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Conservação do solo, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

Apostila Curso de Conservação do Solo

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 25/10/2010

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Noções sobre tipos de estrutura do solo e sua
importância para o manejo conservacionista
1. Introdução
No Brasil e no mundo é grande a diversidade dos tipos de
solos, cada um com características químicas, físicas,
morfológicas e biológicas própias, o que lhes confere
aptidão de uso e manejo distintas.
Essas características, quando associadas a outros fato-
res ambientais como, por exemplo, clima e relevo, além
de variedades/cultivares, disponibilidade de insumos,
oportunidade de agronegócios (mercado interno e expor-
tação), determinam o tipo adequado de cultura para ser
cultivado em cada solo.
Cláudio Lucas Capeche1
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ISSN 1517-5685
Rio de Janeiro, RJ
Dezembro, 2008
Técnico
Comunicado
Dentre as características físicas do solo mais importan-
tes, relacionadas ao uso e manejo, está a estrutura, a
qual resulta da agregação das partículas primárias do
solo (areia, silte e argila) com outros componentes mine-
rais e orgânicos (calcário, sais, matéria orgânica, entre
outros). A agregação origina unidades estruturais com-
postas, chamadas de macro e microagregados do solo.
O agrupamento dos agregados do solo, organizados
numa forma geométrica definida , constitui a estrutura
do solo. Nas fotos 1 e 2 detalhes de exame da estrutura
em perfis de solo no campo.
Fotos 1 e 2 – Exame da estrutura do solo em
perfil de campo.
1 Pesquisador da Embrapa Solos. Rua Jardim Botânico, 1024. Rio de Janeiro, RJ. CEP: 22460-000. E-mail: [email protected]
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Noções sobre tipos de estrutura do solo e sua

importância para o manejo conservacionista

1. Introdução

No Brasil e no mundo é grande a diversidade dos tipos de solos, cada um com características químicas, físicas, morfológicas e biológicas própias, o que lhes confere aptidão de uso e manejo distintas.

Essas características, quando associadas a outros fato- res ambientais como, por exemplo, clima e relevo, além de variedades/cultivares, disponibilidade de insumos, oportunidade de agronegócios (mercado interno e expor- tação), determinam o tipo adequado de cultura para ser cultivado em cada solo.

Cláudio Lucas Capeche^1

ISSN 1517- Rio de Janeiro, RJ

Técnico Dezembro, 2008

Comunicado

Dentre as características físicas do solo mais importan- tes, relacionadas ao uso e manejo, está a estrutura, a qual resulta da agregação das partículas primárias do solo (areia, silte e argila) com outros componentes mine- rais e orgânicos (calcário, sais, matéria orgânica, entre outros). A agregação origina unidades estruturais com- postas, chamadas de macro e microagregados do solo.

O agrupamento dos agregados do solo, organizados numa forma geométrica definida , constitui a estrutura do solo. Nas fotos 1 e 2 detalhes de exame da estrutura em perfis de solo no campo.

Fotos 1 e 2 – Exame da estrutura do solo em perfil de campo.

(^1) Pesquisador da Embrapa Solos. Rua Jardim Botânico, 1024. Rio de Janeiro, RJ. CEP: 22460-000. E-mail: [email protected]

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2. Classificação da estrutura do solo

A estrutura pode ser classificada quanto à forma, tama- nho e grau de desenvolvimento.

2.1 - Forma

A forma da estrutura do solo corresponde à sua geome- tria e é resultado da intensidade das forças de coesão entre as partículas minerais e orgânicas, bem como da ação física e química dos macro e microorganismos ve- getais e animais.

As cargas interativas positivas e negativas da superfície das partículas promovem atração e repulsão entre elas e determinam a intensidade com que se unem. A qualida- de e a quantidade dessas cargas variam de acordo com os tipos de minerais presentes no solo (tipo da argila, por exemplo - se de atividade baixa ou alta, óxidos de ferro e alumínio, sais), pH, entre outras características pedológicas.

2.1.1 Estrutura laminar

As partículas do solo estão arranjadas em agregados cujas dimensões horizontais são maiores que as verti- cais, isto é, apresentam a aparência de lâminas. Embora as lâminas possam ter espessura variável, esta não ul- trapassa a dimensão de seu comprimento.

A estrutura laminar ocorre com mais freqüência nos horizontes e camadas mais superficiais dos solos, entre- tanto, algumas vezes pode ser encontrada em horizon- tes mais profundos. Na figura 1 está representado esquematicamente esse tipo de estrutura.

Embora pouco comum, a estrutura laminar pode ocorrer nos solos denominados ARGISSOLO e PLANOSSOLO, sendo observada nos horizontes A, E ou C. Ela pode ser originada de processos pedogenéticos ou por compactação causada pelo uso e manejo do solo.

Laminar

Fig. 1 – Representação esquemática de estrutura tipo laminar.

2.1.2 Estrutura prismática

As partículas do solo estão organizadas em agregados cuja dimensão vertical é maior que a lateral, conferindo- lhes uma forma de prisma ou coluna. As faces verticais são relativamente planas.

Esse tipo de estrutura pode ser dividido ainda em: prismática – quando apresenta a extremidade superior plana; colunar - tem forma de coluna, com a extremida- de superior arredondada. Um exemplo esquemático pode ser visto na figura 2.

Prismática (^) Colunar

Fig. 2 – Representação esquemático das estruturas do tipo prismática e do tipo colunar.

Esses tipos de estrutura são mais comuns nos horizontes subsuperficiais do solo. Normalmente estão relaciona- dos com presença de argilas de atividade alta, as quais apresentam expansão e contração mais acentuadas por efeito dos ciclos de umedecimento e secagem do solo. Na foto 3 pode ser visto um exemplo de estrutura prismática.

A ocorrência de estrutura prismática é comum nos solos conhecidos por NITOSSOLO e LUVISSOLO e a estrutu- ra colunar é típica do PLANOSSOLO NÁTRICO.

Foto 3 - Detalhe de estrutura prismática em NITOSSOLO.

gados, promove seu rolamento e, portanto, a redução de tamanho, à semelhança do que ocorre com os seixos rolados nos cursos dos rios e córregos.

A compactação do solo ao dificultar a infiltração da água promove maior acúmulo de umidade na superfície, podendo levar ao encharcamento do solo. Em tal condi- ção de acúmulo de água os agregados passam a ofere- cer menor resistência à deformação e ficam mais sus- ceptíveis à desagregação, o que afeta o tamanho das unidades estruturais superficiais.

2.3 Grau de desenvolvimento

Reflete a condição de coesão dentro e entre os agrega- dos, isto é, a força com que as partículas minerais e orgânicas estão unidas, e pode ser dividida em: sem estrutura (grãos simples ou maciça); com estrutura (grau de desenvolvimento fraco, moderado ou forte).

2.3.1 Sem estrutura

Se caracteriza pela ausência de uma organização estrutural definida, conforme classificação anterior (laminar, blocos, prismática ou granular). As partículas do solo estão unidas apenas por contato físico, sem

influência de cargas negativas ou positivas, e tem como exemplo típico a areia de praia. Nas fotos 5 e 6 podem ser observados um perfil de solo denominado ESPODOSSOLO, apresentando espessa camada arenosa constituída de grãos simples (sem estrutura) e o ambiente em que ocorre.

2.3.2 Com estrutura

Está relacionado com o nível de estabilidade dos agrega- dos do solo. A classificação pode ser fraca , quando corresponde a uma prequena força de união entre os agregados e, à medida que ela aumenta, é classificada em moderada e forte .

Normalmente, um solo cujos agregados possuem um grau de desenvolvimento forte resiste de forma mais efetiva à erosividade (ação da erosão causada tanto pelo impacto da chuva quanto pelo arraste causado pela enxurrada). Ao contrário, quanto menor o grau de de- senvolvimento, mais intensa é a erosividade. Isto ocorre porque solos com boa estruturação, além de resistir melhor ao impacto da chuva, favoresce a infiltração da água reduzindo a erosão por escorrimento (enxurrada).

Fotos 5 e 6 – Perfil de ESPODOSSOLO e seu ambiente de ocorrência.

3. Relação da estrutura com a

dinâmica da água no solo e o

crescimento vegetal

A relação da estrutura com a dinâmica da água no solo e o crescimento vegetal se reflete, principalmente em:

  • Melhor infiltração e armazenamento da água no solo (chuva ou irrigação). Um solo bem estruturado possibili- ta uma boa e rápida infiltração da água da chuva, evitan- do o acúmulo superficial que favorece o escorrimento e a erosão. Possibilita também que a água, ao alcançar o interior do solo, fique armazenada mais profundamente e disponível para as raízes, no caso de estiagem prolon- gada.
  • Maior espaço poroso para as trocas gasosas do siste- ma radicular (porosidade do solo)
  • Maior atividade biológica no solo (macro e microorganismos). A atividade biológica de macro e microorganismos, bem como o crescimento do sistema radicular das plantas é beneficiada, pois a presença de macroporos garante boa aeração.
  • Maior resistência à erosão. No solo bem estruturado as partículas do solo e agregados sofrem menos com a ação do impacto da chuva e escorrimento da enxurrada.
  • Maior resistência à compactação.
  • Maior eficácia dos corretivos da fertilidade do solo e aproveitamento dos fertilizantes pelas plantas, devido as condições de aeração, umidade, crescimento das raízes e atividade macro e microbiológica.
  • Maior rapidez na decomposição dos resíduos orgânicos e conseqüente liberação de nutrientes, devido à maior atividade biológica.

Um requisito muito importante para se manter um solo agrícola bem estruturado é fazer o seu manejo de forma adequada, utilizando as práticas conservacionistas como plantio direto, terraceamento, bacias de retenção, rotação de culturas, cobertura morta, análise de fertili- dade do solo, plantio em nível, uso correto de agroquímicos (agrotóxicos, herbicidas e fertilizantes quí- micos e orgânicos), manejo integrado de pragas, sistema de irrigação eficiente, variedades e cultivares adaptados para a região, entre outros.

4. Bibliografia consultada

BERTOLINI, D.; LOMBARDI NETO, F. Manual técnico de manejo e conservação de solo e água. Campinas: CATI,

  1. 1 v. (Manual técnico, n. 41). v. 4: Tecnologias disponíveis para controlar o escorrimento superficial do solo.

BERTOLINI, D.; KROLL, F. M.; LOMBARDI NETO, F.; CRESTANA, M. de S. M.; DRUGOWICH, M. I.; ELIAS, R.; CORRÊA, R. O.; BELLINAZZI JUNIOR, R. Manual técnico de manejo e conservação de solo e água. Campi- nas: CATI, 1994. 128 p. (Manual técnico, n. 42). v. 5. Tecnologias disponíveis para a implantação de técnicas complementares no solo.

BERTONI, J.; LOMBARDI NETO, F. Conservação do solo. Piracicaba, São Paulo: Ícone, 1990, 355 p.

BUCKMAN, H. O.; BRADY, N. C. Natureza e proprieda- de dos solos. Rio de Janeiro: USAID, 1967. 594 p.

CONSERVAÇÃO de solos e meio ambiente. Informe Agropecuário , Belo Horizonte, v.16, n. 176, 1992.

EMBRAPA - Serviço Nacional de Levantamento e Con- servação de Solos. Práticas de conservação de solos. Rio de Janeiro, RJ. 1980. 88 p. (SNLCS. Série Miscelâ- nea, 3).

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Siste- ma brasileiro de classificação de solos. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa So- los, 1999. 412p.

EMBRAPA. Serviço Nacional de Levantamento e Con- servação de Solos. Definição e notação de horizontes e camadas do solo. 2. ed. rev. atual. Rio de Janeiro, 1988. 54 p. (Documentos, 3).

KIEL, E. J. Manual de edafologia. relações solo-planta. São Paulo: Editora Agronômica CERES, 1979. 264 p.

LEMOS, R. C. de; SANTOS, R. D. dos. Manual de descri- ção e coleta de solo no campo. 2. ed. Campinas: SBCS; Rio de Janeiro: EMBRAPA-SNLCS, 1982. 46 p.

LEMOS, R. C. de; SANTOS, R. D. dos. Manual de descri- ção e coleta de solo no campo. 3.ed. Campinas: Socie- dade Brasileira de Ciência do Solo; Rio de Janeiro : EMBRAPA-CNPS, 1996. 83 p.