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Comunicação e Linguagem Acadêmica: Guia Completo para Leitura e Escrita, Manuais, Projetos, Pesquisas de Português (Gramática - Literatura)

Comunicação e expressão no Ensino Médio

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2023

Compartilhado em 19/07/2023

antonio-claudio-silva
antonio-claudio-silva 🇧🇷

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Não perca as partes importantes!

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(https://md.claretiano.edu.br/comlin-g00384-
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1. Introdução
Boas-vindas! A partir de agora, embarcaremos em uma viagem que permite
conhecer um pouco mais as facetas da língua portuguesa em sua utilização
para ns comunicativos. Com esse objetivo, exploraremos informações que
permitirão uma ampliação de sua reexão e de seu pensamento crítico sobre a
língua e seu uso.
Nesse sentido, percorreremos os meandros da comunicação e das linguagens,
principalmente pensando no uso da língua enquanto instrumento que possibi-
lita ao ser humano transmitir e trocar informações, ideias, hábitos, gostos,
sensações, posicionamentos críticos etc.
Se podemos dizer que somos o que falamos e o que escrevemos, é porque a
nossa oralidade e a nossa escrita nos representam diante de todos, uma vez
que ali estão contidos os pensamentos que nos permeiam. Partindo desse
ponto de vista, vamos descobrir quão importante é saber como se comunicar
de maneira clara, concisa, objetiva e ecaz, ainda mais porque adentramos em
um mundo peculiar: o meio acadêmico.
Em nossos estudos, será possível perceber que, apenas ao nos fazermos enten-
der, nos tornamos participativos no mundo. Para isso, abordaremos o entendi-
mento do processo de comunicação por meio de linguagens; a leitura com ns
determinados; a compreensão e interpretação de textos verbo-visuais; a pro-
dução textual, no que concerne à atividade prática da escrita; e o uso adequa-
do da norma-padrão da língua portuguesa em situações formais de comunica-
ção. Dessa maneira, vamos nos tornar mais conscientes e competentes dis-
cursivamente para nos comunicarmos em qualquer área de atuação prossio-
nal.
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Baixe Comunicação e Linguagem Acadêmica: Guia Completo para Leitura e Escrita e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Português (Gramática - Literatura), somente na Docsity!

(https://md.claretiano.edu.br/comlin-g00384-

dez-2022-grad-ead/)

1. Introdução

Boas-vindas! A partir de agora, embarcaremos em uma viagem que permite conhecer um pouco mais as facetas da língua portuguesa em sua utilização para �ns comunicativos. Com esse objetivo, exploraremos informações que permitirão uma ampliação de sua re�exão e de seu pensamento crítico sobre a língua e seu uso.

Nesse sentido, percorreremos os meandros da comunicação e das linguagens, principalmente pensando no uso da língua enquanto instrumento que possibi- lita ao ser humano transmitir e trocar informações, ideias, hábitos, gostos, sensações, posicionamentos críticos etc.

Se podemos dizer que somos o que falamos e o que escrevemos, é porque a nossa oralidade e a nossa escrita nos representam diante de todos, uma vez que ali estão contidos os pensamentos que nos permeiam. Partindo desse ponto de vista, vamos descobrir quão importante é saber como se comunicar de maneira clara, concisa, objetiva e e�caz, ainda mais porque adentramos em um mundo peculiar: o meio acadêmico.

Em nossos estudos, será possível perceber que, apenas ao nos fazermos enten- der, nos tornamos participativos no mundo. Para isso, abordaremos o entendi- mento do processo de comunicação por meio de linguagens; a leitura com �ns determinados; a compreensão e interpretação de textos verbo-visuais; a pro- dução textual, no que concerne à atividade prática da escrita; e o uso adequa- do da norma-padrão da língua portuguesa em situações formais de comunica- ção. Dessa maneira, vamos nos tornar mais conscientes e competentes dis- cursivamente para nos comunicarmos em qualquer área de atuação pro�ssio- nal.

Vamos compreender que o modo de nos comunicarmos uns com os outros é diferente. Se falamos com alguém que é mais íntimo, podemos cometer certos “erros”, visto que nesse momento não há problemas em cometê-los. Porém, quando conversamos com alguém que não faz parte de nosso círculo social, precisamos fazer adaptações em nosso modo de falar. O mesmo acontece quando precisamos escrever um texto, pois ele precisa ser bem compreendido por quem vai lê-lo. Há de se ter um cuidado ao escrever um texto.

O mundo acadêmico, no qual adentramos e que investigaremos em mais deta- lhe, requer de nós o uso adequado da língua portuguesa. Diante disso, é preciso conhecer a língua e suas regras para saber usá-la bem nesse contexto, especi- almente ao escrevermos textos acadêmicos.

O objetivo deste material é apresentar este vasto mundo de sentidos e de signi- �cados que constituem o homem enquanto um ser social, que vive em coleti- vidade, um ser que tem o direito de exercer dignamente sua cidadania. Nesse sentido, a língua em uso é o que lhe propicia isso – sem ela, o homem não se- ria capaz de se manifestar, de se socializar, de conhecer a si mesmo e o mundo ao seu redor, de promover transformações em si e nesse mundo.

O estudo desta disciplina está dividido em ciclos de aprendizagem que visam a uma melhor compreensão de conceitos e de técnicas que lhe permitam ler, compreender, interpretar e escrever bem textos que farão parte não só de sua vida acadêmico-pro�ssional, mas também da integralidade de sua vida. Para conhecer mais detalhes sobre nosso trajeto de estudos, assista ao vídeo a se- guir:

: Inserir o vídeo de abertura

2. Informações da disciplina

Ementa

A disciplina desenvolve condições de letramento para as exigências da Educação Superior, no tocante ao estímulo da capacida- de de interpretar, analisar e discutir textos sobre assuntos variados e produzi-

Objetivos especí�cos

  • Compreender as noções de comunicação, linguagem, texto e discurso.
  • Veri�car como se sistematiza a comunicação humana.
  • Conhecer as características da linguagem acadêmica, no tocante a regis- tro, nível e estilo.
  • Compreender procedimentos de leitura, análise, interpretação e produção de textos, mais especi�camente os acadêmicos.
  • Veri�car as noções de norma-padrão e variante popular, no tocante às utilizações na escrita e na fala.
  • Perceber como utilizar adequadamente a norma-padrão na produção de textos acadêmicos.
  • Revisar conteúdos da língua portuguesa quanto a normas gramaticais.
  • Aplicar tais conhecimentos na produção de textos acadêmicos coerentes e coesos, a �m de poder exercer sua cidadania e sua integralização ao mundo.

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dez-2022-grad-ead/)

Ciclo 1 – Comunicação e Linguagem: de Conceitos

Básicos à Linguagem Acadêmica

Objetivos

  • Familiarizar-se com os conceitos básicos concernentes a comunicação e linguagem.
  • Proporcionar ao aluno o reconhecimento do uso da linguagem acadêmi- ca e de suas principais características.

Conteúdos

  • Conceito de comunicação.
  • Conceitos de linguagem, linguagem verbal e não verbal, mista/híbrida /multifuncional, linguagem falada e escrita.
  • Conceito de língua e norma-padrão.
  • Registro, nível e estilo de linguagem.
  • A linguagem acadêmica e suas características principais.

Problematização

O que é comunicação? O que é emissor? O que é receptor? O que é mensagem? O que é linguagem? Quais são os tipos de linguagem? Como cada um deles se caracteriza? Quais são as modalidades de linguagem? Qual é o conceito de língua? Qual é o conceito de norma-padrão? De que modo língua e norma- padrão estão relacionadas? O que é registro de linguagem? O que é nível de linguagem? O que é estilo de linguagem? Como a linguagem deve ser utiliza- da em textos acadêmicos?

Antes de investigarmos essas ideias, vamos voltar ao principal, ou seja, ao conceito de comunicação. Comunicação é a ação ou resultado de (se) comuni- car, de transmitir e de receber mensagens. Ainda mais, é o conceito, a capaci- dade, o processo e as técnicas de transmitir e de receber ideias, mensagens, visando à troca de informação, de instrução etc. Não fosse só isso, conforme o Dicionário de (DUBOIS et al., 2006, p. 129):

a comunicação é a troca verbal entre um falante, que produz um enunciado desti- nado a outro falante, o interlocutor [receptor], de quem ele solicita a escuta e/ou uma resposta [...].

Nesse processo, percebe-se que há entes envolvidos: os falantes, que são cha- mados de e. O primeiro emite uma mensagem destinada ao último, que recebe a mensagem. Esses três elementos – emissor, receptor e mensagem – formam o que chamamos de (Figura 1).

Se há um emissor que emite algo a um receptor, esse “algo” é chamado de mensagem, isto é, um emissor transmite uma mensagem a um receptor. Desse modo, a mensagem se refere ao conteúdo que é transmitido por outrem a al- guém, com vistas à troca de informações.

O emissor emite uma mensagem, de modo oral ou escrito, ao seu receptor, que precisa com- preender essa mensagem, a �m de que a comunicação se efetive. Vale ressaltar que a co- municação somente se efetiva se a mensagem emitida for compreendida.

: Banco de Imagens Claretiano*. Figura 1 A tríade comunicacional: o emissor, a mensagem e o receptor.

Para transmitir essa mensagem, o homem passou a utilizar signos, que foram inventados conforme as necessidades surgiam e foram dotados de signi�ca- dos. Esses signos são o que compõem a(s) linguagem(ns).

E o que é linguagem? Há vários signi�cados e sentidos para esse termo. Concentremo-nos em duas de�nições que nos auxiliam a compreender me- lhor esse universo.

O primeiro conceito, demonstrado por Marcos Bagno (2004) noDicionário de linguística e de linguagem, se refere à faculdade cognitiva exclusiva à espécie humana que possibilita ao indivíduo representar e expressar de modo simbó- lico sua experiência de vida, além de adquirir, processar, produzir e transmitir conhecimento. Isso quer dizer que nós somos seres dotados de uma capacida- de admirável de signi�car, de produzir sentido ao utilizarmos símbolos, sinais, signos, ícones etc. Por conseguinte, não há nenhum gesto humano neutro, va- zio de sentido; pelo contrário, está sempre carregado de sentido, em variados graus, e cabe a nós veri�car qual é ele. Isso acontece justamente por nossa ca- pacidade de linguagem, de interpretar o sentido intrínseco a cada manifesta- ção.

O segundo conceito de linguagem decorre do primeiro, ao se referir ao sistema de signos que os seres humanos utilizam para produzir sentido, para expres- sar a faculdade de representar a experiência e o conhecimento. Provém dessa

Se a linguagem verbal é o uso da palavra, a é o não uso da palavra na comunicação, con�gurando uma troca de mensagens por meio de sons, imagens, gestos, símbolos etc. (isto é, tudo o que não for palavra). Nesse sentido, esse tipo de linguagem é a que se vale de outros signos, sendo, por isso mesmo, múltipla. Considerando a riqueza de possibilidades de repre- sentação e de expressão, é possível falar em linguagem musical, linguagem cinematográ�ca, linguagem teatral, linguagem corporal, linguagem artística, linguagem de programação, linguagem do vestuário, dentre as in�nitas possi- bilidades que há em nosso mundo.

Vale ressaltar também as linguagens arti�ciais, que são sistemas de comunicação elabora- dos de forma consciente com vistas ao desenvolvimento de domínios especí�cos do saber. Como exemplo dessas linguagens, temos as que são utilizadas na matemática, na lógica ou na computação.

Além disso, a linguagem pode ser (ou sincrética, ou híbrida), quando são utilizadas em conjunto a linguagem verbal e não verbal. Misturam-se pala- vras e sons, ou palavras e gestos, ou palavras e imagens etc., como acontece em �lmes, seriados televisivos. Observe os exemplos na Figura 2:

: elaborada pela autora. Figura 2 Linguagens verbal, não verbal e mista.

Antes de prosseguirmos com os estudos, que tal veri�car se o conteúdo apre- sentado até o momento foi assimilado? Para isso, responda às questões a se- guir:

A língua sistematizada em uma norma-padrão

Com a invenção de signos, surgiu a necessidade de criar um processo de orga- nização para combiná-los entre si, pois, se usados de modo desordenado, a co- municação �caria difícil. Como exemplo, para que se possa entender essa or- ganização de signos, temos a gramática: a ordenação de signos em um con- junto de regras, de forma que, assim, possam se relacionar ordenadamente en- tre si.

Por esse motivo, vemos que, na língua portuguesa, por exemplo, um termo se relaciona com outro em combinações especí�cas, feitas nas frases construí- das pelos falantes.

Um signo isolado pode não signi�car muito, a não ser aquilo que carrega de sentido (carro: algo utilizado pelo ser humano para locomoção motorizada e mais rápida; casa: algo utilizado para habitação e proteção de intempéries da natureza). Porém, a combinação de signos é que nos mostra valores. Os dois substantivos citados podem ser relacionados ao adjetivo “moderno/moderna”, o que faz criar um valor: já não se pensa em qualquer carro ou qualquer casa, mas somente naqueles que são dotados de modernidade, que são modernos.

Além disso, a relação entre eles acontece segundo esta combinação:

Em tese, percebe-se que estão em combinação no tocante a número (singular e plural, pois ambos são acrescidos da letra “s”) e gênero (masculino e femini- no), de maneira que a eles também se relacionam o artigo determinante femi- nino (por exemplo: a casa moderna) ou masculino (por exemplo: o carro mo- derno). Não é comum, na língua portuguesa, esses termos serem combinados

pressão corporal, gestos etc., além de ser bem espontânea. Já a expressão es- crita requer de nós uma atenção mais acurada, tendo em vista não ser uma simples representação do que falamos oralmente. Desse modo, percebemos que é possível efetivar a comunicação em enunciado oral ou escrito. Contudo, em todas as línguas, as pessoas falam e escrevem de modo distinto.

Ao analisarmos o uso da língua na modalidade oral, em especial o que aconte- ce em situações informais, percebemos que há menos planejamento que na escrita, uma vez que, diante de uma presencialidade física ou virtual e sincrô- nica, há possibilidade de checarmos se o receptor está ou não nos entendendo. Dessa forma, a representação oral é mais espontânea, estão presentes elemen- tos que mantêm o diálogo aberto (por exemplo, expressões como “você enten- deu?”, “você concorda?”, “né?”, “está claro o que eu disse?”) e uma coesão que se dá por meio de gestos, entonação da voz, expressão �sionômica, dentre ou- tros.

Para ilustrar o que foi exposto, vejamos, a seguir, a transcrição da fala oraliza- da de uma pessoa, adaptada de Carvalho (2018):

Sabemos que se trata de uma transcrição (portanto, uma transposição de um registro oral para um escrito), mas é fácil perceber como essa fala oralizada se distingue de um texto escrito (como o que você está lendo agora), certo?

Ainda pensando na reprodução da oralidade, cabe mencionar que, em situa- ções mais formais (por exemplo, um discurso formal que caracteriza um pro- nunciamento de uma autoridade política, a apresentação de um jornal televi- sivo ou de um trabalho acadêmico), percebemos que essa linguagem tende a apresentar um nível mais elevado de planejamento.

Em contrapartida, na modalidade escrita, em situações formais, tais como produção de textos que circulam no ambiente corporativo, textos empresari- ais, jurídicos ou legais, bem como textos produzidos na academia, vemos que

isso requer ainda mais planejamento. No exemplo a seguir, um fragmento reti- rado de um artigo publicado em uma revista cientí�ca, podemos visualizar exatamente isto:

Comunicação é a capacidade que o ser humano tem de trocar informações aprendi- das e pretendidas com diferentes pessoas. É um processo que envolve um receptor e um emissor, ou seja, uma pessoa emite uma mensagem, e a outra recebe a men- sagem e a interpreta para responder com coesão e coerência. Durante o processo de comunicação, é importante o uso de um sistema linguístico compartilhado, ou seja, ambos os parceiros de comunicação devem utilizar o mesmo idioma para que pos- sam transmitir e compartilhar uma mensagem. A comunicação humana torna-se possível por meio da compreensão dos diferentes signos compartilhados pela co- munidade, ou seja, a comunicação será efetivada por meio do uso de um sistema de representação compartilhado no grupo (DELIBERATO, 2017, p. 301).

Embora a modalidade oral seja mais utilizada na comunicação, a modalidade escrita tem importância maior no que concerne ao uso adequado da norma- padrão (e eis aí também um dos motivos de necessidade de mais planejamen- to, para que o texto �que compreensível e correto gramaticalmente), uma vez que o texto escrito tem maior permanência. Há um brocardo dos antigos ro- manos que assim expressa: “verba volant; scripta manent”, que pode ser tradu- zido deste modo: “as palavras voam; aquilo que está escrito permanece”. Portanto, é inegável o fato de a modalidade escrita do uso da língua ser mais bem elaborada do que a modalidade oral quando utilizada. A modalidade es- crita mantém a unidade linguística de uma comunidade, que permite ao pen- samento atravessar o espaço e o tempo.

De outro modo, podemos dizer que a sintaxe da oralidade se diferencia da sin- taxe da escrita. No caso da primeira, não há tanta preocupação quanto à estru- turação das frases, podendo ocorrer repetições, elipses, pausas, digressões, presença de marcadores conversacionais, paráfrases, correções, parênteses, truncamentos (como vimos no exemplo anterior). No caso da segunda, é ne- cessário o planejamento, a �m de corrigir e apresentar o resultado pronto, ten- do em vista que o leitor não tem acesso, tampouco controle sobre o mecanis- mo de preparação do texto.

Há de se frisar, em contrapartida, que a escrita não é considerada superior à

Nas aulas de física, você aprendeu que a força centrípeta tende a puxar um corpo para o centro de uma trajetória, enquanto a centrífuga tende a afastá-lo desse cen- tro. O que você talvez não saiba é que essas duas forças atuam também na língua portuguesa — metaforicamente, é claro.

O português, assim como qualquer outra língua viva, é dinâmico e está em cons- tante processo de inovação e mudança. Esse movimento, chamado de variação lin- guística, tende a afastar a língua de seu núcleo mais estável, atuando, portanto, co- mo uma força centrífuga.

Se apenas essa força agisse sobre a língua, em alguns séculos (ou talvez mesmo em décadas) o português iria se transformar em outro idioma. Ou, então, cada falar re- gional iria se tornar um dialeto, e os dialetos acabariam virando também novas lín- guas. Desse modo, no Brasil, não teríamos mais o português, e sim o baianês, o gau- chês, o paulistês…

Tais fatos não ocorrem – ou, pelo menos, demoram muito para ocorrer – porque também há uma força centrípeta atuando sobre a língua: é a força da conservação, exercida pela escola, pela imprensa, pelos documentos o�ciais e pela própria tradi- ção cultural e literária, que une os povos falantes do mesmo idioma.

A língua muda, ou seja, há variação linguística, porque o registro muda. “Registro de linguagem” se refere aos diversos estilos que um falante pode usar a depender da situação de comunicação de que faz parte. Por exemplo, al- guém conversa em um café com os amigos e, por isso, pode utilizar um regis- tro diferente do que utiliza quando está em família, com a avó.

Nesse sentido, as variações linguísticas se caracterizam como rami�cações naturais de uma língua, que se diferenciam da norma-padrão devido a fatores múltiplos, como convenções sociais, momento histórico, contexto ou região geográ�ca em que um falante ou grupo social está inserido. Há uma diversi- dade de manifestações e de realizações da língua, ou seja, a língua possui di- versas formas, decorrentes de fatores de ordem histórica, regional, social ou situacional. Com isso, o contato de indivíduos habituados a registros distintos da língua pode causar certo estranhamento, como ilustra a Figura 3:

Figura 3 Exemplo de variação linguística (https://descomplica.com.br/artigo/tudo-sobre-variacao-linguistica-para- voce-arrasar-sempre/4k5/).

As variações na língua podem ocorrer em diversos níveis, conforme expõe o Quadro 1:

Níveis da variação linguística.

Fonético/fonológico • Pois (pronúncia do Brasil)/pois (pronúncia de Portugal).

  • Porta (pronúncia do “r” no interior de MG)/porta (pro- núncia do “r” no RJ).

Morfológico • Flecha/frecha.

  • Vassoura/bassoura.

Figura 4 A língua variando conforme seus contextos (níveis formal e informal) (https://br.pinterest.com /pin/490118371953504663/).

Níveis de linguagem são também chamados níveis de fala e correspondem aos diferentes registros em que a linguagem pode ser utilizada pelos falantes, a depender do contexto comunicativo, do nível de escolarização dos falantes, da interação com diferentes interlocutores. Nesse sentido, podemos denomi- nar dois níveis de linguagem: formal e informal. Para entender as característi- cas e contextos apropriados a esses dois níveis, assista ao vídeo a seguir:

Se a língua é utilizada pelos falantes de modo individual, a depender da situa- ção e do contexto, vemos que cada falante adota um estilo diferente ao manifestá-la. O estilo é, então, o modo pessoal de expressão que se manifesta na forma de dizer ou escrever algo, e também remete a uma parte da Gramática que cuida das estratégias criativas utilizadas na língua, conhecida como Estilística. Tais recursos têm, muitas vezes, o intuito de sugerir, provo- car, persuadir, embelezar o modo como um conteúdo é escrito/oralizado em um texto, ou seja, visam provocar efeitos expressivos. Desse modo, estilo cor- responde ao conjunto de aspectos formais e de recursos expressivos que ca- racterizam um texto ou discurso (por exemplo, o estilo discursivo da lingua- gem corporativa ou da linguagem acadêmica).

Antes de prosseguirmos, vamos veri�car se o conteúdo apresentado até o mo- mento foi assimilado? Para isso, responda à questão a seguir:

Características da linguagem acadêmica e seu uso em tex-

tos acadêmicos

Para falarmos sobre a linguagem acadêmica, antes de mais nada, precisamos entender o que signi�ca “academia”, termo derivado do latim e utilizado na Grécia Antiga, no séc. III a.C., quando Platão se reunia com pensadores em um local chamado Jardins de Akademus (herói ateniense). Após isso, o grupo passou a ser denominado Akademia. Hoje “academia” designa o estabeleci- mento de Ensino Superior.

É nesse ambiente que a língua será utilizada para realizar diversas atividades orais e, principalmente, escritas. Por isso, considerando o contexto do sistema universitário brasileiro, é preciso promover o letramento em nível de Ensino Superior para escrever e publicar textos de qualidade condizente ao meio aca- dêmico, que demanda um tom formal de linguagem, de modo a não serem uti- lizados gírias, coloquialismos, expressões de senso comum, chavões e subjeti- vidade. Nesse sentido, temos que o estilo da linguagem acadêmica é formal, sujeito a padrões de linguagem.

Para que possamos compreender como esse universo se con�gura, é preciso também entender o que é ciência, pensamento cientí�co, e objetividade e neu- tralidade no campo cientí�co.

“Ciência” se refere ao conjunto de conhecimentos que são socialmente adquiri- dos ou produzidos, além de historicamente acumulados, dotados de universa- lidade e de objetividade que permitem sua transmissão. Tais conhecimentos são estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, com o intuito de compreender e orientar a natureza e as atividades humanas.

Desse modo, o pensamento cientí�co é aquele que passa por veri�cação, análise e/ou com- paração, a �m de se comprovar algo, o que é relativo ao racionalismo. É diferente do pensa- mento do senso comum, que pode se embasar em sensações, experiências e opiniões subje- tivas.

Dado que o pensamento cientí�co passa por análise para ser comprovado, é preciso que o objeto de estudo seja analisado de modo objetivo e neutro.