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Patologia e oncologia oral Estudo dos principais cistos
Tipologia: Esquemas
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Resumo-Patologia Oral II- Iúska- P Cistos Odontogênicos Classificação (OMS): Cistos Odontogênicos de Desenvolvimento: Cisto dentígero Ceratocisto Odontogênico Cisto periodontal lateral/ Cisto odontogênico botrióide Cisto gengival Cisto odontogênico glandular Cisto odontogênico calcificante Cisto odontogênico ortoceratinizado Cistos Odontogênicos de Origem Inflamatória: Cisto radicular Cistos inflamatórios colaterais Cistos Odontogênicos de Desenvolvimento:
1. Cisto dentígero Características clínicas: Patogênese: incerta, porém atribui à provável origem do cisto no resultado de uma alteração no epitélio reduzido do órgão de esmalte, após a completa calcificação da coroa do dente. Envolve a coroa de um dente incluso e está aderido ao dente em sua junção amelocementária; 75% associa-se a terceiros molares inferiores impactados; Crescimento lento; Cistos pequenos: assintomáticos, sendo descobertos através de exames radiográficos de rotina ou para determinar o motivo pelo qual o dente não erupciona. Grandes cistos: podem estar associados à expansão dolorosa do osso na área envolvida. Podem se tornar infectados associados à dor e edema; Características gerais: Alguns casos podem apresentar patogênese inflamatória; Ex: ao redor da coroa de um dente permanente incluso como conseqüência da inflamação periapical de um dente decíduo sobrejacente. Epidemiologia: Representa 20% dos cistos odontogênicos;
O 2º mais comum dos maxilares; Pico de incidência: 2º e 4º décadas de vida; Prevalência maior no sexo masculino; Características radiográficas: Área radiolúcida bem delimitada (em geral, margens radiopacas), usualmente unilocular, associada a coroa de um dente não erupcionado. Apresentam variações radiográficas na relação coroa-cisto: central, lateral, circunferencial. Características histopatológicas:
Genes supressores de tumor (p16, p53, MCC, LAT52); Grande potencial de crescimento; Epidemiologia: Representa de 10% a 20% dos cistos odontogênicos; Pico de incidência: 2ª década de vida e um segundo menor pico entre 50-70 anos; Predominância em sexo masculino; 5% ocorrem associados à Síndrome do carcinoma basocelular nevóide; Características clínicas: A mandíbula é mais envolvida em relação à maxila, ocorrendo a maior freqüência na região de 3º molar inferior (76%); Assintomáticos; Lesões maiores: dor, aumento de volume ou drenagem da secreção; Características radiográficas: Radiolúcidas, margens radiopacas bem definidas; Lesões grandes: podem se apresentar multiloculadas; 25% a 40%: associados a um dente não erupcionado; Crescimento em direção póstero-anterior, sem causar expansão óssea óbvia; Características histopatológicas: Revestido por um epitélio paraceratinizado; A camada basal epitelial é composta por uma camada em paliçada de células epiteliais cubóides ou colunares, que freqüentemente são hipercromáticas; Pequenos cistos, cordões ou ilhas satélites de epitélio odontogênico podem ser observadas na cápsula; Diagnóstico diferencial: Ameloblastoma; Tratamento e prognóstico: Enucleação e ressecção cirúrgica; Recorrência de 25%; Acompanhamento a longo prazo; Prognóstico: Bom;
2.1- Síndrome do Carcinoma Nevoide Basocelular: Características gerais: Condição autossômica dominante; Causada por mutações no gene Patched (PTCH): Supressor de tumor; Desenvolvimento de ceratocisto; Diagnóstico precoce; Características clínicas e radiográficas: Bossa frontal e temporoparietal; Aumento da circunferência craniana (mais de 60cm nos adultos); Hipertelorismo ocular leve; Prognatismo mandibular leve; Presença de diversos carcinomas de células basais na pele; Puberdade; Pápulas avermelhadas até placas ulceradas; Região média da face; Melanodermas < leucodermas: pigmentação protetora da pele; Depressões puntiformes nas palmas das mãos e planta dos pés; Manifestações menos frequentes são os cistos mesentéricos, os fibromas mesentéricos e mamários, os fibromas ovarianos e cardíacos; Anomalias esqueléticas em 60% a 75% dos pacientes: costela bífida, calcificação da foice do cérebro, alterações nos ossos dos dedos das mãos e a cifoescoliose. Os ceratocistos odontogênicos aparecem em 90% dos pacientes; São múltiplos; A remoção do primeiro ceratocisto acontece antes dos 19 anos; Associados a coroas de dentes não erupcionados; Critérios diagnóstico: Cinco ou mais carcinomas basocelulares ou um antes dos 30 anos de idade; Ceratocisto odontogênico; Calcificação lamelar da foice cerebral; Duas ou mais depressões palmares ou plantares;
Características histopatológicas: é caracterizado por um epitélio pavimentoso estratificado ortoceratinizado com proeminente camada granulosa (grânulos de querato-hialina), camada basal sem paliçada e ausência de hipercromatismo ou polarização de suas células. Diagnóstico diferencial: Cisto dentígero; Tratamento e prognóstico: Enucleação seguida de curetagem; Recidivas: raras; Prognóstico: bom.
4. Cisto periodontal lateral Características gerais: Superfície radicular lateral de um dente; Restos da lâmina dental; Contraparte intraóssea do cisto gengival do adulto (O cisto periodontal lateral e o cisto gengival do adulto teriam a mesma descendência: seriam originários do epitélio reduzido do esmalte, somente que, no cisto periodontal lateral, isto ocorreria antes da erupção do dente, enquanto que no cisto gengival do adulto, após a erupção do dente.) Epidemiologia: Representam <1%; Pico de incidência: 6ª e 7ª década de vida; Predileção pelo sexo masculino; Características clínicas: Assintomáticos; Região de pré-molares, canino e incisivos laterais inferiores; Características radiográficas: Radiograficamente é radiolúcido bem circunscrita, localizado lateralmente à uma raiz de um dente com vitalidade; Quando se apresenta multilocular é chamado de cisto botrióide (semelhante a cacho de uvas); Essas multiloculações possivelmente são o resultado da degeneração cística e fusão dos restos da lâmina dentária; As características radiográficas isoladas não são capazes de fechar o diagnóstico;
Características histopatológicas: De uma forma geral, apresentam um revestimento epitelial não ceratinizado, com poucas camadas de células, sem projeções e com focos de espessamento (placas) para o interior do lúmen. Tratamento e prognóstico: Enucleação; Recorrência: 20% na variante Botrióide; Prognóstico: bom.
5. Cistos gengivais 5.1- Cisto gengival do recém nascido Características gerais: Semelhantes aos cistos palatinos do recém-nascido; Remanescentes da lâmina dental; Desaparecem espontaneamente através de sua ruptura dentro da cavidade oral; Epidemiologia: É encontrado em até 90% dos neonatos; É raro em bebês com idade >3 meses; Características histopatológicas: Revestimento epitelial delgado e achatado, com uma superfície luminal de paraceratina; A cavidade cística usualmente é preenchida por queratina descamada e, freqüentemente, contém células inflamatórias. Tratamento e prognóstico: Regridem espontaneamente; Prognóstico: excelente. 5.2- Cisto gengival do adulto Características gerais: Lesão incomum; Contraparte em tecidos moles do cisto periodontal lateral; Restos da lâmina dental (restos de Serres); Cistos de inclusão epitelial;
Pequenos cistos são assintomáticos, porém cistos grandes estão associados com expansão óssea, dor e parestesia; Características radiográficas: Radiograficamente podem ser radiolúcidos uniloculares, porém com maior frequência são multiloculares. As margens são bem definidas, com uma borda esclerótica radiopaca (margens corticalizadas). Associados a múltiplos dentes; Apresenta deslocamento dentário ou reabsorção radicular; Características histopatológicas: Revestido por epitélio pavimentoso estratificado de espessura variada; Células epiteliais superficiais que revestem a cavidade cística tendem a ser cúbicas ou colunares; Normalmente a camada superficial inclui a produção de mucina, de células caliciformes, e por vezes com a presença de cílios. Tratamento e prognóstico: Enucleação e curetagem; Lesões maiores ou multiloculares: ressecção em bloco; Recidivas em torno de 30%; Prognóstico: bom.
7. Cisto Odontogênico Calcificante/ Tumor dentinogênico de células-fantasmas/ Cisto odontogênico calcificante de células-fantasmas De acordo com a classificação da OMS (2005), o cisto odontogênico calcificante ou tumor odontogênico cístico calcificante é uma neoplasia odontogênica epitelial de origem incerta, na qual se destacam mutações no gene da β-catenina. Existe amplo debate sobre a classificação e nomenclatura deste em razão da eventual presença de odontomas (malformações dos tecidos dentários), áreas com proliferação epitelial ativa na cápsula com localização extra ou intraóssea. Características clínicas: Representa menos de 1% (lesão incomum); Frquência igual na maxila e na mandíbula; 65% dos casos são na região de caninos e incisivos; A idade média dos pacientes é de 30 anos;
Quando associados a odontomas tendem a acometer pacientes mais jovens; Variantes extra-ósseas: compreendem desde 5% a 17%; Pico de incidência: 6ª e 8ª décadas de vida; Características radiográficas: Geralmente são uniloculares, radiolúcidos, bem definidos; Estruturas raiopacas semelhantes a dentes estão presentes de 2/3 a metade dos casos; 1/3 dos casos está associado a dente incluso, geralmente canino; 2,0 a 4,0 cm em seu maior diâmetro; A reabsorção radicular ou a divergência dos dentes adjacentes podem ocorrer; Características histopatológicas: Revestimento epitelial com a camada basal constituída de células cúbicas ou colunares; Camada de células semelhantes às do retículo estrelado do órgão do esmalte; Presença de células fantasmas queratinizadas, com aspecto eosinofílico; Tratamento e prognóstico: Enucleação; Baixa recidiva; Prognóstico: bom. **Cistos Odontogênicos de Origem Inflamatória:
Acompanhamento de 1 a 2 anos; Se a lesão não regredir, poderá ser feito o retratamento endodôntico; Lesões maiores que 2cm e associadas a dentes nos quais não é viável o tratamento endodôntico convencional, devem ser tratadas com cirurgia periapical; A biópsia é indicada para descartar a presença de outra patologia; Todos os cistos devem ser removidos cirurgicamente; Os cistos inflamatórios não recidivam após tratamento adequado; Em casos raros houve a transformação maligna, por isso a importância de tratar os cistos, mesmo que assintomáticos. 2) Cisto inflamatório colateral Características gerais: Surgem relacionados a dentes parcialmente ou recentemente erupcionados como resultado da inflamação dos tecidos pericoronários; Há dois tipos principais: Cisto paradentário: Características clínicas: associa-se a terceiros molares inferiores; História de pericoronarite de longa data; Características radiográficas: Radiolúcida unilocular bem circunscrita; Distal do 3º molar. Cisto da bifurcação vestibular : Características clínicas: Surgem entre o 1º ou 2º molares inferiores; Aumento de volume associado à secreção de gosto desagradável; Bolsa periodontal. Características radiográficas: Radiolúcida unilocular bem circunscrita; Bifurcação vestibular e a região da raiz do dente em questão. Características histopatológicas: As características microscópicas não são específicas; Epitélio pavimentoso estratificado não ceratinizado com áreas de hiperplasia; Infiltrado inflamatório crônico proeminente na cápsula de tecido conjuntivo circunjacente; Tratamento e prognóstico: Enucleação; Remoção do dente envolvido (3º molar); Prognóstico: bom.
Avaliar o perfil epidemiológico destas lesões e observar suas variações; Correlacionar à história geral do paciente, características clínicas, radiográficas e histopatológicas; Planejar e executar o melhor tratamento, levando em consideração recidivas associadas e prognóstico.