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curso básico de gestão ambiental , Notas de estudo de Gestão Ambiental

apostila - apostila

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 06/02/2010

nessafrocha
nessafrocha 🇧🇷

4.3

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Universidade Federal de Santa Catarina
Centro Tecnológico
Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental
ENS 5125
Gestão e Planejamento ambiental
Prof. Sebastião Roberto Soares, Dr
www.ens.ufsc.br/~soares
Florianópolis
Semestre 2006/1
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Universidade Federal de Santa Catarina Centro Tecnológico Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental

ENS 5125 Gestão e Planejamento ambiental

Prof. Sebastião Roberto Soares, Dr [email protected] www.ens.ufsc.br/~soares

Florianópolis Semestre 2006/

UFSC – ENS 5125 - Gestão e Planejamento Ambiental Prof. Dr. Sebastião Roberto Soares

Índice

UFSC – ENS 5125 - Gestão e Planejamento Ambiental Prof. Dr. Sebastião Roberto Soares

Apresentação da disciplina 1

0. Apresentação da disciplina

Semestre 2006/

0.1. Objetivos do curso

Incorporar a variável ambiental nas estratégias de ação global de um sistema. Ou ainda, estabelecer um conjunto de rotinas e procedimentos que permita a uma organização planejar e administrar adequadamente as relações entre suas atividades e o meio ambiente que as abriga, atentando para as expectativas das partes interessadas.

0.2. Calendário

Dia Maio Dia Junho 8 Aula 1 – Apresentação do curso 5 Aula 5 – Análise de riscos ambientais 15 Aula 2 – Balanço de massa e unidade funcional 12 Aula 6 – SGA 22 Aula 3 – Avaliação de impactos ambientais 19 Aula 7 – SGA 29 Aula 4 – Análise multicritério e gestão 26 Aula 8 – Prova I

Dia Julho Dia Agosto 3 Aula 9 – Auditoria ambiental 7 Aula 14 – Licenciamento - EIA/RIMA 10 Aula 10 – Auditoria ambiental 14 Aula 15 – Outras ferramentas 17 Aula 11 – ACV 21 Aula 16 – Prova II 24 Aula 12 – ACV 28 31 Aula 13 – Indicadores ambientais e Rotulagem

0.3. Bibliografia

Não há livros-texto (com exceção das normas que são obrigatórias). A bibliografia abaixo é uma sugestão de textos nacionais para o bom acompanhamento das aulas.

O presente documento também NÃO CONSTITUI A REFERÊNCIA ÚNICA para acompanhamento das aulas.

ƒ Abdalla de Moura, L. A. Qualidade e gestão ambiental : sugestões para implantação das normas ISO 14000 nas empresas. São Paulo : Editora Oliveira Mendes, 1998 ƒ ABNT. NBR ISO 14001, 14004, 19011 e demais da série ISO 14000. ƒ Chehebe, J. R. Análise do ciclo de vida de produtos : ferramenta gerencial da ISO 14000. Rio de Janeiro: Qualitymark editora Ldta, 1998. ƒ Donaire, D. Gestão ambiental na empresa. São Paulo : editora atlas, 1995. ƒ Edwards, A. J. ISO 14001 : Environmental Certification. Step by Step. Burlington, MA (USA) : Elsevier,

ƒ Ferrão, P. C. Introdução à gestão ambiental ; a avaliação do ciclo de vida de produtos. Lisboa (Portugal) : IST press, 1998. ƒ Philippi Jr et all, editores. Curso de gestão ambiental. Barueri, Sp : Manole, 2004

UFSC – ENS 5125 - Gestão e Planejamento Ambiental Prof. Dr. Sebastião Roberto Soares

Apresentação da disciplina 2

0.4. Avaliação

ƒ Média = At0.2 + Pv10.4 + Pv2*0.

ƒ MédiaRec = (média+ rec)/ ƒ Aprovação : Média ou MédiaRec >= 6

ƒ A Freqüência mínima exigida é de 75% das AULAS DADAS. ƒ A chamada será realizada até 15 minutos após o início das aulas. Os alunos não presentes neste momento receberão falta.

Data ___ / ___ / 06

Anotações

ƒ Bioacumulação (ou bioconcentração) : acumulação nos tecidos de organismos (absorção ou adsorsão) de substâncias diversas (naturais ou sintéticas) (fig. 2).

10000 1000

altamente bioacumulável

mediamente bioacumulável

fracamente bioacumulável

Figura 2 : representação esquemática de escala de bioacumulação

A avaliação do grau de bioacumulação é feita através do quociente da concentração em um tecido com relação à referência (meio de lançamento). Por exemplo, se um dado produto apresenta concentração na água de x mg/l e a concentração deste mesmo produto no tecido de uma espécie aquática for de y mg/kg, o índice de bioacumulação será y/x.

ƒ Efeitos : Resultado de uma ação em relação a um alvo específico, ou a consequência objetiva (sobre um alvo) de uma ação de interesse.

Os efeitos podem ser : Diretos : a ação se dá diretamente sobre o alvo.

- Tóxicos agudos : exposição de um indivíduo ou meio a uma dose ou concentração elevada durante um curto período de tempo (em geral 24 h) => (CL 50, DL 50) - Tóxicos crônicos : exposição de um indivíduo ou meio a uma dose ou concentração fraca durante um longo período de tempo (1 mês até a duração de várias gerações de animais) - Estéticos Indiretos : a ação não se dá diretamente sobre o alvo. Por exemplo, o lançamento de um efluente (ação) e os peixes de um lago (alvo). A morte destes pode ser dar não pela ação tóxica do efluente, mas por exemplo, pela diminuição do teor de O 2 , diminuição da luminosidade ou desequilíbrios interespécies.

ƒ Impacto ambiental : Modificação identificável e mensurável, benéfica ou adversa, das condições ambientais de referência. O impacto ambiental pode ser caracterizado por um efeito (direto) ou soma de efeitos (diretos e indiretos) com relação a um alvo específico.

Exemplo : Ação : emissão de CO2. Alvo : nível das águas do mar. Efeito : ampliação do “efeito estufa” (aumento da temperatura) e indiretamente o aumento do nível do mar. Impacto ambiental : elevação de 0,1 m do nível do mar.

Finalmente, o impacto depende dos efeitos e da exposição. A exposição deve ser apreciada em termos de nível e de duração.

ƒ Nível de exposição : concentração de um produto em um dado meio, ou a dose ingerida segundo o caso.

ƒ Duração de exposição : tempo durante o qual os seres vivos são expostos a uma concentração.

ƒ Resíduos : Materiais ou substâncias que num determinado tempo e espaço são descartados ou destinados ao descarte pelo seu responsável (fig. 3).

A produção de resíduos em um sistema, em algum momento, será inevitável devido às seguintes varáveis:

Biológica Química Tecnológica Econômica Ecológica Acidental

Data ___ / ___ / 06

Anotações

Resíduos gasosos Resíduos líquidos Resíduos sólidos

Tratamento

Poluição crônica

Resíduos de segunda geração

Produção

Produtos

Resíduos ecocompatíveis

Figura 3 : fluxo de produção de resíduos

A produção de resíduos pode representar, além de problemas ambientais, uma perda de matéria e energia.

Æ ineficiência produtiva !!

ƒ Redução de resíduos : procedimentos que visam evitar a produção de resíduos e/ou diminuir a quantidade de resíduos a tratar. Esta estratégia permite, em geral, a diminuição de custos e riscos :

  • Reduz os custos de gestão e tratamento de resíduos ;
  • Reduz riscos de contaminação, acidentes e emergências ;
  • Reduz os custos de produção devido a melhor gestão dos materiais e eficiência do processo.

Os procedimentos empregados para redução de resíduos na fonte passam necessariamente por uma das seguintes alternativas :

Gestão de estoques Modificação do processo de produção Procedimentos de operação e manutenção Substituição de materiais Redução de volumes Segregação Concentração Qualificação de recursos humanos

Obs. Um procedimento extremo de redução de resíduos consiste em eliminar a fonte de produção (produto).

ƒ Tratamento de resíduos : O termo tratamento de resíduos envolve as técnicas que visam a transformação do resíduo, seja para a sua valorização, seja para a sua eliminação.

Valorização Valorização energética Valorização de matérias-primas Valorização em ciências dos materiais Valorização em agricultura e agro-alimentar Valorização em técnicas de meio-ambiente Eliminação Processos térmicos Processos biológicos Processos físico-químicos Estocagem em aterros sanitários

ƒ Desenvolvimento sustentável : atendimento das necessidades da geração atual sem comprometer o direito das futuras gerações atenderem as suas próprias necessidades

Data ___ / ___ / 06

Anotações

1.2. A variável ambiental nas organizações

Texto introdutório adaptado de ƒ Donaire, D. Gestão ambiental na empresa. São Paulo : Editora Atlas, 1995 ƒ SEBRAE, IBAMA e Instituto Herbert Levy. Gestão ambiental- Compromisso da empresa. 1996

Introdução

Minamata, Japão, anos 50. A indústria química Chisso despeja 460 toneladas de materiais poluentes na Baía de Yatsushiro. Mais de 1000 pessoas morrem e um número não calculável sofre mutilações em conseqüência do envenenamento por mercúrio. A empresa é obrigada a pagar mais de 600 milhões de dólares em indenizações e muitos processos judiciais correm até hoje.

Ontário, Canadá, 1982. Chuvas ácidas, provocadas pela queima de combustíveis - provavelmente em território norte-americano -, causam a morte de peixes em 147 lagos. O governo canadense acusa os Estados Unidos de indiferença em relção à questão ambiental.

Cubatão, São Paulo, 1984. O rompimento de um oleoduto da Petrobrás, provocado por um incêndio, arrasa a favela de Socó, umas das áreas mais poluídas do planeta. Noventa pessoas morrem e 200 ficam feridas.

Bhopal, India, 1984. Um vazamento de isocianeto de metila em uma fábrica de pesticidas da Union Carbide mata mais de 2000 pessoas e deixa por volta de 200000 com graves lesões nos olhos, pulmões, fígado e rins.

Chernobil, antiga URSS, 1985. Uma explosão destrói um dos quatro reatores de uma usina atômica, lançando 100 milhões de curies de radiação na atmosfera, 6 milhões de vezes o volume que escapou de Three Mile Island, nos Estados Unidos pouco anos antes, no que era considerado até então o pior acidente atômico da história. Trinta e uma pessoas perderam a vida e outras 40000 ficam sujeitas ao risco de câncer nos 20 anos seguintes.

Basiléia, Suíça, 1986. Um incêndio em uma indústria química de Sandoz atira no Reno 30 toneladas de pesticidas, fungicidas e outros produtos altamente tóxicos - o volume de poluentes recebidos pelo rio em um ano. O acidente dá força ao Partido Verde na renovação do Parlamento alemão.

Alasca, EUA, 1989. O petroleiro Exxon Valdez bate em um recife e derrama 41,5 milhões de litros de petróleo no estreito de Príncipe Willian. Cerca de 580 000 aves, 5 550 lontras e milhares de outros animais morrem no maior acidente ambiental da história recente dos EUA.

Rio de janeiro (RJ), Araucária (PR), 2000 Rompimento de dutos transportadores de óleo comprometendo a baia de Guanabara (1,29 mil toneladas – liberados pela refinaria Duque de Caxias))e o rio Barigüi, afluente do Rio Iguaçu e o próprio Iguaçu ( milhões de litros de óleo crú – oriundo da refinaria presidente Getúlio Vargas)

Costa da Galícia, Espanha, 2002 O afundamento do petroleiro Prestige, das Bahamas, a 250 quilômetros da região da Galícia, na costa da Espanha, que transportava 77 mil toneladas de óleo combustível. O acidente pode se tornar uma das maiores catástrofes ambientais da história causadas por vazamento de óleo. O navio afundou no dia 19 de novembro. O vazamento de óleo atingiu as praias e as encostas da Espanha, com repercussões também na França e Portugal.

Data ___ / ___ / 06

Anotações

Os casos acima são exemplos de poluição aguda "espetacular" da história recente. Estes fatos, se comparados ao somatório da poluição crônica e aguda que ainda fazem parte do cotidiano humano, são plenamente insignificantes. Entretanto, grandes episódios têm uma maior repercussão sobre necessidades de mudança de comportamento. Ou seja, continuamos ainda expostos ao perigo de todo o tipo de poluição. Prova recente foi o rompimento, em janeiro, de um duto da Petrobrás, que durante 4 horas despejou 1,3 milhões de litros de óleo nas já degradadas águas da baía de Guanabara, atingindo os manguezais, essenciais para a sobrevivência da fauna da região. Ou o vazamento de cianeto no rio Tisza, afluente do Danúbio. A diferença é que desastres como estes não passam mais em branco. Agressões ambientais agora chocam a opinião pública, abalando fortemente a imagem de uma empresa, e podem custar caro. A Petrobrás pagou uma multa de R$ 35 milhões ao Ibama e deve desembolsar mais de R$ 110 milhões em indenizações para amenizar o impacto da devastação. E os governos da Iugoslávia e da Hungria ameaçam recorrer à Corte Internacional de Justiça de Haia contra a Romênia pela catástrofe no Danúbio, que também corta os territórios destes países.

É notório, portanto, o surgimento de uma consciência ecológica, que não se manifesta apenas por grupos ambientalistas, mas vem sendo incorporada por um número cada vez maior de consumidores preocupados com a qualidade de vida. Outra prova pode ser observada nas exigências referentes à proteção ambiental que durante muito tempo foram consideradas como um freio ao crescimento da produção, um obstáculo jurídico legal e requerentes de grandes investimentos e, portanto, fator de aumento dos custos de produção. Atualmente, é quase um consenso que a despreocupação com os aspectos ambientais pode traduzir-se no oposto : em aumento de custos, em redução de lucros, perda de posição no mercado e, até, em privação da liberdade ou cessação de atividades. O Meio ambiente e sua proteção estão se tornando oportunidades para abertura de mercados e prevenção contra restrições futuras quanto ao acesso a mercados e financiamentos internacionais e mesmo nacional.

A cotação de um país, para receber investimentos estrangeiros, está cada vez mais relacionada com sua imagem internacional associada com seus cuidados com o meio ambiente. Do mesmo modo, organismos de fomento nacional (BNDS, Caixa Econômica Federal, por exemplo) já condicionam a liberação de determinadas linhas de crédito à viabilidade ambiental do empreendimento financiado. Isto porque tem sido demonstrado a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento tradicional e que os custos, monetários e sociais, infligidos por uma poluição desenfreada são maiores do que o investimentos necessários para eliminá-la e, sobretudo, evitá-la. Neste sentido, a resposta das organizações tem ocorrido em três fases (superpostas ou não, dependendo maturidade ambiental da empresa) :

ƒ controle ambiental nas saídas do sistema considerado (fim de linha) ; ƒ integração do controle ambiental nas práticas e processos industriais ; ƒ integração do controle ambiental na gestão administrativa.

Algumas organizações perfilam-se na primeira fase, enquanto a maioria se encontra na segunda fase e apenas uma minoria na já amadurecida terceira fase.

O controle ambiental nas saídas do sistema consiste na instalação de equipamentos de controle de poluição nos pontos terminais da organização, como chaminés e redes de esgoto, mantendo a estrutura produtiva existente. A despeito de seu alto custo e da elevada eficiência dos equipamentos instalados, esta solução nem sempre se mostra eficaz, tendo seus benefícios sido frequentemente questionados pelo público e pela própria indústria.

A integração do controle ambiental nas práticas e processos produtivos , por sua vez deixa de ser uma atividade de controle da poluição e passa a ser uma função da produção. O princípio básico é o da prevenção da poluição, envolvendo a seleção das matérias-primas, o desenvolvimento de novos processos e produtos, o reaproveitamento da energia, a reciclagem de resíduos e a integração com o meio ambiente. E finalmente, na fase mais evoluída, as organizações passaram à integração do controle ambiental na gestão administrativa , projetando-o nas mais altas esferas de decisão. Atender ao presente e gerar respostas setoriais e estanques passou a não ser suficiente ; olhar o futuro, horizontalizar a análise e planejar corporativamente passou a ser o caminho natural e necessário.

A justificativa para esta mudança de atitude deve-se ao aumento da preocupação ambiental, com o estabelecimento de um verdadeiro mercado verde, o que torna os consumidores mais eficientes que os órgãos de meio ambiente. Surgindo inicialmente nos países desenvolvidos, este mercado tem origem basicamente

Data ___ / ___ / 06

Anotações

Posicionamento da organização

A questão ambiental, quando considerada do ponto de vista empresarial, levanta dúvidas com respeito ao aspecto econômico. A idéia que prevalece é de que qualquer providência que venha a ser tomada em relação à variável ambiental traz consigo o aumento de despesas e o conseqüente acréscimo dos custos do processo produtivo.

Algumas empresas, porém, têm demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente, mesmo não sendo uma organização que atua no chamado "mercado verde". É necessário que as empresas possuam uma certa dose de criatividade e condições internas que possam transformar as restrições e ameaças ambientais em oportunidades de negócios.

Entre essas oportunidades pode-se citar a reciclagem de materiais, que tem trazido uma grande economia de recursos para as empresas ; o reaproveitamento dos resíduos internamente ou sua venda para outras empresas através de Bolsas de Resíduos ou negociações bilaterais; o desenvolvimento de novos processos produtivos com a utilização de tecnologias mais limpas ao ambiente, que se transformam em vantagens competitivas e até mesmo possibilitam a venda de patentes; o desenvolvimento de novos produtos para um mercado cada vez maior de consumidores conscientizados com a questão ecológica ; o mercado de seguros contra riscos de acidentes e passivos ambientais ; desenvolvimento de novas especializações profissionais como auditores ambientais, gerentes de meio ambiente, advogados ambientais, bem como o incremento de novas funções técnicas específicas.

Quadro : posicionamento da organização em relação a questão ambiental. Empresas agressivas Classificação 1 2 3 4 5

Empresas amigáveis

1. Ramo de atividade

  1. Produtos
  • MP não renováveis
  • não há reciclagem
  • não há aproveitamento resíduos
  • poluidores
  • consumo energia
    • MP renováveis
    • reciclagem
    • reaproveitamento de resíduos
    • não poluidores
    • baixo consumo energia 3. Processo
  • poluente
  • resíduos perigosos
  • alto consumo energia
  • ineficiente uso dos recursos
  • insalubre aos trabalhadores
    • não poluentes
    • poucos resíduos
    • baixo consumo energia
    • eficiente uso dos recursos
    • não afeta trabalhadores 4. Consciência ambiental
  • consumidores não conscientes
    • Consumidores conscientes 5. Padrões ambientais
  • baixos padrões
  • não obediência às restrições
    • altos padrões
    • obediência às restrições 6. Comprometimento gerencial
  • não comprometido •^ comprometido 7. Nível capacidade do pessoal
  • baixo
  • acostumado velhas tecnologias
    • alto
    • voltado a novas tecnologias 8. Capacidade de P&D
  • baixa criatividade
  • longos ciclos de desenvolvimento
    • alta criatividade
    • curtos ciclos de desenvolvimento 9. Capital
  • ausência de capital
  • pouca possibilidade de empréstimos
    • existência de capital
    • alta possibilidade de empréstimos

Classificação 1 = Empresa muito ameaçada pela questão ambiental 5 = Questão ambiental constitui oportunidades de crescimento

Data ___ / ___ / 06

Anotações

Não se sabe até que ponto as considerações acima têm norteado as ações dos dirigentes empresariais nacionais, mas é certo que todos eles gostariam de saber até onde a sua organização seria afetada pelo aumento da consciência ecológica dos consumidores e pelas exigências da legislação. Para colaborar com este anseio, North (1992) 2 apresenta uma avaliação do posicionamento da empresa em relação à questão ambiental. Este procedimento propõe a avaliação do perfil da organização segundo diversas variáveis indicando, para cada um dos quesitos colocados, se a empresa apresenta características "amigáveis" ou "agressivas" ao meio ambiente (quadro). Ou seja, quanto mais "amiga" do meio ambiente mais apta estaria a empresa, neste tocante, a enfrentar as exigências sociais e regulamentares.

A utilização do quadro pode ser feita da seguinte maneira : Cada um dos itens apresenta duas afirmativas extremas. Se a afirmativa da esquerda reflete plenamente a situação da empresa assinalar 1. Se a afirmativa da direita reflete plenamente a situação, assinalar 5. Se a situação da empresa está mais próxima da situação da esquerda ou da direita, assinalar respectivamente 2 ou 4. Finalmente, adotar 3 para uma situação intermediária. Por exemplo, se no quesito "Produtos" não ocorrer nenhum aproveitamento dos resíduos, a nota do item seria 1. Por outro lado, se todos os resíduos fossem aproveitados a nota seria 5. Se metade dos resíduos fossem valorizados a nota seria 3 e assim sucessivamente.

Com relação aos resultados, se a maioria dos valores atribuídos estiver entre 1 e 2, a empresa está provavelmente diante de um importante desafio : identificar e integrar os requisitos qualidade ambiental aos requisitos de qualidade de sua empresa, eliminando assim a vulnerabilidade característica deste desempenho ; Se a maioria dos valores atribuídos às questões foi 3, provavelmente a empresa vem realizando um esforço para sustentar seu atual desempenho ambiental ; Se os valores atribuídos estiverem concentrados em 4, é muito provável que a empresa esteja no caminho certo. Ela deve continuar a reavaliar as oportunidades de melhoria ;

Finalmente, se a maioria dos valores atribuídos às questões foi 5, é muito provável que o desempenho ambiental da empresa seja excelente.

Seja qual for o resultado obtido, eles permitirão identificar "Onde estamos ?". A partir daí identificar "Onde queremos chegar?".

Ainda de acordo com North (1992), para a correta avaliação de posição da empresa, no quadro 1, é importante estabelecer algumas considerações sobre as variáveis selecionadas.

ƒ Ramo de atividade da empresa

À primeira vista pode ser considerado o mais importante indicador da ameaça que a organização pode causar ao meio ambiente e dos custos que se fazem necessários para atender às exigências da regulamentação ambiental. Dados da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, colocam entre os setores industriais mais poluentes: as industrias químicas, de papel e celulose, de ferro e aço, de metais não ferrosos (por ex.: alumínio), de geração de eletricidade, de automóveis e de produtos alimentícios. Conhecer apenas o ramo, porém, não é suficiente, visto que os níveis de tecnologia e de produção podem variar muito de uma regido para outra e mesmo de uma empresa para outra. Isso é particularmente verdadeiro num país grande como o Brasil, onde as exigências ambientais e de tecnologias limpas estão mais circunscritas aos grandes centros urbanos.

ƒ Produtos

A conceituação da empresa ambientalmente amigável é determinada não só pelas características de seu processo produtivo, mas também pelos produtos que fabrica. Assim sendo, produtos obtidos de matérias- primas renováveis ou recicláveis, que não agridem o meio ambiente e que têm baixo consumo de energia devem ter a preferência das organizações engajadas na causa ambiental.

ƒ Processo

Um processo para ser considerado ambientalmente amigável deve estar próximo dos seguintes objetivos:

(^2) NORTH, K. Environmental business management. Genebra: ILO, 1992.

Data ___ / ___ / 06

Anotações

novos processos e novos produtos ou modificar os existentes. O aparecimento de detergentes biodegradáveis, tratamento físico-químico de efluentes, serviços de administração de resíduos, novas tecnologias de reciclagem etc. foram resultados de bem sucedidos projetos de P&D. Assim, as organizações que possuem na área de P&D, equipes flexíveis e criativas, que se caracterizam por ciclos curtos de desenvolvimento de processos e produtos e que estão atualizadas com as informações sobre novas tecnologias, podem não só viabilizar a causa ambiental internamente, mas também transformar este know-how em atividades de consultoria para outras empresas, desenvolvendo dessa forma grandes oportunidades de negócios.

ƒ Capital

A grande dívida da empresa e que sempre se levanta é não saber se o investimento realizado com a questão ambiental será rentável, pois muitas vezes pode levar muito tempo para conseguir o retorno desse investimento. Como o retorno do investimento não pode ser previsto em termos determinísticos, sempre haverá necessidade de aporte de capitais próprios ou de terceiros para que a empresa se integre na causa ambiental. Para minimizar este impactos porém, as empresas poderão negociar com os órgãos governamentais de controle acordos que resultem em cronogramas mais amplos e padrões de emissão decrescentes que poderão viabilizar ao longo do tempo objetivos difíceis de ser alcançados no curto prazo.

Concluindo, a verificação de posicionamento de empresa em relação a esses aspectos, permitirá avaliar até que ponto os negócios da empresa poderão ser atingidos pela variável ambiental.

Por que se integrar na causa ambiental?

ƒ Sem organizações orientadas para o meio ambiente, não poderá existir uma economia orientada para o

ambiente;

ƒ Sem organizações orientadas para o ambiente, não poderá existir consenso entre o público e a

comunidade empresarial ;

ƒ Sem gestão ambiental da organização, esta perderá oportunidades no mercado em rápido crescimento e

aumentará o risco de sua responsabilização por danos ambientais ;

ƒ Sem gestão ambiental da organização, os conselhos de administração, os diretores executivos, os chefes

de departamentos e outros membros do pessoal verão aumentadas a sua responsabilidade em face de danos ambientais ;

ƒ Sem gestão ambiental da organização, serão potencialmente desconsideradas muitas oportunidades de

redução de custos ;

ƒ Sem gestão ambiental da organização, os tomadores de decisão estarão em conflito com sua própria

consciência (??).

Benefícios da gestão ambiental

Benefícios econômicos

  • Economia de custos
    • Economia devido à redução do consumo de água, energia e outros insumos ;
    • Economia devido à reciclagem, venda e aproveitamento de resíduos e diminuição de efluentes ;
    • Redução de multas e penalidade por poluição.
  • Incremento de receitas
    • Aumento da contribuição marginal de "produtos verdes" que podem ser vendidos a preço mais altos;

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Anotações

  • Aumento da participação no mercado devido a inovação dos produtos e menos concorrência ;
  • Linhas de novos produtos para mercados ;
  • Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição.

Benefícios estratégicos ƒ Melhoria da imagem institucional ; ƒ Renovação do "Portfolio" de produtos ; ƒ Aumento da produtividade ; ƒ Alto comprometimento do pessoal ; ƒ Melhoria nas relação de trabalho ; ƒ Melhoria e criatividade para novos desafios ; ƒ Melhoria das relações com órgão governamentais, comunidade e grupos ambientalistas ; ƒ Acesso assegurado ao mercado externo ; ƒ Melhor adequação aos padrões ambientais.

Além destes benefícios, deve-se considerar ainda os seguintes argumentos para que uma organização se engaje na causa ambiental :

ƒ Aceite primeiro o desafio ambiental antes que seus concorrentes o façam ; ƒ Seja responsável em relação ao meio ambiente e torne isso conhecido ; ƒ Utilize formas de prevenir a poluição ; ƒ Ganhe o comprometimento do pessoal.

Princípios de planejamento ambiental

Prioridade organizacional ƒ Reconhecer que a questão ambiental está entre as principais prioridades da empresa e que ela é uma questão-chave para o desenvolvimento sustentado. ƒ Estabelecer políticas, programas e práticas no desenvolvimento das operações que sejam adequadas ao meio ambiente.

Gestão integrada ƒ Integrar as políticas, programas e práticas ambientais intensamente em todos os negócios como elementos indispensáveis de administração em todas as suas funções.

Processo de melhoria ƒ Continuar melhorando as políticas corporativas, os programas e a performance ambiental tanto no mercado interno quanto externo, levando em consideração o desenvolvimento tecnológico, o conhecimento científico, as necessidades dos consumidores e os anseios da comunidade, tendo como ponto de partida as regulamentações ambientais.

Educação do pessoal ƒ Educar, treinar e motivar o pessoal, para que possam desempenhar suas tarefas de forma responsável em relação ao ambiente.

Prioridade de enfoque ƒ Considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto e antes de instalar novos equipamentos e instalações ou de abandonar alguma unidade produtiva.

Produtos e serviços ƒ Desenvolver e produzir produtos e serviços que não sejam agressivos ao ambiente e que sejam seguros em sua utilização e consumo, que sejam eficientes no consumo de energia e de recursos naturais e que possam ser reciclados, reutilizados ou armazenados de forma segura.

Data ___ / ___ / 06

Anotações

ƒ Produtos que não podem ser reciclados ƒ Embalagens, recipientes etc. não recicláveis ƒ Processos poluentes ƒ Efluentes perigosos ƒ Imagem poluidora ƒ Pessoal não engajado na questão ambiental

Quais são as oportunidades relacionadas à questão ambiental?

ƒ Entrada em novos mercados ƒ A possibilidade de transformar produtos tradicionais em produtos ambientalmente amigáveis ƒ Assegurar a sobrevivência da empresa pela manutenção de uma boa imagem ambiental ƒ Aumentar o desempenho dos fornecedores e colaboradores estabelecendo novos objetivos para a proteção ambiental ƒ A possibilidade de economizar recursos, energia e custos

Quais as ameaças pertinentes à questão ambiental?

ƒ Avanço da legislação ambiental e a possibilidade de investimento adicionais e diminuição dos lucros ƒ Intervenção governamental nas atividades produtivas atuais ƒ Atuação de grupos ecológicos ƒ Desempenho dos concorrentes referentes à questão ambiental

Investimento em meio ambiente : uma equação delicada

Silvia Czapski | Jornal Valor Econômico, São Paulo Nº 72, Quinta-feira, 10|8|

A bomba atômica lançada sobre Nagasaki em 9 de agosto de 1945 – há exatos 55 anos – é o marco de uma virada histórica. A violência da morte de 100 mil pessoas (três dias antes, 190 mil haviam morrido em Hiroshima) forçou o Tratado de Paz que selaria o fim da Segunda Guerra Mundial. A paz permitiu um ciclo de intenso crescimento econômico, onde a fumaça das chaminés passou a ser símbolo do progresso. A resposta da natureza veio rápida. Em 1952, o smog (poluição atmosférica industrial) em Londres matou milhares de habitantes. Outras cidades, como Los Angeles, Nova York e Berlim, também enfrentavam os efeitos negativos da poluição. Em 1953, houve outro desastre, no Japão: o despejo industrial de mercúrio na Bacia de Minamata contaminou milhares de pessoas, provocando desde distúrbios neurológicos a mutações genéticas em bebês. As causas do “Mal de Minamata” só foram reconhecidas quase dez anos depois, quando o problema se repetiu em Niigata. Curiosamente, não foram esses desastres que criaram o movimento ecologista radical, e sim um pequeno livro, escrito pela norte-americana Rachel Carlson, em 1962. “Primavera Silenciosa” contava uma história real, a da contaminação dos Grandes Lagos dos Estados Unidos por DDT – organoclorado idealizado em 1939 como instrumento bélico e transformado em sucesso mundial de vendas no pós-guerra, como inseticida agrícola. No efervescente ano de 1968, o empresário italiano Attilio Percei, preocupado com a conjuntura mundial, convidou cientistas, economistas e industriais para debater saídas para a crise. Desse encontro nasceu o Clube de Roma, que produziu vários relatórios sobre as condições do planeta. Usando pela primeira vez modelagem de computador, no programa World3, o grupo lançou outro livro de impacto para o debate sobre a questão ambiental: “Limites do Crescimento”. O livro desenhava dois cenários. No primeiro, estudava o desenvolvimento da economia e da degradação ambiental, no ritmo então em vigor. O modelo matemático detectou um limite de crescimento, prevendo o caos em cem anos. No segundo cenário, descrevia como evitar o desastre, por meio de uma reforma que priorizasse o equilíbrio ecológico e econômico.

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Anotações

O cenário projetado pelo Clube de Roma influenciou a 1.ª Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano, promovida na Suécia, no mesmo ano. Nesse evento foi tomada a importante decisão de criar o Programa de Meio Ambiente da ONU. Mas, já em 1973, aconteceu algo não previsto pelo Clube de Roma: a crise do petróleo. Assustadas com o novo custo da energia, as empresas passaram a considerar a possibilidade de investir para aproveitar melhor esse recurso natural. A 3M, nos EUA, foi a mais ousada: em 1975 adotou, como iniciativa voluntária, o primeiro grande plano de prevenção à poluição. Sua meta era reduzir as emissões do ar em 70%, até 1993. O Brasil experimentava então um crescimento industrial inédito, acompanhado de muita poluição. Nos anos de chumbo surgiram obras faraônicas, como a Transamazônica. Ao mesmo tempo, a poluição crescente e a pressão internacional inspiraram o surgimento da Cetesb, em São Paulo, e Feema, no Rio de Janeiro, como órgãos de controle da poluição. Em nível federal, nasceu a Sema

  • Secretaria Especial do Meio Ambiente, liderada por Paulo Nogueira Neto. Ele lembra, desse período, de alguns embates com o setor industrial. “Quando propusemos a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) resistiu. Queria o veto de 13 artigos. Mas o presidente João Figueiredo (1979-1985) promulgou a lei em 1981, com apenas dois vetos. E as empresas aceitaram.” Nos anos 80 ocorreram novos desastres ecológicos. Em 1984, um vazamento de gás da Union Carbide, em Bhopal, na Índia, matou milhares de pessoas. Em 1986, o acidente na usina nuclear ucraniana de Chernobyl exterminou dezenas de milhares de vidas e contaminou toda a região. Em 1989, a colisão do petroleiro Exxon Valdez sujou 250 quilômetros quadrados do mar Ártico: as despesas com despoluição superaram US$ 1 bilhão. Porém, também houve progressos. Nos anos 80, assinou-se o Protocolo Internacional de Montreal, para proteger a camada de ozônio e foi criado o conceito de “Desenvolvimento Sustentável”. O Brasil promulgou sua nova Constituição com um capítulo para o meio ambiente e instituiu os Estudos de Impacto Ambiental. E, em dezembro de 1989 – um ano após a morte de Chico Mendes, um dos símbolos nacionais da luta pela preservação – a ONU aprovou a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Eco- 92, que ocorreria em 1992, no Rio. A Eco 92 trouxe mais de 150 chefes de Estado ao Brasil, culminando em acordos internacionais importantes, como a Convenção da Biodiversidade Biológica e a de Mudanças Climáticas (para evitar o aumento do efeito estufa). Porém, cinco anos depois da Eco, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU concluía que as decisões não foram implementadas. Mas novidades aconteceram. Pesquisas de mercado detectam a opção de um número cada vez maior de consumidores por produtos e serviços ecologicamente corretos. Apesar de ainda haver choques, cresce o número de alianças entre organizações ambientalistas e empresas para atividades de caráter sócio-ambiental. O mercado global exige certificações ecológicas, que se multiplicam. E muitas empresas, mesmo não certificadas, abrem departamentos de meio ambiente ou investem em pesquisas e melhorias nessa área. Em todos os ramos profissionais, aumenta o espaço para especialização em meio ambiente, como é o caso da auditoria e contabilidade ambiental, um nicho promissor. “Aqui no Brasil, pela primeira vez, a Pricewhaterhouse Coopers montou um núcleo fixo de sete profissionais na área de meio ambiente”, conta Paulo Vanca, Sócio da Price no Brasil. Segundo relata, os acionistas das empresas globais, como Shell e Rhone Poulenc, também começaram a solicitar relatórios anuais que incluem o balanço social, ambiental e econômico. O fundo de investimentos Terra, administrado pela A2R no Brasil para beneficiar projetos ecologicamente corretos, a recente discussão sobre as “commodities ambientais” e os “certificados de seqüestro de carbono da natureza”, surgem como outros indícios de um novo tempo, onde a economia está tentando entrar em acordo com o meio ambiente.