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Coesao referencial, Notas de estudo de Engenharia Mecânica

Texto e Produção de Sentido

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 18/10/2013

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jose-cruz-7 🇧🇷

4.8

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Texto e Produção
de Sentido.
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Texto e Produção

de Sentido.

Texto e Produção

de Sentido.

Enunciação: ato de produzir um

enunciado, numa dada situação de interação verbal demarcada no tempo e no espaço, ocorrendo sempre determinada pelos gêneros do discurso. É uma sequência obediente às regras da língua e ao acontecimento histórico que permite a emergência do enunciado. Ela, assim, não deriva do arranjo dos elementos linguísticas em si, mas da combinação destes com o contexto de sua produção no processo de interação verbal.

É a enunciação, portanto, que

produz o texto, podendo este conter ou

não marcas enunciativas que facilitam o

trabalho de sua compreensão.

Por ser produto da enunciação e

não processo, o texto acaba tendo um

caráter mais estável e permanente.

O discurso é conhecido por sua

historicidade e mobilidade.

Textualidade: essa propriedade chamada coesão Um texto não se reduz a um amontoado de sentenças desconexas. O que caracterizaria, então, a textualidade? Diferentes estudiosos a têm considerado, de modo abrangente, como qualquer manifestação da competência textual humana. Nesse caso, podemos considerar como textos um desenho de Carybé, uma escultura de Michelângelo, uma música de Bach, um poema de Bandeira e até, entre outras possibilidades, um grafite num muro qualquer da cidade.

Já o discurso diz respeito a um tipo de atividade verbal, oral ou escrita, que acontece em determinadas condições, abrangendo tanto os enunciados produzidos por locutor(es) e interlocutor(es) quanto o acontecimento histórico de sua enunciação. Os textos, assim, num sentido mais restrito, acabam se transformando em materialização linguística do discurso e constituem uma unidade significativa que assume sentido completo na interação verbal.

A textualidade que nos interessa nesse tópico é aquela que consiste na materialização do discurso oral ou escrito e que se caracteriza por ter, como propriedade básica, uma unidade significativa. Tal unidade pode ser chamada de vários modos diferentes: "encadeamento semântico", "teia significativa", "tessitura semântica" etc. Não importa tanto o modo como o texto seja chamado, o que importa é que se saiba diferenciá- Io de um não-texto. Uma combinação de palavras tem de conter algumas marcas para que seja reconhecida como um texto.

A coesão textual, portanto, diz respeito ao fato de os diversos constituintes do texto estarem associados, unidos, formando um todo entendido como um texto, em relação a um não-texto. A coesão, assim definida, é um dos fatores indispensáveis à noção de textualidade. Embora a coesão não ocorra somente entre sentenças, tecnicamente, podemos defini-Ia como "uma maneira de recuperar, em uma sentença B, um termo presente em uma sentença A".

Considere o trecho inicial da reportagem: Fazendo-se passar por gari, o psicólogo Fernando Braga Costa varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado sobre a lnvisibilidade pública, Braga sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.

Caso a palavra Braga, no entando, fosse substituída pela expressão Essa invisibilidade, o resultado seria considerado um não-texto. Porque, apesar de recuperar gramaticalmente um termo presente na sentença A, a expressão introduzida não estabelece com o restante da sentença B um nexo semântico ou lógico. Decorre daí o mal- estar de um texto incoerente.

Fazendo-se passar por gari, o psicólogo Fernando Braga Costa varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado sobre a "invisibilidade pública”. Essa invisibilidade sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.

Os pronomes pessoais (ele, ela, nós, o, a, lhe e flexões) a) Em 1996, o psicólogo iniciara o trabalho de campo. Durante cinco anos, ele trabalhou como gari, de um a três dias por semana no Campus da Cidade Universitária da Capital Paulista. b) Um exemplo: Enquanto pessoas da classe média não cumprimentam o gari por entenderem que não se trata de uma pessoa e sim de uma função, ele tenta se proteger da violência da invisibilidade, não respondendo a um eventual cumprimento.

Sem os elementos de coesão a) Em 1996, iniciara o trabalho de campo. Duran te cinco anos, ele trabalhou como gari, de um a três dias por semana no Campus da Cidade Universitária da Capital Paulista. b) Um exemplo: enquanto pessoas da classe mé dia não o cumprimentam por entenderem que não se trata de uma pessoa e sim de uma função, ele tenta se proteger da violência da invisibilidade, não respondendo a um eventual cumprimento.

Os artigos definidos o, a, os, as e suas contrações (no, na, nos, nas) Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão. O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar...

Os pronomes possessivos (meu, teu, seu e flexões) a) Fazendo-se passar por gari, o psicólogo Fer nando Braga Costa varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado sobre a "invisibilidade pública “. b) Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os cole gas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: "Descobri que um simples 'bom dia; que nunca recebi como gari, pode significar um so pro de vida, um sinal da própria existência'; explica o pesquisador.