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Resumo sobre doenças do pericárdio - cardiologia - matéria pertencente a Clínica Médica I
Tipologia: Resumos
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O pericárdio possui duas camadas: visceral e parietal Abriga um volume de liquido entre 15 - 50ml entre as duas camadas, que serve para facilitar o deslizamento do coração e das lâminas entre si
A doença mais comum que afeta o pericárdio é a pericardite Tem maior prevalência no sexo masculino, homens entre 16-65 anos
O pericárdio pode ser afetado por todas as categorias de doenças Causas infeciosas: ▪ Viral: mais comum , representa a maioria dos casos – qualquer tipo de vírus pode acometer o pericárdio, sendo mais frequente: enterovírus, herpes vírus, adenovírus ▪ Bacteriana: menos comum que viral, quando bacteriana é por Mycobacterium tuberculosis – é raro ser por outra bactéria ▪ Fúngica: raro – Histoplasma spp (pct imunocomprometido com HIV, quimioterapia), Aspergillus spp ▪ Parasitaria: muito raro – Toxoplasma spp Causas não infecciosas: ▪ Autoimune: qualquer doença do colágeno: LES, sd. de Sjogren, AR... ▪ Neoplásica: tumores primários - raro (mesotelioma pericárdico), tumores secundá- rios – mais comum (metástases de tumores de pulmão, linfoma, câncer de mama) ▪ Metabólica – hipotireoidismo descompensado, doença renal crônica ▪ Traumática – injuria direta: perfuração de coronária, implante de marca-passo... ▪ Medicamentosa: principalmente drogas quimioterápicas
Aguda Critérios diagnósticos: presença de pelo menos 2 dos 4 critérios ▪ Dor pleurítica ▪ Atrito pericárdico ▪ Supra desnivelamento do segmento ST em TODAS as derivações + depressão do espaço PR ▪ Derrame pericárdico: novo ou piora de um derrame preexistente Exames complementares uteis: elevação dos marcadores de inflamação: PCR, VSH, hemograma / na RM e tomografia também pode-se identificar inflamação Incessante Pericardite que dura entre 4-6 semanas e termina em até 3 meses Recorrente Recorrência após um episódio anterior – pct fica de 4 a 6 semanas sem e depois volta a apresentar pericardite Crônica pericardite por > 3 meses
Síndrome inflamatória aguda com ou sem derrame pericárdico Quase a totalidade dos casos – pct apresenta o quadro pela primeira vez Costuma ser auto resolutiva – dura aproximadamente uma semana Diagnostico: quadro clinico + critérios
A dor pericárdica pode ser confundida com a dor do IAM A dor da pericardite aguda é uma dor pleurítica: ▪ Dor retroesternal do tipo pontada, rasgada, queimação ▪ Localizada ▪ Pode irradiar para o trapézio ▪ Piora com respiração e decúbito ▪ Melhora com posição de prece maometana (genopeitoral) – “de 4” Ausculta cardíaca: atrito pericárdico - roçar de couros
O ECG é recomendado para todos os pacientes com suspeita de pericardite ▪ Descarta a possibilidade de um IAM ▪ O supra se diferencia da IAM por estar presente em todas as derivações O ecocardiograma é recomendado para todos os pacientes com suspeita de pericardite ▪ Avalia a quantidade de liquido e se há disfunção contrátil do ventrículo ▪ Quando há disfunção significa que a infecção já atingiu além do pericárdio – o músculo cardíaco está infectado O RX é recomendado para todos os pacientes com suspeita de pericardite ▪ Ajuda a diferenciar de outras doenças – pneumonias Marcadores inflamatórios e de lesão miocárdica são recomendados para todos os pacientes com suspeita de pericardite ▪ PCR, VSH, hemograma: avaliam o nível da inflamação - ver o quanto estão elevados ▪ É obrigatório dosar a troponina A região brilhante no ecocardio é o a inflamação
A pericardite aguda viral ou idiopática costuma ser resolutiva 30% pode recorrer se não for tratada com colchicina 1 - 3% evolui para pericardite constritiva Tamponamento cardíaco – raro – quando ocorre o liquido é significativo – pensar em TB quando recorrente, tumor ou pericardite bacteriana (quando o liquido for purulento)
A pericardiomiopatia é uma complicação da pericardite aguda – a infecção comprometeu o musculo cardíaco também Cursa com disfunção ventricular esquerda e sinais de ICFER Pesquisar pelos critérios da pericardite + aumento da troponina Pode haver necessidade de biopsia Manejo: ▪ Cateterismo para descartar IAM ▪ RM para confirmar o envolvimento cardíaco ▪ Internar e monitorar ▪ Evitar atividade física por 6 meses (mesmo que seja atleta) ▪ Utilizar os medicamentos de tto da ICFER: IECA, Aldactone, BB... Pode ser usado AINEs de forma empírica para controle da dor (classe IIA de evidência)
O tamponamento cardíaco é causado pelo derrame pericárdico Quadro clinico: pulso paradoxal, bulhas hipofonéticas, hipotensão arterial, área cardíaca grande no RX com pulmão limpo, turgência jugular ECG: baixa voltagem (baixa amplitude das ondas e dos complexos QRS) e alternância elétrica (swimming heart – coração nadando) ▪ A ausência de ondas amplas no ecg significa que os estímulos elétricos não estão sendo captadas pelos eletrodos – há uma quantidade excessiva de líquido na volta do pericárdio impedindo que o estimulo passe e gere uma baixa voltagem Tratamento: ecocardiograma de urgência (avaliar o tamanho, localização, grau de comprometimento e impacto hemodinâmico), pericardiocentese ou cirurgia cardíaca de urgência – é feita guiada por ecocardio ou pelos conhecimentos anatômicos (situações críticas apenas)
Causas: TB, HIV, pós radioterapia ou idiopática – não Se não tratar a pericardite aguda de maneira adequada COM COLCHICINA, começam sinais de insuficiência cardíaca direita - pericardite constritiva Quadro clinico: sinais de insuficiência cardíaca direita: ▪ Fadiga, astenia ▪ Edema ▪ Turgência jugular ▪ Dor abdominal – causada pela distensão da capsula hepática Focos de calcificação na RM – o pericárdio calcifica e o VE não tem espaço para contrair, pois está “apertado” Tratamento: pericardiotomia e medicamentos específicos da pericardite para evitar progressão (ex.: tto da pericardite por tuberculose)