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Os profissionais da saúde necessitam entender a etiologia das palavras, este é um curso básico de Latim, que de maneira simplificada nos dá uma base legal sobre esta língua.
Tipologia: Notas de estudo
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O latim deriva de línguas arcaicas faladas no Lácio e em Roma, consolidando-se gramaticalmente a partir do século III a.C. Do local de sua origem (Lácio – região da Itália central = Latium, no idioma deles) provém o nome LATIM. Teve seu período clássico entre os anos 81 a.C e 17 d.C., época dos principais escritores latinos: Cícero, César, Vergílio, Horário, Ovídio, Tito Lívio, dentre outros. O apogeu do Império Romano e as guerras de conquistas levaram o latim popular, falado pelos soldados romanos, para outras regiões da Europa, onde interagindo com idiomas locais, deu origem às línguas neolatinas. Como acontece em todo idioma, havia a língua gramaticalmente correta dos literatos e a língua popular, falada pelo povo de pouca instrução e sem preocupação com a correção gramatical. Foi esta última que se espalhou pela Europa e, no caldeirão dos dialetos regionais, comandou a formação das linguas neolatinas, inclusive o português. O português foi o resultado da mistura do latim com o galego, principal lingua falada na região do Condado Portucalense, que hoje corresponde à região de Portugal. Foi uma das linguas derivadas que mais demorou a se formar, sendo provavelmente este o motivo de ser o português tão semelhante ao latim. O latim literário continuou a ser adotado e utilizado durante muitos séculos pelos escritores cristãos, mesmo depois de não ser mais falado como linguagem corrente na sua região de origem. Por influência dos monges, o latim era utilizado também como idioma dos intelectuais, filósofos e cientistas, que escreviam suas obras em latim, pela facilidade de serem lidos em qualquer parte da Europa. Somente a partir do século XVII, a literatura filosófica e científica passou a ser produzida em lingua vernácula. Atualmente, o latim é a língua oficial da Igreja Católica, utilizado na produção dos documentos oficiais do Vaticano, seja da Cúria Romana, seja das entidades agregadas. As Universidades Pontifícias de Roma, por exemplo, expedem seus Diplomas em latim ainda hoje. Os documentos oficiais da Igreja Católica, originalmente escritos em latim, são imediatamente traduzidos no próprio Vaticano e distribuídos pelos diversos países já no idioma vernáculo. Para não citar apenas exemplos distantes, nos anos de 1969/1970,no Seminário dos Frades Capuchinhos do Ceará, estudei filosofia em livros escritos em latim, editados na Itália. Fora das instituições eclesiásticas, a língua latina continua a ser adotada na notação científica dos seres vivos, além de ter uso esporádico no ambiente forense.
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2. ALFABETO LATINO: COMPOSIÇÃO E PRONÚNCIA DAS LETRAS O alfabeto latino primitivo era composto de 21 letras, ou seja, o mesmo alfabeto do português atual, excluindo-se o J, o V e o Z, mas incluindo-se o K. As letras I e U tinham valores ora de consoante, ora de vogal, conforme o contexto fônico do vocábulo. Por exemplo, o I e o U tinham valor de consoante quando vinham precedendo uma vogal, em qualquer posição na palavra. Nos demais casos, tinham valor de vogal. Daí encontrarem- se expressões do tipo: SVB VMBRA ALARVM TVARVM ou invés de SUB UMBRA ALARUM TUARUM. (Sob a sombra de tuas asas). O sinal K foi logo no início aceito, por influência do grego. Também por essa mesma influência, a fim de facilitar as transcrições literárias, foram incorporados os sinais Y e Z. Mais tarde, lá pelo século XVI, foram incorporados à escrita latina também os sinais J e
V, certamente por influência das próprias linguas neolatinas, então já existentes. Este assunto, no entanto, não é ponto pacífico entre os gramáticos. Outra que é motivo de controvérsias é a pronúncia do latim. A mais difundida, na época do ensino do latim no Brasil (até a década de 60), era a pronúncia eclesiástica, com forte acento italiano, por influência dos padres da Igreja Católica. Os estudiosos da gramática comparativa, na área de linguística, tentaram construir uma pronúncia do latim mais original, sendo esta chamada de pronúncia restaurada. Há ainda a pronúncia aportuguesada, que também era utilizada no Brasil na época do ensino do latim nas escolas. Essas informações têm aqui apenas caráter ilustrativo, já que não iremos praticar a pronúncia. Para efeitos práticos, sugiro que se adotem os mesmos valores fonéticos das letras na pronúncia portuguesa, observando-se as seguintes particularidades: a) as vogais mantêm sempre seu som original, em qualquer posição que ocupem no vocábulo, evitando-se pronunciar o “o” como “u” e o “e” como “i” no final das palavras; b) os ditongos “ae” (æ) e “oe” pronunciam-se como “e”; c) a sílaba “ti”, quando não for tônica nem precedida por “s”, será pronunciada como “ci”; d) a letra “x” tem sempre o som de “ks”, como na palavra “fixo”; e) o grupo “ch” tem sempre o som de “k”; f) os conjuntos “qu” e “gu” pronunciam-se sempre como se houvesse um trema no “u”; g) o grupo “ph” tem o som de “f”. Não se usavam acentos gráficos em latim, porém em alguns livros se usavam os mesmos acentos do português, a fim de facilitar a leitura. Como regra geral, atente-se para o fato de que não existem palavras oxítonas em latim, a não ser aquelas de uma sílaba só. Havendo dúvida, deve-se consultar um dicionário. Convém observar que há divergências entre os gramáticos quanto a algumas das informações acima expostas. Vocês poderão encontrar pequenas variações, dependendo do autor da gramática que pesquisarem. Isso é bastante compreensível, uma vez que não se sabe exatamente como era pronunciado o latim, porque a pronúncia original não foi conservada, mas sofreu influências ao longo dos séculos. 0 0 0 1 LIÇÃO VIRTUAL N. 3
3. EXPLICAÇÕES GERAIS SOBRE A ESTRUTURA DA LÍNGUA LATINA (DECLINAÇÕES, DESINÊNCIAS E CASOS) DECLINAÇÃO - O latim é uma língua decclinável. Isto significa que é fundamentada na sintaxe e por isso a terminação das palavras muda de acordo com a sua função dentro da frase. Da mesma como os verbos assumem uma forma diferente para cada pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles), os substantivos, adjetivos, numerais, bem como os particípios dos verbos em latim também alteram a terminação de acordo com o contexto. A isto se chama ‘declinação’. DESINÊNCIA - Chama-se ‘desinência’ à parte final da palavra que se altera de acordo com a sua função sintática; chama-se ‘radical’ à parte fixa da palavra. Assim, todas as palavras têm um radical e uma desinência. Isto vale para verbos, substantivos, adjetivos. Note apenas que os verbos se conjugam, enquanto as outras palavras se declinam. CASOS - No latim, há cinco declina&cceddil;ões, dentro das quais se enquadram todas as palavras. Cada declinação tem seis casos, assim identificados, tomando como exemplo a palavra ‘Maria’:
LIÇÃO VIRTUAL N. 5
5. PARTICULARIDADES DA PRIMEIRA DECLINAÇÃO Inicialmente, convém lembrar que os gêneros das palavras em latim nem sempre correspondem ao que elas são em português. Na primeira declinação, com terminação ‘a’ no nominativo e ‘æ’ no genitivo, a maioria das palavras é do gênero feminino. Porém, há também as do gênero masculino em latim terminadas em ‘a’, como por ex: ‘Incola’ (pron: íncola) = habitante; ‘nauta’ = marinheiro; ‘athleta’ = atleta; ‘agricola’ (pron: agrícola); ‘pöeta’ = poeta (note-se que esta palavra tem um trema no ‘o’, para evitar que seja pronunciado ‘e’, assim como em ‘coelum’, que se pronuncia ‘célum’). Há ainda aquelas palavras que só existem na forma plural, não têm singular, como por ex: ‘Nuptiæ’ (pron: núpcie) = núpcias; ‘divitiæ’ (pron: divície) = riquezas; ‘Athenae’ (pron: aténe) = Atenas (a cidade grega). Há também algumas palavras que têm um sentido no singular e outro diferente no plural. Por ex: ‘copia’ (pron: cópia) = no singular, abundância; já ‘copiæ’ (pron: cópie) = no plural, tropas, exército; ‘littera’ (pron: lítera) = no singular, letra; ‘litteræ’ (pron: lítere) = no plural, carta, correspondência; Há mais dois casos excepcionais em que não se faz o genitivo em ‘æ’, como é a regra. São duas expressões do latim arcaico, que se conservaram pela tradição. São elas: ‘paterfamilias’ e ‘materfamilias’, respectivamente, pai de família e mãe de família, que são consideradas corretas ao lado de ‘pater familiæ’ e ‘mater familiæ’, as formas que seguem a regra gramatical. É curioso notar que não há palavras do gênero neutro na primeira declinação. Só há palavras masculinas ou femininas. É oportuno observar ainda que a língua latina é muito pródiga em exceções. Evitarei descer a muitos detalhes, destacando apenas algumas formas excepcionais mais usadas. 0 0 0 1 **LIÇÃO VIRTUAL N. 6
Exemplos:
‘puer’ (pronúncia: púer), ‘pueri’ (gen., pron: púeri) = menino; ‘piger’ (pron: píger) ‘pigri’ (gen.pron:pígri). = preguiçoso; ‘bonus’ (pron. bónus), ‘boni’ (gen.pron:bóni) = bom; ‘verbum’ (paroxítona), ‘verbi’ (gen.pron:vérbi) = palavra. Observa-se que há uma maior diversidade de formas do caso nominativo, porém, a desinência no genitivo é sempre em ‘i’. Note que as palavras com nominativo em ‘er’, fazem o genitivo apenas acrescentando o ‘i’, no entanto, outras trocam o ‘er’ por ‘ri’. Estes detalhes sempre aparecem nos dicionários e são facilmente perceptíveis na hora da consulta. Casos da segunda declinação: Singular Nom:puerager bonus verbumGen: pueri agri boni verbiDat: puero agro bono verboAcus:puerum agrum bonum verbumVoc: puer ager bone verbumAbl: puero agro bono verboPlural: Nom: pueri agri boni verbaGen: puerorum agrorum bonorum verborumDat: pueris agris bonis verbisAcus: pueros agros bonos verbaVoc: pueri agri boni verbaAbl: pueris agris bonis verbisEm geral, as palavras terminadas no nominativo em ‘er’ e ‘us’ são masculinas, enquanto as terminadas em ‘um’ são do gênero neutro. Observe que as palavras neutras, fazem o nominativo plural em ‘a’, enquanto as demais o fazem em ‘i’. Exemplos:
Iter, itineris = caminho; Custos, custodis = guardião; Nepos, nepotis = neto, sobrinho ou descendente familiar; Mos, moris = costume; Miles, militis = soldado; Pes, pedis = pé; Sermo, sermonis = sermão, discurso; Fortitudo, fortitudinis = fortaleza; Ratio, rationis = razão; Civitas, civitatis = cidade; Laus, laudis = louvor; Judex, judicis = juiz; Urbs, urbis = cidade; Grex, gregis = rebanho Nomen, nominis = nome; Caput, capitis = cabeça; Flumen, fluminis = rio; Virtus, virtutis = virtude; Bos, bovis = boi; Pecus, pecoris = rebanho; Avis, avis = ave; Canis, canis = cachorro; Nobilis, nobilis = nobre; Sapiens, sapientis = sábio; Felix, felicis = feliz; Corpus, corporis = corpo. Estes exemplos bem demonstram a variedade de que se compõe a terceira declinação. Sugiro, como exercício de fixação das desinências, que se tomem estas palavras ou algumas delas e as declinem em todos os casos, no singular e no plural, seguindo os exemplos apresentados. LIÇÃO VIRTUAL N. 8
8. PARTICULARIDADES DA TERCEIRA DECLINAÇÃO A terceira declinação é a que apresenta maior complexidade, maior quantidade e variedade de palavras e também a que comporta mais exceções. Procuro evitar ao máximo estas referências a exceções, porém, termina sendo inevitável falar sobre elas. Vejamos, pois, algumas informações. Primeiro, há uma distinção entre as dois grupos de palavras da terceira declinação: Parassilábicas - aquelas que têm o mesmo núe;mero de sílabas no nominativo e no genitivo. Ex: panis, is (pão), civis, is (cidadão), navis, is (navio), ignis, is (fogo), sedes, is (sé ou sede, no sentido de local); Imparassilábicas - aquelas que têm número dee sílabas no genitivo maior que no
nominativo. Ex: labor, laboris (trabalho), gutur, guturis (obs: sílaba tônica em 'gu' nas duas, =garganta), opus, operis (obra), fraus, fraudis (dano). Por que esta distinção? Pelo seguinte: as parassilábicas fazem o genitivo plural em 'ium', enquanto as imparassilábicas fazem o genitivo plural em 'um', conforme explicado no capitulo anterior. Por ex: 'civis' fica 'civium', 'navis' fica 'navium'; porém 'gutur' fica 'guturum', 'opus' fica 'operum'.
Mas até nesta particularidade há exceções. Por ex: 'lis, litis' (processo), embora seja imparassilábico, faz o genitivo plural em 'ium' (litium). E há também o oposto, ou seja, parassilábicas que fazem o genitivo plural em 'um', por ex: 'canis' fica 'canum', 'pater' fica 'patrum'. Há ainda algumas palavras que admitem as duas possibilidades. Por ex: 'apis' (abelha) pode ficar no genitivo plural 'apium' ou 'apum', 'mensis' (mês) pode ficar 'mensium' ou 'mensum', 'vates' (adivinhador) pode ficar 'vatium' ou 'vatum'. Não há, pois, uma regra monolítica. Faço esta observação não para confundir os iniciantes, mas apenas para que ninguém se espante ao se deparar num texto com esta forma do genitivo plural de algumas palavras. Há ainda aquelas palavras que fazem o acusativo singular em 'im' e o ablativo singular em 'i', ao invés de acusativo 'em' e ablativo 'e', que é a regra. Por ex: 'sitis' (sede, necessidade de água) fica 'sitim' no acusativo e 'siti' no ablativo singular; 'tussis' (tosse), fica 'tussim' e 'tussi', respectivamente; 'febris' (febre) fica 'febrim' e 'febri'. São apenas alguns exemplos. Para tranquilizar alguns mais apressados, aviso que o uso de uma gramática e de um dicionário é sempre necessário para se estudar latim. Não há como memorizar tantas excepcionalidades. Também há aquelas palavras empregadas apenas no plural, embora em português o seu uso seja admitido no singular. Ex: maiores, um = antepassados; cervices, um = nuca; parentes, um = pais; verbera, um = açoites; moenia, um = muralhas. 0 0 0 1 LIÇÃO VIRTUAL N. 9
9. QUARTA E QUINTA DECLINAÇÕES Tomarei a um só tempo a quarta e a quinta declinações por terem regras mais uniformes e por possuirem um menor número de vocábulos. Na quarta declinação estão as palavras terminadas em ‘us’, que fazem o genitivo singular também em ‘us’. Apenas para esclarecer, há palavras terminadas em ‘us’, que fazem o genitivo em ‘i’; estas pertencem à segunda declinação. Para saber se a palavra terminada em ‘us’ fará o genitivo em ‘us’ (4a.) ou em ‘i’ (2a.), temos que recorrer a um dicionário. Não há regra para isto. Casos da quarta declinação: (tomaremos uma palavra feminina – manus e uma palavra neutra – cornu) Singular: Nom: manus (pron: mánus = mão) cornu (pron: córnu = chifre)Gen: manus cornusDat: manui cornuiAcus: manum cornuVoc: manus cornuAbl: manu cornu Plural: Nom: manus cornua (pron: córnua)Gen: manuum cornuumDat: manibus cornibusAcus:manus cornuaVoc: manus cornuaAbl: manibus cornibusTemos, portanto, dois grupos de exemplos. O primeiro se aplica às palavras masculinas e femininas; o segundo se aplica às do gênero neutro. Exemplos: fructus, (masculino, fruto), exercitus (m., exército), senatus (m, senado), arcus (m., arco), specus (m, caverna), portus (m., porto), magistratus (m., magistrado), acus (f., agulha), domus (f., casa), genu (neutro, joelho). A quinta declinação reúne as palavras terminadas em ‘es’, que fazem o genitivo singular em ‘ei’. Quase todas são femininas, devendo ser feita uma ressalva à palavra ‘dies’ (dia), que é feminina, quando se trata de um dia determinado, uma data, mas é masculino, quando se trata de um dia indeterminado. Casos da quinta declinação: CasosSingular Plural:Nom:dies (pron: díes)diesGen: diei (pron: diêi)dierum (pron: diérum)Dat: diei diebus (pron: diébus)Acus: diem (pron: díem)diesVoc: diesdiesAbl:
Tal como em todos os idiomas, no latim há também casos específicos para o uso de certas
palavras, formando expressões que nem sempre são encontradas nos dicionários. Vejamos alguns exemplos. SUBSTANTIVOS COMPOSTOS Quando são compostos de dois substantivos ambos no nominativo, os dois se declinam, conforme o caso. Por exemplo, a palavra 'respublica' (res+publica), declina-se 'reipublicae', 'rempublicam', ... Quando, na composição, um deles está no genitivo, declina-se só o que está no nominativo. Por exemplo: iurisconsultus (iuris+consultus, sendo iuris=genitivo e consultus=nominativo), declina-se iurisconsulti, iurisconsultum, iurisconsultu.... Assim também agricultura (agri+cultura), legislator (legis+lator = portador da lei). SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS INDECLINÁVEIS fas (lícito) – nefas (ilícito) nihil (nada) instar (semelhança) mane (manhã) nequam (mau, inútil) tot (tantos), quot (quantos), aliquot (alguns) numerais de 4 até 200 EXPRESSÕES RELACIONADAS COM PERÍODOS DO DIA Mane erat – Era de manhã. Summo mane (ou Primo mane) – De manhã bem cedo. Hodie mane (ou hodieno mane) – Hoje de manhã. Cras mane (ou crastino mane) – Amanhã de manhã. Hesterno mane – Ontem de manhã. Postero mane – Na manhã seguinte. A mane ad vesperum – De manhã à tarde. Vesperi – De tarde. Heri vesperi – Ontem de tarde. SUBSTANTIVOS DEFECTIVOS São aqueles que não existem em todos os casos, mas só em situações especiais. Exemplos: 'Preces' só se declina no plural; no singular, só tem o ablativo 'prece'. 'Verbera' só se declina no plural; no singular, só tem o ablativo 'verbere' (açoite). Sponte sua (por sua livre vontade) só existe no ablativo singular. Assim também 'sponte mea', 'sponte nostra', 'sponte vestra'. Rogatu meo (a meu pedido), Invitatu tuo (a teu convite), Iussu meo (por minha ordem), Iniusso suo (sem ordem dele) usa-se só no ablativo singular. Rogatu patris (a pedido do pai), Invitatu amici (a convite do amigo), Iussu regis (por ordem do rei), Rogatu populi (a pedido do povo) usa-se o ablativo singular associado a um genitivo. Noctu – de noite, Diu – de dia têm somente estas formas. EXPRESSÕES DE DATA E HORA Para expressar datas e horas, usam-se os numerais ordinais. Exemplos: Quot hora est? (Que horas são?) Nona hora est. (São nove horas.) Quot hora? (A que horas?)
Hora quarta (ou) Hora sexta (Às quatro horas – às seis horas) Anno millesimo nongentesimo nonagesimo nono (em 1999). Anno bis millesimo (no ano 2000) Anno bis millesimo primo (no ano 2001) Anno bis millesimo secundo) no ano 2002) Quinto quoque anno (de cinco em cinco anos) – Usa-se a palavra 'quoque' = também pare exprimir regularidade. Decimo quoque mense (de dez em dez meses) Septimo quoque die (de sete em sete dias). 0 0 0 1 LIÇÃO VIRTUAL N. 12 12. CONSIDERAÇÕES SOBRE OS VERBOS EM LATIM
**- parte I
supino = laboratum
infinitivo = laborare. Trata-se de um verbo regular da primeira conjugação. Aliás, os verbos da primeira conjugação, na sua grande maioria, são de conjugação regular. Outro exemplo: Compare o verbo ‘respondere’ (responder), que fica assim: respondeo, es, respondi, responsum, respondere com o verbo ‘eligere’ (eleger, escolher) está assim: eligo, is, elegi, electum, eligere. Observa-se que: a) são verbos irregulares, porque alteram os radicais (respond- e elig-) nos tempos primitivos; b) o verbo ‘respondere’ é da segunda conjugação pois tem a segunda pessoa do presente do indicativo em ‘es’; c) o verbo ‘eligere’ é da terceira conjugação, pois faz a segunda pessoa em ‘is’; d) assim sendo, o verbo ‘respondére’ é paroxítono e o verbo ‘elígere’ é proparoxítono (terminação verbal tônica na 2.ª conjugação e átona na 3.ª); e) a maioria dos verbos de conjugação irregular encontra-se na 2.ª e na 3.ª conjugações.
2. Derivação a partir dos tempos primitivos Os demais tempos verbais derivam dos tempos primitivos, do seguinte modo: a) do radical do presente do indicativo derivam: o imperfeito, o futuro do presente e o gerúndio; b) do radical do pretérito perfeito derivam: os mais que perfeitos do indicativo e do subjuntivo; c) do radical do supino derivam: todos os tempos compostos passivos. d) O radical do infinitivo identifica a qual conjugação o verbo pertence. Exemplos: Tomemos o verbo ‘eligere’: Presente do indicativo: eligo, eligis, eligit, eligimus, eligitis, eligunt; derivações – imperfeito indicativo (eligebam, eligebas, eligebat, eligebamus, eligebatis, eligebant); imperfeito subjuntivo (eligam, eligas, eligat, eligamus, eligatis, eligant); futuro do presente (eligam, eligas, eligat, eligamus, eligatis, eligant). Pretérito perfeito indicativo: elegi, elegisti, elegit, elegimus, elegitis, elegerunt; derivações – mais que perfeito indicativo (elegeram, elegeras, elegerat, elegeramus, elegeratis, elegerant); mais que perfeito subjuntivo (elegissem, elegisses, elegisset, elegissemus, elegissetis, elegissent). Supino: electum; derivações : electus sum (eu fui eleito), electus eram (eu fora eleito); electus sim (eu tenha sido eleito). OBS: Nos tempos compostos, conjuga-se com o auxílio do verbo ‘esse’ (ser). Este paradigma é apenas para ilustrar o que disse acima. O desenvolvimento deste assunto passa a ser muito complexo para os limites a que nos propomos nestas simplificadas anotações. A sua visualização numa tabela é bem mais intuitiva. Isto pode ser visto na minha página eletrônica: www.geocities.com/Athens/Agora/1417. LIÇÃO VIRTUAL N. 14
No modo indicativo, os verbos exprimem a ação ou o estado do sujeito de forma direta. No modo subjuntivo, os verbos designam esta ação ou estado de forma indireta. Dessarte, o presente do subjuntivo pode expressar um desejo ou exprimir uma exortação; o imperfeito do subjuntivo assinala uma condição. O subjuntivo dos verbos, em português e em latim, é regido geralmente por uma preposição. Por exemplo: UT – que, para que, a fim de que; pode também vir acompanhado de uma interjeição, por exemplo, UTINAM – oxalá, quando se trata de expressões positivas. Usa-se NE (que não, para que não) quando se trata de uma expressão negativa. Observemos o exemplo do verbo ESSE (SER, ESTAR). No modo subjuntivo, temos: PRESENTEIMPERFEITO Sim (seja)Essem (estivesse)Sis (sejas)Esses (estivesses)Sit (seja)Esset (estivesse)Simus (sejamos)Essemus (estivessemos)Sitis (sejais)Essetis (estivésseis)Sint (sejam)Essent (estivessem) a) O SUBJUNTIVO ENQUANTO DESEJO, OU SUBJUNTIVO OPTATIVO Exemplos: Ut felix sim. - Para que eu seja feliz. Ut felices simus. - Para que sejamos felizes. Utinam felix sis. - Oxalá, sejas feliz. Ne ægrotus sim. - Que eu não fique doente. Ignavi ne simus. - Para que não sejamos covardes. b) O SUBJUNTIVO ENQUANTO EXORTAÇÃO Exemplos: Amici, læti simus. - Amigos, sejamos alegres. Milites, ignavi ne sitis. - Soldados, não sejais covardes. Discipuli, ne piger, sed seduli sitis. - Alunos, não sejais preguiçosos, mas diligentes. c) O SUBJUNTIVO ENQUANTO CONDIÇÃO OBS: No latim, o futuro condicional ou futuro do pretérito se confunde com o imperfeito do subjuntivo, portanto, 'essem' significa tanto 'eu estivesse' como 'eu estaria', 'eu fosse' ou 'eu seria'. Exemplos: Contentus essem si Maria sana esset. - Seria (ficaria) contente se Maria estivesse sã. Magistri contenti essent se discipuli seduli essent. - Os mestres seriam (ficariam) felizes se os alunos fossem aplicados. Si semper diligenti essetis, patres vestri læti essent. - Se vós sempre fosseis diligentes, vossos pais ficariam alegres. Puer orat ut pater ejus mox sanus sit. - O menino ora para que o pai dele em breve esteja são. d) O MODO SUBJUNTIVO NAS QUATRO CONJUGAÇÕES 1a. CONJUGAÇÃO - 'ARE' PRESENTEIMPERFEITO / CONDICIONAL Amem (eu ame)Amarem (eu amasse ou amaria)Ames (tu ames)Amares (tu amasses ou amarias)Amet (ele/ela ame)Amaret (ele/ ela amasse ou amaria)Amemus (nós amemos)Amaremus (nós amássemos ou amaríamos)Ametis (vós ameis)Amaretis (vós amásseis ou amaríeis)Ament (eles/elas amem)Amarent (eles/elas amassem ou amariam) 2a. CONJUGAÇÃO – 'ERE' (longo) PRESENTEIMPERFEITO / CONDICIONAL Moneam (eu avise)Monerem (eu avisasse ou avisaria)Moneas (tu avises)Moneres (tu avisasses ou avisarias)Moneat
1 - Os particípios presentes dos veerbos em latim terminam sempre em ‘ns’ e são conjugados como adjetivos de segunda classe, seguindo a terceira declinação. Exemplos: Docens, docentis – docente, aquele que ensina; Discens, discentis – discente, aquele que aprende; Laborans, laborantis – aquele que trabalha, o trabalhador; Dicens, dicentis – dizente, aquele que diz; Dormiens, dormientis – aquele que dorme. 2 – Quase sempre, os adjetivos desta classe são empregados também como substantivos. 3 – Ao adjetivo empregado na forma neutra plural, desacompanhado de substantivo, na tradução para o português, faz-se necessário acrescentar a palavra ‘coisa’, que em latim fica subentendida. Exemplos: Omnia viventia – todas (as coisas) vivas (seres vivos); Bona iuvant. – (as coisas) boas agradam; Mirabilia laudo semper. – Louvo sempre (as coisas) admiráveis. 0 0 0 1 LIÇÃO VIRTUAL N. 16
16. GRAUS DOS ADJETIVOS NA LÍNGUA LATINA Os adjetivos em latim admitem três graus: o normal, o comparativo e o superlativo, da mesma forma como se usa na língua portuguesa. A diferença está no seguinte fato: em português, ao mudar de grau, o adjetivo em geral não muda de forma, recebendo apenas algumas palavras complementares. Exemplos dos graus dos adjetivos: Grau normal: O filósofo é sábio. Grau comparativo: O filósofo é mais sábio do que o agricultor. Grau superlativo: O filósofo é o mais sábio de todos os homens. Conforme se observa, o adjetivo ‘sábio’ não sofreu nenhuma alteração mórfica, recebendo o acréscimo do advérbio ‘mais’ para indicar a mudança de grau. Em latim, porém, o próprio adjetivo sofrerá modificações. FORMAÇÃO DO GRAU COMPARATIVO EM LATIM A passagem dos adjetivos para o grau comparativo em latim se faz com o acréscimo do sufixo ‘IOR’ para o marculino e feminino, e ‘IUS” para o neutro. O procedimento para adicionar este sufixo é o mesmo adotado para mudança das desinências nas declinações dos diversos casos, conforme já foi explicado anteriormente, ou seja, encontra-se o radical da palavra no genitivo singular e acrescenta-se a terminação ‘ior’ ou ‘ius’, de acordo com o caso. Exemplos: O adjetivo ‘pulcher, pulchra, pulchrum’ (belo, bela) segue a segunda declinação (pulcher, pulchri). No caso do grau comparativo (mais belo, mais bela), torna-se ‘pulchrior’ (masculino e feminino) e ‘pulchrius’ (neutro). O adjetivo ‘jucundus, a, um’ (alegre) segue a segunda declinação (jucundus, jucundi). Para formar o grau comparativo (mais alegre) transforma-se em ‘jucundior’. O adjetivo ‘sapiens’ (sábio, sábia) segue a terceira declinação (sapiens, sapientis). Na formação do grau comparativo fica ‘sapientior’ (mais sábio). FORMAÇÃO DO GRAU SUPERLATIVO EM LATIM
Os adjetivos são lançados no grau superlativo com o acréscimo da terminação ‘issimus,
issima, issimum’, para o masculino, feminino e neutro, respectivamente. Em português, admitem-se duas modalidades do grau superlativo: o sintético (felicíssimo) e analítico (o mais feliz); porém, em latim, os adjetivos no grau superlativo têm sempre a forma sintética. Exemplos: Gravis – gravissimus, gravissima, gravissimum (masculino, feminino e neutro). Jucundus – jucundissimus, jucundissima, jucundissimum. Sapiens – sapientissimus, sapientissima, sapientissimum. Outros exemplos de graus comparativo e superlativo: Velox, velocis (veloz) – velocior (comparativo) – velocissimus (superlativo). Celeber, celebris (célebre, famoso) – celebrior (comparativo) – celebrissimus (superlativo). Nobilis, nobilis (nobre) – nobilior (comparativo) – nobilissimus (superlativo). Felix, felicis (feliz) – felicior (comparativo) – felicissimus (superlativo) Sanctus, sancti (santo) – sanctior (comparativo) – sanctissimus (superlativo). CASOS ESPECIAIS 1 - Os adjetivos terminados em ‘er? no masculino, adotam a terminação ‘errimus’ em vez de ‘issimus’ no superlativo. Exemplos: Pulcher – pulchrior (comparativo) – pulcherrimus (superlativo). Niger – nigrior (comparativo) – nigerrimus (superlativo).
da águia – complemento restritivo, vai para o caso genitivo (aquilae) A título de fixação, proponho os seguintes exercícios inspirados nos exemplos acima: Faça a tradução e a análise sintática das frases seguintes: Habeo mensam et cathedram. Rosa pulchra est. Puella habet rosam pulchram. Video puellam et rosam. Avia puellae cantat. Puella dat rosam aviae. Historia magistra vitæ est. Glossário auxiliar: Substantivos – mensa (mesa), cathedra (cadeira), pulchra (bela), puella (garota), avia (avó), magistra (mestra); Verbos – est (é), habet (tem), cantat (canta), dat (dá). BIBLIOGRAFIA: BERGE, Damião et alii, Ars Latina – Curso Prático da Língua Latina, Editora Vozes,
GARCIA, Janete M., Introdução à Teoria e Prática do Latim, Editora UnB, 1993. ZENONI, G., Gramática Latina, Editorial Missões (Porto), 1954. Fortaleza, 24.03. 0 0 0 10 0 0 10 0 0 1