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criação de râs no sistema anfrigranja
Tipologia: Notas de estudo
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Bananeiras - PB Abril – 2013
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Orientador: Profº Dr. Alex Poeta Casali
Bananeiras – PB Abril - 2013
Relatório apresentado à Coordenação do Curso Técnico de nível médio em Agropecuária, do Colégio Agrícola “Vidal de Negreiros”, do Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias, da Universidade Federal da Paraíba, referente ao Estágio curricular Supervisionado, realizado no Laboratório de Ranicultura e Produtos da Aquicultura, em cumprimento as exigências para a obtenção do título de Técnico em Agropecuária.
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Dedico essa grande vitória, os meus pais: Afonso Pergentino da Silva, e Maria das Graças do Nascimento Silva, a meus irmãos Wellinghton e Renata, a minha namorada Andreia Costa e a todos os meus amigos de classe, que me incentivaram ao decorrer de todo curso. .
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Agradeço primeiramente a Deus por me conceder essa graça e chegar ao término do curso. Aos meus pais Afonso Pergentino e Maria das Graças, a meu filho Weclyson aos meus
irmãos: Wellinghton, Renata, a minha namorada Andreia Costa, por serem o alicerce de minha vida,
por me amarem nos dias difíceis e por me motivarem a ser quem eu sou, me mostrando o verdadeiro
valor de uma família. Agradecer também ao professor Alex Poeta por te me dado a oportunidade de
seguir nos meus estudos e a todos os meus professores que me guiaram na minha formação.
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A criação de rã-touro ( Lithobates catesbeianus) vem se desenvolvendo em todo mundo, em especial no Brasil, isso ocorre devido às boas condições como clima e de disponibilidade de recursos hídricos. A ranicultura foi introduzida no Brasil em 1935, mais só se firmou como atividade econômica a partir da década de 80. Desde essa época vem passando por aperfeiçoamentos para que possa melhorar sua produtividade. Este trabalho relata todas as atividades desenvolvidas durante o Estágio curricular Supervisionado realizado no Laboratório de Ranicultura do Colégio Agrícola “Vidal de Negreiros”, do Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias, da Universidade Federal da Paraíba, com o objetivo de ampliar o aprendizado do manejo nos setores de Reprodução, Girinos, Recria e Produção de Alimentos Vivos. Esse estágio foi de grande importância para melhoria dos conhecimentos teóricos e práticos, onde se pôde observar que o manejo realizado adequadamente é fundamental para a obtenção de grandes lucros na produção.
Este trabalho tem como finalidade descrever as atividades desenvolvidas no manejo de rãs
criadas no sistema Anfigranja, durante o estágio curricular supervisionado no Laboratório de
Ranicultura da própria instituição.
Segue a taxonomia detalhada para a rã-touro, segundo BARREIRA (2009) e o IHDCA
(2010).
Reino ANIMALIA – são animais, seres vivos multicelulares; Filo CHORDATA – possuem notocorda; Subfilo VERTEBRATA – possuem vértebras; Grupo GNATOSTOMATA – possuem mandíbulas; Superclasse TETRAPODA – possuem quatro membros locomotores; Classe AMPHIBIA – possuem duas fases distintas na vida: aquática e terrestre; Superordem SALIENTIA – são lentas; Ordem anura – não possuem cauda na fase adulta; Família Ranidae – possuem membranas interdigitais nas patas traseiras; Gênero - Lithobates ; Espécie - Lithobates catesbeianus ; Nome popular - Rã – Touro.
A ranicultura foi introduzida no Brasil em 1935, quando foram importados da América do
Norte os primeiros casais da espécie rã-touro (VIZZOTO, 1975). Nove anos depois surgiu o Ranário
Aurora, com tanques de formas variadas, semelhantes aos utilizados na criação de peixes, com certa
área de terra cercada por folhas de zinco ao seu redor (LIMA e AGOSTINHO, 1989).
Com o “ENAR” (Encontro Nacional de Ranicultura), a ranicultura adquiriu grande impulso
(LIMA e AGOSTINHO, 1989), no entanto, só a partir da década de 80 a tecnologia de criação de rã
teve seu maior avanço, quando se introduziu a ração balanceada para peixes carnívoros como
alimento para as rãs, além de melhorias nas instalações, sendo possível um aumento significativo no
número de ranários, uma vez que a carne de rã era muito valorizada (CARRARO, 2008). Foram
elaboradas várias propostas, inicialmente, para às baias de engorda de rãs denominadas
“confinamentos”, desenvolvidas em 1984 pelos técnicos da Universidade Federal de Uberlândia
(MG). Em seguida em 1988, o sistema Anfigranja, desenvolvido pela equipe da Universidade
Federal de Viçosa (LIMA, CRUZ e MOURA, 1999).
Na Figura 1 pode ser vista a ilustração de todas as etapas da cadeia produtiva, que pode ser assim resumida: Inicia-se no ranário, onde se processam todas as fases do ciclo de vida das rãs: a desova, a fase de desenvolvimento do girino até a metamorfose e a recria. Concluída a recria, as rãs são levadas para o abate nas indústrias de processamento especializadas (abatedouros), seguindo rigorosamente as normas higiênico-sanitárias definidas pelos organismos de saúde pública. Posteriormente após ser processada e embalada, a carne é enviada para o mercado consumidor.
O estágio foi realizado no Laboratório de Ranicultura do Colégio Agrícola “Vidal de Negreiros” do Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias na Universidade Federal da Paraíba, localizado no município de Bananeiras – PB, no período de 19 de março á 19 de junho de 2012, com carga horária de 240 horas.
No Laboratório o sistema adotado é o Anfigranja, sendo este caracterizado por ser um sistema intensivo, desenvolvido por Lima e Agostinho em 1988. A espécie utilizada é a rã-touro, tendo as variedades de pigmentação normal e a albina, que veem sendo pesquisada frequentemente.
As instalações são compostas de quatro galpões, com medidas aproximadas de 8 x 26 m cada. Os setores são divididos da seguinte forma: reprodução; girinos; recria; e apoio. A distribuição dos setores e descrita da seguinte forma:
1º Galpão – Onde funciona 1) o escritório, sala de recepção para visitas, biblioteca com livros destinados ao aprendizado do aluno; 2) laboratório de Novos Produtos onde são realizados experimentos objetivando elaborar subprodutos derivados da carne de rã; e 3) abatedouro, que oferece condições para realização do abate e processamento da carne de rã, servindo para o aprendizado dos estudantes, além de servir como entreposto dos produtos da aqüicultura;
2º Galpão – 1) Banheiros (masculino e feminino); 2) uma sala destinada a guardar as ferramentas para manutenção do laboratório; 3) sala de aula; 4) sala de ração; e 5) sala de alimentos vivos (moscário e larvário), onde são criadas as moscas para produção de larvas utilizadas na alimentação das rãs.
Setor de girinos que fica localizado entre o 2º e o 3º galpão sendo compostos de quatro tanques dois feitos de alvenaria, com capacidade para 5.000 girinos, e dois de fibra de vidro, com capacidade para 2.500 girinos
3º Galpão - fica localizado o setor de recria, composto por 12 baias, sendo quatro usadas para fase inicial (imago), e 8 baias utilizadas para recria e engorda As baias são compostas com: cochos modificados que servem como abrigo e piscinas duplas.
4º Galpão – Fica localizado 1) o setor de reprodução; e 2) duas salas para realização de experimentos, sendo uma equipada com Minibaias, e outra equipada com tanques de fibra destinadas para pesquisas e estudos científicos.
O laboratório de alimento vivo é dividido em moscário e larvário, cada um com suas
respectivas funções. A mosca domestica ( Musca domestica) é a espécie criada para estimular a
alimentação das rãs.
O ciclo de vida das moscas (Tabela 1) compreende quatro fases bem distintas, apresentando
metamorfose completa: Ovo; Larva; Pupa; e Adulto. Apresenta um período de vida em torno de 28
dias, seu ciclo de vida começa do ovo que depois de 24 horas eclodem se tornando uma larva, essa
larva vai se desenvolver por três dias, quando as mesmas atingem seu tamanho máximo começa a se
transformar em uma pupa, depois de quatro dias essa pupa vai dar origem a uma mosca que vai
depositar seus ovos até o 28º dia.
O setor possui três gaiolas distintas na criação das moscas, cada gaiola possui dimensões de 1 m³, ficam a uma altura de 50 cm do chão, e cercada por tela de 1mm , dispõe de uma cortina de cor preta ,para facilitar o fornecimento de alimento e para evitar a saída das moscas quando se faz o manejo diário.
Diariamente retiram-se as bandejas onde as moscas depositaram seus ovos, a vasilha que contem o leite, e deve-se verificar a bandeja do açúcar, pois se o mesmo se estiver umedecido ou duro, tem que ser feito a troca. Logo após foi realizado o preparo do substrato (farelo de trigo umedecido) para a postura das moscas. Este foi colocado em uma bandeja limpa, depois é feito “fileiras em forma de sulcos” (Figura 3) para facilitar a deposição dos ovos pelas moscas.
Figura 3 - Substrato para a deposição de postura das moscas (“fileiras em forma de sulcos”).
Em seguida foi feita a limpeza da vasilha do leite, e da esponja, do açúcar, além da limpeza das bandejas. E por ultimo foi colocado o substrato nas gaiolas juntamente com o leite e o açúcar.
O larvário é composto por oito caixas, que são colocadas empilhadas uma sobreposta a outra em cima de um trado (Figura 4). Na parte superior do cômodo, tem um lanternim para saída de vapores orgânicos expelidos pela fermentação do substrato.
Figura 4 – Larvário
Para a alimentação dos animais, retiram-se apenas as caixas com larvas de três dias de desenvolvimento. Primeiro retiram-se as caixas de substrato contendo as larvas. Depois com a ajuda de uma placa de PVC (Figura 5), se retira a camada superior do substrato, fazendo com que as larvas fiquem expostas a luz porque elas sofrem de fotofobia, ou seja, tem medo da luz, isso fazia com que elas procurassem o fundo da caixa, facilitando a retirada do substrato, deve-se retirar o máximo desse substrato, até sobrar apenas às larvas.
Em seguida colocou-se as larvas em uma bandeja plástica, acrescentando uma pequena quantidade de farelo de trigo peneirado para deixá-las mais soltas facilitando na sua locomoção, isso ajuda na hora de ofertá-las as rãs.
farelo de trigo, ração de aves e ração de girino, o que irar promover a formação de moscas mais saudáveis, devido ao composto ser mais nutritivo. A caixa plástica é conduzida novamente ao larvário e, após a obtenção das pupas, é posta na gaiola a qual se deseja povoar, começando um novo ciclo produtivo.
O setor de girinos é composto por quatro tanques, sendo dois de alvenaria (Figura 6) e dois de fibra de vidro (Figura 7). Os dois de alvenaria comportam uma capacidade de 10 mil litros de água, podendo receber 5.000 mil animais por tanque. Os tanques de fibra tem uma capacidade de 5mil litros de água, podendo receber até 2.500 animas, obedecendo à densidade de animais por litro de água (para cada girino tem quer ter 2 litros de água).
Figura 6 - Tanques de alvenaria Figura 7- Tanques de fibra de vidro
Todos os quatros tanques citados, são equipados com sistema de abastecimento e drenagem individual promovendo um manejo fácil e eficiente.
O ciclo de vida das rãs como a maioria dos anfíbios inicia-se na água. Para que as rãs se desenvolvam é necessário atingir maturidade sexual e estarem em ótimas condições climáticas. O ciclo de vida dos girinos é descrito da seguinte forma: Após a fecundação, o ovo inicia seu desenvolvimento passando pelos estádios de mórula, blástula e gástrula até formar o embrião, dando origem a larva, (Lima e Agostinho 1992). O girino passa então por um processo fisiológico contínuo, denominado metamorfose, que consiste na modificação da morfologia e fisiologia das rãs, para possibilitar a sua sobrevivência no ambiente terrestre (Figura 8). É subdividida nas fases pro- metamorfose, pré-metamorfose e clímax.
FIGURA 8: Ciclo de vida das rãs. Fonte: LIMA e AGOSTINHO (1992)
As fases, podem ser dividida nos seguintes estádios (Casali, 2007): G1 - fase de crescimento onde ainda não se iniciou a metamorfose. Neste estádio, já ocorre o
desenvolvimento do pulmão, o que possibilita ao girino respirar quando vem á superfície.
G2 - Inicia-se a metamorfose: os membros se desenvolvem e já podem ser observados como
dois pequenos apêndices na parte posterior do corpo.