Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Design thinking para bibliotecas, Manuais, Projetos, Pesquisas de Biblioteconomia

Design thinking para bibliotecas

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2019

Compartilhado em 06/08/2019

thiago-nunes-38
thiago-nunes-38 🇧🇷

1 documento

1 / 119

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
1
PRIMEIRA EDIÇÃO
DESIGN
THINKING
PARA
BIBLIOTECAS
UM TOOLKIT PARA
DESIGN CENTRADO NO USUÁRIO
PRIMEIRA ED. / DOIS MIL E DEZESSETE
WWW.DESIGNTHINKINGFORLIBRARIES.COM
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Design thinking para bibliotecas e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Biblioteconomia, somente na Docsity!

PRIMEIRA EDIÇÃO

D E S I G N T H I N K I N G PARA B I B L I O T E C A S

UM TOOLKIT PARA

DESIGN CENTRADO NO USUÁRIO

PRIMEIRA ED. / DOIS MIL E DEZESSETE WWW.DESIGNTHINKINGFORLIBRARIES.COM

Prefácio à tradução brasileira

Este toolkit foi traduzido para o português

com a finalidade de auxiliar quem trabalha em

bibliotecas e enfrenta diariamente desafios para

ver seus objetivos gerarem resultados.

É um material destinado àquelas pessoas que não

se contentam com pouco, que buscam mais, que

querem mais, que são audaciosos e destemidos!

Podem ser profissionais de bibliotecas públicas,

comunitárias, escolares, universitárias,

especializadas, não importa a tipologia, importa

querer realizar grandes feitos e abrir a mente ao

novo, ao inesperado, à surpresa. Todos que tenham

gana e um brilho no olhar conseguirão aproveitar

as técnicas e a metodologia cuidadosamente

preparadas por pessoas que estão buscando

inovar com o que já tem e fazer a diferença em suas

práticas de trabalho.

São ferramentas simples, mas que os profissionais

terão a oportunidade de aprender de forma

sistematizada, por etapas. Ao organizá-las fica

evidenciada a apresentação didática de cada

passo a ser trabalhado e executado para benefício

de quem utilizará e se apropriará de tudo isso: o

usuário. Este toolkit tem como princípio o Design

Thinking centrado no humano, ele é o início, o

meio e o fim de todo o processo descrito. Trata-se,

sem dúvida, de um guia extremamente útil para

todos aqueles que desejam efetivar uma mudança

significativa e significante nas bibliotecas onde

atuam. E os bibliotecários podem ter papel

preponderante na adoção dessa metodologia em

seus ambientes de trabalho.

É importante ressaltar, que as informações

aqui compiladas são estudos de casos ocorridos

em países de língua inglesa, com relatos de

profissionais de bibliotecas públicas americanas

e dinamarquesas, que serviram de base para os

estudos. Embora nossa realidade seja distinta,

acreditamos que as abordagens utilizadas

por esses profissionais são passíveis de serem

reproduzidas em qualquer situação. Ainda

mais quando nos deparamos com limitações

orçamentárias e ausência de políticas públicas

para a área, torna-se mais necessário buscar

métodos que possam mostrar onde realmente

devem ser investidos os esforços que garantam a

satisfação das comunidades.

Com a leitura do material será possível reafirmar

que uma biblioteca é um local de construção

de conhecimentos, um lugar de convivência

e compartilhamento de ideias, sensações,

descobertas, habilidades e valores. Se percebemos

que estamos longe dessa definição é mais uma

razão para que este guia possa se tornar um

companheiro inseparável e fiel das equipes, amigos

da biblioteca, da comunidade, dos usuários, dos

gestores e do poder público.

Esse material foi originalmente produzido pela

IDEO com o patrocínio da Fundação Bill & Melinda

Gates. A Federação Brasileira de Associações

de Bibliotecários, Cientistas da Informação e

Instituições – FEBAB entendendo a importância

de disseminar esse material entre os profissionais

brasileiros, buscou e obteve as autorizações

devidas para fazer sua tradução para o português.

Mas para tornar possível esse material, contamos

com o trabalho voluntário da Profa. Adriana

Maria de Souza que traduziu todo o toolkit e da

Paula Azevedo que apoiou sua revisão. Além disso,

tivemos a importante parceria do Instituto de

Políticas Relacionais para finalizá-lo agregando

a tradução do caderno de exercícios. Obrigada

Daniela Greeb e Vanessa Labigalini!

Não poderíamos deixar de mencionar nossos

agradecimentos à Maria Vitória Santos Gonçalves

que fez a diagramação e a Pilar Pacheco da

Fundação Bill & Melinda Gates.

Como podem observar um grupo de pessoas se

comprometeu para concretizar esse trabalho

que agora compartilhamos, desejando muito que

a abordagem Design Thinking para Bibliotecas

possa ajudar a todos que desejam realizar um

trabalho cada vez melhor em suas bibliotecas!

Boa leitura a todos!

Adriana Maria de Souza

Responsável pela Tradução

Adriana Cybele Ferrari

Presidente da FEBAB

I N T R O D U Ç Ã O

C A P Í T U L O

Bem-vindo ao toolkit de Design

Thinking para bibliotecas.

Este capítulo introdutório vai orientá-lo para a abordagem de Design

Thinking e mostrará como você pode usar este toolkit no contexto de sua

biblioteca. Estamos felizes que você esteja interessado em aprender a

criar melhores soluções para seus usuários e sua comunidade!

INTRODUÇÃO

ESTE TOOLKIT É PARA VOCÊ!

ESTE TOOLKIT PODERÁ AJUDÁ-LO A CRIAR SOLUÇÕES

PARA OS SEUS DESAFIOS DIÁRIOS

Embora as bibliotecas já existam há séculos, nunca houve um tempo tão propício

para refletir sobre o futuro delas. Em muitas comunidades espalhadas pelo

mundo, as bibliotecas públicas ainda são os únicos espaços nos quais qualquer

pessoa, independentemente da educação ou do nível de habilidade, pode ter

acesso à informação.

Apesar de vitais, muitas bibliotecas permanecem subutilizadas e têm orçamentos

e recursos limitados. Os desafios enfrentados pelos bibliotecários são reais,

complexos e variados. Em face à rápida evolução no panorama da informação,

bibliotecários precisam de novas respostas, que exigem novas perspectivas,

ferramentas e abordagens. Por uma questão de clareza, vamos abordar os

bibliotecários em todo este toolkit , mas, na realidade, sabemos que qualquer

colaborador dentro do ambiente de uma biblioteca se beneficiará com o uso do

Design Thinking em seu dia a dia de trabalho.

É importante notar que algumas bibliotecas modificaram suas abordagens e

perspectivas para se ajustarem às necessidades do século XXI. Por exemplo:

as bibliotecas estão, continuamente, reenquadrando suas finalidades e

ofertas, baseando-se em bibliotecas como polos de serviços aos cidadãos, ou

seja, um espaço de convivência, de compartilhamento e colaboração, além de

uma plataforma para a experimentação. Nossa esperança é que este uso seja

mais diversificado no futuro. Hoje vocês têm a oportunidade de se tornarem

embaixadores da mudança.

DESIGN THINKING É UMA DESSAS ABORDAGENS

Nós criamos este toolkit para apresentar um caminho de trabalho que o

ajudará a fortalecer sua biblioteca, entendendo a necessidade de seus usuários

e envolvendo sua comunidade como nunca antes, por meio de um método que

nós chamamos de Design Thinking. Várias indústrias, particularmente as de

negócios e de educação, têm utilizado por décadas esta abordagem “focada nas

pessoas”, visando à resolução de problemas. Neste toolkit , adaptamos o método

para o ambiente das bibliotecas. Você aprenderá todas as etapas para desenvolver

melhores serviços, usar as ferramentas e aprimorar as experiências de seus

usuários.

INTRODUÇÃO

O que é Design Thinking?

DESIGN THINKING É TANTO UMA ABORDAGEM COMO

UMA CONSCIÊNCIA

Design Thinking é uma abordagem criativa ou uma série de etapas que o ajudarão a desenhar, satisfatoriamente, soluções para a sua biblioteca. Se você pensa sobre isso como um diagrama, existem soluções de Design Thinking na interseção de três fatores: desejo, factibilidade e viabilidade. Em outras palavras, quando a solução é desejável, financeiramente viável e tecnologicamente factível, a inovação acontece já que esses fatores coexistem. Embora possa parecer temeroso à primeira vista, Design Thinking é, na verdade, um processo profundamente empático e intuitivo, incluindo habilidades que todos nós temos de forma inerente, mas que com frequência negligenciamos. Em outras palavras, você não precisa ser um designer para usar ferramentas criativas e solucionar problemas. Em vez disso, Design Thinking confia em sua habilidade de ser intuitivo, reconhece seus padrões para construir ideias que ressoam emocional e racionalmente, e de ser expressivo, por meio de uma ação. O processo de Design Thinking começa avaliando as necessidades das pessoas e é por isso que anda de mãos dadas com a metodologia que chamamos de “design centrado no ser humano”. Design Thinking é também um jeito de pensar, porque você começa a ver o mundo com a visão de um designer, mesmo que não o seja. Pensar como um designer não se trata de saber como projetar, e sim sobre abraçar o desconhecido e ser criativo em face à ambiguidade. Adotar uma consciência que permita que você veja problemas como oportunidades e proporcione a confiança para criar soluções transformadoras. Sabemos que esta abordagem pode ser diferente do caminho que você normalmente utiliza, e a ideia de não conhecer o resultado final pode parecer assustadora, mas tenha em mente que é importante para confiar no processo.

DESEJO

(HUMANO)

VIABILIDADE

(NEGÓCIOS)

FACTIBILIDADE

(TÉCNICO)

INOVAÇÃO

INTRODUÇÃO: O QUE É DESIGN THINKING?

E X E M P L O 1

Abaixo há um exemplo que apresenta o valor do Design Thinking. A seguir há um trecho da Creative Confidence (Confiança Criativa) – livro dos fundadores da IDEO: Tom & David Kelley: Uma das minhas histórias favoritas sobre confiança criativa é a de Doug Dietz, designer em GE Healthcare. Recentemente ele estava trabalhando em um novo projeto de aparelho de ressonância magnética. Um dia, quando observava seu projeto no hospital, ele encontrou uma jovem paciente caminhando para a sala de exames com os pais. A jovem estava visivelmente aterrorizada, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ao ver a expressão dela, o técnico imediatamente chamou o anestesiologista. Neste momento, sua perspectiva mudou para sempre e então soube que havia feito uma mudança. Ele se inscreveu em um curso da Stanford d.school, onde aprendeu como superar o desafio, do ponto de vista do design centrado no ser humano, que acabaria por ajudá-lo a fazer exames de ressonância magnética menos aterrorizantes para crianças e jovens. Doug sabia que não seria capaz de garantir um financiamento significativo para redesenhar o aparelho de ressonância magnética a partir do zero, por isso focou na experiência. Ele e sua equipe transformaram o aparelho de ressonância magnética numa história de aventura, com o paciente estrelando o papel principal. Aplicaram decalques coloridos no exterior da máquina e em cada superfície da sala, abrangendo os equipamentos, chão, teto e paredes. Eles também criaram um script para o técnico conduzir os pacientes através da aventura. Em alguns dos protótipos incluíram um navio pirata; um leme projetado na abertura da câmara tornou a área menos claustrofóbica, e o paciente tinha de pegar um tesouro no peito do pirata, no final do exame. Com esses novos designs, o número de pacientes que passou a necessitar de sedação diminuiu drasticamente. Os pacientes ficaram mais felizes. Os hospitais deixaram de ser apavorantes e se tornaram mais agradáveis. Sua maior conquista, porém, foi quando, certa vez, uma menina perguntou a sua mãe após o exame: “podemos voltar amanhã?” Trate um problema a partir de uma abordagem criativa, como Doug fez e muitas novas oportunidades se apresentarão.

E X E M P L O 2

Aqui há um outro exemplo de Design Thinking em um contexto educacional: Design Thinking para Educadores: Michael Schurr, professor em Nova York, percebeu que nunca havia perguntado aos seus alunos o que os faria se sentirem mais confortáveis na sala de aula. Ele tinha passado horas montando conteúdos para o quadro de avisos da sala de aula, mas os alunos não haviam notado. Então começou um projeto de Design Thinking com o seguinte desafio de design: “Como a sala de aula pode ser projetada para atender melhor às necessidades dos meus alunos?” Ele decidiu falar diretamente com eles, para descobrir o melhor design para o ambiente. Enquanto entrevistava seus alunos, percebeu que o problema era que eles não olhavam o quadro de avisos. Baseado nisso, Michael foi capaz de redesenhar sua sala de aula, a partir das necessidades e desejos de seus alunos. Ele baixou o quadro de avisos para que seus alunos, realmente, pudessem ver o conteúdo e criou um espaço mais confortável para eles estudarem. Após fazer esses pequenos ajustes, seus alunos ficaram mais engajados e se moveram com mais fluidez no espaço da sala de aula. Agora, Michael constantemente envolve os alunos para ajudá-lo de forma mais eficaz para moldar sua experiência de aprendizagem. Ele está usando o design de reimaginar a sala de aula, através da “lente dos olhos” de seus alunos. Exemplo 1 Exemplo 2

A ABORDAGEM É...

INTRODUÇÃO: O PROCESS O DE DESIGN THINKING

CENTRADA NO USUÁRIO A abordagem começa e termina com as necessidades do usuário (em oposição às necessidades da biblioteca). A biblioteca, como uma organização, dará continuidade quando você colocar o usuário em primeiro lugar. APRENDER FAZENDO É sobre “sair de trás de sua mesa”, mobilizar pessoas, sair da zona de conforto e “sujar as mãos”. EXPERIMENTO Não é um processo linear, demanda flexibilidade e uma vontade constante de evoluir.

A CONSCIÊNCIA É...

O JEITO DE PENSAR Trata-se de olhar o mundo pelo olhar de uma criança e com a mente de um principiante. É estar disposto a aprender algo novo sobre a biblioteca que você conhece tão bem. CONFIANÇA CRIATIVA Trata-se de perder o medo do fracasso e da crítica, ficar bem quando não souber a resposta “certa” e enxergar a beleza na imperfeição. OTIMISTA É a crença de que os problemas são apenas oportunidades disfarçadas e que poucas pessoas trabalhando juntas em um novo caminho podem mudar o futuro para melhor.

Eu tenho um desafio. Eu aprendi algo. Eu tenho um protótipo.

Como posso

abordá-lo?

Como posso

testá-lo e

melhorá-lo com

os usuários?

Como eu

interpreto e

expresso minhas

ideias?

I N S P I R A Ç Ã O

é sobre a elaboração de

um desafio de design

e a descoberta de

novas perspectivas e

oportunidades.

I D E A Ç Ã O

é sobre gerar ideias e

como fazê-las tangíveis.

I T E R A Ç Ã O

é sobre a experimentação

contínua com base no

feedback do usuário.

INTRODUÇÃO

Uma Nota Sobre Linguagem

A terminologia usada para descrever o processo de Design Thinking pode variar

muito. Na verdade, nem mesmo o termo “design centrado no ser humano” vs

“design thinking” é universal entre os seus praticantes. Para o propósito deste

toolkit , utilizamos design centrado no ser humano como sendo a filosofia e as

origens da metodologia descrita aqui, enquanto o Design Thinking refere-se à

prática literal da abordagem e da consciência.

Conforme você explora outros recursos contidos neste documento, poderá

notar várias descrições diferentes para cada fase do processo concebido, nas

quais todas tratam do mesmo processo geral, embora possam ser divididas em

diferentes seções e títulos.

Tivemos muito cuidado em clarificar nossos termos ao construir este toolkit,

para que fique tão compreensível quanto possível. Enquanto muitos dos termos

utilizados no processo de design têm se tornado comuns, em vários contextos,

reconhecemos que há dúvidas para muitas bibliotecas que ainda não conhecem

os termos que utilizamos. Por essa razão, providenciamos um glossário (p. 117)

de definições ao final deste toolkit para a sua referência.

TERMOS ALTERNATIVOS

INSPIRAÇÃO

Explorar Descobrir Escutar Interpretar Empatizar Definir

IDEAÇÃO

Idealizar Criar Prototipar

ITERAÇÃO

Implementar Experimentar Entregar Evoluir Testar CURIOS O S OBRE OUTROS TERMOS NESTE TOOLKIT? Veja nosso glossário p. 117

INTRODUÇÃO:

COMO É O PROCESS O EM AÇÃO?

IDEAÇÃO

Usando como inspiração a pesquisa elaborada, a equipe começou a gerar ideias. Através de várias reuniões compartilharam suas histórias e experiências, reunindo informações que resultaram em muitas ideias que poderiam guiar o seu design. A seguir estão as quatro conclusões da equipe: · As bibliotecas são percebidas como o terceiro lugar mais seguro, entre a escola e o lar, portanto, há potencialmente mais aderência para experimentações; · A biblioteca deveria ser parte do processo de investigação da vida de uma criança; · Parentes e bibliotecários têm a tendência de querer controlar, ou mesmo, estruturar o brincar; assim, novos programas têm de equilibrar a necessidade de controle com a necessidade de flexibilidade que é inerente às atividades lúdicas; · Os pais de crianças em idade escolar querem que haja uma divisão entre o brincar e o estudar. A equipe, rapidamente, desenvolveu maneiras de transformar suas ideias em implementação e protótipos. Em apenas cinco horas, utilizaram materiais de construção básicos (principalmente do núcleo de espumas e brinquedos) para chegar a um novo tipo de espaço para as crianças, que permitisse a contação de história uns aos outros. Através da brincadeira, as crianças poderiam usar adereços e ferramentas de desenho para aprender a criar uma história com começo, meio e fim, numa estrutura narrativa. Para tornar a ideia tangível, o pessoal da biblioteca fez o protótipo do design de uma forma física e incluiu nele vários elementos da contação de histórias performativas, com um fundo – feito a partir de um núcleo de espuma com uma projeção de vídeo –, trajes simples e bonecos feitos à mão. Fotos que capturam o protótipo que a equipe criou dentro das pilhas de papel existentes nas bibliotecas, usando materiais como: bonecos, papel de construção, projetor e um laptop.

INTRODUÇÃO:

COMO É O PROCESS O EM AÇÃO?

ITERAÇÃO

O primeiro protótipo da equipe foi o de uma janela na biblioteca, dedicada à narrativa interativa no ramo de Chinatown em Chicago. A equipe criou um palco, com fundo grande para os contos de fadas, forneceu roupas e vários suportes para as crianças usarem durante as cenas. Além disso, montaram um local de escrita ao lado das janelas, com um quadro magnético para escrever histórias e adicionar detalhes ao palco. O objetivo era envolver as crianças na criação e na representação das histórias. Intencionalmente, houve pouca facilitação ou envolvimento dos bibliotecários, como acontece com muitos ramos do sistema Chinatown, o que foi prontamente atendido. Enquanto o minipiloto estava acontecendo, a equipe recolheu os feedbacks dos pais e das crianças para observações. Uma classe do jardim da infância amou o espaço aberto para a troca de livros. As ideias foram atrativas, principalmente, ao público mais jovem. A equipe aprendeu dois pontos importantes que formaram o minipiloto: primeiro, descobriram que as crianças mais velhas eram demasiadamente autoconscientes para atuarem em um espaço aberto. Segundo, as crianças estavam mais interessadas em desenhar do que em escrever no quadro. Elas não estavam criando histórias, mas desenhando imagens. Além disso, com base em suas observações, a equipe questionou a satisfação das crianças em relação à dramatização na frente de outras crianças versus a interação com elas. Inspirados por essa pergunta e por outros aprendizados, a equipe planejou um novo minipiloto. Um evento que tanto celebrou o interesse das crianças por desenhar, quanto a capacidade de criarem novas histórias. No evento, as crianças foram convidadas a produzir histórias em quadrinhos, usando personagens existentes, conhecidos dos livros que elas amavam, ou criar novos personagens conforme a imaginação delas. As crianças poderiam responder às histórias uns dos outros, produzindo juntos uma história em quadrinhos coletiva e em tempo real. Este evento focou mais na interação do que no desempenho. Uma vez que era ao vivo, a equipe A equipe observa duas crianças na atividade da escrita, durante o primeiro minipiloto. Fotos da janela da contação de histórias, durante o segundo minipiloto da equipe. estava muito mais envolvida, conduzindo atividades que instigassem as crianças a colaborarem, convidando-as a desenharem histórias em quadrinhos nos caixilhos das janelas e criando os próprios minilivros, desenhados em quadrinhos. Novamente, a equipe realizou entrevistas e observações durante o evento. Constataram que as crianças estavam dispostas a colaborar em contar histórias e entenderam o conceito de uma história com um começo, meio e fim claros. As crianças também adoraram a atividade de escrever nas paredes, o que elas não poderiam fazer em casa. A partir da iteração de suas experiências, elas aprenderam várias coisas novas: · As famílias precisam de estrutura nas atividades, em graus variados, pelo menos até que o jogo na biblioteca se torne rotineiro; · As famílias precisam de permissão para falar alto, elas não estão acostumadas a isso em um ambiente de biblioteca; · Alguns funcionários precisaram mudar a visão sobre ruído e controle, isso pode exigir treinamento e uma mudança na filosofia da equipe.

INTRODUÇÃO

Por que isso é valioso aos bibliotecários?

Além de descobrir soluções para os desafios do dia a dia, a prática do Design

Thinking ajudará você e a sua biblioteca a desenvolverem uma nova forma

de trabalho. Certamente, o Design Thinking começa quando envolve os seus

utilizadores, mas a partir desse ponto, pode se espalhar por toda a organização e

proporcionar vários benefícios, tanto para a biblioteca quanto para os usuários.

A ideia de que a inovação é cara é um equívoco! Tudo o que você precisa é olhar para o seu mundo de uma nova maneira e ser capaz de ver todas as possibilidades que já existem.”. Equipe da Biblioteca Pública de Chicago focada em uma programação para adolescentes INTERNAMENTE: PARA A BIBLIOTECA · Mais confiança criativa; · Melhores processos de gerenciamento de projetos; · Forte cultura colaborativa; · Estratégia para a tomada de decisão. PARA AMBOS · Aumento da capacidade de resposta às necessidades dos usuários; · Priorização e evolução de serviços eficazes. EXTERNAMENTE: PARA OS USUÁRIOS · Mais envolvimento; · Aumento na satisfação; · Novas formas de conexão junto à comunidade; · Mais defensores e juízes da biblioteca.

INTRODUÇÃO Quem pode utilizar?

VOCÊ PODE USAR DESIGN THINKING PARA ENFRENTAR

QUALQUER DESAFIO.

Quando as pessoas pensam em design, muitas vezes pensam na estética em

relação à forma, ou em objetos tangíveis, tal qual o desenho de uma cadeira. Porém,

o Design Thinking como processo pode ter um impacto muito mais amplo, e você

pode usá-lo para resolver todos os tipos de desafios de sua biblioteca, incluindo:

programas, espaços, serviços e sistemas.

Com isso em mente, entrevistamos bibliotecas parceiras, em todo o mundo,

e criamos um catálogo de tipos de desafios que as bibliotecas comumente

enfrentam. Estes desafios são apresentados em forma de perguntas: “Como nós

podemos...?” Como você mesmo pode perceber, há muitas respostas e soluções

possíveis para cada desafio.

Esperamos que este catálogo inspire ideias na maneira como você vai utilizar

o Design Thinking em sua biblioteca, uma vez que cada qual enfrenta desafios

diferentes. Por isso, convidamos você e sua equipe a escolherem um desses

desafios para ser resolvido com base nos exercícios que em breve iremos

apresentar.

D ê pequenos passos, o seu design não tem de ser um projeto completamente novo. Às vezes, o ideal é melhorar uma ideia que já existe em alguns detalhes. Biblioteca Pública de Chicago

PROGRAMAS

ESPAÇOS

SERVIÇOS

SISTEMAS

INTRODUÇÃO Como este toolkit se apresenta

Este toolkit é dividido em duas partes: um guia que consiste em leituras e

referências, e um livro de atividades que o ajudará a aprender utilizando seus

próprios métodos. Quaisquer notas no calendário, para cada método e exercício

são puramente sugestões. A utilização de todo o toolkit pode levar de 5-8 horas por

semana, durante as próximas seis semanas, mas pode se estender ou antecipar,

dependendo de quanto tempo você tem disponível com a sua equipe.

UMA NOTA SOBRE O

DESENVOLVIMENTO DESTE

TOOLKIT

Reconhecemos que este toolkit tem algumas limitações que gostaríamos de abordar e esclarecer antes de avançarmos. No Design Thinking, você não pode projetar para todos e não poderíamos criar este toolkit com essa abrangência. Reconhecemos que: · Em primeiro lugar, existe um preconceito linguístico. Estamos nos EUA e, ao mesmo tempo, temos trabalhado com bibliotecários de todo o mundo e o nosso principal meio de comunicação tem sido no idioma inglês. Nossa esperança é que ao escrevermos o toolkit inicialmente em inglês, na sequência, outros possam traduzi-lo para aumentar a acessibilidade; · Em segundo lugar, oferecemos muitos exemplos neste toolkit que têm viés para os EUA e a Europa. Isso decorre do nosso trabalho direto com a Biblioteca Pública de Chicago e a Biblioteca Pública de Aarhus. No entanto, tentamos realizar o nosso melhor para incluir muitos exemplos de diferentes contextos em todo o mundo.

DURAMENTE PRESSIONADO

PELO TEMPO?

Ao ler este toolkit, acreditamos que você possa experimentar o processo com base em múltiplas linhas do tempo. Se você tiver apenas uma hora, um dia ou um mês, não terá tanto aprofundamento no processo, mas ajudará a começar. Se o seu tempo é limitado, recomendamos que pule para: Aquecimento : Design – uma melhor viagem – localizado no Livro de Atividades, que o fará experimentar todas as fases do processo em menos de uma hora; Guia Prático : um documento em separado, que você pode baixar a partir de: www. designthinkingforlibraries.com que resume a abordagem de Design Thinking em poucas palavras.

SENTINDO-SE PRONTO?

SENTINDO-SE NERVOSO?

A verdade é que sabemos por experiência que qualquer pessoa pode aprender e usar o Design Thinking para criar impacto, necessitando somente de prática e de preparação. Com isso em mente, use as próximas três seções para ajudá-lo a preparar a sua biblioteca para o Design Thinking:

1. Uma conversa sobre Liderança O argumento para utilizar o Design Thinking em bibliotecas, do ponto de vista de um líder. 2. A formação da equipe 101 Dicas para a criação de equipes de sucesso. 3. Hábitos + Logística Formas de trabalho que facilitarão sua jornada no aprendizado sobre Design Thinking.

SEU TEMPO ESTÁ LIMITA-
DO? PULE PARA:

· No Livro de Atividades, consulte o Capítulo 1, Atividade 5, página 10

UMA CONVERSA SOBRE LIDERANÇA Em colaboração com a IDEO, as equipes da Biblioteca Pública de Aarhus e da Biblioteca Pública de Chicago têm usado a abordagem de Design Thinking para melhorar a experiência do usuário. Na entrevista a seguir foi solicitado aos líderes das

instituições para refletirem sobre o valor da abordagem e os conselhos que dariam para aqueles que são

iniciantes no processo.

Q: POR TER ADOTADO EM SUA BIBLIOTECA OS MÉTODOS DE DESIGN THINKING, QUAIS OS BENEFÍCIOS QUE CONSIDERA QUE SUA COMUNIDADE OU USUÁRIOS RECEBEM? Rolf (Aarhus): Eu acho que os nossos usuários recebem dois benefícios principais: o primeiro é que suas necessidades e demandas são levadas a sério, e elas são ouvidas, tendo suas necessidades reconhecidas como recursos ativos em um processo de transformação da biblioteca. Não são meros consumidores passivos de serviços, portanto, é o que você poderia chamar de um benefício democrático. O segundo é que as ideias dos usuários são realmente transformadas em algo novo, ou melhor, em termos de serviços. Brian (Chicago): Tem sido documentado que a inovação revolucionária, na maioria das vezes, acontece apesar dos esforços da organização para inovar. Novos serviços e produtos de sucesso são, muitas vezes, escondidos da vista de todos, sendo criados por acidente ou iniciados por líderes desonestos. A boa notícia para as bibliotecas é que apoiar a inovação não precisa ser caro ou altamente elaborado. Acreditamos que podemos desbloquear as melhores ideias dentro de nossas equipes, encorajando-as a envolverem- se profundamente com experiências da vida dos usuários. Design Thinking permite que a equipe se liberte da abordagem típica de solução de problemas, seguindo um roteiro que conduza a insights que, por sua vez, conduzam à ação. Já não temos que inventar um processo, cada vez que quisermos resolver um problema ou buscar uma nova ideia. A ênfase em Design Thinking sobre a experimentação de baixo custo nos permite testar ideias, sem grandes investimentos de tempo ou recursos. Já não precisamos construir um novo programa sem antes sabermos se ele será eficaz. Q: QUAIS FORAM OS BENEFÍCIOS DE SUA EQUIPE AO TRABALHAREM EM PROJETOS DE DESIGN THINKING? Rolf: Os membros da equipe envolvidos em Design Thinking têm aprendido muito, em vários níveis. Aprenderam concretamente sobre projetos, por exemplo: como os usuários preferem a funcionalidade de certos pontos de serviços na biblioteca? Talvez o mais interessante é que eles tenham assimilado sobre como o papel do colaborador na biblioteca se transforma em um papel de facilitador. Com os métodos de Design Thinking, eles estão lá para ajudar a impulsionar novas perspectivas e ideias entre a equipe e os usuários. Brian: Refletindo sobre o nosso primeiro ano trabalhando com a IDEO e Aarhus, podemos dizer, com certeza, que a nossa comunidade se beneficiou com os novos e revitalizados serviços como resultado desse compromisso. Um benefício que não havia sido plenamente antecipado foi o impacto positivo causado na nossa equipe e na cultura organizacional, na forma de incentivo à equipe, ferramentas e responsabilidades para explorarem novos serviços, gerando uma mudança de cultura. O sucesso e o fracasso, a partir dos quais nós também aprendemos, reforçaram a confiança na nossa capacidade coletiva de conduzir e criar uma base sólida para projetar o futuro da Biblioteca Pública de Chicago. Q: POR QUE VOCÊ ACREDITA QUE SEJA IMPORTANTE CONHECER E UTILIZAR DESIGN THINKING EM BIBLIOTECAS? Rolf: Acredito que as bibliotecas podem aprender e se beneficiar grandemente, a partir de métodos que são desenvolvidos em outros setores da sociedade. Eu também creio que as bibliotecas têm a vantagem de serem pioneiras em comparação a outras instituições do setor público, onde as demandas governamentais de uma cultura de ‘não podemos falhar’ pode colocar restrições sobre a capacidade de pensar fora da caixa. Brian: Em resposta a um mundo em constante mudança, as empresas do setor privado têm usado design centrado no ser humano para resolver problemas difíceis e construir novos produtos e serviços. As organizações sem fins lucrativos e do setor governamental podem usar a mesma abordagem para enfrentar os desafios no âmbito dos respectivos ambientes. As bibliotecas públicas têm evoluído com sucesso para atender às mudanças do mundo e de muitas maneiras são mestres da evolução. Mesmo assim, temos de acelerar nossa evolução e é nesse ponto que o Design Thinking pode ajudar. Q: COMO LÍDER, QUAL SERIA O SEU CONSELHO MAIS IMPORTANTE A UM LÍDER DE BIBLIOTECA, CONSIDERANDO COMO APOIAR O DESIGN THINKING EM SUA INSTITUIÇÃO? Brian: Se você está certo de suas prioridades e visão, Design Thinking é uma ferramenta poderosa para chegar onde necessita. Também pode ajudar a construir uma cultura organizacional necessária ao sucesso em longo prazo. Rolf: Discutir com os membros da equipe como você gostaria de aplicar o Design Thinking: quais os temas ou questões relevantes? Em seguida, basta testá-lo com os usuários, não é tão difícil de usar e eu garanto que os resultados serão expressivos.