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Construção de Compiladores Construção de Compiladores
Tipologia: Notas de estudo
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Candidato : Flávia Francisco
Supervisor : Emídio Gune
Maputo, Outubro de 2017
Acesso a serviços financeiros em contexto de existência de bancos tradicionais e instituições moeda electrónica, na cidade de Maputo
Trabalho de culminação dos estudos na modalidade de projecto de pesquisa submetido ao Departamento de Arqueologia e Antropologia como requisito parcial para obtenção de grau de licenciatura em Antropologia na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane.
Candidata
(Flávia Francisco)
Supervisor Presidente Oponente
Maputo, Outubro de 2017
ii
Dedicatória Dedico este trabalho aos meus pais, Francisco Raúl Muendane e Hirondina Manuel e aos meus irmãos pela sua capacidade de acreditar e investir em mim.
iii
Agradecimentos Agradeço ao corpo docente do Departamento de Arqueologia e Antropologia, em especial a Sandra Manuel pela motivação e inspiração, ao Hélder Nhamaze, Danúbio Lihahe, Fernando Manjate, Alexandre Mate, Johane Zonjo, Carla Braga, Esmeralda Mariano, Agostinho Manganhela, Jossias Humbane por terem contribuído para a minha formação.
A todos funcionários da biblioteca do Departamento, de igual modo ao Gomes Pereira por sempre disponibilizar-me o material para realização do trabalho. Aos meus participantes de pesquisa pela disponibilidade e ajuda na realização deste trabalho.
Ao meu orientador, Emídio Gune, pela atenção, disponibilidade e principalmente pelas suas leituras críticas e suas sugestões teóricas para garantir o mínimo de rigor antropológico neste trabalho. Agradeço pelo apoio e inspiração no amadurecimento dos meus conhecimentos e conceitos que levaram-me a execução do trabalho e seus conselhos ajudaram-me a enfrentar os desafios na finalização deste trabalho.
Aos meus colegas e amigos do curso de Antropologia da turma de 2013, Carla Cossa, Dinis Foquiço, Francisco Muchave, Diolindo Da luz Pedro, Américo Zandamela, Hedson Neil, Abílio Luciasse, Yolanda Manganhe, Rosta Bila e Mércia Cristina pela cooperação e pelos convívios durante a formação. Agradeço também ao Toscano Cole e Jeremias Mário pela disponibilidade no esclarecimento das dúvidas e pelas suas sugestões.
Agradeço a minha família especialmente aos meus pais Francisco Raúl Muendane e Hirondina Manuel, pelo amor, carinho, paciência e por não medirem esforços para que eu pudesse levar meus estudos adiante. Aos meus irmãos Sidónio, Lucília, Nércia e Elísio pelo apoio incondicional e por investirem na minha formação.
O mesmo estende-se para as minhas companheiras da residência Chaquila Sadique e Narcézia Viegas pelos momentos de descontração.
A todos o meu muito obrigado.
Declaração de honra ......................................................................................................................... i Dedicatória ...................................................................................................................................... ii Agradecimentos ............................................................................................................................. iii
1. Introdução Este trabalho analisa o acesso aos serviços financeiros no contexto de existência de bancos tradicionais e instituições de moeda electrónica. Iniciei o estudo em 2016 quando conversava com dois clientes que pretendiam realizar transacções como depósitos e levantamentos no Banco Comercial de Investimento (BCI), na agência do Campus principal da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Durante a conversa que tive com o cliente, um outro cliente que estava na fila para depósito, comentou o facto de ter recebido um valor na sua conta que não pertencia-lhe e o primeiro comentou que também tinha-lhe acontecido. E que ao ver tanto dinheiro na conta acabaram usando, só que o banco posteriormente foi-lhe descontando o valor sempre que entrasse algum dinheiro nas suas contas.
A partir dessa conversa fiquei interessada em estudar “experiência com casos de depósitos acidentais de valores em contas que não são as que os clientes pretendiam depositar”. Compreender essas experiências a partir de conversas com funcionários, gestores do banco e com clientes poderia fornecer ao banco informação relevante para orientar melhor os clientes diante de situações similares e contribuir deste modo para reduzir incidentes desse tipo, que trazem invariavelmente situações negativas para os clientes e para o banco.
Desta feita, elaborei um projecto de pesquisa e submeti ao BCI no mês de Outubro de 2016. No projecto havia um guião de perguntas para gestores do banco, clientes que depositaram dinheiro em contas que não pertenciam-lhe e aqueles que recebiam o valor. Na altura explicaram que deveria aguardar pela resposta que demoraria devido ao facto de na altura o sector dos Recursos Humanos estar em mudança para novo edifício do banco. Em Março voltei a contactar o gestor dos Recursos Humanos do banco atendeu-me e disse-me que tratando-se de dinheiro a informação era confidencial e não poderia fornecer-me.
Diante da impossibilidade em obter dados para o estudo inicialmente em 2017 decidi observar experiência de agentes e clientes de instituições de moeda electrónica o que possibilitaria continuar a pesquisar na área de serviços financeiros, pelos quais tenho interesse profissional futuro.
estrutura do trabalho. Na segunda parte apresento a revisão da literatura no qual apresento as principais linhas teóricas sobre os serviços bancários e serviços de moeda electrónica e as respectivas perspectivas. Na terceira parte apresento o quadro teórico e conceitos básicos adoptados para a realização da pesquisa.
Na quarta parte apresento os procedimentos metodológicos usados para realização da pesquisa, na qual descrevo primeiro o método e etapas da realização da pesquisa, o processo de recolha de dados, técnica de registo e tratamento de dados, processo de selecção dos participantes, os constrangimentos e o perfil dos participantes de pesquisa.
Na quinta parte, analiso e sistematizo os dados recolhidos e apresento o argumento do meu trabalho baseando-me nos dados da pesquisa e na sexta e última parte apresento as considerações finais.
2. Revisão da literatura Nesta parte do trabalho apresento a revisão de literatura sobre o dinheiro móvel. Um dos autores que analisa a questão de dinheiro móvel é Berman (2011). Para este autor, o dinheiro móvel como é o caso do M-pesa tornou fácil e rápido o processo de transferência de dinheiro para família e amigos que vivem nas rurais onde o acesso a serviços financeiros é difícil devido a falta de infra-estruturas financeiras como caso dos bancos. As explicações de Berman (2011) permitem compreender os motivos pelos quais foi introduzido o dinheiro móvel porém, fica por compreender o processo de integração dos serviços de dinheiro móvel nas respectivas zonas.
Com uma abordagem similar a de Berman (2011) Hughes e Susie (2007) defendem que o dinheiro móvel veio ajudar pessoas sem o acesso aos serviços financeiros bancários, pois com apenas um celular podem movimentar dinheiro de forma fácil, rápida e segura e também encurta a distância porque a maior parte da população vive em zonas rurais e trabalha nas cidades e desta feita, têm dificuldade de mandar dinheiro para as suas famílias fora da cidade (Hughes e Susie, 2007).
As explicações de Hughes e Susie (2007) permitem compreender que as pessoas usam os serviços de dinheiro móvel para fazer transacções de forma rápida e fácil e que esses serviços foram criados para ajudar a população que vive nas zonas rurais onde o acesso aos serviços bancários é difícil. Porém, fica por compreender como era feito o processo de envio do dinheiro antes da introdução do serviço de dinheiro móvel.
Para Haas et al (2010) o dinheiro móvel é assistido por agentes que encontram-se localizados em vários locais de modo a permitir aos clientes o acesso rápido a serviços de transferência, levantamento e depósito de dinheiro. E é nesses locais onde ocorre o processo de conversão do dinheiro físico em dinheiro móvel. A explicação de Haas et al (2010) permite compreender que os serviços de dinheiro móvel são assistidos por agentes distribuídos em vários locais de modo a facilitar o acesso aos serviços. Porém, fica por compreender o critério de distribuição dos agentes e como identificá-los.
Por outro lado, autores como Kendall et al (2011) defendem que o dinheiro móvel como uma plataforma de pagamento de serviços facilita o intercâmbio de dinheiro electrónico entre vários actores económicos, incluindo clientes, empresas, governo e provedores de serviços financeiros. Os autores notam que os provedores de serviços financeiros têm-se juntado á plataforma do dinheiro móvel como um canal para seus clientes pagarem serviços, levantarem e depositarem dinheiro (Kendall et al 2011).
Com uma abordagem parcialmente diferente a de Kendall et al (2011) Donovan (2012) centra a sua abordagem nos benefícios do sistema de pagamento através do dinheiro móvel que segundo ele, são relativamente mais barato em relação aos outros serviços financeiros e por isso deveriam ser adoptados em todo comércio, cuidados de saúde e outros sectores (Donovan 2012).
De modo geral, a parir da literatura é possível compreender que factores como a pobreza, localização geográfica e falta de infraestrutura impulsionaram a introdução do dinheiro móvel por este ter a capacidade de expandir-se para zonas rurais de difícil acesso aos serviços financeiros e principalmente para população de baixa renda e desta forma contribuir para a sua inclusão financeira. Compreendi ainda que os custos com pagamentos através de plataforma do dinheiro móvel são baixos em relação a outros serviços financeiros tal como serviços bancários. Entretanto, a referida literatura omite a análise de experiências, quotidianas em contextos urbanos, onde existam serviços financeiros oferecidos pelos bancos tradicionais e por via do dinheiro móvel.
3. Quadro teórico e conceitual
3.1. Quadro teórico Para o presente trabalho baseei-me na ideia de continuidade mesmo em contexto de transformação sugerida por Sahlins (1987) segundo a qual a mudança cultural poderia ser analisada em termos de processos simultâneos que promovem a continuidade e a transformação dos elementos originais da cultura.
Ainda segundo Sahlins (1987) a história de um grupo é ordenada culturalmente de acordo com as suas categorias culturais consolidadas, do contrário, os esquemas culturais são reordenados historicamente á medida que seus significados são reavaliados na prática. Esta teoria se por um lado permite compreender as dinâmicas culturais, por outro lado deixa de explicar a integração da continuidade a mudança.
A ideia de continuidade no contexto de transformação sugerida por Sahlins (1987) permite compreender que apesar da introdução de instituições de moeda electrónica os participantes continuam a usar os bancos tradicionais para guardar dinheiro, depósito, transferência e fazer pagamento de serviços o que permite considerar a existência de continuidade nos serviços oferecidos pelas instituições de moeda electrónica comparativamente aos bancos tradicionais. Por outro lado, nota-se mudanças nas estratégias de uso de cada serviço pois os serviços de moeda electrónica podem ser usados a partir de um telefone celular o que reduz o tempo e custos para aceder aos serviços financeiros.
3.2. Conceitualização Nesta parte apresento os conceitos de acesso, inclusão financeira e dinheiro móvel.
Acesso Acesso é ingresso, capacidade ou aptidão para obter algo relativamente difícil (dicionário online de Português, 2009). Neste trabalho uso o conceito de acesso para designar o acto de obter serviços e produtos financeiros acessíveis e adequados ao mercado para facilitar a vida da população.
4. Procedimento metodológicos Nesta parte apresento procedimentos metodológicos usados para realização do trabalho. Primeiro começo por apresentar o método e etapas da realização do trabalho, segundo apresento o processo de recolha de dados, terceiro a técnica de registo e tratamento de dados, em quarto processo de selecção dos participantes, em quinto os constrangimentos que ocorreram durante a realização do trabalho e último apresento o perfil dos participantes de pesquisa.
4.1. Método e etapas da realização do trabalho de pesquisa O presente trabalho é etnográfico exploratório. Realizei o estudo em três fases nomeadamente recolha de dados exploratórios, revisão de literatura e sistematização e análise de dados. Na fase da recolha de dados exploratórios contactei clientes e agentes das instituições M-pesa, M- kesh e E-mola.
Na segunda fase, fiz revisão de literatura que cobria temas sobre a Estrutura Bancária na era colonial até aos dias actuais, estratégia de bancarização, expansão bancária, inclusão financeira e dinheiro móvel. Para o efeito, consultei material na biblioteca do Banco de Moçambique, biblioteca do BCI, Arquivo Histórico de Moçambique e bibliotecas virtuais, consultei dissertações na biblioteca do Departamento de Arqueologia e Antropologia (DAA) da UEM. E na terceira e última fase fiz análise dos dados obtidos no campo assim como da literatura.
4.2. Processo de recolha de dados Para a realização do presente trabalho, usei o método etnográfico que permitiu-me presenciar de perto o quotidiano dos agentes e cliente utilizadores das instituições de moeda electrónica.
Realizei a pesquisa no bairro de Laulane, Polana Cimento, Bairro de Bagamoyo e no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane nos meses de Abril a Agosto de 2017 e para realização do trabalho usei como técnica de recolha de dados, observação participante, conversas informais e entrevistas semi-estruturadas.
Quanto a observação, fi-la na paragem “Bombas de Chicanhanine” no bairro de Laulane na cidade de Maputo, no Campus da Universidade Eduardo Mondlane, na residência dos participantes e em seus locais de trabalho. Durante o trabalho, observei o que os agentes e clientes dos serviços M-pesa da Vodacom faziam, ouvi o que conversavam e o tipo de serviços. Nos finais de semana observei os agentes enquanto atendiam os clientes no período das doze às catorze horas. Durante a observação obtive informação sobre o funcionamento dos serviços.
Ainda durante a observação aos fim-de-semanas conversava com dois agentes do M-pesa. Com os outros participantes conversei no Campus Principal da UEM no meio da semana, no bairro de Bagamoyo e na Polana Cimento.
Nas referidas conversas procurei saber a trajectória deles de vida, como tiveram conhecimento sobre os serviços e as suas experiências antes e depois de aderirem aos mesmos. Nas referidas conversas, percebi que os agentes saíram das suas terras para Maputo a procura de melhores condições de vida, foi neste contexto que abriram negócios de venda de produtos alimentícios e recargas de telemóveis e posteriormente, inscreveram-se como agentes do M-pesa.
4.3. Técnica de registo, tratamento e análise de dados Durante o trabalho, usei um diário do campo no qual anotava o que observava e também anotava as conversas com os participantes. As informações obtidas e anotadas no diário de campo permitiram-me perceber o funcionamento das instituições de moeda electrónica.
Em outras ocasiões em que não podia escrever no diário memorizava e quando chegava a casa transcrevia as notas para o diário de campo. Posteriormente passava as referidas notas para o computador onde organizava as entrevistas para posterior análise.
Organizei os dados em três secções nas quais analiso as experiências dos participantes no uso de cada serviço e no fim de cada secção discuto os resultados com a literatura analisada sobre o assunto.
Finalmente o quarto vendedor de nome António aceitou participar do estudo. Enquanto conversava com o António apareceu Waquesse que ouviu a minha conversa com o amigo e perguntou o que queria fazer com a informação e expliquei que era para a escola e dispôs-se a conversar comigo. Deste modo consegui ter dois agentes a participar do estudo.
O segundo constrangimento foi o facto de ter encontrado apenas uma pessoa com experiência no uso do serviço Mkesh da Mcel. Diante dessa situação trabalhei apenas com essa pessoa e os restantes eram usuários do M-pesa da Vodacom.
O terceiro constrangimento ocorreu quando dirigi-me a SOICO televisão onde queria o relatório da Moztech sobre inclusão financeira e a banca móvel. A instituição alegou que a informação era confidencial pelo que não podiam fornecer-me mas, que entretanto parte da mesma seria disponibilizada em duas semanas mas que até então a informação continua indisponível.
5. Acesso a serviços financeiros em contexto de existência de bancos e moeda electrónica Nesta parte do trabalho analiso os dados da pesquisa em quatro partes. Na primeira parte apresento a localização e caracterização dos contextos de pesquisa e na segunda o perfil dos participantes.
Na terceira a evolução da banca tradicional ao surgimento do dinheiro móvel em Moçambique e na quarta analiso experiências com os serviços bancários e com as instituições de moeda electrónica em três subsecções a saber, experiência com os bancos antes dos serviços de moeda electrónica, o processo de início e experiência de uso do serviço de moeda electrónica e experiências actuais com serviços financeiros.
5.1. Localização e caracterização dos contextos de pesquisa Realizei a pesquisa no bairro de Laulane localizado no distrito Municipal Kamavota, na cidade de Maputo. A Norte faz limite com o bairro “3 de Fevereiro”, a Este com “Costa do Sol”, a Oeste com Hulene e a Sul com o bairro Ferroviário.
O bairro de Laulane apresenta infraestruturas tais como hospitais, igrejas, mercados, escolas, e campos de desporto que exercem um papel importante na prestação de serviço e satisfação básica das necessidades dos moradores.
Os participantes de pesquisas residem no quarteirão número 53, em casas de aluguer tipo dependência de um quarto e sala, alguns alugam só um quarto dividem a conta da água com os donos da casa e cada um paga a sua conta de energia.
Até 2016, os participantes consumiam água do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) e nessa altura a empresa fornecia água 24horas por dia mas depois a faze-lo das 6 às 9 horas por dia o que contribuiu para que alguns utentes trocassem os serviços do FIPAG pelos dos operadores privados, que fornecem água 24 horas por dia.
Quanto a zona de paragem, onde recolhi dados para o estudo, em frente tem um posto de abastecimento de combustível, uma farmácia e duas agências bancárias, do BCI e do Standard