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gênese grega parte de Caos, o deus do vazio que, ... Zeus: deus supremo do céu, o senhor do Olimpo; ... Apolo: deus do Sol, da música, da poesia, das.
Tipologia: Notas de aula
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s nascidos na segunda metade do século XX devem ter apreciado obras literárias de Mon- teiro Lobato, autor de livros infanto-juvenis, muitos dos quais faziam parte da leitura obri- gatória exigida nas escolas públicas daque- le tempo. Dentre eles, cito O Minotauro e Os Doze trabalhos de Hércules , como exemplos de histó- rias sobre lendas e seres mitológicos. A cerimônia de passagem da linha do Equador, antiga tradição da Marinha do Brasil, reverencia o deus Netuno e sua corte. Netuno é uma divindade da mitologia grega ou romana? Esta dificuldade em distinguir a origem desses personagens, com certeza, muitos hão de ter. A grega, mais antiga, foi assimila- da pelos romanos, cujo império chegou a englobar extensas regiões da Grécia e, por conseguinte, muito da sua mitologia. Daí escritores e estudiosos sobre o tema considerarem a existência de uma única, deno- minando-a greco-romana. Entretanto, o estudo das lendas e dos mitos lega- dos por aquelas culturas suscita muitas outras dúvi- das e elucubrações, em face das diversas fontes que tratam deste assunto, que chegam a divergir entre si. Este artigo relembrará, em parte, a origem dos mitos e dos atores mais importantes citados e expostos, ao longo dos séculos, sob a forma de obras literárias, esculturas, pinturas, arquiteturas e outras formas de expressão das artes.
Povos da antiguidade, como os egípcios, gregos, romanos e tantos outros, eram politeístas, ou seja, veneravam vários deuses. Na civilização ocidental, percebemos a influência das culturas grega e ro- mana nas artes, relacionadas, respectivamente, ao período helênico e imperial romano, reverenciando
deuses, então considerados imortais, antropomór- ficos e dotados de sentimentos humanos, como o amor, a bondade, o ódio, a inveja etc. Juntem-se a essas divindades os semideuses, heróis, titãs, ninfas, centauros, musas e as suas respectivas histórias e lendas, e teremos o que chamamos de mitologia. Hodiernamente, eles não passam de mitos e lendas, porém, os povos da Grécia antiga – período do século XII a.C. ao ano 600 d.C. – não pensavam dessa forma. Para eles, tratava-se de uma crença, pois acreditavam na existência de divindades que habitavam um palácio no topo do Monte Olimpo, a mais alta montanha da- quela região. De lá, eles decidiam a vida dos humanos,
antiguidade
alimentando-se de ambrósia [1]^ e do néctar [2] , os quais lhes garantiam a imortalidade. Todavia, entenda-se que os vultos citados não se exaurem, pois são numerosos, visto que, relacionam-se entre si: pai com a filha, mãe com o filho, irmão com irmã, sobrinha com tio e até mesmo com os humanos, gerando assim novos deuses, semideuses e tantos outros seres.
existiram diversas outras figuras. Os poetas gregos Homero – autor das Ilíadas e da Odisseia – e Hesíodo, em sua obra Teogonia , são os mais antigos a narrar deuses e outros persona- gens, apresentando diferentes opiniões quanto à hereditariedade de algumas divindades, contudo, sem descaracterizar as suas virtudes e defeitos. Ésquilo (século V a.C.), Platão e Ovídio contribuíram, também, com outras versões. A base de formulação deste texto tem como fonte de referência as obras dos dois primeiros escritores. A origem da vida e os fenômenos da natureza na gênese grega parte de Caos, o deus do vazio que, segundo Hesíodo, é a primeira divindade do universo que, por cisão, deu à luz vários filhos: Gaia (a Terra), Tártaro (o submundo), os gêmeos Érebo (a escuridão) e Nix (a noite), e Eros [3]. Érebo desposou a irmã Nix, gerando Éter (a luz) e Hemera (o dia). Já estão formados, portanto, alguns elementos da natureza, que não terminam por aqui. Gaia (a Terra), espontaneamente (partenogênese), deu vida a: Urano (o céu), Oreas (as montanhas) e Ponto (o mar). Da relação incestuosa com Urano, surgiram os famosos titãs, seis masculinos e seis femininas (as titânides). Nas conjunções carnais posteriores só nasce- ram monstros: três ciclopes e três hecatônquiros, que foram escondidos no Tártaro pelo pai, causando mais tarde a ira de Gaia. As titânides são: Téia (visão), Febe (lua), Mnemósine (memória), Themis (justiça), Tétis (água fresca) e Réia (maternidade). Os titãs chamavam-se: Oceano (massas líquidas), Crios (constelações), lapeto ou Jápeto (morta- lidade) – pai de Atlas e Prometeu –, Ceos (conhecimen- to), Hipérion (luz) – que com Téia gerou Helios (sol) e Selene (lua) – e Cronos (tempo), o mais novo que, com a ajuda de Gaia, retirou seu pai Urano do poder. Da relação entre os titãs Cronos e Réia surgiu Zeus, dando origem à segunda geração de titãs, da qual faz parte Prometeu, criador da humanidade. Entre as diversas relações das quais surgiram outros seres, é digno comentar as de Mnemósine. Ela não se uniu a nenhum titã, mas sim com Zeus, concebendo nove musas, protetoras das artes, ciências e letras: Calíope (poesia heroica e oratória), Clio (história), Eu- terpe (música), Melpômene (tragédia), Talia (comédia), Terpsícore (dança), Erato (poesia lírica), Polínia (elegia) e Urânia (astronomia). O templo das musas era o Museion, termo do qual provêm a palavra museu.
Mitologia tem a sua origem nos termos gregos mythos , que significa “narrativa” e logos , que se refere à “razão” e à “lógica”. É definida por alguns autores como o conjunto de lendas e mitos criados pelos gre- gos, na antiguidade, como forma de preservar a sua história, sob a forma de narrativas para disseminar fatos como a origem da vida, fenômenos da natureza e a vida após a morte. Não é correto achar que a mi- tologia grega tem início com Zeus, o todo poderoso do Olimpo, uma vez que, antes do seu surgimento,
“Atena junto às musas”, pintura de Frans Floris (1560)
comandante dos gregos durante a guerra de Troia e seu irmão Menelau (esposo de Helena). Contudo, as narrativas não terminam por aqui, pois existem outras figuras mitológicas, amplamente exploradas e difundidas em filmes épicos e obras li- terárias, citadas a seguir segundo suas características morfológicas, virtudes e atitudes:
ouvisse os seus cantos [6] ;
“Vênus e Marte com Cupido”, pintura de Paris Bordone (1559/1560)
“Ninfas e Sátiros”, de Charles Édouard Delort (1888)
Os habitantes de Roma, assim como os gregos, também reverenciavam os seus deuses. Cada entidade representava as forças da natureza e os sentimentos humanos, integrando ao que denominamos de mi- tologia romana, reunindo crenças, mitos e histórias, transmitidas de geração para geração. O crescimento territorial do Império os levou a in- corporar não somente a cultura grega, mas também a dos persas, como Mitra, o deus do Sol, da sabedoria e da guerra. Dentre as suas deidades, Netuno era a mais importante do panteão romano. Às divindades gregas foram atribuídos diferentes nomes. A assimilação das crenças gregas pelos romanos deu origem à mitologia greco-romana. No entanto, os romanos adoravam ou- tros deuses, próprios ou advindos de outras culturas: Belona: da guerra; Bona Dea: da fertilidade; Carmen- ta: das fontes e da profecia; Conso: protetor do grão enterrado; Jano: da luz (possuía um rosto na frente e outro atrás); Liber: da vinha, muitas vezes confundido com Baco; Pomona: da abundância, dos frutos e das árvores; Quirino: da guerra, confundido com Rômulo e Marte; e Urano: a personificação do céu. Quanto às figuras mitológicas, a romana não é muito diferente da grega. Eles cultuavam “deuses abstratos”, dentre os quais: Abundância; Equidade; Fortuna; Pieda- de; Roma; Esperança e Vitória. Como figuras lendárias, temos: Eneias; Reia Sílvia (mãe dos lendários Rômulo e Remo); e Numa Pompílio (sabino que sucedeu a Rô- mulo como rei). Dentre os poetas, os mais conhecidos são Virgílio, autor de Eneida , e Ovídio, do clássico Metamorfoses , o qual retrata episódios marcantes das divindades romanas. Os romanos tinham também as suas musas, os sátiros (por eles conhecidos como faunos) e os heróis, como o já citado Hércules. Por fim, alguns exemplos de influências das lendas culturais no nosso dia a dia nas diversas expressões das artes e ciências:
torpedeou e afundou no Mar Adriático seu oponente da marinha italiana de nome Medusa;
“O Nascimento de Vênus”, pintura de Sandro Botticelli (1483)