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Guias e Dicas
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Compreensão e interpretação de textos, Redação de Português (Gramática - Literatura)

Uma série de descritores que avaliam diferentes habilidades relacionadas à compreensão e interpretação de textos, como a capacidade de localizar informações explícitas e implícitas, identificar o tema central, distinguir fatos de opiniões, reconhecer a finalidade do texto, estabelecer relações entre diferentes partes do texto, identificar recursos linguísticos e estilísticos utilizados pelo autor, e reconhecer o locutor e o interlocutor do texto. Esses descritores são importantes para o desenvolvimento da competência leitora dos alunos, permitindo-lhes analisar criticamente diversos tipos de textos e discursos. O documento fornece exemplos de questões que podem ser utilizadas para avaliar essas habilidades, o que pode ser útil tanto para professores quanto para estudantes que buscam aprimorar suas capacidades de leitura e interpretação textual.

Tipologia: Redação

Antes de 2010

Compartilhado em 15/05/2023

sab-23
sab-23 🇧🇷

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Matriz de Língua Portuguesa de 8ª série
Comentários sobre os Tópicos e Descritores
Exemplos de itens
TÓPICO I PROCEDIMENTOS DE LEITURA
Os textos nem sempre apresentam uma linguagem literal. Deve haver, então, a
capacidade de reconhecer novos sentidos atribuídos às palavras dentro de uma produção
textual. Além disso, para a compreensão do que é conotativo e simbólico é preciso
identificar não apenas a idéia, mas também ler as entrelinhas, o que exige do leitor uma
interação com o seu conhecimento de mundo. A tarefa do leitor competente é, portanto,
apreender o sentido global do texto, utilizando recursos para a sua compreensão, de
forma autônoma.
É relevante ressaltar que, além de localizar informações explícitas, inferir
informações implícitas e identificar o tema de um texto, nesse tópico, deve-se também
distinguir os fatos apresentados da opinião formulada acerca desses fatos nos diversos
gêneros de texto. Reconhecer essa diferença é essencial para que o aluno possa tornar-
se mais crítico, de modo a ser capaz de distinguir o que é um fato, um acontecimento, da
interpretação que é dada a esse fato pelo autor do texto.
D1 Localizar informações explícitas em um texto.
A habilidade que pode ser avaliada por este descritor, relaciona-se à localização
pelo aluno de uma informação solicitada, que pode estar expressa literalmente no texto
ou pode vir manifesta por meio de uma paráfrase, isto é, dizer de outra maneira o que
se leu.
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto-base que dá suporte ao item,
no qual o aluno é orientado a localizar as informações solicitadas seguindo as pistas
fornecidas pelo próprio texto. Para chegar à resposta correta, o aluno deve ser capaz
de retomar o texto, localizando, dentre outras informações, aquela que foi solicitada.
Por exemplo, os itens relacionados a esse descritor perguntam diretamente a
localização da informação, complementando o que é pedido no enunciado ou
relacionando o que é solicitado no enunciado, com a informação no texto.
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Matriz de Língua Portuguesa de 8ª série

Comentários sobre os Tópicos e Descritores

Exemplos de itens

TÓPICO I – PROCEDIMENTOS DE LEITURA

Os textos nem sempre apresentam uma linguagem literal. Deve haver, então, a

capacidade de reconhecer novos sentidos atribuídos às palavras dentro de uma produção

textual. Além disso, para a compreensão do que é conotativo e simbólico é preciso

identificar não apenas a idéia, mas também ler as entrelinhas, o que exige do leitor uma

interação com o seu conhecimento de mundo. A tarefa do leitor competente é, portanto,

apreender o sentido global do texto, utilizando recursos para a sua compreensão, de

forma autônoma.

É relevante ressaltar que, além de localizar informações explícitas, inferir

informações implícitas e identificar o tema de um texto, nesse tópico, deve-se também

distinguir os fatos apresentados da opinião formulada acerca desses fatos nos diversos

gêneros de texto. Reconhecer essa diferença é essencial para que o aluno possa tornar-

se mais crítico, de modo a ser capaz de distinguir o que é um fato, um acontecimento, da

interpretação que é dada a esse fato pelo autor do texto.

D1 – Localizar informações explícitas em um texto.

A habilidade que pode ser avaliada por este descritor, relaciona-se à localização

pelo aluno de uma informação solicitada, que pode estar expressa literalmente no texto ou pode vir manifesta por meio de uma paráfrase, isto é, dizer de outra maneira o que se leu. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto-base que dá suporte ao item,

no qual o aluno é orientado a localizar as informações solicitadas seguindo as pistas fornecidas pelo próprio texto. Para chegar à resposta correta, o aluno deve ser capaz de retomar o texto, localizando, dentre outras informações, aquela que foi solicitada.

Por exemplo, os itens relacionados a esse descritor perguntam diretamente a localização da informação, complementando o que é pedido no enunciado ou

relacionando o que é solicitado no enunciado, com a informação no texto.

Exemplo de item do descritor D1:

A assembléia dos ratos

Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria duma casa velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome. Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembléia para o estudo da questão. Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos miados pelo telhado, fazendo sonetos à lua. — Acho – disse um deles - que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo. Palmas e bravos saudaram a luminosa idéia. O projeto foi aprovado com delírio. Só votou contra um rato casmurro, que pediu a palavra e disse: — Está tudo muito direito. Mas quem vai amarrar o guizo no pescoç o de Faro- Fino? Silêncio geral. Um desculpou-se por não saber dar nó. Outro, porque não era tolo. Todos, porque não tinham coragem. E a assembléia dissolveu-se no meio de geral consternação. Dizer é fácil - fazer é que são elas!

LOBATO, Monteiro. in Livro das Virtudes – William J. Bennett – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 308.

Na assembléia dos ratos, o projeto para atar um guizo ao pescoço do gato foi (A) aprovado com um voto contrário.

(B) aprovado pela metade dos participantes.

(C) negado por toda a assembléia. (D) negado pela maioria dos presentes.

D3 – Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.

Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade de o aluno relacionar informações, inferindo quanto ao sentido de uma palavra ou expressão no texto, ou seja, dando a determinadas palavras seu sentido conotativo.

Inferir significa realizar um raciocínio com base em informações já conhecidas, a fim de se chegar a informações novas, que não estejam explicitamente marcadas no

texto. Com este descritor, pretende-se verificar se o leitor é capaz de inferir um

significado para uma palavra ou expressão que ele desconhece.

do gênero textual e na transposição do que seja real para o imaginário. É importante que o aluno apreenda o texto como um todo, para dele retirar as informações solicitadas. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto, no qual o aluno deve buscar

informações que vão além do que está explícito, mas que à medida que ele vá atribuindo

sentido ao que está enunciado no texto, ele vá deduzindo o que lhe foi solicitado. Ao realizar esse movimento, são estabelecidas de relações entre o texto e o seu contexto pessoal. Por exemplo, solicita-se que o aluno identifique o sentido da ação dos

personagens ou o que determinado fato desperte nos personagens, entre outras coisas.

Exemplo de item do descritor D4:

O IMPÉRIO DA VAIDADE

Você sabe por que a televisão, a publicidade, o cinema e os jornais defendem os músculos torneados, as vitaminas milagrosas, as modelos longilíneas e as academias de ginástica? Porque tudo isso dá dinheiro. Sabe por que ninguém fala do afeto e do respeito entre duas pessoas comuns, mesmo meio gordas, um pouco feias, que fazem piquenique na praia? Porque isso não dá dinheiro para os negociantes, mas dá prazer para os participantes. O prazer é físico, independentemente do físico que se tenha: namorar, tomar milk-shake, sentir o sol na pele, carregar o filho no colo, andar descalço, ficar em casa sem fazer nada. Os melhores prazeres são de graça - a conversa com o amigo, o cheiro do jasmim, a rua vazia de madrugada - , e a humanidade sempre gostou de conviver com eles. Comer uma feijoada com os amigos, tomar uma caipirinha no sábado também é uma grande pedida. Ter um momento de prazer é compensar muitos momentos de desprazer. Relaxar, descansar, despreocupar-se, desligar-se da competição, da áspera luta pela vida - isso é prazer. Mas vivemos num mundo onde relaxar e desligar-se se tornou um problema. O prazer gratuito, espontâneo, está cada vez mais difícil. O que importa, o que vale, é o prazer que se compra e se exibe, o que não deixa de ser um aspecto da competição. Estamos submetidos a uma cultura atroz, que quer fazer-nos infelizes, ansiosos, neuróticos. As filhas precisam ser Xuxas, as namoradas precisam ser modelos que desfilam em Paris, os homens não podem assumir sua idade. Não vivemos a ditadura do corpo, mas seu contrário: um massacre da indústria e do comércio. Querem que sintamos culpa quando nossa silhueta fica um pouco mais gorda, não porque querem que sejamos mais saudáveis - mas porque, se não ficarmos angustiados, não faremos mais regimes, não compraremos mais produtos dietéticos, nem produtos de beleza, nem roupas e mais roupas. Precisam da nossa impotência, da nossa insegurança, da nossa angústia. O único valor coerente que essa cultura apresenta é o narcisismo.

LEITE, Paulo Moreira. O império da vaidade. Veja , 23 ago. 1995. p. 79.

O autor pretende influenciar os leitores para que eles (A) evitem todos os prazeres cuja obtenção depende de dinheiro. (B) excluam de sua vida todas as atividade incentivadas pela mídia.

(C) fiquem mais em casa e voltem a fazer os programas de antigamente.

(D) sejam mais críticos em relação ao incentivo do consumo pela mídia.

D6 – Identificar o tema de um texto.

O tema é o eixo sobre o qual o texto se estrutura. A percepção do tema

responde a uma questão essencial para a leitura: “O texto trata de quê?” Em muitos

textos, o tema não vem explicitamente marcado, mas deve ser percebido pelo leitor

quando identifica a função dos recursos utilizados, como o uso de figuras de linguagem,

de exemplos, de uma determinada organização argumentativa, entre outros

A habilidade que pode ser avaliada por meio deste descritor refere-se ao

reconhecimento pelo aluno do assunto principal do texto, ou seja, à identificação do que

trata o texto. Para que o aluno identifique o tema, é necessário que relacione as

diferentes informações para construir o sentido global do texto.

Essa habilidade é avaliada por meio de um texto para o qual é solicitado, de

forma direta, que o aluno identifique o tema ou o assunto principal do texto.

Exemplo de item do descritor D6:

A PARANÓIA DO CORPO

Em geral, a melhor maneira de resolver a insatisfação com o físico é cuidar da parte emocional.

LETÍCIA DE CASTRO Não é fácil parecer com Katie Holmes, a musa do seriado preferido dos teens, Dawson's Creek ou com os galãs musculosos do seriado Malhação. Mas os jovens bem que tentam. Nunca se cuidou tanto do corpo nessa faixa etária como hoje. A Runner, uma grande rede de academias de ginás tica, com 23 000 alunos espalhados em nove unidades na cidade de São Paulo, viu o público adolescente crescer mais que o adulto nos últimos cinco anos. “Acho que a academia é para os jovens de hoje o que foi a discoteca para a geração dos anos 70”, acredita José Otávio Marfará, sócio de outra academia paulistana, a Reebok Sports Club. "É o lugar de confraternização, de diversão." É saudável preocupar-se com o físico. Na adolescência, no entanto, essa preocupação costuma ser excessiva. É a chamada paranóia do corpo. Alguns exemplos. Nunca houve uma oferta tão grande de produtos de beleza destinados a adolescentes. Hoje em dia é possível resolver a maior parte dos problemas de estrias, celulite e espinhas com a ajuda da ciência. Por isso, a tentação de exagerar nos medicamentos é grande. "A garota tem a mania de recorrer aos remédios que os amigos estão usando, e muitas vezes eles não são indicados para seu tipo de pele”, diz a dermatologista Iara Yoshinaga, de São Paulo, que atende adolescentes em seu consultório. São cada vez mais freqüentes os casos de meninas que procuram um cirurgião plástico em busca da

Exemplo de item do descritor D14:

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No mundo dos sinais

Sob o sol de fogo, os mandacarus se erguem, cheios de espinhos. Mulungus e aroeiras expõem seus galhos queimados e retorcidos, sem folhas, sem flores, sem frutos. Sinais de seca brava, terrível! Clareia o dia. O boiadeiro toca o berrante, chamando os companheiros e o gado. Toque de saída. Toque de estrada. Lá vão eles, deixando no estradão as marcas de sua passagem.

TV Cultura , Jornal do Telecurso.

A opinião do autor em relação ao fato comentado está em

(A) “os mandacarus se erguem”

(B) “aroeiras expõem seus galhos”

(C) “Sinais de seca brava, terrível!!”

(D) “Toque de saída. Toque de entrada”.

Matriz de Língua Portuguesa de 8ª série

Comentários sobre os Tópicos e Descritores

Exemplos de itens

TÓPICO II – IMPLICAÇÕES DO SUPORTE, DO GÊNERO E / OU ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO

TEXTO

Este tópico requer dos alunos duas competências básicas, a saber: a

interpretação de textos que conjugam duas linguagens – a verbal e a não-verbal – e o

reconhecimento da finalidade do texto por meio da identificação dos diferentes gêneros

textuais.

Para o desenvolvimento dessas competências, tanto o texto escrito quanto as

imagens que o acompanham são importantes, na medida em que propiciam ao leitor

relacionar informações e se engajar em diferentes atividades de construção de

significados.

D5 – Interpretar texto com o auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, fotos, etc.).

Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade de o aluno reconhecer a

utilização de elementos gráficos (não-verbais) como apoio na construção do sentido e de

interpretar textos que utilizam linguagem verbal e não-verbal (textos multissemióticos).

Essa habilidade pode ser avaliada por meio de textos compostos por gráficos,

desenhos, fotos, tirinhas, charges. Por exemplo, é dado um texto não-verbal e pede-se ao

aluno que identifique os sentimentos dos personagens expressos pelo apoio da imagem,

ou dá-se um texto ilustrado e solicita-se o reconhecimento da relação entre a ilustração e

o texto.

Exemplo de item do descritor D5:

Folha de São Paulo, 29/4/2004.

Matriz de Língua Portuguesa de 8ª série

Comentários sobre os Tópicos e Descritores

Exemplos de itens

TÓPICO III – RELAÇÃO ENTRE TEXTOS

Este tópico requer que o aluno assuma uma atitude crítica e reflexiva ao

reconhecer as diferentes idéias apresentadas sobre o mesmo tema em um único texto ou

em textos diferentes. O tema se traduz em proposições que se cruzam no interior dos

textos lidos ou naquelas encontradas em textos diferentes, mas que apresentam a mesma

idéia, assim, o aluno pode ter maior compreensão das intenções de quem escreve, sendo

capaz de identificar posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo

fato ou tema.

As atividades que envolvem a relação entre textos são essenciais para que o

aluno construa a habilidade de analisar o modo de tratamento do tema dado pelo autor e

as condições de produção, recepção e circulação dos textos.

Essas atividades podem envolver a comparação de textos de diversos gêneros,

como os produzidos pelos alunos, os textos extraídos da Internet, de jornais, revistas,

livros e textos publicitários, entre outros.

D20 – Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que eles foram produzidos e daquelas em que serão recebidos.

Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade do aluno em reconhecer

as diferenças entre textos que tratam do mesmo assunto, em função do leitor-alvo, da

ideologia, da época em que foi produzido e das suas intenções comunicativas. Por

exemplo, historinhas infantis satirizadas em histórias em quadrinhos, ou poesias clássicas

utilizadas como recurso para análises críticas de problemas do cotidiano.

Essa habilidade é avaliada por meio da leitura de dois ou mais textos, de mesmo

gênero ou de gêneros diferentes, tendo em comum o mesmo tema, para os quais é

solicitado o reconhecimento das formas distintas de abordagem.

Exemplo de item do descritor D20:

Texto I

Sem-proteção Jovens enfrentam mal a acne, mostra pesquisa Transtorno presente na vida da grande maioria dos adolescentes e jovens, a acne ainda gera muita confusão entre eles, principalmente no que diz respeito ao melhor modo de se livrar dela. E o que mostra uma pesquisa realizada pelo projeto Companheiros Unidos contra a Acne (Cucas), uma parceria do laboratório Roche e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD): Foram entrevistados 9273 estudantes, entre 11 e 19 anos, em colégios particulares de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Pará, Paraná, Alagoas, Ceará e Sergipe, dentre os quais 7623 (82%) disseram ter espinhas. O levantamento evidenciou que 64% desses entrevistados nunca foram ao médico em busca de tratamento para espinhas. "Apesar de não ser uma doença grave, a acne compromete a aparência e pode gerar muitas dificuldades ligadas à auto-estima e à sociabilidade", diz o dermatologista Samuel Henrique Mandelbaum, presidente da SBD de São Paulo. Outros 43% dos entrevistados disseram ter comprado produtos para a acne sem consultar o dermatologista - as pomadas, automedicação mais freqüente, além de não resolverem o problema, podem agravá-lo, já que possuem componentes oleosos que entopem os poros. (...) Fernanda Colavitti Texto II

Perda de Tempo

Os métodos mais usados por adolescentes e jovens brasileiros não resolvem os problemas mais sérios de acne.

23% lavam o rosto várias vezes ao dia 21% usam pomadas e cremes convencionais 5% fazem limpeza de pele 3% usam hidratante 2% evitam simplesmente tocar no local 2% usam sabonete neutro (COLAVITTI, Fernanda – Revista Veja Outubro / 2001 – p. 138.)

Comparando os dois textos, percebe-se que eles são

(A) semelhantes.

(B) divergentes.

(C) contrários.

(D) complementares.

Texto 2 Há qualquer coisa no ar do Rio, além de favelas

Nem só as favelas brotam nos morros cariocas. As encostas cada vez mais povoadas no Rio de Janeiro disfarçam o avanço do reflorestamento na crista das serras, que espalha cerca de 2 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica em espaço equivalente a 1. gramados do Maracanã. O replantio começou há 13 anos, para conter vertentes ameaçadas de desmoronamento. Fez mais do que isso. Mudou a paisagem. Vista do alto, ângulo que não faz parte do cotidiano de seus habitantes, a cidade aninha-se agora em colinas coroadas por labirintos verdes, formando desenhos em curva de nível, como cafezais.

Revista Época – nº 83. 20-12-1999. Rio de Janeiro – Ed. Globo. p. 9.

Uma declaração do segundo texto que CONTRADIZ o primeiro é

(A) a mata atlântica está sendo recuperada no Rio de Janeiro.

(B) as encostas cariocas estão cada vez mais povoadas.

(C) as favelas continuam surgindo nos morros cariocas.

(D) o replantio segura encostas ameaçadas de desabamento.

Matriz de Língua Portuguesa de 8ª série

Comentários sobre os Tópicos e Descritores

Exemplos de itens

TÓPICO IV – COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO

1

O Tópico IV trata dos elementos que constituem a textualidade, ou seja, aqueles

elementos que constroem a articulação entre as diversas partes de um texto: a coerência

e a coesão. Considerando que a coerência é a lógica entre as idéias expostas no texto,

para que exista coerência é necessário que a idéia apresentada se relacione ao todo

textual dentro de uma seqüência e progressão de idéias.

Para que as idéias estejam bem relacionadas, também é preciso que estejam

bem interligadas, bem “unidas” por meio de conectivos adequados, ou seja, com

vocábulos que têm a finalidade de ligar palavras, locuções, orações e períodos. Dessa

forma, as peças que interligam o texto, como pronomes, conjunções e preposições,

promovendo o sentido entre as idéias são chamadas coesão textual. Enfatizamos, nesta

série, apenas os pronomes como elementos coesivos. Assim, definiríamos coesão como

a organização entre os elementos que articulam as idéias de um texto.

As habilidades a serem desenvolvidas pelos descritores que compõem este

tópico exigem que o leitor compreenda o texto não como um simples agrupamento de

frases justapostas, mas como um conjunto harmonioso em que há laços, interligações,

relações entre suas partes.

A compreensão e a atribuição de sentidos relativos a um texto dependem da

adequada interpretação de seus componentes. De acordo com o gênero textual, o leitor

tem uma apreensão geral do assunto do texto.

Em relação aos textos narrativos, o leitor necessita identificar os elementos que

compõem o texto – narrador, ponto de vista, personagens, enredo, tempo, espaço – e

quais são as relações entre eles na construção da narrativa.

A compreensão e a atribuição de sentidos relativos a um texto dependem da

adequada interpretação de seus componentes, ou da coerência pela qual o texto é

marcado. De acordo com o gênero textual, o leitor tem uma apreensão geral do tema, do

assunto do texto e da sua tese. Essa apreensão leva a uma percepção da hierarquia

entre as idéias: qual é a idéia principal? Quais são as idéias secundárias? Quais são os

(^1) Os comentários deste tópico referem-se à pesquisa feita em: Fiorin e Platão, 1998; Cereja; Magalhães, 1999

e PCN, já citado anteriormente.

SHRESTHA, Urjana. Eu tenho um sonho. In: Jovens do mundo inteiro. Todos temos direitos: um livro de direitos humanos. 4ª ed. São Paulo: Ática, 2000. p.10.

No verso “Quero que todos se realizem” (v. 19) o termo sublinhado refere-se a

(A) amigos.

(B) direitos.

(C) homens.

(D) sonhos.

D7 – Identificar a tese de um texto.

Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade de o aluno reconhecer o ponto de vista ou a idéia central defendida pelo autor.

A tese é uma proposição teórica de intenção persuasiva, apoiada em argumentos contundentes sobre o assunto abordado.

Exemplo de item do descritor D7:

O ouro da biotecnologia

Até os bebês sabem que o patrimônio natural do Brasil é imenso. Regiões como a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica – ou o que restou dela – são invejadas no mundo todo por sua biodiversidade. Até mesmo ecossistemas como o do cerrado e o da caatinga têm mais riqueza de fauna e flora do que se costuma pensar. A quantidade de água doce, madeira, minérios e outros bens naturais é amplamente citada nas escolas, nos jornais e nas conversas. O problema é que tal exaltação ufanista ("Abençoado por Deus e bonito por natureza”) é diretamente proporcional à desatenção e ao desconhecimento que ainda vigoram sobre essas riquezas. Estamos entrando numa era em que, muito mais do que nos tempos coloniais (quando pau- brasil, ouro, borracha etc. eram levados em estado bruto para a Europa), a exploração comercial da natureza deu um salto de intensidade e refinamento. Essa revolução tem um nome: biotecnologia. Com ela, a Amazônia, por exemplo, deixará em breve de ser uma enorme fonte “potencial" de alimentos, cosméticos, remédios e outros subprodutos: ela o será de fato – e de forma sustentável. Outro exemplo: os créditos de carbono, que terão de ser comprados do Brasil por países que poluem mais do que podem, poderão significar forte entrada de divisas. Com sua pesquisa científica carente, indefinição quanto à legislação e dificuldades nas questões de patenteamento, o Brasil não consegue transformar essa riqueza natural em riqueza financeira. Diversos produtos autóctones, como o cupuaçu, já foram registrados por estrangeiros – que nos obrigarão a pagar pelo uso de um bem original daqui, caso queiramos (e saibamos) produzir algo em escala com ele. Além disso, a biopirataria segue crescente. Até mesmo os índios deixam que plantas e animais sejam levados ilegalmente para o exterior, onde provavelmente serão vendidos a peso de ouro. Resumo da questão: ou o Brasil acorda

onde provavelmente serão vendidos a peso de ouro. Resumo da questão: ou o Brasil acorda para a nova realidade econômica global, ou continuará perdendo dinheiro como fruta no chão. Daniel Piza. O Estado de S. Paulo.

O texto defende a tese de que

(A) a Amazônia é fonte “potencial” de riquezas. (B) as plantas e os animais são levados ilegalmente.

(C) o Brasil desconhece o valor de seus bens naturais.

(D) os bens naturais são citados na escola.

D8 – Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la.

Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade do aluno em estabelecer a

relação entre o ponto de vista do autor sobre um determinado assunto e os argumentos que sustentam esse posicionamento. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual é solicitado ao aluno que

identifique um argumento entre os diversos que sustentam a proposição apresentada pelo autor. Pode-se, também, solicitar o contrário, que o aluno identifique a tese com base em um argumento oferecido pelo texto. Exemplo de item do descritor D8:

O namoro na adolescência

Um namoro, para acontecer de forma positiva, precisa de vários ingredientes: a começar pela família, que não seja muito rígida e atrasada nos seus valores, seja conversável, e, ao mesmo tempo, tenha limites muito claros de comportamento. O adolescente precisa disto, para se sentir seguro. O outro aspecto tem a ver com o próprio adolescente e suas condições internas, que determinarão suas necessidades e a própria escolha. São fatores inconscientes, que fazem com que a Mariazinha se encante com o jeito tímido do João e não dê pelota para o herói da turma, o Mário. Aspectos situacionais, como a relação harmoniosa ou não entre os pais do adolescente, também influenciarão o seu namoro. Um relacionamento em que um dos parceiros vem de um lar em crise, é, de saída, dose de leão para o outro, que passa a ser utilizado como anteparo de todas as dores e frustrações. Geralmente, esta carga é demais para o outro parceiro, que também enfrenta suas crises pelas próprias condições de adoles cente. Entrar em contato com a outra pessoa, senti-la, ouvi-la, depender dela afetivamente e, ao mesmo tempo, não massacrá-la de exigências, e não ter medo de se entregar, é tarefa difícil em qualquer idade. Mas é assim que começa este aprendizado de relacionar-se afetivamente e que vai durar a vida toda.

( Folha de São Paulo , 26 de janeiro de 1996)

No texto “Animais no espaço”, uma das informações principais é

(A) “A cadela Laika (...) foi o primeiro ser vivo a ir ao espaço”.

(B) “Os russos já usavam cachorros em suas experiência”.

(C) “Vários animais viajaram pelo espaço como astronautas”.

(D) “Enos foi o mais famoso macaco a viajar para o espaço”.

D10 – Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa.

Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade do aluno em reconhecer os fatos que causam o conflito ou que motivam as ações dos personagens, originando o enredo do texto.

Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual é solicitado ao aluno que identifique os acontecimentos desencadeadores de fatos apresentados na narrativa, ou seja, o conflito gerador, ou o personagem principal, ou o narrador da história, ou o desfecho da narrativa Exemplo de item do descritor D10:

Urubus e Sabiás

1

Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam... Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram do-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam por Vossa Excelência. Tudo ia muito bem até que a doce tranqüilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos, tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas com os sabiás...Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa, e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito. “ Onde estão os documentos de seus concursos?” E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvesse. Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam, simplesmente...

 Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem. E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás...

MORAL: EM TERRA DE URUBUS DIPLOMADOS NÃO SE OUVE CANTO DE SABIÁ.

ALVES, Rubem. Estórias de Quem gosta de Ensinar_. São Paulo: Ars Poética, 1985, p.81- 2._

No contexto, o que gera o conflito é (A) a competição para eleger o melhor urubu.

(B) a escola para formar aves cantoras.

(C) o concurso de canto para conferir diplomas. ( D) o desejo dos urubus de aprender a cantar.

D11 – Estabelecer relação causa/conseqüência entre partes e elementos do texto.

Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade do aluno emidentificar o motivo pelo qual os fatos são apresentados no texto, ou seja, o reconhecimento de como

as relações entre os elementos organizam-se de forma que um torna-se o resultado do

outro. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual o aluno estabelece

relações entre as diversas partes que o compõem, averiguando as relações de causa e efeito, problema e solução, entre outros. Exemplo de item do descritor D11:

O homem que entrou pelo cano

Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra um desvio, era uma seção que terminava em torneira. Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante. No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava. Ficou na torneira, à espera que abrissem. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada. Ela gritou: “Mamãe, tem um homem dentro da pia” Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto.