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Deficiência de Potássio em Algodoeiro: Causa de Manchas Foliares, Notas de estudo de Agronomia

Este documento discute a deficiência de potássio em algodoeiro e sua relação com a mancha foliar causada por fungos como cercospora, alternaria e stemphylium. O texto explica os sintomas da doença, sua relação com a falta de potássio no solo e na planta, e as melhores práticas de manejo para evitar a deficiência. Além disso, o documento apresenta informações sobre a importância do potássio para as folhas e a importância de analisar o pecíolo para detectar deficiências nutricionais.

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 05/01/2014

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mateus-valdir-muller-6 🇧🇷

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INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 96 – DEZEMBRO/2001 1
POTAFOS - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA PESQUISA DA POTASSA E DO FOSFATO
Rua Alfredo Guedes, 1949 - Edifício Rácz Center - sala 701 - Fone e fax: (19) 3433-3254 - Endereço Postal: Caixa Postal 400 - CEP 13400-970 - Piracicaba-SP, Brasil
Veja neste número:
Estado nutricional de plantas perenes:
avaliação e monitoramento ................................... 3
Influência do Mo na produtividade do arroz ..... 11
Considerações sobre manejo do solo em
culturas permanentes .......................................... 13
Nitrogênio na base é fundamental para milho .. 15
POTAFOS e os desafios futuros na
agricultura brasileira............................................ 20
SÓCIOS:
Instituto da Potassa e do Fosfato (EUA)
Instituto da Potassa e do Fosfato (Canadá)
Website: www.potafos.org
DIRETOR:
T. Yamada
Engo Agro, Doutor em Agronomia
INFORMAÇÕES
AGRONÔMICAS
N0 96 DEZEMBRO/2001
DEFICIÊNCIA DE POTÁSSIO EM
ALGODOEIRO RELACIONADA
À MANCHA FOLIAR1
Glen Harris2
Adeficiência tardia de K e sua associação com a
mancha foliar não é novidade em algodoeiro na
Georgia, EUA. Porém, nos últimos anos, este pro-
blema tem ocorrido com maior freqüência, mais severamente e
muito mais cedo no ciclo vegetativo. Em alguns casos graves, o
algodoeiro foi totalmente desfolhado logo após a 4a semana de
florescimento.
O primeiro alerta para este problema foi a descoberta de
um novo fungo na Georgia – Stemphylium. Estima-se que 800 ha
de algodão na Georgia foram infectados com esta nova doença em
1995, aumentando para 8.000 ha em 1996.
Os sintomas da mancha foliar são pequenas lesões mar-
rons causadas pelos fungos Cercospora e Alternaria, além do
Stemphylium. Em pesquisa posterior, descobriu-se que a mancha
foliar na verdade era um sintoma secundário ao problema primá-
rio – deficiência de K (Foto 1).
É bem conhecido o fato de que o K fortalece as células das
folhas, e a sua falta torna-a frágil e suscetível à infeção fúngica
secundária (Foto 2).
Na maior parte dos casos em que a mancha foliar foi estu-
dada, observou-se baixa quantidade de K no solo e baixo teor de K
no tecido da planta e/ou no pecíolo. O baixo teor de K no pecíolo
parece ser o melhor indicador da doença. Em alguns casos, o pro-
blema esteve relacionado à adubação potássica inadequada. Em
outros, sob condições de seca, a baixa umidade do solo foi suspei-
ta pela redução na absorção de K. Outros ocorreram em varieda-
1 Fonte: Better Crops, Norcross, v.81, n.2, p.11-12, 1997.
2 Engo Agro, Department of Crop and Soil Science, University of Georgia, Tifton, GA
31794, EUA. Foto 1. Folhas de algodoeiro com sintomas de mancha foliar por
Stemphylium e deficiência de K.
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INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 96 – DEZEMBRO/2001 1

POTAFOS - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA PESQUISA DA POTASSA E DO FOSFATO

Rua Alfredo Guedes, 1949 - Edifício Rácz Center - sala 701 - Fone e fax: (19) 3433-3254 - Endereço Postal: Caixa Postal 400 - CEP 13400-970 - Piracicaba-SP, Brasil

Veja neste número:

Estado nutricional de plantas perenes: avaliação e monitoramento ................................... 3

Influência do Mo na produtividade do arroz ..... 11

Considerações sobre manejo do solo em culturas permanentes .......................................... 13

Nitrogênio na base é fundamental para milho .. 15

POTAFOS e os desafios futuros na agricultura brasileira ............................................ 20

SÓCIOS: Instituto da Potassa e do Fosfato (EUA) Instituto da Potassa e do Fosfato (Canadá) Website: www.potafos.org

DIRETOR: T. Yamada Engo^ Agr o^ , Doutor em Agronomia

INFORMA«’ES

AGRON‘MICAS

N 0 96 DEZEMBRO/

DEFICI NCIA DE POT¡SSIO EM

ALGODOEIRO RELACIONADA

¿ MANCHA FOLIAR

1

Glen Harris 2

A

deficiência tardia de K e sua associação com a mancha foliar não é novidade em algodoeiro na Georgia, EUA. Porém, nos últimos anos, este pro- blema tem ocorrido com maior freqüência, mais severamente e muito mais cedo no ciclo vegetativo. Em alguns casos graves, o algodoeiro foi totalmente desfolhado logo após a 4 a^ semana de florescimento.

O primeiro alerta para este problema foi a descoberta de um novo fungo na Georgia – Stemphylium. Estima-se que 800 ha de algodão na Georgia foram infectados com esta nova doença em 1995, aumentando para 8.000 ha em 1996.

Os sintomas da mancha foliar são pequenas lesões mar- rons causadas pelos fungos Cercospora e Alternaria , além do Stemphylium. Em pesquisa posterior, descobriu-se que a mancha foliar na verdade era um sintoma secundário ao problema primá- rio – deficiência de K (Foto 1).

É bem conhecido o fato de que o K fortalece as células das folhas, e a sua falta torna-a frágil e suscetível à infeção fúngica secundária (Foto 2).

Na maior parte dos casos em que a mancha foliar foi estu- dada, observou-se baixa quantidade de K no solo e baixo teor de K no tecido da planta e/ou no pecíolo. O baixo teor de K no pecíolo parece ser o melhor indicador da doença. Em alguns casos, o pro- blema esteve relacionado à adubação potássica inadequada. Em outros, sob condições de seca, a baixa umidade do solo foi suspei- ta pela redução na absorção de K. Outros ocorreram em varieda-

(^1) Fonte: Better Crops, Norcross, v.81, n.2, p.11-12, 1997. (^2) Engo (^) Agr o, Department of Crop and Soil Science, University of Georgia, Tifton, GA 31794, EUA. Foto 1. Folhas de algodoeiro com sintomas de mancha foliar por Stemphylium e deficiência de K.

2 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 96 – DEZEMBRO/

des precoces, em que a demanda intensa por K em um curto pe- ríodo de tempo parece ter sido o principal problema. Poucos casos ocorreram em solos com níveis elevados de magnésio (Mg) os quais, supõe-se, competiram pela absorção e subseqüente deficiên- cia de K. A maioria dos casos, porém, apareceu nas variedades em pleno desenvolvimento, sob irrigação, próximo à 4 a^ semana de florescimento, com pesada carga de ma- çãs. Esse período e situação correspon- dem ao período de grande demanda por K. As raízes das plantas de algodão tam- bém começam a diminuir nesse período devido à competição pelos carboidratos das maçãs em desenvolvimento, aumen- tando a dificuldade em absorver o K do solo. Mesmo com irrigação, a água pode não ser fornecida adequadamente duran- te este período crítico, ou ainda a umida- de adequada pode contribuir para condi- ções de alta produção e, assim, maior de- manda por K.

Surgida a deficiência de K e com ela a mancha na folha, as pulverizações com fungicida não aliviam a situação já que o pro- blema principal é a deficiência de K. Se tal deficiência é detectada próxima à 4a^ semana de florescimento e não é severa, a pulveriza- ção foliar com K pode reduzir os efeitos na produção. A análise do pecíolo também pode ajudar a evitar esse problema, já que ela é indicada para detectar deficiências nutricionais a partir de duas semanas do desenvolvimento, especialmente quando a cultura en- contra-se próxima ao pico de florescimento. Infelizmente, se uma

deficiência severa de K ocorre tardiamente (6 a^ semana de florescimento), a pulverização foliar de K provavelmente não cor- rigirá o problema. Também, a deficiência de K e a mancha foliar são razoavelmente comuns logo após o estádio de “cut-out”. Ne- nhum tratamento corretivo é recomendado nesse período.

MELHORES PR¡TICAS DE MANEJO PARA EVITAR

A DEFICI NCIA DE POT¡SSIO

- Análise de solo A primeira e melhor medida de defesa para evitar a defi- ciência de K em algodão é a análise do solo. Recomenda-se man- ter os níveis de K no solo na faixa de médio a alto para algodoeiro. Manter também um bom equilíbrio com outros nutrientes, como cálcio (Ca) e magnésio (Mg), também ajuda. - Aplicações parceladas de K

Visto que o potássio é relativamente móvel em solos areno- sos, aplicações parceladas são recomendadas naqueles sem subsolo argiloso nos primeiros 40 cm. Sugere-se aplicar metade do K no plantio e o restante em cobertura, próximo à fase da iniciação dos botões florais. Isso ajuda a suprir K no período de maior demanda e pode mesmo ser útil em solos compactados.

- Adubação foliar e análise do pecíolo Na maioria dos casos em que os níveis de K no solo são mantidos de médio a alto, aplicações de K em pré-plantio podem suprí-lo de forma suficiente, de maneira que as aplicações foliares não serão necessárias. Há um número de casos, porém, em que a resposta da produção às aplicações foliares podem ocorrer: solos extremamente arenosos, baixo nível de K no solo no plantio, con- dições de alta produção em cultura irrigada e durante períodos de umidade limitada no solo. A melhor maneira de determinar a necessidade de K foliar é através do teste do pecíolo. Um programa comple- to de análise do pecíolo é destinado a predizer deficiências nutricionais com até duas semanas de antecedência, an- tes que alguma redução ocorra devido à deficiência. Doses excessivas de fertilizantes não devem ser utilizadas como estratégia para se evitar a deficiência de K, pois novos pro- blemas podem resultar do desequilíbrio nutricional. Práticas básicas e simples como a análise de solo, aduba- ção apropriada e análise de pecíolo podem ajudar a eliminar a deficiência de K como causa futura de redução na produção de algodão.

Foto 2. Células foliares de algodoeiro deficiente em K tornam-se fra- cas e suscetíveis a infecções fúngicas secundárias. Quase to- dos os casos de mancha foliar relatados na Georgia nos dois últimos anos foram devidos ao baixo teor de K na planta. Sintomas da doença são mostrados aqui nas folhas de algo- doeiro deficientes em K.

Algodoeiro

O algodoeiro È sensÌvel ‡ deficiÍncia de pot·ssio. Quase todos os casos de mancha foliar investigados em pesquisas recentes na Georgia envolveram baixo nÌvel de K no solo, baixo teor de K no pecÌolo e/ou baixo teor de K no tecido da planta

LUIZ DE QUEIROZ: TEU MONUMENTO … A TUA ESCOLA!

Homenagem da POTAFOS ao Centenário da ESALQ (1901-2001)