais rico em idéias. Por exemplo, muito mais rica é hoje para o biólogo a Sephirah Yesod, na qual operam as forças do crescimento a da reprodução, do que o era para o antigo rabino. A Esfera da Lua resume tudo que se refere ao crescimento e à reprodução. Mas essa Esfera, tal como é representada na Árvore da Vida, localiza-se nos Caminhos que conduzem a outras Sephiroth; por conseguinte, o cabalista biólogo sabe que deve haver certo relacionamento definido entre as forças resumidas em Yesod a as forças representadas pelos símbolos consignados a esses Caminhos. Meditando sobre esses símbolos, ele obtém vislumbres de relações que não se revelariam quando se considera apenas o aspecto material das coisas; e, quando ele tenta trabalhar esses vislumbres no material de seus estudos, descobre que aí se ocultam indícios importantes. Dessa maneira, na Árvore, uma coisa leva a outra, e a explicação das causas ocultas surge das proporções a das relações dos vários símbolos individuais que compõem esse poderoso hieróglifo sintético.
- Cada símbolo, ademais, admite diferentes interpretações nos diferentes planos e, por meio de suas associações astrológicas, pode ele ser referido aos deuses de qualquer panteão, abrindo, assim, novos a vastos campos de aplicação, nos quais a mente viaja sem descanso, pois um símbolo leva a outro numa cadeia contínua de associações, a ambos se confirmam mutuamente, da mesma maneira como os fios de muitos ramos se reúnem num hieróglifo sintético, sendo cada símbolo passível de interpretação nos termos de qualquer plano em que a mente possa estar funcionando.
- Esse poderoso a abrangente hieróglifo da alma humana a do Universo, graças à associação lógica de símbolos, evoca imagens na mente; essas imagens, porém, não se desenvolvem ao acaso, mas seguem uma linha de associações bem definidas na Mente Universal. O símbolo da Árvore é, para a Mente Universal, o que o sonho é para o eu individual - um hieróglifo sintético, oriundo da subconsciência, que representa as forças ocultas.
- O universo é, na realidade, uma forma mental projetada pela mente de Deus. A Árvore Cabalística pode ser comparada a uma imagem onírica que surge da subconsciência de Deus a dramatiza o conteúdo subconsciente da Divindade. Em outras palavras, se o universo é o produto final da atividade da mente do Logos, a Árvore é a representação simbólica do material rude da consciência divina a dos processos pelos quais o universo veio à existência.
- Mas a Árvore não se aplica apenas ao Macrocosmo, a sim, também, ao Microcosmo, que, como sabem todos os ocultistas, é uma réplica em miniatura daquele. Eis a razão por que a adivinhação é possível. Essa arte tão pouco compreendida a tão caluniada tem por base filosófica o Sistema de Correspondências representado pelos símbolos. As correspondências entre a alma humana e o universo não são arbitrárias, mas surgem de identidades em desenvolvimento.