













































Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Curso de barbeiro apositilha curso Senac 2021
Tipologia: Exercícios
1 / 53
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!














































Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” - UNESP Faculdade de Ciências Farmacêuticas
Araraquara, 2011
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Farmácia-Bioquímica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, para obtenção do grau de Farmacêutico-Bioquímico
Araraquara, 2011
6.^ Indicações e características dos princípios ativos alisantes
1. Introdução
1.1. Cenário atual
Por toda a história, pode-se observar a preocupação dos seres humanos com sua aparência pessoal. Conseqüentemente, o mercado da beleza cresce constantemente devido as novas exigências dos consumidores. Ao observar o cenário do mercado industrial mundial pode-se dizer que a área cosmética apresentou, de 2003 a 2007, um crescimento diferenciado, quando comparado com outros setores industriais (LEONARDI, 2008). Segundo dados da ABIHPEC de 2009, nos últimos anos, em geral, o Brasil apresentou índices baixos de crescimento. Esse fato pode ser observado pela evolução do Produto Interno Bruto, comparando os índices da indústria em geral e os índices da Indústria de Produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, que acumulou entre 1999 e 2008 um crescimento de 357, 6% nas exportações. Nota-se que esse setor apresentou maior crescimento que o restante da indústria (10,6% de crescimento médio no setor contra 3,0% do PIB Total e 2,9% da Indústria Geral) (ABIHPEC, 2009). Segundo Leonardi (2008), tal crescimento, de modo contínuo e sustentável, não foi apresentado em nenhum outro setor industrial do país. Todo esse desenvolvimento na área de cosméticos é devido a diversos fatores, provenientes de origens sociais, políticas e econômicas, mas que juntos têm contribuído para esse excelente crescimento do setor (LEONARDI, 2008). A crescente participação da mulher brasileira no mercado de trabalho, a
utilização de novas tecnologias pelas indústrias do setor, o aumento da produtividade possibilitando preços mais acessíveis aos consumidores (preços praticados pelo setor tem aumentos menores do que os índices de preços da economia em geral) e o lançamento constante de novos produtos atendendo aos anseios dos consumidores são algumas razões apontadas para o crescimento diferenciado do setor cosmético, além do aumento da expectativa de vida dos seres humanos, trazendo a necessidade de preservação da beleza e manutenção da aparência jovem (ABIHPEC, 2009). A busca incansável pela beleza incentiva a adequada formação, desenvolvimento e atualização dos produtos no mercado e dos profissionais do segmento cosmético para que esses possam, cada vez mais, atender as necessidades e às vontades do mercado de um consumidor cada vez mais exigente (LEONARDI, 2008). Conforme Leonardi (2008), a mulher, principalmente, passou a considerar preparações ditas cosméticas como artigos de primeira necessidade e não mais artigos de luxo, fazendo com que estes produtos sejam produzidos industrialmente e não mais de modo caseiro. Em destaque no contínuo crescimento nesse setor está a participação dos produtos para cabelos. Observando a composição do faturamento nacional em 2008 nota-se que 24,9% do faturamento total com produtos de higiene e cosméticos é devido ao mercado de produtos capilares, cerca de 161 milhões de dólares, sendo esta a maior porcentagem de vendas (ABIHPEC, 2009). Dentre os diversos produtos destinados aos cuidados e alterações do fio de cabelo, estão as formulações que provocam o alisamento da fibra capilar, produtos conhecidos como “alisantes” ou “relaxantes”.
racional dos produtos alisantes e os riscos da utilização ilegal, a fim de garantir sua eficácia, qualidade e segurança. Tendo em vista a crescente procura de novos produtos alisantes no mercado, este trabalho visa informar e esclarecer os malefícios e benefícios do processo de alisamento, assim como entender sua ação na estrutura capilar, tendo como principal ponto de vista a saúde e a segurança do consumidor e dos profissionais do ramo cabeleireiro. Para tanto, foi realizada uma revisão bibliográfica sobre o assunto em questão através de livros de Cosmetologia, Dermatologia e Bioquímica, assim como artigos de jornais e revistas científicas e outras fontes confiáveis, como o site da ANVISA.
1.2. Histórico
A preocupação do ser humano com sua imagem pessoal, refletida pelo uso de cosméticos, é descrita desde a época pré-histórica. Desde o período grego e romano até os dias atuais, as mulheres manifestam o desejo de possuírem um cabelo bonito e atraente (WILKINSON & MOORE, 1990). Relatos históricos retratam a preocupação dos egípcios com a beleza de seu corpo e cabelos, com o uso de verde de malaquita como sombra de olhos e extrato vegetal de henna para alterar a cor dos cabelos (LEONARDI, 2008). Em tempos remotos, mulheres egípcias e romanas enrolavam seus cabelos umedecidos com lama em rolinhos de madeira e ficavam sob o sol para que a pasta de argila secasse e os cabelos ficassem temporariamente ondulados (FRANQUILINO, 2009a). No geral, tendo em vista as tendências da moda, acreditava-se que o cabelo encaracolado ou ondulado era mais atrativo
que um cabelo liso, além de proporcionar mais opções de modelagem (WILKINSON & MOORE,1990). Durante o período medieval, os cabelos ganhavam volume através do uso de elaboradas perucas. Em 1875, o francês Marcel Grateau desenvolveu a técnica de uso de ferros para moldar e ondular cabelos (FRANQUILINO, 2009a). No início do século XX, mulheres passaram a se libertar dos afazeres domésticos, invadiram o mercado de trabalho e, conseqüentemente, o mercado consumidor. Sendo assim, a libertação das mulheres foi fundamental para o sucesso dos cosméticos (LEONARDI, 2008). Historicamente, diferentes tipos de materiais foram empregados com o objetivo de mudar a aparência física dos cabelos e obter fios mais lisos (DIAS et al, 2007). Por muito tempo, o alisamento dos cabelos era somente possível com o calor: o tão desejado cabelo liso era alcançado pelo método do “pente quente” ( hot pressing, peinado caliente ou hot comb). Um pente metálico era altamente aquecido em fogão ou brasa e passado repetidamente pelo cabelo até obter o alisamento desejado. Para auxiliar nessa operação, utilizava-se uma mistura de parafina e vaselina, com o predomínio da última, que além de atuar como lubrificante para o deslizamento do pente quente, favorecia a transmissão de calor. Este é um método temporário provocado pela temperatura do pente, que podia chegar a até 250 o^ C (WILKINSON & MOORE,1990; DIAS et al, 2007). Além da alta tensão e temperatura a que os fios de cabelos eram submetidos, causando ruptura, a forma lisa não era muito estável e tendia a
na transformação do cabelo ondulado para uma forma lisa e depende de uma química similar ao processo de ondulação. (WILKINSON & MOORE, 1990). A partir da década de 1950, surgiram novos deformadores dos cabelos, feitos a partir de soda caústica (hidróxido de sódio), voltados principalmente para os profissionais cabeleleiros (DIAS et al, 2007). Apesar desta novidade no mercado de alisantes químicos, a prática de alisamento com ferro quente permaneceu. Os alisantes químicos à base de hidróxido de sódio apresentavam algumas inconveniências, tais como o enfraquecimento dos fios, irritação do couro cabeludo, além da reduzida estabilidade das formulações (DIAS et al, 2007). Em 1978 uma nova substancia passou a ser aplicada como agente alisante: o hidróxido de guanidina, formando por um creme de hidróxido de cálcio que, quando misturado com o fluido ativador com carbonato de guanidina, produzia o alisante (DIAS et al, 2007). Atualmente, existem no mercado diversas opções de produtos voltados para alisamento de cabelos. O avanço da tecnologia permitiu a formulação de produtos químicos para alisamento definitivo com menor potencial irritante, maior eficácia e propriedades de condicionamento. Esse avanço permitiu a mulher mudar a aparência natural de seus cabelos de acordo com seu desejo (DIAS et al, 2007). A constante adesão das mulheres ao procedimento impulsionou o lançamento de uma gama variada de produtos alisantes no mercado, com ingredientes variados tais como silicones, aminoácidos e outras matérias primas, com o objetivo de alisar e condicionar os cabelos ao mesmo tempo, diminuindo os danos causados pelo procedimento (FRANQUILINO, 2009a).
Dentre os produtos historicamente e tradicionalmente empregados em preparações destinadas ao alisamento dos cabelos, podem-se citar alguns componentes principais, tais como:
1 3. Legislação
Segundo a resolução RDC nº 79 da ANVISA (2000), Cosméticos, Produtos de Higiene e Perfumes são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los,
segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados quanto ao modo e restrições de uso”. Devido ao risco que pode ser apresentado por essas substâncias aos seus usuários, a legislação sanitária atualiza a lista de substâncias permitidas ou vetadas em produtos alisantes, bem como atualiza os registro destes produtos cosméticos e as concentrações já comprovados como seguras e eficazes para uso (LEONARDI, 2008).
1.4. Estrutura capilar
1.4.1. Pêlos
Conhecer a estrutura do fio de cabelo e sua formação bioquímica é essencial para o entendimento do mecanismo de ação dos princípios ativos utilizados nos produtos para alisamento pois estes agem diretamente sobre a estrutura química dos fios de cabelos para a obtenção de seu efeito alisante (VARELA, 2007). Segundo Hernandez & Mercier-Fresnel (1999), os pêlos são produções queratinizadas da epiderme, sutis e flexíveis, que recobrem uma vasta zona cutânea. Não apresenta função vital para os seres humanos, ou seja, pode-se viver sem eles sem qualquer prejuízo a fisiologia humana. Entretanto, possuem funções como proteção da luz solar, proteção térmica, aumento da percepção tátil e proteção de orifícios, tais como nariz e olhos (LEONARDI, 2008). Existem três tipos de pêlos: lanugo, velos e o terminal. O lanugo, ou lanugem, são pêlos desenvolvidos durante o período fetal, se tornando
claramente visíveis após a 20a^ semana. Velo é um pêlo fino e claro que substitui, após o nascimento, o pêlo fetal. Os velos persistem na maior parte do corpo, exceto nas axilas e regiões pubianas, onde são substituídos na puberdade (MAGALHÃES, 2000). Os pêlos terminais são mais espessos e pigmentados, quando comparado com os velos, compreendendo os pêlos do couro cabeludo (cabelos), axilas, face (sobrancelha, cílios, barba, bigode) pubis e extremidades (LEONARDI, 2008). Os pêlos recebem diversos nomes, dependendo da superfície que recobrem, tais como: cabelo, quando presentes na cabeça; bigode, sobre a parte externa do lábio superior; barba, sobre o queixo e bochechas de um homem adulto; entre outros (MAGALHÃES, 2000). Dentre esses, os cabelos têm fundamental importância na vida de homens e mulheres, dada a aparência estética que proporcionam e suas alterações, tais como alopecia ou hirsutismo, podem acarretar problemas psicossociais. Além disso, possuem valor sobre a personalidade dos seres humanos, sendo freqüentemente associado à auto- estima e poder de atração (LEONARDI, 2008). O pêlo localiza-se no folículo piloso ou pilosebáceo, uma invaginação epitelial profunda circundada por uma rica rede vascular e nervosa, como pode ser observado na Figura 1 (BARATA, 1995; PRUNIÉRAS,1994). A parte mais profunda do folículo piloso adquire uma forma globosa, configurando o bulbo piloso, também chamado de raiz ou origem do cabelo (MAGALHÃES, 2000). Nesta mesma região, está inserido o músculo horripilador ou erector ou frenador, inserido no terço inferior do folículo piloso e responsável pela mudança no aspecto dos pêlos causado pelo frio, emoção ou cólera (PRUNIÉRAS, 1994; LEONARDI, 2008).
pelas glândulas sebáceas anexadas a cada folículo piloso. As glândulas sebáceas estão, portanto, distribuídas por uma vasta região da pele, com exceção das palmas das mãos e plantas dos pés, regiões desprovidas de pelos (PEYREFITTE, MARTINI & CHIVOT, 1998). A forma do folículo piloso determina a forma do cabelo nas diferentes raças, não tendo nenhuma relação com a sua estrutura bioquímica. Assim, o folículo piloso em forma de espiral define a forma crespa do cabelo afro, o folículo reto define o cabelo espetado em haste reta, dos orientais e o caucasiano tem o folículo piloso intermediário (PEYREFITTE, MARTINI & CHIVOT, 1998). A haste do cabelo, portanto, é um longo cilindro altamente organizado, formado de três partes principais: medula, córtex e cutícula, na ordem de dentro para fora (PEYREFITTE, MARTINI & CHIVOT, 1998 ; LEONARDI, 2008). As três camadas da fibra capilar podem ser observadas na Figura 2.
Figura 2. Principais camadas da fibra capilar. Fonte: http://unionhair.blogspot.com/2010_11_01_archive.html
A medula encontra-se na região central do fio de cabelo e é formado por células anucleadas. Não possui função estabelecida para o fio de cabelo, mas sabe-se que a medula existe apenas em cabelos terminais (LEONARDI, 2008). O córtex é a parte mais espessa da haste, ocupa a maior parte da área do cabelo, compondo cerca de 90% da massa capilar. É formado por células epiteliais fusiformes, ricas em queratina e unidas entre si no sentido da haste pilar. O córtex determina a forma do cabelo e é responsável pela resistência mecânica do fio (PAOLA et al, 1999 ; PEYREFITTE, MARTINI & CHIVOT, 1998). A cutícula é a camada mais externa do fio de cabelo e consiste de 5 a 10 camadas de células concêntricas anucleadas e achatadas, ricas em queratina (COLENCI, 2007; PAOLA et al, 1999). Entretanto, o número de camadas da cutícula diminui a medida que se aproxima a ponta do fio de cabelo, razão pela qual as pontas dos fios de cabelos são mais susceptíveis ao enfraquecimento e exigem maiores cuidados (LEONARDI, 2008). As camadas mais externas possuem células queratinizadas, que promovem maior proteção à fibra capilar e agem como uma barreira de penetração de agentes químicos (TECNOPRESS, 2007; COLENCI, 2007). Essas células estão organizadas como telhas de um telhado, com a borda livre direcionada para ponta da haste capilar, assemelhando-se a escamas sobrepostas (LEONARDI, 2008). Um fio de cabelo virgem, ou seja, que nunca sofreu agressões químicas e físicas, apresenta superfície impenetrável e resistente (LEONARDI, 2008). Entretanto, o estresse físico e químico, tais como a radiação solar e processos químicos (tintura, ondulações ou alisamentos), pode induzir a quebra da