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O Brincar e o Jogo na Educação Inclusiva: Abordagem Construtivista, Manuais, Projetos, Pesquisas de Desenvolvimento Cognitivo

desenvolvimento intelectual, para desenvolver o cognitivo

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2019

Compartilhado em 04/09/2019

silvane-duarte
silvane-duarte 🇧🇷

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Baixe O Brincar e o Jogo na Educação Inclusiva: Abordagem Construtivista e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Desenvolvimento Cognitivo, somente na Docsity!

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO

DIRETORIA DE POLÍTICAS E PROGRAMAS EDUCACIONAIS

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL

O Lúdico e o Desenvolvimento da Criança Deficiente Intelectual

Sônia Regina Corrêa Mafra

APRESENTAÇÃO

Considerando-se que a criança com deficiência intelectual apresenta dificuldades em assimilar conteúdos abstratos, faz-se necessário a utilização de material pedagógico concreto, e de estratégias metodológicas práticas para que esse aluno desenvolva suas habilidades cognitivas e para facilitar a construção do conhecimento. Os jogos e brincadeiras são estratégias metodológicas que apresentam as duas características acima citadas. Proporcionam a aprendizagem através de materiais concretos e de atividades práticas, onde a criança cria, reflete, analisa e interage com seus colegas e com o professor. Partindo dessa concepção, este material aborda primeiramente as teorias do desenvolvimento e da aprendizagem propostas por Piaget e Vygotsky, destacando a contribuição do jogo para esse desenvolvimento, segundo a opinião desses dois pesquisadores, traçando um paralelo entre a teoria construtivista de Piaget e o sócio-interacionismo de Vygotsky. No segundo capítulo trata da importância do uso dos jogos e das brincadeiras como recurso pedagógico nas escolas. Faz-se uma abordagem quanto à relevância da exploração desses recursos para propiciar uma aprendizagem pautada nas experiências vividas pela criança através das atividades lúdicas. No terceiro capítulo procura-se ressaltar a grande contribuição e a importância de uma prática pedagógica pautada no lúdico, para o trabalho com crianças deficientes intelectuais moderadas. Aborda-se a contribuição dos jogos e brincadeiras para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, lingüístico e físico- motor dessas crianças. Bem como a sua utilidade para o desenvolvimento de conteúdos curriculares. O quarto e último capítulo, traz sugestões de jogos e brincadeiras para uso pedagógico, especificando as áreas do desenvolvimento e os objetivos que se pode atingir com cada jogo. Pretende-se com este material dar subsídios teóricos e práticos aos professores que trabalham com crianças com necessidades educacionais especiais tanto em classes regulares, salas de recursos, como em classes e escolas especiais, contribuindo para a aprendizagem, o desenvolvimento e, conseqüentemente, para a inclusão escolar e social dessas crianças.

1 JOGO, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM NA CONCEPÇÃO DE

PIAGET E VYGOTSKY

Partindo de uma concepção sócio-construtivista-interacionista do jogo, ou seja, pensando-o como um meio de garantir a construção de conhecimentos e a interação entre os indivíduos; a possibilidade de trazer o jogo para dentro da escola é a possibilidade de pensar a educação numa perspectiva criadora, autônoma e consciente. Nesse sentido, as concepções construtivistas de Piaget vêm de encontro às idéias de desenvolvimento e aprendizagem, enquanto as teorias de Vygostsky são relevantes para a compreensão da importância do contexto sócio-cultural e das interações sociais. Na concepção de Piaget, o desenvolvimento do conhecimento é um processo espontâneo, ligado ao processo geral da embriogênese, que diz respeito ao desenvolvimento do corpo, do sistema nervoso e das funções mentais. Já a aprendizagem situa-se do lado oposto do desenvolvimento, pois geralmente é provocada por situações criadas pelo educador. Para Piaget, a aprendizagem é colocada como aquisição em função do desenvolvimento. Segundo o autor, os indivíduos adquirem o conhecimento segundo o seu estágio de desenvolvimento, e é a partir das diversas formas de aquisição do conhecimento que se dá a aprendizagem. Piaget (LOPES, 1996) classifica os estágios de desenvolvimento da criança em quatro períodos, quais sejam: Período sensório-motor (do nascimento aos 2 anos): a partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento. Exemplos: O bebê pega o que está em sua mão; “mama” o que é posto em sua boca; “vê” o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo à boca. Período pré-operacional (2 a 7 anos): caracteriza-se , principalmente pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio anterior. A criança não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é a fase dos “por quês”). Já

“Para o autor, ao manifestar a conduta lúdica, a criança demonstra o nível de seus estágios cognitivos e constrói conhecimentos” (KISHIMOTO,2008, p.32). Piaget analisou e estabeleceu relações entre o jogo e o desenvolvimento intelectual. Segundo os estudos do autor, existem três tipos de estruturas que caracterizam o jogo infantil e fundamentam a classificação por ele proposta: -Jogos de exercício: são as atividades lúdicas da criança no período sensório-motor, que vai dos 0 anos até o aparecimento da linguagem. São exercícios simples cuja finalidade é o prazer do funcionamento. Caracterizam-se pela repetição de gestos e de movimentos simples e têm valor exploratório. Jogos sonoros, visuais, olfativos, gustativos, motores e de manipulação. -Jogos simbólicos: compreende a idade dos 2 aos 7 anos aproximadamente. São jogos de ficção e imitação. Através do faz-de-conta, a criança realiza sonhos e fantasias, revela conflitos interiores, medos e angústias, aliviando tensões e frustrações. Destacam-se os jogos de papéis, faz-de-conta e representação. -Jogos de regras: são praticados a partir dos 7 anos de idade. A regra é o elemento principal deste tipo de jogo, que surge da organização coletiva das atividades lúdicas e são indispensáveis para o desenvolvimento moral, cognitivo, social, político e emocional. Há dois tipos de regras nesse jogo: as regras transmitidas, mantidas em sucessivas gerações (bolinha de gude, amarelinha), e as regras espontâneas: contratual e momentânea, propostas pelas próprias crianças. Para Piaget, o jogo oferece uma grande contribuição para o desenvolvimento cognitivo, dando acesso a mais informações e tornando mais rico o conteúdo do pensamento infantil. O jogo infantil propicia a prática do intelecto, já que utiliza a análise, a observação, a atenção, a imaginação, o vocabulário, a linguagem e outras dimensões próprias do ser humano. Piaget demonstrou que as atividades lúdicas sensibilizam, socializam e conscientizam, destacando a importância de aplicá-las nas diferentes fases da aprendizagem escolar. Vamos agora conhecer a opinião de Vygotsky sobre o desenvolvimento e a aprendizagem da criança e evidenciar a importância do lúdico na sua formação, segundo este pesquisador. VYGOTSKY (1998) admite que no começo da vida de uma criança, os fatores biológicos superam os sociais, só depois, aos poucos, a integração social será o fator decisivo para o desenvolvimento do seu pensamento. No entanto, ele se

opõe às teorias onde o desenvolvimento se divide em estágios individuais. Para ele, inicialmente, as respostas que as crianças dão ao mundo são determinadas pelos processos biológicos. Mas, na constante mediação com adultos ou pessoas mais experientes, os processos psicológicos mais complexos, típicos do homem começam a tomar forma. Assim, é pela interação social que as funções cognitivas do mesmo são elaboradas. Na perspectiva Vygotskyana, a constituição das funções complexas do pensamento é veiculada principalmente pelas trocas sociais, e nesta interação, o fator de maior peso é a linguagem, ou seja, a comunicação entre os homens. A linguagem intervém no processo de desenvolvimento da criança desde o nascimento. Quando os adultos nomeiam objetos, pessoa ou fenômenos que se passam no meio ambiente, estão oferecendo elementos por meio dos quais ela organiza sua percepção. Por acreditar que as funções psíquicas do individuo são construídas na medida em que são utilizadas, defende a idéia de que as interações de um modo geral e o ensino em particular, não devem estar atrelados ao processo de amadurecimento. Para ele a criança amadurece ao ser ensinada e educada, quer dizer, à medida que, sob a orientação dos adultos ou companheiros mais experientes, se apropria do conhecimento elaborado pelas gerações precedentes e disponível em sua cultura. Desse modo, a maturação se manifesta e se produz no processo de educação e ensino. Daí a relevância da interação social, uma vez que dela depende o desenvolvimento mental. VYGOTSKY (1998) identifica dois níveis de desenvolvimento nas crianças:

  • Nível de desenvolvimento real , que é o desenvolvimento já adquirido, ou seja, aquilo que a criança já é capaz de fazer por si própria, sem ajuda do outro.
  • Nível de desenvolvimento potencial , aquilo que ela realiza com o auxilio de outra pessoa. Para melhor explicar a importância das interações sociais no desenvolvimento cognitivo, Vygotsky cria o conceito de zona de desenvolvimento proximal , que é a distancia entre o que a criança faz sozinha (nível de desenvolvimento real) e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um adulto (nível de desenvolvimento potencial). Esta zona de desenvolvimento proximal é a potencialidade para aprender, e que não é a mesma para todas as pessoas.

Através do brinquedo, a criança estabelece suas relações com a vida real. Ela vai experimentar sensações que já conhece e vai desenvolvendo regras de comportamento que imagina serem corretas. Um exemplo é quando ela brinca de irmã ou de mãe e filha, e se comporta como ela acha que seus irmãos devam se comportar, ou como acha que a filha tem de agir com sua mãe. Ela nem percebe que na brincadeira se comportou como deveria agir na vida real. Através da brincadeira ela incorpora as regras de comportamento. Para Vygotsky, a situação imaginária criada pela criança é que define o brincar,e assim, devemos considerar que o brincar preenche necessidades que variam conforme a idade e que as brincadeiras por meio de jogos estimulam a curiosidade e a auto-confiança, proporcionando o desenvolvimento do pensamento, da concentração, da atenção e da linguagem. Dessa forma se bem planejados, e aplicados com objetivos claros e bem definidos, considerando a idade e as limitações do aluno, os jogos favorecem a construção do conhecimento, ou seja, a aprendizagem e, por conseqüência, o desenvolvimento da criança. De acordo com as concepções de Vygotsky, o jogo e o brinquedo são instrumentos que devem ser explorados na escola como um recurso pedagógico de grande valia, pois além desenvolver as regras de comportamento, o jogo atua na zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a criança consegue, muitas vezes, realizações numa situação de jogo, as quais ainda não é capaz de realizar numa situação de aprendizagem formal. Diante da análise das concepções de Piaget e Vygotsky a respeito da aprendizagem e do desenvolvimento da criança, não podemos nos fechar a nenhuma das duas teorias, mas sim tentar compreendê-las de forma paralela. Apesar da divergência entre as duas teorias, tanto Piaget como Vygotsky concordam que a brincadeira e os jogos contribuem para o desenvolvimento da criança. Embora cada um deles dê um enfoque diferente para estas atividades. Enquanto Piaget analisa de forma minuciosa o processo de desenvolvimento do indivíduo, detalhando e explicando a função do jogo no desenvolvimento intelectual da criança e sua evolução nos diferentes estágios; Vygotsky destaca as interações sociais que o jogo promove. É na brincadeira e no jogo que a criança aprende a lidar com o mundo, recriando situações do cotidiano, adquirindo conceitos básicos para formar sua personalidade e vivenciando sentimentos das mais variadas espécies.

2 JOGOS BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS COMO RECURSO PEDAGÓGICO

O brincar faz parte dos primeiros atos da criança. Desde o nascimento a criança descobre o mundo brincando, seja através do contato com seu próprio corpo, seja pela referência dos seus pais. A brincadeira é a oportunidade de desenvolvimento onde a criança experimenta, descobre, inventa, exercita e ainda confere suas habilidades. O brincar estimula a curiosidade, a iniciativa e a auto-confiança. Também proporciona aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção.Os jogos e brincadeiras são estimuladores da cognição, afeição, motivação e criatividade. Segundo PIAGET(1975), através da brincadeira, a criança se apropria de conhecimentos que possibilitarão sua ação sobre o meio em que se encontra. Para VYGOTSKY (1998), as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade. Tanto Piaget, quanto Vygotsky atribuíram ao brincar da criança um papel decisivo na evolução dos processos de desenvolvimento humano, como maturação e aprendizagem, embora com enfoques diferentes. Ao contrário do que muitos pensam, a brincadeira não é um mero passatempo. Ela ajuda no desenvolvimento das crianças, promovendo processos de socialização e descoberta do mundo. Brincar desenvolve as habilidades da criança de forma natural, pois brincando aprende a socializar-se com outras crianças, desenvolve a motricidade, a mente, a criatividade, sem cobrança ou medo, mas sim com prazer. Partindo da concepção de que a brincadeira e os jogos são atividades imprescindíveis para o desenvolvimento global da criança, favorecendo sua auto- estima e auxiliando na aquisição e aprendizagem de novos conceitos, a escola deve valorizar e incentivar o trabalho pedagógico pautado em atividades lúdicas. De acordo com KISHIMOTO(2008), ao atender as necessidades infantis, o jogo infantil torna-se forma adequada para a aprendizagem dos conteúdos escolares.

Para tanto, os educadores devem ter conhecimento dos diferentes tipos de jogos que podem ser utilizados em sala de aula e principalmente dos objetivos que com eles poderão ser alcançados. O jogo pode ser considerado um recurso pedagógico indispensável, uma vez que é a forma primordial de construção dos conhecimentos pela criança. Cabe aos educadores conhecer esses recursos e utilizá-los de forma adequada, proporcionando jogos criativos ou com regras já estabelecidas. A educação lúdica, além de contribuir e influenciar na formação da criança e do adolescente, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente; integra-se ao mais alto espírito de uma prática democrática, enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. A utilização de jogos educativos como recurso didático-pedagógico, voltado a estimular e efetivar a aprendizagem, desenvolvendo todas as potencialidades e habilidades nos alunos, é um caminho para o educador desenvolver aulas mais interessantes, descontraídas e dinâmicas, podendo competir em igualdade de condições com inúmeros recursos a que o aluno tem acesso fora da escola. Porém, o jogo deve ser praticado de uma forma construtiva e não como uma série de atividades sem sentido, tendo como objetivos o desenvolvimento de capacidades físicas e intelectuais; não esquecendo a importância da socialização através da sensibilização para o espírito de grupo, a cooperação, a confiança e a interdependência.

Para ANTUNES(1998),

o jogo lúdico inserido no processo ensino-aprendizagem se tornará pedagógico e deverá ser usado com rigor e cuidado no planejamento, por ser marcado por etapas muito nítidas, e que efetivamente acompanhem o progresso dos alunos. O elemento que separa um jogo pedagógico de um objeto de caráter apenas lúdico, é que os jogos ou brinquedos pedagógicos são desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento e principalmente, despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória.

O aprendizado que se dá através de jogos e brincadeiras têm vários fatores positivos, tornando o desenvolvimento escolar da criança menos monótono e desinteressante que a simples exposição de conteúdos, pois na atividade lúdica ela

participa ativamente como parte integrante do processo, fazendo com que a criança desenvolva-se de maneira integral, onde todas as suas habilidades e motivações são exploradas. Os jogos também promovem o crescimento emocional e social. Nos jogos há sempre um desafio interessante e vivo, tornando a aprendizagem natural e rápida. Enfim, brincar promove uma possibilidade de construção e criação do conhecimento no ensino e na aprendizagem da criança. Ao transformarmos esse brincar em trabalho pedagógico, poderemos experimentar, como mediadores, o verdadeiro significado da aprendizagem com desejo e prazer. Faz-se necessário que a escola como uma instituição socializadora, responsável pela formação consciente e critica da criança, proporcione pleno desenvolvimento do aluno em todas as suas dimensões, empregando um trabalho dinâmico e desafiante. Pois o lúdico possibilita construir um novo jeito de educar e de trabalhar de forma solidária e conjunta. É fundamental que a educação seja capaz de atuar no âmbito interpessoal, fazendo com que os indivíduos percebam-se, para então, conviverem no mundo com consciência e responsabilidade de suas atitudes. E isso é possível por meio de um projeto consistente: tornar a escola um lugar de muito mais alegria a partir de atividades prazerosas e significativas, tendo o jogo, a brincadeira e o brinquedo como mediadores da aprendizagem. Porém, deve-se prestar atenção para não considerar a atividade lúdica como único e exclusivo recurso de ação, já que essa seria uma postura ingênua. O jogo é uma alternativa significativa e importante, mas sua utilização não exclui a utilização de outros caminhos metodológicos.

intercâmbios afetivos e interpessoais das crianças entre elas mesmas ou com os adultos (pais e professores). A utilização do jogo como recurso didático pode contribuir para o aumento das possibilidades de aprendizagem da criança com deficiência intelectual, pois através desse recurso, ela poderá vivenciar corporalmente as situações de ensino- aprendizagem, exercendo sua criatividade e expressividade, interagindo com outras crianças, exercendo a cooperação e aprendendo em grupo. Segundo IDE (2008),

O jogo possibilita à criança deficiente mental aprender de acordo com seu ritmo e suas capacidades. Há um aprendizado significativo associado à satisfação e ao êxito, sendo este a origem da auto- estima. Quando esta aumenta, a ansiedade diminui, permitindo à criança participar das tarefas de aprendizagem com maior motivação. O uso do jogo também possibilita melhor interação da criança deficiente mental com os seus coetâneos normais e com o mediador.

O professor poderá possibilitar à criança com deficiência intelectual o acesso ao conhecimento através da vivência, da troca, da experiência, propiciando uma educação mais lúdica e significativa. Aprender pode e deve ser extremamente agradável e motivante para a criança. A importância do jogo no universo infantil e na vida escolar, tem sido evidenciada por vários estudiosos da aprendizagem e do desenvolvimento infantil, como um fato indiscutível, pois o jogo constitui um dos recursos mais eficientes de ensino para que a criança adquira conhecimentos sobre a realidade. Durante o jogo a criança estimula o pensamento através da ordenação do tempo, espaço e movimento, como também o respeito pelas regras. Trabalha com o cognitivo, o emocional e o motor, construindo através dessa interação o seu conhecimento. Os estudos de PIAGET (1975), proporcionam a concepção de que os jogos não são apenas uma forma de entretenimento para gastar a energia das crianças, mas meios que contribuem para o seu desenvolvimento intelectual. Os jogos e brincadeiras são instrumentos metodológicos através dos quais os educadores de crianças com necessidades educativas especiais podem estimular o seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, moral, lingüístico e físico-motor; como também propiciar aprendizagens curriculares específicas.

IDE (2008), comenta que

Os jogos educativos ou didáticos estão orientados para estimular o desenvolvimento do conhecimento escolar mais elaborado: calcular, ler e escrever. São jogos fundamentais para a criança deficiente mental por iniciá-la em conhecimentos e favorecer o desenvolvimento de funções mentais superiores prejudicadas.

Porém, as atividades lúdicas devem ser orientadas de acordo com os objetivos que se quer alcançar. Podendo ser o desenvolvimento das habilidades motoras, habilidades perceptivas ou a noção de tempo e espaço. Em outro momento pode dar ênfase na formação de noções lógicas, como seriação, conservação e classificação. O objetivo também pode ser o trabalho em grupo, como forma de desenvolver a cooperação e a socialização. O lúdico possibilita que a criança com deficiência intelectual se torne cada vez mais autônoma, melhorando a auto-estima e a consciência corporal. Pelo jogo, a criança aprende, verbaliza, comunica-se com as pessoas, internaliza novos comportamentos e, conseqüentemente, se desenvolve. Brincando, a criança desenvolve seu senso de companheirismo. Jogando com os amigos, aprende a conviver, a criar e a respeitar as regras. Sob o ponto de vista do desenvolvimento da criança com deficiência intelectual, a brincadeira traz vantagens sociais, cognitivas e afetivas. Ainda segundo IDE,

A possibilidade de exploração e de manipulação que o jogo oferece, colocando a criança deficiente mental em contato com as normais, com adultos, com objetos e com o meio ambiente, propiciando o estabelecimento de relações e contribuindo para a construção da personalidade e do desenvolvimento cognitivo, torna a atividade lúdica imprescindível na sua educação.

Ter consciência de que a criança com deficiência intelectual é um todo integrado, é condição básica para o êxito do seu desenvolvimento com o brinquedo. E o professor que assume uma postura metodológica pautada no lúdico deverá organizar o seu trabalho de forma a estimular ao máximo o desenvolvimento das habilidades do seu aluno, estando sempre ao seu lado, participando, mediando e orientando-o nas atividades realizadas com o brinquedo.

Possibilidades de exploração: -Recortar e montar o boneco articulado. -Pedir a uma pessoa que sirva de modelo, assumindo diferentes posições que os alunos procurarão reproduzir com seus bonecos. -Fazer o exercício contrário, colocar o boneco em posições que as pessoas deverão representar. -Descobrir quais as posições que podem ser feitas com o boneco mas que são impossíveis de serem realizadas pelo ser humano.

MÁSCARAS

Estimula: Conscientização sobre as partes do rosto, criatividade.

Descrição: Saco de papel, com furos recortados na altura dos olhos, do nariz e da boca, desenhado e decorado de maneira a imitar um rosto.

Possibilidades de exploração: -Enfiar o saco de papel na cabeça para descobrir e marcar quais seriam os lugares onde devem ser feitos os furos. -Desenhar as partes do rosto no saco e colori-las. -Colar fios ou tiras de papel para representar o cabelo. -Fazer uma dramatização usando as máscaras e cobrindo as cabeças. -Misturar as máscaras e distribuí-las aleatoriamente. Pedir às crianças que adivinhem qual é o colega que está por trás da máscara.

Nylse Helena Silva Cunha: Criar para brincar

BONECO

Estimula: Esquema corporal, noções das posições do corpo, criatividade, dramatização.

Descrição: Boneco feito com roupas de criança preenchidas com jornal amassado, nos pés foram utilizadas meias, nas mãos luvas. Para formar a cabeça foi utilizado um pano dobrado e cortada em forma arredondada; o cabelo e franja foram feitos de lã costurada na cabeça. As partes do corpo foram costuradas umas nas outras.

Possibilidades de exploração: -Despir e vestir o boneco. -Colocar o boneco em diferentes posições, comparando sua postura com a de outras pessoas. -Fazer movimentos corporais para que a criança os imite, usando o boneco. -Brincar de faz de conta por meio de dramatizações, nas quais a criança represente situações de sua vida diária.

4.2 COORDENAÇÃO MOTORA

BOLICHE DE LATAS

Estimula: Motricidade, coordenação motora ampla, coordenação viso-motora, arremesso ao alvo, controle de força e direção.

Descrição: Bolas de meia feitas com algumas meias juntas, que são enfiadas no fundo de uma meia comprida. Para arrematar, torcer e desvirar o cano da perna da meia

Nylse Helena Silva Cunha: Criar para brincar