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DESCRIÇÃO SOBRE A CULTURA DA BATATA DOCE
Tipologia: Notas de estudo
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Universidade de São Paulo - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária: Programa Aprender com Cultura e Extensão Projeto: “Desenvolvimento econômico, social e ambiental da agricultura familiar pelo conhecimento agroecológico.”
Belquior Benoni da Silva^1 Flávio Bertin Gandara Mendes^2 Paulo Yoshio Kageyama^3
Características: A batata-doce, cujo nome científico é Ipomoea batatas , é uma hortaliça tuberosa, originária da América do Sul [03]
Variedades Indicadas: Existem cultivares de batata com película externa branca, rosada ou avermelhada, e coloração da polpa de cor branca, amarela ou creme. A escolha para plantio depende da preferência do mercado ao qual se destina a produção. Deve-se dar preferência aos cultivares existentes na região, que apresentem boa adaptação às condições de clima e solo locais, e boa produtividade. [02 ; 03] Além disso, em cada região produtora existem variedades locais, cujo material de reprodução é permutado entre produtores. [02]
Clima e Solo: É uma cultura de clima tropical, sendo viável o seu cultivo até 40º de latitude norte ou sul. As melhores produções são obtidas em regiões ou épocas com e boa precipitação pluvial, seguido de outro de temperatura amena. [01] Solos arenosos facilitam o crescimento lateral das raízes, evitando a formação de batatas tortas ou dobradas. Além disso, facilita a colheita, permitindo o arranquio das batatas com menor índice de danos e menor esforço físico. [01 ; 02] Produz melhor em clima quente, com temperaturas noturnas e diurnas superiores a 20 graus centígrados, e alta luminosidade.[01 ; 03] É considerada uma cultura rústica, pois cresce em solos pobres e degradados. [02]
Época de Plantio: Viveiro para produção de ramas: junho a agosto (raízes miúdas); campos de produção de raízes para forragem e indústria: setembro a dezembro; para mesa: agosto a fevereiro. As ramas devem ter 30 cm de comprimento e, o plantio, ser feito com terra úmida, na forma de U ou L, mantendo a ponta fora do solo. [01]
Propagação: Ramas-semente contendo seis a oito entrenós (cerca de 30 cm) são comumente utilizadas na formação de lavouras comerciais. As ramas devem ser retiradas das partes mais novas do caule, até cerca de 60 cm da extremidade, por se enraizarem mais rápido (de três a cinco dias) e também por serem menos contaminadas por pragas e patógenos, especialmente os fungos localizados no solo. [02] A propagação da batata-doce pode ser feita também através de brotos ou batatas brotadas.
(^1) Graduando do curso de Engenharia Florestal – Universidade de São Paulo (^2) Professor Mestre, Departamento de Ciências Biológicas – Universidade de São Paulo (^3) Professor Doutor, Departamento de Ciências Florestais – Universidade de São Paulo
Espaçamento: Para forragem e indústria o espaçamento convencional é 90 x 40 cm; e para mesa, 80 x 30 cm. [01]
Técnicas de plantio: A batata-doce deve ser plantada em leira com altura de 25 a 35 centímetros. As ramas devem ser enterradas forçando sua parte central contra o solo. Para que não se quebrem, no momento do plantio, essas ramas devem ter sido preparadas um dia antes, de forma a estarem parcialmente murchas, no momento do plantio. [03]
Faixa de pH ideal: O ideal para seu desenvolvimento é um pH ligeiramente ácido. [02]
Necessidade Hídrica: Quanto ao regime pluvial, a cultura deve ser implantada em locais com pluviosidade anual média de 750 a 1000 mm, sendo que cerca de 500 mm são necessários durante a fase de crescimento. [02] Quando o plantio é realizado na época das chuvas, é quase desnecessário fazer irrigações. Estas devem ser feitas apenas em caso de veranico prolongado e no cultivo realizado na época da seca. O sistema indicado é a aspersão. As fases em que a batata-doce exige mais água são: início do crescimento das ramas plantadas e na fase de formação das batatas. Ao aproximar-se a época da colheita, a irrigação deve ser mais escassa, pois excesso de água prejudica o sabor do produto e sua conservação pós-colheita, e aumenta a incidência de podridões. [03]
Adubação alternativa: A aplicação de matéria orgânica tem proporcionado excelentes resultados por dois motivos: o primeiro, por promover o arejamento e o afrouxamento do solo, facilitando o crescimento lateral das raízes. Com isso, formam- se raízes menos tortuosas. O segundo motivo é que, sendo uma cultura de ciclo relativamente longo, ocorre a liberação mais lenta dos minerais durante a decomposição da matéria orgânica mantendo um equilíbrio entre a formação de partes vegetativas e a acumulação de reservas. Caso haja disponibilidade de matéria orgânica, pode-se adicionar 20 a 30t/ha de esterco de gado. Os fertilizantes devem ser distribuídos no espaçamento correspondente às leiras, antes da sua construção, de forma que fiquem localizados na base da leira. [02]
Manejo: Devem ser feitas duas a três capinas manuais, junto às linhas de plantas, até que as ramas de batata-doce cubram totalmente a área. A partir desse momento, a cultura convive bem com as ervas nativas do local. [02 ; 03]
A amontoa consiste em reformar as leiras. Esta operação tem a finalidade de escarificar o solo, tornando-o mais frouxo e portanto com menor resistência ao crescimento lateral das raízes de reserva, o que favorece a formação de raízes menos tortuosas. Outra função da amontoa é vedar as rachaduras do solo formadas pelo crescimento das raízes. Por meio dessas rachaduras, alguns insetos-praga fazem a postura diretamente nas raízes, favorecendo a sua danificação.
A amontoa é geralmente realizada uma única vez, alguns dias após a última capina. Deve ser uma operação exclusiva, pois nesse caso o operário trabalha caminhando lateralmente, utilizando uma enxada para retirar terra da entrelinha para reformar a leira. O tempo dado após a capina é necessário para que ocorra a desidratação e morte das plantas cortadas durante a capina. [02]
Rotação de Cultura: Recomenda-se rotação com milho, adubos verdes, pasto ou capineiras. A rotação de culturas é indispensável para evitar queda acentuada na produção e qualidade das raízes tuberosas [01], não devendo ser cultivada durante dois ou três anos no mesmo local. Deve ser evitado o plantio da batata-doce em seguida a uma leguminosa, porque o excesso de nitrogênio provoca grande desenvolvimento vegetativo e pouca produção de batatas. [02]
Consórcio: A cultura da batata-doce, por ser uma planta de crescimento indeterminado, ocupa toda a superfície do solo e portanto não deve ser cultivada em consorcio com plantas de pequeno porte. Em pomares ou lavouras com plantas de porte alto, principalmente durante a fase de formação dessas plantas, é perfeitamente possível utilizar temporariamente o espaço livre.[02] Suporta sombreamento parcial.
Usos: Tem inúmeras aplicações na arte culinária doméstica, na elaboração tanto de pratos salgados como de doces e aperitivos. Na indústria, é fonte de matéria-prima para doces enlatados, confeitaria e fécula. Na alimentação animal constitui componente para rações de bovinos e suínos, principalmente, podendo ser aproveitada na forma natural picada, ensilada, ou na forma de farinha seca. [01] Outro destino pode ser a produção de álcool, que não é comum no Brasil, uma vez que temos outras fontes mais econômicas de matéria prima. É protetora do solo – A cultura é instalada em camalhões ou leiras que devem ser construídas em nível, formando um eficiente sistema de controle da erosão podendo, portanto, ocupar áreas marginais e de topografia acidentada. A planta apresenta ainda um crescimento rápido, cobrindo completamente o solo a partir de aproximadamente 45 dias do plantio. [02]
Ciclo de produção: de 90 a 150 dias.
Longevidade: Planta perene, porem cultivada como anual.
Raiz: A batata-doce possui um sistema radicular profundo (75 a 90cm) e ramificado, o que lhe possibilita explorar maior volume de solo e absorver água em camadas mais profundas do que a maioria das hortaliças. [02]
Dispersão: Dispersa por propagação vegetativa, e por sementes esporadicamente.
Polinização: Flores bastante atrativas para abelhas.
Regeneração: É capaz de se manter no sistema.
Potencial invasor: Não apresenta risco como invasora.
Referencias Bibliograficas: [01] Monteiro, D. A. at al. Instruções agrícolas para o estado de São Paulo – Boletim Nº200. 6ª edição. Instituto Agronômico de Campinas. 1995. p. 341-342.
[02] Silva, J. B. C.; Lopes, C. A. Magalhães, J.S. Cultura da batata-doce – Sistemas de Produção. Embrapa Hortaliças. Em http://www.cnph.embrapa.br/ (acessado em 10/08/2009) http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/batatadoce/index.htm
[03] Souza, J. L. ; Resende, P. L.; Cultivo Orgânico de Alho, Cenoura, Baroa, Beterraba e Batata-Doce. CPT. Viçosa, MG. 2001.