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CONCEITOS BÁSICOS DE SAÚDE MENTAL E PSIQUIATRIA DIFERENÇAS ENTRE O MODELO DA PSIQUIATRIA CLÁSSICA E O MODELO ACTUAL DE PSIQUIATRIA A saúde mental em Moçambique
Tipologia: Slides
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CONCEITOS BÁSICOS DE SAÚDE MENTAL E PSIQUIATRIA 3.1. Saúde Mental Do ponto de vista inter-cultural é praticamente impossível definir saúde mental. No entanto é de consenso geral que saúde mental é mais do que ausência de doença mental. Assim, poder-se-á definir “estado psicológico normal” ou de “boa saúde mental” todo o sistema de equilíbrio funcional do organismo capaz de permitir ao indivíduo uma boa adaptação social.
3.2 Psiquiatria Existem várias definições de Psiquiatria. Etimologicamente o termo psiquiatria significa arte de curar a alma. É um ramo da Medicina que tem por objecto de prevenção, o diagnóstico, tratamento e reabilitação das diferentes formas de perturbação mentais, e outras patologias psíquicas que incluem as perturbações da personalidade. Para alem dos objectivos descritos acima, a Psiquiatria também tem como objectivo, a reinserção dos doentes no meio que os rodeia ( ex: Social, Familiar, Laboral).
DIFERENÇAS ENTRE O MODELO DA PSIQUIATRIA CLÁSSICA E O MODELO ACTUAL DE PSIQUIATRIA A “Psiquiatria Clássica” que constitui a terceira fase de evolução da área de Psiquiatria foi influenciada por Emílio Kraepelin (Psiquiatra alemão). Kraeplin é o grande responsável pela classificação e descrição de várias enfermidades mentais de acordo com a sintomatologia e formulação de hipóteses sobre suas causas orgânicas específicas. Destaca-se nesta época, o internamento/isolamento dos doentes em manicómios.
RELAÇÃO ENTRE SAÚDE MENTAL E SAÚDE PÚBLICA Saúde Pública é a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde física e mental e a eficiência, através de esforços organizados da comunidade para o saneamento do meio ambiente, o controlo de infecções na comunidade, a organização de serviços médicos e para-médicos para o diagnóstico precoce e o tratamento preventivo de doenças, e o aperfeiçoamento da máquina social que irá assegurar a cada indivíduo, dentro da comunidade, um padrão de vida adequado à manutenção da saúde, como por exemplo a promoção de estilos de
Cont Sendo Saúde Mental um conceito que inclui bem estar subjectivo, a auto-confiança, a autonomia, a competência, a dependência inter- geracional e a auto-actualização do potencial emocional e intelectual do indivíduo, torna-se importante a realização de acções promotivas e preventivas com vista a garantir o equilíbrio bio-psico-social e cultural do indivíduo garantindo assim a a sua qualidade de vida de forma “holística” , contribuindo para a redução do impacto de factores de risco e para a promoção da “resiliência” face à doença mental. Tendo em conta o Modelo Bio-Psico-Social e Cultural para a vulnerabilidade ao desenvolvimento das Perturbações Mentais e do Comportamento, podemos perceber que para além da vulnerabilidade biológica que predispõe à doença, factores psicológicos e sociais e culturais determinam o início e o curso destas perturbações. Factores sócio-económicos como a pobreza , a ignorância , o desemprego, o isolamento social, a desnutrição e os cuidados marginais de saúde têm um importante efeito sobre o curso das perturbações mentais e funcionam como factores stressores crónicos capazes de provocar frequentes colapsos em pessoas vulneráveis.
A pobreza é resultado da privação económica, do baixo nível educacional e do desemprego, o que pode resultar na alta prevalência das Perturbações Mentais e de Comportamento; Devido a pobreza a assistência aos doentes é baixa e o curso da doença torna-se severo, trazendo impactos para a economia com a perda de emprego ou baixa produtividade e gastos com a saúde pública. Ex: O alcoolismo, Doentes Mentais na Rua.
A saúde mental em Moçambique 2.1. Percepções Culturais sobre os Transtornos Mentais Apesar do reconhecimento de que a psicopatologia básica relacionada à maioria dos transtornos mentais é universal, a sua manifestação e interpretação adquire especificidades próprias em função da cultura em que o indivíduo se insere. Em Moçambique tal como em muitas outras culturas africanas, as crenças acerca da doença mental estão ligadas à temas espirituais religiosos, de carácter animista e de origem ancestral. A “cura tradicional” é por isso mesmo largamente aceite para os problemas de saúde de um modo geral e para os transtornos mentais em particular, sendo que na maioria das vezes o utente entra no sistema de saúde convencional só depois de ter procurado tratamento tradicional e de este ter “falhado”.
Cont. Outro estudo foi realizado em 2003 sobre a prevalência das psicoses, atraso mental e epilepsia incluindo a avaliação dos modelos causais explicativos destas patologias e dos sistemas de procura de cuidados. Os resultados referem que a explicação da doença mental através de causas sobrenaturais é maior nas zonas rurais do que nas zonas urbanas. Nas zonas urbanas a percentagem de pessoas que refere desconhecer as causas destas patologias é superior à das zonas rurais. Outra conclusão do estudo foi que não há uma diferença significativa entre os dois contextos, urbano e rural, no recurso à medicina tradicional. Ou seja, embora nas zonas urbanas as pessoas recorram com mais frequência do que nas zonas rurais à Medicina Moderna Científica para o tratamento das patologias em estudo, prevalece o recurso simultâneo à medicina tradicional.
A Saúde Mental no Serviço Nacional de Saúde O Programa Nacional de Saúde Mental de Moçambique (PNSM) foi aprovado em 1990, no XVIº Conselho Coordenador do Ministério da Saúde, com uma estratégia que salientava a necessidade de integração da saúde mental nos cuidados de saúde em geral e sublinhava a importância da promoção e da prevenção, da humanização dos cuidados, do treino formal e contínuo de profissionais de saúde mental, da investigação, da colaboração intersectorial, da implementação de legislação e da supervisão e avaliação dos processos iniciados.
Cont. A Saúde Mental vai sendo gradualmente integrada nos serviços de saúde de nível primário, uma fonte importante de prestação de cuidados de saúde mental, para tornar acessíveis os cuidados de saúde mental a toda a população, embora grande parte da prestação de serviços de saúde mental esteja centrada nas zonas urbanas. Ao nível secundário e terciário, os cuidados de saúde mental estão integrados em todos os Hospitais Provinciais e Rurais do país, possuindo pelo menos um técnico médio de psiquiatria e saúde mental. Ao nível dos cuidados especializados (nível quaternário), os cuidados de Saúde Mental estão integrados nos Hosiptais Centrais de Maputo, Beira e Nampula e ainda no Hospital Psiquiátrico do Infulene e Centro de Saúde Mental de Nampula.
Desafios e Estratégias do Programa Nacional de Saúde Desafios Os problemas e distúrbios relacionados com a saúde mental constituem parte da carga de doença de todas as sociedades. A incidência dos problemas de saúde mental vai aumentando de forma dramática aumentando a importância do sector da saúde mental. O reconhecimento do impacto dos problemas e distúrbios relacionados com a saúde mental na saúde das populações cresceu desde que se adoptou um novo método para avaliar a saúde e a doença, que não está apenas restrito à avaliação do número de doentes e de mortes mas também tomando em consideração o grau em que a doença afecta o modo de vida das pessoas, as restrições e a perda de oportunidades que lhes impõe. Deste modo, os problemas de saúde mental assumem um dos papéis principais na carga de doença imposta às sociedades do mundo.
Estratégias Relativamente à saúde mental, e devido a baixa capacidade de cobertura dos serviços de saúde convencionais, principalmente nas zonas rurais e a impregnação da cultura tradicional na concepção e tratamento da doença mental, a Saúde reconhece a importância da medicina tradicional na assistência a uma grande maioria dos moçambicanos, tentando estabelecer formas de cooperação entre os dois sistemas que reforcem a assistência às comunidades dentro da linha de valores e princípios preconizados pelo Programa Nacional de Saúde Mental, através das seguintes
Cont.