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Construção Com Terra: Vantagens, Funcionamento e Ensaios, Trabalhos de Arquitetura

Vantagens, função de cada partícula e ensaios tácto-visuais e de comportamento para a construção com terra. A construção com terra regula a umidade ambiental, é termicamente eficiente, acusticamente eficiente, reutilizável, não contamina o meio ambiente, economiza energia e materiais, e é barato. A argila mantém as partículas unidas, a areia é resistente e a silte contribui no preenchimento de espaços vazios. Os ensaios tácto-visuais ajudam a identificar a proporção de areia, cor, cheiro e mordida da terra.

Tipologia: Trabalhos

2020

Compartilhado em 21/01/2020

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aline-santos-n5f 🇧🇷

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Apostila
CONSTRUÇÃO COM TERRA
Bianca Joaquim – [email protected]
Michel Habib – [email protected]
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Apostila

CONSTRUÇÃO COM TERRA

Bianca Joaquim – [email protected] Michel Habib – [email protected]

Vantagens da construção com terra:

  • regula a umidade ambiental: mantém a umidade de um ambiente mais constante durante o ano todo;
  • termicamente eficiente: conserva o calor no inverno e mantém o ambiente fresco no verão;
  • acusticamente eficiente;
  • é reutilizável, ou seja, ao demolir-se uma parede de terra, todo o material pode ser reaproveitado para fazer uma nova parede;
  • permite um canteiro de obras limpo, não gera entulhos, ou seja, contribui para a redução da produção de resíduos sólidos (lixo) – dado: a construção civil, hoje, é responsável por 50% de todo o lixo gerado;
  • não contamina o meio ambiente: é facilmente reabsorvido pelo meio ambiente;
  • economiza energia e materiais como madeira e combustíveis fósseis pois não possui queima em sua produção;
  • é barato: principalmente quando retirado do próprio terreno, quando comprado também, se vier de local próximo;
  • é apropriada para a auto-construção: as tecnologias que empregam a terra são muito simples, fáceis de aprender e aplicar.

Componentes do solo:

Tamanhos:

Função de cada partícula: ARGILA: Coesão entre partículas, ela que mantém todas as partículas da terra unidas, sejam areias ou siltes;

AREIA: É a partícula resistente, aquela que trabalha os esforços de compressão, ou seja, a que sustenta a estrutura. Porém sozinhos, os grãos de areia não ficam unidos, função cumprida pela argila;

SILTE: sem função estrutural, contribui no preenchimento de espaços vazios, dada a grande diferença de tamanho entre a areia e a argila.

MATÉRIA ORGÂNICA: nas terras usadas para construção NÃO DEVE SER EMPREGADA, pois pode decompor-se dentro da estrutura, formando partes ocas dentro da mesma e diminuindo a resistência estrutural.

ARGILA SILTE AREIA

0,002 mm (^) 0,05 mm

ADOBE

Blocos de terra produzidos a mão através do preenchimento de fôrmas, usualmente de madeira, que podem apresentar diversos tamanhos e formas. Podem ser empregados em alvenarias estruturais, de fechamento e cúpulas.


O Adobe é uma técnica que se estendeu pelos climas secos, áridos, subtropicais e temperados do planeta. Existem relatos de construções utilizando essa técnica a mais de 7.000 anos.


Passos:

  1. Preparar a cama com a massa que deverá repousar de 2 a 4 dias; A composição do solo ideal para fazer adobes é de 60% Areia e 15% Argila. O traço da massa é: para cada parte de terra peneirada, ¼ desta parte de esterco;A massa deve ser regada todos os dias.
  2. Ao final do período de cura, misturar a massa com os pés, adicionando a quantidade de água necessária, até alcançar o ponto ótimo.
  3. Após molhar e “untar” as fôrmas com areia, preenchê-las com massa, retirar os excessos e desmoldar;
  4. Após a desmoldagem, os blocos devem ser secos preferencialmente à sombra. Virar os adobes após uma semana do seu preparo para continuar a secagem do outro lado. Ao completar duas semanas, pode-se emplilhá-los, porém deixando espaços entre cada tijolo para que o processo de secagem continue. Com três semanas pode-se concluir o processo de secagem deixando-os secar ao sol por mais uma semana. Este tempo de secagem varia muito de acordo com a época do ano e o clima local.
  5. Os adobes devem ser assentados com a mesma massa utilizada para fabricá-los, podendo assentar no máximo 1 m de altura por dia. VIVA! Os Adobes estão prontos!

TAIPA DE MÃO

Técnica que aplica a terra como elemento de preenchimento de estruturas em trama de madeira ou outros materiais vegetais. Podem ser empregados como paredes externas ou internas, sem admitir função estrutural.


Muito tradicional no Brasil, a taipa de mão pode ser encontrada também por toda a América Latina, na África e nos países centrais e ao norte da Europa. Existem vestígios que comprovam sua aplicação antes da taipa de pilão e do adobe.


Passos:

  1. Preparar a cama com a massa que deverá repousar de 2 a 4 dias; Composição do solo para a massa de taipa de mão: Predominantemente arenosa (por volta de 60%), com argila entre 10 e 15% do volume total. O traço da massa é: para cada parte de terra, ¼ desta parte de esterco; A massa deve ser regada todos os dias.
  2. Ao final do período de cura, adicionar um volume de fibra vegetal equivalente ao volume de terra (1:1), acrescentar a quantidade de água necessária e misturar a massa com os pés até alcançar o ponto ótimo.
  3. Aplicar a massa em uma trama de vãos entre 10 e 15 cm. O preenchimento deve atingir 2 cm de espessura além da trama.
  4. Proteger a parede da incidência direta do sol para que a secagem seja lenta, pois minimiza a retração e o aparecimento de fissuras.

TERRA MODELADA / TERRA EMPILHADA (Cob)

Consiste em modelar a terra diretamente em estado plástico ou empilhar bolas de terra, que são depois regularizadas para atingir a forma desejada. Podem ser empregadas em paredes estruturais, de fechamento e cúpulas.


Estas técnicas são consideradas como as mais primitivas, pois não requerem nenhuma ferramenta. Inicialmente utilizadas na África e na Ásia, foi posteriormente incorporada na Inglaterra (Cob) e na França (Bauge), nos séculos XV a XIX.


Passos:

  1. Preparar a cama com a massa que deverá repousar de 2 a 4 dias; Composição do solo para a massa: Predominantemente arenosa (por volta de 60%), com argila entre 10 e 15% do volume total. O traço da massa é: para cada parte de terra, ¼ desta parte de esterco; A massa deve ser regada todos os dias.
  2. Ao final do período de cura, adicionar um volume de fibra vegetal equivalente ao volume de terra (1:1), acrescentar a quantidade de água necessária e misturar a massa com os pés até alcançar o ponto ótimo.
  3. Aplicar a massa em bolas ou diretamente sobre a base impermeável até alcançar a altura ou forma desejada, com a possibilidade de regularizar a superfície ao final. A massa deve ser empilhada no máximo 80 cm por dia.
  4. Proteger a parede da incidência direta do sol para que a secagem seja lenta, pois minimiza a retração e o aparecimento de fissuras.

TAIPA DE PILÃO

Esta técnica consiste em prensar ou comprimir camadas de terra quase seca dentro de taipais. Pode ser empregada em paredes estruturais e de fechamento.


Encontrado em todos os continentes, seu registro mais antigo pode ser encontrado na Assíria, datada de 5000 anos a.C.. A obra mais significativa com o uso desta técnica é a Muralha da China, construída no ano 220 a.C..


Passos:

  1. Montar os taipais (fôrmas) cuidando para que os mesmos estejam bem fixos e estáveis.
  2. Preparar a massa com terra peneirada podendo a mesma ser estabilizada com cimento ou cal. O solo ideal para esta técnica é arenoso, com no mínimo 50% das partículas, e com no máximo 20% de argila. Umedecer ligeiramente a massa até que se atinja um mínimo de coesão entre as partículas da terra.
  3. Colocar a massa dentro dos taipais, em camadas de 10 a 15 cm. Apiloar até que a massa não se deforme mais com os golpes. Serão atingidas fiadas de 50 a 80 cm, dependendo do tamanho da fôrma.
  4. Ao final de cada fiada, desmontar a fôrma com cuidado para não danificar a parede. Remontar os taipais logo acima para dar seqüência à construção.

Revestimentos Naturais:

Lembre-se que uma parede de terra não pode receber um embosso/revestimento convencional. O revestimento a ser aplicado não deve impedir que a parede de terra respire. Revestimentos e pinturas convencionais selam/vedam os poros da parede fazendo com que a mesma não possa mais absorver e liberar umidade, o que resulta em fissuras, pintura descascada, etc.


Traço do revestimento natural:

1ª. Camada: 1 parte terra, 1 parte areia 2ª. Camada: 1 parte terra, 1 parte cal, 3 partes areia 3ª. Camada: 1 parte cal, 2 partes areia* *Terra e areia peneiradas em peneira de abertura fina. Quanto mais fina a terra e a areia aplicadas, mais fino será seu acabamento.

Pinturas Naturais:

Cal + terra: preparar a cal conforme indica o fabricante e adicionar a terra conforme o tom desejado. Adicionar sal para fixar a cor. Diferentes cores de argila criam diferentes cores de tintas.

Baba de cactus palma + terra: para preparar a baba do cactus, cortar uma orelha de cactus palma em pedaços pequenos, colocar em um recipiente na proporção de um quarto de cactus e completar o resto com água. Deixar descansar por 4 ou 5 dias, até a baba ficar bem viscosa. Adicionar a terra conforme o tom desejado. Adicionar sal para fixar a cor. Diferentes cores de argila criam diferentes cores de tintas.

Para tons diferentes, ao invés de terra, pode-se adotar o Pó Xadrez, que não anula as propriedades da parede de terra e não é tóxico.

Dicas básicas finais:

XÔ MATÉRIA ORGÂNICA: Ao selecionar o solo lembre-se de observar se o mesmo não possui matéria orgânica. A matéria orgânica se decompõe em pouco tempo e cria buracos dentro dos adobes ou das paredes. Esses buracos podem diminuir a resistência estrutural da técnica e podem diminuir a durabilidade da parede/muro. Solos superficiais sempre possuem matéria orgânica, portanto, retire terra a partir de 30 cm de profundidade. Esta altura pode variar para mais ou para menos, por isso, realize o teste do cheiro para reconhecer a presença de matéria orgânica. E lembrem-se, solos muito escuros são ser ricos em matéria orgânica.

ENSAIOS:

Ao realizar ensaios com um solo para reconhecer de que tipo é, aplique o maior número de testes possíveis para obter um resultado confiável. Recolha amostras de solo de várias partes do terreno e, em cada parte, pegue várias amostras, variando a profundidade. Se tiver acesso fácil a laboratórios de resistência de materiais, aproveite e leve seu solo lá para saber suas proporções exatas e para conhecer características como plasticidade, resistência à compressão, entre outras.


BOAS BOTAS E BOM CHAPÉU: Nunca se esqueça que a terra não resiste à água por muito tempo, por isso:

  • Prever fundação alta (boas botas!), pelo menos 40 cm de altura, aplicando material impermeabilizante para proteger da água que respinga e para bloquear a umidade por capilaridade (aquela que sobe do solo).
  • Prever beirais avantajados (bom chapéu!), de no mínimo 60 cm, para proteger as paredes das chuvas de vento, afastar a água que escorre do telhado e distanciar a água que respinga quando cai do telhado no chão.

MANUTENÇÃO: É importante, de tempos em tempos, “barrear” a casa/edificação novamente, para evitar o surgimento de fissuras e buracos que podem servir de casa para insetos indesejados... A freqüência vai depender da técnica, da qualidade da execução do muro/parede e das intempéries locais (muito vento, muita chuva de vento). No caso da pintura, assim como em construções convencionais, de tempos em tempos ela terá de ser refeita. Porém a freqüência, em relação a uma parede comum, é um pouco maior. O mesmo vale a para a reaplicação de impermeabilizantes naturais, como a baba de cactus palma, por exemplo. Você vai saber reconhecer quando sua parede está precisando de cuidados.