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Deus em Descartes e Hume, Esquemas de Filosofia

Resumo sobre a ideia de deus em Descartes e Hume - filosofia - 11 ano

Tipologia: Esquemas

2021

Compartilhado em 25/09/2021

herselfilipa
herselfilipa 🇵🇹

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A ideia de Deus na filosofia de Descartes e de Hume
O papel de Deus no racionalismo cartesiano: É da evidência do cogito que
Descartes deduz a existência de Deus. Um dos argumentos-chave, totalmente
a priori, procura sustentar a existência de um ser perfeito a partir da ideia de
perfeição. A linha de raciocínio é esta: apesar de imperfeito - pois sou um ser
que duvida -, tenho em mim a ideia de perfeição, pois, de outro modo, nunca
poderia pensar que não sou perfeito. Qual é pois, a origem dessa ideia? Não
pode ter surgido do exterior, uma vez que a perfeição nunca foi observada;
também não pode ter tido origem em mim, pois um ser imperfeito e finito não
pode ser a causa de uma ideia que lhe é superior. Assim, a ideia de perfeição
só pode ter sido colocada na minha mente pelo próprio ser perfeito, isto é,
pelo criador da ideia que Descartes tem de perfeição. Trata-se assim de uma
ideia nata. Provada a existência do cogito, o sistema cartesiano afirma a
existência de um sujeito pensante e das suas ideias e nada mais. Permanecem
dois problemas sem solução: primeiro, a hipótese da existência de um génio
maligno; segundo, consequência do primeiro, a hipótese de o mundo físico não
existir. Para poder prosseguir, Descartes tem de resolver este impasse e
ultrapassar o solipsismo. Para tal, Descartes tentar provar a existência de um
Deus sumamente bom. O raciocínio que nos propõe é o seguinte: Eu, sujeito
pensante, erro e duvido. Errar e duvidar são sinais de imperfeição. Saber que
sou imperfeito implica ter em mim a ideia de um ser perfeito. De onde me terá
vindo a ideia de um ser mais perfeito do que eu? A causa desta ideia ou está
em mim ou em algo distinto de mim. Sei que a imperfeição não pode ser causa
da perfeição. Assim, a causa da ideia de um ser perfeito não posso ser eu,
sujeito pensante, pois sou imperfeito; a causa da ideia de ser perfeito tem,
pois, de proceder de algo absolutamente perfeito e exterior a mim – Deus. Se
Deus é perfeito, então não pode ser enganador (um ser perfeito que fosse
maldoso não seria perfeito) e tem de, forçosamente, existir. Como Deus é
perfeito e, por essa razão, não é enganador, podemos confiar na nossa razão
quando esta pensa ter descoberto ideias claras e distintas. Deus é assim a
garantia de que aquilo que conhecemos clara e distintamente é verdadeiro.
Com Deus como garantia, Descartes pode deduzir outras verdades – a
existência do seu corpo e do mundo físico, por exemplo – e construir, com
toda segurança, o edifício do conhecimento verdadeiro.
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A ideia de Deus na filosofia de Descartes e de Hume

O papel de Deus no racionalismo cartesiano: É da evidência do cogito que Descartes deduz a existência de Deus. Um dos argumentos-chave, totalmente a priori, procura sustentar a existência de um ser perfeito a partir da ideia de perfeição. A linha de raciocínio é esta: apesar de imperfeito - pois sou um ser que duvida -, tenho em mim a ideia de perfeição, pois, de outro modo, nunca poderia pensar que não sou perfeito. Qual é pois, a origem dessa ideia? Não pode ter surgido do exterior, uma vez que a perfeição nunca foi observada; também não pode ter tido origem em mim, pois um ser imperfeito e finito não pode ser a causa de uma ideia que lhe é superior. Assim, a ideia de perfeição só pode ter sido colocada na minha mente pelo próprio ser perfeito, isto é, pelo criador da ideia que Descartes tem de perfeição. Trata-se assim de uma ideia nata. Provada a existência do cogito, o sistema cartesiano afirma a existência de um sujeito pensante e das suas ideias e nada mais. Permanecem dois problemas sem solução: primeiro, a hipótese da existência de um génio maligno; segundo, consequência do primeiro, a hipótese de o mundo físico não existir. Para poder prosseguir, Descartes tem de resolver este impasse e ultrapassar o solipsismo. Para tal, Descartes tentar provar a existência de um Deus sumamente bom. O raciocínio que nos propõe é o seguinte: Eu, sujeito pensante, erro e duvido. Errar e duvidar são sinais de imperfeição. Saber que sou imperfeito implica ter em mim a ideia de um ser perfeito. De onde me terá vindo a ideia de um ser mais perfeito do que eu? A causa desta ideia ou está em mim ou em algo distinto de mim. Sei que a imperfeição não pode ser causa da perfeição. Assim, a causa da ideia de um ser perfeito não posso ser eu, sujeito pensante, pois sou imperfeito; a causa da ideia de ser perfeito tem, pois, de proceder de algo absolutamente perfeito e exterior a mim – Deus. Se Deus é perfeito, então não pode ser enganador (um ser perfeito que fosse maldoso não seria perfeito) e tem de, forçosamente, existir. Como Deus é perfeito e, por essa razão, não é enganador, podemos confiar na nossa razão quando esta pensa ter descoberto ideias claras e distintas. Deus é assim a garantia de que aquilo que conhecemos clara e distintamente é verdadeiro. Com Deus como garantia, Descartes pode deduzir outras verdades – a existência do seu corpo e do mundo físico, por exemplo – e construir, com toda segurança, o edifício do conhecimento verdadeiro.

O empirismo de David Hume : Para David Hume, ao contrário do que defendia Descartes, as crenças básicas (fundacionais) que permitem responder ao desafio cético (e afirmar a possibilidade do conhecimento) provêm da experiência sensível. Assim, o funcionalismo de Hume, ao sustentar a tese de que a justificação das nossas crenças é feita a posteriori, a partir das nossas impressões sensíveis, radica numa posição empirista. Para o empirismo, a experiência é o ponto de partida e o limite do conhecimento. Assim, antes do contacto sensorial com o objeto, não há qualquer possibilidade de representação. Se, para um empirista, o conteúdo das ideias é, obrigatoriamente, a matéria sensível, então - ao contrário do que defendem os racionalistas - não existem ideias inatas. Deste modo, no empirismo, a experiência sensível tem capacidade de validar a adequação de uma proposição à realidade. Para David Hume, todo o conhecimento começa com a experiência, uma vez que é pelos sentidos que captamos a matéria das representações. Deste forma, os conteúdos da mente são os dados imediatos da experiência, ou seja, as impressões (sensações, sentimentos e emoções) e as ideias (as representações que construímos a partir das impressões). É com base nessa diferença que Hume distingue os atos de sentir e de pensar, afirmando que o primeiro é muito mais vívido e intenso do que o segundo. E a ideia de Deus? Como se explica a sua formação_?_ Diz Hume: “ (…) ao analisarmos os nossos pensamentos ou ideias, por mais compostos e sublimes que sejam, sempre descobrimos que elas se resolvem em ideias tão simples como se fossem copiadas de uma sensação ou sentimento precedente. Mesmo as ideias que, à primeira vista, parecem afastadas desta origem, descobre-se, após um escrutínio mais minucioso, serem delas derivadas. A ideia de Deus, enquanto significa um Ser infinitamente inteligente, sábio e bom, promana [procede] da reflexão sobre as operações da nossa própria mente, e eleva sem limite essas qualidades da bondade e da sabedoria. Podemos prosseguir esta inquirição até ao ponto que nos agradar, onde sempre descobriremos que toda a ideia que examinamos é copiada de uma impressão similar.” David Hume, Investigação sobre o entendimento humano, Edições 70, tradução de Artur Morão, Lisboa, 1985, pág. 25. A ideia de Deus (Ser infinitamente inteligente, sábio e bom), é uma ideia complexa que procede das ideias simples de seres inteligentes, bondosos e sábios, e como ele próprio afirma “eleva sem limite essas qualidades da bondade e da sabedoria” Como? Através da imaginação. Contrariamente a Descartes, Hume defende que não há conhecimento de realidades metafísicas.

Deus, porque não chegamos à fé pelo uso da razão e seus argumentos, mas sim pelo facto de Deus nos dar ou não a graça de ter fé Nele. A fé é fruto da graça divina, é sobrenatural, e não fruto de um calculo racional. No meu ponto de vista, mesmo que a filosofia de Descartes e Hume sejam distintas, acho que o facto concordarmos com uma delas não implica a rejeição ou o descarte da outra, muito pelo contrário, eu acredito que o ser humano é um ser complexo, que possui a capacidade de obter conhecimento de inúmeras formas, e por este motivo, uma não exclui a outra, mas se complementam. O conhecimento, na minha perspetiva, não é obtido apenas por uma forma, pois estamos constantemente aprendendo coisas novas, tanto através das nossas experiencias, como diz Hume, quanto através das ideias inatas, como diz Descartes. Em suma, o que me leva a acreditar em Deus é que: Na natureza tudo tem seu lugar. Cada criatura é extremamente detalhada e existem milhões de criaturas vivas! O mundo é demasiado complexo e funciona demasiado bem para ser apenas obra do acaso. Somente um grande Artista poderia ter criado um mundo tão elaborado... Tudo que você vê, ouve e sente prova que Deus existe. Apreciação crítica/conclusão: Uma das perguntas que julgo inúteis na filosofia é se Deus existe, é por essa razão que não defendo nenhuma tese. O raciocínio que tive para chegar a esta conclusão foi que, não adianta tentar provar a existência de Deus, porque não chegamos à fé pelo uso da razão e seus argumentos, mas sim pelo facto de Deus nos dar ou não a graça de ter fé Nele. A fé é fruto da graça divina, é sobrenatural, e não fruto de um calculo racional. No meu ponto de vista, mesmo que a filosofia de Descartes e Hume sejam distintas, acho que o facto concordarmos com uma delas não implica a rejeição ou o descarte da outra, muito pelo contrário, eu acredito que o ser humano é um ser complexo, que possui a capacidade de obter conhecimento de inúmeras formas, e por este motivo, uma não exclui a outra, mas se complementam. O conhecimento, na minha perspetiva, não é obtido apenas por uma forma, pois estamos constantemente aprendendo coisas novas, tanto através das nossas experiencias, como diz Hume, quanto através das ideias inatas, como diz Descartes. Em suma, o que me leva a acreditar em Deus é que: Na natureza tudo tem seu lugar. Cada criatura é extremamente detalhada e existem milhões de criaturas vivas! O mundo é demasiado complexo e funciona demasiado bem para ser apenas obra do acaso. Somente um grande Artista poderia ter criado um mundo tão elaborado... Tudo que você vê, ouve e sente prova que Deus existe. Pode ainda criticar-se o modo como Descartes,

partindo da ideia de perfeição, deduz a existência de Deus. Em primeiro lugar, porque nada garante que a ideia de (um ser) perfeito tenha, de facto, origem num ser perfeito. Em segundo lugar, frisou Kant, porque existir não é uma propriedade de Deus, mas tão-somente uma condição de possibilidade que tem de ser satisfeita para que Deus possa, por exemplo, ser perfeito. Como tal, pensar um ser perfeito não implica a sua excelência. Perante estas críticas, o principio de causalidade usado por Descartes para provar a existência de Deus tem dificuldade em sustentar-se. Para Hume, a indução não permite justificar a verdade das nossas crenças, pois o que designamos por relação de causalidade mais não é do que o resultado do hábito. Pelo facto de observarmos, repetidamente, a conjunção entre dois fenômenos, inferimos um é a causa do outro. Ora, esta resposta de David Hume ao problema da indução (e à forma como nas ciências se procede à validação do conhecimento) foi o alvo de várias críticas, nomeadamente, de Bertrand Russell. Embora Russell aceite, como Hume, que a indução não garante a verdade do conhecimento, considere, no entanto, que é possível justificar racionalmente esta crença. Se fazemos constantemente conjunções entre os fenômenos, é porque a razão no-lo autoriza. Ou seja, há boas razoes que sustentam uma tal inferência, sendo que não se trata, como pretendia Hume, de induzir o desconhecimento a partir de casos conhecidos. Pelo contrario: só fazemos uma conjunção constante entre dois fenômenos se, efetivamente, um deles for a melhor explicação racional para o outro, e não porque tal sempre assim aconteceu. Dito de outra forma, quando, por exemplo, após ter dado ordem de impressão de um documento (X), a folha de papel que imprimi. Afirmo, neste momento, que X é causa de Y. No entanto, não é o hábito, mas o facto de haver tinta no tinteiro e de a impressora estar a funcionar corretamente que justificam a minha crença de que o documento será impresso. A minha inferência é feita, tão-somente, a partir da interpretação racional de um conjunto de sinais que me fazem procurar a melhor explicação possível para o sucedido. Trata-se, portanto, de abduzir, ou seja, de encontrar novos elementos (razões válidas) que justifiquem tal interferência. Ora, esses elementos novos são, por si só, a razão suficiente para fazermos uma tal conjunção constante entre fenômenos. Assim, na perspetiva de Russell, é racionalmente aceitável que a existência de uma conjunção constante entre X e Y seja a melhor explicação para que X seja causa de Y. E, por isso e ao contrario do que defendia Hume, a nossa crença nas relações causais entre acontecimentos pode ser racionalmente justificada.