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combate ao tabagismo
Tipologia: Notas de estudo
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2 edição
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o
1.a A Prevenção Primária do Câncer sob a ótica da Promoção da Saúde
A maioria dos casos de câncer está relacionada a fatores ambientais. As mudanças provocadas no meio ambiente pelo homem e as escolhas de diferentes estilos de vida e de consumo podem aumentar ou diminuir o risco de câncer. O conhecimento científico atual eviden- cia que o tipo de alimentação, um estilo de vida sedentário, o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a exposição excessiva ao sol sem proteção, o ambiente ocupacional e comportamentos sexuais podem estar relacionados em maior ou menor grau com o desenvolvi- mento de determinados tipos de câncer (WHO, 1993). Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 30% dos casos de câncer poderiam ser evitados através da sua prevenção primária. Essa constatação mostra, portanto, que muito pode ser feito para a prevenção primária do câncer.
1.b O Tabagismo
Dentre os fatores de risco de câncer até hoje conhecidos, o tabagismo tem merecido uma abordagem diferenciada por se tratar também de uma doença. Uma doença gerada por uma dependência, a dependência de nicotina. Em 1988, o Ministério da Saúde dos Estados Unidos publicou um amplo relatório sobre estudos que comprovam a capacidade do tabaco de causar dependência (U.S. Surgeon Gene- ral , 1988). Nesse relatório, o Ministério da Saúde dos Estados Unidos, concluiu que:
Em 1993, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a incluir o tabagismo no grupo dos transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas na Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (Slade 1993, OMS, 1997). Hoje, o tabagismo é amplamente reconhecido como uma doença resultante da depen- dência de nicotina, que obriga os usuários dos produtos de tabaco a se exporem continuamente a cerca de 4.700 substâncias tóxicas, sendo 60 delas cancerígenas para o homem e, assim, a contraírem outras doenças limitantes e fatais (IARC 1987; Dube and Green, 1982; US National Health Institute, Monograph 9 ). Milhares de estudos até o momento acumulados evidenciam o uso do tabaco como fator causal de quase 50 doenças diferentes, destacando-se as doenças cardiovasculares, o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas (WHO, 1996; Doll, 1994; U.S. Surgeon General, 1989; Rosemberg, 2002). Esses estudos mostram que ao consumo de tabaco podem ser atri- buídas: 45% das mortes por doença coronariana (infarto do miocárdio), 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema), 25% das mortes por doença cérebro-vascular (derrames) e 30% das mortes por câncer. É importante enfatizar que 90% dos casos de câncer de pulmão ocorrem em fumantes, o que mostra a forte correlação dessa doença com o tabagis- mo Devido à toxidade do tabaco, o total de mortes decorrentes de seu uso é atualmente cerca de 5 milhões ao ano e se tais tendências de expansão forem mantidas, as mortes causa- das pelo uso de tabaco alcançarão 8,4 milhões/ano em 2020, especialmente, em indivíduos na idade produtiva (35-36) (WHO, 2001). No Brasil, são estimadas cerca de 200 mil mortes/ano em conseqüência do tabagismo (OPAS, 2002).
1.c A tendência de consumo do tabaco
No Mundo Apesar de todo o conhecimento científico acumulado sobre os riscos do tabaco, as ten- dências de seu consumo são preocupantes. No início da década de 90, cerca de 1,1 bilhão de indivíduos usavam tabaco no mundo. Em 1998, esse número já atingia a cifra de 1,25 bilhões (WHO, 2001). Nesse cenário, são especialmente preocupantes as tendências de consumo entre mu- lheres e jovens, uma vez que as companhias de tabaco têm procurado dirigir, de forma crescen- te, suas estratégias de marketing para esses grupos sociais. De forma geral, cerca de 9% das mulheres dos países em desenvolvimento e cerca de 22% das mulheres dos países desenvolvidos fumam cigarros. Além disso, segundo dados do Banco Mundial, quase 100 mil jovens começam a fumar a cada dia no mundo inteiro – destes, mais de 80 mil são jovens de países em desenvolvimento. A idade média de iniciação no tabagismo é de 15 anos, e cerca de 70% dos que experimentam tornam-se dependentes do tabaco. Esses dados fizeram com que a OMS passasse a considerar o tabagismo uma doença pediátrica (World Bank, 1999).
No Brasil O Ministério da Saúde, por meio do INCA e do CENEPI, inicia este ano uma nova pesqui- sa sobre saúde e estilo de vida em âmbito nacional, através da qual será obtido um perfil atualizado da prevalência de tabagismo no Brasil. Em 1989, uma pesquisa realizada (Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição – PNSN) mostrou que 32,6% da população acima de 15 anos eram fumantes. Existem perto de 28 mi- lhões no grupo acima de 15 anos, entre eles, 16,7 milhões eram homens e 11,2 milhões de mulheres (MS,1998). Desde então, os dados de prevalência têm sido coletados por intermédio de uma unidade de métodos e instrumentos e envolvendo diferentes grupos, o que dificulta a avaliação da prevalência de fumantes no País. Por outro lado, em 2001, uma pesquisa realizada com 2.479 pessoas no município do Rio de Janeiro (MS/INCA, 2002 b) mostrou que a prevalência foi reduzida de 30% em 1989 para 21% em 2001. Por outro lado, a evolução do consumo per capita de cigarros já sugere uma importante tendência de redução no consumo de tabaco no Brasil. Entre 1989 e 2000, o consumo per capita caiu de 1.772 em 1989 para 1.197 em 2000, significando uma queda de 31% (ver tabela no Anexo).
1.d Determinantes sociais do consumo de derivados do tabaco
Hoje o tabaco é a segunda droga mais consumida entre os jovens, no mundo e no Brasil. Isso provavelmente se deve à forma como o seu consumo se insere na sociedade. Fatores que facilitam a obtenção do produto, o seu baixo preço, somados a atividades de promoção e publi- cidade associando-o a imagens de beleza, sucesso, liberdade, poder, inteligência e outros atri- butos desejados especialmente pelos jovens, durante anos criaram uma aura de aceitação soci- al e de imagem positiva do comportamento de fumar. O sucesso dessas estratégias é traduzido no fato de que 90% dos fumantes começam a fumar até os 19 anos de idade. Portanto, para um efetivo controle do tabagismo é preciso que se entenda que o proble- ma tabagismo envolve questões que não se limitam ao indivíduo fumante. A problemática é resultante de todo um contexto social, político e econômico que historicamente tem favorecido que indivíduos comecem a fumar e dificultado outros a deixarem de fumar. Dessa forma, é preciso abordar todo o contexto que está por trás do problema.
1.e A liberalização do comércio como determinante da expansão global do consumo de tabaco
Embora o consumo de cigarros venha caindo na maioria dos países desenvolvidos, o seu consumo global aumentou em torno de 50% de 1975 a 1996. Ele tem crescido muito rapida- mente em países em desenvolvimento, em particular na Ásia. Hoje, a China é o maior consumi- dor de tabaco, respondendo por 30% de todo o consumo mundial. Em contraste com o que ocorre nos países desenvolvidos, os movimentos para o controle do tabaco e políticas fortes para controle do tabagismo são incipientes em muitos desses países (World Bank, 1999; WHO, 2001). Estudos do Banco Mundial mostram que a liberalização de comércio e a abertura de mercados têm sido importantes fatores para esse cenário e, portanto, determinantes do aumen- to de consumo de tabaco, particularmente nos países de baixa e média renda. Como isso ocor- re? Nos últimos anos, os acordos internacionais de comércio liberaram essa atividade para muitos bens e serviços em todo o mundo. Os cigarros não foram exceção, muito embora não possamos considerá-los um bem, já que não trazem nenhum benefício para quem os consome. A liberalização do comércio promoveu o desaparecimento de barreiras aduaneiras, aumentou a competitividade dos produtos do tabaco, especialmente dos cigarros, levando a uma queda em seus preços e a um aumento das atividades de publicidade e promoção dos mesmos. Dessa forma, a globalização da economia contribuiu para que as grandes companhias transnacionais de tabaco passassem a dirigir os seus esforços de expansão para países com baixo custo de produção e com um elevado potencial de consumo. A globalização justifica a grande expansão de mercado em países do Leste Europeu, da América Latina, da Ásia e da África nos últimos anos. Foi assim que países como o Japão, Tailândia e Taiwan, após a entrada das grandes transnacionais de cigarros nos seus mercados internos, experimentaram um importante aumen- to de consumo de cigarros (World Bank, 1999). Por isso, reconhecendo a expansão do consumo do tabaco como um problema global, em maio de 1996, a 49ª Assembléia Mundial da Saúde – órgão diretor supremo da Organização Mundial de Saúde (OMS), composta pelos representantes de 190 Estados Membros - adotou uma Resolução solicitando ao Diretor Geral que iniciasse a elaboração de uma Convenção- Quadro para o Controle do Tabagismo, de acordo com o artigo 19 da Constituição da OMS. Tratar-se-á da primeira Convenção Internacional adotada pela OMS. Uma Convenção-Quadro é um instrumento legal, sob a forma de um tratado internacio- nal, no qual os Estados signatários concordam em empreender esforços para alcançar os objetivos definidos. Neste caso, particularmente, o objetivo é o controle da expansão global do consumo de tabaco e de suas conseqüências deletérias (WHO, 1998).
A constatação de que só é possível se adotar um estilo de vida saudável quando se conta com informações, oportunidades e motivação para fazê-lo, torna evidente a necessidade de ações para socializar esse conhecimento, e para criar um contexto social favorável que, ao mesmo tempo em que estimule e motive a população a adotar hábitos saudáveis, proteja-a também das exposições involuntárias a fatores de risco de câncer. Portanto, é sob a ótica da Promoção da Saúde que o Instituto Nacional de Câncer, órgão do Ministério da Saúde responsável pela Política Nacional de Controle do Câncer, coordena as ações nacionais do Programa de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer desenvolvidas em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, entre outros setores sociais. Para a promoção de estilos de vida saudáveis visando a prevenção do câncer, o Progra- ma de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer tem procurado atuar através do desenvolvimento de ações educativas, legislativas e econômicas.
Medidas Legislativas Medidas Econômicas
Vigilância
Descentralização
Medidas Educativas (Unidades Escolares, Unidades de Saúde e Ambientes de Trabalho)
Através do Programa, o Ministério da Saúde/ INCA vem investindo em ações para promo- ver mudanças positivas de comportamento que contribuam para reduzir na população a exposi- ção a fatores de risco de câncer. No âmbito dessas ações destacam-se as dirigidas ao controle do tabagismo, a promoção de atividade física e de alimentação saudável e de moderação na exposição à radiação solar. As ações para promover a alimentação saudável e a atividade física, assim como a moderação da exposição à radiação solar, têm acontecido mais em termos de campanhas. No entanto, o programa tem investido esforços para incorporar métodos de inter- venções educativas em unidades de saúde, ambientes de trabalho e escolas nos mesmos mol- des do que tem sido feito no âmbito do Programa Nacional de Controle do Tabagismo que será enfatizado a seguir. Desse ponto em diante estará sendo abordado apenas o Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Como já mencionado, isso se deve a especificidade desse fator e ao fato de ter sido o primeiro fator abordado pelo programa de prevenção do câncer, gerando um modelo aplicável na promoção de outros comportamentos e estilos de vida, como hábitos alimentares e atividade física.
O Programa Nacional de Controle do Tabagismo sistematiza quatro grandes grupos de estratégias: o primeiro, voltado para a prevenção da iniciação do tabagismo, tendo como público alvo, crianças e adolescentes; o segundo, envolvendo ações para estimular os fuman- tes a deixarem de fumar; e um terceiro grupo onde se inserem medidas que visam proteger a saúde dos não fumantes da exposição à fumaça do tabaco em ambientes fechados; e, por fim, medidas que regulam os produtos de tabaco e sua comercialização.
Com esses objetivos, o Programa foi delineado visando sistematizar ações educativas e mobilizar ações legislativas e econômicas, de forma a criar um contexto que:
Controle do Tabagismo e outros Fatores de Risco de Câncer
Além disso, para atingir todo o País, o Programa buscou criar uma base geopolítica para que essas ações pudessem acontecer de modo eqüitativo em todo o território nacional. Atualmente, o Programa conta com uma rede de parcerias governamental e não governamental em âmbito nacional.
2.a Ações educativas: campanhas e disseminação na mídia
O Programa Comunidade Livre de Tabaco conta com duas datas comemorativas, o Dia a Mundial sem Tabaco (31 de maio) e o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), ambas articuladas pelo Ministério da Saúde/INCA em todo o Brasil. A primeira tem como objetivo divulgar e promover no Brasil ações relacionadas ao tabagismo e seus diferentes aspectos. Para esse fim, a OMS define a cada ano um tema para que todos os países o divulguem. A segunda tem como objetivo atingir os jovens através de temas como “Esporte sem Cigarro é mais Radical” ou “Arte sem Cigarro é um Show”. Outras ações envolvem a disseminação de informações pela mídia. Com esse objetivo, a rede de gerências do Programa, que será abordada adiante, vem se consolidando como refe- rência para o tema no Brasil. Dessa forma, tem sido possível fazer articulações com a mídia para divulgação de ações e de fatos que contribuam para o controle do tabagismo em todo o território nacional. Outro grupo de ações pontuais envolve o estímulo e apoio a eventos como congressos, seminários, feiras de saúde e outros que tenham o potencial de levar informações atualizadas sobre o tema à comunidade. Para esse fim, o Programa conta com uma série de materiais educativos como folhetos, livretos e cartazes que podem ser distribuídos ao público. Também conta com outros recursos para chamar a atenção da população durante essas atividades, tais como a boneca que fuma e permite ao público observar através de seu corpo transparente a impregnação do alcatrão, e o monoxímetro para medição de monóxido de carbono em fuman- tes. A exposição “Enxergando através da Fumaça” vem sendo exibida em diversas cidades do País e envolve uma estrutura que agrega exposição de pôsteres, cartazes, vídeos e esculturas mostrando órgãos danificados pelo tabagismo. Através destes eventos são divulgados de forma contundente os diversos malefícios do tabagismo.
2.b Ações informativas/educativas contínuas:
Como já mencionado, as ações contínuas através de canais comunitários (Unidades de Saúde, Escolas e Ambientes de Trabalho) objetivam manter um fluxo contínuo de informações sobre o tabagismo, seus riscos para quem fuma e os riscos da poluição tabagística ambiental para todos que convivem com ela. Além da disseminação contínua de informações, são desen- volvidas intervenções nesses micro ambientes, a fim de que sejam geradas oportunidades e motivações para mudanças de comportamento dos grupos que fazem parte desses canais. Os três canais comunitários foram eleitos para esse trabalho acima citados por terem uma ampla interação com a comunidade e por contarem com importantes formadores de opi- nião, como professores, alunos e profissionais de saúde:
Controle do Tabagismo e outros Fatores de Risco em AMBIENTES DE TRABALHO: PROGRAMA PREVENÇÃO SEMPRE Esse programa atua de forma sistemática com profissionais da área de saúde ocupacional e outros atores-chave das organizações empresariais, para tornar o ambiente de trabalho livre da poluição tabagística ambiental e reduzir o número de funcionários fumantes através do apoio
têm estimulado pessoas a deixarem de fumar. De forma geral, essas ações contribuíram para uma redução na aceitação social do tabagismo, criando uma crescente demanda para cessação de fumar. As campanhas estimulam as pessoas a deixarem de fumar ao mesmo tempo em que informam sobre estratégias para deixar de fumar. A progressiva implantação dos programas ambientes livres de tabaco em escolas, unidades de saúde e ambientes de trabalho por sua vez têm estimulado pessoas a deixarem de fumar. De forma geral, essas ações contribuíram para uma redução na aceitação Para atender essa demanda incorporou-se ao PNCT o Programa Cessação de Fumar eu envolve ações sistemáticas e específicas, visando aumentar o acesso do fumante aos mé- todos eficazes para cessação de fumar, e assim atender a uma crescente demanda de fumantes que buscam algum tipo de apoio para esse fim. Esse programa envolve diversas ações:
2.d A integração do Programa em nível nacional
Através de um longo processo de sensibilização dos níveis decisórios da área de saúde, a partir de 1996, o Programa de Controle do Tabagismo passou a fazer parte oficial da agenda de ações prioritárias do Ministério da Saúde. Da mesma forma, um processo de sensibilização de gestores de saúde no nível estadual e municipal tem contribuído para o crescente interesse no Programa pelas diversas instâncias governamentais da área de saúde.
Construindo uma rede de gerências descentralizadas
Considerando a dimensão continental do Brasil e as grandes dificuldades geradas pelas diferenças regionais que envolvem ângulos sócio-econômicos e culturais, o Programa tem in- vestido em estratégias para a descentralização das ações segundo a lógica do SUS. Nessa direção, o passo decisivo foi o fortalecimento de uma base geopolítica através da qual pudesse ser articulada uma rede de núcleos gerenciais nas secretarias de saúde estaduais, regionais e municipais para a expansão dessas ações de forma eqüitativa e racional em todo o País. Através da organização e articulação dessa rede nacional para gerenciamento regional do programa, as ações para o controle do tabagismo vêm sendo descentralizadas. A construção dessa rede de gerências descentralizadas teve início a partir de 1996 e envolveu várias etapas:
Estaduais de Saúde se estruturassem e se preparassem para todo um processo de descentralização de gerência de ações educativas (campanhas, ações em unidades de saú- de, escolas e ambientes de trabalho, tratamento do fumante) para as Secretarias Municipais de Saúde. O INCA tem o papel de acompanhar a evolução das ações previstas no Plano de Trabalho dos estados visando avaliar a efetivação das obrigações pactuadas no convênio.
A continuidade do convênio vem permitindo a expansão dessa rede de parcerias. A organização dessa rede inicia-se com um processo de capacitação de recursos huma- nos para gerenciamento do programa nos estados e municípios. Dessa forma, em cada Secre- taria Estadual de Saúde existe uma coordenação estadual do Programa que é responsável por municipalizar as ações. Cabe a cada coordenação estadual a responsabilidade pelo processo de capacitação de recursos humanos das Secretarias Municipais de Saúde do seu Estado. O material para essa capacitação é repassado pelo INCA para os estados, mediante o envio de dados referentes aos municípios que foram capacitados, e aos canais (escolas, unidades de saúde, e ambientes de trabalho) onde o programa está sendo implantado. Por sua vez, as coordenações municipais apoiadas pelas coordenações estaduais e pelo INCA/Ministério da Saúde são responsáveis pelo desenvolvimento das ações educativas pontu- ais e contínuas (escolas, unidades de saúde e ambientes de trabalho) nos seus municípios. Cada representante, estadual ou municipal, é designado pelo Secretário de Saúde e pode estar inserido no organograma das secretarias, na Divisão de Doenças Crônico- Degenerativas, Programa de Saúde da Família, Saúde do Trabalhador, entre outros programas. As atividades incluem articular as campanhas e outras ações pontuais, estimular, orientar e assessorar as unidades de saúde, empresas e escolas na implantação do Programa, estimular legisladores a criarem leis municipais que reduzam a exposição da população aos principais fatores de risco de câncer, assim como avaliar e monitorar a implantação do programa no muni- cípio.
Responsabilidades na rede de gerenciamento do programa
A atuação através de uma gerência descentralizada, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, permite a criação de uma rede de informações e de implementação de ações para o controle do tabagismo e de outros fatores de risco, com uma atribuição de competências assim distribuída:
Gestor Federal
Apoiar as Secretarias Estaduais de Saúde - SES, na estruturação de coordenações do Programa em nível estadual;
Coordenar, articular e facilitar, em parceria com as coordenações em nível estadual, as ações de controle do tabagismo e de outros fatores de risco em nível nacional;
Gestor Estadual
Designar oficialmente, estimulado pelo Gestor Federal, recursos humanos para execução das ações do programa no estado;
Definir a inserção do Programa Estadual no organograma das SES;
Providenciar a infra-estrutura básica necessária ao desenvolvimento do programa;
Elaborar programação de ações anuais, consonantes com o Plano de Trabalho previsto no convênio, com definição de metas, custos e cronograma detalhado, a fim de facilitar a obten- ção de recursos financeiros e apoio político, em nível federal, para as ações estaduais;
Articular a implementação do Programa Ambiente Livre de Tabaco nas dependências de todos os escritórios ou serviços ligados à SES;
Identificar lideranças: busca ativa da participação dos municípios no Programa, levando em consideração a estruturação do SUS em cada estado;
Multiplicar o curso de capacitação para gerenciamento do Programa para recursos humanos oficialmente indicados pelas Secretarias Municipais de Saúde. OBS: Se a rede estadual de saúde estiver organizada em regionais, a descentralização da gerência deve respeitar a lógica organizacional do estado.
Apoiar as coordenações municipais na capacitação de recursos humanos de unidades de saúde, ambientes de trabalho e escolas localizados nos municípios da respectiva regional ou de outros programas estratégicos da secretaria como equipes do Programa de Saúde da Família;
Monitorar a distribuição aos municípios do material de apoio ao Programa, produzido pelo MS/INCA;
Coletar e consolidar os dados de avaliação fornecidos pelas Secretarias Municipais de Saú- de e enviá-los ao INCA, para alimentar o Sistema de Vigilância e Monitoramento;
Participar de encontros de avaliação e atualização promovidos pelo MS/INCA semestral- mente;
Articular e facilitar a troca de experiências entre os municípios através da promoção de en- contros anuais entre os representantes municipais.
Gestor Municipal
Identificar recursos humanos para gerenciamento do Programa no município, articulando a interface desse(s) recurso(s) humano(s) com a coordenação do Programa no Estado;
Promover a participação do(s) recurso(s) humano(s) identificados na SMS em curso de capacitação para gerenciamento do Programa oferecido pela Coordenação Estadual do Pro- grama;
Articular diferentes segmentos do Governo na implementação de ações de controle do taba- gismo, tais como ações econômicas, diversificação de culturas etc.
Inserir as ações de controle do tabagismo no planejamento estratégico da Secretaria Munici- pal de Saúde - SMS, definindo a inserção do Programa no organograma da SMS;
Promover a elaboração de plano de trabalho para implantação do Programa no município. Elaborar o projeto de implantação do Programa, em nível municipal, bem como o projeto de ações anuais em que as atividades previstas tenham seus custos e cronogramas de execu- ção detalhados, a fim de facilitar a obtenção de recursos financeiros e apoio político, a serem repassados pelo Gestor Estadual;
Providenciar a infra-estrutura básica necessária ao desenvolvimento do programa em nível municipal;
Articular a implementação do Programa Ambiente Livre de Tabaco nas dependências de todos os escritórios ou serviços ligados à SMS;
Realizar as campanhas anuais previstas pelo Programa com o suporte da coordenação es- tadual;
Cadastrar os interessados em aderir ao Programa, utilizando-se, para isso, de formulários próprios;
Sensibilizar e envolver os gestores dos três canais institucionais previstos pelo Programa (ambientes de trabalho, escolas e unidades de saúde) para que implementem o Programa;
Capacitar e apoiar as equipes das unidades de saúde, ambientes de trabalho e escolas para implantação do Programa nas suas dependências;
Realizar e/ou apoiar treinamentos de profissionais de saúde que farão parte da equipe de multiplicadores das ações do Programa;
Repassar o material de apoio fornecido pelo MS/INCA e Secretarias Estaduais aos canais institucionais (ambientes de trabalho, escolas e unidades de saúde) e monitorar a sua distri- buição;
Coletar dados sobre a realização das atividades de campanhas no município (eventos reali- zados, público alvo, número de participantes, cobertura de mídia local), repassando-os à coordenação do programa no estado;
Coletar dados de implantação do programa em unidades de saúde, ambientes de trabalho e escolas, para avaliar o processo de implantação utilizando os instrumentos e metodologias testados e fornecidos pelo MS/INCA, consolidando-os em relatório que deverá ser repassa- do à SES;
Articular e promover a implementação de legislação municipal para controle do tabagismo de acordo com as propostas da legislação federal.
Definição de critérios para a avaliação do processo de descentralização
Para que o programa atenda às expectativas de conscientização e de motivação para mudanças positivas de comportamento de um maior número possível de pessoas, é importante que, em nível municipal, esteja muito bem estruturado, pois é nesse nível que ele estabelece um maior contato direto com a população. É a equipe municipal que tem o poder de influência direta
Mais recentemente, o INCA deu início a um processo de participação da Sociedade Civil Organizada no Controle do Tabagismo para apoiar a adoção da Convenção-Quadro para o Controle do Uso do Tabaco pelo Brasil. Para esse propósito, em setembro de 2002, ocorreu o 1 o Fórum de Mobilização Social – Por um mundo livre do Tabaco, que contou com a participação de representantes de 50 diferentes ONG´s. Este processo está sendo conduzido em parceria com a ONG REDEH, que está multiplicando o Fórum para várias regiões do Brasil.
2.f Ação Multissetorial para o controle do tabagismo
Como já mencionado, o reconhecimento da necessidade de estratégias transnacionais para conter o consumo global do tabaco levou a Assembléia Mundial da Saúde a investir esfor- ços para que 191 países membros da OMS negociem a implementação de ações conjuntas, através de um tratado internacional - a Convenção-Quadro para Controle do Tabaco. Desde 1999, esta se encontra em processo de negociação. Para atender a demanda gerada pelas negociações da Convenção-Quadro, o Governo brasileiro criou, por meio do Decreto nº 3.136, de 13 de agosto de 1999, a Comissão Nacional para o Controle do Uso do Tabaco. A iniciativa marca uma nova fase do Programa de Controle do Tabagismo no Brasil, que deixou de ser um Programa do Ministério da Saúde para ser um Programa de Estado. Cabe à Comissão Nacional para o Controle do Uso do Tabaco analisar os dados e infor- mações nacionais referentes ao tema, para subsidiar o Presidente da República nas decisões e posicionamentos do Brasil enquanto Estado-Membro da OMS, durante as sessões de negocia- ção da Convenção-Quadro. A Comissão Nacional é integrada por representantes dos Ministéri- os da Saúde, das Relações Exteriores, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Fazenda, da Justiça, do Trabalho e Emprego, da Educação e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Desenvolvimento Agrário, haja visto os diferentes aspectos envolvidos no controle do tabagismo. Coube ao Ministro da Saúde a Presidência dessa Comissão e ao INCA, o papel de sua Secretaria Executiva. Considerando que o problema do tabaco extrapola a dimensão da saúde, a criação de uma Comissão Nacional abre novas possibilidades para o controle do tabagismo no Brasil. O trabalho do grupo torna possível a discussão de questões relacionadas ao tabaco com outros setores governamentais, tais como Fazenda, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Trabalho e Emprego e Justiça, entre outros. Desde a sua criação, muitos avanços podem ser observados na área de regulação de derivados do tabaco, restrição da publicidade e propaganda, controle do mercado ilegal, taxação e subsídios, entre outros.
2.g Ações de Âmbito Legislativo e Econômico
As ações para controle do tabagismo extrapolam o âmbito da saúde, logo, sua discussão tem de ser levada para outras dimensões. No âmbito das ações legislativas, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo tem evoluído no sentido de compilar e criar um banco de dados sobre as leis relacionadas ao contro- le do tabagismo existentes em todo o País; estimular e assessorar legisladores para a criação de leis voltadas para o controle do tabagismo; divulgar essas leis na comunidade; assim como identificar e articular mecanismos que possibilitem a fiscalização e o cumprimento das mesmas. No âmbito econômico, acredita-se que a incorporação de medidas econômicas às ações educativas, amparadas por ações legislativas, já realizadas no Brasil há 11 anos, poderá contri- buir de forma pró-ativa com o Programa. Utilizando-se do referencial que a Economia oferece, para que os esforços nessa área obtenham sucesso, deve-se ter uma legislação forte, principalmente, nas políticas tributária e de preços e agrícolas. Daí, a necessidade deste Programa estar articulado com outros setores do governo, constituindo-se em um Programa amplo, ou seja, um Programa de Estado.
3.a Resultados do Processo
Ações educativas
O balanço das ações de descentralização do Programa Nacional de Controle do Taba- gismo e outros Fatores de Risco de Câncer (PNCTOFR) tem sido realizado durante os Encon- tros Anuais de Coordenações Estaduais do Programa Avaliação do PNCTOFR, promovidos pelo Ministério da Saúde/INCA e através de informações que são enviadas ao INCA ao longo do ano. Com o objetivo de verificar o andamento do Programa nos estados foram solicitados aos coordenadores estaduais dados relativos ao número de municípios já capacitados nos diversos níveis, número de profissionais capacitados e número de Unidades de Saúde, Ambientes de Trabalho e Escolas onde o Programa foi implantado, entre outros. Entretanto, como não houve tempo hábil para o recebimento e consolidação de tais infor- mações referentes ao ano de 2002, os dados abaixo referem-se às metas alcançadas no pro- cesso de descentralização do programa até 2001 e foram obtidos através de informações en- viadas pelos estados.
Acumular um total de 4.000 municípios bra- sileiros capacitados para a implantação do Programa de Controle do Tabagismo e Ou- tros Fatores de Risco de Câncer
3.525 municípios capacitados para o pro- grama
Meta Proposta Meta Alcançada
Ações Educativas pontuais – Nível 1 – Campanhas
Implantar o nível 1 do Programa de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer em 40% dos municípios capacitados para o Programa
63% dos municípios capacitados (2208) desenvolveram atividades do nível 1 do Programa (comemoração de pelo menos uma campanha sobre tabagismo), entre os 3.073 municípios capacitados para o progra- ma pertencentes aos estados que nos envi- aram informações sobre campanhas.
Meta Proposta (^) Meta Alcançada
Ações Educativas Contínuas nas Unidades de Saúde – Programa Saúde e Coerência
Acumular um total de 150 unidades de saú- de com o programa implantado ou em pro- cesso de implantação
2.071 unidades de saúde com o programa implantado ou em processo de implanta- ção do Programa
Meta Proposta Meta Alcançada