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cesario verde analise, Resumos de Português (Gramática - Literatura)

verso a verso analise do poema

Tipologia: Resumos

2026

Compartilhado em 26/04/2026

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Cesário Verde — «O Sentimento dum
Ocidental»
Estudo Detalhado | Português — Contextualização Histórico-Literária
1. Cronologia de Cesário Verde
A seguinte cronologia apresenta os acontecimentos mais relevantes da vida e obra
de Cesário Verde, inseridos no seu contexto histórico e literário:
1855 — Nascimento de Cesário Verde.
1857 — Publicação de As Flores do Mal, de Charles Baudelaire (contexto
europeu).
Década de 1860 — Início do Impressionismo em França (influência artística
importante na escrita de Cesário).
1868 — Publicação do romance naturalista Thérèse Raquin, de Émile Zola;
publicação da revista A Folha, dirigida por João Penha.
1875 — Publicação de Claridades do Sul, de Gomes Leal.
1877 — Publicação de Parnaso Português Moderno, organizado por Teófilo
Braga.
1880 — Comemoração do terceiro centenário da morte de Camões.
Publicação de «O Sentimento dum Ocidental» no suplemento «Portugal a
Camões» do periódico Jornal de Viagens.
1881 — «Primeira Exposição de Quadros Modernos», de artistas do Grupo
do Leão, a que Cesário pertencia.
1886 — Morte de Cesário Verde, aos 31 anos.
1887 — Edição de O Livro de Cesário Verde, iniciativa de Silva Pinto.
1892 — Publicação de Só, de António Nobre.
2. Exercícios — «Conheces Cesário Verde?»
Exercício 2 — Ordenação Cronológica dos Acontecimentos
Biográficos
Ordem correta dos acontecimentos biográficos de Cesário Verde:
1.º — F: Decide trabalhar com o pai, inscreve-se no curso superior de Letras
e, nesse mesmo ano, morre a sua irmã.
2.º — E: Inicia a publicação de poemas na imprensa da época.
3.º — C: Publica a sua obra-prima, «O Sentimento dum Ocidental».
4.º — B: Participa em reuniões da tertúlia do «Grupo do Leão».
5.º — A: Adoece de tuberculose, de que vem a falecer.
6.º — D: Silva Pinto, amigo de Cesário, publica O Livro de Cesário Verde.
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Cesário Verde — «O Sentimento dum

Ocidental»

Estudo Detalhado | Português — Contextualização Histórico-Literária

1. Cronologia de Cesário Verde

A seguinte cronologia apresenta os acontecimentos mais relevantes da vida e obra de Cesário Verde, inseridos no seu contexto histórico e literário:

  • 1855 — Nascimento de Cesário Verde.
  • 1857 — Publicação de As Flores do Mal, de Charles Baudelaire (contexto europeu).
  • Década de 1860 — Início do Impressionismo em França (influência artística importante na escrita de Cesário).
  • 1868 — Publicação do romance naturalista Thérèse Raquin, de Émile Zola; publicação da revista A Folha, dirigida por João Penha.
  • 1875 — Publicação de Claridades do Sul, de Gomes Leal.
  • 1877 — Publicação de Parnaso Português Moderno, organizado por Teófilo Braga.
  • 1880 — Comemoração do terceiro centenário da morte de Camões. Publicação de «O Sentimento dum Ocidental» no suplemento «Portugal a Camões» do periódico Jornal de Viagens.
  • 1881 — «Primeira Exposição de Quadros Modernos», de artistas do Grupo do Leão, a que Cesário pertencia.
  • 1886 — Morte de Cesário Verde, aos 31 anos.
  • 1887 — Edição de O Livro de Cesário Verde, iniciativa de Silva Pinto.
  • 1892 — Publicação de Só, de António Nobre.

2. Exercícios — «Conheces Cesário Verde?»

Exercício 2 — Ordenação Cronológica dos Acontecimentos

Biográficos

Ordem correta dos acontecimentos biográficos de Cesário Verde:

  • 1.º — F: Decide trabalhar com o pai, inscreve-se no curso superior de Letras e, nesse mesmo ano, morre a sua irmã.
  • 2.º — E: Inicia a publicação de poemas na imprensa da época.
  • 3.º — C: Publica a sua obra-prima, «O Sentimento dum Ocidental».
  • 4.º — B: Participa em reuniões da tertúlia do «Grupo do Leão».
  • 5.º — A: Adoece de tuberculose, de que vem a falecer.
  • 6.º — D: Silva Pinto, amigo de Cesário, publica O Livro de Cesário Verde.

Exercício 3 — Seleciona a Opção Correta

  • 3.1 — Resposta B: Cesário Verde publica os seus trabalhos artísticos em jornais e revistas literárias.
  • 3.2 — Resposta C: A sua obra-prima, o longo poema «O Sentimento dum Ocidental», foi completamente ignorada pela crítica literária.
  • 3.3 — Resposta A: Nas tertúlias do «Grupo do Leão» não compareceram Mário Cesariny e Fernando Pessoa.
  • 3.4 — Resposta D: A poética de Cesário Verde tem sido reconhecida pelos escritores da lusofonia.

Exercício 4 — Completa o Texto

A vida literária de finais do século XIX foi um a) desencanto / apoio / incentivo para Cesário Verde. A elite cultural b) ignorou / reconheceu / aplaudiu a arte poética do autor, na qual se c) cruzam / dispersam / isolam diversas estéticas literárias, abrindo as portas para d) a modernidade / o Realismo / o fim de século.

3. Contexto Cultural e Social de Cesário Verde

Questão 1 — Em que contexto cultural e social viveu e escreveu

Cesário Verde?

Cesário Verde viveu e escreveu em Portugal e em Lisboa, entre 1855 e 1886, num contexto histórico marcado pelo projeto nacionalizante, o emburguesamento e o urbanismo. A sua vida pessoal e literária decorreu num período designado programaticamente como Regeneração , caracterizado por:

  • Rotativismo político estabelecido entre os dois partidos liberais;
  • Regeneração social mediante o simultâneo processo de emburguesamento da nobreza e de nobilitação da burguesia;
  • Regeneração citadina pelo relativo desenvolvimento de Lisboa e do Porto;
  • Regeneração sociocultural pela assunção e prática da mentalidade e cultura românticas, com figuras como Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco. A partir da década de 1870, em Lisboa, o novo olhar dos escritores «revolucionários» embebe-se nas experiências decorrentes do desenvolvimento das virtualidades da sociedade burguesa, numa cidade que cresce, se transforma, e propicia «quadros revoltados» — tema central da poética de Cesário Verde.

5. Parte I — «Ave-Marias»

Em Contexto

O poeta descreve o movimento da cidade ao cair da noite, que desencadeia a sua reflexão e introspeção. São vários os contrastes citadinos: a infelicidade dos que ficam opõe-se à felicidade dos que partem; os trabalhadores contrapõem-se aos ociosos; os favorecidos contrastam com os socialmente mais frágeis.

Conteúdo das Estrofes (excerto estudado)

O sujeito poético descreve Lisboa ao entardecer através de imagens sensoriais intensas:

  • As ruas ao anoitecer provocam soturnidade e melancolia; as sombras, o bulício, o Tejo e a maresia despertam no eu lírico um «desejo absurdo de sofrer».
  • O céu parece baixo e enevoado; o gás extravasado é perturbador; os edifícios com as chaminés criam uma cor monótona e londrina (influência urbana inglesa).
  • Carros de aluguer levam pessoas para a via-férrea — os que partem são felizes. Ocorrem ao eu lírico cidades europeias: Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo.
  • Os trabalhadores da construção (carpinteiros, mestres) saltam de viga em viga como morcegos, ao cair das badaladas.
  • Surgem os calafates, figuras rudes do cais; varinas (vendedoras de peixe) de troncos opulentos carregam canastras com os filhos; vivem em bairros insalubres com focos de infeção. Exercício 1 — Resposta correta: B — O sujeito poético acompanha o percurso dos vários tipos sociais que povoam a cidade de Lisboa, uma metrópole moderna e industrial, observando-os e caracterizando-os negativamente. 6. Parte II — «Noite Fechada»

Em Contexto

Esta parte constitui o segundo andamento do roteiro citadino. O poeta-transeunte percorre a cidade de noite, reparando nos movimentos e na luminosidade (artificial e natural) das ruas. O tempo presente opõe-se ao tempo sublime de Camões, representado simbolicamente pela estátua do poeta. Intensificam-se as sensações negativas: a cidade é comparada a uma prisão, o Aljube é transformado em asilo. O sofrimento e a melancolia da primeira parte agudizam-se, degenerando em depressão e morbidez, e por vezes em imaginação, evasão e sonho.

Estrutura das Estrofes e Temas

  • Estrofe 1 (a) — Clausura e opressão: o aljube (prisão) que agora encerra velhinhas e crianças — os mais frágeis da cidade.
  • Estrofe 2 (b) — Estado doentio do eu lírico: suspeita de um quadro clínico grave (aneurisma morbido). Ao acender das luzes, a vista das prisões, da velha sé e das cruzes faz chorar o coração.
  • Estrofe 3 (a) — A realidade iluminada conduz à imaginação de espetáculos: tascas, cafés, estancos iluminam-se; a lua lembra o circo e os jogos malabares.
  • Estrofe 4 (d) — Descrição negativa do clero: duas igrejas lançam a «nódoa negra e fúnebre»; o eu lírico evoca um inquisidor severo.
  • Estrofe 5 (f) — Construções retas e iguais da parte que abateu no terramoto oprimem o eu lírico; sinos de tanger monástico.
  • Estrofe 6 (e) — Símbolo épico e glorioso: num recinto público, a estátua de Camões (épico de outrora) eleva-se em contraste com a atualidade decadente.
  • Estrofe 7 (i) — A doença e a morte surgem imediatamente após o fôlego épico: o eu lírico sonha com o Cólera e a Febre, corpos enfezados, palácios inflamados.
  • Estrofe 8 (k) — Nova evasão para a Idade Média: patrulhas de cavalaria, conventos, arcos de quartéis — derramam-se por toda a capital.
  • Estrofe 9 (g) — Sentimento morbido do eu lírico: a cidade enluta, as elegantes curvam-se a sorrir às montras dos ourives — oposição ao eu.
  • Estrofe 10 (j) — Diversos tipos de mulheres (costureiras, floristas) cruzam-se nas lojas dos magasins.
  • Estrofe 11 (h) — Toda a realidade serve de matéria poética: o eu lírico, de luneta, entra na brasserie; emigrados jogam dominó alegremente ao gás. 7. Ficha Informativa 1 — Representação da Cidade e dos Tipos Sociais
  • A cidade moderna (Lisboa do último terço do séc. XIX) é o cenário que o sujeito poético percorre em diferentes momentos do final da tarde e da noite.
  • O eu lírico descreve e reflete criticamente sobre a diversidade de lugares e de figuras que povoam este espaço heterogéneo e marcado por contrastes.
  • A cidade moderna é um espaço opressivo e doentio para os habitantes, que não encontram nele condições de vida saudáveis e humanas.
  • No seu percurso, o eu lírico caracteriza figuras por quem passa, que representam tipos sociais (a varina, o forjador, as burguesas...).
  • Ao revelar as condições em que o povo vive (que contrastam com as da burguesia), denunciam-se as injustiças sociais do mundo moderno.
  • O eu lírico representa poeticamente o espaço e as figuras que o compõem.

9. Parte IV — «Horas Mortas»

Em Contexto

Em «Horas Mortas», o sujeito poético vagueia na escuridão da cidade, na noite profunda. Na sua reflexão, expressa os seus sonhos pessoais e desejos para o futuro do povo português. Mas logo este devaneio termina, quando volta a constatar que a cidade é asfixiante e está moralmente doente. No final, conclui que a angústia profunda originada pela realidade moderna opressora não é apenas sua, mas de todos os que nela vivem — a angústia é de toda a civilização ocidental.

Conteúdo das Estrofes

  • O teto fundo de oxigénio e de ar estende-se ao comprido, pelas trapeiras. Lágrimas de luz dos astros com olheiras enlevam o eu lírico para a quimera azul de transmigrar — desejo de evasão.
  • Por baixo: portões, arruamentos, uma parafuso nas lajes, taipais, fechaduras e olhos de um caleche ensanguentados — a realidade sombria da noite.
  • O eu segue como as linhas de uma pauta, acompanhando a dupla corrente das fachadas, enquanto sobem no silêncio as notas pastoris de uma longínqua flauta — síntese entre real e sonho.
  • Desejo de imortalidade e perfeição: «Se eu não morresse, nunca!» — sonho de habitações translúcidas e frágeis, de esposas castíssimas, de filhos com sonhos ágeis.
  • Imaginário épico: evocação da «raça ruiva do porvir», das frotas dos avós, dos nómadas ardentes — «Nós vamos explorar todos os continentes / E pelas vastidões aquáticas seguir!»
  • Mas a realidade impõe-se: «os emparedados», sem árvores, no vale escuro das muralhas. A dor humana busca os amplos horizontes e tem marés de fel — a angústia é coletiva e civilizacional.
  • Nos nebulosos corredores, tabernas com bebedores tristes de braço dado. Os cães febris e ósseos parecem lobos — a cidade noturna é hostil e sombria.
  • Nos prédios sepulcrais com dimensões de montes, a dor humana busca os amplos horizontes e tem marés de fel «como um sinistro mar» — síntese final do poema. 10. Ficha Informativa 2 — Linguagem, Estilo e Estrutura

Perceção Sensorial e Transfiguração Poética do Real

  • A poesia de Cesário Verde, realista e naturalista, tende para o percecionismo.
  • O primado das sensações — o sensorialismo (sobretudo da visão, mas também de outros sentidos) — e a observação analítica conjugam-se, revelando os contornos do real.
  • A ativação de vários sentidos em simultâneo é típica da técnica impressionista — perceção sinestésica.
  • Existe uma tendência para a síntese das experiências sensoriais, situadas entre a imagem real e a alucinação — «pintura» em versos sempre incompleta e frustrante.
  • A par de uma visão objetiva, em longas deambulações (técnica cinematográfica travelling), Cesário apresenta uma fuga imaginativa no espaço e no tempo — perceção subjetiva da realidade objetiva.

O Imaginário Épico em «O Sentimento dum Ocidental»

O poema convoca marcas do género épico:

  • Facto de ser um poema longo, de pendor narrativo.
  • Estruturação do poema como uma viagem individual (física, mental e sentimental), que é também a viagem de uma entidade coletiva (a nação ou a civilização ocidental).
  • Representação de um povo; reflexão sobre o passado, o presente e o futuro. Faceta antiépica (a epopeia moderna possível):
  • O Portugal presente não é celebrado — é uma realidade decadente e sem brilho.
  • A atitude do sujeito poético pauta-se pelo desânimo e pelo pessimismo.
  • Apesar da sua carga retórica, o poema é, sobretudo, prosaico.

Linguagem e Estilo

  • Estrutura formal: Poema longo, com quatro partes, compostas simétricamente por onze quadras, constituídas por um verso decassílabo seguido de três alexandrinos. A rima apresenta versos interpolados e emparelhados.
  • Tom: Valorização poética do vocabulário corrente e do tom coloquial e urbano, com caráter antideclamatório.
  • Recursos expressivos: Plasticidade de linguagem e imagística traduzida em comparações, metáforas e sinestesias inovadoras.
  • Tradição vs. modernidade: Competição poética entre o «olhar» do impressionismo pictórico e a experiência de metamorfoses plásticas — percursoras do Surrealismo e do Modernismo. Exercício — Consolidação (Ficha Informativa 2): Três características linguísticas e estilísticas da poética de Cesário Verde, presentes na parte III «Ao Gás»:
  • a) Construção de uma linguagem prosaica poetizada.
  • b) Presença de um olhar interrogativo e ingénuo.
  • c) Utilização abundante de recursos expressivos. — Fim do Documento de Estudo —