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Marcelo s. Pimenta discute a importância da área de ihc na era da ubiquidade da computação e os desafios que surgem para desenvolvedores, designers e usuários. Ele destaca a necessidade de entendimento dos usuários e soluções tecnológicas adequadas, além da importância de escolher um tema de pesquisa com interesse e paixão. O texto fornece orientações para estudantes iniciando pesquisa em ihc.
Tipologia: Resumos
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Marcelo S. Pimenta^1
Faz tempo que a computação não se restringe mais a computadores convencionais. E uma das áreas protagonistas desta mudança é a área de IHC. A ubiquidade da computação em equipamentos diferentes do convencional computador desktop - a computação está hoje presente em dispositivos móveis à sua mão ou no seu bolso, em aplicativos nas nuvens, e em lugares antes impensados - foi ao mesmo tempo causa e consequência de muito trabalho de pesquisa e experimentação com novas interfaces, novas formas de interação, novas experiências do usuário. E não me refiro apenas aos aspectos tecnológicos… Embora todo o avanço em novos dispositivos, arquiteturas e plataformas de suporte seja muito importante, a meu ver a grande contribuição da IHC é na atitude, ou seja, na ampliação da consciência de desenvolvedores, designers e ate de usuários de que IHC foca em mais do que em melhorias estéticas ou de desempenho.
Todos somos capazes de perceber como e com que rapidez a importância de IHC se expandiu nos últimos anos. No início dos anos 90, a Web ainda não tinha surgido e dispositivos móveis (smartphones, tablets, etc.) e sem fio ainda eram um sonho. Hoje tudo mudou. A tecnologia avançou tão rapidamente que os desenvolvedores se deparam com um maior ecletismo em termos de usuários, tecnologias, ambientes, atividades e espaços que servem ao mesmo tempo de recurso e de restrição ao sistema interativo sendo construído. Em muitas situações é no uso de sistemas interativos que passamos grande parte de nosso tempo, seja no trabalho ou no lazer, no escritório, na rua, ou em casa.
A meu ver, o principal estímulo para a realização de pesquisa em IHC é ter uma atitude de centrar a atenção nos elementos essenciais envolvidos: um entendimento dos usuários e suas necessidades e uma compreensão das soluções tecnológicas que podem servir de apoio às atividades destes usuários, levando em consideração o contexto onde isto se realiza.
Se você está iniciando uma pesquisa na área de IHC, provavelmente seu (sua) orientador(a) deve ter lhe ajudado a delimitar o escopo de sua pesquisa e a estabelecer os seus objetivos... Você deve ter aprendido que sua pesquisa deve procurar respostas às seguintes perguntas:
Pergunta 1) Qual é a questão/problema a ser resolvida(o)?
Pergunta 2) Esta questão é relevante e significativa?
1 Instituto de Informática – UFRGS – Porto Alegre/RS. [email protected]
Então você quer fazer pesquisa em IHC?
CI • Volume 9 • Número 1 • 2016 23
Pergunta 3) Como a proposta do trabalho se posiciona em relação a outros trabalhos?
Pergunta 4) O trabalho desenvolvido resolveu o problema adequadamente?
Orientadores em geral são competentes para auxiliar os seus orientandos a conduzir o trabalho de forma a responder o mais adequadamente possível estas perguntas.
Mas o mais importante conselho que eu daria a um(a) aluno(a) que estivesse começando seu mestrado/doutorado é : Escolha um tema em que você acredite e pelo qual você se apaixone! Por mais relevante que um tópico de pesquisa seja para a comunidade e mesmo para seu(sua) orientador(a), o essencial é que o(a) aluno(a) goste do que está estudando, que os olhos brilhem quando fala a respeito, que o(a) próprio(a) aluno(a) esteja convencido de que este tópico é importante e maravilhoso de ser investigado e assim o trabalho será mais prazeroso... Na verdade, não acredito em trabalhos cujo tema é imposto pelo orientador ao aluno(a). O(A) aluno(a) precisa "comprar" a ideia, e assumi-la como o "seu" tema de pesquisa. Falo por experiência como aluno e como orientador. Meus melhores trabalhos de pesquisa e as melhores teses e dissertações que tive o prazer de orientar seguiam esta premissa.
Marcelo Soares Pimenta é professor titular do Instituto de Informática (INF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil. Doutor em Informática pela Université Toulouse 1, França (1997). Bolsista de Produtividade do CNPq. Desde 1998, atua em grupos de pesquisa multidisciplinares no PPGC-Ufrgs, pesquisando e orientando nas áreas de Interação Humano- Computador, Computação Musical e Engenharia de Software, com ênfase na integração entre estas áreas.