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Cascas, Tensões e Deformações: Estruturas Cilíndricas e Esfericas, Notas de estudo de Engenharia Civil

Este documento aborda as cascas finas, estruturas com uma das dimensões significativamente menor que as outras duas, caracterizadas pela forma da superfície média. O texto discute as tensões, esforços e deformações destas estruturas, com ênfase em cascas de revolução. O documento também aborda os esforços de membrana e transversos, momentos flector e torsores unitários, e como calcular as tensões resultantes.

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 21/07/2015

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eng-antonio-cambundo-6 🇧🇷

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Cascas, Tensões e Deformações 8.1
Capítulo 8
Cascas, Tensões e Deformações
8.1 Sistema de Eixos
Uma estrutura tipo casca fina é uma estrutura para a qual uma das dimensões é
significativamente menor do que as outras duas e caracteriza-se pela forma da
superfície média, no caso da superfície média ser uma superfície de revolução a casca é
dita de revolução. À semelhança do que acontece com as vigas e com as placas o estado
de tensão não é considerado tridimensional, sendo usual considerar-se para efeitos de
equilíbrio, em lugar das tensões, esforços generalizados, os quais são obtidos
considerando a resultante das tensões ao longo da espessura da casca na direcção
normal à superfície média que passa pelo ponto.
Para efeitos de análise de tensões, uma casca fina é uma estrutura que materializa
uma superfície angulosa ou não que é a superfície média. O facto de se representar uma
casca pela sua superfície média implica que externamente se considerem duas
superfícies distanciadas entre si de um vector igual à espessura da casca, sendo a
superfície média o lugar geométrico dos pontos igualmente distantes dessas superfícies.
A fim de definir o estado de tensão num ponto é necessário definir um sistema de
eixos, o qual pode ser definido do seguinte modo: o eixo dos x3x3 tem a direcção
normal à superfície média no ponto que estamos a considerar, os eixos dos x2x2 e dos
x1x1 estão no plano tangente à superfície média que passa pelo ponto e são ortogonais
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Capítulo 8

Cascas, Tensões e Deformações

8.1 Sistema de Eixos

Uma estrutura tipo casca fina é uma estrutura para a qual uma das dimensões é

significativamente menor do que as outras duas e caracteriza-se pela forma da

superfície média, no caso da superfície média ser uma superfície de revolução a casca é

dita de revolução. À semelhança do que acontece com as vigas e com as placas o estado

de tensão não é considerado tridimensional, sendo usual considerar-se para efeitos de

equilíbrio, em lugar das tensões, esforços generalizados, os quais são obtidos

considerando a resultante das tensões ao longo da espessura da casca na direcção

normal à superfície média que passa pelo ponto.

Para efeitos de análise de tensões, uma casca fina é uma estrutura que materializa

uma superfície angulosa ou não que é a superfície média. O facto de se representar uma

casca pela sua superfície média implica que externamente se considerem duas

superfícies distanciadas entre si de um vector igual à espessura da casca, sendo a

superfície média o lugar geométrico dos pontos igualmente distantes dessas superfícies.

A fim de definir o estado de tensão num ponto é necessário definir um sistema de

eixos, o qual pode ser definido do seguinte modo: o eixo dos x 3 x 3 tem a direcção

normal à superfície média no ponto que estamos a considerar, os eixos dos x 2 x 2 e dos

x 1 x 1 estão no plano tangente à superfície média que passa pelo ponto e são ortogonais

entre si, como se representa na figura 8.1. Os eixos dos x 1 x 1 e x 2 x 2 permitem a

localização do ponto na superfície média.

X 1

X 2

X 3

Figura 8.1 : Sistema de Eixos.

A espessura da casca é designada por e. A superfície média é uma superfície de

curvatura dupla cujos raios de curvatura principais ocorrem nos planos Ox 1 x 3 e Ox 2 x 3 e

podem designar-se por R 1 e R 2 respectivamente.

eixo

θ

φ

R 1

R 2

R

Figura 8.2: Coordenadas Esféricas.

No caso de se tratar de uma casca de revolução, figura 8.2 podemos considerar

que a posição de um ponto sobre a casca fica definida pelos ângulos θ e φ e por uma

distância R. O eixo Ox 3 foi considerado coincidente com o eixo de revolução da casca e

3 2

2 3 11

e/ 2

e/ 2

11 dx R

R x N

= σ

De modo análogo se define o esforço unitário N 12 que corresponde à resultante

das tensões σ 12 ao longo da espessura, ou seja:

3 2

2 3 12

e/ 2

e/ 2

12 dx R

R x N

= σ

R 2

R 1

x (^3)

d (^3)

x 1 = const y 1

= const

σ 11

σ 13

σ 12 σ 21 σ 22

σ 23

e / 2

ds 2 ds (^1) e / 2

x (^3)

x (^1) x 2

dS´ 2

Figura 8.3: Tensor das Tensões.

Os esforços de membrana N 11 e N 12 foram definidos na secção x 1 = constante, no

caso de se considerar a secção, x 2 = constante, obtém-se os esforços unitários de

membrana N 22 e N 21 que são resultantes das tensões σ 22 e σ 21 e que são:

3 1

1 3 22

e/ 2

e/ 2

22 dx R

R x N

= σ

e

3 1

1 3 21

e/ 2

e/ 2

21 dx R

R x N

= σ

Nestas condições a simetria do tensor das tensões σ 12 = σ 21 não implica a

simetria do tensor dos esforços, N 12

≠ N

21

. No caso de se tratar de uma casca esférica

existe simetria do tensor dos esforços por ser R 1

= R

2

. No caso de ser possível

considerar que x 3

/R

1 e x 3

/R

2 são muito pequenos quando comparados com a unidade, a

variação do comprimento do arco ao longo da espessura não precisa de ser considerada.

Considerando este tipo de aproximação é possível considerar simetria dos esforços.

X 2

X 1

e

N 2 ds 1

T 2 ds 1 N 21 ds 1 N^12 ds^2

T 1 ds (^2)

N 1 ds (^2)

ds 1

N 2 ds 1

T 2 ds 1

N 21 ds (^1)

N 12 ds (^2)

T 1 ds (^2)

N 1 ds (^2)

ds (^2)

P 1

P 2

P 3

Figura 8.4: Esforços de Membrana e Transversos.

As tensões de corte distribuídas ao longo da espessura produzem esforços

transversos unitários que são definidos do seguinte modo:

X 2

X 1

e

ds 1

ds (^2)

P 1

P 2

P 3

M 22 ds (^1)

M 21 ds 1 M 12 ds 2

M 11 ds 2

M 22 ds (^1)

M 12 ds (^2)

M 11 ds 2

M 21 ds 1

Figura 8.5: Esforços de Flexão.

No caso de se tratar de uma casca fina de um material isotrópico e homogéneo é

possível considerar que x 3

/R

1 e x 3

/R

2 são muito menores que a unidade, sendo os

esforços definidos do seguinte modo:

22 3

e/ 2

e/ 2

12 3 22

e/ 2

e/ 2

11 3 12 12

e/ 2

e/ 2

N 11 = σ dx ;N =N = σ dx ;N = σ dx

− − −

23 3

e/ 2

e/ 2

13 3 2

e/ 2

e/ 2

T 1 = σ dx ;T = σ dx

− −

e

22 3 3

e/ 2

e/ 2

12 3 3 22

e/ 2

e/ 2

11 3 3 12 12

e/ 2

e/ 2

M 11 = σ x dx ;M =M = σ x dx ;M = σ x dx

− − −

As tensões resultantes no caso de se distribuírem uniformemente e linearmente ao

longo da espessura como se representa na figura 8.6 podem ser calculadas a partir dos

esforços unitários, do seguinte modo:

3

11 11 3 11 e

12 M x

e

N

σ = − 8.

sendo σ 11 definido num ponto a uma distância x 3 da superfície média.

N 11 / e 12 M 11 X 3 / e 3

Figura 8.6: Distribuição de Tensões ao Longo da Espessura.

As tensões σ 22 , σ 12 e σ 21 são definidas de modo análogo.

8.3 Deformações

A casca sujeita a esforços de flexão deforma-se sendo admissível considerar que

elementos lineares normais à superfície média da casca se mantêm lineares e que são

normais à superfície média flectida após o processo de deformação como se representa

na figura 8.7 a. No caso da casca estar sujeita só a esforços de flexão a superfície média

é indeformável. Os raios de curvatura da superfície média são R 1 e R 2 antes da

deformação e são R´ 1 e R´ 2 após a deformação. Considere-se um segmento no plano

Ox 1 x 3 , colocado a uma distância x 3 da superfície média, tem um comprimento não

deformado dl 1 e um comprimento deformado dl´ 1 quando a casca está sujeita à flexão,

como se representa na figura 8.7 a.

dl

dl 1 D x 3

R 1

(a)

dl

D x dl 1 3

R 1

(b)

ε 11 dl

ε =

2

3

2 2

3

22

R

x 1

R

R

x

No caso da casca estar sujeita a esforços de flexão e membrana, existe também

extensão da superfície média sendo a deformação ε 11 definida do seguinte modo:

1

1 1 11 d

d d

A

A ′ − A

ε = 8.

sendo ( ) ( )

1

11 1 1 3 1

1 3 1

3 1 R

d d ed R x R

d R x R

x d d 1 ′

+ε′ = − ′ = ′ − 

A A

A

A

A A onde ε´ 11

representa a extensão da superfície média devida aos esforços de membrana, ou seja:

+ε′

ε′ ε = 1 1

11

1

3

3

1

3

11 11 R

R

R

x 1

x

R

x 1

e

+ε′

ε′ ε = 2 2

22

2

3

3

2

3

22 22 R

R

R

x 1

x

R

x 1

No caso de se considerar que a espessura é muito menor que o raio de curvatura,

pode considerar-se que x3/ R1 = x3/ R2 ≈ 0, podendo dar-se ás equações 8.14 a forma

seguinte:

11 11 3 1 1

11 11 3 x R

R

ε ε x =ε′ −χ 

22 22 3 2 2

22 22 3 x R

R

ε ε x =ε′ −χ 

onde χ 1 e χ 2 representam mudanças de curvatura.

Admitindo que é possível considerar estas expressões para as deformações e que

σ 33 << σ 11 e σ 22 , obtém-se atendendo à lei de Hooke as expressões seguintes para as

tensões:

11 [^1111 x 3 (^1122 )]

E

ε′ +υε′ − χ +υχ −υ

σ =

22 [^2222 x 3 (^2211 )]

E

ε′ +υε′ − χ +υχ −υ

σ = 8.

Substituindo estas expressões nas equações 8.2 e 8.5, tendo em conta que

x 3 /R 1 ≈ 0, constata-se que as extensões só contribuem para os esforços de membrana e

que curvaturas só contribuem para os esforços de flexão, obtendo-se por integração as

expressões seguintes:

( )

( )

2 11 22 22 2 11 1

Ee ;N 1

Ee N ε′ +υε′ −υ

ε′ +υε′ = −υ

M 11 = −D ( χ 11 +υχ 22 ) eM 22 =−D( χ 22 +υχ 11 ) 8.

onde D é o módulo de rigidez à flexão e é tal que:

( )

2

3

Ee D −υ

No caso mais geral de deformação têm de considerar-se os efeitos das tensões de

corte σ 12 que provocam a existência de esforço de membrana N 12 na superfície média

que tendem a produzir uma distorção que pode ser medida em termos de ε´ 12 e de um

momento torsor M 12 que tende a provocar uma mudança de curvatura de torção χ 12.