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Cuidado em saúde pública, Exercícios de Saúde Pública

Estudo dirigido para melhor análise da matéria

Tipologia: Exercícios

2021

Compartilhado em 30/03/2021

Raysil
Raysil 🇧🇷

3 documentos

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O CUIDADO EM
SAÚDE
Maria Terezinha Gariglio
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O CUIDADO EM

SAÚDE

Maria Terezinha Gariglio

GARIGLIO, M.T. O cuidado em saúde. In: MINAS GERAIS, Escola de Saúde Pública do Estado de Minas

Gerais, Oficinas de qualificação da atenção primária à saúde em Belo Horizonte: Oficina 2 – Atenção

centrada na pessoa. Belo Horizonte: ESPMG, 2012.

de legitimidade da assistência à saúde em seus serviços é um distanciamento da prática clínica, dos interesses e das necessidades daqueles que são o seu objeto de intervenção: o cidadão com seus projetos de vida e de felicidade 1 que requer cuidado.

Ao se pensar em assistência à saúde e na aplicação de toda e qualquer tecnologia visando ao bem-estar físico e mental das pessoas, é importante que a todo plano, projeto, programa ou modelo de atenção esteja incorporado um sentido novo, e esse novo sentido é dado pela presença do usuário como sujeito/pessoa. Para isso, é preciso ter claro que algumas respostas serão dadas com a ajuda de outros saberes que não o saber científi co. O conceito de cuidado pode mostrar ou abrir caminhos para novas respostas, a partir do momento em que os profi ssionais e os serviços de saúde passam a se implicar com o projeto e a concepção de vida bem-sucedida de cada usuário e se comprometem com a ação necessária para garantir esse projeto. Então, o cuidado pode ser usado como um conceito que pode reconstruir as práticas de saúde, atuando como uma categoria com “potencialidade reconciliadora entre as práticas assistenciais e a vida, ou seja, a possibilidade de um diálogo aberto e produtivo entre a tecnologia e a ciência e a construção livre e solidária de uma vida que se quer feliz” (AYRES, 2004).

A ação em saúde, tendo o conceito de cuidado como pano de fundo desenvolve espaços de encontros entre o profi ssional de saúde e o sujeito/pessoa sempre apoiados nos saberes estruturados, mas sem colocar aí um ponto fi nal. Deve tornar o mais simétrica possível a relação entre o usuário e o profi ssional possibilitando ações terapêuticas mais compartilhadas, gerando também autonomia e responsabilização do usuário em relação ao seu modo de levar a vida. Ter o conceito de cuidado como balizador das práticas de saúde e colocando a pessoa como centro da atenção, implica na incorporação de outros saberes para alem dos típicos da saúde (sociologia, antropologia, direito...). Deve-se ter claro que mesmo esses saberes não são sufi cientes para dar conta da singularidade do encontro entre sujeitos, que é sempre carregado de imprevistos e de acasos.

Todos os trabalhadores em saúde possuem potencial cuidador que deve ser resgatado e colocado como tecnologia leve a ser amplamente utilizada no encontro trabalhador-usuário. Pode-se dizer que cada trabalhador conta, na sua atuação cotidiana, com três núcleos de competência que se ampliam: o primeiro, núcleo mais central e duro, que é desenhado tendo em vista o problema específi co apresentado pelo usuário; o segundo, mais amplo, que representa o saber específi co da sua profi ssão; o terceiro ainda mais amplo, que é o “núcleo de atividades cuidadoras em saúde” (MERHY, 2002). Então, todo trabalhador é também um operador do cuidado.

O desafio para a gestão de sistemas e serviços de saúde é construir modelos de atenção que incorporem esses três núcleos, tendo o conceito de cuidado como “ideal regulador” das práticas de saúde, estabelecendo uma relação ótima entre a produção de procedimentos e a produção de cuidado. Com preocupações desta natureza, vemos recentemente iniciativas importantes no sentido de reconstrução das práticas de saúde como, por exemplo, refl exões e organização de processos de trabalho como o acolhimento e os conceitos de vínculo e responsabilização.

Também segundo Cecílio, pode-se pensar na gestão ou a produção do cuidado sendo realizada em seis dimensões que tem várias conexões e atalhos mais ou menos controlados por gestores e trabalhadores, sendo elas: a individual, a familiar, a profissional, a organizacional, a sistêmica e a societária, como mostra o quadro 1 e como vamos discutir a seguir:

1 Projeto de felicidade: concepção de vida bem sucedida que orienta os projetos existenciais, ou

planos subjetivos para melhorar a vida que se traduzem em metas ou horizontes a serem alcançados e que

se modificam ao longo do tempo.

  • Dimensão Individual do Cuidado: é o “cuidar de si” no sentido de que cada um de nós pode ou tem potencia de produzir um modo singular de “andar a vida”, fazendo as suas escolhas para ser feliz. Mesmo sofrendo determinações do ambiente e da sociedade no seu processo de saúde e doença, é possível ter autonomia nos processos de cuidar de si e de viver a vida de forma mais plena.
  • Dimensão Familiar do Cuidado: é a dimensão do cuidado que se realiza no mundo da vida e tem como principais atores as pessoas da família, os amigos, os vizinhos... É um local de muitos confl itos e contradições tendo em vista a complexidade das relações aí presentes (relação cuidador /cuidado, sobrecarga de trabalho, etc.). É importante devido ao envelhecimento da população.
  • Dimensão Profi ssional do Cuidado: é aquela que se dá no encontro entre profi ssionais e os usuários. É um encontro privado, que na sua forma mais típica ocorre em espaços protegidos for de qualquer olhar externo de controle. Esta dimensão é regida por três elementos principais que lhe conferem maior ou menor capacidade de produzir o bom cuidado: a) competência técnica do profi ssional no seu núcleo profissional específi co; b) postura ética do profi ssional, em particular, o modo com que se dispõe a mobilizar tudo o que sabe e tudo o que pode fazer em suas condições reais de trabalho para responder da melhor forma possível às necessidades dos usuários; c) não menos importante, a capacidade de construir vínculos com quem precisa de seus cuidados.
  • Dimensão Organizacional do Cuidado: é a que se realiza nos serviços de saúde e evidencia novos elementos como: o trabalho em equipe, as atividades de coordenação e comunicação, além da função gerencial. Nesta dimensão é vital a organização do processo de trabalho, a defi nição de fl uxos de atendimento e adoção de alguns dispositivos como agenda, protocolos, reuniões de equipe, CIG, avaliação. É um território também marcado por diferenças e dissensos.
  • Dimensão sistêmica do Cuidado: é aquela que trata de construir conexões formais regulares e regulamentadas entre os serviços de saúde, compondo redes ou linhas de cuidado com o sentido de garantir a integralidade do cuidado.
  • Dimensão societária do Cuidado: papel do estado na produção e implementação de políticas públicas e de saúde. Dimensão mais ampla de gestão ou produção do cuidado: produção de cidadania, de direito a vida, e de acesso a tecnologias que contribuam para uma vida melhor (CECÍLIO, 2011).

REFERÊNCIAS

AYRES, José Ricardo de Carvalho Mesquita. Cuidado e reconstrução das práticas de Saúde. Interface (Botucatu). 2004, vol.8, n.14, pp. 73-. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832004000100005&lng=pt&nr m=iso>. ISSN 1807-5762. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832004000100005.

CECILIO, Luiz Carlos Oliveira. Apontamentos teórico-conceituais sobre processos avaliativos considerando as múltiplas dimensões da gestão do cuidado em saúde. Interface (Botucatu). 2011, vol.15, n.37, pp. 589-. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832011000200021&lng=pt&nr m=iso>. ISSN 1414-3283. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832011000200021.