



Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
composicao da saliva odontologia
Tipologia: Resumos
1 / 6
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!




É a secreção glandular que banha a cavidade bucal. É formada pelos produtos de três pares de glândulas salivares maiores (parótidas, submandibulares e sublinguais) e de todas as glândulas salivares menores presentes na mucosa bucal (lábios, bochechas e palato). As secreções das glândulas salivares são misturadas com componentes do fluido do sulco gengival, células epiteliais descamadas e bactérias bucais, formando o que se conhece como saliva total. De modo geral, mais de 99% da saliva é água. Entretanto, menos de 1% restante, que inclui proteínas e outros compostos orgânicos, bem como íons minerais, faz toda a diferença nas propriedades extremamente distintas entre água e saliva.
A saliva não estimulada corresponde à saliva total presente normalmente na boca em ausência de estímulos exógenos. Ela forma um revestimento que cobre, umecta e lubrifica os tecidos moles bucais (mucosas) e os dentes. Embora existam grandes variações biológicas individuais nas medidas do fluxo salivar, o fluxo salivar normal da saliva não estimulada pode ser considerado, em média, de 0,3 a 0,4 mL/min. A saliva não estimulada é produzida principalmente pelas glândulas submandibulares (60%), e em menor quantidade pelas glândulas parótidas (25%), sublinguais (7– 8%) e mucosas menores (7–8%). Alterações no fluxo salivar também podem levar à hipossalivação (pouca saliva) e à sialorreia (excesso de saliva), sendo a última rara. A hipossalivação é a determinação objetiva do fluxo salivar reduzido (<0,1 mL/min) de um paciente, que pode ser feita pelo cirurgião dentista, ao passo que a xerostomia é a sensação subjetiva ou o sintoma de boca seca. A preocupação maior com relação à saúde bucodental é com a presença de hipossalivação.
A saliva estimulada é aquela secretada em resposta a estímulos exógenos, os quais podem ser químicos (gustativos, olfativos, medicamentos) ou mecânicos (mastigação, vomito). Embora diferentes fatores interfiram no fluxo salivar estimulado, e existam grandes variações individuais, a média do fluxo salivar estimulado normal é de 1 a 3 mL/min. Diferente da saliva não estimulada, a saliva estimulada é produzida principalmente pela glândula parótida (50%). A estimulação do fluxo salivar é importante para promover algumas funções da saliva, como limpeza, tamponamento e remineralização dental. A estimulação salivar promove a limpeza e a eliminação de carboidratos e restos alimentares, assim como o tamponamento dos ácidos produzidos pelas bactérias no biofilme dental ou presentes nos alimentos ácidos. Funções e propriedades da saliva A saliva tem diversas funções, sendo a principal delas fazer a manutenção da saúde bucal por meio da proteção dos tecidos moles (mucosa oral) e dos tecidos duros dentais, assim como auxiliar na proteção do trato gastrintestinal. Deve ser destacado que funções como fluido/lubrificação, digestão e limpeza são relacionadas principalmente com as características do fluido, ao passo que as demais funções estão relacionadas com componentes específicos da saliva, como proteínas e íons. As funções da saliva podem ser agrupadas de forma simplificada em: fluido/lubrificação, digestão e paladar, ação antimicrobiana, limpeza e ação tamponante, e, por último, manutenção da integridade dental e ação remineralizante abaixo descritas. Fluido/lubrificação A saliva forma um revestimento que cobre as mucosas bucais, protegendo-as de irritações mecânicas, térmicas e químicas, e da desidratação. Esse revestimento também serve como lubrificante na formação do bolo alimentar durante a mastigação e sua deglutição, e também é importante durante a fonação. A propriedade lubrificante é conferida pela presença de mucinas, sintetizadas pelas glândulas submandibulares, sublinguais e salivares menores. As mucinas são glicoproteínas altamente viscoelásticas e adesivas, que conferem à saliva sua característica de viscosidade. Além disso, pelo fato de serem altamente hidrofílicas e reterem água, as mucinas têm a capacidade de manter as mucosas bucais hidratadas. Digestão e paladar A saliva tem a função de dissolver os flavorizantes dos alimentos, possibilitando que eles entrem em contato com as papilas gustativas na língua, palato mole, epiglote, nasofaringe e no esôfago, aguçando o paladar e permitindo diferenciar os diferentes sabores dos alimentos. Além disso, a composição hipotônica da saliva (concentração de sódio e cloreto
hipoclorito (OCl-), com efeito contra anaeróbios orais, além de induzir dano tissular. A função protetora das peroxidases está relacionada com a eliminação do H2O2 do meio bucal, evitando o possível efeito tóxico desse composto sobre as proteínas salivares e as células do hospedeiro. Por outro lado, altas concentrações de OSCN− levam à diminuição da produção de ácidos no biofilme dental pelo metabolismo de carboidratos. Produtos de higiene bucal com base no princípio da propriedade das peroxidases salivares têm sido desenvolvidos e estão no mercado, mas não há evidência da sua relevância clínica. Cistatina As cistatinas inibem proteases de origem bacteriana e aquelas produzidas por leucócitos salivares, inibindo assim a proteólise indesejada das proteínas salivares. Com a inibição da proteólise, não haverá aminoácidos disponíveis para a síntese de proteínas pelos microrganismos, sendo esse o principal efeito antimicrobiano das cistatinas. Histatina A histatina 3 tem propriedades antifúngicas, inibindo o crescimento de Candida albicans, o patógeno responsável pela candidíase oral. Com base nesse conhecimento, produtos para reabilitação bucal ou para higiene bucal tem sido desenvolvidos, mas resultados de evidencia de efeito ainda são carentes. Glicoproteínas salivares Outra função antibacteriana da saliva é a aglutinação de bactérias. Essa função é desempenhada pelas glicoproteínas salivares, como mucinas e aglutininas salivares de alto peso molecular. Ao agregarem microrganismos não aderidos às superfícies bucais, essas proteínas conseguem reduzir a quantidade de microrganismos na cavidade bucal, já que eles são removidos mais facilmente pela deglutição. Imunoglobulinas As imunoglobulinas são anticorpos gerados pelo sistema imunológico das mucosas. Esses anticorpos são específicos contra os microrganismos que compõem a microbiota oral, além de outros que ingressam no corpo humano por meio da boca. Limpeza e ação tamponante A saliva tem a função de limpar ou remover da cavidade bucal bebidas e restos de alimentos, principalmente aqueles que contem carboidratos fermentáveis (sacarose e glicose) e ácidos, protegendo os dentes contra carie e erosão. Além disso, a saliva remove da cavidade bucal células epiteliais descamadas e bactérias, as quais podem estar aderidas às células epiteliais ou suspensas na saliva.
A função de limpeza é determinada pela presença constante de saliva na boca, formando uma película. A saliva é produzida continuamente, e aproximadamente a cada 150 segundos ela é instintivamente deglutida. Assim, normalmente a boca mantém um volume de 1 mL de saliva, distribuído por uma área média de superfície dental e de mucosa de 200 cm. Esse volume se distribui sobre os dentes e a mucosa na forma de uma película, ou filme salivar (espessura em torno de 0,1 mm), o qual se movimenta continuamente. A ação tamponante da saliva está determinada pela presença de bicarbonato, fosfato e proteínas. O tampão bicarbonato é o sistema tampão mais importante da saliva. Porém, ele funciona essencialmente quando a saliva é estimulada, em que a concentração de bicarbonato é significativamente maior em comparação com a da saliva não estimulada. A capacidade do tampão fosfato na saliva vai depender da sua concentração e do tipo de fosfato presente em determinado pH. Manutenção da integridade dental e ação remineralizante As proteínas da saliva aderem à superfície do esmalte, formando um filme acelular denominada película adquirida do esmalte (PAE), que tem função importante na manutenção da integridade da parte mineral dos dentes. A PAE é um filme de proteínas salivares e outras biomoléculas aderidas à superfície dental que se forma rapidamente após a exposição do esmalte dental à saliva, constituindo uma interface entre a superfície do esmalte e o biofilme dental. Ela forma uma barreira semipermeável sobre o esmalte, reduzindo sua desmineralização pelos ácidos e/ou promovendo a remineralização via saliva. No processo de desenvolvimento de lesões cariosas, a PAE reduz a perda mineral causada pelos ácidos produzidos pelas bactérias no biofilme. Entretanto, a PAE não impede o processo de remineralização porque ela permite a difusão de íons presentes na saliva, como Ca2+, PO43−e F−, ativando a reposição de minerais perdidos. A capacidade remineralizante da saliva é aumentada em muito pela associação com fluoreto (F−). Quando há F− presente na saliva, além da tendência de formação do mineral hidroxiapatita, há também a tendência de formação de fluorapatita, um mineral menos solúvel que o primeiro e, portanto, com uma capacidade de precipitação muito maior. A PAE, por outro lado, funciona como uma película condicionante, cuja composição e estrutura determinam quais bactérias iniciarão a formação do biofilme dental. Assim, a PAE é uma estrutura etiológica fundamental que determina o balanço entre saúde e doenças dentais mediadas por biofilme, como cárie e doença periodontal.