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material sobre primeiros socorros
Tipologia: Notas de estudo
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Módulo I
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Unidade 1 – Abordagem Inicial
Antes de iniciarmos a abordagem prática com procedimentos de atendimento, consideramos importante conhecer os principais conceitos sobre primeiros socorros.
Assim, nesta unidade você vai aprender sobre o conceito de primeiros socorros, sua importância para a sociedade, a responsabilidade em caso de omissão de socorro e a grande importância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Resgate do Corpo de Bombeiros.
Bom estudo!
Primeiros socorros podem ser definidos como as ações que cada cidadão, dentro de suas próprias limitações, pode realizar em benefício do próximo que esteja passando por um momento de risco, para resguardar a sua integridade física.
Trata-se de um conjunto de procedimentos de emergência, simples e provisório, destinado a vitimas de acidente ou mal súbito, com o objetivo de transmitir conforto físico e psicológico, evitando o agravamento de seu estado físico e mantendo os seus sinais vitais de forma a oferecer uma oportunidade de sobrevida até a chegada do socorro médico especializado.
Neste conceito, podemos trabalhar com as seguintes definições:
Acidentes – São situações que podem ocorrer no dia a dia como acidentes de automóveis, atropelamentos, tumultos, incêndios, afogamentos, asfixia causada por engasgo, entre outras.
Mal Súbito – São situações geradas pelo próprio corpo da vítima como convulsões, ataques cardíacos, ataques epiléticos, entre outras.
Vale relembrar, sendo esta a primeira lição e talvez a mais importante, que este primeiro atendimento a vítima de acidentes ou mal súbito, não exclui de forma alguma, a presença de um médico. É fundamental que você acione imediatamente o atendimento especializado, informando com objetividade, o estado da vítima e o local da ocorrência.
Para prestar um socorro com qualidade, de forma correta e eficaz, sem colocar a vida da vítima em risco, é preciso conhecer as técnicas adequadas. O sistema de emergência não pode depender apenas das equipes de socorro e ambulâncias, uma vez que as dificuldades com trânsito e, em muitos casos, acesso ao local em que se encontra o acidentado, pode representar a perda de uma vida.
Neste sentido, a sociedade passa a ter papel fundamental no processo de resgate e manutenção da vida do acidentado, até a chegada das equipes de emergência. Sem dúvida, é nítido um avanço na compreensão da importância dos primeiros socorros, uma vez que a população não age como há muitos anos atrás quando diante de um acidente, colocavam a vítima dentro de um carro, sem saber como proceder para evitar que sofresse danos piores e a levavam ao primeiro hospital que estivesse no caminho.
Hoje, a população entende que, antes de tomar qualquer atitude, é preciso acionar o atendimento de emergência. Porém, técnicas simples que, se compreendidas pela população e aplicadas da forma correta, podem garantir um menor risco de lesões e um melhor conforto à vítima até a chegada dos profissionais.
podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime mais grave.
Parágrafo único. Incide nas penas previstas neste artigo o condutor do veículo, ainda que a sua omissão seja suprida por terceiros ou que se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves.
Estes dois artigos evidenciam a intenção do legislador em proteger a vida e a integridade física das pessoas que estejam desamparadas e/ou correndo grave risco de morte, uma vez que estatísticas apontam que a omissão de socorro e a falta de atendimento de primeiros socorros são as principais causas de morte e danos irreversíveis nas vítimas de acidentes.
Por outro lado, não podemos passar uma falsa ideia de que a prestação de socorro deve ser realizada a qualquer custo. Em casos como acidentes graves de trânsito, por exemplo, o melhor a fazer é apenas avaliar a vítima à distância e chamar o resgate, uma vez que qualquer movimento no corpo da vítima, pode agravar uma possível lesão na coluna cervical, por exemplo.
O Corpo de Bombeiros foi inicialmente constituído com o objetivo primordial de combater incêndios. Porém, suas funções, assim como sua importância, foram sendo ampliadas a ponto de atender a todos os segmentos de proteção à vida.
Desta forma, diante da crescente demanda por atendimentos de emergência e buscando aprimorar seu atendimento pré-hospitalar, surgiu o Projeto Resgate.
Na década de 80, o Corpo de Bombeiros já possuía a atribuição de resgatar vítimas de acidentes que se encontravam presas em ferragens ou com acesso limitado. Nestes tipos de salvamentos, os profissionais notaram uma grande dificuldade em realizar os atendimentos, uma vez que seu deslocamento era lento e, em muitos casos, era prejudicado pela ausência de um médico no local do acidente que pudesse orientá- los no momento do atendimento.
Assim, diante dessa visível necessidade de aprimoramento, abriu-se a possibilidade para um intercâmbio de conhecimentos e práticas em Técnicas de Emergências Médicas entre Brasil e EUA, realizado em Chicago (EUA).
Este é o início do PROJETO RESGATE, reformulando conceitos e técnicas de atendimento em primeiros socorros, aprimorando e estruturando serviços com novas viaturas, equipamentos e pessoal capacitado para atendimento e transporte de vítimas de acidentes.
Os trabalhos tiveram início em 1990 na grande São Paulo e em algumas cidades do interior, se expandindo rapidamente para todo o Brasil.
No dia a dia, este sistema adota as seguintes rotinas e procedimentos:
Todos os chamados realizados através do 193 são recebidos pelo Centro de Comunicações do Corpo de Bombeiros (COBOM). Aqui destacamos a importância da seriedade ao contatar o Corpo de Bombeiros. Em casos de trotes, a viatura só irá descobrir a brincadeira, quando estiver no local e nesse meio tempo, alguma pessoa realmente acidentada, poderá estar perdendo preciosos minutos de atendimento;
Nos casos de traumas, a Unidade de Resgate é enviada de imediato;
PAPEL DO SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)
O SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) é um serviço de atendimento à saúde, criado em 2003 pelo Governo Federal em parceria com os governos estaduais e municipais, inspirado em um modelo francês de atendimento pré-hospitalar.
O objetivo principal do projeto é realizar atendimentos de urgência e emergência em qualquer lugar que se faça necessário, como residências, locais de trabalho ou vias públicas. Entenda-se por urgência e emergência o que segue:
Emergência : Quando há uma situação crítica ou algo iminente, que possa causar risco imediato de vida ou lesão irreparável, ou seja, na área médica é a circunstância que exige uma cirurgia ou intervenção médica de imediato (hemorragias, parada respiratória e cardíaca);
Urgência : Neste caso, trata-se de uma situação que, apesar de não poder ser adiada, não envolve risco de vida imediato para o acidentado. No âmbito da medicina, as ocorrências de caráter urgente necessitam de tratamento médico e, em algumas vezes, de cirurgia; contudo, é menos imediatista (fraturas, luxações).
Segundo informações do próprio governo, após a criação do SAMU, houve uma redução considerável no número de mortes ou sequelas graves causadas pela falta de atendimento imediato. Isso demonstra que a velocidade e a qualidade no atendimento, fazem toda a diferença quando se trata de salvar vidas.
Como objetivos secundários do SAMU, podemos considerar:
Assegurar a escuta médica permanente para as urgências, através da Central de Regulação Médica das Urgências, utilizando número exclusivo e gratuito;
Realizar a coordenação, a regulação e a supervisão médica, direta ou à distância, de todos os atendimentos pré-hospitalares;
Realizar o atendimento médico pré-hospitalar de urgência, tanto em casos de traumas como em situações clínicas, prestando os cuidados médicos de urgência apropriados ao estado de saúde do cidadão e, quando se fizer necessário, transportá-lo com segurança e com o acompanhamento de profissionais do sistema até o ambulatório ou hospital;
Promover a união dos meios médicos próprios do SAMU aos dos serviços de salvamento e resgate do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária, da Defesa Civil ou das Forças Armadas quando se fizer necessário;
Regular e organizar as transferências inter-hospitalares de pacientes graves internados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no âmbito macrorregional e estadual, ativando equipes apropriadas para as transferências de pacientes;
Participar dos planos de organização de socorros em caso de desastres ou eventos com múltiplas vítimas, tipo acidente aéreo, ferroviário, inundações, terremotos, explosões, intoxicações coletivas, acidentes químicos ou de radiações ionizantes, e demais situações de catástrofes;
Manter, diariamente, informação atualizada dos recursos disponíveis para o atendimento às urgências;
Realizar relatórios mensais e anuais sobre os atendimentos de urgência, transferências inter-hospitalares de pacientes graves e recursos disponíveis na rede de saúde para o atendimento às urgências;
Helicóptero de Suporte Avançado de Vida PRF-SAMU
O Helicóptero de Suporte Avançado de Vida PRF-SAMU, viabilizado através de um convênio entre a Polícia Rodoviária Federal e o SAMU possui, além de material de consumo, no mínimo: um aspirador cirúrgico, um respirador a volume, um monitor multiparâmetros, um oxímetro digital e bomba de infusão para seringas, além de todo o material para imobilização e medicamentos de cuidados intensivos.
Unidade Rápida de atendimento com motocicleta (Uram)
A ideia é agilizar ainda mais o tempo gasto no percurso entre a base e o local do acidente. Segundo o SAMU, em comparação com uma ambulância, a moto chega ao acidente três ou quatro vezes mais rápido. As motos comportarão um motociclista treinado em primeiros socorros, uma enfermeira, equipamentos para o atendimento, como desfibrilador e aparelho de eletrocardiograma e medicamentos.
Diferença entre o Resgate e o SAMU
A maioria da população não sabe distinguir o papel do Resgate do Corpo de Bombeiros e do SAMU, geralmente, ligando para ambos quando ocorre a necessidade de um atendimento.
Isto acaba causando um desperdício de tempo, uma vez que sempre chega ao local, duas viaturas diferentes. Para facilitar o entendimento e minimizar o custo com envio de outra unidade, destacamos as diferenças entre as duas:
O Resgate do Corpo de Bombeiros responde pelo telefone 193 e deve ser acionado sempre que houver atendimentos com traumas como acidentes de trânsito com vítimas presas em ferragens, afogamentos, vazamento de produtos perigosos, choque elétrico, entre outras. Diferente do SAMU, os paramédicos do Resgate não podem aplicar qualquer tipo de medicamento no paciente. É um trabalho de resgate, estabilização, reanimação e primeiros socorros.
Já o SAMU, atende pelo telefone 192 e deve ser acionado sempre que houver a necessidade de atendimentos clínicos como infarto, derrame, pressão alta, trabalho de parto, transferências de pacientes em estado grave, entre outros. As ambulâncias do SAMU dispõem de médicos prontos para medicar ou até para cirurgias de emergência.
Solicite ou, caso esteja acompanhado de outras pessoas, peça que alguém solicite o socorro especializado, comunicando a provável causa do acidente, o número de vítimas, a gravidade das mesmas e demais informações que forem solicitadas.
Sinalização no Local do Acidente – Sinalizar o local do acidente ajuda a evitar que outros desavisados provoquem um novo problema. Esta sinalização pode ser feita com cones, fitas, triângulos de carros ou mesmo improvisado com galhos de árvores ou alguém sinalizando com os braços a certa distância do local. Caso o acidente tenha ocorrido durante a noite, torna-se fundamental a sinalização com algum foco de luz, como lanterna ou faróis de carros.
Cuidar da organização do local – Se a pessoa mais experiente no local for você, solicite a ajuda dos demais de forma clara e precisa, agindo com firmeza e segurança demonstrando a cada um, o que deve ser feito.
Iniciando o Atendimento – Depois de realizado os cuidados descritos acima, é hora de iniciar os procedimentos de primeiros socorros.
A solidariedade do povo brasileiro é conhecida no mundo inteiro e em certos casos, chega a passar dos limites quando uma pessoa abre mão de sua própria vida para salvar a vida de outra pessoa, como vimos no episódio no litoral paulista no qual um surfista salvou a vida de duas pessoas antes de se afogar.
Para realizar um atendimento de primeiros socorros sem colocar sua vida ou a vida de terceiros em risco, é preciso atentar para as técnicas de avaliação da situação. Vejamos:
Avaliação dos riscos de salvamento
Antes de iniciar qualquer contato com o acidentado, é preciso avaliar os riscos presentes no local do acidente, que possam colocar a sua vida em perigo.
Nenhuma atitude deve ser tomada por impulso, sob pena de causar dano maior. É necessário fazer uma avaliação fria da situação em questão e de seus possíveis desdobramentos.
Caso o cenário exija cuidados maiores como uso de equipamentos especiais (luvas, óculos, máscaras e outros), o melhor a fazer é se resguardar e aguardar a chegada do socorro profissional.
Avaliação do cenário
Nesta etapa, você deve avaliar o acidente em si, verificando sua provável causa, o número de vítimas, a gravidade de cada uma e demais informações que possam ser úteis para os profissionais que estarão a caminho.
Procedimentos que serão necessários realizar:
Sinais físicos – É toda informação que pode ser captada externamente, através de movimentos respiratórios, presença de movimento em algum membro, palidez, pele fria, entre outros.
Sintomas – Os sintomas são informações passadas pela própria vítima, de sensações que esteja sentindo como náuseas, tonturas, calafrios, etc.
Sinais vitais – São características cujas ausências ou alterações podem indicar uma irregularidade do organismo e consequentemente, risco de morte para o acidentado.
Os sinais vitais a serem observados são:
Estas observações estão previstas no protocolo estabelecido pelas novas diretrizes da American Heart Association (AHA), chamado de Basic Life Suport (BLS) ou, em português, Suporte Básico de Vida (SBV).
Veremos com maior amplitude este item quando falarmos de parada respiratória e parada cardíaca.
As características descritas na avaliação da vítima estão previstas em dois exames que devem ser realizados no momento inicial do atendimento: Avaliação Primária e Avaliação Secundária.
Importante ressaltar que estes dois exames devem ser realizados mais de uma vez durante o atendimento, uma vez que o estado geral do acidentado pode mudar de repente e vir a se agravar.
Avaliação Primária
A avaliação primária é uma sequência lógica de tratamento que deve ser estabelecida de acordo com as prioridades e baseada na avaliação geral do paciente. É realizada com todo o cuidado em pacientes com lesões graves, respeitando a seguinte ordem:
1) Verificar se a vítima está consciente.
Poderá fazer da seguinte forma:
As manobras de SBV conhecidas como ABC, devem ser iniciadas imediatamente conforme a ordem a seguir:
2) Manobra A (Airway – Liberação das vias aéreas)
Esta manobra procura desobstruir as vias aéreas para que a vítima possa respirar. Você deverá perceber se ela respira, vendo, ouvindo e sentindo os movimentos respiratórios. É importante assegurar que não haja corpos estranhos, fraturas faciais ou mandibulares que possam resultar na obstrução das vias aéreas.
Porém, tome muito cuidado para não desalinhar a coluna cervical. Evite ao máximo a hiperextensão da cabeça para trás, considerando sempre que o acidentado está