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Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado
Tipologia: Notas de estudo
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Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos
30 setembro 2003
Vigas são “elementos lineares em que a flexão é preponderante” (NBR 6118: 2003, item 14.4.1.1). Portanto, os esforços predominantes são: momento fletor e força cortante.
Nos edifícios, em geral, as vigas servem de apoio para lajes e paredes, conduzindo suas cargas até os pilares.
Como neste capítulo o efeito do vento não será considerado, as vigas serão dimensionadas para resistir apenas às ações verticais.
O primeiro passo para o projeto das vigas consiste em identificar os dados iniciais. Entre eles incluem-se:
a) Vinculação No início deste cálculo simplificado, as vigas serão admitidas simplesmente apoiadas nos pilares. Posteriormente, serão consideradas suas ligações com os pilares de extremidade.
b) Vão livre e vão teórico
l = l 0 + a 1 + a 2
com a 1 igual ao menor valor entre t 1 / 2 e 0,3h e a 2 igual a t 2 / 2.
No entanto, é usual adotar o vão teórico como sendo, simplesmente, a distância entre os eixos dos apoios.
Nas vigas em balanço, vão livre é a distância entre a extremidade livre e a face externa do apoio, e o vão teórico é a distância até o centro do apoio.
Figura 15.1 – Vão livre e vão teórico
c) Pré-dimensionamento As vigas não devem apresentar largura menor que 12cm. Esse limite pode ser reduzido, respeitando-se um mínimo absoluto de 10cm em casos excepcionais, sendo obrigatoriamente respeitadas as seguintes condições (item 13.2.2 da NBR 6118, 2003):
Porém, nos casos de grandes vãos ou de tramos muito carregados, pode ser necessário adotar larguras maiores. Nesses casos, procura-se atenuar o impacto na arquitetura do edifício.
Como foi visto no Capítulo 5, item 5.2, uma estimativa grosseira para a altura das vigas é dada por:
Nas estruturas usuais de edifícios, para o estudo das cargas verticais, as vigas podem ser admitidas simplesmente apoiadas nos pilares, observando-se a necessidade das correções indicadas no item 15.3.1.
Se a carga variável for no máximo igual a 20% da carga total, a análise estrutural pode ser realizada sem a consideração da alternância de cargas (item 14.6.7.3 da NBR 6118, 2003). Mais detalhes serão vistos na seqüência, no item b.
a) Correções adicionais para vigas simplesmente apoiadas nos pilares No cálculo em que as vigas são admitidas simplesmente apoiadas nos pilares, deve ser observada a necessidade das seguintes correções adicionais (item 14.6.7. da NBR 6118, 2003):
rvig rinf rsup
rinf rsup M (^) vig Meng + +
l
r = I → rigidez do elemento, avaliada conforme indicado na
figura 14.8 da NBR 6118 (2003)
inf, sup,vig →^ índices^ referentes^ ao^ pilar^ inferior,^ ao^ pilar^ superior^ e à viga, respectivamente.
b) Carga acidental maior que 20% da carga total
No cálculo de uma viga contínua com carga uniforme, para se determinar a combinação de carregamento mais desfavorável para uma determinada seção, deve- se considerar, em cada tramo, que a carga variável atue com valor integral ou com valor nulo.
Na verdade, devem ser consideradas pelo menos três combinações de carregamento: (a) todos os tramos totalmente carregados, (b) tramos alternados totalmente carregados ou com valor nulo da carga variável e (c) idem, alterando a ordem dos carregamentos, isto é, os tramos totalmente carregados passam a ter carga
variável nula e vice-versa. Essas três situações devem ser consideradas quando a carga variável é maior que 20% da carga total
Mesmo assim, é prática comum no projeto de edifícios usuais considerar apenas a primeira das três combinações citadas. Esse procedimento em geral não compromete a segurança, dada a pequena magnitude das cargas variáveis nesses edifícios, em relação à carga total.
Antes do cálculo das armaduras, é necessário verificar se a seção transversal é suficiente para resistir aos esforços de flexão e de cisalhamento.
a) Momento Fletor
O momento limite para armadura simples é dado por:
c,lim
(ver Tabela 1.1 de PINHEIRO, 1993)
viga. O emprego de seção T, quando for possível, também é uma alternativa.
Outras providências, menos práticas, seriam: diminuir o momento fletor – alterando a vinculação, o vão ou a carga – ou aumentar a resistência do concreto. Esta talvez seja a menos viável, pois em geral se adota a mesma resistência do concreto para todos os elementos estruturais.
b) Força Cortante
(item 17.4.2.2 da NBR 6118, 1973):
VRd2 = 0,27 αv2 fcd bw d
αv2 = (1 - fck / 250) , fck em MPa ou αv2 = (1 - fck / 25) , fck em kN/cm^2 fcd → resistência de cálculo do concreto bw → menor largura da seção, compreendida ao longo da altura útil
Recomenda-se elaborar um memorial sintetizado, como o indicado na Figura 15.3, que inclui as informações essenciais para o projeto e os principais resultados obtidos, entre os quais:
15.7.1 Dados iniciais
Os dados iniciais estão indicados na Figura 15.3 (dimensões em centímetros): Nome da viga: V Dimensões da seção: 22 x 40 Classe do concreto C25 e do aço CA- Cobrimento c = 2,5 (Classe I) Esquema estático Dimensões dos apoios na direção do eixo da viga (22) Vão teórico (410) Nome dos apoios (V2 e V3).
15.7.2 Ações
As cargas, admitidas uniformes, são: peso próprio, reações das lajes e carga de parede (Figura 15.3). As partes das reações de apoio das lajes, relativas à carga variável, estão entre parênteses.
Figura 15.3 – Memorial sintetizado
b) Momento máximo com armadura simples
PINHEIRO, 1993 – Tabela 1.1:
15752 kN.cm 157 , 5 kN.m 1 , 8
22 35 , 9 k
b d M
d, lim = =
M (^) d, máx = 147 , 1 kN.m VSd,mín = 92 , 5 kN⇒asw >asw, mín
e) Trecho com armadura transversal maior que a mínima
0 , 73 m 73 cm 70
p
a d
= Sd,^ eixo− Sd,mín= − = =
15.7.5 Dimensionamento da armadura de flexão
d
k (^) c = 1 , 9 → ks= 0 , 030 − Tabela 1. 1 (Pinheiro, 1993 )
s d^2 s (^35) , 9 12 ,^29 cm
0 , 030 14710 d
k M A =
PINHEIRO (1993), Tabela 1.3a: 4φ20 (12,60 cm^2 ) As barras longitudinais de flexão estão indicadas na Figura 15.3. O cálculo dos comprimentos das barras interrompidas antes dos apoios, denominado decalagem, será visto no item 15.7.9).
15.7.6 Dimensionamento da armadura transversal (cisalhamento)
dessas armaduras encontram-se nos itens seguintes (ver, também, a Figura 15.3).
a) Armadura transversal junto ao apoio
Força cortante a d/2 da face do apoio:
123 , 2 kN 2
135 , 8 1 , 4 50 0 ,^359 2
V V p d Sd, d/ 2 = Sd,face− d⋅ = − ⋅ ⋅ =
V (^) sw =VSd,d/ 2 −Vc= 123 , 2 − 60 , 8 = 62 , 4 kN
0 , 0444 cm/cm 4 , 44 cm/ m 0 , 9 35 , 9 43 , 5
62 , 4 0 , 9 d f
V s
A a 2 2 ywd
sw sw sw = = ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ = =
2 , 22 cm /m(estribosde 2 ramos ) n
Pode-se adotar: φ5 c/ 9 (2,22 cm^2 /m) φ6,3 c/ 14 (2,25 cm^2 /m)
b) Armadura transversal mínima
Utilizando-se estribos de dois ramos, tem-se:
fctd = 0 , 1282 kN/cm^2 (Item 15.7.4d) 2 fbd = 2 , 25 ⋅ 1 , 0 ⋅ 1 , 0 ⋅ 0 , 1282 = 0 , 289 kN/cm
b) Comprimento de ancoragem básico
75 cm 1 , 15 0 , 289
f
f (^4) bd
yd b ⋅ = ⋅ ⋅ = l = φ
15.7.8 Ancoragem no apoio
A notação é indicada na figura 15.5.
Figura 15.5 – Ancoragem no apoio
a) Dimensão mínima do apoio
(r 5,5 ) 4 5,5 9,5 2,0 19 cm lb,mín
lb, disp= t −c= 22 − 2 , 5 = 19 , 5 cm>lb,mín= 19 cm→ OK
b) Esforço a ancorar e armadura calculada para tensão fyd
s (^) d Vd, face
a R = l⋅
d
a d,face c
d,face ⋅ −
l (^) = = 0,905 > 0,5 OK!
R (^) s = 0 , 905 ⋅ 135 , 8 = 122 , 9 kN
2 yd
s s, calc^2 ,^83 cm 1 , 15
f
c) Armadura necessária no apoio
s, nec
s,cal b, disp 1 b A
l = α ⋅l ⋅
2 s,calc b,disp
1 b s, nec 19 , 5 2 ,^837 ,^62 cm A = α ⋅ ⋅A =^0 ,^7 ⋅^75 ⋅ = l
l
É necessário prolongar três barras até o apoio: 3 φ 20 :As, apoio= 9 , 45 cm^2 >As,mec= 7 , 62 cm^2
15.7.9 Decalagem da armadura longitudinal
Como foi visto no item 15.7.8, três barras devem ser prolongadas até os apoios. Portanto deve ser calculado, somente, o comprimento da 4 a^ barra (ver Figura 15.3).
Como A (^) s, ef = 12 , 60 cm^2 >As,calc= 12 , 29 cm^2 , o comprimento de ancoragem
dos valores:
b,mín
α 1 = 1 (Barra sem gancho) l (^) b = 75 cm(Item 15.7.7) 2
A (^) s, ef= 12 , 60 cm^2 (4φ20)
Com esses valores, obtém-se:
73 cm 12 , 60
s,ef
s,cal l (^) b, mec = α 1 ⋅lb⋅ = ⋅ ⋅ = > lbe,min = 22,5 cm
Figura 15.6 – Desenho de armação