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Conceitos básicos de empreendedorismo
Tipologia: Esquemas
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A natureza e a importância do empreendedorismo
A mentalidade empreendedora
Intenções empreendedoras e empreendedorismo corporativo
Oportunidades internacionais de empreendedorismo
CAPÍTULO 1
26 PARTE 1 A PERSPECTIVA DO EMPREENDEDORISMO
programa, que ia ao ar em 107 países e que ocupou a primeira posição nos programas de entrevistas diurnos norte-americanos durante 16 anos, frente a, no mínimo, outros 50 rivais. Mas Oprah não parou por aí. Nos primeiros anos de existência de sua empresa, Oprah formou duas alianças – com a distribuidora de TV King World, para distribuir seu programa, e com a ABC, para levar ao ar seus filmes produzidos para a TV. Nos últimos anos, ela fez mais algu- mas negociações. Em novembro de 1998, Oprah investiu na Oxygen Media LLC, controlada por Geraldine Laybourne e Carsey-Werner-Mandabach (CWM LLC), que engloba uma rede a cabo para mulheres, para a qual Oprah produz e é estrela do programaUse Your Life. A divisão de filmes da Harpo Inc. produz filmes comoTuesday with Morrie e contribui anualmen- te com cerca de 4 milhões de dólares para o faturamento. Em 2000, Oprah lançou a revistaO, The Oprah Magazine, uma espécie de manual de orientação para o crescimento pessoal no novo século, e que está sendo considerada o lança- mento de revista mais bem-sucedido no setor. Um ano após seu lançamento, ela alcançou uma circulação paga de 2,5 milhões de dólares e obteve uma receita de 140 milhões de dóla- res. Esta é uma realização surpreendente, levando-se em conta que as revistas bem-sucedi- das geralmente demoram cinco anos para darem lucros. Oprah também criou uma turnê motivacional, “Live Your Best Life”, com a participação de 8.500 mulheres em quatro cida- des. Com todo o seu sucesso e apesar das inúmeras solicitações, Oprah ainda reluta em licenciar seu nome porque ela é não somente a criadora do principal conteúdo, como tam- bém o próprio conteúdo em si. Provavelmente, esse é o aspecto mais exclusivo de todas as empresas de Oprah: ela é capaz de se alavancar com êxito em várias categorias do entretenimento. Hoje em dia, Oprah é dona e presidente das empresas Harpo, Inc., Harpo Productions, Harpo Studios, Inc., Harpo Films, Inc., Harpo Print LLC e Harpo Video, Inc., com uma rede total avaliada em mais de um bilhão de dólares. A organização tem se expandido e emprega 221 pessoas, da quais 68% são mulheres, e tem uma modesta rotatividade de 10 a 15%. Em 2002, a primeira edição internacional da revistaO, The Oprah Magazine foi lançada na África do Sul. OThe Oprah Winfrey Show continua impressionando o setor com uma média de 7,2 milhões de telespectadores por episódio, ganhando do segundo colocado em 35%. Jeff Jacobs, presi- dente da Harpo, Inc., detém 10% de participação societária da empresa, e Oprah, 90%. Nesse momento, ela não deseja abrir o capital de nenhum de seus empreendimentos. Nascida pobre, Oprah é uma das maiores filantropas de nosso tempo. Ela doa no míni- mo 10% de sua renda anual para instituições de caridade e faz isso, na maioria das vezes, no anonimato. O principal enfoque de Oprah são as mulheres, as crianças e a educação. Ela criou a fundação Oprah Winfrey e um Programa de Bolsas de Estudo, que oferece recursos para a educação de mulheres, crianças e famílias, assim como concede bolsas de estudo para estudantes, nos Estados Unidos e no estrangeiro, que pretendem usar sua formação para contribuir em suas comunidades. O envolvimento de Oprah se estende à sua participação na Lei Nacional de Proteção à Criança, em 1991, atestando diante do Comitê Judiciário do Sena- do dos Estados Unidos seu compromisso de organizar um banco de dados nacional de conde- nados por abuso infantil. Como conseqüência, em 1993, o Presidente Clinton assinou o “Pro- jeto de Lei Oprah”. Em 1997, Oprah criou a Oprah’s Angel Network, uma campanha que esti- mulava as pessoas a ajudarem necessitados, a qual já levantou 12 milhões de dólares de doações de telespectadores, patrocinadores e celebridades. Os recursos são usados para conceder bolsas de estudos e construir casas e escolas nos países em desenvolvimento. Como resultado das contribuições de Oprah para televisão, conscientização social, educação, filmes e músicas, ela foi considerada, em 1998, uma das 100 pessoas mais influentes do século XX pela revista Time. Embora Oprah admita que não consegue ler um balanço patrimonial e nem se imagina uma mulher de negócios, na realidade ela o é. Mesmo desconhecendo todo o jargão comercial e os meandros empresariais, ela tem um espírito verdadeiramente empreendedor que contri- bui para que ela permaneça focada em sua visão e lhe inspira para continuar lançando novas
CAPITULO 1 A NATUREZA E A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO 27
idéias criativas. Como uma mulher realmente empreendedora, ela conseguiu perceber clara- mente seus pontos fracos e formar uma equipe executiva capaz de administrar com êxito o gigante de mídias e entretenimentos por ela criado. É exatamente isso que distingue um exce- lente empreendedor de um bom empreendedor – a possibilidade de analisar uma idéia com clareza emocional e estratégica e de identificar os recursos necessários para aproveitar a oportunidade.
A saga de Oprah Winfrey reflete a história de muitos empreendedores em vários seto- res e em empresas de diversos portes. O aspecto histórico do empreendedorismo, assim como a decisão que Oprah Winfrey e outros tomaram para se tornarem empreendedores, reflete-se nas seguintes observações de dois empreendedores bem-sucedidos:
Ser um empreendedor e criar um novo empreendimento é como criar filhos – exige mais tempo e esforço do que você imagina e é extremamente difícil e doloroso sair da situação. Graças a Deus que você não consegue se divorciar facilmente em nenhuma das duas situações. Quando me perguntam se gosto de ser empresário, geralmente respondo: nos dias em que há mais vendas do que problemas, eu adoro; nos dias em que há mais problemas do que vendas, eu me pergunto por que faço isso. Na verdade, atuo nessa área porque ela me dá uma boa visão de mim mesmo. Você aprende muito sobre suas capacidades ao se expor. Dirigir um negócio bem-sucedido não é só um risco financeiro, é também um risco emocional. Fico muito satisfei- to por ter ousado – ter feito – e ter alcançado sucesso.
O perfil de Oprah Winfrey e essas citações estão de acordo com sua percepção da carreira de um empreendedor? O empreendedorismo é um campo de estudo fascinante. Segundo pesquisas, os indivíduos que estudam o empreendedorismo têm de 3 a 4 vezes mais chances de iniciar seu próprio negócio e ganharão de 20 a 30% mais do que os estudantes de outras áreas. Para entender melhor, é importante conhecer a natureza e o desenvolvimento do empreendedorismo, o processo de se tornar empreendedor e o papel do empreendedorismo no desenvolvimento econômico de um país.
Quem é um empreendedor? O que é empreendedorismo? O que é um processo empreen- dedor? Essas perguntas, que são feitas com freqüência, refletem o crescente interesse na- cional e internacional pelos empreendedores, por parte de pessoas físicas, professores e estudantes universitários, e representantes do governo. Apesar de todo esse interesse, ainda não surgiu uma definição concisa e universalmente aceita. O desenvolvimento da teoria do empreendedorismo é paralelo, em grande parte, ao próprio desenvolvimento do ter- mo. A palavra entrepreuner é francesa e, literalmente traduzida, significa “aquele que está entre” ou “intermediário”.
Período inicial
Um exemplo inicial da primeira definição de empreendedor como “intermediário” é Mar- co Polo, que tentou estabelecer rotas comerciais para o Extremo Oriente. Como interme- diário, Marco Polo assinava um contrato com uma pessoa de recursos (o precursor do atual capitalista de risco) para vender suas mercadorias. Um contrato comum na época oferecia um empréstimo para o comerciante aventureiro a uma taxa de 22,5%, incluindo seguro. Enquanto o capitalista corria riscos passivamente, o comerciante aventureiro assu- mia o papel ativo no negócio, suportando todos os riscos físicos e emocionais. Quando o
empreendedor – aquele que assume riscos e inicia algo novo
CAPITULO 1 A NATUREZA E A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO 29
Resumidamente, o empreendedor organiza e opera uma empresa para lucro pessoal. Paga os preços atuais pelos materiais consumidos no negócio, pelo uso da terra, pelos serviços de pes- soas que emprega e pelo capital de que necessita. Contribui com sua própria iniciativa, habili- dade e engenhosidade no planejamento, organização e administração da empresa. Também assume a possibilidade de perdas e ganhos em conseqüência de circunstâncias imprevistas e incontroláveis. O resíduo líquido das receitas anuais do empreendimento, após o pagamento de todos os custos, são retidos pelo empreendedor.^2
Andrew Carnegie é um dos melhores exemplos dessa definição. Carnegie não inventou nada, mas adaptou e desenvolveu uma nova tecnologia na criação de produtos para alcan- çar vitalidade econômica. Carnegie, que descendia de uma família escocesa pobre, fez da indústria americana do aço uma das maravilhas do mundo industrial, essencial por intermédio de sua incansável busca por competitividade, em vez de inventividade ou criatividade. Em meados do século XX, estabeleceu-se a noção de empreendedor como inovador :
A função do empreendedor é reformar ou revolucionar o padrão de produção explorando uma invenção ou, de modo mais geral, um método tecnológico não-experimentado, para produzir um novo bem ou um bem antigo de uma maneira nova, abrindo uma nova fonte de suprimen- to de materiais, ou uma nova comercialização para produtos, e organizando um novo setor. 3
O conceito de inovação e novidade é uma parte integrante do empreendedorismo nessa definição. De fato, a inovação, o ato de lançar algo novo, é uma das mais difíceis tarefas para o empreendedor. Exige não só a capacidade de criar e conceber, como também a capacidade de entender todas as forças em funcionamento no ambiente. A novidade pode ser desde um novo produto e um novo sistema de distribuição até um método para desenvolver uma nova estrutura organizacional. Edward Harriman, que reorganizou a ferrovia Ontario and Southern através da Northern Pacific Trust, e John Pierpont Mor- gan, que desenvolveu seu grande banco reorganizando e financiando as indústrias nacio- nais, são exemplos de empreendedores que se enquadram nessa definição. Tais inovações organizacionais são freqüentemente tão difíceis de desenvolver com sucesso quanto as inovações tecnológicas mais tradicionais (transistores, computadores, laser ), geralmente associadas à condição de empreendedor. Essa capacidade de inovar pode ser observada no decorrer da história, desde os egípci- os, que criaram e construíram grandes pirâmides com blocos de pedra que pesavam mui- tas toneladas, até o módulo lunar Apolo, a cirurgia a laser , as comunicações sem fio_._ Em- bora as ferramentas tenham mudado com os avanços na ciência e na tecnologia, a capaci- dade de inovar está presente em todas as civilizações.
O conceito de empreendedor fica mais refinado quando são considerados princípios e termos em uma perspectiva empresarial, administrativa e pessoal. Em especial, o conceito de empreendedorismo sob um prisma individual foi explorado neste século. Essa explora- ção está refletida nas três seguintes definições de empreendedor:
Em quase todas as definições de empreendedorismo, há um consenso de que estamos falando de um tipo de comportamento que abrange: (1) tomar iniciativa, (2) organizar e reorganizar mecanismos sociais e econômicos a fim de transformar recursos e situações para proveito práti- co e (3) aceitar o risco ou o fracasso. 4 Para o economista, um empreendedor é aquele que combina recursos, trabalho, materiais e outros ativos para tornar seu valor maior do que antes; também é aquele que introduz mudan- ças, inovações e uma nova ordem. Para um psicólogo, geralmente essa pessoa é impulsionada por certas forças – a necessidade de obter ou conseguir algo, de experimentar, de realizar ou
empreendedor como inovador – alguém que desenvolve algo único
30 PARTE 1 A PERSPECTIVA DO EMPREENDEDORISMO
talvez de escapar à autoridade de outros. Para alguns homens de negócios, um empreendedor é interpretado como uma ameaça, um concorrente agressivo, enquanto para outros, o mesmo empreendedor pode ser um aliado, uma fonte de suprimento, um cliente ou alguém que gera riqueza para outros assim como encontra melhores maneiras de utilizar recursos, reduzir o desperdício e produzir empregos que outros ficarão satisfeitos em conseguir. 5 O empreendedorismo é o processo dinâmico de gerar mais riqueza. A riqueza é criada por indivíduos que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e/ou compro- metimento com a carreira ou que provêem valor para algum produto ou serviço. O produto ou serviço pode ou não ser novo ou único, mas o valor deve de algum modo ser infundido pelo empreendedor ao receber e localizar as habilidades e os recursos necessários. 6
Embora cada uma dessas definições perceba os empreendedores de uma perspectiva ligeira- mente distinta, todas contêm noções semelhantes, como novidade, organização, criação, rique- za e risco. Ainda assim, cada definição é um pouco restritiva, uma vez que existem empreende- dores em todas as áreas – educação, medicina, pesquisa, direito, arquitetura, engenharia, servi- ço social, distribuição e governo. Para englobar todos os tipos de comportamento empreende- dor, a seguinte definição de empreendedorismo será o alicerce deste livro:
Empreendedorismo é o processo de criar algo novo com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação e da independência financeira e pessoal. 7
Essa definição enfatiza quatro aspectos básicos de ser um empreendedor. Primeiro, o empreendedorismo envolve o processo de criação – criar algo novo, de valor. A criação tem que ter valor para o empreendedor e valor para o público para o qual é desenvolvida. Esse público pode ser (1) o mercado de compradores, no caso de uma inovação comercial, (2) a administração de um hospital, no caso de um novo procedimento de internação e software, (3) possíveis estudantes, no caso de um novo curso ou mesmo de uma faculdade de empreendedorismo ou (4) a constituição de um novo serviço oferecido por uma agên- cia sem fins lucrativos. Segundo, o empreendedorismo exige tempo e esforço. Somente aqueles que se dedicam a um empreendimento apreciam a significativa quantidade de tempo e de esforço exigida para criar algo novo e torná-lo operacional. É como um novo empreendedor declarou de modo sucinto: “embora eu tenha trabalhado muitas horas no escritório enquanto estava na indústria, como um empreendedor eu nunca deixei de pen- sar nos negócios”. A terceira parte da definição abrange as recompensas de ser um empreendedor. A mais importante delas é a independência, seguida da satisfação pessoal. Para empreendedores que buscam o lucro, a recompensa econômica também entra em jogo. Para alguns deles, o dinheiro torna-se o indicador do grau de sucesso. Assumir os riscos necessários é o último aspecto do empreendedorismo. Como a ação acontece no decorrer do tempo e o futuro é desconhecido, faz parte da sua natureza que ela seja incerta. 8 Essa incerteza aumenta ainda mais com a inovação intrínseca às ações empreendedoras, como a criação de novos produ- tos, novos serviços, novos empreendimentos etc. 9 Os empreendedores devem decidir agir mesmo diante da incerteza em relação ao resultado dessa ação. Por conseguinte, os empre- endedores esboçam uma reação e criam, modificam uma situação por meio de suas ações empreendedoras, onde ação empreendedora refere-se ao comportamento em resposta a uma decisão sob incerteza a respeito de uma possível oportunidade de lucro. 10 Oferecemos agora uma perspectiva do processo da ação empreendedora.
Há uma grande confusão quanto à natureza de um empreendedor em relação a um inven- tor. Um inventor , o indivíduo que cria algo pela primeira vez, é alguém altamente motiva-
empreendedorismo – processo de criar algo novo, assumindo os riscos e as recompensas
ação empreendedora – refere-se ao comportamento em resposta a uma decisão sob incerteza a respeito de uma possível oportunidade de lucro
inventor – alguém que cria algo novo
32 PARTE 1 A PERSPECTIVA DO EMPREENDEDORISMO
Este ano promete ser excelente para as comemorações... trazendo desafios e oportunidades para os empreende- dores:
Identificação e avaliação da oportunidade
SAIU NA REVISTAENTREPRENEUR
TABELA 1.1 Aspectos do processo de empreender
Recursos necessários
Desenvolvimento de um plano de negócio
Administração da empresa
CAPITULO 1 A NATUREZA E A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO 33
CONSELHO PARA UM EMPREENDEDOR
Devido ao seu contato próximo com o usuário final, membros do canal no sistema de distribuição também identificam a necessidade de certos produtos. Um empreendedor criou uma livraria universitária após ouvir as queixas dos alunos sobre o alto custo dos livros e sobre a deficiência nos serviços prestados pela única livraria existente no campus. Muitos outros empreendedores têm identificado oportunidades de negócios por meio de uma troca de idéias com um varejista, atacadista ou representante industrial. Finalmente, indivíduos com orientação técnica muitas vezes conceitualizam oportunidades de negó- cios ao trabalharem com outros projetos. A empresa de um empreendedor foi resultado da verificação da aplicação de um composto de resina plástica no desenvolvimento e na fabri- cação de um novo tipo de paleta enquanto aplicava a resina em uma área totalmente diferente – modelagem de caixões funerários. Quando as oportunidades são identificadas por meio de informações fornecidas por consumidores, membros de associações de classe, distribuidores ou técnicos especializa- dos, cada uma delas deve ser cuidadosamente verificada e avaliada. Essa avaliação talvez
CAPITULO 1 A NATUREZA E A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO 35
não prepara um plano de negócio com antecedência e não tem os recursos disponíveis para fazer um bom trabalho. Embora a preparação do plano de negócio seja o tema do Capítulo 7, é importante compreender as questões básicas, bem como os três principais segmentos do plano (ver Tabela 1.1). Um bom plano de negócio não só é importante no desenvolvimento da oportunidade, como também é essencial na determinação dos recur- sos necessários, na obtenção desses recursos e na administração bem-sucedida do empre- endimento resultante.
Determinação dos recursos necessários
Os recursos necessários para viabilizar a oportunidade também devem ser determinados pelo empreendedor. Esse processo começa com uma apreciação dos seus atuais recursos do empreendedor. Quaisquer recursos fundamentais devem, então, ser diferenciados dos que são apenas úteis. Deve-se tomar cuidado para não subestimar a quantidade e a variedade dos recursos necessários. Os riscos associados a recursos insuficientes ou inadequados tam- bém devem ser avaliados. Obter os recursos necessários de modo oportuno, evitando ceder parte do controle da empresa, é o próximo passo no processo de empreender. O empreendedor deve lutar para manter a posição de proprietário o máximo que puder, especialmente no estágio inicial. À medida que o negócio se desenvolve, provavelmente serão necessários mais recursos para financiar o crescimento da empresa, exigindo que o empreendedor ceda parte do controle. Deve-se identificar fornecedores alternativos desses recursos, o foco do Capítulo 11, com suas necessidades e reivindicações. Compreendendo as necessidades do fornecedor de re- cursos, o empreendedor pode estruturar um acordo que possibilite a obtenção dos recur- sos ao mais baixo custo possível e com mínima perda de controle.
Administração da empresa
Depois que os recursos são obtidos, o empreendedor deve empregá-los na implementação do plano de negócio. Os problemas operacionais da empresa em crescimento também devem ser examinados. Isso implica implementar um estilo e uma estrutura administrati- va, bem como determinar as principais variáveis para o sucesso. Deve ser criado um siste- ma de controle para que todas as áreas problemáticas sejam rapidamente identificadas e resolvidas. Alguns empreendedores têm dificuldade para administrar e desenvolver o em- preendimento que criaram.
Tipos de iniciativas
Que tipos de iniciativas resultam desse processo de decisão de empreender? Um sistema de classificação muito útil divide as iniciativas em três categorias: empresas “estilo de vida”, empresas de fundação e empreendimentos de alto potencial. A empresa “estilo de vida” é particular e geralmente só atinge um crescimento modesto devido à natureza do negócio, aos objetivos do empreendedor e à limitação de investimentos em pesquisa e desenvolvi- mento. Esse tipo de empresa pode crescer, após vários anos, para 30 ou 40 funcionários e tem arrecadações anuais de cerca de 2 milhões de dólares. Uma empresa do tipo “estilo de vida” existe primordialmente para sustentar os proprietários e geralmente tem poucas opor- tunidades de crescimento e expansão significativas. O segundo tipo de iniciativa – a empresa de fundação – é criada a partir de pesquisa e desenvolvimento e cria a base para uma nova área de negócios. Essa empresa pode crescer, num período de cinco a 10 anos, de 40 para 400 funcionários, e de 10 milhões para 20 milhões de dólares em arrecadações anuais. Como esse tipo de iniciativa raramente abre
empresa “estilo de vida” – um pequeno empreendimento que sustenta os proprietários e geralmente não se expande
empresa de fundação – um tipo de empresa formada a partir de pesquisa e desenvolvimento, que geralmente não abre seu capital
36 PARTE 1 A PERSPECTIVA DO EMPREENDEDORISMO
seu capital, em geral só atrai o interesse de investidores particulares, e não, da comunidade de capital de risco. O último tipo de iniciativa – a empresa de alto potencial – é a que recebe o maior interesse de investimento e maior publicidade. Embora a empresa possa iniciar como uma empresa de fundação, seu crescimento é muito mais rápido. Após um período de cinco a 10 anos, a empresa poderá empregar cerca de 500 funcionários, com arrecadação de 20 a 30 milhões de dólares. Essas empresas também são conhecidas como gazelas e integram o desenvolvimento econômico de uma área. Dado que os resultados do processo de decisão precisam ser percebidos como desejá- veis e possíveis para que um indivíduo mude de seu estilo atual de vida para outro radical- mente novo, não é de surpreender que o número e o tipo de formações de novos negócios variem enormemente no mundo todo. Algumas regiões dos Estados Unidos têm mais infra-estrutura de apoio e uma atitude mais positiva em relação à criação de novos negócios.
O papel do empreendedorismo no desenvolvimento econômico envolve mais do que ape- nas o aumento de produção e de renda per capita; envolve iniciar e constituir mudanças na estrutura do negócio e da sociedade. Tais mudanças são acompanhadas pelo crescimento e por maior produção, o que permite que mais riqueza seja dividida pelos vários participan- tes. O que facilita em uma área a mudança e o desenvolvimento necessários? Uma teoria de crescimento econômico coloca a inovação como o fator mais importante, não só no desenvolvimento de novos produtos (ou serviços) para o mercado, como também no estí- mulo ao interesse em investir nos novos empreendimentos que estão sendo criados. Esse novo investimento funciona na demanda e na oferta, ou seja, em ambos os lados da equa- ção de crescimento; o novo capital criado expande a capacidade de crescimento (lado da ofer- ta), e os novos gastos resultantes utilizam a nova capacidade e a produção (lado da demanda). Apesar da importância do investimento e da inovação no desenvolvimento econômico de uma área, ainda há uma falta de compreensão do processo de evolução do produto. Este é o processo pelo qual a inovação se desenvolve e é comercializada por meio da atividade empresarial, que, por sua vez, estimula o crescimento econômico. O processo de evolução do produto, ilustrado na Figura 1.1 como uma cornucópia, o tradicional símbolo da abundância, começa com o conhecimento da tecnologia e da ciên- cia de base – como termodinâmica, mecânica de fluidos ou eletrônica – e termina com os produtos ou serviços disponíveis para compra no mercado. 14 O ponto crítico no processo de evolução do produto é a interseção do conhecimento e de uma reconhecida necessida- de social que dá início à fase de desenvolvimento do produto. Esse ponto, chamado de síntese iterativa , com freqüência não consegue desenvolver uma inovação comercializável e é onde o empreendedor precisa concentrar seus esforços. A falta de conhecimento nessa área – combinar a tecnologia com o mercado adequado e fazer os ajustes necessários – é um problema inerente a qualquer transferência de tecnologia. A inovação pode, evidentemente, ter vários graus de peculiaridade. A maioria das inovações introduzidas no mercado são inovações comuns , isto é, com pouca peculiaridade ou tecnologia. Como esperado, há poucas inovações tecnológicas e inovações incrementais, com o número de inovações verdadeiras diminuindo à medida que aumenta a tecnologia envolvida. Sem consi- derar o nível de peculiaridade ou de tecnologia, cada inovação (especialmente as dos dois últi- mos tipos) evolui e se desenvolve em direção à comercialização por meio de um de três meca- nismos: o governo, o intra-empreendedorismo ou o empreendedorismo. O empreendedorismo ajudou a revitalizar áreas do centro das cidades. Os indivíduos dessas áreas podem relacionar-se com o conceito e vê-lo como uma possibilidade para mudar sua atual situação. Um projeto-modelo na cidade de Nova York transformou uma área subavaliada em uma zona de muitas pequenas empresas.
empresa de alto potencial
gazelas – empreendimentos de crescimento muito alto
processo de evolução do produto – processo para desenvolver e comercializar uma inovação
síntese iterativa – interseção do conhecimento e de uma necessidade social que dá início ao processo de desenvolvimento do produto
inovações comuns – novos produtos com pouca mudança tecnológica
inovações tecnológicas – novos produtos com avanço tecnológico significativo
inovações incrementais – novos produtos com alguma mudança tecnológica
38 PARTE 1 A PERSPECTIVA DO EMPREENDEDORISMO
sucesso da comercialização. Além disso, a burocracia governamental e o corte de despesas muitas vezes inibem a formação do negócio no momento adequado. Recentemente esse problema foi abordado quando foi solicitado aos laboratórios fede- rais dos EUA que comercializassem parte de sua tecnologia a cada ano. A fim de ajudar seus cientistas a comercializar tecnologia e a pensar de modo mais empresarial, alguns laboratórios estão oferecendo treinamento empresarial, trabalhando com centros de em- preendedorismo das universidades.
Intra-empreendedorismo ou empreendedorismo corporativo
O intra-empreendedorismo (empreendedorismo dentro de uma estrutura empresarial exis- tente) também pode fazer a ligação entre ciência e mercado. As empresas têm os recursos financeiros, as habilidades gerenciais e, muitas vezes, os sistemas de marketing e de distri- buição para comercializar inovações com êxito. Mas também, com freqüência, a estrutura burocrática, a ênfase nos lucros a curto prazo e uma estrutura altamente organizada ini- bem a criatividade e impedem que se desenvolvam novos produtos e negócios. As corpo- rações que reconhecem esses fatores inibidores e a necessidade de criatividade e inovação tentam estabelecer um espírito empreendedor em suas organizações. Na atual era da hi- percompetição, a necessidade de novos produtos e o espírito empreendedor tornaram-se tão grandes que cada vez mais empresas estão desenvolvendo um ambiente intra-empre- endedor, freqüentemente na forma de unidades estratégicas de negócios (SBUs – strategic business units ). O intra-empreendedorismo é discutido no Capítulo 3.
Empreendedorismo
O terceiro método para ligar ciência e mercado é por meio do empreendedorismo, como a criação de uma nova organização. Muitos empreendedores passam por dificuldades para fazer essa ligação e criar novos empreendimentos. Faltam-lhes habilidades administrativas, capacidade de marketing ou recursos financeiros. Suas invenções são quase sempre não- realistas, exigindo significativa modificação para serem comercializáveis. Além disso, os empreendedores freqüentemente não sabem como interagir com todas as entidades neces- sárias, como bancos, fornecedores, clientes, investidores de risco, distribuidores e agências de publicidade. Contudo, apesar de todas essas dificuldades, o empreendedorismo atualmente é o mé- todo mais eficiente para ligar ciência e mercado, criando novas empresas e levando novos produtos e serviços ao mercado. Essas atividades empreendedoras afetam de modo significativo a economia de uma área ao construir sua base econômica e gerar empre- gos. Dado o seu impacto na economia global e no nível de emprego em uma área, é de admirar que o empreendedorismo ainda não tenha se tornado mais central no desenvolvi- mento econômico.
Vida de empreendedor não é fácil. Um empreendedor deve correr riscos com seu próprio capital a fim de vender e oferecer produtos e serviços enquanto despende mais energia do que o homem de negócios médio para inovar. Confrontado com situações cotidianas es- tressantes e com outras dificuldades, há a possibilidade de que o empreendedor estabeleça um equilíbrio entre exigências éticas, prudência econômica e responsabilidade social, um equi- líbrio que difere do ponto em que o administrador comum estabelece sua posição moral.^15 As atitudes de um gerente referentes à responsabilidade corporativa relacionam-se com o clima organizacional percebido como algo que dá suporte às leis e aos códigos profissio-
CAPITULO 1 A NATUREZA E A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO 39
nais de ética. Por outro lado, os empreendedores em uma empresa relativamente nova, que têm poucos modelos de desempenho, geralmente desenvolvem um código ético inter- no. Os empreendedores tendem a depender de seus próprios sistemas de valores pessoais, muito mais do que os gerentes, quando determinam ações eticamente adequadas. Embora confiem mais em seu próprio sistema de valores, os empreendedores mostram-se especialmente sensíveis à pressão de seus pares e às normas sociais gerais na comunidade, bem como às pressões de seus concorrentes. As diferenças entre empreendedores em tipos diferentes de comunidades e em países diferentes refletem, até certo ponto, as normas e os valores gerais das comunidades e dos países envolvidos. Este é claramente o caso das localidades metropolita- nas em oposição às não-metropolitanas dentro de um mesmo país. Internacionalmente, há evidências desse efeito sobre os gerentes em geral. Os gerentes americanos parecem ter valores mais individualistas e menos comunitários do que seus colegas alemães e austríacos. O número cada vez maior de empresas com orientação internacional causa aumento do interesse pelas semelhanças e diferenças nas atitudes e práticas empresariais em países diferentes. Essa área foi explorada, até certo ponto, dentro do contexto da cultura e agora está começando a ser explorada dentro do conceito mais individualizado da ética. Os conceitos de cultura e ética têm alguma relação. Enquanto a ética refere-se ao “ estudo do que é certo e bom para os seres humanos ”, a ética de negócios tem a ver com a investigação das práticas empresariais à luz dos valores humanos. A ética é o amplo campo de estudo que explora a natureza geral da moral e de escolhas morais específicas a serem feitas pelo indi- víduo em sua relação com os outros. Embora a ética de negócios tenha emergido como um tópico importante em publicações populares e acadêmicas nas últimas décadas, até o momento ela tem sido tratada fora do contexto histórico e dentro de uma orientação dominada pela perspectiva norte-americana. Ainda que se acredite que a palavra ética se deriva do termo grego êthos , que significa “costume e uso”, é mais propriamente identificada como oriunda de swëdhêthos , em que os conceitos de moralidade individual e hábitos comportamentais são relacionados e iden- tificados como uma qualidade essencial da existência. A maioria dos autores ocidentais credita aos filósofos gregos Sócrates (469-399 a.C.), Platão (427-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.) a produção dos primeiros escritos em que se basearam as atuais concepções éticas. Escritos muito anteriores sobre códigos mo- rais e lei, porém, podem ser encontrados tanto no judaísmo (1800 a.C.) quanto no hindu- ísmo (1500 a.C.). As atitudes americanas em relação à ética resultam de três influências principais: a herança judaico-cristã, uma crença no individualismo e as oportunidades com base na habilidade, em vez de no status social. Os Estados Unidos foram formados por imigrantes de outros países, muitas vezes escapando à opressão sofrida em sua terra de origem, dedicados a criar uma sociedade em que seu futuro e seu destino seriam determi- nados por suas habilidades e por sua dedicação ao trabalho. Uma pergunta fundamental na ética empresarial é: “para o benefício de quem e à custa de quem a empresa deve ser administrada?” 16. Ao lidar com esse questionamento, concen- tramo-nos nos meios de assegurar que os recursos sejam distribuídos de modo justo entre a empresa e seus stakeholders – os interessados na empresa, inclusive funcionários, clientes, fornecedores e a própria sociedade. Se a distribuição dos recursos não for justa, um stakehol- der estará sendo explorado pela empresa. O empreendedorismo pode desempenhar um papel na distribuição justa dos recursos para abrandar a exploração de determinados stakeholders. A maioria de nós pode se lem- brar de exemplos de empresas beneficiadas financeiramente porque seus gerentes explora- ram certos stakeholders – recebendo mais valor deles do que eles recebem em retorno. Essa exploração de um grupo de stakeholders pode representar uma oportunidade para um empreendedor redistribuir de modo mais justo e eficiente os recursos do stakeholder ex- plorado. Dito de modo simples, onde os preços atuais não refletirem o valor dos recur- sos de um stakeholder , um empreendedor que descobrir a discrepância poderá entrar no mercado para lucrar. Dessa forma, o processo empreendedor funciona como um mecanis- mo para garantir um sistema justo e eficiente para a redistribuição dos recursos de um
ética de negócios – o estudo do comportamento e da moral em um contexto empresarial
CAPITULO 1 A NATUREZA E A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO 41
Contudo, apesar das diferenças, existem alguns aspectos comuns: riscos, criatividade, in- dependência e recompensas. Esses aspectos continuarão a ser a força impulsionadora sub- jacente à noção de empreendedorismo no futuro. Uma coisa está clara: o futuro do empre- endedorismo parece brilhante. Estamos vivendo na era do empreendedor, com o empre- endedorismo sendo endossado por instituições educacionais, unidades governamentais, sociedade e corporações. A educação empreendedora nunca foi tão importante em termos de cursos e pesquisa acadêmica. O número de universidades e faculdades que oferecem pelo menos um curso em empreendedorismo aumenta a cada ano. O número de professo- res ensinando empreendedorismo e o número de disciplinas mantidas por doações au- mentam regularmente. Há também alguns programas únicos em empreendedorismo, como o programa de mestrado em ciência empreendedora e empreendedorismo tecnológico e o MBA na área de biociência. A formação em empreendedorismo no mundo todo também está crescendo. Muitas universidades na Europa têm programas bem-estabelecidos em empreendedorismo. A maior parte das universidades e das associações realmente pesquisa sobre empreendedorismo, seguidas de cursos de treinamento e cursos de formação – cursos para os quais é concedido crédito com valor de título. Poucas universidades ainda estão envolvidas no verdadeiro processo de criação de empresas, em que universidade, corpo docente e/ou estudantes compartilham as vendas e os lucros do novo empreendimento. Esse aumento na oferta de cursos foi acompanhado de um crescimento na pesquisa acadêmica, no oferecimento de disciplinas específicas da área, no aumento de concentra- ções e especializações em empreendedorismo e de centros de atividade empresarial. Essa tendência continuará, sustentada por um aumento na atividade de pós-graduação, que, por sua vez, fornecerá os docentes e a pesquisa necessários para fazer frente aos futuros aumentos na oferta de cursos, cargos específicos, centros e trabalhos de pesquisa. Diversos governos estão demonstrando um maior interesse na promoção do cresci- mento do empreendedorismo. As pessoas são estimuladas a formar novas empresas e rece- bem apoio governamental, como vantagens nos impostos, prédios, estradas e um sistema de comunicações para facilitar o processo de criação. Os incentivos dos governos federal e regional deverão continuar no futuro, à medida que mais legisladores compreenderem que novas empresas geram empregos e aumentam a produção econômica na região. Al- guns governos estaduais nos Estados Unidos estão desenvolvendo suas próprias estratégias industriais inovadoras para promover a atividade empresarial e o desenvolvimento opor- tuno de tecnologia na área. O impacto dessa estratégia é visto no setor de capital de risco, que é sempre sensível às regulamentações e políticas governamentais. Muitos estados têm agora seus fundos de risco estaduais, dos quais uma porcentagem deve ser investida em empreendimentos no estado. O apoio da sociedade ao empreendedorismo também continuará. Esse apoio é essen- cial para propiciar motivação e sustentação pública. Nunca antes os empreendedores fo- ram tão reverenciados pela população em geral. O empenho empreendedor nos Estados Unidos é digno de honra e, até mesmo, em muitos casos, de prestígio. Um importante fator no desenvolvimento dessa aprovação social é a mídia. A mídia desempenha e conti- nuará a desempenhar um papel poderoso e construtivo na revelação do espírito empreen- dedor nos Estados Unidos e no destaque de casos específicos de sucesso desse espírito em ação. Grandes artigos em jornais prestigiados, como The New York Times , The Wall Street Journal e The Washington Post , concentram-se no espírito pioneiro dos empreendedores de hoje, descrevendo como esse espírito beneficia a sociedade, o que mantém os Estados Unidos na liderança tecnológica. Revistas sobre negócios em geral, como Barron’s , Business Week , Forbes e Fortune , oferecem cobertura semelhante, acrescentando colunas especiais sobre empreendedorismo e empreendimentos. Revistas como a Black Enterprise , Entrepre- neur e Inc .– que se concentram em questões específicas do processo empresarial, no início de novos empreendimentos e em pequenas empresas em crescimento – construíram índi- ces sólidos e crescentes de circulação. A televisão, em nível nacional e local, destaca o empreendedorismo, apresentando indivíduos e questões específicas envolvidas no proces-
42 PARTE 1 A PERSPECTIVA DO EMPREENDEDORISMO
so empreendedor. Não só as estações locais são responsáveis pela cobertura de ocorrências regionais, mas também os programas de redes nacionais, como The Today Show , Good Morning America e 20/20 , têm segmentos especiais dedicados a esse fenômeno. Essa co- bertura da mídia eleva a imagem do empreendedor e das empresas em crescimento e concentra-se em suas contribuições para a sociedade. Finalmente, as grandes empresas continuarão a ter interesse na sua forma especial de empreendedorismo – o intra-empreendedorismo – no futuro. Essas empresas estarão cada vez mais interessadas em capitalizar sua pesquisa e desenvolvimento (P&D) no hipercom- petitivo ambiente de negócios da atualidade. As 15 maiores empresas dos Estados Unidos são responsáveis por mais de 20% do total de P&D no país e por mais de 40% de P&D do setor privado. A General Electric, por exemplo, criou internamente três empresas de US$ 1 bilhão nos últimos 15 anos e está mudando toda sua pesquisa e desenvolvimento sobre ignição para a Hungria em sua joint venture , a Tungstram. Outras empresas querem, no futuro, criar mais empresas novas através do intra-empreendedorismo, tendo em vista, sobretudo, a hipercompetição e a necessidade de globalização.
A definição de empreendedor evoluiu no decorrer do tempo, à medida que a estrutura econômi- ca mundial mudava e tornava-se mais complexa. Desde seu início, na Idade Média, quando era usada para se referir a ocupações específicas, a noção de empreendedor foi refinada e amplia- da, passando a incluir conceitos relacionados com a pessoa, em vez de com sua ocupação. Os riscos, a inovação e a criação de riqueza são exemplos dos critérios desenvolvidos à medida que evoluía o estudo da criação de novos negócios. Neste texto, o empreendedorismo é defini- do como o processo de criar algo novo com valor, dedicando-se o tempo e o esforço necessá- rios, assumindo os correspondentes riscos financeiros, psicológicos e sociais, e recebendo as recompensas conseqüentes da satisfação e da independência pessoal e econômica. O empreendedor passa pelo processo de empreender, que abrange encontrar, avaliar e desenvolver oportunidades para criar um novo empreendimento. Cada etapa é fundamental para o eventual êxito da nova empresa e está intimamente relacionada com as demais etapas. Para que o estágio da identificação da oportunidade resulte numa busca significativa, o possí- vel empreendedor deve ter uma idéia geral sobre o tipo de empresa almejado. Há mecanis- mos formais e informais para identificar oportunidades de negócios. Embora os mecanismos formais sejam geralmente encontrados em uma empresa mais estabelecida, a maioria dos empreendedores usa fontes informais para as suas idéias, como ser sensível às reclama- ções e aos comentários casuais de amigos e associados. Assim que a oportunidade é identificada, começa o processo de avaliação. É fundamental para o processo de análise entender os fatores que geram a oportunidade: tecnologia, mudanças de mercado, con- corrência ou mudanças nos regulamentos do governo. A partir dessa base, é possível estimar o tamanho do mercado e as dimensões do tempo associadas à idéia. É importante que a idéia se encaixe nas habilidades e metas pessoais do empreendedor e que este tenha um forte desejo de ver a oportunidade dar frutos. No processo de avaliação de uma oportunidade, os recursos necessários devem ser claramente definidos e obtidos ao custo mais baixo possível. A decisão de iniciar um empreendimento consiste em uma seqüência de várias etapas: (1) a decisão de abandonar a atual carreira ou estilo de vida, (2) a decisão de que um empreendi- mento é desejável; e (3) a decisão de que fatores externos e internos tornam possível a cria-