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Guias e Dicas
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Conceitos Básicos de Radiologia, Resumos de Radiologia

Uma introdução aos principais conceitos e técnicas de radiologia, abordando os diferentes tipos de exames de imagem, como radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. São explicados os princípios de funcionamento de cada modalidade, suas vantagens e desvantagens, bem como a utilização de meios de contraste e os cuidados necessários. O texto também discute a importância da escolha adequada do método de imagem de acordo com as necessidades do paciente e do diagnóstico a ser realizado. Com uma descrição detalhada e abrangente dos conceitos básicos da radiologia, este documento pode ser útil como material de estudo e referência para estudantes da área da saúde, especialmente aqueles interessados em radiologia e diagnóstico por imagem.

Tipologia: Resumos

2024

Compartilhado em 17/06/2024

maria-carolina-cwe
maria-carolina-cwe 🇧🇷

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SUMÁRIO

    1. Conceitos básicos de radiologia...........................
    1. Radiografia
    1. Ultrassonografia ou usg
    1. Tomografia computadorizada ou tc.
    1. Ressonância nuclear magnética ou rnm.........
    1. Meios de contraste.
    1. Parâmetros de qualidade de imagem..............
    1. Qual o melhor método de imagem?
  • saber em radiologia...................................................... 9. As 10 coisas que todo médico deve
  • Referências bibliográficas

2. RADIOGRAFIA

A radiografia é um exame de imagem que utiliza a radiação em baixas do- ses para identificar alterações em os- sos e alguns órgãos. Ele é rápido, não invasivo, de baixo custo e está pre- sente na maioria dos serviços, sendo, por vezes o único exame disponível, se tornando extremamente necessá- rio saber interpretá-lo. As radiografias convencionais mos- tram cinco densidades básicas: ar, gordura, partes moles, osso e me- tal (ou agentes de contraste). O ar atenua pouco o feixe de raios X, per- mitindo que o feixe, praticamente em sua força total, escureça a imagem. Ossos, metais e agentes de contras- te radiográfico atenuam muito o feixe de raios X, possibilitando que pouca radiação atravesse para escurecer a imagem. Desse modo, ossos, objetos metálicos e estruturas opacificadas por agentes de contraste aparecem brancos nas radiografias. A atenuação do feixe de raios X por gordura e tecidos moles é intermedi- ária, resultando em graus diferentes de escurecimento da imagem (es- cala de cinza). Estruturas espessas apresentam atenuação maior que as mais finas com a mesma composi- ção. As estruturas anatômicas po- dem ser visualizadas em radiografia quando são delineadas total ou par- cialmente por tecidos que atenuam em graus diferentes os raios X. O ar nos pulmões delineia as estruturas pulmonares vasculares, produzindo um padrão detalhado do parênquima pulmonar. A gordura no interior do abdome delineia as bordas hepáticas, esplênicas e renais, possibilitando sua visualização. A alta densidade dos ossos torna pos- sível a visualização detalhada des- sas estruturas , através das camadas de tecido mole sobrepostas. Objetos metálicos, como clipes cirúrgicos, ge- ralmente, podem ser claramente vi- sualizados porque atenuam muito o feixe de raios X. Contrastes radiográ- ficos são suspensões à base de iodo ou bário que atenuam fortemente o feixe de raios X e são utilizados para delinear estruturas anatômicas.

Figura 1. Radiografia convencional. Radiografia do abdome AP, com paciente em decúbito dorsal. A imagem revela a anatomia, porque as estruturas anatômicas diferem em sua capacidade de atenuar os raios X que atravessam o corpo do paciente. Podem ser visualizados o estômago (E) e o duodeno (d) porque o ar, no lúmen apresenta densidade radiográfica diferente daquela dos tecidos moles que circundam o trato GI. O rim direito (entre as setas mais curtas), a borda hepá- tica (seta reta longa), a borda esplênica (seta vazada) e o músculo psoas esquerdo (seta curva) podem ser visualizados, porque a gordura delineia a densidade dos tecidos moles dessas estruturas. Os ossos da coluna, da pelve e dos quadris são claramente visualizados através dos tecidos moles, devido a sua alta densidade radiográfica. Fonte: Brant, William E. Fundamentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem. 2015 O exame acontece basicamente da seguinte forma: o paciente fica com a parte que se quer “fotografar” de frente para a máquina, que lança um feixe de elétrons contra a estrutura. A densidade do que se está “fotografan- do” é quem vai forma a imagem, pois, como vimos, materiais mais densos, como o metal, bloquearão o feixe de elétrons, deixando a imagem branca, já os materiais menos densos, como o ar dos pulmões, deixarão esse feixe passar, formando uma imagem preta e os materiais intermediários, darão tonalidades intermediárias entre o branco e o preto. Com isso, o raio X é um excelente mé- todo de imagem para avaliar a parte óssea do paciente , pois, por ser bem visualizado, conseguimos buscar por fraturas ou demais anormalidades. Além disso, podemos utilizar o raixo X para avaliar doenças agudas no ab- dome, comprometimento pulmonar e vias aéreas superiores ou os dentes e suas raízes. Figura 2. Fluoroscopia. Fluoroscopia. O dia- grama de uma unidade fluoroscópica ilustra o tubo de raios X localizado abaixo da mesa de exame do paciente e a película fluorescente com o intensificador de imagem localizados acima do paciente. A amplificação da fraca imagem fluorescente, feita pelo intensificador de imagem, possibilita que a radiação a que o paciente foi exposto seja mantida em níveis baixos durante a fluoroscopia. As imagens fluoroscópicas em tempo real são visualizadas em um monitor e, depois, gravadas em vídeo. As radiografias são obtidas pela captura de imagens digitais ou pela colocação de um chassi entre o paciente e o intensificador de imagem, e com exposição do receptor de imagem a um breve pulso de radiação. Fonte: Brant, William E. Fundamentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem. 2015

sentada. As incidências também po- dem ser nomeados de acordo com a posição assumida pelo paciente na hora do exame, por exemplo, ortostá- tica, em decúbito dorsal ou em decú- bito ventral. Uma radiografia do tórax em decú- bito lateral direito é conseguida com o feixe de raios X horizontal atraves- sando o paciente deitado sobre seu lado direito. Radiografias tiradas du- rante fluoroscopia são nomeadas de acordo com a posição do paciente em relação à mesa fluoroscópica, porque o tubo de raios X é posicionado em- baixo da mesa. Figura 4. Posições para exame em decúbito. Fonte: https://bit.ly/3gMErPw A incidência oblíqua posterior direita (OPD) é tirada com o paciente deita- do com o lado direito das costas con- tra a mesa e o lado esquerdo elevado, sem contato com a mesa. O feixe de raios X gerado pelo tubo localizado embaixo da mesa atravessa o pacien- te e sensibiliza o chassi radiográfico ou detector de imagem situado acima do paciente

3. ULTRASSONOGRAFIA

OU USG

A ultrassonografia é um método de imagem que, assim como o raio X, também não é invasivo, rápido, barato e de fácil acesso, pois está presente também na maioria dos serviços. Nele, o ultrassonografista visualiza, em tempo real, as estrtutu- ras que ele pretende analisar. E, está aí um dos problemas da USG: ela é operador-dependente. Mas o que é isso? Operador-depen- dente, um termo que você já deve ter ouvido falar, significa que o resultado do exame depende de quem está ma- nuseando o aparelho. Como a pessoa vai olhando as estruturas em tempo real, ela “foca” naquilo que ela vê de alterado e se ela não enxergar, passa despercebido. Não é um exame que você tira a imagem e qualquer pessoa pode “ler”, pois ele é dinâmico. Mas e como ele funciona? O paciente deita em uma maca ao lado do apa- relho de USG. Esse aparelho é um transdutor , ou seja, um dispositivo que transforma uma forma de ener- gia em outra, nesse caso, ele envia um pulso de ultrasom para o tecido e depois recebe ecos, transforman- do-os em sinais, que serão interpre- tados por um computador, para, em seguida, serem exibidos na forma de uma imagem no display. Figura 5. Técnica de ultrassom por pulsoeco. O trans- dutor de USG transmite um breve pulso de energia US para os tecidos. O pulso de USG transmitido encontra as interfaces dos tecidos que refletem parte do feixe de USG de volta ao transdutor. A profundidade da inter- face dos tecidos é determinada pelo tempo de voo do pulso transmitido e do eco, considerando-se uma velo- cidade média de 1.540 m/s para a transmissão do som em tecidos humanos. Fonte: Brant, William E. Funda- mentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem. 2015 Quanto maior a frequência das ondas emitidas, maior a resolução da ima- gem obtida e maior a precisão das estruturas superficiais. A densidade do material estudado também é im- portante, pois a USG vai traduzir a imagem em escala de cinza confor- me esse critério mais a atenuação e a mudança de fase dos sinais emitidos. As USG são realizadas por meio da colocação direta do transdutor de USG sobre a pele do paciente, com o auxílio de um gel hidrossolúvel, o qual garante bom contato e a trans- missão eficiente do feixe de USG. A imagem é produzida em qualquer plano anatômico pelo simples ajuste

hemácias no fluxo sanguíneo. Se o fluxo sanguíneo se afastar da face do transdutor, a frequência de eco sofre um desvio menor. Se esse fluxo for em direção à face do transdutor, o desvio da frequência de eco é maior. Assim, o desvio de frequência é proporcional à velocidade relativa das hemácias. Transdutor Onda transmitida Onda transmitida Onda transmitida Onda refletida Onda refletida Onda refletida Objeto imóvel Vaso sanguíneo: hemácias movendo-se em direção ao transdutor Vaso sanguíneo: hemácias movendo-se em direção contrária ao transdutor Figura 7. USG com Doppler. Fonte: https://bit.ly/3fKDgyQ A USG com Doppler pode detectar não apenas fluxo sanguíneo, mas também determinar sua direção e ve- locidade. O desvio de frequência do Doppler está em uma faixa de som audível, produzindo o som do fluxo sanguíneo que também tem valor diagnóstico adicional. A técnica de Color Doppler combi- na a escala de cinza, com informa- ções codificadas por cores, em uma única imagem, como pode ser visto na imagem abaixo. Tecidos estacio- nários com ecos que não têm desvio de Doppler são mostrados em tons de cinza, enquanto fluxo sanguíneo e tecidos em movimento produzem ecos com desvio de Doppler detectá- vel e mostrado em cores. O fluxo de sangue em direção à face do transdu- tor, geralmente, é mostrado em tons de vermelho, enquanto o sangue que flui para longe da face do transdutor é mostrado em tons de azul. Tons mais claros implicam fluxos mais rápidos.

Figura 8. Análise espectral e colorida do Doppler de um rim transplantado. A imagem colorida no alto da figura mostra a perfusão normal de um rim transplantado, com as artérias destacadas em vermelho (em direção ao transdutor) e as veias em azul (afastando se do transdutor). A análise espectral do Doppler, na parte de baixo da figura, revela a pulsati- lidade normal da artéria principal para o rim transplantado com o fluxo sanguíneo para o rim, ocorrendo por todo o ciclo cardíaco. O fluxo de alta velocidade é evidente na sístole (S) e com menor velocidade durante a diástole (D). Fonte: Brant, William E. Fundamentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem. 2015 e bexiga ou vesícula biliar distendidas, demonstram caracteristicamente pa- redes bem definidas, ausência de ecos internos e realce acústico distal. Tecido sólido demonstra um padrão salpicado (speckled) de textura com definição de vasos sanguíneos que podem ser mais bem visualizados com Doppler colorido. Em geral, a gordura é altamente ecogê- nica, enquanto órgãos sólidos como fí- gado, pâncreas e rins apresentam grau menor de ecogenicidade. Lesões nos órgãos apresentam efeito expansivo com alteração no contorno dos órgãos e deslocamento dos vasos sanguíneos, além de alteração na textura do tecido. Lesões de ecogenicidade menor (ecos de intensidade mais baixa) do que o pa- rênquima adjacente são denominadas hipoecoicas, e lesões de ecogenicidade maior (ecos de intensidade maior) do SE LIGA! O transdutor nas mãos de um médico experiente é uma extensão dinâ- mica do exame físico. Quando o próprio profissional realiza o exame, tem a opor- tunidade de questionar o paciente em re- lação a sintomas atuais e passados, inter- venções cirúrgicas anteriores e histórico clínico pertinente. Massas suspeitas po- dem ser palpadas, além de examinadas pela USG. Os artefatos são diferenciados com maior facilidade dos componentes verdadeiros da imagem nos exames em tempo real. Um exame ativo possibilita a avaliação rápida das relações anatômicas tridimensionais. Dessa forma, a USG em tempo real fornece milhares de imagens em alguns minutos. As estruturas de conteúdo líquido, como cistos, cálices renais e ureteres dilatados

Uma das maiores vantagens da TC é que a imagem formada vai para o computador e, nele, o médico conse- gue analisar os cortes como em um filme, escolhendo o “pedaço” a ser analisado, que chamamos de “janela” da imagem, ou adicionar cores para diferenciar as estruturas. A TC pode fazer imagens de qualquer parte do corpo, como coração, pul- mões e órgãos abdominais. Os exa- mes de TC são excelentes na avalia- ção de lesões ósseas, pois os ossos muito finos aparecem claramente nas imagens. Figura 10. Tomografia computadorizada de crânio. Fonte: https://bit.ly/2XNjxbz Os agentes de contraste iodados são administrados na TC para realçar as di- ferenças de densidade entre as lesões e o parênquima adjacente, demonstrar anatomia vascular e a perviedade vas- cular e caracterizar lesões por meio de seus padrões de contraste. Para otimizar o uso dos contrastes IV, devem ser levadas em consideração a anatomia, a fisiologia e a patologia do órgão de interesse. No cérebro, uma barreira hematencefálica sau- dável, com suas estreitas junções endoteliais capilares, impede a en- trada de contraste no espaço neural extravascular. Defeitos na barreira hematencefálica associados a tumo- res, acidente vascular cerebral (AVC), infecção e outras lesões causam acú- mulo de contraste nos tecidos anor- mais, melhorando sua identificação. Em tecidos não neurais, o endotélio capilar tem junções menos estreitas, possibilitando o livre acesso do meio de contraste ao espaço extravascular. A administração do contraste e o tem- po da digitalização devem ser cuida- dosamente planejados na TC, a fim de otimizar as diferenças nos pa- drões de realce entre lesões e tecidos

saudáveis. Por exemplo, a maioria dos tumores hepáticos é, predominante- mente, suprida pela artéria hepática; entretanto, o parênquima hepático é, predominantemente, suprido pela veia porta (≈70%), com uma contribuição menor da artéria hepática (≈30%).

5. RESSONÂNCIA

NUCLEAR MAGNÉTICA OU

RNM.

Assim como na TC, na RNM imagens transversais dos órgãos internos são criadas pelo aparelho, porém, agora, sem uso de radiação. Na RNM, pode- rosos ímãs formam as imagens e, tam- bém diferentemente da TC, onde a ima- gem pode ser “alterada” no computador, na ressonância, a imagem só pode ser visualizada da forma com a qual foi feita. A RNM é útil para diagnosticar e localizar alguns tipos de câncer e diferenciar se é benigno ou maligno, sendo excelen- te para tumores cerebrais, pois ela cria imagens de partes moles do corpo , que são difíceis de serem observadas utilizando outros exames de imagem. O exame é feito ao se colocar o pa- ciente deitado em um cilindro/tubo que contém um imã, envolvendo o pacien- te em um grande campo magnético. A força magnética faz com que o núcleo dos átomos de hidrogênio do corpo do paciente fiquem alinhados em uma di- reção. Uma vez que os átomos estejam alinhados, o equipamento emite um feixe de ondas de radiofrequência, que fazem com que o núcleo de hidrogênio mude de direção (eles mudam essa di- reção diferentemente em cada tecido do corpo). Quando eles retornam à sua posição original, emitem determinados sinais que são detectados pelo scanner e um programa de computador capta os sinais dessas alterações, construin- do uma imagem em preto e branco. Dessa forma, a característica marcan- te e avançada da RNM, é que ela usa radiação não-ionizante, não sendo lesiva para os tecidos biológicos , além de apresentar grande resolução para as partes moles, e com boa dife- renciação entre as estruturas anatô- micas. Ainda, o mesmo equipamento proporciona imagens anatômicas e também imagens funcionais. SE LIGA! Na RNM, diferentemente de como ocorre com a TC, as imagens são únicas e não podem ser alteradas pós formação. Então é importante escolher que tipo de imagem que você vai precisar:

  • T1 é um método que tende, no crâ- nio, a separar a substância branca (mais branca) da cinzenta (mais es- cura), sendo chamada de sequência anatômica.
  • T2 é excelente para se observar as patologias. Ele deixa os líquidos parados na cor branca e as subs- tâncias branca e cinzenta no cérebro ficam trocadas com relação ao T1.
  • Flair apresenta as mesmas caracte- rísticas de imagem do T2, porém lí- quidos como líquor e humor vítreo ficam pretos. Essa característica é im- portante para se analisar, por exemplo, edema cerebral , pois o edema per- manecerá hiperintenso no flair.

6. MEIOS DE CONTRASTE.

Após a descoberta dos Raios-X, constatou-se que estruturas com opacidades semelhantes não eram diferenciadas, tais como, os vasos sanguíneos. Desta forma, surgiu a necessidade de criação de métodos artificiais para aumentar o contraste entre estas estruturas. Os meios de contraste radiológicos são compostos introduzidos no or- ganismo por diferentes vias, que per- mitem aumentar a definição das imagens radiográficas , graças ao aumento de contraste provocado por eles, possibilitando, desse modo, a obtenção de imagens de alta defini- ção e, com isso, maior precisão em exames de diagnóstico por imagem. A utilização de compostos com a fi- nalidade de melhorar a qualidade das imagens radiológicas é bastante an- tiga, cerca de mais de meio século. Desde então, reações adversas re- sultantes da introdução de uma subs- tância estranha ao corpo humano, administrada via oral ou intravenosa, têm sido relatadas, uma vez que nem sempre estas substâncias são inofen- sivas e algumas vezes podem alterar a circulação sanguínea causando re- ações inesperadas. Partindo deste princípio, diversas precauções devem ser tomadas tanto com os pacientes, como no preparo e armazenamento dos meios de contraste. SE LIGA! Sulfato de bário permite opa- cificação do trato digestório nas radio- grafias convencionais (RX). Microbolhas de gases perfluorocarbonados trazem novas perspectivas aos exames de ul- trassonografia (US). Agentes iodados (CI) e paramagnéticos (CPGd), ambos utilizados por via intravenosa, são fun- damentais para a realização de exames respectivamente de tomografia com- putadorizada (TC) e ressonância mag- nética (RM). A medicina nuclear utiliza marcadores radioativos, principalmente injetáveis, em todos os seus pacientes. Classificação dos meios de contraste. Os meios de contrastes radiológicos são classificados quanto à capacida- de de absorver radiação, composi- ção, solubilidade, natureza química, capacidade de dissociação e via de administração. Quanto à capacidade de absorver radiação podem ser:

  • Positivos ou radiopacos: São os que quando presentes em um ór- gão; absorvem mais radiações do que as estruturas anatômicas que o rodeiam.
  • Negativos ou radiotransparentes: São considerados os que quando presentes em determinados ór- gãos absorvem quantidades me- nores de radiação do que as estru- turas adjacentes. Este meio inclui a bolha de ar presente no estômago, o carbonato de cálcio utilizado na

produção de gás carbônico na téc- nica de duplo contraste. Quanto à composição dividem-se em:

  • Iodados: Que contém Iodo (I) em sua composição como elemento radiopaco.
  • Não Iodados: São os que não con- têm Iodo em sua composição, po- rém apresentam outros átomos como elementos radiopacos. Nes- tes enquadram-se o Sulfato de Bário e o Gadolínio. Todos os meios de contraste iodados usados atualmente são derivados do ácido 2,4,6-triiodobenzoico. São clas- sificados com base nas suas carac- terísticas físico-químicas , incluindo sua estrutura química, osmolalidade, viscosidade, quantidade de átomos de iodo na estrutura, propriedades biológicas, capacidade de ionização em solução, hidrossolubilidade, lipofi- lia e toxicidade. Quanto à solubilidade são:
  • Hidrossolúveis: Os que se dissol- vem na água;
  • Lipossolúveis: Os que se dissol- vem em lipídios;
  • Insolúveis: Estes não se dissolvem nem em água e nem em gorduras, como exemplo temos o Sulfato de Bário. Quanto à capacidade de dissocia- ção dividem-se em:
  • Iônicos: São os elementos que quando em solução formam os cha- mados compostos iônicos, onde os ânions e os cátions se dissociam, dão íons positivos e negativos.
  • Não Iônicos: São os elementos que quando em solução não se disso- ciam em íons, assim a reação quí- mica entre os componentes se dá por covalência, apresentam baixa osmolaridade. Pelo fator de segu- rança alguns autores enfatizam a utilização de meios de contraste Não Iônicos. Efeitos adversos. Os meios de contraste iônicos são aqueles capazes de se dissociar em soluções aquosas formando íons cá- tions e ânions, enquanto os não iôni- cos não se dissociam , porém intera- gem com moléculas de água por meio de interações intermoleculares. Os contrastes iodados utilizados apresentam muitos efeitos adver- sos , sendo estes resultantes da sua dissociação iônica, após injeção in- travascular, com a criação conse- quente de cargas elétricas e hiperos- molaridade plasmática. As reações

mais de 24 horas, devido ao risco de contaminação por microorganismos. Contraindicações. Hipertireoidismo Embora os contrastes modernos con- tenham cada vez menos iodo livre, podem interferir com a função tireoi- diana, inclusive desencadeando hi- pertireoidismo e crise tireotóxica. Pa- cientes com hipertireoidismo devem ser tratados antes de utilizar contras- te iodado. Não se deve usar contraste iodado até dois meses antes do ma- peamento de tireoide ou em pacien- tes em terapia com Iodo-131. Gravidez Contraste paramagnético de gadolí- nio, CPGd, não deve ser administrado em grávidas a não ser que nenhum método alternativo seja disponível e o exame por RM com contraste seja ab- solutamente necessário. Não existem relatos de Fibrose Sistêmica Nefro- gênica (FSN) em mulheres grávidas, fetos ou neonatos, embora o núme- ro de exposições nestes grupos seja desconhecido e provavelmente muito pequeno. Na gestação evita-se, principalmente no primeiro trimestre, qualquer dro- ga. Excepcionalmente pode-se uti- lizar contraste iodado em grávidas. Cuidado adicional é avaliar a função tireoidiana do neonato, pois há des- crito hipotireoidismo neonatal, que precisou de tratamento, associado ao uso de contraste iodado durante a gestação. CPGd não devem ser administrados durante a gestação, a não ser que o exame por imagem de RM com con- traste seja absolutamente necessário, o que pode ocorrer, por exemplo, na avaliação de placenta acreta. O CPGd pode acumular no líquido amniótico, o que teoricamente aumentaria o risco de FSN materna ou fetal. Embora não existam relatos de FSN em mulheres grávidas, fetos ou neonatos, deve-se notar que o número de exposições nestes grupos é desconhecido e pro- vavelmente muito pequeno. Lactação A quantidade de Iodo ou Gd que atin- ge o tubo digestivo do neonato após injeção endovenosa na mãe é menos do que 1% da dose recomendada para examinar uma criança. Conside- rando-se a importância da amamen- tação, poder-se-ia, inclusive, não in- terrompê-la em pacientes que tomem contrastes iodados ou CPGd. As dire- trizes, no entanto, são mais conserva- doras: descontinuar a lactação por 24 horas, colher e armazenar o leite na véspera e colher e desprezar o leite por 24 horas pós-exame é o que tem sido mais comumente preconizado.

Jejum e desidratação Jejum prolongado aumenta a ansieda- de e susceptibilidade a reações adver- sas. Desidratação principalmente com uréia > 50 mg/dL predispõem a ne- frotoxicidade, com risco de causar ou agravar insuficiência renal. Pacientes acamados podem estar desidratados e podem sofrer distúrbios eletrolíti- cos importantes durante preparo para exames de imagem. Cuidados espe- ciais no preparo intestinal de crianças e de pacientes com oligúria ou desequi- líbrio hidroeletrolítico, com paraprotei- nemias, uricemias, doenças autoimu- nes e cirrose hepática. Importante ter em mente que a hidratação adequada reduz chance de nefropatia induzida por contraste, NIC. Pequenas refei- ções até duas horas antes do estudo são suficientes para evitar desconforto durante a infusão endovenosa do con- traste. Raramente há necessidade de jejum mais prolongado, exceto se for necessária sedação. Anemia falciforme Contrastes hipertônicos causam fal- cização. Deve-se usar contrastes não iônicos, preferencialmente iso-osmo- lares. Para prevenir falcização durante angiografia cerebral, recomenda-se transfusão sanguínea para reduzir para menos de 30% a hemoglobina “falcizada”, HbS. Não há necessida- de de transfusão na administração intravenosa. Mieloma múltipo No mieloma múltiplo existe risco de insuficiência renal relativamente au- mentado, por depósito de proteína nos rins. Este risco aumenta quando se usa contraste iodado. Embora isto seja historicamente valorizado, o risco de NIC nos pacientes com mieloma é menor do que nos diabéticos, embo- ra por razões diferentes. Deve-se hi- dratar adequadamente os pacientes, suspender o uso de drogas potencial- mente nefrotóxicas e utilizar a menor dose possível de contraste não iônico, preferencialmente iso-osmolar. Metformina A metformina pode causar acidose metabólica em pacientes com insu- ficiência renal. Como existe risco de NIC quando se usa contraste iodado, costuma-se interromper a utilização de metformina em todos os pacien- tes por 24 horas antes até 24 horas após o procedimento. Não há razão para tan- to. Em pessoas normais e em pacientes com insuficiência renal crônica, IRC, graus 1 e 2, com índice de filtração glomerular, IFG > ou igual a 60mL/min, não há necessidade de interrupção. Nos pacientes com IFG entre 45 e 60 mL/min (IRC 3a), não há necessi- dade de interrupção de metformina para a administração endovenosa do contraste. Para a injeção intra-arterial