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destruicao da amazonia, Notas de estudo de Ciências Biologicas

Amazônia - Amazônia

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 02/10/2011

elizangela-otaviano-1
elizangela-otaviano-1 🇧🇷

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Divulgação Científica – LBA - 2006
Cientistas estudam como a destruição da Amazônia
causa mudanças no clima da América do Sul e do mundo
Paulo Artaxo
Desde o final do século XX, quando alterações na composição
atmosférica do planeta passaram a se tornar evidentes cientistas têm
focado pesquisas nas causas destas mudanças. Entre estas questões estão
a questão do “buraco” na camada de ozônio, o aumento do “efeito estufa”
relacionado ao aquecimento global e a recente intensificação de eventos
climático
s extremos como furacões entre outros efeitos. Não é para menos,
pois elas têm potencial para influir negativamente na qualidade da vida
planetária. A remoção acelerada, desde os anos 70, da maior floresta
tropical da Terra, a Amazônia, principalmente com uso de fogo, é um dos
pontos cruciais de estudo, tanto pelos volumes de gás carbônico liberados
na atmosfera através das queimadas, quanto pelo papel da Amazônia na
regulação regional e global do clima.
No Brasil, o Programa LBA
(Experimento de Grande Escala da Biosfera-
Atmosfera na Amazônia) promove, desde os
anos 90, com colaboração internacional,
centenas de pesquisas científicas para
compreender o funcionamento do ecossistema
amazônico. Uma das sete áreas de estudo do
LBA é a Química da Atmosfera, o estuda a
composição da atmosfera amazônica, através
de medidas das concentrações de ozônio,
monóxido de carbono, gases biogênicos,
partículas de aerossóis, bem como das chuvas
e da dinâmica e formação das nuvens. Os
resultados dos trabalhos de cientistas
engajados no LBA – como o professor Paulo
Artaxo, do Instituto de Física da USP –
apresentam resultados inquietantes.
O desafio das mudanças
globais
O século XXI começou com uma
questão ambiental inédita para a humanidade:
a modificação da composição global da
atmosfera, em curso desde a revolução
industrial, agora acelerada e causando
mudanças climáticas importantes. Na
atmosfera terrestre, a concentração do gás
dióxido de carbono ou CO2, que é um dos
principais resíduos da queima de combustíveis
fósseis, era de 280 partes por milhão (ppm)
antes de 1850. Hoje sua concentração é de
370 ppm, e pode chegar a 1000 ppm até o
final deste século. Já existe certeza de que as emissões de gases
provenientes da queima de combustíveis fósseis e emissões de queimadas
florestais fazem parte dos principais mecanismos das mudanças climáticas
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Divulgação Científica – LBA - 2006

Cientistas estudam como a destruição da Amazônia causa mudanças no clima da América do Sul e do mundo Paulo Artaxo Desde o final do século XX, quando alterações na composição atmosférica do planeta passaram a se tornar evidentes cientistas têm focado pesquisas nas causas destas mudanças. Entre estas questões estão a questão do “buraco” na camada de ozônio, o aumento do “efeito estufa” relacionado ao aquecimento global e a recente intensificação de eventos climáticos extremos como furacões entre outros efeitos. Não é para menos, pois elas têm potencial para influir negativamente na qualidade da vida planetária. A remoção acelerada, desde os anos 70, da maior floresta tropical da Terra, a Amazônia, principalmente com uso de fogo, é um dos pontos cruciais de estudo, tanto pelos volumes de gás carbônico liberados na atmosfera através das queimadas, quanto pelo papel da Amazônia na regulação regional e global do clima. No Brasil, o Programa LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera- Atmosfera na Amazônia) promove, desde os anos 90, com colaboração internacional, centenas de pesquisas científicas para compreender o funcionamento do ecossistema amazônico. Uma das sete áreas de estudo do LBA é a Química da Atmosfera, o estuda a composição da atmosfera amazônica, através de medidas das concentrações de ozônio, monóxido de carbono, gases biogênicos, partículas de aerossóis, bem como das chuvas e da dinâmica e formação das nuvens. Os resultados dos trabalhos de cientistas engajados no LBA – como o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP – apresentam resultados inquietantes. O desafio das mudanças globais O século XXI começou com uma questão ambiental inédita para a humanidade: a modificação da composição global da atmosfera, em curso desde a revolução industrial, agora acelerada e causando mudanças climáticas importantes. Na atmosfera terrestre, a concentração do gás dióxido de carbono ou CO2, que é um dos principais resíduos da queima de combustíveis fósseis, era de 280 partes por milhão (ppm) antes de 1850. Hoje sua concentração é de 370 ppm, e pode chegar a 1000 ppm até o final deste século. Já existe certeza de que as emissões de gases provenientes da queima de combustíveis fósseis e emissões de queimadas florestais fazem parte dos principais mecanismos das mudanças climáticas

globais, contribuindo para um gradativo “aquecimento global”. É esperado que no final deste século, a temperatura média do planeta esteja de 2 a 6 graus mais quente que no século passado. Algumas regiões, como a Amazônia podem se aquecer ainda mais que isso, com conseqüências importantes para a sobrevivência da floresta como a conhecemos hoje. O aumento do “efeito estufa” e as mudanças do clima do planeta são questões científicas complexas, com conseqüências sócio- econômicas potenciais imensas. O clima terrestre é o resultado de um complicado sistema dinâmico, altamente não linear, com processos, mecanismos e interações em sua maioria ainda desconhecidos. A composição do ar depende de relações mútuas entre a física do clima, a química atmosférica, as emissões de origem humana (motores, queimadas) e processos biológicos marinhos e terrestres. O que se observou, até agora, permite concluir que o balanço de radiação solar de nosso planeta (calor recebido X calor dispersado) mudou, o que significa aumento de temperatura, elevação do nível dos oceanos e alterações nos regimes de chuvas. Cientistas estão tentando estudar as facetas biológicas, físicas, químicas e sócio-econômicas do problema em modelos integrados do Sistema Terrestre, apesar da ciência ainda não conhecer completamente a maioria dos processos envolvidos. A meta é descobrir formas de atenuar os efeitos e minimizar os danos sociais das mudanças do clima da Terra, e agir de modo rápido para diminuir as emissões. Perguntas urgentes relacionadas às mudanças climáticas As respostas para algumas perguntas relacionadas às mudanças climáticas são cruciais: por exemplo, qual é o papel das partículas de aerossóis (microscópicas partículas de diferentes substâncias em suspensão na atmosfera) na absorção e espalhamento da radiação solar, bem como na formação das nuvens e das chuvas. Outra tarefa importante seria monitorar os indicadores mais importantes das mudanças climáticas e do meio ambiente, com satélites e instrumentos em solo, para um diagnóstico da saúde da Amazônia e do planeta. Os cientistas ainda estão longe de criar bons modelos das transferências de radiação solar e térmica na atmosfera, capazes de levar em conta os gases, as partículas e as nuvens em escala global. Muitos especialistas pensam que com ou sem uma completa implementação do Protocolo de Kyoto (acordo internacional que tenta limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa), as mudanças climáticas são definitivas. O risco é que elas inviabilizem atender às necessidades básicas (alimentos, água, matérias primas, etc.) de uma população mundial que poderá em breve estar entre 7 e 8 bilhões de habitantes. É razoável supor que o Sistema Terrestre venha a sofrer tensões importantes em áreas críticas (abastecimento, equilíbrio ambiental, regime de chuvas, etc.). Uma área crítica em mudanças globais é o ecossistema amazônico. Mudanças globais na Amazônia A importância de algumas das questões científicas relativas à Amazônia deriva do peso que suas respostas podem ter para o desenvolvimento do Brasil. É necessário que a sociedade e o governo brasileiro saibam como as formas atuais de desenvolvimento da Amazônia

de centenas de pesquisadores, em áreas críticas para nosso país. Os cientistas do LBA querem estudar e propor alternativas viáveis, do ponto de vista do desenvolvimento, à mera queima dos recursos naturais da Amazônia. Isso só aumentaria o efeito estufa planetário, sem qualquer benefício significativo para a população local ou o país. Para isso a pesquisa é essencial: para auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas capazes de desenvolver a Amazônia sem destruí-la. Isso é o maior desejo dos pesquisadores do LBA e da população Amazônica. Dados do Pesquisador Professor Doutor Paulo Artaxo Filiação: Professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, coordenador do Laboratório de Física Atmosférica e do Instituto do Milênio do experimento LBA. É membro da coordenação da área de geociências da FAPESP e coordenador da área de desenvolvimento sustentável do CYTED. É também membro titular da Academia Brasileira de Ciências. [email protected] Tel: 11 3091 7016 Copyright 2006 © LBA