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Canções de Protesto, Notas de estudo de Sociologia

Apostilas de Pedagogia sobre a Música, música popular brasileira, Canções de Protesto, Letras das canções.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 08/10/2013

Ipanema27
Ipanema27 🇧🇷

4.5

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“Você me corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto”.
Pesadelo M. Tapajós e Paulo C. Pinheiro
A música é um dos tipos de arte mais presentes no dia-a-dia das pessoas,
um meio de comunicação e de manifestação cultural popular que
cotidianamente produzido, aproxima o indivíduo das relações sociais
vigentes, permitindo através de sua audição e análise uma maior
compreensão do cotidiano, e das realidades que o cerca, pois como nos
alude Napolitano: “A música é a interprete de dilemas nacionais e veículo
de utopias sociais; canta o futebol, o amor, a dor, um cantinho e o
violão”.
Desde a década de 70 quando o ensino passa por uma série de
transformações pedagógicas e as necessidades e possibilidades de se
diversificar o ensino tornando-o mais dinâmico e inclusivo é algo
evidente, em diferentes áreas do saber, mas, sobretudo no âmbito da
História “a música tem se tornado objeto de pesquisa de historiadores
[...] e sido utilizada como material didático com certa freqüência nas
aulas de História”.
Conforme nos mostram os PCN’s, a música é uma importante fonte e recurso
para se conhecer e trabalhar a história, no sentido de que “sempre esteve
associada às tradições e às culturas de cada época”, portanto carregada
de historicidade. Além do mais, ela expressa em si, a diversidade de
pensamentos, o que possibilita através do seu contato o desenvolvimento
de
competências ligadas à leitura e interpretação de textos, além da
formação do censo crítico e socialmente consciente do aluno:
Abre-se um campo fértil às realizações interdisciplinares, articulando
os conhecimentos de História com aqueles referentes à Língua Portuguesa,
à Literatura, à Música e a todas as Artes, em geral. Na perspectiva da
educação geral e básica, enquanto etapa final da formação de cidadãos
críticos e conscientes, preparados para a vida adulta e a inserção
autônoma na sociedade, importa reconhecer o papel das competências de
leitura e interpretação de textos como uma instrumentalização dos
indivíduos, capacitando-os à compreensão do universo caótico de
informações e deformações que se processam no cotidiano.
Neste contexto pensando na música como fonte histórica e na forma como
esta se associa às relações e conflitos sociais em diferentes momentos e
situações históricas, em específico no período da ditadura militar (1964-
1985), é que elaboramos a presente proposta, tendo como objetivo geral
mostrar aos alunos através da leitura e audição de canções produzidas na
década de 70, de que forma agia o regime ditatorial no país, e em
contrapartida, de que maneira os artistas e outros diferentes setores da
sociedade resistiam contra o sistema político.
Pretendemos ainda contribuir no sentido de mostrar aos alunos a
importância da música como fonte histórica, proporcionando a eles a
apreensão de conhecimento histórico referente ao período da
Ditadura Militar (1964-1985) através da leitura e interpretação de
algumas letras de sicas produzidas no período por diversos artistas
ligados a MPB.
“O golpe político-militar, de 31 de março, de 1964, deu início ao mais
longo período de governo ditatorial da história do Brasil. Ou, melhor
dizendo, explicitamente ditatorial”. Implementado por militares e com o
apoio de setores conservadores da sociedade, tais como a igreja,
“latifundiários do Nordeste e do Sudeste, lideranças das forças armadas e
do empresariado industrial, magnatas do capital financeiro [...] e
setores das classes médias asfixiadas pela inflação” , além destes, a
imprensa principalmente dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo,
direcionou grande apoio ao golpe, os jornais: Estadão, Folha de São
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“Você me corta um verso, eu escrevo outro Você me prende vivo, eu escapo morto”. Pesadelo – M. Tapajós e Paulo C. Pinheiro A música é um dos tipos de arte mais presentes no dia-a-dia das pessoas, um meio de comunicação e de manifestação cultural popular que cotidianamente produzido, aproxima o indivíduo das relações sociais vigentes, permitindo através de sua audição e análise uma maior compreensão do cotidiano, e das realidades que o cerca, pois como nos alude Napolitano: “A música é a interprete de dilemas nacionais e veículo de utopias sociais; canta o futebol, o amor, a dor, um cantinho e o violão”. Desde a década de 70 quando o ensino passa por uma série de transformações pedagógicas e as necessidades e possibilidades de se diversificar o ensino tornando-o mais dinâmico e inclusivo é algo evidente, em diferentes áreas do saber, mas, sobretudo no âmbito da História “a música tem se tornado objeto de pesquisa de historiadores [...] e sido utilizada como material didático com certa freqüência nas aulas de História”. Conforme nos mostram os PCN’s, a música é uma importante fonte e recurso para se conhecer e trabalhar a história, no sentido de que “sempre esteve associada às tradições e às culturas de cada época”, portanto carregada de historicidade. Além do mais, ela expressa em si, a diversidade de pensamentos, o que possibilita através do seu contato o desenvolvimento de competências ligadas à leitura e interpretação de textos, além da formação do censo crítico e socialmente consciente do aluno: Abre-se aí um campo fértil às realizações interdisciplinares, articulando os conhecimentos de História com aqueles referentes à Língua Portuguesa, à Literatura, à Música e a todas as Artes, em geral. Na perspectiva da educação geral e básica, enquanto etapa final da formação de cidadãos críticos e conscientes, preparados para a vida adulta e a inserção autônoma na sociedade, importa reconhecer o papel das competências de leitura e interpretação de textos como uma instrumentalização dos indivíduos, capacitando-os à compreensão do universo caótico de informações e deformações que se processam no cotidiano. Neste contexto pensando na música como fonte histórica e na forma como esta se associa às relações e conflitos sociais em diferentes momentos e situações históricas, em específico no período da ditadura militar (1964- 1985), é que elaboramos a presente proposta, tendo como objetivo geral mostrar aos alunos através da leitura e audição de canções produzidas na década de 70, de que forma agia o regime ditatorial no país, e em contrapartida, de que maneira os artistas e outros diferentes setores da sociedade resistiam contra o sistema político. Pretendemos ainda contribuir no sentido de mostrar aos alunos a importância da música como fonte histórica, proporcionando a eles a apreensão de conhecimento histórico referente ao período da Ditadura Militar (1964-1985) através da leitura e interpretação de algumas letras de músicas produzidas no período por diversos artistas ligados a MPB. “O golpe político-militar, de 31 de março, de 1964, deu início ao mais longo período de governo ditatorial da história do Brasil. Ou, melhor dizendo, explicitamente ditatorial”. Implementado por militares e com o apoio de setores conservadores da sociedade, tais como a igreja, “latifundiários do Nordeste e do Sudeste, lideranças das forças armadas e do empresariado industrial, magnatas do capital financeiro [...] e setores das classes médias asfixiadas pela inflação” , além destes, a imprensa principalmente dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, direcionou grande apoio ao golpe, os jornais: Estadão, Folha de São

Paulo, O Globo, apoiaram inicialmente a ditadura, no qual o jornal Folha de São Paulo não sofreu com a censura imposta após o golpe. Mas a população, a sociedade em geral não foi favorável ao golpe político- militar.

O golpe trazia consigo o lema “Segurança e Desenvolvimento”, e o desejo de manter ainda em vigor, o velho modelo de exclusão política e social, gestado desde a época da fundação do regime republicano, principalmente, visando manter afastada das decisões políticas a maioria da população, que, desde a morte de Vargas, vinha se politizando.

Neste sentido várias medidas foram adotadas no país pelos militares que através de treze atos institucionais pretendiam controlar a sociedade brasileira, afastar o país do risco comunista, e manter o ‘status quo’ por tempo indeterminado. Com isso, como nos mostra Adriana Lopes: “A sociedade civil, aviltada descobriu, um outro Brasil, rude, autoritário, diverso daquele país generoso e “cordial” dos anos de Juscelino e seus sucessores”.

As medidas dos militares afetaram significativamente o setor cultural do país, onde por meio da repressão estabelecida pelos diversos departamentos de censura criados no país, os artistas tiveram várias de suas obras censuradas bem como a liberdade de expressão na criação de novas obras explicitamente abafada.

A música, sobretudo a música popular brasileira, foi talvez uma das manifestações artísticas e culturais do país que mais tenha sofrido com a repressão e a censura, onde é possível observar nas canções abaixo que os censores ao analisá-las, ficavam presos aos mais insignificantes detalhes, que sob a sua ótica iam contra os princípios morais e aos padrões culturais da época, mas principalmente, estavam sempre atentos às mensagens que por ventura representassem contrariedade as intencionalidades do regime.

Um primeiro exemplo é a canção “Cadê o Meu” de Chico Buarque, que acabou sendo exilado na década de 1970. Assinada com o heterônimo de Julinho da Adelaide, pseudônimo utilizado pelo artista na década de 1970 para despistar os censores, a letra foi proibida em maio de 1973, por tratar- se de “crítica desvairosa ao movimento progressista nacional”. Na observação da técnica de censura Odete Martins Lanziotti, o compositor protestava contra o ‘milagre brasileiro’, conceito de progresso nacional difundido pelo governo militar no início da década de 1970.

Cadê o Meu Composição: Julinho da Adelaide O meu amigo está dando mancada no nosso negócio eu dou um duro danado ele vive no ócio. Pro meu amigo todo dia é feriado. eu to à perigo. ele vive folgado. Cadê o meu? Cadê o meu, ó meu? Dizem que você se defendeu É o milagre brasileiro

Na minha idade voce pintava o sete, mamae tem odio de uma tal Elizete, aqui em casa eh impossivel namorarEntao qual eh a sua? Eu só quero sarro Meia hora no seu carro com meu bem! Uuu.. Ter ou não a obra liberada era, nas palavras de Chico Buarque, roleta russa, visto que, às vezes, uma canção nem tinha a intenção, e mesmo assim, era censurada e em outras, nem era censurada, mais era feita intencionalmente. Chico Buarque foi um dos artistas e compositores mais perseguidos pela ditadura, ao todo ele teve 40 músicas vetadas. Mas como ele, muitos outros artistas tiveram muitas de suas obras censuradas.

Entretanto, mesmo diante de todas as desregradas e rígidas medidas dos censores e militares, os artistas não se redimiram e em meio a protestos abertos e conflitos, por vezes, muito violentos, eles se mostravam e expressavam contrários ante o regime político no país. Na década de 1970, após a publicação do AI – 5 ocorreu um endurecimento, ainda maior na ditadura. Assim, a fim de despistar os censores e manifestar sua opinião, os artistas mesmo sofrendo intensa repressão, e vivendo sob constante vigilância, não deixavam de escrever suas canções, utilizando deste modo do recurso metáfora, em que através de palavras com duplo sentido, e algumas expressões, “por debaixo dos panos” expressavam toda sua indignação contra o regime e aos militares.Diversas canções foram escritas desta forma neste período, canções que hoje ouvimos, e muitas vezes, nem se quer damos conta que se trata de uma crítica disfarçada a este período.Um exemplo é a canção “Apesar de Você”, de autoria de Chico Buarque de Holanda, que na época em que escreveu a canção, 1970, ainda usava o pseudônimo, de Julinho da Adelaide. No mesmo ano em que a seleção brasileira de futebol conquistou o tricampeonato mundial, as torturas e desaparecimentos de pessoas contrárias ao regime do general Médici eram constantes. Chico Buarque fez a letra dirigida exatamente à Médici, e enviou aos censores, certo de que não passaria. Mais para seu engano a canção passou e foi gravada e o compacto atingia a marca de 100 mil cópias, quando um jornal insinuou que a música era uma homenagem ao presidente. A gravadora foi invadida e todas as cópias destruídas. Chico foi chamado a um interrogatório para prestar informações e esclarecer que era o “você” mencionado na música, e respondendo disse: “É uma mulher muito mandona, muito autoritária”. A canção só foi regravada em 1978, num álbum que leva o nome do autor da música.

Apesar De Você Chico Buarque Hoje você é quem manda Falou, tá falado Não tem discussão, não. A minha gente hoje anda Falando de lado e olhando pro chão. Viu?Você que inventou esse Estado Inventou de inventar Toda escuridão Você que inventou o pecado Esqueceu-se de inventar o perdão. Apesar de você amanhã há de ser outro dia.

Eu pergunto a você onde vai se esconder Da enorme euforia? Como vai proibir Quando o galo insistir em cantar? Água nova brotando E a gente se amando sem parar. Quando chegar o momento Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros. Juro! Todo esse amor reprimido, Esse grito contido, Esse samba no escuro. Você que inventou a tristeza Ora tenha a fineza de “desinventar”. Você vai pagar, e é dobrado, Cada lágrima rolada Nesse meu penar. Apesar de você Amanhã há de ser outro dia. Ainda pago pra ver O jardim florescer Qual você não queria. Você vai se amargar Vendo o dia raiar Sem lhe pedir licença. E eu vou morrer de rir E esse dia há de vir antes do que você pensa Apesar de você Apesar de você Amanhã há de ser outro dia. Você vai ter que ver A manhã renascer E esbanjar poesia. Como vai se explicar Vendo o céu clarear, de repente, Impunemente?Como vai abafar Nosso coro a cantar, Na sua frente. Apesar de você Apesar de você Amanhã há de ser outro dia. Você vai se dar mal, etc e tal. Outro exemplo é a canção “O Bêbado e o Equilibrista”, de autoria de João Bosco e Aldir Blanc. Composta em 1979, tornou-se um símbolo da luta pela anistia. Pela volta dos exilados e pela abertura política do regime militar. O Bêbado e A Equilibrista João Bosco / Aldir Blanc Caía a tarde feito um viaduto E um bêbado trajando luto Me lembrou Carlitos A lua, tal qual a dona do bordel, Pedia a cada estrela fria Um brilho de aluguel E nuvens, lá no mata-borrão do céu,

Abriremos também um espaço para que os alunos ouvintes façam participações ao vivo, e expressem assim, opiniões e posicionamentos, e troquem diálogos com os apresentadores referentes ao conteúdo do programa e das canções.Conforme nos mostra, Napolitano:

O uso da música é importante por situar os jovens diante de um meio de comunicação próximo de sua vivência, mediante o qual o professor pode identificar o gosto, a estética da nova geração. Apesar de todas essas vantagens, o uso da música gera sempre algumas questões.

Neste sentido, esperamos que os alunos consigam compreender através das canções ouvidas e analisadas, o conteúdo histórico da ditadura militar, e que percebam nestas músicas, uma importante fonte para se conhecer a história.

Esperamos ainda, que eles identifiquem nas letras, contextos e realidades vivenciadas pelos artistas no país durante o período ditatorial, encarando-as não só como uma forma de se expressar culturalmente, mais sim, como algo carregado de sentido político.

Fontes consultadas

Processos referentes a censura à canções expedidos por vários departamentos de censura do período ditatorial brasileiro.

Letras das canções:

Milagre Brasileiro - Julinho da Adelaide Papai me Empresta o Carro - Rita Lee e Roberto de Carvalho Apesar De Você - Chico Buarque O Bêbado e A Equilibrista - João Bosco / Aldir Blanc Referências bibliográficas BITTENCOURT, Circe Maria. Ensino de história: fundamentos e métodos - docência em formação. Rio de Janeiro: Cortez, 2008.

BRASIL. S. de E. Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais - Arte. Brasília: ME, 1997.FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves. O Brasil Republicano 4: o tempo da ditadura. 1 ed. São Paulo: Editora Civilização Brasileira, 2003.JOVEM, Equipe. Música para quê?. In: REVISTA MUNDO JOVEM. Um jornal de Idéias. Porto Alegre-RS: PUC-RS, ano 45, n. 373, fevereiro de 2007.LOPEZ, Adriana. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008.